BMG é multado em R$ 1 milhão por práticas abusivas contra idosos em quatro cidades do Ceará
Escrito por Bergson Araujo Costa/ DIARIONORDESTE
O Banco BMG foi multado em R$ 1.300.055,81 pelo Ministério Público do Ceará (MPCE), nesta terça-feira (11), por práticas abusivas em operações de crédito e cartão de crédito consignados nas cidades de Fortaleza, Caucaia, Aquiraz e Horizonte.
A ação do MPCE foi deflagrada por meio do Programa Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Decon). As sanções foram aplicadas após 25 decisões administrativas proferidas entre julho e agosto de 2026.
A maioria dos casos envolve pessoas idosas, consideradas ainda mais vulneráveis nesses contextos, conforme o órgão.
Ao Diário do Nordeste, o Banco BTG afirmou que atua em conformidade com a legislação e a regulamentação aplicáveis às operações de crédito e cartão de crédito consignados, mantendo o compromisso com a transparência e a segurança em suas contratações.
“Em relação às decisões administrativas mencionadas, o banco informa que está avaliando o tema e adotará as medidas jurídicas cabíveis. O BMG reitera a regularidade de suas práticas e a adoção de rigorosos mecanismos de monitoramento contínuo das operações e aprimoramento permanente de seus controles.”, disse ainda a instituição.
EMPRÉSTIMOS E COBRANÇAS
Entre as ocorrências apontadas estão empréstimos não reconhecidos, cobranças indevidas, cartões contratados sem autorização, renovação automática de contratos e descontos mantidos mesmo após a quitação das dívidas.
O órgão também identificou falhas na comprovação da contratação das operações e na prestação de informações aos clientes. Em alguns casos, os valores foram descontados diretamente de benefícios previdenciários ou rendimentos.
“O MP apurou que algumas das vítimas afirmaram desconhecer os contratos e demonstraram surpresa com os descontos em seus benefícios, que, para grande parte desse público, representam a principal fonte de renda”, informou o MPCE.
As multas foram aplicadas com base no Código de Defesa do Consumidor, levando em conta a gravidade das condutas, a reincidência e os prejuízos causados. O Banco BMG foi notificado e pode recorrer das decisões na esfera administrativa.
Lula, o ‘inocente’
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, numa entrevista ao podcast Inteligência Ltda., que não contratou um advogado criminalista para defendê-lo na Lava Jato porque “criminalista não sabe defender inocente, criminalista defende bandido”.
A declaração do petista é tão eivada de absurdos que causou justa indignação entre advogados. Dela se depreende que, na concepção de Lula, advogados criminalistas se dedicam apenas a tentar livrar criminosos da cadeia, e não a garantir ao acusado de um crime o amplo direito de defesa, conforme assegurado pela Constituição.
Lula tampouco reconhece a presunção de inocência de todo acusado. Para o presidente, ao que parece, a culpa de qualquer réu na esfera criminal já está estabelecida no instante da acusação, cabendo ao advogado criminalista, presume-se, somente a missão de tentar engabelar os que vão julgar seu cliente para evitar que ele seja preso.
Esqueceu-se, o presidente, que ele mesmo foi defendido por um dos mais brilhantes criminalistas da história brasileira, Heleno Cláudio Fragoso, nos anos 1980 – época em que, então líder sindical, Lula foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional e julgado pela Justiça Militar por agitar greves.
Outro importante criminalista, Márcio Thomaz Bastos, teve papel decisivo na trajetória política de Lula. Sem cobrar honorários, Thomaz Bastos também defendeu Lula e o PT durante o regime militar e acabou se tornando um dos maiores amigos e conselheiros do futuro presidente da República – este que agora deu de destratar advogados criminalistas como o já falecido Thomaz Bastos, que deve estar se revirando no túmulo.
A ânsia de Lula de se declarar inocente é tanta, contudo, que ele nem sequer pensa nas consequências do que diz. Ao afirmar que não queria ser representado por um advogado criminalista na Lava Jato porque criminalistas “não sabem defender inocente, criminalistas defendem bandido”, Lula quis dizer que, como inocente, não precisava de advogados que “defendem bandidos”.
Esqueçamos, por um instante, que Lula não foi inocentado de coisa nenhuma e que seu processo foi anulado porque o Supremo Tribunal Federal (STF) entendeu, cerca de quatro anos depois do início do caso, que o foro que julgou o petista não era o adequado. Esqueçamos que o STF, ao longo desses quatro anos, sentou em cima da tese da defesa de que o foro não era adequado. Fixemo-nos apenas na ideia de que, para Lula, quem tem advogado criminalista é porque não é inocente.
Eis aí uma dupla ofensa do presidente: aos advogados criminalistas e aos milhões de cidadãos brasileiros acusados de crimes e que, conforme a Constituição, só podem ser considerados culpados depois de submetidos a julgamento justo, no qual tenham tido amplo direito de defesa.
Como lembrou o advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira em uma “carta aberta ao presidente Lula”, “há uma presunção, que deveria ser de seu conhecimento, que é a da inocência”, razão pela qual os advogados criminalistas são “porta-vozes dos direitos constitucionais dos acusados, culpados ou inocentes, santos ou demônios”. Lula, que está longe de ser santo, deveria ser o primeiro a saber disso.
O sumiço das candidatas
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
O fim do prazo das convenções partidárias revelou um grave retrocesso na política brasileira. Pela primeira vez desde 2002 provavelmente não haverá uma mulher sequer em uma chapa presidencial competitiva. Apenas duas mulheres estão na disputa, mas em uma composição com ao menos 1% de intenção de voto em pesquisas: Samara Martins e sua vice, Raquel Bricio, da Unidade Popular. No mínimo, esse dado deveria constranger. Afinal, trata-se de um país em que 53% do eleitorado é feminino.
Não se trata de discutir se este ou aquele partido discrimina mulheres nem de atribuir responsabilidades individuais por um problema que atravessa praticamente todo o sistema político, há gerações. O fato é que uma democracia não pode considerar normal que metade da população desapareça justamente da disputa pelo cargo mais importante da República. A ausência de mulheres competitivas na corrida presidencial expõe um déficit de representação que a democracia brasileira já não pode tratar como algo natural.
Nas últimas décadas, vieram cotas de candidaturas, novas regras para distribuição dos fundos públicos de campanha, mudanças na propaganda e punições às candidaturas fictícias. Independentemente do juízo sobre essas medidas, a barreira que afasta mulheres do topo da política permaneceu praticamente intacta.
Um dos problemas identificáveis está na estrutura dos partidos. São eles que recrutam lideranças, distribuem recursos, oferecem visibilidade e decidem quem terá condições reais de disputar os cargos majoritários. São eles que definem quem chega – e quem não chega – à mesa onde se escolhe um candidato à Presidência da República.
Mesmo quando conquistam densidade política, mulheres continuam esbarrando em uma barreira justamente na hora de disputar o posto mais alto do País. Com frequência aparecem como potenciais candidatas a vice-presidente, mas raramente são tratadas como opções naturais para liderar uma chapa presidencial.
A eleição deste ano oferece bons exemplos. No PL, Michelle Bolsonaro chegou a ser defendida por aliados como cabeça de chapa e como vice. A senadora Tereza Cristina (PP-MS) também apareceu como um dos nomes mais competitivos para compor uma candidatura presidencial. Nenhuma das duas prosperou. Flávio Bolsonaro (PL) acabou escolhendo um homem para vice. No PT, apesar de voltar a disputar a Presidência pela sétima vez, Lula novamente terá Geraldo Alckmin (PSB) ao seu lado, sem que o partido sequer tenha discutido publicamente uma alternativa feminina para a chapa. Em diferentes partidos, da direita à esquerda, mesmo mulheres politicamente consolidadas continuam encontrando dificuldade para chegar ao posto mais alto da disputa eleitoral.
A forma como os partidos reagiram às próprias regras de incentivo à participação feminina ajuda a entender esse problema. Quando essas medidas começaram a produzir efeitos concretos sobre a distribuição dos recursos, cresceu também o esforço para flexibilizar. PT, PL e outras legendas defenderam junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em meados do ano, que as candidaturas majoritárias fossem excluídas do cálculo das cotas destinadas a mulheres e negros. Soma-se a isso a anistia aprovada pelo Congresso para legendas que descumpriram essas exigências no passado recente. O discurso de valorização das mulheres não resiste quando ameaça a distribuição de poder e de recursos dentro dos próprios partidos.
O desaparecimento das mulheres da principal disputa eleitoral do País não é apenas uma curiosidade estatística. Ele é prova cabal de que a política continua a ter dificuldades para reconhecer lideranças femininas como candidatas naturais ao exercício do poder.
Recentemente, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia observou que só haverá plena igualdade quando ninguém estranhar um Supremo formado apenas por mulheres. A provocação vale para a política. O problema não é a falta de mulheres capazes de governar. É que a política brasileira fecha as portas das mulheres aos espaços de poder.
A razão, felizmente, prevalece
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
As longas filas que se formam nos postos de saúde de São Paulo nos últimos dias, quem diria, são motivo de alívio, não de apreensão. Desde sábado passado, no primeiro fim de semana da campanha de vacinação contra o sarampo, é grande a procura por esse e outros imunizantes. Na véspera, 109.584 doses de vacinas foram aplicadas em um único dia – 84.632 delas exclusivamente contra o sarampo. A Prefeitura de São Paulo, que já vacinava em estações de metrô, estendeu a operação para supermercados, padarias, academias e shoppings, num esforço logístico digno de um serviço da mais relevante utilidade pública.
Essa resposta da população, a um só tempo disciplinada e altruísta, tem duplo valor: atesta que os paulistas confiam nas vacinas como um escudo contra doenças preveníveis e prova, por nítido contraste, que o negacionismo científico segue circunscrito às obsessões das franjas mais radicalizadas do bolsonarismo, hoje personificadas na triste figura do deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
Fez muito bem o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), ao reagir a um vídeo em que Eduardo, foragido da Justiça nos Estados Unidos, celebrou ter assinado, em uma agência postal do Texas, onde vive, uma isenção que exime sua filha de apresentar comprovante de vacinação para ser matriculada na escola. Questionado sobre o desatino do aliado político, Tarcísio não poderia ser mais direto. “A vacina do sarampo é consagrada e segura. A gente tem feito um esforço muito grande aqui em São Paulo para aumentar a cobertura vacinal”, disse o governador, que ainda recomendou que todos os cidadãos elegíveis procurem os postos de vacinação.
Eduardo não chafurda sozinho no esgoto da desinformação. Dias antes, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também publicou um vídeo distorcendo completamente a audiência do imunologista Anthony Fauci no Senado dos Estados Unidos, tratando perguntas de senadores hostis a Fauci como veredicto científico e o silêncio do depoente como confissão. Nikolas regurgitou a suposta eficácia da cloroquina e da ivermectina contra a covid-19, sepultada por ensaios clínicos robustos, e insinuou que um problema de saúde que acometeu o próprio Fauci, meses após a vacinação, seria efeito colateral oculto. O parlamentar mineiro, é evidente, não apresentou uma nesga de evidência que sustentasse suas acusações. Nem precisava. A intenção desses irresponsáveis não é provar coisa alguma, mas sim disseminar a dúvida, base psicológica para teorias da conspiração que excitam as mentes bolsonaristas.
Vale lembrar de onde vem essa marcha da insensatez. A condução da pandemia de covid-19 pelo governo Jair Bolsonaro custou mais de 700 mil vidas brasileiras – número que seguramente seria menor se o então presidente da República tivesse colocado vacinas à disposição da população e incentivado a vacinação, em vez de zombar dos doentes. Não é à toa que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, tentou se livrar dessa pesadíssima herança ao dizer que é “o Bolsonaro que tomou vacina” contra a covid-19. Mas o irmão Eduardo tratou de mostrar que os Bolsonaros são incorrigíveis.
A segurança das vacinas não é tema de debate sério há muito tempo. É consenso médico e social há décadas. Mesmo no auge da pandemia, com o então presidente da República fazendo campanha abertamente contra a imunização, o negacionismo não convenceu a maioria dos brasileiros a abandonar o autocuidado e o compromisso cívico com a construção da imunidade coletiva. A verdade dos fatos aí está para demonstrar que, tão logo as vacinas contra a covid-19 começaram a ser aplicadas no País, começou o descenso do número de óbitos em decorrência da doença.
Agora, sem o Palácio do Planalto a seu favor e com Eduardo insistindo em retomar, a distância, um tema altamente tóxico para o sobrenome Bolsonaro, o discurso antivacina cola ainda menos – e o preço político dessa obsessão recairá sobre Flávio Bolsonaro. Mas isso é problema dessa desajustada família. À luz do interesse público, as filas nos postos de saúde de São Paulo provam que a razão, felizmente, prevalece.
Fachin acerta ao envolver Congresso na discussão dos ‘penduricalhos’
POR EDITORIAL DE O GLOBO
É bem-vinda a proposta do ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça, de enviar ao Congresso um Projeto de Lei (PL) para disciplinar a remuneração de juízes e desembargadores. Em junho, Fachin havia criado um grupo de trabalho para discutir os “penduricalhos”, as verbas extras que inflam os salários da elite do funcionalismo além do teto constitucional. A minuta do projeto, disse ele, deverá estar pronta até o fim do ano.
Cabe ao Congresso fixar regras claras, sensatas e transparentes para a remuneração do funcionalismo, especialmente da magistratura e do Ministério Público, onde se concentram os supersalários. Daí a importância de um PL para regulamentar a questão. A iniciativa anunciada por Fachin é uma oportunidade de envolver os parlamentares na discussão. Todos parecem concordar que há uma distorção descabida nos salários pagos à elite do funcionalismo. Mas é preciso passar do discurso à prática.
Enquanto o Congresso se mantinha alheio a sua responsabilidade, o Supremo tentou disciplinar a questão. Em março, a Corte fixou, de forma consensual, uma série de regras para a remuneração de magistrados e integrantes do Ministério Público. Pareceu um avanço em relação à obscuridade que imperava, refletida na profusão de penduricalhos, boa parte injustificáveis, abrigados sob mais de 3 mil denominações. Infelizmente, em meio à pressão para deixar tudo como estava, a decisão se revelou frustrante.
Em vez de impor o cumprimento do teto, a Corte preferiu ampliá-lo. Estabeleceu que os “penduricalhos”, considerando gratificações por tempo de serviço e verbas indenizatórias autorizadas, não poderiam ultrapassar 70% do teto. Ora, na prática, ampliou o teto nessa proporção, para R$ 78,9 mil. Pior: a decisão ressuscitou a promoção automática a cada cinco anos, o famigerado quinquênio, extinto no serviço público havia quase duas décadas.
O Supremo não resolveu o problema — e aumentou a confusão. A despeito da deferência com a magistratura e o Ministério Púbico, ninguém ficou satisfeito, muito menos a sociedade, que arca com o custo. Entidades de classe se queixaram de redução de vencimentos, embora as verbas indenizatórias não existam para engordar salários já bastante generosos. Como se previa, outras categorias se mobilizaram para reivindicar na Justiça as mesmas benesses. E proliferaram manobras para burlar as novas regras, até mesmo no Tribunal de Contas da União, a quem caberia zelar pelo seu cumprimento.
O PL dos “penduricalhos” pode dar uma contribuição importante ao país. Fachin diz que é preciso aperfeiçoar os mecanismos de transparência e “encontrar soluções públicas justas e fiscalmente sustentáveis para questões estruturais do Estado brasileiro, inclusive no que diz respeito ao regime remuneratório da magistratura”. Está certo. Mas é necessário que a proposta reflita as demandas da sociedade, e não as da elite privilegiada do funcionalismo.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/03/08/2026
‘Bondade’ eleitoreira de Lula resulta em má gestão da dívida
Por Editorial / O GLOBO
As “bondades” eleitoreiras que o governo anunciou desde o ano passado já resultaram, só no primeiro semestre, em estímulo à economia de R$ 149 bilhões (ou 1,1% do PIB) na forma de empréstimos ou linhas de crédito. O valor, calculado pela consultoria BRCG a pedido da reportagem do GLOBO, representa quase tudo que o governo concedeu em medidas dessa natureza no ano passado.
Como o dinheiro é emprestado a taxas mais baixas do que as pagas pelo Tesouro ao captar recursos no mercado, a generosidade resulta em prejuízo aos cofres públicos. Além disso, o estímulo exerce pressão sobre a inflação, obrigando o Banco Central a manter os juros mais altos do que seria necessário em condições de equilíbrio — e forçando o governo a pagar ainda mais pelo dinheiro que toma emprestado. Tudo somado, a má gestão financeira deverá aumentar a dívida pública em 10 pontos percentuais do PIB ao longo dos quatro anos do atual mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O cálculo da BRCG leva em conta novas linhas de crédito, ampliação de existentes, aportes a fundos garantidores e programas emergenciais. São medidas classificadas como parafiscais, pois não entram no cálculo das metas previstas no arcabouço fiscal, que consideram receitas do governo menos despesas, sem contar despesas financeiras. É verdade que nem todo o crédito anunciado pelo governo acaba contratado. O Move Brasil, destinado à compra de carros novos por taxistas e motoristas de aplicativos, até agora só concedeu pequena parte do dinheiro disponível. Mas, quando os créditos são concedidos, representam perda para a União. A frequência irresponsável com que o presidente Lula tem recorrido a tal instrumento revela seu descaso com a dívida pública.
Em março, o governo retomou o programa de crédito barato do BNDES para empresas exportadoras. Em abril, ampliou o Minha Casa, Minha Vida, criou financiamento para empresas aéreas, anunciou crédito para máquinas e implementos agrícolas e aumentou o programa para compra de ônibus e caminhões. Começou maio com renegociação de dívidas para famílias, estudantes com débitos no Fies, agricultores e empresários de micro e pequenas empresas e seguiu com corte de juros para reformas habitacionais e crédito para segurança pública. De lá para cá, lançou o Move Brasil e o programa de renegociação de dívidas para quem está em dia com as prestações.
Programas que não puderam ser executados no primeiro semestre, como esta última renegociação de dívidas em dia, não entraram na estimativa. Também ficaram fora o fim da “taxa das blusinhas” e “bondades” concedidas por outro meio que não empréstimos. O custo total da incúria fiscal de Lula é, portanto, ainda maior.
Ainda que algumas medidas possam se justificar — nenhum governo ficaria inerte depois do tarifaço americano contra exportações brasileiras —, a resposta de emergência deveria ser calculada para evitar danos maiores à economia. Um governo responsável adotaria as medidas cabíveis, cortando verbas de outros programas ou cancelando lançamentos previstos. Não foi o que aconteceu. Pelo contrário. Lula pisou fundo no acelerador. As “bondades” eleitoreiras agravam a crise fiscal que o próximo presidente, seja quem for, herdará. A saúde dos cofres públicos deveria ser assunto central na campanha eleitoral.
O presidente Lula e o ministro Dario Durigan no anúncio do novo Desenrola — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

