Datafolha: Ciro tem 52% de intenções de voto e Elmano 33% no 1º turno para Governo do Ceará
Escrito por Bruno LeiteeIngrid Campos / DIARIONORDESTE
O candidato do PSDB ao Governo do Ceará, Ciro Gomes, tem 52% das intenções de voto para o primeiro turno das eleições; já o candidato do PT à reeleição, Elmano de Freitas, aparece em segundo lugar com 33% da preferência do eleitorado cearense, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta quinta-feira (13). O cenário é da pesquisa estimulada, quando há opções de respostas aos entrevistados.
A candidata do Novo, Vera Lúcia, não foi testada na pesquisa, pois as equipes do Datafolha foram a campo antes da empresária substituir o advogado Pedro Brito, que desistiu da disputa nessa terça-feira (11).
Na pesquisa desta quinta-feira, ele aparece com 1% da intenção de votos. O mesmo percentual foi registrado para os candidatos do Missão, Delegado Huggo Leonardo, e do partido Democrata, Danilo Soares.
Os postulantes da UP, Serley Leal, e do PSTU, Zé Batista, não pontuaram.
Veja os números da pesquisa estimulada:
- Ciro Gomes (PSDB): 52%
- Elmano de Freitas (PT): 33%
- Pedro Brito (Novo): 1%
- Delegado Huggo (Missão): 1%
- Danilo Soares (Democrata): 1%
- Serley Leal (UP): --
- Zé Batista (PSTU): --
- Branco/nulo/nenhum: 7%
- Não sabe: 4%
Na pesquisa espontânea, Ciro segue com vantagem sobre Elmano, inclusive acima da margem de erro, mas o cenário é mais equilibrado neste caso: o tucano pontua 28%, enquanto o petista alcança 20%, uma diferença de 8 pontos percentuais.
Nesse momento do levantamento, 2% das respostas foram pelo voto no senador e ex-governador Camilo Santana (PT). Além disso, 43% dos entrevistados disseram não saber em quem votar.
Veja os números da pesquisa espontânea:
- Ciro Gomes (PSDB): 28%
- Elmano de Freitas (PT): 20%
- Camilo Santana (PT): 2%
- Outras respostas: 3%
- Branco/nulo/nenhum: 5%
- Não sabe: 43%
O levantamento foi encomendado pelo jornal O Povo e ouviu 1.022 eleitores entre os dias 10 e 12 de agosto de 2026. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob os números CE-04292/2026 e BR-00994/2026, possui margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%.
Essa pesquisa é a primeira divulgada pelo instituto após o encerramento das convenções partidárias, período em que as legendas definiram formalmente seus postulantes para o pleito. O Datafolha divulgou uma pesquisa anterior em março, ainda durante a janela partidária.
Cenário de segundo turno
A pesquisa também simulou disputas de segundo turno. Entre elas, um eventual confronto entre Ciro Gomes e Elmano de Freitas, em que o tucano pontua 55% e o petista 37%. Nesse cenário, "Brancos/Nulo" somam 5% e "Não Sabe", 3%.
Veja os números da pesquisa sobre o 2º turno:
- Ciro Gomes (PSDB): 55%
- Elmano de Freitas (PT): 37%
- Branco/nulo/nenhum: 5%
- Não sabe: 3%
A Anac deve explicações
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) deve explicações sobre a sua relação com a Voepass. Suspeitas de falhas graves, omissões ou até mesmo negligência envolvendo servidores federais põem em xeque a credibilidade do órgão regulador dos voos no País.
A situação da Anac ficou crítica após a apresentação do relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) sobre a queda do ATR 72-500 da Voepass, em Vinhedo (SP), há dois anos, e o indiciamento de 16 funcionários e ex-funcionários da empresa por atentado contra a segurança do transporte aéreo e falsidade ideológica.
Segundo as investigações, houve falha no sistema de degelo das asas do avião, o que afetou a sua sustentação e causou a sua queda livre. Na tragédia, morreram 62 pessoas entre passageiros e tripulantes.
O problema é que panes semelhantes já haviam ocorrido, mas nenhum piloto reportara o incidente em relatórios da companhia. Além disso, sem um limpador de para-brisa num dia de tempo instável, o avião não poderia nem ter saído do chão em 9 de agosto de 2024.
Tudo isso, somado a outros problemas de manutenção mecânica na empresa, leva à suspeita de que existia uma espécie de pacto de silêncio dentro da Voepass.
Chamou a atenção das autoridades policiais o fato de que os aviões da Voepass, mesmo com tantos problemas, eram autorizados a voar. O Cenipa apontou potenciais falhas da Anac, o que demanda o aprimoramento dos procedimentos fiscalizatórios da agência. Já a Polícia Federal (PF), ao corroborar a existência das falhas de fiscalização, foi além: revelou que um mecânico de pista da companhia aérea, ouvido na condição de testemunha nas investigações do acidente, relatou a suspeita de pagamento de propina pela empresa a funcionários da Anac.
Tudo isso já é suficientemente perturbador. Mas as coisas pioram ainda mais para a Anac. Veio a público a informação de que um ex-inspetor da agência denunciava desde 2020 a precariedade na manutenção das aeronaves da MAP Linhas Aéreas, que se uniu posteriormente à Passaredo para formar a Voepass, defendendo a suspensão dos voos. O caso foi revelado pelo Fantástico, da TV Globo, e confirmado pelo Estadão.
Em 2022, o servidor reportou aos superiores que a empresa estava reutilizando ilegalmente peças de um avião que havia se acidentado em Rondonópolis (MT). Ignorado, ele apresentou o caso a órgãos internacionais. Foi aí que passou da condição de denunciante para denunciado, sendo alvo de um processo administrativo. Cerca de três anos depois, foi exonerado em razão disso.
Com tantas suspeitas, faz bem a Anac em anunciar a instauração de um procedimento interno para apurar eventuais responsabilidades de seus servidores. Também acerta a PF ao encaminhar a suspeita de corrupção para a análise da Ministério Público Federal (MPF) em Brasília a fim de que se apure eventual prática de improbidade ou crime.
Não se trata de condenar de antemão quem quer que seja. Mas o que se espera a partir de agora é que sejam realizadas apurações rigorosas sobre a Anac para que não reste nenhuma dúvida sobre a segurança dos voos.
Governo e Congresso, sócios na imprudência
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O projeto de lei complementar que permitia o uso de receitas extraordinárias do petróleo para conter os preços dos combustíveis é um exemplo clássico de que tudo que começa mal termina ainda pior. A proposta, que nasceu porque o governo queria encontrar uma maneira de driblar a Lei de Responsabilidade Fiscal, acabou por se converter em um instrumento para o Congresso criar novos benefícios tributários, à revelia do que os próprios parlamentares haviam decidido há menos de um ano.
Quando o governo dá um exemplo tão ruim, é claro que o Legislativo se sente à vontade para ir além. De uma só tacada, a relatora da proposta, deputada Marussa Boldrin (Republicanos-GO), aproveitou para desvirtuar também a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), que proibia a criação ou ampliação de benefícios tributários, e a Lei Complementar 224/2025, por meio da qual o Congresso estabeleceu o corte linear de incentivos fiscais em 10%.
A ilustre desconhecida Marussa Boldrin, por óbvio, não fez nada sozinha nem surpreendeu ninguém. No dia anterior, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já havia cantado a bola ao declarar que o projeto de lei dos combustíveis abarcaria “outros temas que também são muito importantes e estratégicos para o País”.
Como o leitor bem sabe, o termo “estratégico” costuma ser utilizado quando o governo e o Congresso querem ajudar algum segmento econômico, mas não encontram justificativa técnica ou espaço fiscal para fazê-lo da maneira adequada. Foi assim que o texto original, composto por apenas 4 artigos, terminou com 17, para incluir benefícios fiscais para os setores de fertilizantes, minerais críticos, etanol e até a edição feminina da Copa do Mundo.
O governo Lula não apenas compactuou com a proposta como se refestelou com ela. Convém lembrar que o Executivo, há alguns meses, cogitou abrir mão do projeto. Foi quando percebeu que a intenção do Congresso era segurar sua tramitação e aproveitar o texto para incluir esses mesmos jabutis, como são conhecidas as emendas estranhas ao objeto original do projeto para beneficiar grupos de interesse.
Parte desse plano chegou a ser posto em prática, quando o governo editou medidas provisórias para substituir a renúncia fiscal, prevista no projeto de lei complementar, por subvenções aplicadas diretamente no preço da gasolina, diesel e gás de cozinha. Mas nada como o tempo e as contingências que ele traz para fazer o governo mudar de ideia.
O Executivo tinha um problema: não conseguia colocar o Orçamento de 2027 minimamente de pé, e o prazo constitucional para enviá-lo ao Congresso se encerraria no dia 31 de agosto. Diante dessa urgência, a equipe econômica preferiu pegar carona no projeto de lei para incluir seus próprios jabutis no projeto sem se sujar muito por causa deles.
A manobra foi antecipar, de 2027 para este ano, R$ 2,5 bilhões em investimentos do Ministério da Defesa e outros R$ 3 bilhões em gastos com Saúde e Educação – tudo excluído do arcabouço fiscal. A “compensação” virá pela inclusão de gatilhos para coibir o avanço de despesas como o piso constitucional da Saúde e o Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) e submetê-los ao arcabouço fiscal, que limita o crescimento dos gastos a até 2,5% acima da inflação.
Ora, isso era o mínimo que se esperava de uma âncora fiscal digna do nome – inclusive, deveria ter sido feito de maneira incondicional em 2023, quando o arcabouço foi proposto e aprovado. Chamar esse artifício de ajuste fiscal é ofender a inteligência alheia, mesmo porque o limite de despesas do arcabouço já se mostrou insuficiente para conter a trajetória da dívida pública.
Se a intenção fosse realmente sinalizar um mínimo de responsabilidade fiscal para os investidores, era o caso de abandonar o projeto e vetá-lo de maneira integral em caso de aprovação. Em vez disso, o governo contribuiu de maneira decisiva para que um projeto repleto de jabutis, que ficou parado no Congresso por meses e que perdeu a razão de existir, fosse aprovado pela Câmara e pelo Senado em menos de três horas.
Tirar do ar lives do Discord foi medida desproporcional
Por Editorial / O GLOBO
A morte de uma menina de 13 anos na pequena Naviraí (MS) deu realidade aos piores temores dos pais de adolescentes. As investigações revelaram que ela foi induzida a se mutilar e ao suicídio por um grupo reunindo um jovem de 18 anos e cinco adolescentes durante transmissão ao vivo na plataforma Discord. Diferente de uma rede social convencional, o Discord oferece a possibilidade de abrir canais privados com ferramentas de comunicação por voz, vídeo, texto ou transmissões ao vivo (lives).
A repercussão do caso foi tão grande que a primeira-dama Janja Lula da Silva exigiu que o Discord fosse “imediatamente” retirado do ar. Menos de uma semana depois, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) suspendeu as transmissões ao vivo e recursos de compartilhamento de vídeo da plataforma no Brasil.
Há vários motivos para criticar a medida. O mais evidente é o exagero da sanção, aplicada a todos os usuários da plataforma. Crimes são tramados diariamente pelo celular, sem que a Agência Nacional de Telecomunicações suspenda o serviço de telefonia em todo o país. Diversas empresas de tecnologia instaladas no Brasil usam o Discord para comunicação interna, por ver valor em seus recursos. Não há razão para puni-las, nem aos demais usuários que respeitam a lei.
A ANPD, cujo mandato exige atuação independente do Palácio do Planalto, extrapolou ao ordenar a retirada dos recursos do ar no momento em que o Ministério Público de São Paulo e a própria Advocacia-Geral da União discutiam saídas com a plataforma. O Discord tem representante legal no Brasil, em nenhum momento se recusou a cooperar com as autoridades e reconheceu a necessidade de reforçar os alertas automáticos que acionam revisão humana para acompanhar conteúdos sensíveis em transmissões ao vivo.
A exemplo de aplicativos de mensagem como WhatsApp ou Telegram, o Discord usa criptografia de ponta a ponta para garantir a privacidade das comunicações. Em princípio, isso não impede a plataforma de adotar uma política preventiva mais rigorosa. É possível identificar perigos a partir de sinais comportamentais, padrões de uso, relação entre contas ou denúncias. Foi esse sistema que falhou. No caso da jovem de Mato Grosso do Sul, a atividade no canal só foi encerrada pelo Discord 25 minutos depois do alerta da inteligência da polícia.
Há tecnologia e procedimentos de segurança mais ágeis e eficazes. Empresas de tecnologia poderiam exigir análise de imagens faciais para barrar acesso de adolescentes em grupos com maiores. Em caso de dúvida, o usuário deveria ser obrigado a apresentar documento de identidade, como exige o ECA Digital.
Uma alternativa para evitar crimes cometidos por adolescentes é reduzir a garantia de sigilo em seus canais. Tudo isso depende de medidas que a plataforma poderia tomar sem precisar ser retirada do ar.
É indiscutível que não basta exigir tal comportamento apenas do Discord. Os criminosos podem muito bem migrar para outra plataforma mais permissiva, e o risco persistirá. Em vez de deixar as autoridades agir ou exigir legislação mais eficaz do Congresso, Janja preferiu um clamor puramente demagógico, cuja aplicação intempestiva pôs o Brasil no grupo infame de países que censuram o Discord, encabeçado por ditaduras como Rússia, China ou Irã.
Além de Flávio Bolsonaro, Missão chegou a filiar Lula
Por Lauro Jardim / O GLOBO
Não foi só Flávio Bolsonaro que foi vítima de uma fraude e virou filiado ao Missão até ontem, quando a burla foi descoberta e sua inscrição no PL foi restabelecida. De acordo com integrantes da cúpula do Missão, alguém — e o partido não identificou quem — chegou a filiar Lula pelo sistema de filiação do partido. No caso de Lula, no entanto, a fraude foi percebida a tempo e a "filiação" do presidente ao Missão foi abortada logo depois de ter entrado no site do TSE.
PT patrocina posts enaltecendo governo, e PL impulsiona conteúdo para desgastar Lula
No período que antecede a propaganda eleitoral, que começa em 16 de agosto, os partidos pagam para impulsionar suas publicações nas redes sociais a fim de prospectar eleitores e desgastar a imagem de adversários.
O PL, do candidato Flávio Bolsonaro, aposta em criticar Lula, enquanto o PT promove programas federais do último mandato, com foco especial no estado de São Paulo.
Outros partidos têm estratégias diversas. O PSD tenta ampliar o conhecimento sobre o presidenciável Ronaldo Caiado nacionalmente. O Novo, de Romeu Zema, busca atrair mulheres ao partido, e o Missão, de Renan Santos, impulsiona ataques a Lula e ao STF.
A Folha analisou 3.082 posts com conteúdo político-eleitoral impulsionados de 1º de maio a 4 de agosto em plataformas da Meta –Facebook, Instagram e WhatsApp.
O impulsionamento de conteúdo (pagar para que ele alcance mais pessoas ou públicos específicos) é permitido na pré-campanha, mas resolução do TSE veda solicitação expressa de votos e propaganda negativa de adversários –caracterizada por críticas, ofensas à honra ou desinformação.
Mais atacado pelos adversários, o atual presidente registra o maior número de menções nas publicações. O PT é a sigla que mais investiu em publicidade nas redes, com R$ 2,3 milhões no período –ante R$ 835,5 mil do partido de Flávio.
Com quase 1.800 anúncios, o PT concentrou 53% do volume de publicações no estado de São Paulo. Programas federais aparecem nas peças, além de mobilidade urbana, agronegócio e incentivos à indústria, conforme a segmentação regional.
Em posts direcionados a usuários da capital paulista e de Guarulhos, por exemplo, o PT destaca investimentos federais para ampliação do metrô.
A mobilidade urbana também aparece em anúncios direcionados a Campinas, Jundiaí, Sorocaba e Mauá. O Nova Indústria Brasil, de fomento ao setor, é destaque em posts dirigidos a cidades como Campinas, Santo André e São Bernardo do Campo.
Para Maria Carolina Lopes, estrategista de campanha e doutora em comunicação, a concentração em São Paulo acontece diante das dificuldades do pleito estadual, no qual o candidato do PT, Fernando Haddad, enfrenta o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).
"É um estado preocupante para Lula porque Tarcísio está muito bem. É justificável tentar prestar informação para um eleitor que pode estar indeciso ou perdido, e tentar convencê-lo de que você faz alguma coisa para aquela comunidade", afirma.
O PL, por sua vez, investiu cerca de R$ 35 mil em publicações que ligam Lula ao Banco Master. Outros anúncios também associam o presidente e o PT aos descontos ilegais de aposentados do INSS.
A sigla explora, ainda, o apoio de Deolane Bezerra a Lula –a advogada foi presa por suspeita de associação com o crime organizado e lavagem de dinheiro.
Segurança pública é um dos poucos temas em que a voz de Flávio aparece, com post compartilhado de seu perfil oficial. O PL também critica a PEC do fim da escala 6x1 e acusa a esquerda de "querer decidir" pelos trabalhadores.
Em paralelo, o partido tenta atrair apoiadores para outros canais oficiais. Um dos posts divulga um site com repositório de conteúdo de propaganda "pronto pra postar, sem precisar editar nada".
O PL também patrocinou anúncios em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro, retratado como vítima da Justiça. Flávio é mencionado 23 vezes em 89 anúncios financiados pelo partido. Em post no qual o partido defende o patrocínio do Master ao filme "Dark Horse", Flávio não é citado –o presidenciável pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme.
Já o Missão patrocinou 844 anúncios no período, totalizando mais de R$ 187,5 mil. Onze posts foram na página Missão em Pauta, todos pagos em dólar e impulsionados sem a etiqueta obrigatória de conteúdo político-eleitoral. Os anúncios foram posteriormente removidos e classificados pelo sistema da Meta como políticos.
O sistema da empresa também retirou um anúncio que acusava Flávio Bolsonaro de envolvimento com Daniel Vorcaro. Outro post removido exibe vídeo de Renan Santos comentando sua agenda de governo em segurança pública e criticando adversários.
Dos cinco partidos analisados, o Novo foi quem mais direcionou conteúdo às mulheres, buscando atrair novas candidatas e filiadas. Na agenda, também entram a defesa das privatizações e críticas aos gastos de Lula e da primeira-dama Janja em viagens ao exterior.
Já o PSD, por meio do perfil de Ronaldo Caiado, foca na atuação de seu nome como governador de Goiás e aborda, principalmente, segurança pública. Com críticas ao governo federal, o partido apresenta Caiado como a solução para a redução da violência.
Impulsionamento contra adversários é irregular
Além da proibição de propaganda negativa paga de adversários, a resolução do TSE veda o impulsionamento de conteúdo com qualquer menção a nome, sigla, alcunha ou apelido de partido, federação, coligação, candidatas ou candidatos adversários.
Várias das publicações infringem esta última regra, de acordo com especialistas em direito eleitoral.
Em um conteúdo pago que circulou de 23 a 29 de maio, o PL afirma que Lula é próximo de facções criminosas. Diversos posts do partido associam o presidente à criminalidade.
O PSD também faz esse tipo de relação e diz que o presidente sempre foi conivente com o crime organizado, em post impulsionado entre 29 e 31 de julho.
Renan Santos chama Lula de cachaceiro e afirma que ele estará senil se vencer a eleição. O candidato diz, ainda, que, devido à idade, a chance do presidente morrer em um novo mandato é de quase 30%.
Em posts patrocinados entre 25 e 30 de maio, Zema afirma que Lula faz o povo "ficar mais pobre".
O PT de Araraquara patrocinou conteúdos de ataque à família Bolsonaro no perfil do presidente do partido, Edinho Silva, que é ex-prefeito da cidade. Os posts não mencionam diretamente o nome de Flávio. Um deles, ativo entre 17 e 25 de julho, afirma que "a família Bolsonaro conspira contra os interesses nacionais".
Há, ao menos, 92 peças patrocinadas por Missão, PSD, PL ou Romeu Zema com menções a Lula e 11 impulsionamentos patrocinados pelo PT de Araraquara no perfil pessoal de Edinho Silva em que cita a família Bolsonaro.
O advogado especialista em direito eleitoral Diogo Rais afirma que nem sempre é fácil definir o que é propaganda eleitoral negativa, mas que, em casos de impulsionamento eleitoral, a regra é mais clara: "A crítica não é proibida em conteúdos não impulsionados, desde que não gere ofensa ou desinformação, mas no impulsionamento, o conteúdo pode ser irregular".
Para o advogado Cássio Pacheco, o precedente é claro: "Conteúdo com crítica a adversário não pode ser impulsionado, independentemente da veracidade do conteúdo veiculado".
O advogado eleitoral Tony Chalita afirma que não se pode impulsionar para falar de terceiros de forma aleatória ou objetiva. "O limite dessa crítica política é que ela tem que ser muito conceitual sem fulanizar, sem pessoalizar", afirma, acrescentando que as campanhas testam os limites.
Já o advogado Francisco Brito Cruz pondera que, na prática, "os julgados não são unânimes sobre uma comparação ser entendida como negativa". "Pode ser o candidato se construindo, porque muitas vezes diz ‘eu sou o melhor candidato’ e, implicitamente, está dizendo que os outros são piores. Como você dissocia uma coisa da outra?"
Em nota, Edinho Silva afirmou que "o debate eleitoral pressupõe escrutínio de atos, propostas, declarações, histórico e desempenho dos agentes públicos. Os conteúdos citados não configuram ataque pessoal".
A campanha de Flávio disse que "o PL defendeu, perante o TSE, a permissão do impulsionamento desse tipo de conteúdo nas eleições por entender que conteúdo positivo e negativo interessam igualmente ao eleitor no debate democrático. A tese não prevaleceu, e o PL segue as regras da Justiça Eleitoral".
Caiado respondeu que é preciso diferenciar crítica a candidato de crítica de ato de governo. "Proibir o impulsionamento de críticas ao governo implicaria numa medida inconstitucional com precedentes apenas nas ditaduras."
Romeu Zema afirmou que "o debate político pressupõe a possibilidade de fazer críticas, questionamentos e apontar as péssimas práticas do governo. Não há como falar de gastos excessivos e privilégios sem apontar quem se beneficia deles".
A campanha de Renan Santos não respondeu aos pedidos de esclarecimento.
A Meta diz estar trabalhando em parceria com as autoridades para garantir a integridade das eleições, em conformidade com as resoluções do TSE. Já o TSE afirma que não antecipa interpretações sobre a norma ou se manifesta sobre casos concretos.

