Bolsonaro e a nova ordem de comunicação política
Em artigo sobre as eleições deste ano, o jornalista Demóstenes Batalha avalia o modelo de campanha implantado pelo presidente eleito. Confira:
A visão profissional das eleições me esclarece que a forma do político se comunicar com seu público mudou . Bolsonaro saltou de 212 mil seguidores no Facebook, em 2014, para os atuais oito milhões.
Bolsonaro, com seu discurso, você gostando ou não, atraiu para si um público fiel, que o seguiu e trabalhou em sua campanha. Juntando todas suas redes sociais, são mais de 17 milhões de seguidores.
O capitão, o juiz e o bispo: a nova ordem que emerge da política do Rio
Thiago Prado /ÉPOCA
Uma entrevista do marqueteiro Renato Pereira para o jornal Folha de S. Paulo em outubro de 2014 foi considerada o melhor diagnóstico para explicar a derrota de Aécio Neves na corrida presidencial daquele ano. Pereira havia trabalhado com o tucano entre 2013 e 2014, mas divergências encerraram a parceria antes da campanha começar.
Especialmente no segundo turno, Aécio havia centrado toda a estratégia eleitoral em atacar a corrupção na Petrobras: “É um tema relevante para o eleitor que já priorizava o voto contra o PT. Aécio foi muito eficiente em pregar para os convertidos, mas para ganhar a eleição ele tinha que converter novos eleitores”, disse Pereira na ocasião, antes de tratar do antipetismo que já começava a dar as caras no Brasil. “Essa disputa com o PT torna o discurso eminentemente moldado por esse antagonismo. Isso acaba estreitando o alcance da mensagem”.
Senado vota nomeações sem consultar Bolsonaro
Coluna do Estadão
01 Novembro 2018 | 05h30
Mesmo com Jair Bolsonaro já eleito, o Senado está aprovando a toque de caixa indicações para cargos públicos feitas pelo governo Michel Temer, atendendo a pedidos de políticos da sua base de apoio. Nos últimos dois dias, o plenário aprovou extrapauta dez nomes para cargos em sua maioria com mandato, o que impede que o novo presidente os troque. Entre o primeiro e o segundo turno da eleição, o Senado montou quase toda a Agência Nacional de Mineração (ANM). Ontem, aprovou Victor Bicca para diretor-geral do órgão regulador.
Mais embaixo. A recém-criada ANM substitui o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). O órgão responsável por emitir autorizações de pesquisa e exploração mineral em todo o País terá todos os diretores indicados na gestão Temer.
Bolsonaro precisa de uma reforma pessoal
Roberto Macedo, O Estado de S.Paulo
01 Novembro 2018 | 03h00
Jair Messias Bolsonaro, capitão reformado do Exército, enfrentará em Brasília muitos e grandes problemas. Alguns, de enorme magnitude e de difícil solução, são carentes de reformas específicas, como a previdenciária e a tributária.
Mas ele precisa fazer também uma reforma de si mesmo, começando por cair na real e perceber que sua vitória não resultou de sua genialidade. Como disse o filósofo espanhol Ortega y Gasset, o ser humano é ele e as circunstâncias. Ou seja, suas ações pessoais são importantes, mas circunstâncias favoráveis ou não também podem contribuir, e muito, para seu sucesso ou fracasso. Bolsonaro foi claramente beneficiado por uma onda de descrença e desilusão com políticos tradicionais e com o lulopetismo. Essa onda veio também da insatisfação com a crise econômica, que entre outras mazelas trouxe enorme desemprego. Some-se a isso a corrupção endêmica, também envolvendo políticos, que, felizmente, passou a ser desnudada pelo Judiciário. E a falta de segurança que grassa pelo País, entre outros aspectos. Até a facada que sofreu em Juiz de Fora, um episódio lamentável, revelou-se circunstância favorável, pois estimulou a compaixão e a solidariedade de muitos eleitores e o poupou de debates de alto risco com outros candidatos.
Bolsonaro entregará a Moro o que o juiz solicitar
Jair Bolsonaro pavimentou com esmero o caminho para atrair Sergio Moro. Quer porque quer tê-lo como ministro da Justiça. Bolsonaro equipou-se para entregar a Moro o que ele pedir: desde o comando absoluto da Polícia Federal e de outros órgãos de controle até o apoio do governo a medidas legislativas anticorrupção. O juiz sinalizou o desejo de aceitar o cargo.
A eventual conversão de Moro em ministro é muito boa para Bolsonaro. Mas é péssima para o juiz e também para a Lava Jato. A operação está longe do fim. Há sobre a mesa do juiz um sem-número de processos pendentes de julgamento, entre eles dois envolvendo Lula, que tem depoimento marcado para novembro.
Moro está na bica de fornecer mais matéria-prima para os ataques do PT. Lula foi preso seis meses antes do primeiro turno. A ordem traz a assinatura de Moro. Na reta final do segundo turno, ganhou as manchetes a delação companheira de Antonio Palocci. O despacho foi rubricado por Moro. Lula diz que Moro faz justiça, mas política. Se virar ministro de Bolsonaro, o agora quase ex-ministro se autocondenará a passar o resto da vida dando explicações. JOSIAS DE SOUZA


