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Lucro de 5 gigantes petrolíferas globais dispara 160% com guerra no Irã e chega a US$ 47 bi

Por Bloomberg — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

 

O segundo trimestre deste ano foi um período de bonança para as grandes petroleiras globais, graças à disparada do preço do petróleo após os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, conflito que teve início em 28 de fevereiro. Juntas, ExxonMobil, Chevron, Shell, TotalEnergies e BP registraram lucro líquido superior a US$ 47 bilhões, um aumento de mais de 160% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o terceiro maior ganho combinado já registrado por essas gigantes do setor, só ficando atrás para os lucros somados de quase US$ 60 bilhões registrados no segundo e no terceiro trimestre de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

 

O fluxo de caixa livre — a diferença entre a geração de caixa e as despesas — impressiona ainda mais. As cinco maiores petroleiras internacionais geraram quase US$ 70 bilhões no segundo trimestre, o maior valor da história, superando o recorde de US$ 60 bilhões registrado no mesmo período de 2022, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, segundo dados compilados pela Bloomberg.

 

O petróleo bruto chegou a superar US$ 120 por barril no fim de abril e, embora as cotações tenham recuado posteriormente e, na média do trimestre, o custo do Brent tenha ficado em US$ 96,79 por barril, os preços dos produtos refinados continuam sob forte pressão.

 

 

Refinaria Pernis da Shell em Rotterdam, na Holanda: petróleo chegou a superar US$ 120 por barril no fim de abrilRefinaria Pernis da Shell em Rotterdam, na Holanda: petróleo chegou a superar US$ 120 por barril no fim de abril — Foto: Peter Boer/Bloomberg

 

 

É uma lástima que emendas ainda desafiem regras de transparência

Por Editorial / O GLOBO

 

 

Passados mais de três anos e meio da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que declarou inconstitucional o mecanismo apelidado de “orçamento secreto”, as emendas parlamentares continuam a desafiar regras básicas de transparência no gasto do dinheiro do contribuinte. Há poucas semanas, uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) constatou “falhas sistêmicas” no envio das emendas que vão direto ao caixa de municípios e estados, conhecidas como “emendas Pix”. Numa amostra de cem repasses, 41 não permitiam nenhum controle sobre a movimentação dos recursos, segundo o TCU. As emendas problemáticas haviam sido indicadas por 37 deputados e senadores entre 2020 e 2024, num total de R$ 534,4 milhões. O TCU verificou que o uso de diversas contas-correntes dificulta a rastreabilidade dos recursos. Depois as emendas Pix foram reguladas por decisões do STF, mas ainda paira sobre todo esse universo de recursos a suspeita de desvio de dinheiro do Tesouro — e algumas fragilidades ainda persistem segundo o TCU.

 

Esperava-se que, com a decisão do STF de dezembro de 2022, a falta de transparência no uso do dinheiro público fosse sanada. Sob a relatoria da ainda ministra Rosa Weber, a Corte apontou como falhas a corrigir: a falta de identificação do parlamentar autor da emenda; a grande concentração de recursos nas presidências da Câmara, do Senado e nas cúpulas partidárias; e as dificuldades de rastrear o dinheiro da origem ao destinatário final. Em vez de resolver o problema, o Congresso passou a transferir emendas às comissões permanentes das duas Casas e a adotar outras manobras para manter a opacidade. Nomeado relator depois de assumir a vaga de Rosa no Supremo, o ministro Flávio Dino tem baixado diversas liminares para tentar disciplinar essa modalidade de gasto. Até agora, porém, o problema persiste.

 

A apropriação de fatias cada vez maiores dos recursos públicos pelo Congresso não encontra paralelo em nenhuma democracia que se preze. Num país em que o Orçamento é engessado por pisos constitucionais em Saúde e Educação, pela folha de servidores e por despesas crescentes com aposentadorias e pensões, apenas 8% das despesas primárias são destinadas às políticas públicas e investimentos. Dessa parcela, 23% já são capturados pelas emendas. Em 2015, eram entre 3% e 4%.

 

Desde 2015, primeiro ano do segundo mandato de Dilma Rousseff, a conta das emendas parlamentares passou de R$ 9,6 bilhões para pouco mais de R$ 60 bilhões, crescimento real de aproximadamente 270%, segundo a Instituição Fiscal Independente (incluindo gastos dos ministérios também submetidos aos parlamentares). O Legislativo, em princípio fiscal dos gastos do Executivo, assumiu no Brasil o papel de gestor de despesas, duplicidade de funções que causa ruídos entre Poderes e deteriora a democracia.

 

O Congresso NacionalO Congresso Nacional — Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo/12-03-2021

STF impõe derrota a Alexandre de Moraes e abre brecha para beneficiar réus do 8/1

PorRafael Moraes Moura — Brasília / COLUNA DA MALU GASPAR

 

 

Por 6 a 4, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) impôs nesta quinta-feira (6) um revés ao relator das investigações do 8 de Janeiro, ministro Alexandre de Moraes, e abriu uma brecha que pode ajudar réus dos atos golpistas a descontarem de suas penas o tempo em que foram submetidos a medidas cautelares diversas da prisão. Esta é uma rara derrota de Moraes em casos julgados pelo tribunal que têm como pano de fundo as manifestações que culminaram com a invasão e depredação da sede dos três poderes em 2023.

 

Na prática, a decisão do Supremo não reduz o tamanho das penas. Ela cria um precedente em que os condenados dos atos golpistas poderão recalcular o tempo necessário para cumprir as sentenças, sob a alegação de que o período que passaram por medidas cautelares diversas da prisão – como recolhimento domiciliar noturno e o uso de tornozeleira eletrônica, enquanto aguardavam o julgamento – deve ser computado e considerado pela Justiça.

 

O julgamento sobre a questão dividiu a Corte e foi concluído nesta quinta-feira no plenário virtual, uma plataforma que permite a análise de processos longe dos olhos da opinião pública e das transmissões ao vivo da TV Justiça.

 

O caso girava em torno da gerente de recursos humanos Simone Macedo, de São Paulo, que foi presa em 9 de janeiro de 2023 no acampamento em frente ao quartel general do Exército, em Brasília, onde militantes bolsonaristas pediam uma intervenção militar e protestavam contra a vitória de Lula nas últimas eleições presidenciais.

 

Em maio de 2025, o STF a condenou a apenas um ano de prisão por associação criminosa. Conforme previsto no Código Penal, o tamanho diminuto da pena permitiu que a condenação fosse substituída por 225 horas de prestação de serviços à comunidade, além da participação em um curso de 12 horas sobre democracia, elaborado pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

Em outubro do ano passado, após o esgotamento de todos os recursos, Moraes determinou o cumprimento das medidas. Mas a defesa de Simone pediu a “detração da pena”, por conta de dois períodos: tanto o tempo em que ela foi presa preventivamente quanto o intervalo em que ela cumpriu outras medidas cautelares, antes mesmo de ter sido condenada.

 

Moraes atendeu a defesa apenas parcialmente: considerou o tempo em que Simone esteve presa preventivamente (de 9 de janeiro de 2023 a 8 de março de 2023, o equivalente a 59 dias), mas não o período em que ficou com tornozeleira e em recolhimento domiciliar noturno.

 

Mas a Defensoria Pública da União (DPU), que defende Simone no caso, alegou que a gerente de recursos humanos passou por “restrição muito maior que a condenação imposta”, logo o tempo que cumpriu as medidas cautelares também deveria ser abatido de sua pena.

 

“As medidas cautelares impostas à agravante (recolhimento domiciliar noturno com monitoramento eletrônico) são substancialmente análogas às penas aplicadas (prestação de serviços à comunidade e participação em curso educativo). Isso porque ambas consistem em restrição de direitos sem privação total da liberdade de locomoção”, alegou a DPU.

 

“O tempo em que a agravante permaneceu monitorada eletronicamente deve ser descontado de sua pena. Essa desproporção configura evidente excesso de execução e afronta o princípio do non bis in idem, na medida em que a agravante está sendo submetida a sanção já cumprida sob outra forma.”

 

Moraes, no entanto, negou em maio deste ano o pedido da defesa de Simone.

 

A DPU então recorreu ao plenário, onde a tese da defesa foi acolhida pelos ministros Cristiano Zanin Martins, André Mendonça, Edson Fachin, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Gilmar Mendes. A DPU ainda vai fazer as contas, mas é certo que, com o novo abatimento da pena, o tempo de prestação de serviços comunitários será reduzido.

 

O resultado colocou do mesmo lado ministros considerados mais garantistas, como Gilmar, e aliados de Moraes nos julgamentos do 8 de Janeiro – Cármen e Cristiano Zanin, que costuma concordar com as condenações, ainda que discorde do tamanho das penas fixadas pelo relator.

 

“Com a máxima vênia, divirjo do eminente ministro relator para reconhecer a possibilidade de aplicação da detração, em razão da imposição, em desfavor da agravante, de medida cautelar de recolhimento noturno, calculando-se à razão de um dia de recolhimento domiciliar para cada um dia de pena”, escreveu Zanin, ao abrir a corrente divergente de Moraes.

 

Do lado de Moraes, ficaram os ministros Nunes Marques, Dias Toffoli e Flávio Dino – e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, que havia se posicionado contra o recurso.

 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal FederalO ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal — Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Master e INSS: Ministro da Justiça vai tentar acordo entre Mendonça e diretor-geral da PF

Por Malu Gaspar / O GLOBO

 

O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, saiu da reunião com o advogado-geral da União, Jorge Messias, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, que comanda as investigações do caso do Banco Master e o do INSS, com uma missão: reunir-se com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, nos próximos dias para tentar chegar a um acordo entre eles.

 

Segundo o que ficou combinado entre Wellington, Messias e Mendonça, o ministro da Justiça vai buscar definir com o chefe da PF as condições necessárias para preservar o trabalho dos policiais sem criar ruídos com o relator das investigações.

 

Toda essa costura foi realizada às pressas nesta quinta-feira, depois que os 27 superintendentes da PF nos estados divulgaram uma nota em que defendem a “credibilidade” e a autonomia da corporação, destacando que “a atividade investigativa da Polícia Federal não se submete a interesses políticos, ideológicos ou pessoais, mas ao estrito cumprimento da lei”.

 

A nota foi uma reação dos superintendentes a medidas tomadas por André Mendonça no âmbito dos dois inquéritos que ele comanda, da determinação de que os agentes e delegados não repassassem informações sobre as investigações aos superiores hierárquicos à ordem para que os dados brutos captados durante a apuração sobre o INSS fossem enviados ao STF.

 

Nos bastidores, interlocutores de Mendonça já vinham dizendo que tais providências eram consequência de desconfianças sobre a atuação de Andrei, que começam pelo fato de ele ter sido um dos participantes da noite de uísque e charutos promovida pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, em Londres.

 

Mais recentemente, o fato de o senador Jaques Wagner (PT-BA) ter pedido uma audiência a Mendonça no mesmo dia em que a PF pediu autorização para a operação contra ele no caso Master despertou suspeitas de vazamento, expressas na decisão do próprio ministro. Imagens publicadas pelo GLOBO mostraram que nesse mesmo dia Wagner e o diretor-geral da PF tiveram uma conversa de pé de ouvido em um evento no Palácio do Planalto, o que ajudou a aumentar as suspeitas.

 

Há meses, também, Mendonça se queixava a interlocutores de ruídos na investigação do INSS. A troca do delegado do caso, com o envio para uma outra coordenação da PF sem comunicação a ele, também foi interpretada como uma tentativa de esvaziar a investigação.

 

Outro foco de insatisfação foi a demora no envio do relatório sobre a quebra de sigilo de Fábio Luís da Silva, o Lulinha, no âmbito das investigações do caso do INSS. O sigilo foi quebrado em janeiro deste ano e os relatórios só foram enviados no final de julho após cobrança do próprio ministro.

 

O fato de que eles pediam o desmembramento dos casos de Lulinha do INSS e a redistribuição para outros ministros também foi entendida como tentativa de tirar a apuração do gabinete de Mendonça.

 

Desconfiança mútua

 

Esse último movimento mostra que a desconfiança é mútua. No final de julho, Rodrigues enviou um ofício à Advocacia-Geral da União (AGU) pedindo que o órgão encontre um "remédio judicial" para rebater algumas das providências determinadas por Mendonça que, para ele, representariam uma intervenção indevida na independência funcional da corporação.

 

Entre elas estão o prazo de de 60 dias para os policiais concluírem a análise de todo o material apreendido, a juntada de todos os atos da investigação ao gabinete do ministro, incluindo os dados brutos das apreensões, e o aviso prévio obrigatório ao gabinete quando houver afastamento de policiais da equipe de investigação, que também foi vista pela PF como ingerência na gestão.

 

Na PF, a ação de Mendonça também tem sido apontada como ideológica. Interlocutores da corporação se queixam do trancamento de duas investigações sobre o hoje ex-governador do Rio de JaneiroCláudio Castro (PL) em 2024, que apuravam crimes de corrupção e peculato ligados a desvios na Fundação Leão XIII, do governo do estado.

 

Comparam, ainda, o tempo que Mendonça levou para aprovar a busca e apreensão sobre o ex-governador do Rio no caso Master – dois meses e meio – com o da realizada sobre Jaques Wagner – nove dias. Mendonça também estaria represando ações contra integrantes do Centrão já pedidas há algumas semanas.

 

É nesse contexto que devem ser lidos trechos como o que diz que a atuação da PF é independente e “orientada exclusivamente pelos fatos, pelas provas e pelos mecanismos de controle previstos no ordenamento jurídico”.

 

Nas palavras de dois superintendentes ouvidos pela equipe da coluna, a gota d'água para a nota foi a decisão do ministro Mendonça de determinar o envio ao STF dos dados brutos. Mas a crise vem sendo gestada há meses. E não será fácil para o ministro da Justiça pacificar os ânimos.

 

Da esquerda para a direita: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o ministro do Supremo Tribunal Federal André MendonçaDa esquerda para a direita: o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, e o ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça — Foto: Brenno Carvalho/O Globo

Limites para a queda dos juros

O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, em decisão unânime. O movimento, o quarto consecutivo nessa magnitude desde março, quando a taxa estava em 15%, não trouxe surpresas e sugere a continuidade de um ciclo gradual de afrouxamento da política monetária.

O comitê evitou sinalizar seus próximos passos, limitando-se a reiterar que manterá a restrição adequada para levar a inflação a patamar ao redor da meta de 3% até o início de 2028.

A tarefa é árdua. O Banco Central projeta IPCA de 5,1% em 2026, 3,8% em 2027 e 3,2% no primeiro trimestre de 2028.

Por sua vez, as expectativas de mercado, coletadas pela pesquisa Focus, permanecem muito distantes da meta, em 5% para este ano e 4,2% para o próximo. E a inflação acumulada nos últimos 12 meses, de 4,64%, ainda supera o teto do alvo (4,5%), mas os dois últimos resultados do IPCA deram sinais de acomodação, inclusive na inflação de serviços.

Além disso, o balanço de riscos da inflação continua assimétrico para cima, segundo o comunicado. Na área externa, os conflitos no Oriente Médio podem trazer novos aumentos dos preços de energia. Há também a possibilidade de que o Federal Reserve, o banco central americano, eleve sua taxa de juros, pressionando o custo do financiamento global.

No plano doméstico, por outro lado, há evidências de desaceleração da atividade. A indústria e o varejo mostram perda de tração, enquanto a inadimplência de famílias e empresas se mantém em patamares elevados devido ao arrocho dos juros.

No mercado de trabalho, ainda aquecido, os sinais são incipientes: a criação de vagas pelo Caged tem sido mais modesta, e as últimas leituras do IBGE apontam menor pressão sobre os salários.

O cenário, de todo modo, permanece incerto, sobretudo pela falta de clareza sobre a política econômica após as eleições presidenciais, em especial quanto às perspectivas de ajuste fiscal. Sem compromisso crível nessa área, não haverá convergência sustentável para taxas de juros mais civilizadas.

O nível atual de aperto é insustentável, pois onera de forma crescente a dívida pública e comprime cada vez mais os tomadores de crédito, já pressionados por alto endividamento.

Diante desse quadro, a perspectiva mais provável é a continuidade de cortes graduais nas próximas reuniões, que podem levar a Selic a patamar ainda elevado, entre 13% e 13,5%, até o final do ano, a depender da evolução da inflação e da atividade.

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Fugir do debate é fugir do eleitor

A possibilidade de os dois principais postulantes à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), evitarem os debates eleitorais é um péssimo sinal para a democracia brasileira.

A decisão pode fazer sentido para as campanhas, mas contraria o interesse público e priva o eleitor de um dos poucos momentos em que quem pretende governar o país é obrigado a confrontar ideias, responder perguntas difíceis e defender suas propostas diante dos adversários.

Os debates de hoje estão longe do modelo ideal. Tornaram-se excessivamente controlados pelas assessorias. Regras negociadas à exaustão, blocos engessados e intervenções milimetricamente calculadas buscam expor os candidatos o mínimo possível, reduzindo riscos e improvisos. Ainda assim, continuam sendo um espaço insubstituível.

Quando há perguntas de jornalistas profissionais, os candidatos precisam responder a questionamentos independentes, muitas vezes incômodos, e não apenas repetir mensagens do marketing.

Quando podem inquirir diretamente os adversários, revelam diferenças de visão, prioridades, capacidade de argumentação e preparo para governar. Nada disso aparece com a mesma força em programas e peças eleitorais.

Seria vergonhoso que, numa das maiores democracias do mundo, os dois principais concorrentes encontrassem razões para fugir desse compromisso.

Flávio afirma que só participará se Lula estiver presente. Sua posição é conveniente, mas transfere ao presidente a palavra final. Como líder das pesquisas, chefe de Estado e protagonista da disputa, é Lula quem deve dar o exemplo. Sua presença praticamente decidirá se haverá debates capazes de mobilizar o interesse do eleitorado.

Os argumentos estratégicos são conhecidos. Quem lidera teme virar alvo dos adversários; quem aparece atrás prefere evitar um confronto sem o principal oponente. Faz sentido para os marqueteiros, mas não para uma eleição presidencial.

Quem se apresenta para comandar um país de mais de 200 milhões de habitantes não pode escolher apenas os ambientes confortáveis nem falar somente quando controla as perguntas.

Há um problema ainda mais grave. A campanha avança sem que os brasileiros conheçam, de forma substantiva, as propostas dos dois favoritos para temas centrais, como endividamento público, segurança, saúde, educação, Previdência Social, reforma do Estado e política externa.

Os debates não resolvem essa deficiência, mas são uma das poucas oportunidades para confrontar projetos diante dos eleitores. Se Lula faltar e Flávio cumprir a promessa de também não comparecer, ambos prestarão um desserviço à democracia.

O eleitor merece mais do que campanhas estrategicamente blindadas. Precisa ver os candidatos frente a frente, defendendo ideias e respondendo por elas.

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