Virando a página - MERVAL PEREIRA
O primeiro a sacar que o ano de 1968 terminou no Brasil no seu cinqüentenário foi Elio Gaspari. “(...) Nesta, (eleição) derrubou peças de dominó. (...) Talvez o ano de 1968 tenha terminado no Brasil durante seu cinquentenário. (A bandeira “Seja Marginal, Seja herói”, de Hélio Oiticica, é de 68.)”.
Na seqüência, o economista Carlos Ivan Simonsen Leal, presidente da Fundação Getulio Vargas, em palestra na Brazilian-American Chamber of Commerce, em Nova York, disse que o novo governo eleito representa uma ruptura com a mentalidade que direita e esquerda sustentavam até então, com origens em 1968.
“Há uma esquerda e uma direita que pensam que nós estamos em 1968, que o melhor negócio do mundo é uma siderúrgica. E não é a siderúrgica. O lucro anual da Google compra uma siderúrgica”, diz. “Por que não somos capazes de fazer um Google? Inovação, mercado de capitais e insuficiência de crédito”.
Bolsonaro e a Constituição
Mesmo sendo Constituição madrasta do cidadão e mãe carinhosa da elite política, Bolsonaro fez muito bem em afirmar que ela é seu único norte para calar maledicentes que o insultam de autoritário
José Nêumanne
07 Novembro 2018 | 16h42
No dia seguinte a seu encontro na celebração da Constituição, Bolsonaro foi recebido por Temer em palácio. Foto: Joédson Alvess/EFE
Celebração do 30.º aniversário da Constituição foi um show de hipocrisia, cinismo e fantasia, pois a aniversariante não tem nada de “cidadã”, como a definia um de seus autores, Ulysses Guimarães, mas um manual de autodefesa de uma classe politica safada e corrupta, tendo sido a mãe de todas as crises do Brasil e uma madrasta para a democracia, que vive sob sua égide. De todos os oradores salvou-se o presidente eleito, Jair Bolsonaro, que faz muito bem em nos ensinar que há três nortes, mas o texto que rege o Estado de Direito é o único norte verdadeiro para ele. Se não o fizesse, sofreria uma saraivada de acusações caluniosas de que a golpeou com a ajuda de quase 58 milhões de cidadãos.
Festa no Congresso escancara a falta de líderes
Reuniram-se no plenário do Congresso nesta terça-feira as principais autoridades da República. Foram festejar o aniversário de 30 anos da Constituição. A solenidade ocorreu num instante em que o país vive tempos extraordinários. Tempos assim costumam produzir líderes extraordinários. Onde estão eles agora?, poderia perguntar qualquer brasileiro que lançasse um olhar em direção à mesa de autoridades. Lá estavam:
Buraco no caminho do eleito
O Estado de S.Paulo
05 Novembro 2018 | 04h30
O maior buraco no caminho do presidente eleito é por enquanto um déficit de R$ 326 bilhões nas contas do governo central, saldo acumulado de janeiro a setembro. Esse valor corresponde a 6,40% da produção brasileira de bens e serviços, isto é, do Produto Interno Bruto (PIB). Olhar para o mundo rico ajuda a perceber o tamanho do problema. A Comissão Europeia rejeitou a proposta de orçamento da Itália para 2019, porque o déficit previsto é igual a 2,40% do PIB. Poderá haver festa em Brasília quando o balanço da União chegar a esse ponto. O rombo do governo central corresponde, proporcionalmente, a 2,67 vezes o previsto no plano italiano. Até o réveillon a crise das contas públicas poderá piorar no Brasil. Restam dois meses, até a posse, para o eleito e sua equipe se prepararem. Até lá, poderão tentar diminuir o desajuste, com ajuda do governo atual e do Congresso. Uma boa iniciativa seria cuidar da reforma da Previdência.

