Os efeitos da decisão de Alexandre de Moraes na guerra entre Michelle e Flávio Bolsonaro
PorJohanns Eller e Rafael Moraes Moura — Rio e Brasília / O GLOBO
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e o enteado e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Beto Barata/PL e Cristiano Mariz/O
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o pré-candidato do PL à Presid
Com o pré-candidato do PL e Valdemar fora do circuito do ex-presidente, Michelle recuperou o status de “interlocutora privilegiada” do marido. Mesmo que outras visitas estejam autorizadas, nenhuma delas detêm a mesma influência e interlocução da ex-primeira-dama.
Carlos Bolsonaro, por exemplo, tem visitado frequentemente o pai, mas não ocupa papel de destaque na campanha de Flávio, já que está voltado para viabilizar sua candidatura ao Senado em Santa Catarina, assim como o irmão Jair Renan, que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados pelo mesmo estado.
ência, senador Flávio Bolsonaro (RJ), de visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro provocou indignação entre aliados – e diferentes leituras sobre o impacto da medida para o próprio Flávio e para Michelle Bolsonaro. A decisão faz da ex-primeira-dama a principal interlocutora do marido em um momento pivotal da guerra travada com o enteado, com o avanço do calendário eleitoral na definição de palanques estaduais e na realização de convenções partidárias.
Com o pré-candidato do PL e Valdemar fora do circuito do ex-presidente, Michelle recuperou o status de “interlocutora privilegiada” do marido. Mesmo que outras visitas estejam autorizadas, nenhuma delas detêm a mesma influência e interlocução da ex-primeira-dama.
Carlos Bolsonaro, por exemplo, tem visitado frequentemente o pai, mas não ocupa papel de destaque na campanha de Flávio, já que está voltado para viabilizar sua candidatura ao Senado em Santa Catarina, assim como o irmão Jair Renan, que disputará uma vaga na Câmara dos Deputados pelo mesmo estado.
Embora a declaração manuscrita de Bolsonaro coloque Flávio como seu único porta-voz e nas entrelinhas desautorize Michelle no contexto do racha familiar, na prática a ex-primeira-dama vai se tornar uma espécie de “interlocutora privilegiada”, com um acesso direto ao marido que Flávio não terá pelo menos até o primeiro turno das eleições presidenciais, que ocorre em 4 de outubro. A medida de Moraes vale por 90 dias.
Por outro lado, ainda que a medida “reabilite” Michelle e represente um revés na campanha do PL, aliados do clã Bolsonaro avaliam nos bastidores que a decisão é controversa e fortalece perante uma parte da opinião pública a narrativa de que o Supremo, e Moraes em particular, age em prol da reeleição de Lula e persegue politicamente o ex-presidente, proibindo um filho de ver o pai.
“O Alexandre está dando discurso para perseguição. Isso pode fortalecer o Flávio na narrativa política de vitimização e perseguição do STF”, afirmou ao blog um integrante da cúpula do PL.
“Se a equipe de marketing quisesse ter encomendado um fato político bom, não poderia ter encomendado um melhor."
Além de Flávio, Jair Bolsonaro também está proibido de se comunicar com o deputado cassado Eduardo Bolsonaro, que vive no autoexílio nos Estados Unidos, e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que ainda é alvo das investigações da trama golpista.
“Isso só vai fazer o Flávio subir ainda mais nas pesquisas, porque perante os eleitores ninguém gosta de ver um filho ser proibido de visitar o pai”, disse Valdemar à equipe do blog.
Para um integrante do núcleo duro da campanha de Flávio, a proibição de Moraes se insere em uma série de decisões do STF que colidiram com os interesses do PL, como a manutenção do desembargador Ricardo Couto no governo interino do Rio, em detrimento do presidente da Assembleia Legislativa do Rio, o deputado Douglas Ruas (PL).
“É uma camada de decisões heterodoxas que só atinge um lado. É impossível não falar de perseguição”, afirmou.
Ruídos
No caso do filho 03, a restrição foi determinada dentro do inquérito que condenou Eduardo e seu aliado Paulo Figueiredo por coação contra o Supremo pela articulação de sanções contra ministros – como Moraes, alvo da Lei Magnitsky – na tentativa de pressionar a Corte durante o julgamento da trama golpista
Pessoas próximas do ex-presidente se queixam das cautelares desde as eleições municipais de 2024. Internamente, os ruídos nas campanhas de diferentes candidatos a prefeito, como o caso de Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo, foram atribuídos à impossibilidade de contato entre Valdemar e Bolsonaro.
Agora, o veto às visitas de Flávio ao pai durante o cumprimento da prisão domiciliar tende a dificultar os esforços da campanha do filho 01 para concluir a costura dos palanques estaduais e unir a direita, principal apelo da carta divulgada no final de semana.
Em uma live transmitida na última segunda-feira (13), Flávio se queixou da decisão de Moraes e aludiu à articulação política de Lula na eleição presidencial de 2018, quando estava preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba e lançou Fernando Haddad como seu substituto na corrida.
“Lula podia fazer tudo, qual o critério agora com o presidente Bolsonaro? Ele está censurado, não pode usar as suas redes sociais”, declarou o presidenciável do PL.
‘Interlocutora privilegiada’
A tendência é que as atenções se voltem para Michelle, que deixou a presidência do PL Mulher alegando a necessidade de cuidar do marido e da filha do casal, Laura, em tempo integral. Desde a divulgação do vídeo de 27 minutos em que acusou Flávio de maltratá-la e até de apunhalá-la pelas costas, a ex-primeira-dama tem reiterado nos bastidores que não tem a menor pretensão de embarcar na campanha do enteado.
O que ninguém do PL arrisca cravar neste momento é se Michelle irá se dispor a fazer a ponte entre os interlocutores de Flávio e o marido – ou se aproveitará o novo contexto forjado pelo STF para defender seu ponto de vista sobre o embate com o enteado junto ao ex-presidente.
Alta letalidade policial, baixa responsabilização
As operações Escudo e Verão, que ocorreram no litoral paulista entre 2023 e 2024, foram as mais letais da história da Polícia Militar de São Paulo depois do massacre do Carandiru em 1992, quando 111 pessoas foram mortas. Mas a responsabilização dos agentes parece aquém do alto nível de letalidade.
Segundo levantamento realizado pela Folha, das 84 mortes causadas por policiais nas duas ações, só 9,5% resultaram em denúncias do Ministério Público.
Trata-se de padrão recorrente no país. Estudo da ONG Fórum Justiça do ano passado mostrou que apenas 9% dos casos de mortes provocadas pelas forças de segurança, entre 2011 e 2023 em São Paulo, foram denunciados pelo Ministério Público; no Rio de Janeiro, a taxa no mesmo período foi ainda menor (3,7%).
Ademais, 8 dos 16 policiais denunciados por ocorrências nas operações Escudo e Verão foram absolvidos sumariamente pela Justiça —quando o juiz encerra o processo antes de submetê-lo ao tribunal do júri por entender que já está claramente demonstrada alguma hipótese legal, como o réu não ter sido o autor ou a conduta não constituir crime.
Na absolvição mais recente, referente à morte do roupeiro Allan de Moraes Santos, desembargadores afirmaram que não havia indício de ação deliberada dos réus, de intenção homicida nem de alteração da cena.
Allan foi morto com seis tiros de pistola e fuzil. Nas imagens das câmeras corporais, a pistola atribuída a ele pelos policiais aparece no asfalto, mas o mesmo local havia sido filmado 50 segundos antes, sem que a arma estivesse lá, segundo a Promotoria.
Em outros três casos, são fartas as alegações de falhas processuais, como câmeras policiais descarregadas, disparos de fuzil quando as vítimas já estavam rendidas e apagamento de imagens, entre outras. Com a absolvição sumária, essas violações não serão analisadas.
No único caso em que houve decisão de pronúncia para levar dois policiais a júri, as imagens das câmeras corporais foram essenciais, ressaltando a importância do equipamento para conter arbitrariedades, qualificar a atuação dos agentes e municiar investigações.
Por óbvio, nem todas as mortes ocorridas em operações policiais configuram homicídio doloso ou abusos no uso da força. Ainda assim, a grande discrepância entre o número de mortos e o de policiais denunciados e julgados sugere falhas na investigação e na responsabilização, além de um quadro de impunidade na abordagem da letalidade policial.
PF investiga denúncia de ocultação de patrimônio de Evandro Leitão
Escrito por Ingrid Camposi / DIARIONRDESTE
O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão (PT), passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suposta omissão patrimonial em declarações à Justiça Eleitoral, durante registros de candidatura em 2022 e em 2024. O caso é objeto de inquérito aberto no mês de junho.
A assessoria de imprensa de Evandro Leitão foi buscada pela reportagem em busca de pronunciamentos sobre a investigação. Quando houver retorno, a matéria será atualizada.
O procedimento foi requisitado pela 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza após denúncias veiculadas em dois sites. A polícia apura se houve prática do crime de falsidade ideológica eleitoral, que consiste em omitir ou inserir declaração falsa em documentos públicos para fins eleitorais.
A suspeita é de que o prefeito seja proprietário de uma mansão em um condomínio de luxo em Eusébio, construída na unificação de dois lotes, e de um apartamento de 212 m², adquirido no nome do filho de Evandro por meio de uma empresa ligada à sua família, conforme consta na portaria que instaura o inquérito.
Juntos, os imóveis têm valor de mercado estipulado em R$ 14,5 milhões, enfatiza o relatório da 3ª Promotoria Eleitoral de Fortaleza.
O documento ressalta, ainda, que a declaração de bens é etapa obrigatória do pedido de registro de candidatura, e sua veracidade “possui relevância para a transparência do processo eleitoral e para o controle público da evolução patrimonial dos candidatos”.
Para embasar a investigação, a delegada responsável, Doralúcia Oliveira de Souza, determinou uma série de procedimentos. Isso inclui o levantamento completo de bens de Evandro Leitão e seus parentes diretos (esposa e filhos); a requisição de documentos a Cartórios de Registro de Imóveis e de Notas com matrículas, escrituras e contratos imobiliários; e a sondagem de recolhimento de IPTU e ITBI junto à Prefeitura do Eusébio.
A PF também pediu ao Tribunal Regional Eleitoral do Ceará (TRE-CE) as declarações de bens integrais e mídias de propaganda eleitoral de 2022 e 2024, para verificar se ele usou o discurso de "pessoa de poucos bens" como símbolo de honestidade.
No pacote de instrução processual, a Polícia Federal também decidiu investigar a empresa que supostamente seria ligada à família de Evandro Leitão, solicitando ficha cadastral e quadro societário à Junta Comercial.
Moraes proíbe visitas de Flávio a Bolsonaro por 90 dias
O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), proibiu nesta segunda-feira (13) Jair Bolsonaro (PL) de receber visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL), filho do ex-presidente e pré-candidato à Presidência, durante a prisão domiciliar por 90 dias –até depois do primeiro turno das eleições.
Em sua decisão, Moraes afirmou que Flávio descumpriu a medida cautelar que veta Bolsonaro de usar redes sociais, diretamente ou por terceiro, ao divulgar uma carta do pai no sábado (11). No documento, Bolsonaro afirma que Flávio é seu "porta-voz" e o candidato escolhido para representá-lo politicamente.
O ministro disse que o senador usou "expressões com carga semântica equivalente a pedido explícito de voto" e classificou a conduta de Flávio como "instrumento de promoção política".
O magistrado enviou a decisão para o procurador-geral eleitoral, Paulo Gonet Branco, e mandou o Ministério Público Eleitoral apurar se o episódio pode configurar propaganda eleitoral antecipada. Também cobrou que os advogados de Bolsonaro se manifestem sobre a desobediência em até 48 horas.
A carta por escrito de Bolsonaro foi lida por Flávio durante transmissão nas redes sociais e também compartilhada em foto após uma visita ao pai, que atualmente cumpre, em casa, a pena de 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.
Segundo Moraes, a afirmação de Flávio de que o documento era "imperdível" e "um recado muito importante" que seu pai queria transmitir aos brasileiros mostra que Bolsonaro sabia da divulgação nas plataformas, o que também configura desrespeito à medida cautelar.
"Fala, pessoal. Acabei de sair da casa do meu pai. Ele está bem, está firme, está forte e ele escreveu uma carta aos brasileiros que eu vou fazer a leitura dela hoje, neste sábado, às 12h30, no meu canal do YouTube. É imperdível. Um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação. Então, eu te espero lá", disse o pré-candidato do PL.
O advogado da pré-campanha de Flávio Bolsonaro Tracy Reinaldet afirmou, em nota, que a decisão de Moraes é ilegal e inconstitucional e que a equipe tomará medidas para revertê-la, "sempre respeitando as instituições".
A defesa argumentou que o veto desrespeita a Lei de Execução Penal, o Estatuto da Advocacia e a Constituição Federal por impedir a visita de familiar e o de manter contato com o mundo exterior.
"Desde a proclamação da Constituição de 1988, deixar o preso incomunicável sempre foi visto pelo Supremo Tribunal Federal como algo inconstitucional. No entanto, a decisão de hoje aproxima o Presidente Jair Bolsonaro da incomunicabilidade", diz o comunicado.
Também em nota à imprensa, o coordenador da pré-campanha de Flávio, senador Rogério Marinho (PL-RN), declarou que a proibição é uma "clara interferência no jogo político" e uma tentativa de deixar Bolsonaro incomunicável.
"A medida reforça a percepção de perseguição política e de tratamento desigual. Parte do Supremo Tribunal Federal abandona a necessária posição de árbitro institucional e passa a atuar, aos olhos de milhões de brasileiros, como adversário político de Jair Bolsonaro, de Flávio Bolsonaro e de todo o campo de oposição", escreveu Marinho.
A carta de Bolsonaro foi divulgada após a crise provocada pelo vídeo publicado pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro em que ela critica Flávio. Nem o documento nem o presidenciável mencionaram diretamente a desavença pública com Michelle.
Durante a leitura, o senador disse que a nomeação como porta-voz de Bolsonaro é um passo fundamental para evitar "falas conflituosas ou direções diferentes" dentro da direita. No documento, o ex-presidente defendeu que o cenário político atual é de deixar "de lado as possíveis diferenças".
Para Moraes, o senador usou seu direito de visita para divulgar a carta nas redes sociais. "Não há dúvidas, portanto, que a conduta irregular de Flávio Nantes Bolsonaro desrespeitou expressa vedação judicial e configurou ostensivo desvio de finalidade no exercício de seu direito de visita."
Relator da trama golpista no Supremo, Alexandre de Moraes disse ainda que Flávio Bolsonaro "é reincidente em sua conduta desrespeitosa as decisões judiciais" e citou o episódio em que ele transmitiu uma chamada de áudio do pai a manifestantes na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, em 2025.
A restrição imposta por Moraes deve ter impacto sobre a pré-campanha de Flávio. O prazo se encerrará em 11 de outubro. Com isso, Flávio ficará sem ter contato direto com o pai até o primeiro turno, o que pode dificultar a articulação de decisões de sua pré-candidatura e de palanques do bolsonarismo.
Em março, o senador foi inscrito como advogado do ex-presidente no processo da trama golpista para ter livre acesso a Bolsonaro, que, na época, estava preso na Papudinha, em Brasília. A medida foi tomada para que as movimentações políticas junto ao pai pudessem continuar.
"Vale lembrar que o Senador Flávio Bolsonaro é também advogado de seu pai. A proibição de contato viola, portanto, o direito que o advogado tem de se comunicar com seu representado", afirma a nota da defesa do senador.
Bolsonaro está preso há quase um ano. Por quatro meses, ficou em regime fechado, na sede da PF em Brasília e na unidade conhecida como Papudinha. Desde março, está detido em casa, com restrição de visitas e de usar as redes sociais.
A última manifestação pública de Bolsonaro havia ocorrido em março, também por meio de uma carta. Na ocasião, o ex-presidente afirmou lamentar as críticas feitas por nomes da direita à ex-primeira-dama Michelle e a aliados.
Em dezembro, Bolsonaro também escreveu uma carta confirmando a indicação de seu filho mais velho como pré-candidato à Presidência da República em 2026. No texto, o ex-presidente falava em "continuidade" e cita batalhas que estaria enfrentando.
Lula sugere robô para seleção de Ancelotti e critica ausências de jogadores em voo de volta ao Brasil: 'Que vergonha'
Por O GLOBO — São Paulo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta segunda-feira (13), a ausência de jogadores da Seleção Brasileira em voo fretado que desembarcou no país depois da eliminação da equipe para a Noruega, na Copa do Mundo. A fala ocorreu em meio a um relato sobre o avanço da robótica na indústria, durante visita ao Instituto Mauá de Tecnologia, em São Caetano do Sul, no ABC paulista.
— Eu vi um robô ali que eu até mandei um recado pro Ancelotti, o técnico da Seleção Brasileira, aquela que foi com um monte de gente e voltou sozinha. Quase não tinha ninguém pra voltar no avião da Seleção. Gente, que vergonha. Só voltou um jogador no avião, o resto ficou tudo lá. Se tivessem ganho, estava todo mundo dançando ali — declarou o presidente.
Ele se refere ao fato de apenas o atleta Danilo, do Flamengo, entre os convocados, ter retornado ao Brasil no avião da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que pousou no Rio de Janeiro na madrugada de quarta-feira, três dias após a derrota para a Noruega. Junto com ele, estavam membros da comissão técnica, como o técnico italiano Carlo Ancelotti, funcionários e outros representantes da delegação.
Segundo o "Globo Esporte", da TV Globo, a presença na viagem não era obrigatória e o restante do grupo optou por dispersar diretamente dos Estados Unidos, para seguir no exterior de férias ou retornar aos países de seus clubes. Além de Danilo, contudo, outros seis jogadores atuam no Brasil, entre eles três companheiros do Flamengo — Léo Pereira, Lucas Paquetá e Alex Sandro — e o atacante Neymar Jr., do Santos.
Lula brincou ainda sobre o fato de ter visto um robô com potencial pra jogar no selecionado brasileiro, depois de prometer financiar um campeonato de ciências no instituto por meio do BNDES:
— O menino fez um robô agressivo, cara. Parecia o Mbappé (jogador da França), o Haaland (atacante da Noruega). O robô manda a bola lá pra cima. E eu dei o recado pro Ancelotti: se quiser contratar, contrata esse robô, porque ele vai fazer o Brasil ganhar a Copa do Mundo.
Lula manda recado à seleção antes da estreia contra Marrocos — Foto: Reprodução/X
Mulher é sequestrada e extorquida após pedir carro de aplicativo em área nobre de Fortaleza
Escrito por Luana SeveroeEmanoela Campelo de Melo / DIARIONRDESTE
Uma mulher foi vítima de sequestro e extorsão na noite da última quinta-feira (9), em Fortaleza, após sair de um restaurante no bairro Meireles. Um dos sequestradores era o motorista de aplicativo que a buscou no local.
De acordo com o inquérito policial obtido pelo Diário do Nordeste, assim que a passageira entrou no veículo, o condutor, identificado como Matheus Bandeira Fontoura, de 31 anos, alterou deliberadamente o percurso e reduziu a velocidade em um determinado ponto da cidade, permitindo a entrada de mais dois indivíduos.
Em seguida, os criminosos ameaçaram a vítima com um simulacro de arma de fogo, no bairro Montese, utilizado como cativeiro.
Cinco pessoas foram presas em flagrante pelo crime no dia seguinte, sendo três homens e duas mulheres. Após audiência de custódia, quatro tiveram a prisão convertida em preventiva e um teve liberdade provisória.
Todos os suspeitos têm entre 21 e 38 anos e devem responder por roubo, extorsão, associação criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
Em nota enviada após a publicação da reportagem, a empresa Uber lamentou o caso e informou que o motorista teve a conta desativada da plataforma. Além disso, declarou que "permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações, na forma da lei".
Segundo a empresa, todas as viagens são cobertas por um seguro e, em parceria com o MeToo Brasil, conta com um canal de suporte psicológico, que foi disponibilizado à vítima.
Dinheiro roubado foi transferido para diferentes contas
Durante o período em que a vítima foi feita refém, os criminosos fizeram diversas transferências via Pix, contrataram um empréstimo de R$ 7,5 mil e efetuaram "compras" com os cartões dela em uma maquineta.
Um dos beneficiados pelas transferências foi Matheus, o motorista da corrida por aplicativo, que recebeu R$ 600.
Também recebeu cerca de R$ 1,5 mil uma mulher identificada como mãe do filho de outro suspeito. As investigações concluíram ainda que um outro homem recebeu R$ 1 mil em espécie.
A vítima foi liberada e deixada no bairro Luciano Cavalcante após todas as transações financeiras.
Grupo planejava outros sequestros
No interrogatório policial, Cláudio Natan Barros da Silva, conhecido como "Sorriso", apontado como um dos principais articuladores da ação criminosa, afirmou que a ideia do sequestro partiu de Matheus.
Segundo o preso, que estava entre os dois que embarcaram no veículo durante a corrida e que é companheiro de uma das mulheres presas pelo crime, o comparsa costumava sugerir vítimas para "futuros sequestros", incluindo alvos específicos, como a ex-esposa dele, que é médica "e ganha bem", e uma enfermeira.
Já Matheus, que disse estar adquirindo um bar na Capital e ser dono de uma empresa de engenharia e energia solar em João Pessoa, na Paraíba, alegou que agiu sob coação.
À Polícia, ele afirmou ser usuário de cocaína e que comprava droga de Natan. Nesta versão, o traficante é quem o teria convidado para participar do assalto.
A reportagem também buscou a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) para tratar sobre o caso, mas não teve retorno até o fechamento da matéria.


