Bolsonaro precisa de um partido forte
Em 2018, Bolsonaro saiu de um partido nanico, o PSL, e o transformou na segunda bancada da Câmara. Mas hoje, com tanta crítica contra ele e tanta coisa para se defender, precisa de um partido forte, que seja enraizado em todo o país, com coligações para sustentar sua candidatura. E essa é a dificuldade. Assim como ele não tem qualquer lógica em suas articulações políticas, os partidos que o apoiam também não têm, muitas vezes dependem de acordos regionais. O PL do Nordeste, por exemplo, quer apoiar Lula, e em algum outro estado pode haver uma situação regional específica. Mas o PL analisou bem a situação e acredito que vá se acertar com Bolsonaro. O maior problema é São Paulo. Caso João Doria perca a prévia do PSDB, aí então Valdemar Costa Neto fica livre para apoiar outro candidato, como deseja Bolsonaro. De qualquer maneira, vai ser um acerto malfeito, desarrumado e vai dar brecha ao partido de abandoná-lo se, por volta de março ou abril, Bolsonaro não aparecer com chances de vitória. Da mesma maneira que aconteceu em 2018, quando as candidaturas de Alckmin e Marina foram abandonadas. Na prática, ele não tem nenhuma segurança de que será apoiado.
Candidatos a governos estaduais do PDT de Ciro abrirão palanque para Lula... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/11/13/candidatos-a-governos-estaduais-do-pdt-de-ciro-abrirao-palanque-para-lula.htm?
O PDT do presidenciável Ciro Gomes terá candidato a governador em meia dúzia de estados. O partido montará palanque duplo em pelo menos três. Rodrigo Neves, no Rio de Janeiro; Weverton Rocha, no Maranhão; e Edvaldo Nogueira, em Sergipe, recepcionarão também o petista Lula. Presidente do PDT, Carlos Lupi disse em entrevista ao UOL que respeita a realidade política local. "Ninguém está acorrentado no processo político", ele declarou.
A bipolaridade estadual submete o candidato do PDT ao Planalto a um paradoxo. Ciro trabalha com a hipótese de que a pandemia e seus efeitos econômicos derreterão as pretensões eleitorais de Bolsonaro, abrindo espaço para que outro candidato dispute o segundo turno contra Lula. "Eu vou pra cima dele", avisou Ciro em maio, referindo-se a Lula como "o maior corruptor da história brasileira."
Desde então, os comentários de Ciro em relação a Lula e ao petismo tornam-se cada vez mais ácidos. Já tachou Lula de "falso titã". Declarou que o PT tenta esconder "o pior da sua história: a corrupção do governo Lula e a incompetência do governo Dilma." Afirmou que Lula "nunca pediu perdão pelos erros". Acusou-o de fazer alianças com políticos que tramaram o impeachment de Dilma. Insinuou que Lula conspirou pela queda de sua pupila.
Ex-ministro de Lula e Dilma, Lupi absteve-se de comentar os ataques corrosivos de Ciro: "Cada um tem seu estilo de fazer campanha e de emitir suas opiniões". Deu de ombros para a desconexão entre a pregação antipetista de Ciro e a abertura de palanques estaduais do PDT para Lula. "Na campanha da televisão vai estar o 12, número do Ciro."
Para Lupi, Lula foi um "bom presidente", pois "gerou muito emprego para os pobres" e "fez uma política social muito boa". Em contrapartida, "foi também o presidente que mais fez o sistema financeiro ganhar dinheiro." Nada que impeça o PDT de se aliar a Lula num hipotético segundo turno travado entre o candidato do PT e Bolsonaro, ou opções "adjacentes", como Sergio Moro e João Doria.
Vai abaixo a íntegra da entrevista de Carlos Lupi. O trecho em que ele fala sobre o palanque duplo nos estados (começa em 23:37, prolongando-se até 27:52).
Costa Neto recebe ‘carta branca’ de diretórios estaduais do PL para filiar Bolsonaro
17 de novembro de 2021 | 19h48
O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, informou ter recebido “carta branca” dos diretórios estaduais, nesta quarta-feira, 17, para mexer em alianças regionais e facilitar a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao partido.
Um dos principais pontos de divergência entre a cúpula do PL e Bolsonaro é justamente São Paulo, o maior colégio eleitoral do País. Foi por causa da aliança do PL com o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e também pela disposição do partido em apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Estados do Nordeste que Bolsonaro decidiu adiar a filiação à sigla comandada por Costa Neto.
O PL compõe a base aliada que dá sustentação a Doria na Assembleia Legislativa e tem cargos importantes na área de infraestrutura. Integrante do Centrão, o partido tem compromisso de apoiar o vice-governador Rodrigo Garcia, pré-candidato do PSDB ao Palácio dos Bandeirantes, mas Bolsonaro quer lançar para essa cadeira, em 2022, o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas.
Em reunião realizada nesta quarta-feira, 17, com dirigentes dos diretórios estaduais e parlamentares, Costa Neto comunicou que a configuração dos palanques nos Estados sofrerá mudanças. Segundo o senador Wellington Fagundes (MT), o presidente do PL disse que o apoio ao PSDB paulista “pode ser revisto de acordo com as condições de agora”.
Mesmo assim, ainda não há definição sobre quais arranjos estaduais serão mudados. "O partido definiu, homologou e entregou carta branca ao presidente Valdemar para que, em nome do diretório nacional, junto com os membros do diretório, possa ver caso a caso", disse Fagundes.
Vice-líder do governo, o senador Jorginho Mello (PL-SC) também demonstrou confiança na filiação de Bolsonaro. "O partido, unanimemente, entregou uma procuração ao presidente Valdemar para que ele trate com o presidente Bolsonaro e todo mundo vai receber o presidente de braços abertos", disse Mello.
Bolsonaro está em viagem por países árabes e só retornará ao Brasil nesta quinta-feira, 18. Apesar das declarações otimistas, a entrada do presidente no PL não está certa e ainda haverá um encontro entre ele e Costa Neto. A filiação estava marcada para o dia 22, mas foi adiada após troca de mensagens entre os dois, nos últimos dias, nas quais houve até xingamentos.
Ao chegar à reunião desta quarta-feira, o ex-senador e presidente do PL no Espírito Santo, Magno Malta, aliado de Bolsonaro, minimizou as divergências entre o partido e o presidente. “Temos que resolver problemas paroquiais. Nada além disso”, afirmou.
No Nordeste, porém, o PL também tem alianças que esbarram nos planos de Bolsonaro. No Piauí, por exemplo, o partido está aliado ao governador Wellington Dias (PT). Na Bahia, embora o PL planeje se aliar a ACM Neto (DEM) para o governo estadual, há uma ala do partido que mantém proximidade com o governador Rui Costa (PT).
Já em Pernambuco, o prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira (PL), tem compromisso firmado com a prefeita de Caruaru, Raquel Lyra (PSDB), para uma dobradinha com vistas à eleição ao governo estadual. Isso inviabiliza os planos eleitorais do ministro do Turismo, Gilson Machado, que é citado por Bolsonaro como candidato ao governo ou ao Senado no Estado.
Integrantes do PL rejeitam o ministro para a eleição majoritária e sugerem o nome dele para deputado federal. Tanto no caso do Piauí, quanto em Pernambuco, Costa Neto emitiu comunicados oficiais na semana passada garantindo a autonomia dos diretórios. Nesta quarta-feira, Anderson, que também é presidente do PL em Pernambuco, evitou comentar os planos eleitorais do ministro do Turismo, mas disse que "o partido está muito alinhado para receber bem o presidente Bolsonaro".
Geléia tucana - Por Merval Pereira / O GLOBO
PSDB e PT, que disputaram a liderança política do país durante 20 anos, até 2014, podem voltar a ser decisivos na eleição de 2022, em situações paradoxais muito próprias da geléia geral partidária brasileira.
Uma chapa com Lula para presidente e Geraldo Alckmin para vice deixou de ser “impensável” para ser “possível”, o que pode influir decisivamente no resultado final. O ex-presidente Lula, aproximando-se de Alckmin, dá passos largos em direção ao centro, mesmo que seja apenas um gesto político, que dificilmente se transformará em mudança de seu programa de governo.
O PT deve continuar sendo estatizante e controlador de áreas estratégicas, como a informação e comunicação, a cultura, a educação. Assim como o governo Bolsonaro de início deixou a área econômica com o “Posto Ipiranga” liberalizante e acabou controlando o setor com intervenções estatais e visão estatizante.
Mas a hoje possível, mas não provável, ida de Alckmin para um partido aliado do PT, a formar uma chapa presidencial, teria inicialmente o condão de mexer com a briga interna do PSDB, que caminha para uma prévia fratricida. O partido teria em São Paulo, sua principal base política, uma cunha importante com os adeptos de Alckmin querendo derrotar o governador, que consideram um traidor.
Doria, porém, poderia eleger seu candidato ao Palácio Bandeirantes, o vice-governador Rodrigo Garcia, fortalecendo sua campanha presidencial caso vença as prévias. O PSDB, no entanto, está estraçalhado pelas brigas internas. A bancada tucana na Câmara tem sido uma aliada não declarada do governo Bolsonaro, e a partir de quando se declarou “oposição”, por esses estranhamentos da política brasileira, passou a votar ainda mais alinhada ao governo.
Antes, quando fazia parte formal da base do governo na Câmara, o apoio era de cerca de 75% aos projetos do governo, hoje, passou a cerca de 85%. Na votação da PEC dos Precatórios, com toda a polêmica gerada na oposição, o apoio da bancada tucana foi de 65%. Essa lealdade deve-se principalmente à atuação do deputado federal mineiro Aécio Neves, que mantém sua influência no partido. A partir de Minas Gerais, uma das mais importantes seções da legenda, Aécio comando uma oposição ao governador João Doria e apoia o governador gaúcho Eduardo Leite nas prévias presidenciais.
Dos 53 deputados mineiros, 37 votaram com o governo na PEC dos Precatórios. Com isso, Doria tem marcado uma posição mais oposicionista ao governo federal, além de ter a chancela da vacina Coronavac para pavimentar seu caminho à vitória nas prévias e posterior candidatura presidencial. Mas Eduardo Leite tem apoio de seções importantes, como Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, os três maiores colégios eleitorais depois de São Paulo no partido.
Se derrotar Doria, Leite se tornará o fato novo mais importante das eleições, juntamente com o ex-juiz Sérgio Moro. Se o governador paulista vencer, terá pela frente um partido dividido que dificilmente terá espaço para a reconciliação, com parte dele aderindo à candidatura de Bolsonaro. O eleitorado tucano que abandonou Alckmin em 2018, deixando-o com menos de 5% dos votos, pode ajudar Lula em 2022, decepcionado com o governo Bolsonaro. Ainda mais com Alckmin como vice.
Especialmente em São Paulo, onde os tucanos sempre saem à frente com largas vantagens que não parecem esperar o governador Doria, caso ganhe as prévias. Já o governador do Rio Grande do Sul Eduardo Leite perderia um apoio importante do próprio Alckmin se vencer as prévias. Alckmin é o favorito para o governo de São Paulo e pode esperar por uma vitória de Leite para decidir para onde ir, ou mesmo ficar no PSDB caso a derrota de Doria o enfraqueça dentro de seu próprio território. Mas mesmo que tenha que deixar o partido que ajudou a fundar, mas não aceitar ir para a órbita de Lula, o ex-governador Alckmin poderá apoiar Leite, trazendo boa parte dos tucanos paulistas



