Usina no Ceará recebe primeira remessa de carvão vegetal feito a partir da casca do coco
Uma carga de 880 quilos de carvão vegetal, feito a partir da casca do coco verde, foi transportada para a usina termelétrica da Diamante Energia no Pecém. A planta se prepara para realizar a combustão desta matéria-prima em mistura com o carvão mineral.
A inovação é resultado de pesquisa patrocinada pela empresa em parceria com a Universidade Estadual do Ceará (Uece). Os testes de combustão na caldeira industrial estão previstos para outubro deste ano.
O material de biocarvão foi produzido em laboratório construído com recursos do projeto.
Coleta e mistura
“Coletamos, no último dia 29, o carvão vegetal produzido ao longo deste ano que estava armazenado no Laboratório da Uece, coordenado pela professora Mona Lisa Moura. Transportamos o material para a UTE Energia Pecém onde foi descarregado em local isolado. No dia 30, nossas equipes, em conjunto com pesquisadores da universidade, realizaram o processo de mistura com carvão mineral no pátio de armazenamento em local separado e sinalizado”, detalha o engenheiro Diego Rebouças.
Na mistura para formar o carvão híbrido foram utilizados 87.120 quilos de carvão mineral junto aos 880 quilos fornecidos pelo Laboratório. Para compor o blend final e promover o teste de queima na caldeira da usina, faltam cerca de 520 quilos de biocarvão, que ainda serão produzidos pela Uece.
Características do biocarvão
O carvão vegetal tem vantagens como o PCS (Poder Calorífero Superior), além de menor teor de enxofre na comparação com o mineral. Um importante ponto da pesquisa está na mensuração da quantidade de CO2 que é capturado pelo carvão vegetal visando a geração de créditos de carbono.
Quanto maior o percentual de biocarvão proveniente de fontes renováveis como a casca do coco verde, maior o potencial de redução nas emissões, já que parte do carbono emitido é de origem biogênica e, portanto, neutro do ponto de vista climático.
Com investimento de R$ 2,7 milhões, o projeto conta com financiamento do programa de PDI da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e terá duração de 24 meses.
"Ao investir em pesquisa e parceria com a Uece, buscamos não apenas viabilizar tecnicamente o uso do biocarvão, mas também consolidar um caminho concreto para a redução de emissões e a geração de créditos de carbono em nossa operação", afirma Pedro Litsek, presidente da Diamante.

Brincando com fogo na Cisjordânia
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Em Qusra, na Cisjordânia, duas famílias palestinas passaram dias sitiadas em suas casas por colonos israelenses. Pedras foram atiradas, propriedades destruídas e até uma ambulância foi bloqueada. O Exército interveio, mas os agressores permaneceram. A cena ocorre em meio a uma onda de violência recorde – e a pouco mais de dois meses da eleição possivelmente mais importante de Israel em décadas.
Segundo a ONU, mais de 1.400 ataques de colonos ao longo deste ano causaram vítimas ou danos materiais, e 18 palestinos foram mortos até o fim de julho – mais do que em todo o ano anterior. O establishment militar israelense sabe aonde essa escalada pode levar. Centenas de veteranos das Forças Armadas e dos serviços de segurança alertam que o terrorismo judaico pode incendiar a Cisjordânia e ameaçar a própria segurança de Israel.
A “dificuldade” para contê-lo não convence como explicação. O ministro da Defesa, Israel Katz, suspendeu o uso da detenção administrativa contra extremistas, um dos instrumentos de que as autoridades dispunham para conter suspeitos de terrorismo. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, promove assentamentos e postos avançados. A polícia está sob a pasta de Itamar Ben-Gvir, ministro da Segurança Nacional. Ambos, Smotrich e Ben-Gvir, pertencem aos partidos fundamentalistas dos quais Benjamin Netanyahu depende para governar.
Isso não torna todo o Estado israelense cúmplice. Comandantes militares até tentam conter colonos. O presidente Isaac Herzog denunciou uma “onda de terrível violência” e antigos chefes do Mossad e do Exército acusam “descontrole” e “terrorismo”. Há uma disputa entre instituições encarregadas de preservar a lei e políticos que afrouxaram seus freios.
A violência impune humilha, expulsa famílias de suas terras e ensina palestinos que recorrer às autoridades pode ser inútil. Em julho, uma incursão de colonos em Tal terminou num confronto em que morreram quatro palestinos e dois israelenses. As versões divergem, e nenhum abuso de colonos absolve quem mata israelenses. Ainda assim, o mecanismo é previsível. Palestinos comuns podem ser empurrados para a violência; o Hamas procura capturar a revolta, e a repressão alimenta outra volta da engrenagem.
O calendário eleitoral torna essa irresponsabilidade mais inquietante. Israel votará em 27 de outubro. Netanyahu chega enfraquecido e dependente de Smotrich e Ben-Gvir. Analistas como Yossi Mekelberg, da Chatham House, advertem para o risco de que um primeiro-ministro politicamente acuado instrumentalize uma escalada para recriar um senso de emergência nacional.
Veteranos da segurança já alertam para uma terceira intifada. E talvez seja justamente isso o que Netanyahu quer. Ele depende dos políticos que agravam deliberadamente os riscos e tolera um ambiente em que radicais armados testam dia a dia até onde podem avançar. Se a Cisjordânia explodir, ele poderá explorar o confronto que seu governo ajudou a tornar mais provável.
Israel já tem inimigos suficientes dispostos a atear fogo à região. O país deveria arrancar os fósforos das mãos de seus próprios extremistas.
O paradoxo da soja
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Em uma decisão salomônica, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a constitucionalidade da moratória da soja, acordo firmado há 20 anos para impedir o avanço de lavouras sobre a Floresta Amazônica. Ao mesmo tempo, o STF validou leis estaduais que foram cruciais para o fim da iniciativa.
As consequências dessa decisão levarão certo tempo para serem conhecidas. Afinal, ao legitimar normas criadas por Mato Grosso e Rondônia que proíbem a concessão de benefícios fiscais para as tradings signatárias do acordo, o STF, na prática, deu respaldo a ações que podem aumentar consideravelmente o desmatamento no Norte do País. Basta ver que Tocantins e Maranhão já aprovaram legislação semelhante.
O certo, até aqui, é que parceiros comerciais como a União Europeia certamente passarão a acompanhar esses indicadores com lupa.
Ao mesmo tempo que validou as leis estaduais, o STF extinguiu ações na Justiça e processos administrativos no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que acusavam as grandes tradings de integrar um cartel ilícito. Assim, evitou que a disputa servisse de pretexto para produtores arrancarem indenizações bilionárias dos signatários do acordo.
Pelo entendimento do ministro Flávio Dino, relator da ação, as empresas têm liberdade para estabelecer critérios ambientais mais rigorosos na escolha de seus fornecedores, enquanto os Estados também têm autonomia para decidir como conceder benefícios fiscais. As duas premissas podem fazer sentido, mas o resultado é paradoxal. Mato Grosso é o maior produtor de soja do País e, por lá, tradings deixaram a moratória, justamente para preservar os benefícios fiscais oferecidos pelo Estado. Nada mais previsível. Afinal, que incentivo haverá para preservar além do exigido por lei se a contrapartida for uma carga tributária maior?
O problema é esperar que a iniciativa privada ou o próprio governo encontrem agora meios para manter a contenção do desmatamento e mais ainda a reputação do agronegócio brasileiro no mercado externo. Como é sabido, no mercado externo, concorrentes costumam apontar o dedo para o Brasil como um devastador da Amazônia, quase sempre de uma forma desleal. Dar munição a eles, ao acabar com uma das iniciativas mais bem-sucedidas na contramão dessa acusação, não parece uma boa ideia. Sobretudo em um momento em que produtores europeus pressionam os produtos do Mercosul justamente em nome de barreiras ambientais e sanitárias.
Vale lembrar os resultados. Entre 2009 e 2022, o desmatamento caiu 69% nos municípios monitorados, enquanto a área plantada cresceu 344%. Um estudo publicado na revista Science em julho estimou que o esvaziamento da moratória poderá provocar 1,4 milhão de hectares adicionais de desmatamento na Amazônia até 2035. Os dados mostram que não há uma disputa entre produzir e preservar a floresta.
Mesmo assim, a resistência contra a moratória cresceu depois do Código Florestal de 2012. Produtores passaram a questionar por que deveriam se submeter a restrições comerciais mais severas que aquelas impostas pela lei. A pressão chegou às Assembleias Legislativas, ao Judiciário e ao Cade. Mato Grosso e Rondônia decidiram atingir o acordo pelo bolso.
Caberá agora às empresas estabelecer individualmente suas políticas ambientais e convencer compradores de que suas cadeias estão livres de desmatamento. Pode funcionar. Mas trocar um compromisso consolidado por uma aposta na atuação isolada de cada companhia está longe de representar um avanço.
A preocupação ambiental é usada há anos como justificativa para a imposição de barreiras ao agro brasileiro no exterior. É evidente que interesses econômicos e políticos também se escondem atrás de muitas dessas restrições. Mas isso só aumenta a necessidade de não fornecer munição a quem procura razões para fechar mercados. O próprio Dino reconheceu em seu voto que a moratória fortaleceu a credibilidade do Brasil e se tornou um “diferencial competitivo” para manter os produtos brasileiros nos principais mercados internacionais.
A oportunidade da Margem Equatorial
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
É evidentemente positivo o anúncio da Petrobras sobre o poço exploratório de Morpho, na costa do Amapá. Atestar a existência de hidrocarbonetos na região da Margem Equatorial representa uma injeção de esperança à sociedade sobre o futuro do País e, em especial, à Região Norte, e da própria Petrobras, que precisa repor reservas para sustentar sua produção ao longo da próxima década. O comunicado, no entanto, deve ser interpretado pelo que ele é, sem a euforia que tem pautado os políticos da região e a presidente da companhia, Magda Chambriard.
Em comunicados ao mercado, a escolha das palavras importa, e muito. O fato de a Petrobras ter identificado a “presença de hidrocarbonetos”, por exemplo, demonstra que a companhia, ao menos por enquanto, não é capaz de dizer se encontrou petróleo ou gás natural, tampouco tem informações sobre a quantidade ou a qualidade do material encontrado nesse poço. Por causa disso, ainda não é possível afirmar se a operação teria viabilidade econômico-financeira e comercial. Isso explica por que as ações da Petrobras pouco se mexeram no pregão de ontem, a despeito de ter sido o primeiro na Bolsa desde o anúncio.
Entre a descoberta de óleo no campo de Tupi, em julho de 2006, e a divulgação do volume de reservas, estimadas entre 5 e 8 bilhões de barris, se passou mais de um ano. Foi somente após a publicação do fato relevante, em 8 de novembro de 2007, que os papéis da companhia dispararam quase 15% na B3 e mais de 25% em Nova York. O primeiro óleo para teste só veio a ser produzido em 2008, e a declaração de comercialidade do campo saiu apenas em 2010.
No mundo político, no entanto, qualquer pingo é letra, ainda mais faltando apenas dois meses para as eleições. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não perdeu tempo e marcou uma visita a um navio-sonda que atuou na descoberta. Aproveitou, também, para convidar o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que se envolveu tanto com esse projeto que teria sido informado da descoberta por telefone pela própria presidente da Petrobras.
De fato, passou-se tempo demais entre o leilão dos blocos na Foz do Amazonas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP), em 2013, e a autorização dada pelo Ibama para a perfuração do primeiro poço pela Petrobras, no fim do ano passado. O mundo mudou, e a sociedade ficou mais sensível aos riscos socioambientais dessa atividade.
Tudo isso amplia a responsabilidade da Petrobras, bem como os custos de uma operação que precisará aliar segurança e lucratividade se os resultados forem mesmo positivos. A declaração de comercialidade, na melhor das hipóteses, sairá entre 2029 e 2031, segundo o ex-presidente da companhia Jean-Paul Prates. Em um cenário acelerado, a exemplo do que foi feito na Guiana, o primeiro óleo surgiria em 2033 ou 2034.
O entusiasmo dos políticos, portanto, não reflete a realidade dos prazos do setor petrolífero. Mas o País, por outro lado, terá tempo de sobra para se preparar para o caso de essa promessa de desenvolvimento se concretizar. E, desta vez, não podemos repetir os erros do passado.
Não é aceitável, por exemplo, que o Amapá desperdice recursos dos royalties que podem vir dessa atividade em projetos que nem de longe melhoraram a infraestrutura urbana e a qualidade de vida dos moradores, como vimos ocorrer em municípios fluminenses. Tampouco devemos resgatar políticas que privilegiem o conteúdo local a qualquer custo. Ao contrário. Em tempos de tantas incertezas, o País precisa se abrir a importações, investir em acordos e parcerias comerciais e preparar terreno para se inserir nas cadeias produtivas globais.
É essencial investir desde já em educação e qualificação profissional, sobretudo da população local, para que ela tenha condições de aproveitar as oportunidades de trabalho que poderão surgir nos próximos anos. Para o Brasil, esta pode ser a última chance de alçar o País ao grupo de economias emergentes que crescem de maneira acelerada e inclusiva. Que não percamos mais essa oportunidade.
Expansão de fuzis prova urgência de ação federal contra o tráfico de armas
Por Editorial / O GLOBO
Fuzis apreendidos no Rio — Foto: Domingos Peixoto / Agência O Globo/25/01/2022
Dados sobre a apreensão de fuzis no ano passado refletem a expansão das facções criminosas por todo o país, revela a pesquisa “A nova cadeia de suprimentos do crime”, do Instituto Sou da Paz. Foram apreendidos 2.137 fuzis em 2025, crescimento de 165% ante os 807 de 2021. Em números absolutos, a maioria das apreensões se deu no Sudeste, mas elas aumentaram substancialmente no Norte e no Nordeste em relação a anos anteriores. A constatação é mais uma evidência de que o enfrentamento às organizações criminosas exige ação federal, em especial no combate ao tráfico de armas.
Entre os cinco estados em que houve maior aumento no número de fuzis apreendidos nos últimos cinco anos, três estão no Nordeste e no Norte. Bahia é o primeiro da lista, com crescimento de 393%; Pará vem logo em seguida com 360%; São Paulo, em terceiro com 330%; e Ceará é o quarto do ranking, com 237%. Em números absolutos, o Rio de Janeiro está em primeiro lugar, com 924 apreensões em 2025, 160% acima dos 355 fuzis recolhidos em 2021.
A pesquisa também revela que, no período, o total de armas confiscadas permaneceu estável, mas houve mais apreensões de armas de grosso calibre, como fuzis ou pistolas. Em 2021, elas foram encontradas em 22 estados. No ano passado, havia fuzis em toda a Federação. Em 2021 não houve apreensão de fuzil na Paraíba. No ano passado, foram 25. “Entre 2024 e 2025, em um período de 12 meses, apreendemos três fuzis .50, além de outros calibres. Os .50 chamaram a atenção, pois são capazes de furar blindados, até derrubar avião”, diz o delegado André Macedo, da Polícia Civil da Paraíba.
Da mesma forma como deve haver trabalho de inteligência para desbaratar as ramificações financeiras do crime organizado, é necessário desmontar os esquemas de fornecimento de armas. O relaxamento de regras para o acesso a fuzis semiautomáticos por colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs) no governo Jair Bolsonaro beneficiou as facções criminosas, graças ao desvio de armas e munições compradas legalmente. Mesmo com as restrições impostas no atual governo, o crime organizado continuou a ser abastecido não apenas por armas contrabandeadas, mas também por fornecedores internos, que montam fuzis sem numeração em fábricas clandestinas, os “fuzis fantasmas”.
No ano passado, a Polícia Federal desmantelou em Santa Bárbara D’Oeste, interior de São Paulo, uma fábrica com capacidade de produzir 3,5 mil fuzis por ano, destinados a facções criminosas do Rio. Muitas vezes, quando o fuzil apreendido não é americano, ele é montado com peças de fabricantes americanos contrabandeadas. Tal realidade reforça a necessidade de reativar a Força-Tarefa Internacional de Combate ao Tráfico de Armas (Ficta), que vigorou de 2022 a 2023, como defende o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Dela participam a agência americana de investigações e forças policiais brasileiras. O governo não deveria demorar a atender o pedido da PF.
Descoberta na Margem Equatorial é promissora
Por Editorial / o globo
Sonda usada pela Petrobras para perfurar o bloco 50 da Bacia da Foz do Amazona
A descoberta de hidrocarbonetos em poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas significa que há indícios de petróleo ou gás natural numa região que pode vir a ser a nova fronteira petrolífera do país, a Margem Equatorial. Por enquanto, porém, são apenas indícios. É fundamental que a Petrobras continue o trabalho de pesquisa para investigar a extensão da descoberta e se a exploração é viável economicamente. Qualquer decisão depende dessa análise.
O anúncio acontece dez meses depois de o Ibama ter concedido licença para a estatal perfurar o primeiro poço, em meio a debates sobre impactos na fauna, na flora e nos povos da floresta. A área de prospecção fica a 175 quilômetros da costa do Amapá, numa profundidade de 2.886 metros. A Petrobras aguarda autorização do órgão ambiental para perfurar outros três poços. “Não vejo razão para negar a licença”, diz a presidente da estatal, Magda Chambriard.
É legítima a preocupação com o impacto da atividade numa região ambientalmente sensível. Nesse aspecto, a Margem Equatorial não é diferente de outras bacias, como as do Sudeste, onde petróleo e gás são extraídos há décadas. A exploração do pré-sal ocorre a cerca de 300 quilômetros de paraísos naturais, fundamentais para a biodiversidade e a conservação de biomas. Por isso mesmo, as atividades devem ser balizadas por estudos de impacto ambiental e planos de contingência os mais rigorosos.
A concessão da licença do Ibama em outubro passado, depois de anos de discussões, mostrou que é possível conciliar o cuidado com a natureza e os interesses estratégicos do país. O embate entre o órgão ambiental e a Petrobras resultou no aprimoramento dos projetos, em especial no que diz respeito às respostas para situações de emergência. Dele surgiram um Centro de Reabilitação e Despetrolização em Oiapoque (AP), que se juntou ao de Belém, e três embarcações offshore para atendimento de fauna e exercícios de simulação.
A exploração da Margem Equatorial não entra em conflito com as metas de transição energética e descarbonização da economia. Não há dúvida de que os combustíveis fósseis contribuem para o aquecimento global. Mas a transição para a energia limpa se dá de forma gradual, e o Brasil continuará precisando de petróleo nas próximas décadas. A previsão é que as reservas do pré-sal na Bacia de Santos entrem em declínio já nos anos 2030. Se não tiver de onde tirar petróleo, o país precisará importar. A relevância da autossuficiência ficou patente na atual crise decorrente do conflito no Oriente Médio. O Brasil sofreu menos que outras nações. Ao mesmo tempo, a exploração na Margem Equatorial pode trazer mais recursos para investir na descarbonização e na transição energética.
O cenário catastrófico pintado antes da concessão da licença para as pesquisas não se confirmou, porque tudo foi feito com sensatez. Mantendo os mesmos padrões de exigência, é preciso prosseguir com as pesquisas nos outros três poços, porque, a despeito do otimismo, a descoberta foi apenas um primeiro passo. A julgar pela realidade de países vizinhos do Norte, as perspectivas para a Margem Equatorial são promissoras. Mas precisam ser confirmadas. Isso só poderá ser feito depois de o Ibama conceder as novas licenças. Espera-se que seja célere.

