Caso INSS tem quatro delações represadas sem definição da PF e da PGR
Por Malu Gaspar e Johanns Eller / o globo
As investigações das fraudes do INSS mantêm represadas há mais de quatro meses quatro propostas de colaboração premiadas de personagens-chave do escândalo, sem serem rejeitadas e nem homologadas pela Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR).
O impasse contrasta com o avanço da Operação Sem Desconto, que mirou o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz na etapa deflagrada na semana passada, e a abertura de três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre Fábio Luís da Silva, o Lulinha, a pedido da PF.
Estão empacadas à espera de uma definição as colaborações do ex-procurador-geral do INSS Virgílio Oliveira, do ex-diretor de benefícios do instituto André Fidelis — ambos presos—, e do filho dele, o advogado Eric Douglas Fidelis, que está em prisão domiciliar.
A proposta do empresário e lobista Maurício Camisotti, que chegou a ser apresentada à PGR como fechada em fevereiro, foi retirada e refeita, justamente porque o Ministério Público Federal não havia participado da negociação. A defesa preparou uma segunda delação, mas até agora não há indicativo de que a proposta será homologada.
Virgílio Oliveira, que está preso em Curitiba, assinou com a PF um contrato de confidencialidade em janeiro e passou uma semana prestando depoimento em abril a vários delegados diferentes. Sua proposta tem mais de 120 páginas de anexos e prevê a devolução de todos os valores desviados. Até agora, porém, o material está no limbo, sem resposta positiva e nem negativa.
Já André e Eric Fidelis prestaram depoimento e apresentaram seus anexos em março. Também não tiveram retorno dos investigadores até agora.
Fontes da PF confirmam que as negociações estão em curso e afirmam que há interesse nas delações, que ainda estão na fase da discussão dos benefícios e contrapartidas.
Embora o conteúdo dos anexos seja sigiloso, a equipe da coluna conseguiu confirmar que contemplam desde as fraudes em si e o mecanismo de perpetuação dos descontos ilegais de aposentadorias até o envolvimento de políticos com foro privilegiado, de Lulinha e de Marcola.
Na PF, investigadores argumentam que não há prazo para que se tome uma decisão, mas, como as investigações estão em curso, integrantes das defesas têm manifestado nos bastidores o temor de que as informações fornecidas nos depoimentos acabem sendo usadas antes do fechamento de um acordo, esvaziando a valor da colaboração premiada.
Personagens-chave
Os quatro potenciais delatores do INSS estiveram no centro da organização criminosa que orquestrou o esquema de desvio do dinheiro dos aposentados. Dos personagens-chave já identificados e presos pela PF, apenas Antonio Carlos Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto não tentaram negociar com a PF.
As investigações da Polícia Federal apontam que o ex-procurador-geral Virgilio Oliveira teve papel central na liberação de descontos ilegais nas pensões de mais de 6 milhões de aposentados e que ele recebeu R$ 7,5 milhões do Careca.
Já Camisotti era um dos operadores financeiros centrais do esquema. Segundo a Polícia Federal, o empresário controlava três entidades que faturaram mais de R$ 1 bilhão com os descontos ilegais, e teria recebido pelo menos R$ 43 milhões dessas organizações. Ao todo, a operação teria desviado R$ 6,3 bilhões entre 2019 e 2024.
O esquema de descontos foi viabilizado a partir dos chamados acordos de cooperação técnica (ACT) fechados entre sindicatos e entidades envolvidas e o INSS, mas sem a anuência dos pensionistas afetados.
Como publicamos no blog em novembro passado, os investigadores descobriram que Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo em 17 saques efetuados entre 2018 e 2025. Os números constam em um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que levantou suspeitas pela natureza da movimentação.
Para a PF, os saques representam “condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial” do empresário, investigado por lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e formação de organização criminosa.
Fidelis, por sua vez, é suspeito de ter facilitado as fraudes como diretor de benefícios. Os investigadores trabalham com a tese de que ele recebeu propina do Careca do INSS através do escritório de advocacia do filho, Eric Douglas, que atuou em casos contra a instituição e mantém relação com algumas das entidades investigadas.
Segundo a PF, o ex-diretor era identificado em planilhas de prestações de contas do esquema como “Herói A”, enquanto o ex-procurador Virgílio Oliveira era apelidado de “Herói V”.
De acordo com a colunista do GLOBO Bela Megale, Fidelis e Virgílio foram indiciados pela Polícia Federal em outra frente das investigações, a da Contag, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares. Trata-se da maior entidade investigada no caso, com mais de um milhão de associados.
Sede do INSS em Brasília — Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Desmatamento segue em queda na amazônia
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou com certo alarde uma notícia animadora: volta a cair o desmatamento na amazônia. A boa-nova exige contextualização para aquilatar-lhe o devido significado, mas não desmerece o sucesso nessa área sensível.
Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), as derrubadas recuaram 36%, para 2.874 km², entre 1º de agosto de 2025 e 31 de julho de 2026 —intervalo escolhido para coincidir com o início da estação mais seca. No último período sob responsabilidade da administração de Jair Bolsonaro (PL), a devastação era o triplo, com 8.590 km².
Pode-se ponderar que o número total de 2.874 km² de superfície desmatada constitui um desperdício irracional, em que pese o aspecto positivo da redução.
Se cada quilômetro quadrado desse tipo de floresta pode conter em torno de 56 mil espécimes vegetais com tronco de 10 cm de diâmetro ou mais, depreende-se que em 2025/26 pereceram ali mais de 160 milhões de árvores, cerca de 443 mil por dia.
Cabe assinalar que o dado provém do sistema Deter do Inpe, que orienta ações de fiscalização em tempo real e não apura a taxa oficial de desmate. Esta compete ao programa Prodes, também do Inpe, que usa outras imagens de satélite e publica a cifra oficial normalmente em novembro.
Mas o Deter vem sendo aperfeiçoado, e as taxas pelos dois sistemas exibem maior convergência. Ademais, a tendência de queda é clara, após a escalada sob Bolsonaro. Os 2.874 km² representam o menor valor desde 2015, quando começou a série histórica.
Bem menos auspiciosa é a situação no cerrado. Houve redução, igualmente, porém bem menos acentuada. O recuo no coração do agronegócio foi de 8%, com 5.119 km² de corte —dado acabrunhante, já que a savana brasileira tem apenas metade da extensão do bioma do Norte.
Com área de supressão vegetal 78% maior do que a da amazônia, conclui-se que a devastação é, proporcionalmente à extensão do bioma, quase quatro vezes maior. Nesse território sob expansão da agropecuária, o proprietário pode cortar 80% da cobertura vegetal, contra 20% na floresta amazônica.
A receita para conter o desmatamento já se conhece: fiscalização atuante, embargo de áreas produtivas com derrubadas ilegais, restrição de crédito a desmatadores e repasse de recursos para municípios combaterem o problema. Cumpre agora adaptar esse modelo provado na amazônia, no que for factível, para conter a aniquilação do cerrado.
Gasto público e juros sufocam a economia
Os juros altos que resultam da gestão perdulária do Orçamento no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) impactam a economia de forma cada vez mais crítica, intensificando o estresse financeiro sobre famílias e empresas.
O aumento persistente dos gastos públicos e a multiplicação de programas de crédito subsidiado, cujos volumes já se aproximam ou superam a marca de R$ 200 bilhões, geram desequilíbrios que forçam o Banco Central a manter a taxa básica excessivamente alta.
A Selic, em patamar restritivo de 14%, propagou seus efeitos com atraso, mas de maneira inevitável chegou ao mercado, comprimindo o consumo, os investimentos produtivos e a capacidade de rolagem de dívidas.
Os indicadores da atividade econômica confirmam a desaceleração em curso. O volume de vendas no varejo avançou apenas 0,1% em maio ante abril e acumula 1,7% no ano. No período, os serviços recuaram 0,4%.
Ainda que o mercado de trabalho mantenha o desemprego em 5,4% no trimestre até junho —um patamar historicamente baixo—, há sinais de diminuição na criação de vagas e de menor crescimento dos salários.
No crédito, a deterioração é clara. A inadimplência do sistema financeiro atingiu 4,7% em junho, próximo do pico histórico. O endividamento das famílias em relação à renda alcançou recordes próximos de 50%, enquanto pesquisas setoriais apontam 82% dos lares com algum tipo de débito.
O volume de recuperações judiciais entre micro e pequenas empresas mais que dobrou em relação a anos anteriores, segundo dados do Monitor RGF, citados pelo jornal Valor Econômico. Os principais bancos sinalizam um cenário adverso, com aperto nas concessões e aumento nas exigências de garantias.
As projeções do mercado, captadas pelo Boletim Focus, apontam na mesma direção: as estimativas para o PIB de 2027 vêm caindo de forma consistente e já se aproximam de 1,5%, com alguns cenários próximos de 1%.
O governo pratica, neste ano eleitoral, a mesma estratégia observada em 2014, quando Dilma Rousseff (PT) buscava a reeleição: impulsionar a economia por meio de estímulos temporários de crédito e gastos, sem preocupação com desequilíbrios e a perspectiva de esgotamento.
Há, ao menos, um alívio parcial no front inflacionário. O IPCA de julho registrou alta de apenas 0,07%, acumulando 4,44% em doze meses —abaixo do teto da meta. Isso deve permitir que o Banco Central prossiga com cortes graduais da Selic. Mesmo assim, o nível projetado permanecerá bastante elevado.
A combinação de juros sufocantes, endividamento recorde e asfixia do setor privado aponta para um desfecho conhecido: o risco real de uma recessão no horizonte. O preço dos excessos do presente poderá ser pago com a paralisação da atividade econômica logo adiante.
Homem furta viatura da PRF durante abordagem na BR-116 em Itaitinga
Escrito por Redação / DIARIONRDESTE
Um homem furtou uma viatura da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na altura do km 19 da BR-116, em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza. O caso aconteceu na noite deste sábado (8).
A PRF confirmou a informação por meio de nota. Segundo o órgão, policiais realizavam uma abordagem em um veículo no local, próximo a um posto de fiscalização da própria polícia na BR-116.
Neste momento, um homem teria se aproximado de uma viatura, entrado no veículo e fugido do local dirigindo. Ele apresentava sinais de embriaguez, conforme a nota divulgada.
Após o furto, os policiais entraram em contato com a Polícia Militar do Ceará (PMCE), que auxiliou na ocorrência.
A equipe da Ronda Ostensiva Municipal da Guarda Municipal de Eusébio que localizou, interceptou e prendeu o suspeito.
"A viatura foi localizada e recuperada poucos minutos depois, e o envolvido foi preso e encaminhado à Polícia Federal", completa a nota.
PRF desmente possível envolvimento de facção criminosa
O caso chegou a repercutir nas redes sociais por uma suposta ação planejada de facções criminosas, situação que foi rechaçada pela Polícia Rodoviária Federal.
Ainda por meio de nota, o órgão enfatizou que "a ocorrência foi uma ação isolada e individual, sem relação com facções criminosas".
A PRF destacou que não havia coletes ou armamentos dentro da viatura furtada, itens que, de acordo com as informações nas redes sociais, seriam o alvo da ação criminosa.
debate entre Ciro e Elmano tem segurança como tema dominante
Escrito por Igor Cavalcante / DIARIONORDESTE
O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) e o governador Elmano de Freitas (PT) se enfrentaram, neste domingo (9), no primeiro debate eleitoral da disputa pelo Governo do Ceará. O confronto, promovido pela Band Ceará, foi o primeiro realizado após a definição das chapas para as eleições deste ano.
Durante o debate, Ciro e Elmano confrontaram diagnósticos sobre a situação do Estado, trocaram críticas sobre as gestões atual e anteriores e apresentaram propostas para áreas como segurança pública, saúde e desenvolvimento social e econômico.
O encontro colocou frente a frente os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas eleitorais. Pedro Brito (Novo) também havia sido convidado pela emissora, mas não participou. Por meio da assessoria de imprensa, o candidato informou que já tinha compromissos políticos marcados para este domingo.
Segurança pública foi o tema mais recorrente
A segurança pública abriu o primeiro confronto direto entre os candidatos e foi o tema predominante durante o debate. Ciro contestou a política adotada pelo Governo e defendeu uma mudança na estratégia de enfrentamento ao crime organizado, com maior investimento em inteligência e tecnologia.
“O Ceará, hoje, é quase um narcoestado dominado pelas facções criminosas e a fórmula com que se enfrentou esse problema nos últimos 10 anos é uma fórmula desastrada que infelizmente não tem tido a menor eficácia, a menor consequência”
Elmano defendeu as ações da sua gestão, citou a ampliação do efetivo e dos investimentos em inteligência e rebateu o adversário afirmando que as primeiras células das facções criminosas teriam chegado ao Ceará durante o governo de Ciro.
“A semente do Comando Vermelho chegou ao Ceará em 1993. Nessa época, o governador não era eu, era você. Portanto, a semente do Comando Vermelho iniciou neste Estado com você (como) governador”
A saúde foi o segundo tema tratado no bloco inicial, Elmano destacou a interiorização dos atendimentos, a construção de hospitais e a ampliação das cirurgias. Ciro criticou a prioridade dada à construção de grandes equipamentos e apontou problemas no funcionamento da estrutura existente.
Investimentos no Ceará
No segundo bloco, os candidatos ampliaram o debate para investimentos em outros setores do Estado. No turismo, Ciro apontou que o Ceará enfrenta uma queda significativa superior a 10%. “É o pior desempenho do Brasil. Somente esse ano, de janeiro a junho, o turismo caiu 5,8%, uma pancada sem igual no país inteiro”, afirmou.
Elmano contestou a leitura do adversário e afirmou que a retração ocorre após o Ceará ter registrado crescimento no ano anterior. O governador também destacou a ampliação da malha aérea e o aumento da chegada de estrangeiros. “Esse Estado aumentou o número de rotas internacionais. Nós temos investimentos como nunca na promoção do turismo (...) O Ceará bate recorde de turistas internacionais em toda sua história”, rebateu.
Na infraestrutura, os dois debateram sobre a responsabilidade por obras estruturantes. Ciro citou sua participação no projeto da Transnordestina e criticou o andamento de intervenções estaduais, mencionando o Anel Viário de Fortaleza e afirmando que há centenas de obras paralisadas. Já Elmano atribuiu parte dos atrasos à falta de recursos federais durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e destacou a retomada de obras na gestão Lula.
O terceiro tema sorteado levou o confronto para os indicadores sociais. Ciro destacou que cerca de 2,4 milhões de cearenses vivem abaixo da linha da pobreza e voltou a citar a perda de posições do Estado no ranking nacional de renda domiciliar per capita. Elmano respondeu relacionando a política social à geração de renda e emprego. O governador destacou o programa Ceará Sem Fome, que distribui refeições diárias, e programas de crédito.
Candidatos divergem sobre moradia, educação e saneamento básico
No terceiro bloco, o confronto passou por vários temas, entre eles a educação pública.
Os dois candidatos reconheceram avanços obtidos pelo Ceará, mas divergiram sobre a autoria e a continuidade das políticas adotadas. Ciro atribuiu parte importante da formulação do modelo educacional ao ex-prefeito de Sobral, Ivo Gomes (PSB), seu irmão, e classificou os resultados como consequência de uma política de Estado.
Já Elmano vinculou os resultados a uma sequência de governos iniciada por Cid Gomes (PSB) e continuada por Camilo Santana (PT), Izolda Cela (PT) e pela atual administração.
Segurança e saúde voltam ao centro do debate
No último bloco de confronto direto, Ciro Gomes retomou a segurança pública e questionou Elmano sobre o avanço territorial das facções criminosas. O tucano afirmou que grupos criminosos passaram a interferir também em atividades econômicas e cobrou uma autocrítica do governador sobre a estratégia adotada pelo Estado.
“Eles não estão só mais extorquindo famílias. Estão avançando para provedor de internet, para fornecedor de água mineral, para fornecedor de gás de cozinha”, afirmou Ciro.
“Você não acha que precisa ter um mínimo de autocrítica, de humildade para reconhecer que fracassou a sua política em matéria de segurança pública?”
Elmano respondeu citando a redução de homicídios e roubos, as prisões realizadas e os recursos bloqueados de organizações criminosas.
, não está bem em canto nenhum do País. Esse é o maior problema do Brasil, mas é o Ceará que tem a maior redução de homicídio e a maior redução de roubo, é o Ceará que colocou cinco mil faccionados na cadeira”
O governador reconheceu que o problema ainda exige avanços, mas afirmou que a estratégia será intensificada.
O festim do crédito fácil
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Criado para melhorar as chances eleitorais do presidente Luiz Inácio Lula da Silva entre motoristas e entregadores de aplicativo, público visto como mais simpático ao bolsonarismo, o Programa Move Motoristas só desembolsou R$ 2,2 bilhões (7,3%) dos R$ 30 bilhões dos quais dispõe para o financiamento de veículos novos, de acordo com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A baixa concessão de crédito por meio do programa deveria levar o governo a repensar o incentivo sem limites ao consumo. Extremamente endividado em cenário de juros escorchantes, ou até mesmo com o nome sujo no praça, o brasileiro está financeiramente sufocado e sem perspectiva.
De acordo com o Banco Central, o endividamento das famílias situava-se em 49,8% em maio, enquanto a inadimplência manteve-se no patamar recorde de 4,7%. Isso a despeito de uma nova edição do Desenrola, o programa de renegociação de dívidas que acaba de ser estendido até 31 de agosto, invadindo o período de campanha eleitoral.
Mas, fiel ao discurso de que “gasto é vida”, na imorredoura definição de Dilma Rousseff, o governo quer forçar o brasileiro a gastar aquilo que não tem de toda e qualquer maneira. Assim, o Move Motoristas é mais uma política pública que nem deveria ter sido lançada, por contrariar os dados objetivos da realidade, mas que é mantida para entregar aquilo que a gestão petista tanto deseja: votos.
Para tirar o máximo proveito eleitoral possível do programa, que expira em 15 de setembro, o governo vem pressionando os bancos a acelerar as concessões de crédito. Entre as instituições públicas, a pressão já surtiu efeito. Tanto a Caixa Econômica Federal quanto o Banco do Brasil passaram a aceitar como comprovante de renda formal os demonstrativos de pagamento que os motoristas recebem das plataformas para as quais prestam serviços.
Embora tentem justificar a mudança como um “aperfeiçoamento”, o que os bancos públicos estão fazendo é relaxar a análise de crédito, tratando como se formal fosse uma fonte de renda altamente inconstante e volátil.
Nada garante que um motorista de aplicativo mantenha a frequência da renda considerada no momento em que obteve o empréstimo para a compra de um veículo novo aprovado pela Caixa ou pelo Banco do Brasil. É verdade que o trabalhador formal também pode perder o emprego de um mês para o outro. Mas ele ainda conta com os recursos da rescisão de contrato, bem como com o FGTS.
Ademais, a análise rigorosa de crédito é uma ferramenta essencial para que os juros já elevados cobrados no Brasil não subam ainda mais.
Para o governo, porém, só o desembolso do total de R$ 30 bilhões reservado para o Move Motoristas parece importar, como deixou claro o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante. “Estamos adotando melhorias que estão nos permitindo avançar no ritmo de aprovações”, afirmou.
A instrumentalização de bancos públicos para concessão de crédito direcionado no Brasil não é novidade. Mas reavivá-la, a despeito do recente e trágico legado que tal ação legou ao País, é um verdadeiro descalabro.

