Na sala com a família Bolsonaro
RIO — O Ministério da Família, que o novo governo federal discute implantar como um dos pilares da reconstrução moral do país, se faz urgente pelo exemplo simbólico de que é preciso primeiro botar ordem na própria casa do cidadão. Reina o caos na vida doméstica brasileira. Ninguém sabe mais a hora da janta, quem leva o cachorro para passear ou o número exato de relações a partir do qual o sexo sai das santas obrigações maritais e extrapola desavergonhadamente para a mais pura gandaia. O Ministério da Família era o que o Brasil precisava.
É relativo - FERNANDA YOUNG / o globo
Não sou dada a relativizar, sempre me soa como um artifício conformista. “É, você perdeu a unha, mas pensa bem: podia ser o dedo.” Quando eu tive filhas gêmeas, e vivia exausta, minha mãe dizia: “Podiam ser três, que nem a Fátima Bernardes”. Verdade. Mas, se esse recurso acalma alguém, não é a mim. Terei de usá-lo, porém, diante da situação política atual.
O voto é uma decisão subconsciente. Numa eleição, um país revela muito mais que suas preferências ideológicas — revela sua psiquê.
O mesmo erro - MERVAL PEREIRA
A última vez que isso aconteceu foi em 2003, quando houve uma troca de guarda na política brasileira, saindo o PSDB que governara o país por 8 anos, chegando o PT.
Os que saiam cometeram o mesmo erro que os perdedores de agora, jogavam no fracasso dos entrantes. Era voz corrente entre tucanos que Lula e seus sindicalistas, por falta de experiencia, não conseguiriam governar sozinhos e procurariam os primos da social-democracia para uma ampla aliança política. O mesmo Aloisio Mercadante que levou o PT a não apoiar o Plano Real, chamando-o de estelionato eleitoral, agora comanda a estratégia de acusar Moro por ter aceitado ser ministro de Bolsonaro.
Quase metade dos brasileiros não controla seu orçamento
Além de essencial para se organizar em todas as fases da vida, planejamento financeiro também é opção de carreira

Lidar com o dinheiro sem ter controle sobre os gastos e ganhos é como viajar sem saber o destino nem como chegar lá: as chances de se perder no meio do caminho são grandes. Essa é a situação de 46% dos brasileiros, segundo pesquisa divulgada em março pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL).
Hora de união - Rodrigo Constantino
Não adianta mais chorar, espernear, gritar “ele não”: Bolsonaro será o próximo presidente do Brasil. A esquerda terá que aprender a conviver com isso. Mas, se a experiência com Trump serve de aprendizado, podemos esperar uma postura infantil, contraproducente e desonesta de boa parte dessa turma.
O primeiro discurso de Fernando Haddad após a derrota deu o tom: incapaz de uma reflexão sincera sobre o que aconteceu, o petista preferiu a ameaça, a deselegância e a campanha política. Mano Brown e Cid Gomes entenderam melhor o que se passou. O PT perdeu o contato com o povo, e se nega a fazer uma autocrítica sincera.
A imprensa, em sua bolha “progressista”, também deveria escutar o recado das urnas. O Brasil não quer ser vermelho. Optou por uma guinada conservadora, e em qualquer democracia é legítimo e saudável alternância de poder com viés ideológico. Após anos de hegemonia esquerdista, o povo clamou por mudanças. Isso deve ser respeitado.

