Bolsonaro representa uma forma de virar a mesa
André Vargas / ISTOE
Observador da realidade brasileira desde 1979, quando voltou do exílio após a Anistia, o mineiro Fernando Gabeira, 77 anos, foi jornalista, ativista e político, voltando ao jornalismo após o fim de seu quarto mandato como deputado federal pelo Rio de Janeiro, em 2011. Desde 2013, ele apresenta um programa de reportagens que leva seu nome no canal GloboNews. Com passagens pelo Partido Verde (PV), que ajudou a fundar, e Partido dos Trabalhadores (PT), com o qual rompeu, Gabeira crê na reconstrução da esquerda brasileira e dos movimentos sociais sem as amarras petistas. Dono de uma lucidez crítica e desprovida de pudores ideológicos, ele falou sobre os acertos da campanha de Bolsonaro, as conexões de seu populismo com o de Donald Trump, o surgimento de uma nova direita via redes sociais, a relevância do jornalismo diante das fake news e o papel dos militares no novo governo.
O cartel da carteira escolar - ISTOÉ

A Lei das Licitações foi criada para dificultar fraudes em negociações envolvendo a administração pública e a iniciativa privada. O problema é que ao longo do tempo tanto empresários quanto administradores corruptos aprenderam a trabalhar nas brechas da lei, comprometendo a legalidade do processo. É o que vem acontecendo no Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) desde 2009, no governo Lula. Uma regra incluída nos processos de licitação para compra de mobiliário permitiu a formação de um verdadeiro cartel da carteira escolar, que impede a entrada no ramo de qualquer empresa nova.
Repetindo a regra, o edital 10/2017 determinou que os protótipos de mesas e cadeiras, que seriam apresentados à banca examinadora, teriam de ser feitos exclusivamente com matérias-primas de seis fornecedoras credenciadas na entidade, apesar de haver uma infinidade de outras opções no mercado.
A nova ceia da esquerda sem o PT - ISTOÉ
Rudolfo Lago, Ary Filgueira e Wilson Lima
A chuva batia forte. Das telhas do prédio térreo da sede do PDT em Brasília ecoava um som retinente, por vezes quase ensurdecedor. De pé na ponta de uma ampla mesa na qual almoçavam cerca de 40 pessoas – os principais dirigentes do partido e os atuais e novos deputados e senadores -, Ciro Gomes enfrentava o barulho torrencial com um discurso entusiasmado.
“Estamos com a faca e o queijo nas mãos”, disse ele na tarde da quarta-feira 7.“Iniciamos a construção de uma alternativa progressista não petista para a sociedade”. Ao final, o presidente do PDT, Carlos Lupi, entoou um “parabéns a você”. Na véspera, fora aniversário de Ciro. O político paulista, mas de sotaque cearense, completou 61 anos à frente daquela que pode ser a sua maior tarefa: liderar um movimento de oposição com a capacidade de redimir e consertar os graves erros cometidos pelo PT durante o período em que atuou para ser hegemônico sobre todos os demais agrupamentos de centro-esquerda do País.
A volta dos que não foram - ISTOÉ
Ary Filgueira / ISTOÉ
Nas últimas semanas, a classe universitária vem sendo alvo de críticas. Alguns desses ataques podem ser considerados abusivos, como as ações policiais em campus para averiguar denúncias de uso político-partidário das instituições. Ou a iniciativa da deputada estadual Ana Caronline Campagnolo (PSL-SP), que pediu a alunos que gravassem professores que fizessem manifestações de cunho ideológico. Contra o meio acadêmico, porém, há o fato de que professores se valem de suas prerrogativas para buscar privilégios negados ao restante da sociedade. Atitudes que em nada contribuem para a defesa da categoria.
A expulsão petista - CARLOS JOSÉ MARQUES
O fenômeno era absolutamente previsível: o Partido dos Trabalhadores está sendo alijado do comando da oposição. Colocado de lado, evitado como se representasse um verdadeiro cancro da política. E não poderia ser diferente. Ainda que tardiamente, a esquerda começou a perceber o óbvio: relativizar a ética em prol da ideologia custou o apoio dos eleitores nas urnas.
O brasileiro não está disposto a dar cheque em branco e conceder alforria a quem se lambuza na corrupção. Por isso mesmo o PT vem sendo banido do paraíso político. Deve espiar seus pecados e culpas antes de alcançar a graça do perdão popular. Não fez isso e segue no purgatório. O hegemonismo que a agremiação de Lula queria impor às demais siglas está indo pelo ralo depois da acachapante derrota eleitoral.
Erros e acertos
Eliane Cantanhêde, O Estado de S.Paulo
O aumento dos salários dos ministros do Supremo foi a primeira derrota imposta pelo Senado ao governo Jair Bolsonaro, antes mesmo da posse, mas o tiro saiu pela culatra. O aumento atiçou a irritação popular contra o Congresso e os partidos. Bolsonaro ficou do “lado certo”, os políticos, do “lado errado”.
Dinheiro para saúde, educação, saneamento, cultura e infraestrutura não há, mas para marajá do serviço público nunca falta. E o aumento do Supremo tem um efeito cascata que inunda todos os poderes e unidades da federação, com impacto danoso num déficit já pavoroso e no estado fiscal lamentável dos estados.
Derrota de Bolsonaro? Ou derrota do Brasil, do contribuinte, dos investimentos, da responsabilidade fiscal, do Congresso? O presidente Michel Temer, que poderia corrigir o erro, não pode nem o fará, porque já vinha negociando o aumento há meses com o presidente do STF, Dias Toffoli.

