Busque abaixo o que você precisa!

Governo Lula não sabe como ressarcir aposentados, mas fará de qualquer jeito pois a eleição vem aí

Por Carlos Andreazza / O ESTADÃO DE SP

 

 

Ante o roubo bilionário aos nossos mais velhos, o mantra governista é: Lula ordenou que nenhum aposentado seja prejudicado. Disse o advogado-geral da União: “O que não podemos, neste momento, é sermos omissos. E não seremos.” Um incauto que ouvisse Messias poderia de repente imaginar que este governo teve início em 25.

 

Teve início em 23, ano em que o volume de descontos quase dobrou. Era de pouco mais de R$ 700 milhões em 22. Chegaria a R$ 2,8 bilhões em 24. Chegaria a 25 o governo sem a mais mínima ideia de como ressarcir os roubados; de quantos serão eles e os bilhões a serem restituídos. A natureza da fraude, operada sob a falta de controle do INSS, expressa a impossibilidade de distinguir as vítimas. Lula pagará de qualquer maneira, porque a eleição vem aí.

 

Simone Tebet já nos informou que “o dinheiro que irá ressarcir” não virá somente “da apreensão de bens, porque pode ser insuficiente”. Pagaremos a conta todos, inclusive os rapinados.

 

Lula deixou a ordem, pela restituição a todos os surrupiados, e foi celebrar Putin. O presidente, enérgico com o INSS, tirou Lupi e manteve Lupi no Ministério da Previdência Social, e então viajou à Rússia para reverenciar o autocrata; o rigoroso democrata Lula, também um dos salvadores da democracia brasileira.

 

Para falar de rigor: o novo ministro da Previdência Social era o secretário-executivo da pasta; e estava na reunião formal em que o governo foi informado da roubalheira. Antes, deputado, fora coautor de muamba em medida provisória que adiaria a eficácia de mecanismos de controle sobre a concessão de descontos.

Toda essa sacanagem desnudada – e o governo a manter inalterado o feudo da Previdência Social. Governo que, ciente das fraudes desde (pelo menos) junho de 23, só tomaria providências em março de 24. Providências cujos efeitos se medirão no fato de os dinheiros descontados terem mais que dobrado em 24.

 

Ainda Messias: “Preferimos atuar, em caráter excepcional, para compensar cada vítima que foi lesada por esse escândalo criminoso.” Seria o caso de lhe perguntar como fundamentará o pedido por crédito extraordinário. Ou alguém acredita que Orçamento que nem sequer prevê o Pé de Meia poderá ser remanejado para ressarcir as vítimas?

 

Será necessário fabricar a bufunfa, para cujo pedido formal o cronista propõe, por base, algo de franqueza rigorosa assim: Também responsáveis os senhores parlamentares pela ladroagem, venho por meio desta pedir novamente ao Congresso bilhões suplementares para cobrir o buraco derivado do roubo aos aposentados, golpe decorrente de termos sido, com generosidade, omissos e incompetentes.

 

Apostando que o tempo fará a indignação se acomodar, e de modo a propagandear que cobriremos o rombo legado pela cobertura a este roubo, apregoamos a intenção de cobrar a nossas fraternas associações sindicais que devolvam a grana larapiada.

Foto do autor

Opinião por Carlos Andreazza

Andreazza escreve às segundas e sextas. Também apresenta, de segunda a sexta, o programa multiplataforma Estadão Analisa. É apresentador e colunista da Rádio BandNews FM. Foi colunista do jornal O Globo e âncora da rádio CBN.

MDB se afasta de Lula ao buscar aliança com Republicanos após federação União-PP

Raphael Di CuntoRanier Bragon / FOLHA DE SP

 

anúncio da federação entre União Brasil e PP levou o MDB a buscar uma aliança nacional com o Republicanos que, se concretizada, pode afastar o partido do apoio formal à reeleição do presidente Lula (PT) —hoje já improvável, segundo emedebistas.

A federação exige que os partidos atuem juntos em todos os estados e nacionalmente, como se fossem uma só agremiação, por quatro anos.

O instrumento surgiu em 2021 como uma forma de sobrevivência das pequenas legendas, mas tem mexido também no tabuleiro dos grande partidos.

A federação União-PP, chamada União Progressista, terá a maior bancada da Câmara, com 109 deputados federais, e do Senado, com 14 senadores (empatado com PSD e PL). Também terá a maior parcela dos fundos partidário e eleitoral e o maior tempo de propaganda eleitoral na TV e rádio.

Os demais partidos de centro-direita e direita avaliam que a estrutura da federação União-PP dará ao grupo a condição de pleitear as vagas de candidatos ao Senado ou vice-governador em cada estado, com a oferta de tempo de TV.

Além disso, a aliança entre duas grandes siglas facilitará a montagem das chapas para deputado federal e estadual, ao reunir muitos candidatos com votos, o que facilita a eleição devido ao atual sistema proporcional, que leva em conta na distribuição das vagas a votação de todos os candidatos da legenda ou da federação.

Para reagir a essa nova força eleitoral, MDB e Republicanos intensificaram conversas sobre se unirem em uma federação também. O Republicanos chegou a discutir a ideia de integrar o grupo de União Brasil e PP, mas desistiu porque seria minoritário na composição.

Outra conversa do Republicanos é com o partido que resultará da fusão entre PSDB e Podemos. Essas negociações, no entanto, ainda precisam aguardar a concretização dessa união para começarem de fato.

No MDB, a ideia da federação começou a ser debatida no mês passado, num encontro entre o presidente do partido, Baleia Rossi (MDB), e o do Republicanos, Marcos Pereira, mas ganhou adeptos entre diversas alas do emedebismo após o anúncio da União Progressista.

"A consolidação dessa federação faz com que as pessoas deixem de lado as filigranas do processo e entendam como necessária uma federação", diz o deputado José Priante (MDB-PA), primo do governador do Pará, Helder Barbalho (MDB).

Para o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB), o partido precisa buscar alianças para se manter como um ator importante na política. "Quem não se federar vai ficar numa divisão inferior, e o MDB é partido de série A, não pode admitir disputar outra série", afirma.

Ele é cotado para disputar o Governo de Alagoas em 2026, e seu pai, o senador Renan Calheiros (MDB-AL), deve concorrer à reeleição. Ambos enfrentarão o grupo do ex-presidente da Câmara dos Deputados Arthur Lira (PP-AL), que terá o suporte da nova federação para se candidatar ao Senado contra os emedebistas.

No estado, o MDB dos Calheiros firmou uma parceria com o PSD de Gilberto Kassab. Na quarta-feira (7), Kassab disse não haver acertos ou expectativa de federação, mas que o partido está "aberto a conversas".

Baleia e Marcos Pereira voltaram a se reunir nesta terça-feira (6) para discutir com mais profundidade a federação e os possíveis problemas regionais. Também houve um jantar na quarta, organizado por Priante, com representantes dos dois partidos, como Baleia e o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho (Republicanos).

Entre as dificuldades está, por exemplo, o Espírito Santo, onde Ricardo Ferraço (MDB) deve assumir o governo e disputar a reeleição com a renúncia do governador Renato Casagrande (PSB) para concorrer ao Senado. O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), é um potencial candidato ao governo contra ele.

Outro estado com dificuldades é a Bahia, onde o MDB está na vice do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e o Republicanos faz parte do grupo do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Ainda há problemas em Pernambuco, com o próprio MDB dividido sobre quem apoiará na eleição para governador em 2026, Roraima e Paraíba.

Lideranças dos dois partidos, no entanto, entendem que é possível conversar nos próximos meses para superar esses conflitos regionais e que a prioridade é fortalecer os partidos nacionalmente.

Se unidos, MDB e Republicanos teriam 15 senadores, a maior bancada da Casa, além de 88 deputados e cinco governadores.

A possível aliança com o partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, afasta mais o MDB da possibilidade de apoiar a reeleição de Lula.

Tarcísio é cotado como sucessor de Jair Bolsonaro (PL), caso o ex-presidente continue inelegível, mas ele tem a opção também de mudar de legenda e concorrer pelo PL.

Entre dirigentes do MDB, a possibilidade de apoio formal ao petista já é praticamente descartada, a não ser que ocorra uma reviravolta que torne Lula amplamente favorito para a eleição de 2026. A sigla comanda hoje três ministérios: Transportes, Cidades e Planejamento.

Um dirigente nacional diz que mais de 90% da bancada federal não concorda com esse apoio, por acreditar que perderá votos se tirar uma foto com o petista e postar nas redes sociais. Apenas a ala nordestina e parte do Norte ainda cogitariam a coligação.

Emedebistas dizem que Helder, cotado para assumir como vice de Lula no lugar de Geraldo Alckmin (PSB), já estaria convencido de que a coligação com o petista é improvável e estaria concentrando suas forças na eleição para o Senado.

Parlamentares do entorno do governador do Pará afirmam, entretanto, que não há decisão nesse sentido e que é preciso esperar a definição das variáveis de 2026 —entre outras, as condições em que Lula chegará na disputa e qual será o candidato de Bolsonaro, caso seja mantida a sua inelegibilidade.

Justiça Eleitoral condena ex-prefeito de Iguatu e ex-vereadores por abuso de poder e compra de votos em 2024

Escrito por Igor Cavalcante / DIARIONORDESTE
 
 

Justiça Eleitoral condenou por abuso de poder econômico e captação ilícita de votos o ex-prefeito de Iguatu, Ednaldo Lavor (PSD), e dois ex-vereadores e ex-candidatos a prefeito e vice-prefeito na cidade, Rafael Gadelha e Bandeira Júnior (PSD), respectivamente.

O juiz eleitoral Carlos Eduardo Carvalho Arrais, da 13ª Zona Eleitoral de Iguatu, entendeu que a chapa montada pelos aliados de Lavor no pleito do ano passado tentou conquistar o apoio de eleitores por meio do fornecimento de combustível para veículos.

A condenação do grupo inclui multa no valor de R$ 10 mil para cada um dos políticos e inelegibilidade pelo período de oito anos.

À época dos fatos investigados, Ednaldo era prefeito de Iguatu, já Rafael e Bandeira eram seus candidatos aos cargos de prefeito e vice-prefeito, respectivamente. Para a acusação, representada pela chapa do candidato derrotado Ilo Neto (PT), o trio usou a estrutura do município para financiar o abastecimento de veículos de eleitores que participaram de carreatas. 

Segundo a chapa petista, no dia 30 de agosto do ano passado, formou-se uma "extensa fila de veículos" em um posto de combustível de Iguatu que fornecia combustíveis, de forma exclusiva, para a frota de veículos das secretarias. "Além disso, o bombeiro afirma expressamente que o irmão do prefeito determinou o abastecimento na bomba destinada à frota da prefeitura", segundo o relato da acusação.

O que diz a defesa

Nos autos do processo, a defesa de Ednaldo Lavor, Rafael Gadelha e Bandeira Júnior argumentou que não há provas sólidas atestando que o suposto abastecimento irregular "foi autorizado, ordenado ou executado" pelo trio. A defesa ressaltou ainda que Rafael e Bandeira renunciaram às candidaturas antes das eleições.

Na decisão, o juiz eleitoral ponderou que, apesar da desistência dos candidatos, as condutas ainda devem ser apreciadas. O magistrado também ressaltou que os três investigados participaram da carreata no dia 30 de agosto, data citada pela acusação.

“Não havendo que se falar em desconhecimento das circunstâncias do evento, haja vista que os candidatos devem zelar pela correta obediência à legislação eleitoral, notadamente a correta prestação de contas”, pontuou.

O juiz eleitoral Carlos Eduardo Carvalho Arrais mencionou ainda o vídeo da fila de veículos para serem abastecidos no dia do evento.

“Através da mídia é possível observar vários veículos, alinhados em fila, para o abastecimento de combustível. Na ocasião, o mencionado candidato a vereador questionou ao frentista em serviço qual era a bomba que realizava o abastecimento dos veículos da Prefeitura, ao que o frentista respondeu que era exatamente a bomba que estava, naquela ocasião, abastecendo os veículos enfileirados. O vídeo reproduz, ainda, que o então candidato a vereador questiona o frentista acerca de quem era o responsável pela autorização daquele abastecimento, ao que o frentista respondeu ser o irmão do Sr. Ednaldo de Lavor Couras, ora investigado e então prefeito de Iguatu, apoiador da candidatura do Sr. Rafael Francelino de Alcântara, também conhecido como Rafael Gadelha”, relata.

O magistrado apontou ainda que, na prestação de contas da chapa apoiada pelo ex-prefeito, não há qualquer menção a gastos com combustíveis.

“Tais circunstâncias tornam robusta a prova constante nos autos para comprovar o alegado abuso de poder econômico, além de captação ilícita de sufrágio, diante da constatação da entrega indiscriminada de combustível a eleitores, que deixa bastante evidenciado o fim de agir dos investigados em angariar apoio político dos munícipes de Iguatu através de forte emprego de recursos econômicos para persuadir os eleitores a votarem nos candidatos demandados”, concluiu o juiz.

Por fim, ele decidiu pela condenação do trio pelas práticas de abuso de poder econômico e captação ilícita de votos.

"Razão pela qual aplico pena de multa no valor de 10.000,00 para cada um dos investigados, e declarar a inelegibilidade dos investigados para as eleições a serem realizadas nos 8 anos subsequentes às eleições de 2024, pela prática de abuso de poder político e econômico", conclui.

Ednaldo, Rafael e Bandeira podem recorrer da decisão. O PontoPoder procurou a assessoria de imprensa do ex-prefeito e dos ex-candidatos a prefeito e vice e aguarda retorno.

 

Ciro se reúne com bolsonaristas no Ceará e sinaliza aliança contra o PT em 2026

Por Rayanderson Guerra / O ESTADÃO DE SP

 

 

RIO – O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) se reuniu na manhã desta terça-feira, 6, com lideranças bolsonaristas do PL, União Brasil e Progressistas do Estado e sinalizou a construção de uma aliança contra o PT nas eleições de 2026.

 

Ao lado do deputado estadual Alcides Fernandes (PL), pai do deputado federal André Fernandes (PL-CE) – um dos principais defensores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Câmara –, Ciro afirmou que vê no bolsonarista “todos os dotes e qualificações”, “um homem decente, de fé”, para o Senado em 2026. E desconversou sobre a possibilidade de se lançar pela aliança em formação como candidato ao governo do Estado.

 

“Alguns amigos muito generosos lembram o meu nome, que não pretendo mais ser candidato a nada. À luz dessa salvação do Ceará, eu não posso me eximir de cumprir o papel. Não desejo ser candidato. O meu partido tem candidato que acha que está qualificado, que é o Roberto Cláudio”, afirmou Ciro em entrevista após encontro reservado com Alcides Fernandes e lideranças bolsonaristas na Assembleia Legislativa do Ceará.

 

Os novos aliados veem em Ciro um nome capaz de disputar o comando do Palácio da Abolição, sede do governo estadual, contra o atual governador Elmano de Freitas (PT) nas próximas eleições. O ex-chefe do Executivo cearense, no entanto, é reticente em avançar as discussões.

 

Um dos entraves é o desejo do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) em disputar o comando do Estado. Cláudio se reuniu com o presidente do partido, Carlos Lupi, ex-ministro da Previdência do governo Lula, em fevereiro deste ano, e recebeu “carta branca” para formar as alianças para o próximo pleito, inclusive com a direita, segundo pedetistas.

O PDT não pretende abrir mão de encabeçar a chapa da aliança para o governo do Estado em 2026, mas está disposto a apoiar o candidato do PL ao Senado. No encontro desta terça-feira, Ciro destacou o apoio do nome de Alcides Fernandes.

 

“O PL apresenta como possível candidato ao Senado o Alcides, que tem todos os dotes, todas as qualificações. Do jeito que os nossos adversários estão organizando a chapa, lá não tem currículo, lá é folha corrida. Aparentemente, lá, a lista de candidatos até aqui que eu conheço é folha corrida. Então, o Alcides salta longe como homem decente, como uma pessoa nova na política, homem de fé, homem de testemunho”, afirmou Ciro Gomes.

 

Relação com Cid Gomes

Ciro Gomes voltou a falar sobre a relação com o irmão, o senador Cid Gomes (PSB). Cid declarou no fim de abril, em evento do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que, no cenário nacional, não pretende adotar uma posição contrária à de seu irmão. Ciro, no entanto, afirmou que vê o irmão como “cúmplice” do governo de Elmano, no Ceará.

 

“No pessoal, eu não tenho mais nenhuma mágoa. Deus tirou das minhas costas a dor lancinante de uma facada nas minhas costas. Entretanto, eu vejo, fria e geladamente, como uma pessoa preocupada com o que está acontecendo no Ceará, o senador Cid como conivente, como cúmplice, dessa tragédia que está acontecendo no Ceará”, afirmou.

 

O racha começou ainda nas eleições de 2022, com discordâncias sobre o apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT). Enquanto Cid se aproximou da base de apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, consolidando-se como um dos principais aliados do governo federal no Senado e apoiando também a administração estadual de Elmano de Freitas no Ceará, Ciro manteve uma postura crítica e firme contra o PT, tanto no contexto nacional quanto estadual.

 

Essa diferença de posicionamento culminou, no início de 2024, na saída de Cid e de seus aliados do PDT e sua filiação ao PSB. A mudança aprofundou a divisão entre os grupos conhecidos como “cidistas” e “ciristas” na política cearense.

ciro gomes em reunião do pdt

Datafolha: Lula estanca queda de popularidade, mas reprovação (38%) ainda supera aprovação (29%)

Renata Galf / FOLHA DE SP

 

 

São Paulo

Após ver sua popularidade desabar no começo deste ano e atingir o pior patamar de todos os seus mandatos, o presidente Lula (PT) estancou a crise e conseguiu uma leve melhora na proporção dos que avaliam sua gestão como ótima ou boa, segundo a mais recente pesquisa Datafolha.

O índice de aprovação subiu de 24%, no levantamento de fevereiro, para 29%. Mas segue distante dos 38% que consideram o governo como ruim ou péssimo —antes eram 41%. Já os que classificavam sua gestão como regular continuam sendo 32%.

O Datafolha ouviu 3.054 pessoas, com 16 anos ou mais, em 172 municípios, de terça (1º) até quinta-feira (3). A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos.
 

Os números aferidos nesta semana estão no segundo pior patamar da gestão Lula 3 —a situação é melhor apenas que a de fevereiro.

Nos demais levantamentos do Datafolha ao longo do terceiro mandato do petista, o índice dos que viam o governo como ótimo ou bom era ao menos numericamente superior ao de ruim ou péssimo. Em dezembro, a taxa de aprovação era de 35%, contra 34% da de reprovação.

A queda de popularidade de Lula se deu em meio à subida do preço dos alimentos, que tem pressionado a inflação, e crises como a do Pix —com medidas que motivaram fake news sobre uma suposta taxação.

O petista fez no começo do ano uma mudança na Secom (Secretaria de Comunicação Social), colocando o marqueteiro Sidônio Palmeira para comandar a pasta. Conforme mostrou a Folha, integrantes do Executivo e parlamentares faziam a avaliação de que as medidas já tomadas ainda não haviam surtido efeito.

Segundo a pesquisa Datafolha, o atual índice de avaliação positiva de Lula é semelhante aos 28% registrados em outubro e dezembro de 2005, durante seu primeiro mandato e em meio à crise do mensalão.

No mesmo período de seu mandato, em maio de 2021, em meio à pandemia de Covid, Jair Bolsonaro (PLmarcava 24% de bom ou ótimo e 45% de ruim ou péssimo. Naquela altura, 30% avaliavam o governo como regular.

Quando questionados se aprovam ou desaprovam o governo Lula, o cenário atual é de empate dentro da margem de erro: 49% desaprovam, enquanto 48% aprovam. Outros 3% dizem não saber.

Apesar da leve alta na aprovação desde fevereiro, a expectativa futura em relação ao governo não melhorou.

Quando questionados se, daqui para frente, Lula fará um governo ótimo, bom, regular, ruim ou péssimo, o índice dos que fazem um prognóstico positivo é igual ao do negativo: 35%. Outros 28% dizem que será regular.

Em comparação com os resultados medidos anteriormente, é a primeira vez que a perspectiva mais otimista não é numericamente superior à negativa.

Além disso, o cenário se afasta bastante do medido no início do terceiro mandato, em março de 2023, quando 50% diziam que Lula faria um governo ótimo/bom, contra apenas 21% que tinham uma visão pessimista.

Também a resposta à pergunta se a vida melhorou ou piorou após a posse de Lula não traz boas notícias para o governo: 29% dizem que piorou. Em julho do ano passado, 23% diziam o mesmo.

Já os que dizem que a vida melhorou ficou em 28%, variando dentro da margem de erro (antes eram 26%). Os que respondem que a vida permaneceu igual passou a 42% (saindo do patamar anterior de 51%).

Considerando-se apenas as mulheres (com margem de erro de três pontos), a avaliação de ótimo ou bom de Lula agora é de 30%, melhorando o índice de fevereiro, em que tinha amargado 24% no segmento que dava a ele 38% até dezembro.

Entre os mais pobres —aqueles que ganham até dois salários mínimos, com margem de erro de três pontos—, o governo viu sua avaliação positiva oscilar apenas um ponto percentual, ficando em 30% (era de 29% em fevereiro). O segmento era aquele em que Lula se saía melhor, com 44% de avaliação positiva em dezembro.

A recuperação parcial da avaliação positiva do presidente de fevereiro para abril foi mais forte, conforme aponta o Datafolha, entre aqueles com escolaridade superior (margem de erro de quatro pontos), que passou de 18% para 31%, e também entre as faixas de renda mais altas.

Entre os que ganham de 2 a 5 salários (margem de erro de três pontos), a taxa de avaliação positiva passou de 17% para 26%. Tanto entre os que ganham de 5 a 10 salários (margem de erro de cinco pontos) quanto na faixa dos que ganham mais de 10 salários (margem de erro de oito pontos), passou de 18% para 31%.

Já entre as regiões do país, a avaliação positiva do presidente segue mais alta no Nordeste (margem de erro de quatro pontos), com 38%. Mas ainda não se recuperou da queda de dezembro para fevereiro, quando caiu de 49% para 33%.

No Sudeste, a avaliação positiva é 25%, frente a 20% no último levantamento.

O governo Lula prepara uma ofensiva publicitária e prevê contratos de ministérios, bancos e estatais que podem alcançar R$ 3,5 bilhões neste ano, após a conclusão de licitações para seleção de agências de propaganda.

Na última quinta, sob comando de Sidônio, a gestão petista fez um evento com ares eleitorais para divulgar um balanço, intitulado "Brasil Dando a Volta por Cima".

Compartilhar Conteúdo

444