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Lula passa por um momento crucial para as eleições de 2026

Por William Waack / O ESTADÃO DE SP

 

 

Se ainda há estrategistas no que sobrou do antigo Estado Maior do PT, o dilema é monumental. Não dá para encarar as próximas eleições sem Lula. E se avolumam evidências de que também não dá para encarar com ele. A questão principal não são números de economia que possam se transformar em índices de popularidade. Ou consigam compensar o efeito negativo de escândalos de corrupção acompanhados de aumento de impostos.

 

A figura de Lula é a desse dilema provavelmente sem solução. Ele está sendo alcançado pelo que é inexorável na condição humana, visível para eleitores que tomam decisões muito mais a partir de percepções subjetivas diretas do que por “números”. Mesmo segmentos do eleitorado até aqui “cativos” mudaram muito, basta ver o avanço dos evangélicos. E a distância de Lula para esses setores aumentou. Quando Lula passa a falar muito em Deus, soa desconexo.

 

Há um outro problema, objetivo e direto, pelo qual Lula é o principal responsável. Ele não conseguiu firmar um “movimento de massas” ao qual pudesse designar um sucessor. Simplesmente não há no PT, que está longe de ser movimento de massas, qualquer quadro razoavelmente pronto para assumir seu lugar.

Fato agravado pela ausência de um legado a ser defendido e ou administrado. O nacional desenvolvimentismo que poderia ser visto como “doutrina” do lulo-petismo tem várias vertentes espalhadas pelo espectro político – inclusive em forças “de direita” que se opõe ferozmente a Lula. Idem para componentes políticos iliberais. Também o famoso “gasto é vida”, a base da política fiscal, se amplia por gordas fatias do Centrão. Parte da sobrevivência de um governo medíocre como o de Lula se explica pela sua participação num “consórcio” gastador composto por um Legislativo sempre apreciador de benesses sociais e um Judiciário cujo corporativismo está fora de controles efetivos.

 

Renuncias fiscais (incluindo subsídios e regimes especiais de proteção) e expansão de gastos públicos são um consenso social no Brasil, do qual Lula é apenas uma das expressões. Em outras palavras, Lula não exibe mais apelos genuinamente próprios e passou a ser uma sombra de si mesmo ao tentar convencer o eleitor de que possui as chaves para um futuro melhor. 

 

Seu governo notoriamente desarticulado é a consequência disso. Não se pode falar de “bate cabeças” no Planalto, pois ali só existe uma, com uma capacidade decrescente de leitura dos fatos da realidade política – especialmente a perda de poder relativo do Executivo. E uma soberba igualmente dissociada da sua verdadeira estatura, dentro e fora do País.

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Opinião por William Waack

Jornalista e apresentador do programa WW, da CNN

O passadismo decrépito do PT

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

É mesmo singular o mundo em que vivem os capas-pretas do petismo. Enquanto o governo do presidente Lula da Silva enfrenta sucessivas, permanentes e gravíssimas crises de natureza política, econômica e existencial, os candidatos à presidência do PT se reuniram na segunda-feira passada e produziram um festival de despautérios no primeiro debate público entre eles, surpreendente até para quem já espera o pior de qualquer convescote do partido.

 

Entre muitos delírios, três dos quatro postulantes – Rui Falcão, Valter Pomar e Romênio Pereira – defenderam estultices como a radicalização do governo lulopetista “à esquerda”, pregaram a necessidade de o partido sair em defesa de ditaduras companheiras como Cuba, Venezuela e “todos os povos que lutam contra a opressão e a exploração” para enfrentar o “imperialismo” e o “capitalismo”, esbravejaram contra a política econômica conduzida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e, previsivelmente, atacaram os juros altos e o Banco Central, hoje presidido por um indicado de Lula.

 

A Edinho Silva, o quarto candidato e tido como favorito da disputa, restou o papel de alvo dos demais, defensor do indefensável (Lula 3) e anteparo contra os jargões esquerdistas dos adversários. Mas, provocado por um deles, precisou dedicar parte considerável do tempo disponível a, ora vejam, debater os rumos do socialismo. “Sem socialismo a gente não derrota o imperialismo. Sem socialismo a gente não derrota a ditadura do capital financeiro”, resumiu o historiador Valter Pomar, um autodeclarado “revolucionário”, recorrendo ao passadismo decrépito do esquerdismo tradicional para cobrar do ex-prefeito de Araraquara o tratamento devido ao tema. Historicamente o PT nunca se resolveu bem nem com o capitalismo nem com o socialismo. Crítico do primeiro, pregou para o segundo o que definiu como um mal explicado “socialismo democrático”.

 

O atual governo de Lula, a bem da verdade, já tem os piores cacoetes da esquerda, a saber: o discurso estatizante, o culto à personalidade (o PT sempre foi e continuará a ser infinitas vezes menor do que o ego de Lula), o populismo, a aversão ao mercado e ao setor privado, o afrouxamento fiscal e a incapacidade de superar seus limites ideológicos para se apresentar como governante de todos os brasileiros, e não apenas da patota. Mesmo assim, isso não basta para os candidatos à presidência petista.

 

O PT também nutre simpatia especial pelo que há de mais hostil à democracia e aos direitos humanos: Cuba, Venezuela, China, Rússia, os terroristas do Hamas e os aiatolás misóginos e homofóbicos do Irã. Também faz bravatas contra qualquer preocupação mínima com a austeridade fiscal e ignora que juros altos são o preço a pagar pelo populismo lulopetista, consubstanciado na ideia segundo a qual “gasto é vida”, frase símbolo da ex-presidente Dilma Rousseff que quase conduziu os brasileiros à ruína e segue inspirando a tibieza fiscal deste quinto mandato presidencial do PT.

Num dos raros momentos de consenso – e de lucidez –, os quatro candidatos petistas reconheceram que o PT e a esquerda perderam o pulso das ruas, distanciaram-se da juventude e se mostram hoje incapazes de interpretar o pensamento e os anseios da classe trabalhadora. Só não conseguiram reconhecer duas obviedades: sua dificuldade de escapar da obtusa simplificação do conflito brasileiro em uma anacrônica “luta de classes”; e a visão, igualmente simplificadora, da “classe trabalhadora” – como se sabe, o PT ainda enxerga trabalhadores com as lentes de um trabalho e uma base sindical que não existem mais.

 

Este jornal já sublinhou que não está em jogo apenas a escolha de um nome para presidir o partido – se fosse só isso, a eleição petista não teria a menor importância. Mas a definição do futuro presidente do PT dirá muito sobre a bússola que orientará o futuro imediato do partido do presidente Lula. O fato é que os rumos do partido decerto afetarão os rumos do governo. A julgar pelo debate sem bússola, contudo, esses rumos poderão ser ainda mais gravosos do que já são.

Acusações A PF apontou despesas de campanha não identificadas (falsidade ideológica) e não contabilizadas na prestação de contas de campanha do prefeito Roberto Filho. As investigações também encontraram gastos com camisetas de campanha a favor do então

Escrito por João Lima Neto / diarionordeste
 
 

O governador Elmano de Freitas deu um passo importante para segurança hídrica dosemiárido cearense com a assinatura, nesta quarta-feira (4), da ordem de serviço para a implantação de sistemas de abastecimento de água em 11 municípios.

A solenidade foi realizada no Palácio da Abolição, em Fortaleza, e contou com a presença do governador Elmano de Freitas, do secretário do Desenvolvimento Agrário, Moisés Braz, deputados estaduais, prefeitos, representantes de movimentos sociais e lideranças comunitárias.

O investimento total ultrapassa R$ 22,5 milhões e beneficiará diretamente 2.760 famílias. Os municípios que receberão os sistemas de abastecimento de água são:

  • Russas
  • Acopiara
  • Crateús (com dois projetos)
  • Amontada
  • Crato
  • Quixeré
  • Deputado Irapuan Pinheiro
  • Icó
  • Reriutaba
  • Itaiçaba
  • Tabuleiro do Norte

Os projetos fazem parte da nova etapa do Projeto São José, uma iniciativa emblemática do Governo do Ceará voltada para o fortalecimento da agricultura familiar, inclusão produtiva e segurança hídrica.

Com a ordem de serviço de hoje, o Governo do Estado totaliza R$ 73.639.450,89 já investidos em sistemas de abastecimento, além de R$ 58.755.560,51 direcionados para  esgotamento sanitário (módulos sanitários).

Além dos investimentos em água, o governador Elmano lembrou outro marco importante do seu governo: a ampliação do acesso ao ensino superior no interior do estado. Com 153 municípios já contemplados com cursos universitários e de especialização gratuitos, o Ceará caminha para oferecer ensino superior em todos os 184 municípios

Após a assinatura da ordem de serviço, cada município teve representantes das prefeituras e das associações locais assinando também os documentos e recebendo os certificados das obras que serão iniciadas.

Elmano Alece

Tasso Jereissati: 'Nunca trocaremos nossa posição por cargos ou benesses de governo'

Escrito por Igor Cavalcante / DIARIONORDESTE
 

O ex-senador e ex-governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), publicou um vídeo nas redes sociais em que reafirma o papel de oposicionistano Ceará e no Brasil. “O povo nos colocou na oposição e nós nunca trocaremos a nossa situação por cargos ou benesses de governo”, disse o político. O tucano também relembrou o equilíbrio econômico da gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

“No plano nacional, acabamos com a inflação e criamos o Plano Real. No Ceará, uma administração revolucionária, acabando os vícios da antiga política”, disse. A publicação foi feita nas redes sociais do PSDB Ceará.

No texto, a sigla destacou o “protagonismo e as transformações profundas”. 

“Muitas das políticas públicas que hoje sustentam a gestão pública e o desenvolvimento social foram construídas sob nossa liderança. Esse legado não será apagado por conveniências políticas, benesses ou acomodações em cargos de governo. O PSDB honra sua história com coerência e responsabilidade. O povo nos confiou o papel de oposição — e é com coragem, firmeza e espírito público que seguiremos nele, defendendo um Brasil melhor e um Ceará mais justo, democrático e próspero”, completa a nota da sigla.

O pronunciamento de Tasso ocorre em meio a movimentações internas da oposição estadual, com a filiação de Roberto Cláudio ao União Brasil, sigla comandada pelo ex-deputado Capitão Wagner. Os dois políticos, inclusive, já receberam apoio do tucano em eleições anteriores. Wagner foi apoiado por Tasso em 2016, quando disputou a Prefeitura de Fortaleza justamente contra Roberto Cláudio (à época, no PDT). Já o ex-pedetista foi apoiado pelo tucano em 2022, quando disputou o Governo do Ceará.

A nível nacional, o PSDB também vive um momento de mudanças com a articulação da fusão ao Podemos. A união das siglas foi a saída encontrada após anos de crise e desidratação da legenda que já comandou a Presidência da República.

TASSO JEREISSATI

Sem ‘especialista em internet’, avançam as conversas de Lula com a China sobre Defesa e Segurança

Por Eliane Cantanhêde / O ESTADÃO DE SP

 

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, matou no peito e livrou o presidente Lula de uma de suas muitas dores de cabeça, ao negar no Congresso que o governo esteja “importando” um especialista em internet da China, como o próprio Lula havia anunciado. A questão, porém, vai além disso. Há intensas discussões entre os ministérios e negociações com a China para a adaptação de sistemas chineses de defesa externa e de segurança interna no Brasil.

 

Além da gravidade e da urgência do combate ao crime organizado, às milícias e à violência que atormenta o País e as famílias brasileiras todo o tempo, há também uma outra questão, esta política e econômica: a dependência dos satélites e antenas da Starlink, de Elon Musk, na sua área mais estratégica, a Amazônia.

 

As duas palavras chaves para driblar essa dependência dos Estados Unidos e dividir os sistemas com tecnologia e equipamentos da China são “autonomia” e “diversificação”, especialmente quando o governo Donald Trump vai se revelando, dia a dia, hora a hora, um perigo não apenas para o comércio internacional, mas para o equilíbrio geopolítico e para nações como o Brasil, principal País da América Latina.

 

O ministro chefe da Casa Civil, Rui Costa, já foi à China em março, voltou em maio na comitiva de Lula e tem tido reuniões tanto com os ministérios da Defesa, da Justiça, da Fazenda e das Relações Exteriores, como também, diretamente, com os comandos das Forças Armadas, em especial do Exército, responsável pelo Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), que dispõe, por exemplo, de sensores, câmeras, viaturas, radares e estações meteorológicas contra ameaças transfronteiriças.

 

Num jantar restrito à comitiva brasileira, em Pequim, Lula deixou claro que uma das prioridades da sua visita ao país asiático era ampliar a coleta de informações e as conversas bilaterais para o aperfeiçoamento, a abrangência e atualização dos sistemas de defesa e de segurança. A China é uma potência tecnológica nessas áreas.

 

O foco está na estatal chinesa Norinco (China North Industries Corporation), que pesquisa, fabrica, fornece para o Exército chinês e exporta, inclusive para a América do Sul, modernos e sofisticados equipamentos da área de defesa, desde veículos e máquinas a explosivos e produtos químicos e, o que é muito importante, ópticos-eletrônicos. O Brasil tem interesse nos produtos, e a China, em ter participação na Avibras Aeroespacial, a maior fabricante brasileira de defesa.

 

Com seu território imenso, sua fronteira marítima invejável, sua fronteira terrestre complexa e porosa e riquezas incomensuráveis, como a própria Amazônia, o Brasil precisa pensar no hoje e no amanhã. Nada disso, porém, é simples.

 

O obstáculo mais comezinho é a crise fiscal crônica e os sucessivos cortes e contingenciamentos em todas as áreas, mas há também uma questão política delicada. Se é preciso, sim, não ficar “na mão” dos EUA e do próprio Musk, é igualmente necessário cuidar para não atravessar uma outra fronteira: a das liberdades individuais.

 

Assim como não há “especialista” em regulação das redes na China, mas sim em censura, há também um monitoramento implacável contra cidadãos, cidadãs e empresas, inclusive com espionagem tradicional, biometria facial e sensores de calor (inclusive humano), com uma teia hiper complexa de cruzamento de dados, como George Orwell já imaginava no ainda hoje obrigatório “1984”.

 

É fundamental aprofundar a autonomia da defesa e o uso da ciência e da tecnologia contra o crime organizado nacional e transnacional, mas todo o cuidado é pouco para manter o Brasil equidistante das estratégias de dominação tanto dos EUA quanto da China. Eis o centro do debate, ou o X da questão.

 

 

LULA E XI JINPING

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Opinião por Eliane Cantanhêde

Comentarista da Rádio Eldorado, Rádio Jornal (PE) e da GloboNews

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