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Fraude no INSS: agente da PF movimentou R$ 2,8 milhões em um ano em transações atípicas, diz Coaf

Por Eduardo Barretto / O ESTADÃO DE SP

 

O agente afastado da Polícia Federal (PF) Philipe Roters Coutinho, investigado por supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), movimentou R$ 2,8 milhões em um ano, em transferências incompatíveis com seu patrimônio e atípicas para servidores públicos, segundo o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O documento, obtido pela Coluna do Estadão, foi enviado pelo Coaf à CPI do INSS

 

Procurado por meio da PF, Coutinho não respondeu. O espaço segue aberto a eventuais manifestações. A Polícia Federal disse que não se manifesta sobre investigações em andamento. A corporação não respondeu que medidas tomou sobre a conduta do funcionário.

 

O órgão de combate à lavagem de dinheiro analisou uma conta de Coutinho ao longo de um ano, entre maio de 2024 e maio de 2025. Nesse período, o agente da PF movimentou um total de R$ 2,8 milhões — R$ 1,4 milhão de crédito e R$ 1,4 milhão de débito. Segundo o Coaf afirmou à CPI do INSS, o fluxo de dinheiro é “incompatível com o patrimônio” do agente, além de “atípico” para servidores públicos. O relatório aponta que Coutinho tinha um rendimento mensal de R$ 13 mil na PF.

 

Agente da PF foi flagrado com US$ 200 mil em operação

Uma operação policial em abril apreendeu US$ 200 mil em dinheiro vivo com Coutinho. Na ocasião, a defesa do servidor disse que ele não tinha “qualquer vínculo com as questões relativas ao INSS”, e que as explicações sobre a origem do dinheiro seriam “prestadas perante as autoridades competentes no momento oportuno”.

 

Segundo a corporação, no fim do ano passado o agente conduziu alvos da PF por uma área restrita no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, onde o servidor trabalhava. A investigação apontou que ele usou uma viatura da PF para escoltar o empresário Danilo Trento e o então procurador-geral do INSS, Virgílio de Oliveira. Tanto Coutinho quanto Oliveira foram afastados dos cargos pela Justiça.

 

A PF apontou “ilegalidade” na conduta do agente. Também alertou sobre “movimentações em viagens com perfil de compra atípico, consubstanciadas em deslocamentos com compra de passagens ‘em cima da hora’ e voos ‘bate/volta’, principalmente para Brasília”.

 

“Revelou-se uma aparente engrenagem criminosa com ramificação na Polícia Federal, contando com a participação do agente Philipe Roters Coutinho”, disse a PF à Justiça.

 

CPI pediu prisão do agente da Polícia Federal

No mês passado, a CPI do INSS aprovou pedidos de prisão preventiva contra 21 alvos das investigações, a exemplo de Coutinho. Os ofícios foram enviados à Polícia Federal.

 

 

Desigualdade e pobreza atingem mínima nas metrópoles; rico ganha 15,5 vezes a renda do pobre

Leonardo Vieceli / FOLHA DE SP

 

Rio de Janeiro

As regiões metropolitanas do Brasil registraram em 2024 os menores níveis de desigualdade de renda e pobreza de uma série histórica iniciada em 2012.

É o que aponta a 16ª edição do boletim Desigualdade nas Metrópoles, produzido pelo Observatório das Metrópoles em parceria com o laboratório de estudos PUCRS Data Social e a RedODSAL (Rede de Observatórios da Dívida Social na América Latina).

A queda dos indicadores, contudo, não significa que os contrastes tenham desaparecido dos grandes centros urbanos do país.

 

Sinal disso é que, em 2024, os 10% mais ricos ainda ganhavam o equivalente a 15,5 vezes o rendimento dos 40% mais pobres nas regiões metropolitanas. Os valores foram estimados em R$ 10,4 mil e R$ 670 per capita (por pessoa), respectivamente.

A diferença de 15,5 vezes é a menor da série, mas ainda mostra um quadro "muito ruim" em termos de distribuição de renda, segundo André Salata, coordenador do PUCRS Data Social.

O boletim analisa a desigualdade por meio do coeficiente de Gini. A escala do índice varia de 0 (igualdade máxima) a 1 (disparidade máxima).

 

Segundo o boletim, o Gini das regiões metropolitanas caiu de 0,550 em 2023 para a mínima de 0,534 em 2024, um recuo de 2,8%.

O patamar mais recente está 5,5% abaixo da máxima da série (0,565), registrada em 2021, na pandemia.

Salata afirma que a redução da desigualdade se explica principalmente pelo aumento da renda do trabalho das camadas mais pobres.

Os ganhos subiram em meio a um cenário de recuperação do emprego e reajuste real do salário mínimo. O pagamento de benefícios sociais, como o Bolsa Família, também influencia o quadro, mas de modo secundário, de acordo com o professor.

"Por mais que tenha um efeito das políticas de transferência, o principal fator, de longe, é a renda do trabalho. É um crescimento mais forte para quem está na base da pirâmide."

Marcelo Ribeiro, coordenador do núcleo do Rio de Janeiro do Observatório das Metrópoles, afirma que a desigualdade segue em um patamar "muito elevado" nas regiões metropolitanas, já que o Gini permanece acima de 0,5, mesmo com a mínima em 2024.

 

"Boa parte da renda se concentra em pequenos grupos da sociedade", diz Ribeiro, que também é professor do IPPUR (Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da UFRJ).

O movimento verificado nas regiões metropolitanas espelha o encontrado no país como um todo. Isso porque o Gini atingiu a mínima de 0,506 no Brasil em 2024, conforme dados divulgados em maio pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

"Se você pegar países mais igualitários, os nórdicos, o Gini está na casa de 0,25, algo assim. Nos Estados Unidos, fica na casa de 0,40. Em alguns países europeus, em 0,30", afirma Salata. "A gente vê que a desigualdade nas regiões metropolitanas é ainda maior do que no país [Brasil] como um todo."

O boletim utiliza microdados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgada pelo IBGE. As informações abrangem as 22 principais áreas metropolitanas no Brasil.

9,5 MILHÕES DEIXAM POBREZA DESDE 2021

A proporção de pessoas que viviam em situação de pobreza nas metrópoles caiu de 23,4% em 2023 para 19,4% em 2024. Foi a primeira vez que a taxa ficou abaixo de 20% na série do boletim.

 

Em termos absolutos, a população em condição de pobreza foi estimada em 16,5 milhões em 2024, outra mínima do levantamento.

O número indica que 9,5 milhões saíram dessa situação desde o pico de 26 milhões em 2021. "É muita gente, é uma grande metrópole", diz Salata.

Já a extrema pobreza nas regiões metropolitanas diminuiu de 3,6% em 2023 para 3,3% em 2024. A taxa do ano passado ficou próxima da mínima da série (3,1%), encontrada em 2013 e 2014.

Em termos absolutos, a população em condição de extrema pobreza foi calculada em quase 2,9 milhões. O número caiu pela metade se comparado ao pico de 5,7 milhões, registrado em 2021.

Já a extrema pobreza nas regiões metropolitanas diminuiu de 3,6% em 2023 para 3,3% em 2024. A taxa do ano passado ficou próxima da mínima da série (3,1%), encontrada em 2013 e 2014.

Em termos absolutos, a população em condição de extrema pobreza foi calculada em quase 2,9 milhões. O número caiu pela metade se comparado ao pico de 5,7 milhões, registrado em 2021.

O boletim segue recomendações do Banco Mundial para definir as linhas de pobreza e extrema pobreza. Essas medidas levam em consideração parâmetros de PPC (paridade de poder de compra).

Em valores mensais de 2024, a linha de pobreza é de R$ 692,54. Já a de extrema pobreza é de R$ 217,37.

 

Na prática, moradores de domicílios com rendimento abaixo desses patamares foram classificados pelo boletim como pobres ou extremamente pobres.

Os valores da série histórica foram corrigidos pela inflação medida pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor).

 

Ultrapassagem perigosa

EDITORIAL DA FOLHA DE SP

Entre 2019 e 2025, o número de motocicletas licenciadas no Brasil passou de 23 milhões para 29 milhões. Essa expansão foi impulsionada pelo trabalho de entregas por aplicativos e pelo uso do veículo como alternativa a sistemas de transporte público precários.

Tal fenômeno exige maior atenção do poder público para minimizar riscos no trânsito, já que acidentes com motos apresentam alto nível de letalidade.

No estado de São Paulo, o número de mortes envolvendo motos subiu de 1.259 entre janeiro e junho de 2024 para 1.329 nos seis primeiros meses de 2025 —recorde da série histórica do sistema estadual de monitoramento Infosiga, iniciada em 2015.

Já em sinistros com carros e pedestres, houve queda de 675 a 612 e de 700 a 659, respectivamente. Na capital, o número de óbitos também diminuiu nos casos com motos, de 237 para 219.

Mas pesquisa da Universidade Johns Hopkins, dos Estados Unidos, em parceria com a USP mostra que as autoridades paulistanas ainda precisam melhorar a fiscalização de velocidade dos motociclistas.

A partir de 83.880 observações em vias aleatórias no ano passado, verificou-se que 43% das motos ultrapassaram os limites estabelecidos. Em 2021, início do estudo, foram 33%, com alta para 39% em 2022 e leve queda de 1 ponto percentual em 2023.

Entre veículos leves (carros e utilitários), a taxa de infrações foi bem menor, mas também subiu, de 9% em 2021 para 15% em 2024.

Especialistas apontam dificuldades na fiscalização da velocidade das motocicletas, que, por serem muito leves, podem não ser captadas por sensores no asfalto. Ademais, esse tipo de veículo possui apenas placa traseira, o que impede a captura de imagem por barreiras eletrônicas que realizam registro frontal.

Além de modernizar radares, é preciso reforçar a fiscalização por agentes; mudanças urbanísticas, como estreitamento de vias e sinalizações chamativas, podem induzir a redução da velocidade.

A capital alcançou bons resultados com a faixa azul, que já foi replicada em outras cidades, assim como com a redução dos limites de velocidade nas marginais em 2015, que contribuiu para diminuir em 15% o número de mortes no ano seguinte. A medida, impopular, foi revertida em 2017, mas esse tipo de restrição tem sido usada em metrópoles desenvolvidas como Londres e Paris.

Mesmo assim, na última eleição municipal, tanto o prefeito Ricardo Nunes (MDB) quanto seu oponente, Guilherme Boulos (PSOL), rejeitaram essa política pública capaz de salvar vidas.

Motoristas de caminhão envelhecem e empresas se preocupam com falta de novos trabalhadores

Catarina Scortecci / FOLHA DE SP

 

Na última década, o número de pessoas autorizadas a dirigir um caminhão caiu 62,89% no país, segundo o Senatran (Secretaria Nacional de Trânsito). Entre os motoristas com CNH (Carteira Nacional de Habilitação) da "categoria C", eram 3.582.685 condutores habilitados em 2014, ante 1.329.455 no ano passado.

Nem todos os habilitados na categoria C (veículos de carga total superior a 3.500 kg) atuam como caminhoneiros e há outras categorias que também podem prestar determinados serviços em rodovias. Mas a redução na categoria C corrobora o que setores que dependem das estradas já têm observado no dia a dia: está faltando caminhoneiro no país.

"Tem caminhões parados por falta de motorista. Todas as empresas de transporte hoje têm vagas. Há o equipamento, mas não o piloto. E as empresas acabam perdendo contratos", diz Delmar Albarello, presidente do Setcergs (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga e Logística do Rio Grande do Sul).

"Vai dificultando cada vez mais, ano a ano. E a idade média de motorista hoje é extremamente preocupante", afirma ele.

Pesquisa divulgada pela CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos) em 2024 apontou que a idade média do caminhoneiro é 46 anos. Também revelou que 28% dos caminhoneiros têm entre 46 e 55 anos de idade e 23% têm mais de 56.

"Não tem atraído jovens. Antes, era comum o pai passar o caminhão para o filho. Mas hoje, se o caminhoneiro tiver condições de pagar uma faculdade, ele não quer que o filho fique no caminhão. A categoria está envelhecendo", diz Alan Medeiros, assessor institucional da CNTA.

A rejeição à profissão está ligada a uma lista de fatores, da falta de infraestrutura adequada de apoio ao motorista na estrada e o medo de assaltos até o valor do frete. Na mesma pesquisa, 35% dos motoristas entrevistados dizem que a chamada Lei do Piso Mínimo de Frete (Lei 13.703/2018) "nunca é respeitada" nas negociações. Outros 33% afirmam que ela "raramente é respeitada".

A lei que estabelece um valor mínimo de frete atrelado a uma tabela de custos vem na esteira da grande greve de caminhoneiros em 2018. "Foi uma vitória da categoria, negociada com o governo Michel Temer, mas há empresas que ainda não cumprem nem o piso para pagar o custo", afirma Medeiros, ao acrescentar que "ao menos a fiscalização da ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres] tem se intensificado desde o início do ano".

A lei está sendo questionada no STF (Supremo Tribunal Federal) pela CNI (Confederação Nacional da Indústria), mas o caso, nas mãos do ministro Luiz Fux, ainda não foi julgado.

Outro assunto que foi parar no STF tem relação com o tempo de descanso do motorista. Em 2023, no âmbito de um processo movido pela CNTTT (entidade que representa os trabalhadores contratados através da CLT) contra a Lei dos Caminhoneiros (Lei 13.103/2 015), o ministro Alexandre de Moraes considerou inconstitucional o trecho que permitia o fracionamento das 11 horas obrigatórias de descanso, dentro do período de 24 horas.

No final do ano passado, os efeitos da decisão foram modulados pelo STF e desde janeiro a ANTT tem multado quem desobedece a regra.

Medeiros defende a regulação do tempo de direção, mas entende que a derrubada do fracionamento gerou problemas na vida do motorista autônomo, aquele que tem um caminhão próprio e é chamado de agregado nas empresas. "Antes, o motorista podia dormir 8 horas e depois fracionar as 3 horas restantes em um horário de almoço, por exemplo", diz ele.

Para Delmar Albarello, do Setcergs, as 11 horas seguidas "são inexequíveis". "Tem que deixar o motorista se autodisciplinar. O governo não nos dá infraestrutura para parar. O motorista vai parar no deserto, onde não tem segurança nem acostamento? Como é que vai ficar 11 horas no relento?", critica ele, para quem o piso do frete também deveria ser derrubado. "Nós somos favoráveis ao livre mercado", afirma.

A falta de infraestrutura é outro ponto negativo para quem está na profissão. De acordo com a CNTA, há apenas oito pontos de parada e descanso específicos para caminhoneiros –os chamados PPDs–, com pátio grande e seguro para estacionar, além de uma estrutura com acesso à internet, local de refeições e chuveiros. Todos os PPDs são administrados por concessionárias de rodovia —não há unidades construídas pelo próprio Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes).

Há 176 postos de combustível certificados como PPDs, mas motoristas têm relatado problemas. "É comum o dono do posto exigir que o caminhoneiro abasteça para permanecer lá ou pague um valor. Também já tivemos casos de cargas saqueadas, principalmente de grãos. Mesmo assim, faltam vagas para caminhoneiros", aponta Medeiros.

A falta de infraestrutura nas estradas, somada ao tempo longe de casa, também levam motoristas a trocarem o caminhão pelo trabalho na cidade. "É mais fácil ser motorista de aplicativo, com um investimento mais baixo para trabalhar. Um caminhão, mesmo de segunda mão, pode chegar a R$ 1 milhão", diz Maurício Lima, sócio-diretor do ILOS (Instituto de Logística e Supply Chain).

Outra vantagem do carro de aplicativo é a proximidade de casa. "Nos EUA, por exemplo, onde tem muita rodovia também, o transporte rodoviário não faz pernas muito longas. É raro uma rota de mais de 400, 500 quilômetros. No Brasil, ainda se tem muitas rotas de 2.800 quilômetros, 3.000 quilômetros, sendo feitas pelo transporte rodoviário", diz Lima.

De acordo com a última edição da pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte) sobre as estradas, 65% do transporte de cargas que circulam pelo país é feito por rodovias. "O Brasil é mais suscetível a questões ligadas ao transporte rodoviário, com recordes de safra e participação grande do modal rodoviário", explica Lima.

Segundo o consultor, os 10 próximos anos "serão ainda mais complexos". "Não vai ter um apagão de uma hora para outra, mas a pouca oferta freia a economia e impede que o Brasil cresça mais", afirma ele.

Lima avalia que a tendência é que as empresas busquem em seus próprios quadros pessoas que ainda não atuam como caminhoneiras. "No Brasil, o modelo que sobressai é o do caminhoneiro autônomo que tem o próprio caminhão e fica agregado a uma transportadora, mas com um ativo próprio. Mas isso deve se dissipar", afirma ele.

"É uma relação trabalhista diferente, outro perfil de caminhoneiro. Isso acaba trazendo algumas transformações para o setor. As empresas vão ter que se adaptar a essa nova forma de operação e trabalhar com pessoas contratadas e não apenas com agregados. Isso exige que as transportadoras façam investimento mais forte em ativo", continua o consultor.

Morador de São Paulo, Tiago Santos de Souza está virando caminhoneiro aos 37 anos, estimulado pela empresa onde trabalha, a Ativa Logística, que tem 24 centros de distribuição próprios em todos os estados das regiões Sul e Sudeste e também em Goiânia.

"Eu comecei como ajudante de manutenção. Aí depois passei para conferente, fui trocando, fui para manobrista, e eles sempre me dando oportunidade. Hoje estou na carreta", diz ele, que teve o apoio da empresa para tirar a habilitação. Outros colegas fizeram o mesmo.

"O bom de trabalhar aqui é que você viaja hoje e amanhã você está em casa. Não fica muito tempo longe. Eu tenho um filho de 5 anos e vejo ele quase todo dia. Tenho um tio caminhoneiro que ficava 45 dias fora de casa, aí não dá", conta ele, que anda entusiasmado com a nova profissão. "A gente conhece gente nova", diz.

Outras empresas também têm ajudado a tirar a habilitação na busca por mão de obra. "Hoje uma CNH está custando perto de R$ 4.900. É um absurdo. Estamos fazendo várias ações para atrair este público", diz Delmar Albarello, do Setcergs.

A entidade presidida por ele, em parceria com empresários e uma cooperativa de crédito para o transportador, lançou condições especiais para candidatos que queiram trocar a categoria da CNH, como juros subsidiados e prazos esticados.

Além disso, segundo ele, há incentivo às mulheres, que hoje representam apenas 1% do grupo de caminhoneiros. "Tem ainda um vasto terreno que as mulheres podem ocupar", diz Albarello.

MOTORISTA DE CAMINHÃO EM EXTINÇÃO

Em crise, jornalismo precisa de humildade

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

 

Neste Dia Mundial do Jornalismo, é incontornável refletir sobre a interdependência entre a imprensa e a democracia. Nenhuma sociedade livre pode prescindir de informação independente, produzida com rigor, transparência e responsabilidade. Onde não há jornalismo, florescem a propaganda, a manipulação e o silêncio – e, com eles, o autoritarismo.

 

O jornalismo profissional sempre foi alvo preferencial dos que aspiram ao poder sem limites. Populistas de direita fazem da imprensa um inimigo a ser desmoralizado e, se possível, silenciado: Donald Trump, Jair Bolsonaro, Viktor Orbán, Narendra Modi – todos recorrem à tática de acusar a imprensa de fabricar fake news para justificar suas próprias falsificações. Mas não é só a direita populista que ameaça a liberdade jornalística. Regimes autocráticos de esquerda, como os do Partido Comunista Chinês ou de Nicolás Maduro, na Venezuela, perseguem jornais independentes com ferocidade cada vez maior. O PT, por sua vez, inventou o “Partido da Imprensa Golpista”, espécie de conluio maligno dos jornais para derrubar os virtuosos governos petistas, e Lula da Silva nunca renunciou ao sonho do “controle social da mídia”, agora reciclado para a “regulação das redes digitais”.

 

Se os inimigos da imprensa são evidentes, não menos grave é a crise endógena que corrói sua integridade. O descrédito generalizado da mídia não se deve apenas à desinformação fabricada por demagogos e redes sociais; decorre também de escolhas viciosas dentro das próprias redações. A hegemonia progressista no jornalismo profissional erodiu a confiança de vastos segmentos da sociedade, que passaram a enxergar a imprensa não como guardiã dos fatos, mas como porta-voz de uma ortodoxia ideológica. A noção de “clareza moral” degenerou, com frequência, em moralismo militante. A busca de cliques levou a sacrificar imparcialidade em favor de narrativas engajadas ou sensacionalistas.

 

O problema não se restringe à esquerda. O jornalismo conservador também produziu seus desvios, que beiram o negacionismo e a fraude. O caso da Fox News, obrigada a pagar quase US$ 800 milhões por difamar uma empresa de urnas eletrônicas após a eleição americana de 2020, mostrou até onde pode levar o casamento tóxico entre desinformação, audiência e lucro. A direita radical descobriu que transformar paranoia em produto midiático rende cliques e votos, ainda que ao custo de envenenar a democracia – ou justamente por isso.

 

Assim, a imprensa se vê sitiada por fora e, em grande medida, corrompida por dentro: de um lado, populistas que querem calá-la; de outro, jornalistas que, em nome de causas ou da audiência, traíram seu compromisso com objetividade e rigor. O resultado é a perda da confiança pública – exatamente o que autoritários de toda cor desejam.

A saída não está em nostalgia nem em acomodação, mas em renovação. É preciso recobrar os valores fundacionais do ofício: objetividade entendida como método disciplinado de verificação; imparcialidade como lealdade aos fatos, e não a partidos; integridade ética contra a tentação de se tornar trincheira política. Mais do que nunca, o jornalismo precisa de humildade – para reconhecer erros, corrigi-los rapidamente e cultivar proximidade com o público sem se deixar capturar por ele.

 

Num tempo de desinformação industrial, redes sociais viciadas em escândalos e inteligência artificial capaz de fabricar realidades falsas em segundos, o jornalismo profissional é um bem coletivo mais precioso, não menos. Só ele pode oferecer à democracia uma base factual comum, sem a qual o debate público se dissolve em gritos inconciliáveis. É um trabalho árduo, mas indispensável: acender luzes onde o poder quer sombras, dar voz ao que o autoritarismo quer calar, separar a verdade da propaganda, oferecer verdades incômodas onde o público quer afagos.

 

Sem imprensa livre, a democracia se atrofia. Sem democracia, a imprensa é asfixiada. Por isso, neste Dia Mundial do Jornalismo, o chamado é duplo: que os governantes cessem seus ataques covardes contra os repórteres, e que os jornalistas resgatem o sentido maior de sua profissão. Só assim a liberdade de todos poderá ser preservada.

Briga generalizada marca fim da luta entre Popó e Wanderlei Silva

Por Assíria Florêncio / O ESTADÃO DE SP

 

 

Acelino Popó Freitas ganhou o combate contra Wanderlei Silva neste domingo, 28, na Arca, em São Paulo, em combate na luta principal do Spaten Fight Night 2. O curitibano foi desclassificado: o 4º e último round foi interrompido três vezes devido a infrações cometidas pelo nome referência no MMA. 

 

Mas foi uma briga generalizada entre as equipes de ambos que se tornou o centro das atenções do embate. As imagens da transmissão mostram que, logo após a desclassificação de Wanderlei Silva ser declarada, quatro integrantes da equipe de Popó subiram no ringue discutindo com pessoas da equipe adversária.

 

Wanderlei tentou segurar a subida de outros dois de sua equipe, mas não conseguiu. Os gritos e dedos apontados rapidamente se converteram em socos e pontapés. O juiz tentou conter os ânimos, mas não conseguiu.

 

Apenas 26 segundos depois de ser desclassificado, Wanderlei recebe um soco e cai. Mas nem o lutador desacordado e sangrando no chão do ringue foi suficiente para interromper a briga. Popó, que até então estava encurralado entre as cordas, vai para o meio do tablado e acerta um chute em alguém.

 

O curitibano passou v

ários minutos inconsciente e foi retirado do ringue para receber atendimento médico, não retornando para participar do anúncio do campeão da noite.

No ringue, Popó pediu desculpas aos espectadores, disse que as cabeçadas dadas por Wand foram propositais e enfatizou o estilo da luta: “Isso aqui é boxe, não é MMA”.

 

O tetracampeão publicou um pronunciamento em sua conta oficial no Instagram. Popó voltou a falar das três cabeçadas que recebeu durante o combate, desmentiu que seu filho Iago tenha sido o responsável pelo soco que derrubou Wanderlei e citou o lutador Fabrício Werdum como um dos pivôs da confusão. “Você (Werdum) quem veio pra cima de mim”. “A gente não teve culpa de nada. Infelizmente foi a equipe dele”, encerrou o baiano.

 

Numa publicação conjunta com a conta de Wanderlei no Instagram, Werdum rebateu Freitas. “Foi uma reação nossa ao ataque deles”, exclamou. O lutador também atualizou as informações sobre o estado de saúde de Silva, que quebrou o nariz e precisou receber pontos no olho.

 

Duelo entre Popó e Wanderlei foi marcado por punições da arbitragem

No primeiro round, Wanderlei iniciou a luta com alguns golpes, mas permaneceu encurralado durante boa parte da etapa. Popó se mostrou mais dominante, enquanto o “Cachorro Louco” preferiu se preservar nos instantes iniciais do duelo.

 

No segundo assalto, o embate ficou mais centralizado, mas Wanderlei acabou indo ao chão após um cruzado de direita do adversário. O curitibano voltou a ficar encurralado e balançou diante da pressão do tetracampeão mundial de boxe.

 

No terceiro round, Wanderlei conseguiu ganhar espaço logo no início, mas Popó retomou rapidamente o controle da luta. O confronto foi interrompido após uma quase joelhada do lutador de MMA para receber uma advertência do árbitro, quase num presságio do que seria a próxima etapa. Em seguida, foi a vez de Popó ir ao chão.

 

O quarto assalto começou com uma penalização de Wanderlei, que perdeu 1 ponto por não obedecer ao comando de “stop”. A luta foi novamente interrompida e o curitibano perdeu mais 1 ponto após uma cabeçada no queixo de Popó.

 

A luta é mais uma vez retomada para de novo ser interrompida. O motivo: outra cabeçada de Wanderlei, penalizado com a perda de mais 1 ponto e, ao 1min34seg do quarto round, desclassificado.

 

Popó e Wanderlei Silva em encarada de divulgação da lutaPopó e Wanderlei Silva em encarada de divulgação da luta — Foto: Divulgação

 

 

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