Operação do Ibama na Feira da Parangaba multa 34 pessoas em R$ 460 mil por tráfico de animais
Segundo reportagem da TV Verdes Mares para o Fantástico, quatro traficantes foram presos. Um total de quase 300 animais silvestres foram resgatados. A força-tarefa teve meses de investigação, e contou com apoio da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da Polícia Civil do Ceará (PCCE).
Os agentes do Ibama levaram os animais para reabilitação no Centro de Triagem de Animais Silvestres do órgão.
"Nem todos conseguem ser reabilitados, e alguns a gente permanece em cativeiro e manda pra locais mantenedores de fauna e criadores conservacionistas que podem utilizar a genética. E os que conseguirem ser reabilitados e ter saúde o suficiente vão retornar à natureza", pontua Gracileide dos Santos, coordenadora-geral de Fauna do Ibama.
Animais morrem durante feira
Muitos pássaros chegam mortos ou morrem durante a feira, segundo o Ibama. Fernanda Conceição, analista ambiental, destacou que os animais sofrem com estresse térmico, superpopulação de gaiolas e barulho de feira.
Os autuados terão sua conduta individualizada, em uma investigação que continuará por meio da Polícia Civil, conforme o delegado Wilson Camelo.

Dia de São Francisco de Assis: conheça história do santo protetor dos animais
O frade nasceu entre 1181 e 1182, filho de Pedro e Dona Pica Bernardone. Seu pai era um rico e próspero comerciante. Ainda jovem, Francisco era apegado ao trabalho e as riquezas do pai, mas também almejava ter fama e título de nobreza.
Por volta dos 20 anos de idade, incentivado pelo pai, ele partiu para uma guerra que os senhores feudais tinham declarado à Comuna de Assis, sua cidade natal. Francisco empunhou armas e sofreu um ano de prisão em Perugia, Itália.
Ainda jovem, "São Francisco tinha o sonho de ser reconhecido pela sociedade, de ser nobre", afirmou o Frei Gilmar Nascimento, Reitor do Santuário de São Francisco das Chagas, em Canindé (CE).
Entre 1202 e 1205, poucos anos após a primeira batalha, ele decidiu ser cavaleiro em nome da honra de defender a Igreja e seus interesses, em uma busca voraz pelo título de nobreza.
Mudança de Vida
Renúncia de Bens
Na primeira década do século XIII, Francisco teve visões que o avisavam da necessidade de retornar à sua terra natal para encontrar seu propósito de vida. Enquanto estava na cidade de Espoleto, Itália, Francisco diz ter ouvido a voz do Senhor, com quem dialogou:"Senhor, o que quereis que eu faça?" e a voz respondeu: "Volta a Assis e ali te será dito".
Tomado pela força divina dessa voz, o santo abandonou os antigos hábitos (abastados) e passou a renunciar seus bens materiais. Francisco não somente dava o que possuía, mas desprezava o dinheiro.
Ainda em busca de respostas sobre seu propósito de vida, Francisco viajou para Roma e visitou a tumba do Apóstolo São Pedro. Em seguida, trocou seus ricos trajes com os de um mendigo e fez sua primeira experiência de viver na pobreza.
Rompimento com a família
Pedro Bernardone,pai de Francisco,repudiava o desapego do filho. Um certo dia, o comerciante se queixou ao bispo da Comuna de Assis (cidade natal) sobre o estilo de vida do que o jovem levava. O pai de Francisco exigiu que o filho devolvesse todos os bens que recebeu da família.
Francisco devolveu tudo até ficar nu, jogou os trajes aos pés de seu pai, e exclamou:"Até agora chamei de pai a Pedro Bernardone. Doravante não terei outro pai, senão o Pai Celeste". As informações são do site Canção Nova.
O bispo apoiou Francisco, que depois disso se afastou completamente de família e amigos, passando a se dedicar ao cuidado com leprosos e à reconstrução das capelas da cidade.
São Francisco de Assis é considerado o padroeiro dos pobres, dos animais e da natureza. Ele fundou a Ordem dos Franciscanos no século XIII, conhecida por cultivar ideais de pobreza e caridade.
Da Itália ao Interior do Ceará
No coração da cidade de Assis, na região da Úmbria (Itália), foi construída a Basílica de São Francisco de Assis. O templo é considerado um dos mais importantes santuários do cristianismo.
O complexo abriga a sagrada cripta onde repousam os restos mortais de São Francisco, que é uma personalidade conhecida e venerada pelos fiéis italianos.
Essa fé também fez parte da construção da cidade de Canindé, no sertão do Ceará. "A relação de Canindé com São Francisco se deu logo nos primórdios da cidade, com a chegada dos missionários franciscanos", afirmou o Frei Gilmar em entrevista ao Diário do Nordeste.
Em 1758, chegaram a Canindé os primeiros frades franciscanos. Cerca de 20 anos depois é construída a a Igreja de São Francisco das Chagas, chamado carinhosamente pelo povo de São Francisquinho.
A partir disso, "o povo foi bebendo dessa fonte de tal maneira que ela se espalhou pelo Nordeste Brasileiro" contou o Frei.
De acordo com o Santuário de Canindé, o povo evocava desde os primórdios que "nenhuma outra religião poderia suavizar a vida dura que levavam no sertão, a não ser a do Patriarca de Assis".
Festa em Canindé é a Maior Romaria Franciscana das Américas
A Festa anual de homenagem ao padroeiro de Canindé, encerra neste sábado (4). A programação dura 10 dias e traz ao município milhares de fiéis, movimentando religiosamente e economicamente a cidade.
"Muitas pessoas da cidade sobrevivem por conta das romarias. São aqueles que vendem os artigos religiosos, que abrem suas casas como pousadas e tantas outras", pontua o Reitor do Santuário de Canindé.
Fiéis carregam painel de 500 kg
Outra forma de homenagem ao santo é a condução do Painel de São Francisco, que pesa "cerca de 500 kg e é levado pelo povo da Basílica de Canindé até a Praça dos Romeiros", explicou o Frei Gilmar. Os fiéis levam o símbolo, criado em 1890, nos ombros.
Eles se dividem para que todos possam carregar o peso, que se torna confortável quando compartilhado pela multidão.

De acordo com a Arquidiocese de Fortaleza, cerca de um milhão de pessoas visitam o Santuário de São Francisco das Chagas (Canindé), todos os anos. As informações são da Agência Senado.
Morte de São Francisco de Assis
De acordo com o Portal Vatican News, biógrafos de São Francisco apontam que ele tinha doenças de estômago, fígado e baço, provavelmente ligadas a malária, que ele contraiu durante o período que ficou preso em Peruggia (Itália).
Na tarde do dia 3 de outubro de 1226, São Francisco de Assis morreu cantando “mortem suscepit”. No domingo seguinte, foi sepultado na igreja de São Jorge, na cidade de Assis. As informações são do site Canção Nova.
Dois anos após sua morte São Francisco de Assis foi canonizado pelo Papa Gregório IX.
*Estagiária supervisionada pelos jornalistas Mariana Lazari e Felipe Mesquita

Expansão do mercado de bebidas falsificadas exige combate mais eficaz
Por Editorial / O GLOBO II
As mortes e internações sob suspeita de intoxicação por metanol expõem o descalabro das fábricas clandestinas que produzem bebidas alcoólicas adulteradas. Entre 2020 e 2024, a quantidade de indústrias ilegais interditadas por autoridades saltou de 12 para 80, segundo a Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF), como mostrou reportagem do GLOBO. É como se uma fosse fechada a cada cinco dias. Empresas do setor calculam que 36% dos destilados vendidos no Brasil são adulterados. O faturamento dos grupos criminosos é estimado em R$ 62 bilhões por ano, um mercado pujante.
A despeito das sucessivas interdições, a produção clandestina continua a crescer. Entre 2016 e 2022, a quantidade de litros fabricados irregularmente dobrou para 256 milhões, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Como as apreensões de bebidas contrabandeadas têm caído, é razoável supor que os criminosos têm preferido produzi-las no Brasil. Relatórios da ABCF e do FBSP vinculam a falsificação ao crime organizado, embora ainda haja dúvida sobre os casos recentes.
Não se pode dizer que a expansão resulte de falta de fiscalização, mas as interdições não têm conseguido resolver o problema. É preciso que o comércio, onde são vendidos os produtos falsificados, esteja atento. Mais do que nunca, é fundamental comprar bebidas de fornecedores idôneos. Se há produção em massa de bebidas adulteradas, é porque os criminosos encontram mercado para escoá-las.
Nos últimos dias, autoridades têm divulgado orientações aos consumidores para evitar produtos falsificados. Lacres imperfeitos ou rompidos, erros de grafia no rótulo, preços baixos demais, falta do registro no Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) devem ser motivo de atenção. São informações úteis, mas o ônus da proteção não pode recair sobre o consumidor. Bares e restaurantes devem ser os primeiros a fazer uma verificação minuciosa. Até porque sofrem as consequências com queda nas vendas.
Na quinta-feira, a Câmara aprovou urgência para um Projeto de Lei que endurece a punição para o crime de falsificação de bebidas e alimentos. Ele repousava na Comissão de Constituição e Justiça desde 2007. Pelo PL, essa prática passaria a ser crime hediondo. A pena, de quatro a oito anos de reclusão, aumentaria para seis a 12 anos. É medida bem-intencionada, mas apenas mudar a legislação não terá o condão de evitar os envenenamentos. Quando a pena é aplicada, o crime já foi cometido.
Os casos suspeitos já se contam às dezenas. Há investigações pelo menos em São Paulo, Pernambuco, Bahia, Distrito Federal, Paraná e Mato Grosso do Sul. Em meio ao clamor popular, a fiscalização e o fechamento de fábricas clandestinas têm sido intensificados, mas ainda não se conhece a dimensão da tragédia, tampouco sua origem. A população continua exposta a enorme risco. É urgente que esse mercado letal seja combatido e eliminado.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2025/M/z/C7PfHbSKmv2BCSqMpnxQ/112562729-1-.jpg)
Brasil confirma 11 casos de intoxicação por metanol e investiga outros 48
Os números foram apresentados pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em coletiva realizada nesta tarde. Ao todo, 32 centros de referência em toxicologia estão atuando para acompanhar os casos.
Em São Paulo, um óbito já foi confirmado, mas outros sete seguem em investigação, sendo:
- Cinco em São Paulo;
- Dois em Pernambuco.
Até o momento, entre as bebidas envolvidas estão gin, whisky e vodka compradas em diferentes locais: conveniências, mercados informais e bares. As vítimas também têm perfis variados, incluindo jovens e adultos que consumiram álcool em festas, bares e outros locais.
Internação do rapper Hungria
O rapper Gustavo da Hungria, de 34 anos, deu entrada no hospital DF Star, em Brasília, por suspeita de intoxicação por metanol. Na noite de quarta-feira (1º), o músico consumiu uma vodka. Ao acordar, na manhã desta quinta-feira (2º), ele apresentou:
- Cefaleia
- Náuseas
- Vômitos
- Turvação visual
- Acidose metabólica.
A ocorrência ainda é considerada um caso suspeito pelo Ministério da Saúde (MS). No entanto, segue sendo monitorado por profissionais da saúde.
Tratamento nos casos de intoxicação por metanol
Nesse cenário, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizou o mapeamento de 604 farmácias de manipulação no Brasil. Conforme o Globo, elas são capazes de produzir o etanol farmacêutico, substância utilizada no tratamento.
Outras farmácias estão sendo notificadas para saberem sobre a possibilidade de distribuição. Fora do Brasil, o ministro entrou em contato com instituições privadas da Índia e dos Estados Unidos que podem ofertar o formepisol, um antídoto alternativo.
Com medida, o Ministério da Saúde visa aumentar o estoque desse medicamento no País. "Nós fazemos isso por precaução, porque somos responsáveis diante de uma situação anormal. O ministério começou a perceber a anormalidade da situação na última semana", detalhou Padilha.
Quais os principais sintomas?
Em meio ao aumento dos casos, a pasta da Saúde divulgou que os principais sintomas desse tipo de intoxicação costumam surgir entre 12h e 24h depois da ingestão da substância.
Apesar dos sintomas estarem associados a uma ressaca comum, é preciso estar atento à:
- Dor abdominal;
- Visão adulterada;
- Confusão mental;
- Náusea.
O ministro Padilha orientou as pessoas a certificarem-se da segurança da origem da bebida, verificando se o lacre está intacto.
No caso dos profissionais que identificarem casos suspeitos, é preciso ligar para o Centro de Informação e Assistência Toxicológica públicos.
Lula ganha sua bandeira eleitoral
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
É raro ver um projeto passar pela Câmara dos Deputados sem um único voto contrário. Logo, a aprovação, pela Câmara, da proposta que isenta a cobrança do Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil mensais e que estabelece um imposto mínimo de 10% sobre a alta renda é, sem dúvida, uma vitória e tanto do governo Lula da Silva.
Por seu caráter populista, o aval à isenção era bola cantada na Câmara, mas os 493 votos favoráveis ao texto impressionam. Nem mesmo o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, ousou se posicionar contra a proposta, algo que evidenciou a falta de estratégia de uma oposição que, há menos de quatro meses, derrubou um decreto presidencial de Lula sem qualquer dificuldade, o que não ocorria desde 1992.
Decerto, a um ano da eleição, o receio de ser espancado pelas urnas pesou, mas esse aspecto, sozinho, não explica o que ocorreu nesta semana. Fato é que a maré virou para Lula da Silva, que saiu de uma crise que parecia insolúvel e interminável com uma bandeira política a ser explorada à exaustão na disputa pela reeleição no ano que vem.
Ao investir no discurso que opõe ricos e pobres, Sidônio Palmeira, dublê de marqueteiro e ministro da Secretaria de Comunicação Social, pavimentou o caminho para a aprovação do projeto. Mas, se a isenção era palatável aos deputados, a dúvida residia sobre a taxação da alta renda, à qual a oposição resistia. O risco de que a renúncia fiscal passasse sem que houvesse compensação de suas perdas não era trivial, o que seria um desastre para as contas públicas.
Fato é que a estratégia funcionou, e o governo se beneficiou do erro crasso que a Câmara cometeu há duas semanas, ao aprovar a vergonhosa PEC da Bandidagem. Depois que o Senado decidiu arquivá-la após milhares de pessoas irem às ruas para protestar, os deputados precisavam de uma forma rápida e segura de limpar sua barra.
Nesse sentido, um projeto que beneficiará 16 milhões de contribuintes com isenção ou desconto de imposto caiu como uma luva – ninguém seria besta de se opor. Dito isso, Lula tem muito a agradecer ao ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL). Relator do projeto e responsável por articular apoio à proposta, ele fez poucas alterações no texto, mantendo a essência do que a equipe econômica defendia, a despeito da posição de enfrentamento que seu partido tem assumido contra o governo.
Profundo conhecedor do Regimento Interno, que utiliza como ninguém para tratorar adversários, e famoso por fazer acordos cujos termos pouco ou nada se sabe, Lira mostrou o quanto Lula, muito a contragosto, ainda depende de sua liderança. Ademais, expôs a fraqueza de Hugo Motta (Republicanos-PB), que continua a viver sob sua sombra, como mostram as imagens da Mesa Diretora ao longo da votação.
O texto ainda precisa passar pelo Senado para entrar em vigor em 2026, mas, por lá, a vida do governo deve ser tranquila. Na semana passada, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado já havia aprovado um projeto de teor muito semelhante em caráter terminativo justamente para pressionar a Câmara. Não por acaso, o texto foi relatado por Renan Calheiros (MDB-AL), adversário de Lira em Alagoas.
Tantos apoios fazem parecer que o texto era realmente capaz de promover justiça tributária num país tão desigual quanto o Brasil. Mas a proposta, longe de ser uma reforma do Imposto de Renda, não passa de um puxadinho construído para sobreviver apenas à disputa eleitoral.
Como já dissemos neste espaço, o correto teria sido atualizar a tabela do Imposto de Renda, congelada desde 2014, aumentar as faixas de tributação e, sobretudo, retomar a tributação sobre lucros e dividendos, extinta desde 1996.
Não que fosse um objetivo fácil, haja vista que tentativas anteriores naufragaram no Congresso durante as administrações de Michel Temer e Jair Bolsonaro, mas a tributação de lucros e dividendos é praticada pela imensa maioria dos países civilizados do mundo. altaram ambição ao governo e coragem ao Congresso para fazer algo que seria realmente capaz de tornar a carga tributária brasileira mais justa e progressiva. Sobrou demagogia.
A leniência que alimentou o PCC
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O promotor Lincoln Gakiya, uma das autoridades mais respeitadas quando se fala em combate ao Primeiro Comando da Capital (PCC), foi direto em sua avaliação perante a Comissão Especial sobre as Competências Federativas em Segurança Pública, na Câmara dos Deputados. Ao afirmar, no dia 23 passado, que São Paulo “fracassou” na contenção da organização criminosa e precisa fazer um mea culpa, Gakiya disse em alto e bom som aquilo que os fatos já demonstram há muito tempo: seja por incompetência, seja por cumplicidade de seus agentes, o Estado não soube cortar o mal pela raiz. E o resultado, concluiu o promotor, foi a criação da “primeira máfia do Brasil”.
De fato, é incontornável reconhecer a responsabilidade do Estado de São Paulo no fortalecimento do PCC nas últimas três décadas. Um bando formado após uma briga de futebol, no início dos anos 1990, por um punhado de detentos numa penitenciária do interior paulista decerto não se tornaria esta hidra mortal se o poder público, à época, não tivesse sido tão negligente ao permitir que a facção prosperasse intramuros. Tivesse sido esmagado a tempo, o PCC jamais teria sido capaz de atingir um nível de sofisticação delitiva que mobiliza cerca de 40 mil criminosos e fatura bilhões de reais por ano explorando não apenas o tráfico internacional de drogas e outras atividades criminosas, mas, sobretudo, cadeias produtivas inteiras na economia formal, como revelou a Operação Carbono Oculto.
A superlotação de presídios, a falta de monitoramento de lideranças e a corrupção de agentes públicos ofereceram terreno fértil para que o PCC crescesse. Mas tudo isso, na escala inicial, poderia facilmente ter sido controlado, em particular por São Paulo, o Estado mais rico e supostamente mais bem preparado do País para enfrentar o crime organizado. Mas, a cada avanço do PCC, a cada crise na área de segurança pública, sucessivos governos minimizaram a dimensão do problema. Em 2005, o então governador Geraldo Alckmin chegou a declarar que o PCC estava “extinto” como facção criminosa “estruturada”. Pouco depois, em maio de 2006, São Paulo ficou de joelhos após a facção deflagrar um surto de violência, mostrando que o PCC não só existia, como era bem audacioso.
O erro de avaliação repetiu-se em outras ocasiões, o que, naturalmente, refletiu-se na formulação de políticas públicas. Durante a campanha de 2018, o mesmo Alckmin, à época o candidato tucano à Presidência da República, afirmara em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, que o PCC, ora vejam, não comandava o crime organizado de dentro dos presídios paulistas. “Isso aí são coisas que vão sendo repetidas e acabam virando verdade”, disse Alckmin na ocasião. A realidade, mais uma vez, mostrou-se cruel.
Hoje, o PCC é um “problema instalado”, como constatou Gakiya. Já é uma máfia de perfil empresarial. A citada Operação Carbono Oculto revelou o grau de infiltração do PCC em negócios aparentemente legítimos, como o de combustíveis, lavando e multiplicando bilhões de reais por meio de fintechs e gestoras de investimento instaladas em plena Avenida Faria Lima, o centro nervoso do sistema financeiro nacional. Isso, por si só, confirma que o problema deixou de estar circunscrito à segurança pública: o PCC é uma ameaça estrutural ao Estado Democrático de Direito e à economia brasileira. A presença das organizações criminosas na política institucional está sobejamente demonstrada.
O País, portanto, não pode mais se dar ao luxo de errar nem de permitir retrocessos institucionais que agravem o problema. Por sorte, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado cumpriu sua obrigação e enterrou a chamada PEC da Bandidagem, que pretendia blindar parlamentares de investigações e ações criminais. Se promulgado, esse despautério criaria uma casta de inimputáveis, oferecendo abrigo político para membros de facções como o PCC ampliarem seu poder de ação no Congresso.
Em que pese o atraso, ainda é possível corrigir rumos e enfraquecer o poder do PCC e de outras organizações criminosas, como demonstram as recentes operações baseadas em cooperação federativa, espírito público de servidores abnegados e rigor institucional. Basta que o mea culpa sugerido por Gakiya não fique no plano retórico.

