Cidade do Ceará recebe 1ª fábrica do Brasil de peças de magnésio para carros e motos
A construção deve durar 12 meses. As informações foram compartilhadas pelo secretário de Desenvolvimento Econômico de Quixeramobim, Afrânio Feitosa, e confirmadas ao Diário do Nordeste por fontes ligadas à empresa.
A matéria-prima utilizada na fábrica não será extraída no município cearense. A companhia irá importar o magnésio para transformá-lo localmente em componentes automotivos.
A negociação para a abertura da unidade ocorria há dois anos, antes mesmo do anúncio do porto seco em Quixeramobim, que será interligado à ferrovia Transnordestina.
Foco inicial no mercado interno
Conforme Afrânio, a construção ocorrerá em três fases e a estrutura ficará instalada nas proximidades da sede de Quixeramobim. A produção de peças para carros e motos atenderá, inicialmente, o mercado nacional. "A área destinada é de 18 hectares para a primeira fase. Eles querem começar a construção do prédio logo, e a previsão é iniciar o fornecimento de peças no meio do ano que vem", afirma o secretário.
ZPE e Transnordestina podem abrir portas para o mercado externo
A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) privada, a ser construída nos arredores do Complexo Industrial e Portuário de Quixeramobim, também foi mencionada por Afrânio Feitosa.
O secretário afirma que "existe a previsão" de a Magnésio do Nordeste instalar-se na região da ZPE, que deve começar a operar nos próximos anos.
Com isso, o destino das peças poderá ser o exterior, já que haverá o funcionamento da área portuária e da Ferrovia Transnordestina, cujas obras no município devem ser concluídas nas próximas semanas.
El Niño exige adultos na sala
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O Brasil já começou a se preparar para um novo El Niño. Ao menos no plano científico. Uma nota técnica conjunta divulgada por Inpe, Inmet, Funceme e Censipam aponta alta probabilidade de formação do fenômeno no segundo semestre. A intensidade ainda é incerta; os riscos não. Seca mais severa na Amazônia e no Nordeste, temporais no Sul, pressão sobre reservatórios, agricultura, energia, logística e inflação compõem o horizonte de trabalho dos órgãos técnicos.
Previsões climáticas não existem para eliminar dúvida. Servem para reduzir surpresa. Aí começa o problema brasileiro.
O El Niño sempre fez parte da dinâmica climática do Pacífico. O contexto em que ele ocorre mudou. Oceanos mais quentes ampliam extremos, cadeias globais operam sob tensão recorrente e choques simultâneos passaram a se reforçar mutuamente. Fertilizantes pressionados por conflitos geopolíticos, crédito agrícola mais caro, energia vulnerável e eventos climáticos severos agora interagem num mesmo sistema. O resultado aparece no custo dos alimentos, no frete, nos seguros, nos juros e nas contas públicas.
A seca amazônica de 2023 interrompeu rotas fluviais essenciais para abastecimento e transporte. No Sul, enchentes destruíram estradas, cidades e infraestrutura logística. A inflação de alimentos avançou 8,2% em 2024, impulsionada em parte importante pelo último El Niño.
O País sabe onde rios tendem a baixar, quais áreas urbanas inundam, quais regiões agrícolas sofrem mais com irregularidade de chuva e quais reservatórios entram sob pressão em períodos prolongados de calor. A ciência climática acumulou capacidade respeitável de monitoramento e previsão. O contraste com o despreparo institucional é constrangedor.
Menos de 0,6% das emendas parlamentares individuais ao Orçamento de 2026 foi destinado à agenda ambiental e climática. Ações de proteção e Defesa Civil ficaram reduzidas a valores simbólicos. Contenção de cheias recebeu R$ 1; drenagem urbana, nada. O sistema político continua distribuindo recursos como se eventos extremos fossem acidentes imponderáveis, e não riscos recorrentes de alto impacto econômico e social.
A distorção é mais evidente porque as emendas costumam ser justificadas pela proximidade entre parlamentares e demandas locais. Na prática, a lógica é outra: “regionalismo” é mero disfarce retórico para clientelismo. Obras de retorno eleitoral imediato continuam prevalecendo sobre infraestrutura preventiva, cujo sucesso costuma ser invisível precisamente quando funciona.
Essa escolha cobra um preço crescente. Reconstruir estradas destruídas, socorrer municípios inundados, renegociar dívidas rurais, subsidiar crédito emergencial e administrar choques inflacionários custa muito mais do que prevenção minimamente séria.
A intensidade final do próximo El Niño talvez permaneça indefinida por alguns meses. A insuficiência da preparação brasileira, infelizmente, é bastante clara. Já passou da hora de a adaptação climática deixar de ser tratada como tema periférico de política ambiental e ser incorporada ao núcleo da racionalidade econômica, da infraestrutura e da gestão fiscal.
Patrimonialismo despudorado
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O patrimonialismo já nem se preocupa com disfarces no Brasil. Prova cabal do despudor é o movimento de associações de magistrados, procuradores e promotores contra os limites impostos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos chamados penduricalhos e em defesa de um aumento de cerca de 55% do teto constitucional. Antes estivéssemos apenas, por assim dizer, diante de uma reivindicação inoportuna. Na verdade, trata-se de mais uma demonstração cabal do alheamento das guildas de representação da elite do funcionalismo público da realidade dos contribuintes que a sustenta.
A Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe), por exemplo, foi ao STF pugnar pelo aumento do subsídio pago aos ministros da Corte, teto da remuneração do funcionalismo público, dos atuais R$ 46,4 mil para cerca de R$ 71 mil. A Ajufe argumenta que os salários da magistratura estão defasados pelo IPCA acumulado nos últimos 20 anos, como de resto estão os vencimentos da esmagadora maioria dos trabalhadores brasileiros na iniciativa privada.
A cara de pau do sindicato de facto dos juízes federais é tão grande que a pretensão foi apresentada em meio ao debate nacional sobre os privilégios remuneratórios do Judiciário e do Ministério Público e os mecanismos criados por seus órgãos de classe para subverter o teto – um debate, ressalte-se, que encontrou guarida no próprio STF, que, em fevereiro passado, limitou os pagamentos das verbas extrateto.
Em tese, a questão da remuneração no serviço público é plenamente legítima no debate público. Os salários dos servidores, por óbvio, devem ser compatíveis com as responsabilidades dos cargos e com a necessidade do Estado de atrair profissionais qualificados. O busílis é que juízes e membros do Ministério Público figuram, há muito tempo, no topo da pirâmide salarial do País. Não obstante, apresentam-se à sociedade como uma massa de desvalidos, submetida a toda sorte de privações.
Essa cruzada em defesa de privilégios classistas já seria imoral mesmo que o Brasil fosse um país de renda alta e, principalmente, menos desigual. Mas, para adicionar insulto à injúria, o Brasil atravessa uma crise fiscal renitente, convive com déficits anuais e vê o Estado perder a capacidade de investimento em áreas vitais para a população, enquanto despesas obrigatórias engessam cada vez mais o Orçamento da União. Nesse sentido, o lobby da Ajufe e quejandas para elevar o teto constitucional é, a um só tempo, socialmente ofensivo e economicamente imprudente.
Como se sabe, o subsídio pago aos ministros do STF é a referência remuneratória para as carreiras do funcionalismo público, nos Três Poderes e nas três esferas da administração. Qualquer reajuste, ainda mais um daquela magnitude, desencadearia um efeito cascata de consequências drásticas para o País, aumentando a pressão por aumentos salariais em cada comarca, cada prefeitura, cada Assembleia Legislativa e cada Câmara Municipal Brasil afora. Eis o desdém dessas associações pela coisa pública e pela própria natureza do serviço público que seus associados prestam.
Como se nada disso bastasse, as guildas também pressionam o STF para autorizar o pagamento de penduricalhos retroativos antes de fevereiro passado e para eliminar o limite de 35% sobre as “verbas indenizatórias” aprovadas por órgãos do Judiciário e do Ministério Público. Ora, o que era inconstitucional em fevereiro, quando o STF tomou decisões para limitar os pagamentos extratexto, era inconstitucional desde sempre. Portanto, não há que se falar em “retroativos”. Esses pagamentos jamais teriam de ser feitos à luz da Constituição.
Ao longo dos anos, criou-se um ecossistema de normas e regulamentações administrativas destinado a criar e manter o pagamento dos penduricalhos sob um verniz supostamente legal. Com base nesse arranjo, verbas classificadas como “indenizatórias” escapam da tributação e do teto e ainda se perpetuam como complementação de renda. O resultado, todos conhecemos: contracheques que ultrapassam, com folga obscena, o limite claramente definido pela Lei Maior.
O País precisa, sim, de um Judiciário e de um Ministério Público respeitados e independentes. Mas independência é uma coisa. Manobra para perpetuar privilégios é outra.
Isto é Flávio Bolsonaro
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Desde que estourou o escândalo envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, os integrantes da equipe de campanha do filho de Jair Bolsonaro saíram por aí a dizer que foram surpreendidos com a revelação de que o candidato a presidente tinha relações fraternas (e transacionais) com o protagonista do maior crime financeiro da história brasileira. Alguns admitem que o baque pode até fazer o campo bolsonarista escolher outro candidato.
Ora, francamente: esse escândalo não muda uma vírgula da biografia de Flávio, na qual já figuram com destaque suas relações com milicianos, a prática de rachadinha em seu gabinete e estranhos negócios imobiliários em dinheiro vivo. Trata-se, portanto, de um candidato com longa ficha corrida, que nunca foi segredo para ninguém. O caso do Banco Master não torna Flávio pior do que ele já era.
Tampouco muda alguma coisa o fato de que Flávio Bolsonaro mentiu seguidamente – para seus aliados, para sua equipe de campanha e para a imprensa – a respeito de suas relações com Vorcaro. A mendacidade é a própria natureza do clã Bolsonaro, que construiu sua trajetória política em cima de desinformação, logro e desfaçatez. O filme sobre Bolsonaro, a julgar pelo trailer divulgado por Flávio, é em si mesmo um retrato fiel dessa doença congênita: inventa um Bolsonaro que só existe nos delírios da família. Como vivemos tempos estranhos, em que mentirosos patológicos ganham destaque no degradante mercado da atenção em que se transformou a política, chega a ser engraçado que alguém se queixe por ter sido enganado por Flávio Bolsonaro.
Mas é preciso reconhecer que Flávio sempre foi absolutamente honesto a respeito do espírito de sua candidatura à Presidência: ele nunca escondeu que seu único objetivo, ao chegar ao poder, é livrar o pai da cadeia. Governar o Brasil não está nos seus planos, como não estava nos planos do patriarca – que terceirizou a administração do governo por sua absoluta inaptidão ao trabalho e que vivia a lamentar o fardo de estar na Presidência.
Ainda assim, alguns aliados de Flávio Bolsonaro dizem por aí que acreditam na sobrevivência da candidatura do senador e mantêm sua disposição em apoiá-lo. O fator determinante nesse cálculo é que Flávio, a despeito de tudo, continua a aparecer nas pesquisas como o único capaz de fazer frente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Portanto, segundo esse raciocínio, pouco importa se Flávio envolveu-se com o protagonista do maior escândalo financeiro da história brasileira, se tem ligação com milicianos, se tomou dinheiro de funcionários de seu gabinete e se fez negócios obscuros em dinheiro vivo. Também não interessa se o tal filme feito com dinheiro de Daniel Vorcaro é tão ruim que não se pode condenar quem o considere apenas um meio de lavar dinheiro, fazer caixa de campanha e sustentar o irmão de Flávio, o deputado cassado Eduardo, na sua dolce vita nos EUA. O que interessa é impedir um novo mandato de Lula, retratado pelos bolsonaristas como o diabo em pessoa.
O Brasil não pode mais ficar à mercê dos interesses particulares de uma única família, ainda mais quando esses interesses colidem frontalmente com a decência e as leis. Determinada pelo “dedazo” de Jair Bolsonaro, a candidatura de Flávio sabotou a construção de uma chapa de oposição democrática à reeleição de Lula. E é improvável que os Bolsonaros recuem, já que seu objetivo é impedir que a direita se organize em torno de nomes de fora da família. A lealdade, como ocorre na máfia, é a laços de sangue, não a valores morais e princípios republicanos ou mesmo a um projeto de país.
Bolsonaro e sua grei não geraram nada de bom para o País, só ressentimentos e destruição de consensos mínimos entre concidadãos. De quebra, conseguiram a proeza de devolver o poder a Lula, malgrado a extensa folha corrida do petista. Só por isso mereceriam do País o mais absoluto desprezo.
Acordão que aprovou minirreforma na Câmara torna eleição refém do sistema político
A ânsia de liberar geral era tanta que, mesmo a Constituição prevendo que as alterações feitas em lei eleitoral só passam a valer um ano depois de sua aprovação, os parlamentares decidiram que as mudanças entram em vigor imediatamente e valem já para o pleito de outubro. Basta agora o o.k. do Senado Federal, que está louco para aderir.
Para completar o pacote da vergonha, hoje o Congresso ainda deverá repetir o que já fez na gestão Jair Bolsonaro e permitir que o governo faça doação de bens, dinheiro e benefícios como cestas básicas, tratores e ambulâncias a municípios em plena campanha eleitoral.
A reforma eleitoral ainda pode ser vetada pelo presidente Lula ou contestada e derrubada no Supremo Tribunal Federal (STF).
Independentemente do resultado final, porém, toda essa coreografia só reforça o sentimento de ojeriza ao sistema político, num contexto em que a corrupção vem crescendo no ranking de preocupações dos eleitores e escândalos como o do Banco Master fornecem assombrosas revelações a cada dia.
Claro que, com Flávio Bolsonaro (PL) sangrando em praça pública em razão do inexplicável enredo dos R$ 61 milhões de dólares aplicados por Vorcaro no filme sobre a vida de seu pai, o cenário parece bem mais favorável a Lula. Mas nem todo petista está soltando fogos.
A história das nossas eleições mostra que, quando escândalos se multiplicam, e o eleitor é tomado pelo sentimento antissistema, todo candidato competitivo sofre — incluindo o governante que comanda a máquina e busca a reeleição. Na cabeça do cidadão comum, ele encarna o próprio sistema.
Os políticos mais experientes de Brasília estão cansados de conhecer essa máxima, em especial os do Centrão. Se não estão preocupados é porque se guiam fielmente por outra máxima: o dinheiro é a graxa que azeita o sistema, mesmo que para isso seja preciso tomar todo o processo eleitoral de assalto.
Bruno Pedrosa apoia programa de regularização fundiária para a Serra da Ibiapaba
Bruno Pedrosa apoia programa de regularização fundiária para a Serra da Ibiapaba / ALECE
O deputado Bruno Pedrosa (PT) destacou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (18/05), o início de um amplo programa de regularização fundiária na Serra da Ibiapaba. Segundo o parlamentar, mais de 500 mil hectares serão regularizados na região, beneficiando milhares de agricultores e agricultoras rurais.
Bruno Pedrosa afirmou que a iniciativa representa uma política de dignidade e de garantia do título da terra para famílias que trabalham há gerações em propriedades sem documentação oficial. “A regularização fundiária é uma garantia de segurança jurídica para milhares de cearenses e o reconhecimento do direito de quem trabalha e produz”, disse.
O parlamentar ressaltou que a medida deve fortalecer a produção agrícola da região, que classificou como celeiro agrícola do Ceará, além de ampliar o acesso dos produtores a crédito e financiamentos. “Serão, no total, mais de 17 mil propriedades que terão o seu georreferenciamento e a sua eventual regularização perante os cartórios, os órgãos de crédito e as instituições financeiras. Isso vai proporcionar cada vez mais o desenvolvimento do nosso Estado e da nossa Serra da Ibiapaba”, afirmou.
Bruno Pedrosa atribuiu a iniciativa à parceria entre o Governo do Ceará, o Governo Federal, o Instituto de Desenvolvimento Agrário do Ceará (Idace) e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O deputado agradeceu ao governador Elmano de Freitas, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às equipes técnicas envolvidas no programa.
Em aparte, o deputado Missias Dias (PT) disse que o Ceará é pioneiro na regularização fundiária voltada aos pequenos produtores rurais e destacou que o Governo do Estado tem assumido inclusive os custos cartoriais do processo. “O Governo entende que é muito importante o título chegar a essas famílias, garantindo o direito à terra e à moradia”, afirmou.
Edição: Vandecy Dourado

