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Vale-tudo fiscal e eleitoral

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Um recente empréstimo de R$ 536 milhões ao estado do Amapá tornou-se um retrato de como regras fiscais podem ser moldadas conforme conveniências políticas. Para viabilizar a operação, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) alterou o entendimento que exigia intervalo de 12 meses entre a regularização de pendências e a contratação de novos financiamentos. A regra

 

Em ano eleitoral, multiplicam-se as pressões por obras e investimentos capazes de gerar dividendos políticos. O risco é que critérios técnicos cedam lugar às conveniências do momento e o dinheiro público se transforme em instrumento de negociação. O caso do Amapá, porém, é apenas a face mais visível de um problema recorrente. Há décadas, a União socorre estados incapazes de equilibrar suas contas.

 

São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul estão entre os que buscam o governo federal para renegociar dívidas. A rodada mais recente custará à União R$ 347 bilhões. Circunstâncias excepcionais podem exigir ajuda federal. O que não deveria virar regra é premiar quem administra mal. Quando governadores contam com a expectativa de novo socorro, enfraquece-se o incentivo para controlar gastos, rever privilégios e promover reformas.

 

Consolida-se o risco moral: parte do custo das más decisões é transferida à União. Em vez de premiar administrações responsáveis, perpetua-se um modelo que recompensa a imprudência.

A fatura não desaparece. É repartida entre todos os contribuintes, inclusive dos estados que preservaram maior responsabilidade fiscal. Os prejuízos se socializam, enquanto dividendos políticos permanecem concentrados.Responsabilidade fiscal não pode ser relativizada por conveniências nem por calendários eleitorais. Regras existem para limitar o poder dos governantes, não para serem adaptadas às necessidades do momento.

 

Quando exceções viram norma, a disciplina orçamentária perde credibilidade e o vale-tudo com dinheiro público passa a se tornar um método.

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desapareceu quando deixou de interessar. Pouco depois, a gestão amapaense revelou um rombo de quase R$ 1 bilhão. O Tesouro Nacional afirma que desconhecia o desequilíbrio ao conceder a garantia da União para o novo empréstimo. Se a informação estivesse disponível, a nota de crédito do estado teria sido rebaixada, impedindo a operação.

Ainda assim, o episódio expõe o risco de abrir exceções: a mudança para destravar um crédito beneficiou um estado em situação pior do que se supunha.

 

O contexto político amplia o desgaste. O Amapá é o estado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), e do líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT). Embora não haja prova de favorecimento, a coincidência entre interesses e a flexibilização das regras alimenta a percepção de casuísmo.

 

Como nascem os jabutis

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

A Constituição federal é clara: o artigo 57 determina que a sessão legislativa não deve ser interrompida sem a aprovação da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). No Congresso, porém, quem se importa com isso? Ano após ano, deputados e senadores deixam Brasília sem cumprir essa obrigação constitucional. A exceção virou regra, e o Parlamento tem como praxe sair de férias antes da entrega do principal dever legislativo do início do ano, enquanto prazos seguem correndo e empilhando prioridades para o segundo semestre.

 

A proposta encaminhada pelo Executivo em abril permanece sem relator designado na Comissão Mista de Orçamento (CMO). Em ano eleitoral, o atraso torna plausível um cenário em que a Lei Orçamentária Anual só seja aprovada em 2027, impondo ao próximo ocupante do Palácio da Alvorada severas limitações para executar políticas públicas e investimentos no início do mandato.

 

O que se vê é que o Parlamento que cobra protagonismo sobre o Orçamento e disputa cada centavo das bilionárias emendas parlamentares, reivindicando mais poder sobre os gastos públicos, procrastina quando chega o momento de cumprir sua parte no processo de elaboração das contas públicas.

 

O Congresso também entrou em recesso deixando para trás uma fila de matérias que seus próprios líderes classificaram como prioritárias. A PEC da Segurança Pública, por exemplo, é a discussão mais relevante hoje em tramitação no Congresso e atende a parte de um dos principais problemas do País, mas não avançou desde que chegou ao Senado. A PEC da escala 6x1 felizmente não foi votada, mas tampouco houve avanço no seu debate no Senado. Se essas eram realmente prioridades, o Congresso simplesmente desistiu de tratá-las. Se não eram, vendeu ao eleitor uma urgência que jamais pretendeu enfrentar.

 

O problema não para por aí. Causa arrepio o anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), de que o segundo semestre será marcado por duas semanas de “esforço concentrado”, de 10 a 14 de agosto e de 31 de agosto a 3 de setembro, justamente porque a campanha eleitoral esvaziará o Legislativo.

 

O esforço concentrado não concentra apenas votações. Concentra também riscos. Não é coincidência que “jabutis” (adendos estranhos ao objeto de projetos de lei) abundem justamente em votações concentradas. Quanto menos tempo houver para análise, menor será a capacidade de reação da sociedade, da imprensa e até dos próprios parlamentares. Não faltam exemplos para comprovar o que um cenário como esse é capaz de produzir.

 

A pressa não é um acidente do processo legislativo, mas frequentemente funciona como método. Com dezenas de projetos apreciados em sequência e textos alterados até os últimos minutos, reduz-se deliberadamente o espaço para contestação, compreensão e escrutínio público e se amplia a chance de aprovação de dispositivos que dificilmente sobreviveriam ao debate público.

 

A dinâmica do Congresso conduzido por Alcolumbre institucionaliza a ideia de que legislar se tornou atividade secundária diante da disputa eleitoral e outros interesses. O eleitor, porém, não elege deputados e senadores para trabalhar apenas quando lhes convêm. O mandato parlamentar é permanente e não admite suspensão informal por causa das festas juninas ou da campanha eleitoral. Nem mesmo as Comissões Parlamentares de Inquérito escaparam dessa lógica. A CPI do INSS terminou sem sequer aprovar um relatório final, convertida muito mais em palco para a disputa eleitoral do que em instrumento efetivo de fiscalização.

 

Democracias maduras convivem com eleições sem interromper o funcionamento de seus Parlamentos. No Brasil, ao contrário, naturalizou-se a ideia de que o calendário político justifica meses de produtividade reduzida, seguidos de votações apressadas nas quais prosperam jabutis, acordos de última hora e decisões sem o debate que a sociedade merece. O Congresso Nacional deve satisfações permanentes aos cidadãos que o financiam. Trabalhar até o fim da legislatura não deveria ser tratado como “esforço concentrado”. Deveria ser apenas o cumprimento do mandato.

Jovens sem partido

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

Um levantamento do cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), mostrou que, em 16 anos, os partidos políticos perderam quase 1,5 milhão de filiados jovens. Baixa filiação partidária entre jovens não é novidade no Brasil, tampouco um problema por si só. Historicamente, a imensa maioria dos eleitores entre 16 e 34 anos nunca se filiou a legenda alguma. A novidade é o refinamento da análise suscitada pelo estudo e pelas entrevistas com jovens eleitores publicadas pelo Estadão no domingo passado.

 

Mais importante do que aferir o grau de afastamento daquele estrato da população da política partidária é refletir sobre o diagnóstico que os próprios jovens, de forma madura, fazem dele. Em suma, para esse público, os partidos deixaram de representar a contento interesses sociais legítimos para se concentrarem na defesa de seus interesses corporativistas e/ou servir como fóruns de afirmação de identidades tribais.

 

O problema, portanto, é de ordem institucional. Partidos não são meros acessórios da democracia representativa. São as organizações da sociedade civil que estruturam e defendem, de forma pacífica, os múltiplos interesses em jogo na sociedade que devem ser mediados pela política. Tanto que a Constituição determina a filiação partidária como condição de elegibilidade.

Ora, quando essas organizações deixam de cumprir sua função precípua, qual seja, a representação social, e passam a operar como verdadeiras empresas a serviço de suas próprias cúpulas ou como instâncias de estímulo a hostilidades grupais, o problema não é mais a quantidade de filiados que perdem ou ganham, mas a qualidade da representação que oferecem. Noutras palavras: a raiz do problema da falta de representatividade não está nos jovens, como sinal de uma suposta apatia cívica – está nos próprios partidos.

 

Aqui retornamos a um ponto caro a este jornal. No Brasil, os partidos têm vida muito fácil. Jamais precisaram cortejar seus apoiadores para sobreviver por meio de doações privadas. Financiam-se lautamente com os bilhões dos Fundos Partidário e Eleitoral, recursos dos contribuintes que garantem sua sobrevivência independentemente de qualquer esforço. Essa rede de segurança permitiu que os partidos se dedicassem menos a formar quadros e ouvir as demandas dos eleitores e mais a proteger arranjos internos de poder. Daí a arguta metáfora usada por um dos jovens entrevistados por este jornal: legendas que funcionam como “cartórios”, com pouca vida orgânica, baixa renovação de lideranças e escassa democracia interna – entidades analógicas com dificuldade para dialogar com uma geração digital, não raro caindo no ridículo.

 

Para piorar, a polarização afetiva transformou a filiação partidária em grito de torcida organizada. Para os mais jovens, ou seja, para o futuro da política partidária, aderir a um partido deixou de significar apoio a um programa de governo ou visão de país para virar um rótulo identitário. Essa lógica é a antítese da política, que privilegia a construção de consensos mínimos em torno do interesse público e do bem comum por meio do diálogo entre posições divergentes. Esse partidarismo exacerbado transforma as legendas em facções e os adversários políticos em inimigos. Os jovens mostraram maturidade ao perceberem isso, o que é ainda mais constrangedor para as cabeças brancas que instrumentalizam as siglas e negam a própria ideia de convivência democrática com as diferenças.

 

Sem abrir suas estruturas internas, renovar lideranças, arejar ideias e voltar a disputá-las na esfera pública com civilidade e espírito republicano, os partidos continuarão perdendo o único bem que nenhuma alínea do Orçamento da União jamais poderá comprar: a adesão espontânea de quem se sente representado por seus valores, ideias e projetos para o Brasil. E, antes que se diga que esse é o caminho, não bastam ações pontuais para aumentar a filiação dos mais jovens. Os próprios partidos têm de recuperar sua razão de existir: a capacidade de representar os interesses legítimos de setores da sociedade. O resto vem a reboque da confiança que inspirarem nos eleitores – sejam os mais velhos, sejam os mais jovens.

Demora do Senado em aprovar PEC da Segurança é frustrante

editorial de o globo

 

É lastimável que o Congresso tenha entrado em recesso na sexta-feira sem o Senado votar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, que dá ao Estado ferramentas para combater o crime organizado. Entregue ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e ao do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em cerimônia no Palácio do Planalto em abril de 2025, o projeto só foi aprovado pelos deputados em março. De lá para cá, permanece à espera de tramitação no Senado. Quando as atividades legislativas voltarem em 1º de agosto, restarão duas semanas antes do início da campanha eleitoral. Não há mais tempo para a procrastinação em tema tão premente para os eleitores.

 

Em número de integrantes, o Primeiro Comando da Capital (PCC) é a maior facção em operação na América Latina, segundo estimativa do recém-lançado estudo “Dos Cartéis do Narcotráfico às Redes Criminosas: A Transformação Estrutural do Crime Organizado na América Latina e no Caribe”, do Instituto Igarapé. Ao todo, são entre 30 mil e 40 mil membros. Em segundo lugar, está o Comando Vermelho (CV), com algo entre 20 mil e 30 mil, seguido pelo Cartel de Jalisco Nueva Generación, MS-13, Barrio 18, Los Choneros, ‘Ndrangheta e Cartel de Sinaloa.

 

As facções brasileiras são destaque não apenas em tamanho, mas também pela sofisticação. Entre mudanças importantes ocorridas no mundo do crime a partir dos efeitos provocados pela pandemia, está a montagem de uma logística globalizada. Ao reconstruir as malhas afetadas, PCC e CV estenderam suas redes para ficar próximas de portos europeus e da distribuição da droga. No mesmo período, a infiltração em atividades econômicas lícitas foi acelerada. “O crime organizado na América Latina entrou em uma nova fase. Ele está mais geograficamente difuso, economicamente diversificado, globalmente integrado, tecnologicamente adaptável e enraizado nos mercados legais do que em qualquer outro momento anterior”, diz o estudo.

 

A resposta das forças policiais tem sido lenta. O combate ainda é feito de forma fragmentada, facilitando a expansão nacional e internacional dos criminosos. Para aumentar seu poder de ação, o Estado precisa se equipar e reorganizar sua estrutura. Portos não devem ser vistos como mera instalação de aduana. Sem mais equipamentos para escanear contêineres e rotatividade de equipes alvo do tráfico, os traficantes têm a vida facilitada. Além de prender traficantes e capturar carregamentos de drogas, as forças de repressão precisam aumentar a capacidade de desmantelar sistemas de lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.

 

 Para atingir tais objetivos, é fundamental o governo federal e estados trabalharem em conjunto, como prevê a PEC da Segurança. O texto também dá segurança jurídica para a Polícia Federal combater as facções e aumenta as atribuições da Polícia Rodoviária Federal. Espera-se que o Senado trate de uma vez do assunto, uma das maiores preocupações dos eleitores. Cada adiamento representa mais oportunidades de crescimento aos criminosos.
 
O plenário do SenadoO plenário do Senado — Foto: Jonas Pereira/Agência Senado

Análise do TCU sobre emendas Pix exige investigação

Por Editorial / o globo

 

A Polícia Federal (PF) deve dar prioridade à análise de auditoria feita pelo Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as emendas Pix, transferidas diretamente para o caixa de estados e municípios, assim que o plenário da Corte aprová-la em plenário. Oito em dez das emendas examinadas apresentaram algum tipo de irregularidade. Apenas no universo da amostra, existem indícios de problema em R$ 49,1 milhões repassados entre 2020 e 2024. Como a quantia total deve ser muito maior, é urgente investigar, indiciar os suspeitos, condenar os eventuais culpados e garantir o retorno das verbas aos cofres públicos.

 

Feita a pedido do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a fiscalização detectou um festival de irregularidades, como indícios de sobrepreço, superfaturamento, pagamentos sem cobertura contratual ou comprovação fiscal idônea, despesas diferentes da finalidade e sem comprovação do objeto realizado. Segundo o TCU, em 54% dos casos foram encontradas falhas que comprometem a transparência e a rastreabilidade dos recursos. O rol de problemas inclui ainda falta de prestação de contas no sistema Transferegov e uso da conta bancária da emenda Pix como passagem (caso em que os recursos são transferidos para outras contas, dificultando o rastreamento). No universo fiscalizado — emendas Pix repassadas entre 2020 e 2024 por 83 parlamentares —, o índice de falhas variou de uma região a outra. No Norte, quase a totalidade (91%) apresentou problemas; no Nordeste, foram 80%; no Sudeste, 77%; no Sul, 75%, e no Centro-Oeste, 67%.

 

Alvos de constantes questionamentos devido à baixa transparência, as emendas provocaram uma série de medidas do STF com o intuito de disciplinar a sua execução. É possível que uma análise de transferências mais recentes não apresente o mesmo percentual de irregularidade. De qualquer modo, é preciso investigar o que ocorreu e não baixar a guarda, uma vez que as emendas Pix, aprovadas pelo Congresso em 2019, vêm crescendo vertiginosamente. Para este ano, a Lei de Diretrizes Orçamentárias prevê R$ 7 bilhões para a modalidade (em 2020 eram R$ 621 milhões).

 

Por mais que se criem mecanismos para tapar os buracos por onde esses recursos se esvaem, a todo momento novos aparecem em todas as modalidades de emendas. Recentemente, Dino determinou o bloqueio de R$ 119 milhões do presidente do Partido Liberal, Valdemar Costa Neto, e de R$ 6,1 milhões do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos-MG), suspeitos de direcionar verbas apesar de não exercerem mandatos parlamentares.

 

As emendas por si sós representam uma inegável distorção, uma vez que dão ao Congresso um poder sobre o Orçamento sem paralelo em outros países do mundo — para este ano, estão previstos R$ 61 bilhões, dos quais 37,8 bilhões obrigatórios. Nas economias com os melhores índices de desenvolvimento, é o Executivo quem centraliza a decisão sobre os gastos. Antes de o país rever e corrigir essa aberração, deve-se garantir, pelo menos, que seja transparente. O percentual de irregularidades de 80% detectado na amostra do TCU sinaliza o tamanho do problema. Por isso é urgente que o plenário da Corte avalie a fiscalização sem demora e permita ação imediata da PF.

 

 

O Tribunal de Contas da União (TCU)O Tribunal de Contas da União (TCU) — Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Novidades marcam Copa histórica

Nunca na história das Copas do Mundo, política, negócios e futebol se entrelaçaram da forma como aconteceu na edição encerrada no último domingo (19), com a vitória da seleção espanhola, por 1 a 0, sobre a da Argentina.

 

Pela primeira vez, três países —Estados Unidos, México e Canadá— receberam a competição, que contou, também de modo inédito, com a participação de 48 equipes.

A expansão reflete um processo de globalização incentivado pela Fifa, que estuda um aumento para 64 países em 2030, ano do centenário das Copas.

A primeira competição ocorreu no Uruguai, com 13 nações. Em 1954, consolidou-se o formato com 16 participantes, mantido até 1978. Em 1982, passou-se a 24 seleções, número que subiu para 32 entre 1998 e 2022.

 

À ampliação territorial e numérica correspondeu, nesta Copa, um notável fortalecimento dos negócios. Desde o aumento de vendas e preços de ingressos ao vasto leque de patrocinadores e anunciantes presentes nos locais de disputa e nas transmissões por diversas plataformas.

 

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estimou, em 2022, US$ 286 bilhões ao ano —à época, R$ 1,45 trilhão. Também foi a primeira vez que a Globo não exibiu todos os jogos, o que deu espaço ao crescimento recorde à CazéTV, um canal do Youtube.

 

A pressão financeira, reforçada, entre outros fatores, pela avalanche de sites de apostas, gerou intervenção na própria dinâmica do esporte: as chamadas pausas para hidratação, que dividiram as partidas em quatro tempos.

 

O sistema, adotado no basquete profissional dos EUA, favorece as inserções de publicidade, mas levanta dúvidas referentes ao tradicional andamento do jogo.

 

Além das duas novas pausas, o intervalo de 15 minutos entre o primeiro e o segundo tempo foi ampliado, para dar lugar a shows musicais, como acontece no Super Bowl, a disputa pelo título do futebol americano.

 

Viu-se também um tipo de intervenção política personalista, promovida pelo presidente Donald Trump, com aquiescência de Infantino —já antes do evento, a Fifa havia bajulado o republicano com um insólito prêmio da paz.

A pedido de Trump, a entidade chegou ao cúmulo de anular a aplicação da regra da suspensão automática por uma partida de um jogador americano anteriormente expulso de campo.

 

O governo americano também impediu a delegação iraniana de pernoitar em território dos EUA, promoveu revistas constrangedoras em jogadores e barrou a entrada de um árbitro da Somália.

 

Do ponto de vista futebolístico, parece prevalecer a avaliação de que a Copa foi atraente e bem disputada. Se a quantidade maior de seleções propiciou alguns embates desinteressantes, houve também encontros surpreendentes e emocionantes, que projetaram países distantes dos holofotes internacionais, caso emblemático da seleção de Cabo Verde.

 

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