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Decisões do STF sobre regras eleitorais oscilam conforme contexto político

Lara Mesquita

Professora na Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP) e pesquisadora do Cepesp. Doutora em ciência política pelo IESP-UERJ / FOLHA DE SP

 

Mais de dois anos após as eleições de 2022, o STF segue reinterpretando regras eleitorais e influenciando a composição da Câmara. Em novembro daquele ano, Podemos e PSB acionaram o tribunal contra o entendimento e aplicação da Justiça Eleitoral sobre os critérios de distribuição de cadeiras, tema só definido recentemente.

Até 2017, apenas partidos que atingissem o quociente eleitoral (QE) podiam receber cadeiras. No entanto, as coligações permitiam que partidos se unissem para atingir esse requisito, favorecendo a fragmentação partidária. Para reduzir esse problema e melhorar a governabilidade, o Congresso proibiu as coligações proporcionais a partir de 2020.

Como compensação, flexibilizou-se a exigência do QE, permitindo que qualquer partido participasse da distribuição de cadeiras. Em 2021, criou-se a federação partidária, instrumento semelhante às coligações, mas de abrangência nacional e duração mínima de quatro anos. Como contrapartida, restringiu-se a distribuição de cadeiras a partidos ou federações que atingissem pelo menos 80% do QE.

Em fevereiro de 2024 o STF derrubou essa restrição, permitindo que qualquer partido dispute vagas, mas optou por não alterar a composição da Câmara resultante da eleição de 2022.

 

A ação também questionava a exigência de votação mínima para candidatos. Desde 2015 candidatos precisam obter 10% do QE para ocupar uma cadeira. Em 2021 a exigência foi ampliada: 10% do QE nas cadeiras distribuídas pelo quociente partidário e 20% para a fase das sobras (ou maiores médias).

Essa dinâmica revela duas dificuldades do STF: compreender corretamente o funcionamento e o propósito da cláusula de barreira e do sistema proporcional.

Em 2006, o tribunal invalidou cláusula de barreira que exigia desempenho mínimo dos partidos para que pudessem ter funcionamento legislativo e receber recursos públicos.

A decisão desconsiderou que esse instrumento é comum e necessário em democracias que optam por adotar a representação proporcional. Alemanha, Israel e Nova Zelândia, por exemplo, adotam alguma cláusula desse tipo.

O ministro relator desta decisão, Marco Aurélio de Mello, disse que a medida era "esdrúxula" e "injusta", afirmando que "coloca na vala comum partidos que não podem ser tidos como partidos de aluguel, como PPS, PC do B, PV e PSOL". À época, a preocupação central foi com partidos afetados, e não com os impactos no sistema político ou com a constitucionalidade da regra.

Em 2020, questionou-se no STF a constitucionalidade da exigência de desempenho mínimo para candidatos e o tribunal optou pela manutenção da regra. O relator justificou que "o eleitor vota no candidato" e que a exclusão da regra beneficiaria candidatos com menos votos.

Desconsideraram que no sistema proporcional de lista aberta o eleitor vota na lista do partido, e apenas indica quem gostaria que ocupasse o topo da lista caso coubesse a ele a ordenação da mesma. Exigir desempenho mínimo dos candidatos, mas não dos partidos, distorce o sistema.

A postura do STF mostra um padrão: suas decisões oscilam conforme o contexto político, ainda que isso signifique alterar regras e composição das bancadas após anos de mandato transcorrido.

PLENO DO STF

 

'Jogo político': 'Tarcísio vai esperar Bolsonaro até 31 de março de 2026 e Michelle é ótimo nome para vice', diz marqueteiro do governador de SP

Por Thiago Prado na newsletter Jogo Político / O GLOBO

 

 

Eduardo Bolsonaro anunciou que vai morar nos Estados Unidos até que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes seja punido por "abuso de autoridade" e a curiosidade sobre o que a direita fará em 2026 só aumenta. Ir até o fim com a narrativa de perseguição e manter a candidatura fictícia de Jair Bolsonaro, hoje inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ou ceder a um aliado para tentar retomar o Planalto?

 

Vem da Argentina o sétimo convidado da série da newsletter com estrategistas políticos e donos de institutos de pesquisa sobre a eleição presidencial de 2026. Você pode ler todos os capítulos nos links abaixo:

 

Nascido em Buenos Aires, Pablo Nobel tem currículo extenso, mas destaco dois trabalhos recentes que dizem muito sobre que tipo de entrevista você vai ler a seguir: em 2022, ele fez a campanha vitoriosa do governador de São PauloTarcísio de Freitas (Republicanos), e, no ano seguinte, esteve no país vizinho ajudando a eleger Javier Milei contra Sérgio Massa.

O marqueteiro me recebeu na sede da sua empresa, a PLTK, em São Paulo. Emendamos um almoço e temas não faltaram na conversa de quase três horas: o equilíbrio que Tarcísio faz entre o bolsonarismo raiz e o centro; o julgamento do ex-presidente no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai ocorrer ainda em 2025; e quais os cenários para a direita e a esquerda no próximo ano.

Nobel segue sendo um relevante conselheiro político do governador de São Paulo. Abaixo, os principais trechos do papo:

Comecemos pela grande dúvida da política brasileira atualmente: é melhor Tarcísio de Freitas ser candidato à reeleição ou tentar o Planalto em 2026?

Não sei o que é melhor, sei o que é mais fácil. Sem dúvida, é bem mais simples vir a governador. Os números das pesquisas estão aí: a avaliação positiva de Tarcísio é altíssima, a rejeição baixa. Dito isso, sabemos que muitas vezes a história se encarrega de arrumar o tabuleiro e as decisões não são tão pessoais quanto imaginamos. Agora, temos que esperar.

 

Esperar o Bolsonaro declarar apoio ao governador para concorrer a presidente, é isso que está querendo dizer?

Sim. Está claro para todos que Tarcísio é absolutamente leal a Bolsonaro e que não fará nenhum movimento para prejudicá-lo, ao contrário, vai fazer de tudo para ajudá-lo. Mesmo que seja até 31 de março do ano que vem (data obrigatória para se desincompatibilizar caso queira ser candidato a presidente), Tarcísio vai esperar uma decisão do Bolsonaro para dar os próximos passos. Estaremos sentados até meia-noite aguardando o que ele vai dizer. Não existe ser candidato ao Planalto contra a vontade do ex-presidente.

A questão é que, usando expressões populares brasileiras, Bolsonaro passa a impressão de ter dificuldade de "largar o osso" e "passar o bastão" para um outro nome liderar a direita...

Ele não se decidiu ainda, a verdade é essa. Nem publicamente, nem no seu interior. Bolsonaro ainda acha que será o protagonista na eleição de 2026. Esse clique de que pode ser diferente ainda não aconteceu. Bolsonaro tem a crença de que vai reverter a inelegibilidade determinada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Enquanto ele sentir que isso é possível, vai continuar tentando. É natural e humano isso. Mas, usando outra expressão popular de vocês: muita água ainda vai passar debaixo dessa ponte.

O senhor acha que ele será preso pelo STF e o clique para mudar de ideia pode estar nesse momento?

Não sei se a virada estará aí, sinceramente. Mas sim, acho que ele será preso em setembro.

E o que vai acontecer com as ruas brasileiras?

O clima de injustiça com a prisão pode mobilizar e emocionar as ruas. Vai ser um tiro no pé da esquerda. Bolsonaro pode virar um mártir do conservadorismo e o movimento, que hoje tem tantos candidatos, pode se unir como um todo.

O público abaixo do esperado no ato de Copacabana, no último domingo, não acaba mostrando que Bolsonaro tem, na verdade, perdido apoio popular para esse tipo de mobilização?

Entendo que os números deixaram a desejar no domingo e que, na verdade, inexiste esse interesse todo das pessoas na anistia. Está claro que não estamos diante de uma paixão de multidões. Acho, inclusive, que os organizadores do ato se perderam ao focar apenas na anistia e deixar de lado o "fora Lula". Poderia ter ido mais gente se fosse o contrário. Mesmo assim, a influência do Bolsonaro é enorme ainda. Ele nunca será esquecido por ter dado voz a pessoas que antes estavam escondidas. Quantos que nunca trataram de política na vida passaram a se expressar e encontraram um lugar de fala? Ele deu sensação de pertencimento às pessoas. Antes de Bolsonaro, o conservadorismo estava envergonhado.

O senhor acha correto o Tarcísio ir a atos do ex-presidente onde ministros do STF são atacados?

Claro. Tarcísio fez a defesa que tinha que ser feita e deixou clara a lealdade ao grupo bolsonarista. Acabou sendo o único player da direita que foi ao evento. Ronaldo CaiadoRomeu Zema e Ratinho Júnior não estavam lá.

Ao mesmo tempo, nos bastidores a postura é outra. No ano passado, a série Persona do GLOBO publicou um perfil do governador em que é detalhada a excelente relação dele com Alexandre de Moraes e outros ministros do STF. Afinal, isso é ser dissimulado ou ter habilidade política?

Acho absolutamente válido ele conversar com o Moraes. Mostra um realismo pragmático do governador. Manter as pontes abertas em momentos de crise se faz mais do que necessário. O caminho do meio que o Tarcísio tem praticado nesse sentido está funcionando. Ele tem se mostrado muito hábil nessa ponderação. No domingo, em Copacabana, fez o gesto correto e usou o tom de voz adequado para falar com aquele tipo de audiência.

Nunca veremos um rompimento de Tarcísio com Bolsonaro?

Não dá. Primeiro porque destaco a relação pessoal entre os dois, tem uma confiança entre eles. Além disso, qualquer traição implicaria em uma derrota eleitoral gigante. Esse é o equilíbrio delicado, o brasileiro vê mal esse tipo de movimento. Por outro lado, também é muito importante uma composição com o centro. Bolsonaro não perdeu em 2022 por causa da diferença de votos no Nordeste, mas sim porque não fez uma distância maior em São Paulo. Os tiros do Roberto Jefferson e a arma em punho da Carla Zambelli foram fatos decisivos para afastar o eleitor de centro, que se assustou. Quando fiz a campanha do Tarcísio para governador, disse a ele uma frase que se mantém real até os dias de hoje. Sem o Bolsonaro, não dá. Só com o Bolsonaro, não basta.

Um texto publicado pela jornalista Daniela Lima, da Globonews, cita uma expressão usada por ministros do STF para se referirem a Tarcísio: "Bolsonarista de garfo e faca". É essa imagem que o faz ser aceito, ao mesmo tempo, em Copacabana, nos gabinetes do STF e na Faria Lima?

Acho completamente equivocada a comparação. Apesar de toda a lealdade, Tarcísio não é o Bolsonaro de garfo e faca, de fraque ou de qualquer outra coisa que seja. Ele é o Tarcísio e ponto. Alguém com outra forma e embocadura, que tem uma excelente gestão no estado. Resumi-lo a ser uma versão bem educada e bem vestida de Bolsonaro não se encaixa com a realidade dos fatos.

Quem seria um bom vice para Tarcísio em uma campanha presidencial?

Michelle BolsonaroPor três fatores: é uma mulher, traz o sobrenome Bolsonaro para dentro da chapa e tem capacidade de dialogar com o segmento evangélico. Tarcísio é católico, seria ótimo.

Com o governador fora da corrida eleitoral em São Paulo, quem é o melhor nome da direita para sucedê-lo?

O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite.

A imagem de uma polícia que mata muito não pode atrapalhar o voo presidencial de Tarcísio e uma candidatura Derrite?

Não acho. O discurso mais duro nessa área é o que eleitor está buscando. Não vejo esse tema na casinha das fragilidades, mas sim na das oportunidades. A segurança pública hoje é o tema que corta transversalmente todas as classes sociais. As pessoas vão prestar atenção nesse assunto e, pela posição onde está, Derrite larga na frente em 2026.

Tem muita gente de olho nessa vaga como o presidente do PSD, Gilberto Kassab, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, e o deputado estadual André do Prado, reeleito na semana passada para o comando da Assembleia Legislativa de São Paulo.

Kassab é o melhor articulador político do país, se especializou nesse quesito, mas está há muito tempo sem dialogar com o eleitor. Está distante do voto. O Ricardo Nunes se elegeu com muito esforço do Tarcísio, tem desafios gigantes pela frente na cidade. Não sei se seria bem visto abandonar a gestão para tentar o estado. O André do Prado é muito bem articulado, mas enfrentaria o desafio do enorme desconhecimento. Acho Derrite mais competitivo que todos eles.

O senhor deu uma declaração ao jornal O Estado de S. Paulo dizendo que o melhor nome da esquerda para o pós-Lula é o ministro do STF, Flávio Dino. Por que essa opinião?

Ele se expressa muito bem e não se deixa ficar nas cordas. É um debatedor ácido, difícil de ser pego em um debate. Consegue dialogar nas redes sociais, justamente o grande campo de batalha da política nos dias de hoje, e que Lula não consegue penetrar. É uma figura de fora do PT, o que se faz necessário neste momento. Por fim, conhece os três Poderes. Tem experiência no Legislativo, Executivo e Judiciário.

Seria uma candidatura que corroboraria demais o argumento central da direita de que STF e esquerda jogam juntos...

Essa é uma questão apenas para uma certa elite, não para o povão. Não é gatilho de voto isso, com campanha e máquina por trás, isso se resolveria muito fácil. Agora, cá entre nós, se você me perguntar se ele vem candidato, eu te digo: não mesmo. Dino está no Supremo, oras, eles é que mandam no país hoje, e não mais o Executivo. Por que sair de um cargo desses e correr risco em uma disputa que se pode perder?

Então como acha que estará o campo lulista em 2026?

Eles estão com muitos problemas. Acho sim que Lula pode desistir, ele não é burro e está entendendo as enormes dificuldades colocadas. Lula não tem projeto para os próximos dois anos, que dirá para os outros quatro até 2030. Parece um mágico que as pessoas aprenderam qual o truque faz e que ninguém acha mais graça da apresentação. Dos outros nomes colocados, claramente Fernando Haddad se perdeu. Lula bombardeou todas as iniciativas de ajuste fiscal e ele acabou ficando muito vinculado à questão dos impostos. O apelido Taxad pegou.

PRTB de Marçal mira Garotinho, Cleitinho e outsider

Já imaginou um partido que reunisse Pablo Marçal e Anthony Garotinho?

Pois é essa a mistura que Leonardo Avalanche, presidente nacional do PRTB, está tentando fazer de olho em 2026. O dirigente ofereceu o partido para o ex-governador concorrer ao Palácio Guanabara. Vale lembrar: Garotinho não está mais inelegível, tanto que foi candidato a vereador em 2024 e teve menos de 10 mil votos; a família atribui o resultado ruim à novela judicial que ocorreu para que ele pudesse estar na urna e a fake news do fim de semana da eleição que dizia que o voto no ex-governador seria invalidado.

Garotinho afirma que ainda está avaliando o convite. Avalanche também diz que está disposto a ceder a legenda para Clarissa, filha de Garotinho, concorrer ao Senado. Em 2022, a ex-deputada federal teve bom desempenho para o cargo: alcançou 1,1 milhão de votos, atrás apenas de Romário e Alessandro Molon.

Avalanche também me contou que está de olho no senador Cleitinho, pré-candidato a governador de Minas Gerais pelo Republicanos. A repórter Luísa Marzullo conversou com ele sobre a hipótese: "Estou no Republicanos e, se o clima continuar republicano, ficarei aqui. Marcos Pereira disse que me quer candidato, Euclydes (Pettersen, presidente estadual) também. Espero que eles cumpram com a palavra".

O partido de Marçal já havia feito outra investida no Republicanos. Desde janeiro, tenta tirar o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, do partido para disputar o cargo de governador de São Paulo nas eleições ou até mesmo a presidente, caso o ex-coach esteja inelegível. Manga é conhecido como o "prefeito TikToker", seus vídeos na internet alcançam milhões de internautas com uma linguagem bem própria para as redes sociais.

RECOMENDO

  • "Crentes", de Juliano Spyer

Já tinha falado que esse livro seria lançado aqui há algumas edições, mas agora finalizei a obra do professor Juliano Spyer, colunista do jornal Folha de S. Paulo e uma das maiores referências no Brasil de estudos sobre os evangélicos. As 237 páginas estão divididas em seis unidades: a primeira fala da reforma protestante e a profusão de denominações que surgiram em paralelo ao movimento de Martinho Lutero; o segundo capítulo traz uma espécie de glossário do vocabulário evangélico. Nessa parte, aprendi várias saudações diferentes: "Paz do Senhor", usada pelas igrejas pentecostais. "Paz de Deus", pela Congregação Cristã; "Paz e Graça", pela Batista; "Feliz sábado", aos sábados e "Maranata", nos outros dias, pelos adventistas.

No terceiro e quarto capítulos, temos uma aula sobre as correntes históricas, pentecostais e neopentecostais, e quais igrejas compõe cada um dos segmentos; são abordados ainda os principais temas polêmicos presentes nos debates, como o celibato exigido na Igreja Católica e não obrigatório entre os evangélicos.

O quinto capítulo é o mais interessante para quem pesquisa sobre evangélicos. Spyer indica mais de 50 livros para aqueles que procuram, como eu, aprender cada vez mais sobre religião. Eles estão divididos em livros acadêmicos, jornalísticos e feitos pelos próprios evangélicos. Há também 16 sugestões audiovisuais (filmes, documentários e séries) nesse capítulo.

Por fim, o professor apresenta um guia de pontos turísticos que contam um pouco da história dos evangélicos no país. Há uma lista de museus, capelas e cemitérios a serem visitados em São Paulo, Rio, Pará e Paraíba. Como já falei aqui em outras edições, leituras sobre evangélicos e Valter Hugo Mãe estão na minha lista de prioridades ao longo de 2025. Falaremos mais sobre isso até dezembro, pode seguir nos acompanhando.

 

Pesquisa Ipec: cresce percentual de brasileiros que acham que Lula não deveria se candidatar à reeleição

Por O GLOBO / 

 

Como um novo indicativo da queda de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual de brasileiros que acham que Lula não deve ser candidato à reeleição subiu de 57% para 62%. O dado faz parte de uma pesquisa Ipec (antigo Ibope) divulgada neste sábado pelo colunista José Roberto de Toledo, do UOL, e que mostra ainda um enfraquecimento do apoio entre os eleitores do petista.

 

De acordo com o levantamento, a taxa entre pessoas que votaram em Lula em 2022 e que acreditam que ele não deve concorrer passou de 24% para 32%, mais do que um a cada três eleitores. A última medição havia sido feita em novembro de 2024. Já entre os eleitores do ex-presidente Jair Bolsonaro, a taxa de pessoas que não apoiam a reeleição do atual chefe do Executivo é de 95%.

 

A pesquisa perguntou aos 62% de participantes que se disseram contrários à reeleição do Lula o motivo da opção. As respostas, que por conta do método espontâneo ultrapassa os 100%, foram as seguintes:

 

  • Não está fazendo um bom trabalho - 36% dos entrevistados
  • Porque é corrupto - 20%
  • Pela idade - 17%
  • Já teve a sua chance - 11%
  • Por não confiar nele - 9%
  • Para ter renovação - 7%
  • Não é um bom administrador - 5%
  • Aumentou impostos - 5%
  • Prometeu não se candidatar novamente - 3%
  • Não cumpre o que promete - 2%
  • Inflação muito alta - 2%

De acordo com a medição, a queda de popularidade acontece exatemente na avaliação do governo atual do presidente, já que a soma de quem acha que ele não faz bom trabalho (36%), com não ser bom administrador (5%), com impactos pelo aumento impostos (5%) , inflação alta ( 2%) e não cumprir promessas (2%) chega a 50% dos entrevistados.

 

Há ainda um indicativo no levantamento de um desejo por renovação, que totaliza 39% das respostas: a soma de quem cita a idade avançada e saúde do presidente (17%), dizem que ele já teve sua chance (11%), que é preciso renovar (7% ), que afirmam que ele prometeu não se candidatar de novo (3%) e que é contra a reeleição em geral (1%).

 

A análise vai de encontro à pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, que mostrou um tombo na popularidade de Lula, puxado por segmentos que formam a base de sustentação do presidente. A atual gestão atingiu o menor índice de avaliação positiva de todos os mandatos do petista na série histórica do levantamento e o percentual do eleitorado que considera que Lula 3 é ótimo ou bom caiu 11 pontos percentuais em apenas dois meses, de 35% para 24%. No grupo que declara ter votado em Lula no segundo turno das eleições de 2022, a queda é ainda maior, de 20 pontos.

 

A avaliação negativa do governo (ruim ou péssima) também é recorde e subiu, no período, de 34% para 41%. Já o percentual da população que considera a gestão regular variou de 29%, em dezembro, para 32% no levantamento mais recente.

 

O movimento de queda da percepção positiva do governo Lula foi puxado pelos segmentos que formam a base eleitoral do presidente, em especial a população com renda de até dois salários mínimos, fatia que representa pouco mais da metade da amostra da pesquisa. A mudança ocorre ainda após a crise envolvendo o monitoramento de transações financeiras superiores a R$ 5 mil, incluindo as por Pix, que acabou revogada pela Receita Federal diante da recepção negativa e da disseminação de desinformação sobre a medida nas redes sociais. Outro tema que pressiona a popularidade e gera preocupação no próprio governo é a alta na inflação dos alimentos.

 

A pesquisa Datafolha ouviu presencialmente com 2.007 eleitores de 16 anos ou mais em 10 e 11 de fevereiro. A margem de erro geral da pesquisa é de dois pontos percentuais. No mês passado, a pesquisa Genial/Quaest, feita entre 23 e 26 de janeiro, já havia detectado recuo na aprovação ao governo Lula . O instituto mostrou queda de cinco pontos, de 52% para 47%, no indicador, que ficou pela primeira vez atrás do percentual dos que reprovam a atual gestão (49%). Já avaliação negativa passou de 31% para 37%, enquanto a positiva variou de 33% para 31%. A margem de erro é de um ponto percentual.

Atentado contra ex-prefeito de Taboão na campanha foi forjado, dizem Polícia e Ministério Público

Por Rayssa Motta / O ESTADÃO DE SP

 

Polícia Civil e o Ministério Público de São Paulo concluíram que o atentado a tiros contra o ex-prefeito Taboão da SerraJosé Aprígio da Silva (Podemos), na campanha de 2024, foi forjado. As autoridades afirmam que o crime foi encenado para dar projeção à campanha de reeleição.

 

O Estadão busca contato com o ex-prefeito. A investigação aponta que aliados de José Aprígio queriam uma “vantagem eleitoral” e planejaram o atentado para comover os eleitores. Ele não conseguiu se reeleger.

 

O ex-prefeito é investigado por suspeita de participação no plano. O Estadão apurou que o sobrinho do prefeito, Christian Lima Silva, e três secretários municipais na sua gestão - José Vanderlei (Transportes), Ricardo Rezende (Obras) e Valdemar Aprígio (Manutenção) - também são alvos do inquérito.

 

A Polícia Civil e a Promotoria de Justiça de Taboão da Serra deflagraram nesta segunda-feira, 17, a Operação Fato Oculto para aprofundar a investigação. Foram apreendidos celulares, computadores, dinheiro e armas. A Justiça de São Paulo também determinou duas prisões - de Anderson da Silva Moura, o “Gordão”, e de Clovis Reis de Oliveira. Eles teriam feito a ponte entre a equipe do então prefeito e o atirador.

 

José Aprígio foi atingido na clavícula por um tiro de fuzil. O disparo perfurou o vidro do carro blindado da prefeitura, um Jeep Renegade preto, na rodovia Régis Bittencourt, a BR-116. Vídeos gravados pela equipe do prefeito foram divulgados nas redes sociais. Os carros usados no crime foram encontrados em Osasco — um deles, um Nissan March, estava incendiado e o outro, um Fiat Siena, estava em uma casa. A arma usada no atentado, um fuzil AK-47, ainda não foi localizada.

 

O atirador, Gilmar de Jesus Santos, está preso desde outubro. Odair Júnior de Santana, que dirigiu o carro usado no falso atentado, é considerado foragido.

 

COM A PALAVRA, OS CITADOS

A reportagem do Estadão busca contato com o ex-prefeito e os demais investigados. O espaço está aberto para manifestação ( O endereço de e-mail address está sendo protegido de spambots. Você precisa ativar o JavaScript enabled para vê-lo. ).

 

Tarcísio tem 62% de aprovação e lidera cenários para 2026, aponta pesquisa

Por Adriana Victorino / O ESTADÃO DE SP

 

 

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), lidera todos os cenários testados para a eleição estadual de 2026, segundo pesquisa do instituto Real Time Big Data divulgada nesta sexta-feira, 14. O levantamento também indica que sua gestão é aprovada por 62% dos entrevistados, enquanto 33% desaprovam e 5% não souberam responder.

 

Em um possível segundo turno, Tarcísio venceria todos os adversários com ampla vantagem. A pesquisa simulou cenários em que o atual governador de São Paulo enfrentaria o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB), Pablo Marçal (PRTB), o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha (PT), e o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL).

 

Cenários de segundo turno

 

Nos cenários simulados de segundo turno, Tarcísio aparece com vantagem sobre todos os adversários. Contra Alckmin, o governador registra 58% das intenções de voto, enquanto o atual vice-presidente aparece com 20%. Já contra Márcio França, a vantagem é ainda maior, com 59% para Tarcísio contra 17% do ministro. Se a disputa fosse contra Pablo Marçal, Tarcísio venceria com 48%, enquanto o ex-coach e influenciador ficaria com 22%. Em um embate com Alexandre Padilha, o governador alcançaria 61% das intenções de voto, contra apenas 13% do petista. Contra Guilherme Boulos, Tarcísio também sairia vitorioso, com 52% contra 27% do deputado federal.

 

Disputa no primeiro turno

 

A pesquisa testou nove cenários diferentes para o primeiro turno. Em quatro deles, o nome de Tarcísio foi incluído, e ele lidera com folga em todos. No primeiro cenário, Tarcísio lidera com 44%, seguido por Marçal com 20% e Alckmin com 13%. Padilha aparece com 5%, enquanto nulos e brancos somam 6% e 12% dos eleitores não souberam ou não responderam. A segunda simulação mostrou com Boulos com 21%, e Marçal com 19%. O governador paulista, porém, mantém a dianteira com 42%. Alckmin figura com 9%, enquanto nulos/brancos somam 4% e indecisos, 5%.

 

No terceiro cenário, o republicano amplia sua vantagem, alcançando 55% das intenções de voto. Atrás dele estão Alckmin, com 16%, e Padilha, com 6%. Nulos e brancos chegam a 8%, enquanto 15% não souberam ou não responderam. O último cenário com a presença do governador mostrou uma liderança com 57%, enquanto Márcio França alcança apenas 12%. Alexandre Padilha fica com 7%, e nulos/brancos chegam a 9%. Outros 15% não souberam ou não responderam.

 

Outros possíveis candidatos

O levantamento também testou outros possíveis candidatos, como o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), o secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite, o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga (Republicanos), o vice-governador de São Paulo, Felício Ramuth (PSD) e novamente Geraldo Alckmin e Alexandre Padilha. No quinto cenário, Ricardo Nunes lidera com 37% das intenções de voto, seguido por Geraldo Alckmin, com 18%. Rodrigo Manga aparece com 9%, e Alexandre Padilha tem 7%. Os votos brancos e nulos somam 9%, enquanto 20% dos entrevistados não souberam ou não responderam.

 

Alckmin assume a liderança com 26% no sexto cenário, seguido por Manga, que registra 13%. Padilha tem 8%, enquanto 21% optaram por nulos ou brancos. O número de indecisos é alto, chegando a 32%. Já no sétimo cenário, Alckmin segue à frente com 24%, enquanto Derrite aparece com 16% e Padilha com 8%. Novamente, há um alto índice de nulos e brancos (21%) e de indecisos (31%). No oitavo cenário, Eduardo Bolsonaro assume a liderança com 42%, seguido por Alckmin, com 20%. Padilha aparece com 6%, enquanto nulos e brancos somam 14% e os indecisos, 18%.

 

O último cenário mostrou Alckmin com 30% das intenções de voto, seguido por Padilha (9%) e Felício Ramuth, que aparece com 4%. O número de votos brancos e nulos é expressivo (22%), e 35% dos eleitores ainda não sabem ou preferiram não responder. 

 

O levantamento ouviu 1.500 eleitores de nove regiões do estado na última quinta-feira, 13. A margem de erro é de três pontos para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

 

 

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