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Impacto da guerra na inflação requer atenção no Brasil

Por  Editorial / O GLOBO

 

 

A economia global continua sentindo os impactos negativos da guerra no Oriente Médio, e o Brasil não é exceção. Desde março, o preço do barril de petróleo tem ficado em torno de US$ 100. Nos Estados Unidos, os motoristas já pagam 40% a mais para encher o tanque. No Brasil, a prévia da inflação de abril divulgada nesta terça-feira pelo IBGE foi 0,89%, o dobro de março. Não foi surpresa que o principal responsável pela alta tenha sido a gasolina. Além do mercado de combustíveis, outros setores sentem os efeitos. Da agricultura à construção civil, vários segmentos veem os preços subir.

 

 

Em evento nesta terça-feira em Roma, o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, chamou a atenção para a urgência de o mundo dar uma resposta coordenada para tratar dos impactos profundos do conflito na produção de alimentos. O Oriente Médio é um dos maiores polos de matérias-primas para fertilizantes. É de lá que saem cerca de 30% da amônia vendida no planeta, principal componente de fertilizantes nitrogenados, como a ureia. A região também responde por quase metade do enxofre, necessário para fabricar ácido sulfúrico, base de fosfatados. A FAO estima que a entrega de 1,5 milhão a 3 milhões de toneladas de fertilizante por mês tenha sido adiada. No Brasil, o preço da ureia subiu 63% desde o início do conflito. O do nitrato de amônio, quase 60%.

 

Os efeitos também chegaram à construção civil, impactada pelo aumento no custo de fretes e componentes. Levantamento conduzido pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre) junto a fabricantes de insumos industriais mostra um movimento disseminado de reajuste. Quase 60% do aumento registrado em abril foi atribuído à guerra, e a indústria prevê mais consequências negativas no restante do ano. Confirmadas as previsões feitas pelos fabricantes de insumos, o impacto do conflito no Índice Nacional da Construção Civil ao final do ano será de 3,89 pontos percentuais, puxando a inflação do setor para perto de 10%. Até o início da guerra, a maior preocupação quando se analisavam os preços na construção civil era a escalada do custo da mão de obra. Agora, a atenção está no preço dos materiais.

 

As consequências da guerra deverão ser sentidas mesmo que o Estreito de Ormuz seja reaberto sem restrições — desfecho para lá de incerto. Os seguidos bombardeios e ataques com drones danificaram a infraestrutura da produção de petróleo e gás em vários países da região. Os prazos para consertar tudo são indefinidos. É verdade que a economia mundial já passou por outros choques de petróleo provocados por guerras no Oriente Médio. Desta vez, porém, é possível que os efeitos negativos perdurem.

 

Diante desse quadro, é recomendável que o Banco Central modere a intensidade e a duração do ciclo de queda nos juros. Com inflação não se brinca. E o Executivo deveria deixar de agir movido pelo calendário eleitoral para se concentrar em medidas de contenção de gastos e equilíbrio nas contas públicas, capazes de resgatar a credibilidade fiscal. Tudo isso permitiria ao Brasil atravessar a intempérie com mais segurança.

 

 

 

Senado precisa cobrar de Messias apoio à reforma do STF

No arranjo institucional brasileiro, cabe ao Senado o papel de anteparo às escolhas do presidente da República para os cargos de ministro do Supremo Tribunal Federal, por meio de sabatina e votação dos indicados. Assim se deve evitar que chefes do Executivo detenham o pleno poder, que convida a erros e abusos, na nomeação da cúpula do Judiciário.

Infelizmente, essa tarefa tem sido negligenciada na história republicana. Desde o início do século 20, os senadores trataram invariavelmente o rito como mera formalidade, e todos os indicados foram aprovados. Só houve cinco rejeições, todas no longínquo 1894, durante embate com o governo Floriano Peixoto.

Marcada para esta quarta-feira (29), a sabatina de Jorge Messias se dá em circunstâncias excepcionalmente delicadas para os três Poderes —tanto que ocorre mais de cinco meses após o anúncio do nome pelo Palácio do Planalto.

Neste seu terceiro mandato presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aviltou o processo de escolha dos ministros do STF ao adotar como critério principal a expectativa de fidelidade pessoal e política do indicado. Messias, hoje chefe da Advocacia-Geral da União (AGU), é aliado ideológico com muitos serviços prestados a políticos e administrações petistas.

Não foi por isso, entretanto, que a indicação provocou mais resistência do que de costume no Senado. A controvérsia tem motivação bem menos nobre —o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), pretendia indicar o colega e antecessor, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para a vaga aberta no Supremo e ameaça uma represália corporativista.

Para além de conchavos e intrigas brasilienses, está em jogo a reputação da corte mais elevada do país, que hoje passa por sua crise mais grave desde o restabelecimento da democracia. O crédito que fez por merecer ao debelar ofensivas golpistas se encontra desgastado por más condutas de seus magistrados.

O escândalo do Banco Master expôs relações promíscuas com o poder econômico, cuja extensão ainda está por ser investigada a fundo. Acumulam-se, e não apenas nesse caso, decisões opacas e arbitrárias para autoproteção e intimidação de seus críticos.

Nesse quadro, o escrutínio do Senado precisa se pautar pelo compromisso do indicado com a urgente reforma do STF, a começar pelo código de ética proposto pelo presidente da corteEdson Fachin —que também se bate, corretamente, pelo encerramento imediato dos inquéritos que conferem superpoderes a ministros, excrescências jurídicas em um Estado de Direito.

O tema se impôs no debate público e será inevitavelmente explorado na campanha eleitoral que se avizinha. Sem prejuízo da legítima atuação da sociedade e de seus representantes, será melhor para o país que os próprios ministros tomem a iniciativa reformista, em vez de tentarem se fechar como uma casta acima de limites e questionamentos.

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Falha na drenagem pode ter provocado cratera na CE-025, diz SOP

Escrito por Redação / DIARIONORDESTE
 
O deslizamento de asfalto e abertura de uma cratera na CE-025, em Aquiraz, podem ter sido provocados por uma falha na drenagem, informou Saullo Câmara, gerente da Superintendência de Obras Públicas (SOP-CE), em entrevista à Verdinha FM na noite desta segunda-feira (27).  

O incidente ocorreu nesta madrugada em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza, e deixou uma pessoa morta e outras duas feridasTrês veículos foram "engolidos" pela cratera e retirados com o auxílio de uma retroescavadeira.

"A hipótese inicial foi uma falha na drenagem, que colapsou e acabou carregando o material. As equipes já começaram a atuar fazendo a recomposição do pavimento, mas o caso ainda está em investigação", disse Saullo Câmara sobre os levantamentos preliminares da SOP, após verificação e liberação da Perícia Forense no local.

Ainda de acordo com o gerente, a Pefoce já iniciou o levantamento, mas ainda não há prazo para entregar o documento que informará a causa exata do deslizamento. 

Primeiras contenções

Entre as primeiras ações para recomposição do aterro, foi realizada uma limpeza de material que estava solto na via e foi retirado um poste que corria risco de desabamento. Devido à previsão de chuva durante esta madrugada, também foi feita uma contenção. A área foi protegida com uma espécie de capa, para evitar mais erosão do material solto na cratera, explicou Saullo Câmara na entrevista ao jornalista Alânio Pereira no Verdinha Notícias.

Recuperação de rodovia deve levar 10 dias

O trecho da CE-025 onde a cratera se abriu deve levar até dez dias para ser recuperado, conforme previsão da SOP. Segundo a pasta, o trecho está bloqueado e isolado nos dois sentidos para a segurança dos usuários, e equipes técnicas do Governo do Estado avaliam as condições da via.

Motoristas em trânsito pelo local deverão utilizar as CE-010 e CE-040 como rotas alternativas, tanto no sentido Fortaleza - Porto das Dunas, como no trajeto inverso. 

O acidente

O acidente aconteceu no sentido Aquiraz-Fortaleza, no trecho que liga o Porto das Dunas à Avenida Maestro Lisboa. Chovia forte na região, quando o asfalto cedeu. Pelo menos um carro e duas motocicletas caíram no buraco, deixando uma pessoa morta.  Pelo menos três pessoas foram vítimas nessa ocorrência. Além do óbito de um motociclista, uma pessoa foi levada a um hospital de Aquiraz e outra foi liberada ainda no local. O carro que caiu no buraco estava a serviço da Secretaria de Saúde para transporte de pacientes com consulta marcada em Fortaleza.  

Imagens compartilhadas nas redes sociais mostram três veículos no fundo da cratera, sendo um carro e duas motos. Outro carro não chegou a cair, mas ficou com uma das rodas pendurada.

O Samu Ceará informou ter sido acionado por volta das 5h20, mas ao chegar ao local constatou o óbito de uma das vítimas. Em nota, o Corpo de Bombeiros do Ceará informou ter atuado na retirada de uma das vítimas, que estava soterrada, mas ela foi resgatada sem vida.

(Atualizado às 21:07)
foto de cratera que se abriu na CE-025, no sentido Aquiraz-Fortaleza.

 

 

O STF não é poder constituinte

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SÃO PAULO

 

 

A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou uma lei vedando cotas raciais para o ingresso de estudantes ou contratação de profissionais em universidades estaduais e instituições beneficiárias de verbas estaduais. O Supremo Tribunal Federal (STF) a declarou inconstitucional, e o fez por rara unanimidade, como se fosse matéria incontroversa. Não é. A Constituição, na melhor das hipóteses, permite as cotas raciais, mas de modo algum as exige.

 

Democracias desenvolvidas admitem ações afirmativas, mas em geral vedam cotas, por entenderem que substituem a avaliação individual por pertencimento a grupos e tensionam princípios como a igualdade perante a lei. Nesse sentido, o modelo brasileiro é exceção, não regra. De todo modo, o mérito das cotas é secundário. O que está em jogo é o direito de uma sociedade decidir sobre políticas públicas.

 

Há argumentos sólidos para advogar que reservas raciais ferem pilares constitucionais como o da igualdade (art. 5.º), vedação a discriminações (artigos 3.º e 19.º) e isonomia no acesso à educação (art. 206). Apesar disso, o Supremo pacificou a jurisprudência segundo a qual as cotas são constitucionais. Mas daí segue-se uma lógica elementar: o fato de que a Constituição não as proíba não quer dizer que as exija. Em sua interpretação expansiva, o STF extrapolou mais uma vez sua função de guardião da Constituição e, na prática, deslocou do ordenamento jurídico o “pode haver cotas” para “deve haver cotas”.

 

O relator, ministro Gilmar Mendes, apoiou-se basicamente em dois argumentos. O primeiro é o de que o legislador teria partido de uma “premissa” incompatível com a jurisprudência do tribunal. No entanto, o controle de constitucionalidade não incide sobre intenções atribuídas ao legislador, só sobre o conteúdo da lei. Julgar “premissas” é abrir caminho para invalidar leis por divergência política travestida de técnica jurídica.

O segundo argumento foi o da fragilidade do processo legislativo – tramitação breve, ausência de audiências públicas, falta de estudos. Mas a Constituição não exige um ideal de deliberação, apenas o cumprimento de regras formais, como o respeito a quórum, ritos ou prazos. Se o Judiciário passa a avaliar a qualidade do processo parlamentar, e não apenas sua legalidade, qualquer lei se torna passível de invalidação por não satisfazer critérios subjetivos de suposta razoabilidade institucional.

 

O impacto dessa lógica extrapola Santa Catarina. Ao restringir a margem de escolha de um Estado em matéria educacional, o STF esvazia o federalismo e uniformiza decisões que deveriam refletir realidades locais. Mais grave: reduz o espaço legítimo de disputa política.

 

O povo de Santa Catarina, por meio de seus representantes eleitos, pode ter tomado uma decisão ruim. Isso é discutível. O que não é discutível é seu direito de decidir. No caso, o que importa é que a sua decisão é absolutamente legítima e constitucional. Ao derrubá-la, a Corte não consagrou a Constituição, só a ambição de seus ministros de fazer do STF um poder constituinte.

Inação ante os supersalários

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

O Estadão mostrou em reportagem recente que integrantes da Polícia Militar do Distrito Federal receberam cerca de R$ 40 milhões em penduricalhos, notícia que deveria ter produzido mais do que apenas perplexidade. Os dados são eloquentes: contracheques que chegaram a R$ 832 mil em um único mês, inflados por verbas classificadas como indenizatórias e que fazem mofa do teto constitucional. Não se trata de interpretação, mas de evidência de um sistema em que a exceção se tornou rotina.

 

Diante disso, seria razoável esperar que o Congresso Nacional priorizasse a regulamentação dos supersalários. Não é o que ocorre. O projeto de lei sobre o tema deu entrada há dez anos e segue parado no Senado desde 2023, à espera de relatório do senador Eduardo Gomes (PL-TO), sem perspectiva concreta de avanço. A demora já não pode ser confundida com prudência. Prudente seria impedir que o teto constitucional continue a ser contornado por expedientes laterais.

Sob a presidência de Davi Alcolumbre (União-AP) e na Comissão de Constituição e Justiça, comandada por Otto Alencar (PSD-BA), a proposta acumula pó. Não por falta de diagnóstico, mas por ausência de iniciativa. Há silêncios que dizem muito. Neste caso, indicam que limitar privilégios não ocupa, no Senado, o mesmo espaço reservado a pautas mais convenientes.

 

O contraste ajuda a esclarecer. No mesmo Congresso, propostas voltadas à ampliação de benefícios avançam com rapidez. No ano passado, o projeto que cria um fundo no Ministério Público, com previsão de uso de recursos inclusive de emendas parlamentares para custeá-lo, percorreu a Câmara e chegou a ser pautado no plenário do Senado no fim do ano, com relatório pronto do senador Weverton (PDT-MA), ainda que não tenha sido votado. Não é falta de tempo, mas de prioridade política para enfrentar distorções já consolidadas.

 

A diferença de tratamento é evidente. Quando se trata de ampliar vantagens, há fluidez. Quando se trata de impor limites, instala-se uma cautela que, na prática, paralisa. O Congresso, tantas vezes capaz de atravessar madrugadas por urgências discutíveis, mostra-se aqui admiravelmente paciente. O caso da PM do DF apenas torna mais visível um mecanismo conhecido. Supersalários não decorrem de episódios isolados, mas de um sistema que permite, por meio de adicionais e indenizações, a superação recorrente do teto constitucional. A regra permanece no texto; sua eficácia, porém, depende da classificação contábil das verbas.

 

Tentativas recentes de enfrentamento concentraram-se em segmentos específicos, sobretudo no Judiciário. São avanços parciais. Ao evitar uma abordagem abrangente, o Congresso preserva um modelo em que o teto é formalmente respeitado, mas materialmente contornável. O resultado é uma desigualdade difícil de justificar num Estado que cobra ajuste fiscal da sociedade e tolera remunerações sem razoabilidade.

 

O projeto parado no Senado oferece a oportunidade de enfrentar essa distorção de forma mais ampla, ao definir com maior precisão quais verbas podem ser excluídas do teto e ao incluir carreiras diversas, como as militares. Sua estagnação, portanto, não é neutra: mantém as condições que permitem a repetição desses episódios.

 

Há, ainda, instrumentos mais abrangentes igualmente disponíveis e igualmente sem avanço. A reforma administrativa em discussão no Congresso prevê limites mais claros para remunerações no serviço público e enfrenta diretamente os supersalários, mas encontra resistência política e não sai do lugar, mesmo com apoio relevante a medidas específicas como o fim dos pagamentos acima do teto.

 

Não falta diagnóstico. Não faltam exemplos. Falta decisão. Cabe ao Congresso dar andamento a um tema que não sai do noticiário, por razões óbvias. Colocar esses projetos à deliberação é um passo elementar.

 

Manter os projetos parados é uma escolha. E seus efeitos são claros: preserva-se um regime em que o limite constitucional vale menos do que as brechas que o contornam. Se há disposição para criar benefícios, deve haver coragem para limitar abusos.

Endividamento reflete incúria fiscal do governo

Por  Editorial / O GLOBO

 

O preço do desarranjo fiscal cevado pelo governo federal — responsável pela manutenção dos juros brasileiros em patamares elevadíssimos sob qualquer parâmetro — tem sido cobrado dos a cada dia mais endividados domicílios brasileiros. O comprometimento de renda das famílias com o pagamento de dívidas subiu para 29,7% em fevereiro, de acordo com dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira. É um recorde na série histórica iniciada em 2005. O endividamento total, em 49,9% da renda, também é inédito e mais que o dobro do registrado em 2006.

 

O comprometimento é calculado a partir do valor médio estimado para o pagamento de juros e parcelas das dívidas e da renda total das famílias, descontando impostos e contribuições. No endividamento, o BC leva em conta o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, também sem considerar tributos. Análises de consultorias e bancos anteriores à divulgação do BC já apontavam a mesma direção. Sobra cada vez menos dinheiro no fim do mês nos domicílios brasileiros. “Vemos um aumento muito expressivo do quanto o pagamento do crédito está comendo a renda”, disse ao jornal Valor Econômico Alessandra Ribeiro, sócia e diretora de macroeconomia e análise setorial da Tendências.

 

A deterioração tem sido avassaladora. Mesmo com o aumento do preço de alimentos no domicílio tendo crescido em ritmo inferior à inflação em 2025 (1,43% ante 4,26%), as finanças domésticas têm sofrido aperto. Com a taxa de juros nas alturas, cria-se um círculo vicioso. Primeiro, a inadimplência começa a aumentar. Em fevereiro, a média nas operações de crédito bancário atingiu 4,4%, máxima da série histórica. De lá para cá, houve queda, mas ínfima.

 

Com a inadimplência em alta, surge o segundo efeito: os bancos ficam mais exigentes para conceder empréstimos. Nem o aumento do emprego com carteira assinada, nem a elevação da renda média, nem nenhuma outra estatística favorável serve de consolo à política de crédito mais restritiva. Em apuros, muitas famílias acabam apelando para linhas emergenciais, que praticam taxas de juros ainda mais altas, estimulando a inadimplência — e o círculo se fecha.

 

A poucos meses da eleição, o governo fala num novo programa para renegociar dívidas. Não passa de medida eleitoreira. Se estivesse disposto a resolver o problema de modo duradouro, enfrentaria o desequilíbrio fiscal. Em nome do crescimento econômico acelerado, mas de curta duração, a torneira do gasto e do crédito fácil sempre jorrou, ajudando a aquecer a demanda e pressionando a inflação para cima. Não adianta olhar para o BC em busca de bode expiatório. Com um governo gastão, a autoridade monetária não tem alternativa senão aumentar o custo do dinheiro para controlar a inflação. Sem resgatar a credibilidade fiscal, todo o resto será paliativo.

 

O endividamento das famílias está em patamar recordeO endividamento das famílias está em patamar recorde — Foto: Michal Jarmoluk/Pixabay

 

 

 

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