Câmara retoma debate sobre Lei Antiterrorismo e tenta ajustar foco para facções e milícias, sem repetir impasses da era Bolsonaro
Por Luísa Marzullo — Brasília / O GLOBO
Na esteira da megaoperação que mirou em integrantes do Comando Vermelho no Rio, ganhou força na Câmara um projeto que equipara a atuação de facções criminosas e de milícias ao terrorismo. A proposta, que ganhou regime de urgência em maio — o que permite votação diretamente no plenário da Casa —, amplia os critérios adotados na legislação atual para enquadrar um ato como de terror.
Com a segurança pública no foco do debate público, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou a aliados que pretende levar o texto a voto na segunda semana de novembro. O atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), deverá reassumir o mandato na semana que vem para relatar a proposta.
Como é hoje:
A atual Lei Antiterrorismo, de 2016, para que uma conduta criminosa possa ser considerada como terrorista é preciso haver uma razão que envolva xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.
O que diz o projeto:
A proposta inclui no rol de motivações "impor domínio ou controle de área territorial", em referência direta às facções que dominam comunidades e impõem regras próprias.
Além disso, o texto passa a considerar como ato terrorista "apoderar-se, sabotar, inutilizarm impedir ou interromper o funcionamento" de serviços de utilidade pública, como telefonia e transporte público. A ideia é coibir práticas como cobrança de taxas abusivas de moradores para que tenham acesso a internet ou mesmo para comprar botijão de gás.
O projeto ainda inclui na legislação um parágrafo que prevê a aplicação das regras "às organizações criminosas e às milícias privadas que realizem um ou mais atos de terrorismo com o objetivo de retaliar políticas públicas, ou como forma de demonstrar domínio, controle social ou poder paralelo ao Estado em qualquer espaço territorial".
O que muda na prática:
Classificar uma ação ou grupo como terrorista eleva o grau de punição e amplia as ferramentas de investigação. O enquadramento previstos para atos desse tipo vão de 12 a 30 anos, além de transferir a apuração para a esfera federal, sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
Ao enquadrar as facções criminosas como terroristas, a lei também ampliaria as possibilidades de cooperação internacional e bloqueio de bens com base em tratados multilaterais.
Embora o texto não altere esses mecanismos, a mudança de tipificação tem també peso simbólico: o grupo passa a ser tratado como ameaça à segurança nacional, o que afeta desde a forma de investigação até o discurso público sobre sua atuação.
Tentativa de mudar lei no governo Bolsonaro
A ampliação da Lei Antiterrorismo chegou a ser discutida no passado, durante o governo de Jair Bolsonaro, mas não avançou após resistências por parte da esquerda. Na época, a iniciativa foi tratada como uma tentativa de criminalizar a atuação de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).
A versão de 2019, relatada pelo então deputado Major Vítor Hugo (PL-GO), incluia a criação de um órgão de contraterrorismo no país, infiltração de agentes, acesso rápido a dados e geolocalização, além de cooperação militar e internacional ampliada — o que na época foi classificado de "KGB do Bolsonaro".
Autor do projeto em discussão, o deputado Danilo Forte (União-CE), nega que a atual versão tenha como objetivo a aplicação da lei contra movimentos sociais e cita que os dispositivos previstos no texto têm como foco "organizações criminosas e milícias privadas". "Essa disposição assegura que a legislação antiterrorismo não será utilizada para coibir manifestações legítimas, que são parte essencial do exercício democrático e da liberdade de expressão", afirma o deputado na justificativa do projeto.
Governo é contra mudança na lei
Apesar da ressalva feita pelo autor do texto, a proposta reacende o temor de integrantes do governo e parlamentares aliados sobre o uso da legislação para criminalizar movimentos sociais. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT, classificou a proposta como um “retrocesso perigoso”:
— Isso é um absurdo completo e o governo vai orientar contrário. O terrorismo tem motivações políticas, ideológicas, o narcotráfico não. Digo que pode aumentar pena e fazer o que quiser, mas não misturar as coisas — disse o petista.
Para o governo Lula, há risco de distorção jurídica e de uso político da tipificação. A avaliação é que o conceito de terrorismo deve permanecer restrito a motivações políticas, ideológicas ou religiosas, como defendido pelo Brasil em foros internacionais.
O Itamaraty e o Ministério da Justiça já se opuseram, em gestões anteriores, a tentativas de incluir facções latino-americanas em listas de terrorismo — posição que o Planalto quer manter.
Outro ponto citado por governistas é que a designação de um grupo crimOnoso como terrorista poderia abrir brechas para intervenções externas no Brasil. Isso acontece porque, ao declarar oficialmente uma organização como terrorista, o Estado reconhece que ela constitui uma ameaça à segurança e, segundo tratados internacionais, poderia justificar uma ação como as realizadas pelos Estados Unidos em países como Paquistão, Iêmen e Somália.
Apoio do Centrão
A proposta ganhou fôlego nesta semana após uma reunião da bancada do PP com Derrite, que deve assumir a relatoria do texto. O partido sinalizou apoio integral à aprovação. Integrantes de União Brasil, MDB e PSD também se mostram favoráveis “sob reserva”, avaliando que a redação é equilibrada e não reproduz as distorções do projeto apresentado na gestão Bolsonaro.
— Nós teremos um aumento de pena exponencial, o aumento de pena encarecendo o custo do crime, que é algo que defendo há muito tempo. Estamos pensando no concurso material de crimes para pessoas que portam fuzis e que atuam no tráfico de drogas, para que as penas possam ser acumuladas — afirmou Derrite.
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), um dos defensores da medida, diz que o foco deve ser o poder paralelo exercido por facções, e não a motivação política. — Não é a intencionalidade, se é política ou é religiosa, é a forma como o crime é cometido, pela ofensividade e pela letalidade, como prevê a legislação de outros países. Além disso, nessas áreas os criminosos assumem as funções do Estado, cobram pela internet, pela água, pela luz, pelo gás, decidem quem entra e quem sai. Quem assume funções do Estado comete o crime de terror — afirmou o parlamentar.
O projeto de Danilo Forte altera a legislação para incluir o “controle de área territorial” como motivação de atos terroristas, define o que são infraestruturas críticas — portos, aeroportos, hospitais, escolas, instalações de energia, telecomunicações, bancos e data centers — e cria uma majorante de 1/3 para ataques realizados por meio digital.
Também estende a aplicação da lei a organizações criminosas e milícias que pratiquem atos de terror “para retaliar políticas públicas ou demonstrar poder paralelo”, preservando a cláusula que exclui manifestações políticas e sindicais.
Danniel Oliveira defende aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional
Por Gleydson Silva / ALECE
Deputado Danniel Oliveira (MDB) - Foto: Paulo Rocha
O deputado Danniel Oliveira (MDB) defendeu, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quinta-feira (29/10), que a Câmara dos Deputados e o Senado aprovem, com urgência, a proposta de emenda à Constituição que trata da Segurança Pública no Brasil, visando combater a violência e o crime organizado no País.
De acordo com o vice-presidente da Alece, a Assembleia Legislativa não pode se furtar desse debate e pediu que todos os 46 deputados estaduais assinem um documento, a ser encaminhado ao Congresso Nacional, cobrando a tramitação rápida da PEC. “Eu não entendo por que uma matéria tão importante para o nosso País está engavetada no Congresso Nacional. O Governo Federal, os deputados e senadores precisam cobrar pela aprovação dessa PEC”, afirmou.
Para o parlamentar, a guerra entre polícia e traficantes no Rio de Janeiro, que resultou em dezenas de mortes, é um exemplo claro da necessidade de que haja uma integração das forças de segurança. “Não se pode, em uma ação como essa, o governador responsabilizar o Governo Federal — e vice-versa — enquanto a população ficar refém, sofrendo e acuada”, disse.
Danniel Oliveira destacou ainda que o Ceará saiu na frente, quando, em 2018, teve o lançamento do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Fortaleza, o primeiro do tipo no Brasil. Na avaliação do deputado, o modelo precisa ser replicado para todos os estados do País, para que as forças de segurança pública atuem de forma integrada no combate à violência.
“Não adianta só no Ceará termos um centro desse se nos outros estados não tiverem. A segurança pública precisa ser uma questão nacional, e para isso é necessária a integração de todos, União, Estado, Justiça e outros. A polícia também não pode prender e a Justiça soltar logo depois”, pontuou o deputado.
O deputado Missias Dias (PT), em aparte, também enfatizou a necessidade de integração entre as forças de segurança e os governos Federal e Estaduais. “Em fevereiro deste ano o Ceará fez uma operação integrada com Piauí, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, que resultou em 170 prisões, sem nenhuma morte. Assim é que temos que dar exemplo, não como o governador do Rio de Janeiro fez ontem, achando que vai resolver os problemas em uma única tacada, sem integrar com o Governo Federal e municípios”, observou.
Edição: Lusiana Freire
DEPUTADA Dra. Silvana elogia ação no Rio de Janeiro e cobra medidas contra avanço das facções
Por Narla Lopes / ALECE
- Foto: Paulo Rocha
A deputada Dra. Silvana (PL) afirmou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), desta quarta-feira (29/10), que a atual ofensiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), representa “coragem” para enfrentar um problema que ela classificou como “um câncer que metastizou para todo o País”.
Durante o pronunciamento, Dra. Silvana lamentou a morte dos policiais. “Servindo a população do Rio de Janeiro, foram sacrificados pelo crime organizado. Suas famílias estão chorando, os policiais estão chorando, o Rio de Janeiro está chorando”, pontuou.
A parlamentar citou dados e números para sustentar o argumento de que a violência cresce de forma assustadora. Segundo ela, houve aumento de homicídios dolosos no Rio. Na contagem citada pela deputada, são 2.215 mortes em 2025 e um salto de 23% em relação a períodos anteriores. Dra. Silvana também trouxe números do Ceará: “Em 2024, foram registrados 3.178 homicídios dolosos. No primeiro trimestre de 2025, o Estado registrou 729”, assinalou.
A parlamentar criticou ainda a PEC do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) apresentada pelo Governo Federal, afirmando incredulidade diante de declarações do presidente Lula. “Traficante é vítima do usuário? Onde é que tem isso?”, perguntou. Dra. Silvana disse que não pode silenciar diante das mortes, lembrando que entre as vítimas há filhos e filhas de cidadãos que apenas querem viver com segurança e dignidade.
Dra. Silvana defendeu ainda uma postura repressiva e a busca por resultados imediatos contra as facções, ressaltando, contudo, que não comemora mortes.
Em apartes, Sargento Reginaldo (União) criticou o autor da PEC do Sistema Único de Segurança, afirmando que entidades das forças policiais rejeitam a proposta. Queiroz Filho (PDT) apontou o aumento de homicídios no Ceará, denunciou expulsões de moradores por facções e cobrou ações mais firmes do governo estadual.
Já David Vasconcelos (PL) demonstrou preocupação com a possibilidade de a PEC concentrar a responsabilidade da segurança pública no presidente da República. Júlio César Filho (PT) declarou apoio às operações policiais em comunidades, mas defendeu planejamento adequado, auxílio federal e o aprimoramento da PEC.
Edição: Vandecy Dourado
Bruno Pedrosa alerta sociedade para medida provisória que limita custos de energia ao consumidor
Por Luciana Meneses / ALECE
Deputado Bruno Pedrosa (PT) - Foto: José Leomar
O deputado Bruno Pedrosa (PT) alertou a sociedade, durante seu pronunciamento no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, nesta terça-feira (28/10), para a medida provisória em tramitação no Senado que limita os custos de energia ao consumidor.
Presidente da Frente Parlamentar de Energias Renováveis da Alece, o parlamentar enxerga a MP 1304/25 como um retrocesso para os avanços do setor de geração de energia distribuída. “A Lei 14300 foi um marco no Brasil, e não é possível que um País como o nosso, que quer crescer, não tenha segurança jurídica para direitos já adquiridos. É uma afronta à nossa classe média, aos produtores. E nós, como Assembleia, não podemos permitir que o Brasil se torne o paraíso da insegurança jurídica, onde os investidores e os empregos que estão sendo gerados por essas usinas de energia renovável sejam ameaçados”, avaliou.
De acordo com Bruno Pedrosa, a cobrança do Fio B - tarifa que remunera o uso da rede de distribuição de energia elétrica (postes, cabos e transformadores) pelas distribuidoras - encargo complementar e o corte de energia daqueles que têm placas solares instaladas em seus telhados estariam previstas na MP. “Não podemos permitir isso. Acredito no diálogo, e cabe a nós, parlamentares e sociedade civil, cobrar de nossos deputados federais e senadores que não permitam esse absurdo. Estamos todos juntos pela energia limpa”, declarou.
Em aparte, o deputado Heitor Férrer (União) classificou a medida provisória como “diabólica”. “O País foi na ilusão da produção de energia limpa dada pelo Governo Federal e agora os produtores e consumidores serão punidos? Isso é um desserviço para a produção de energia limpa, da qual deveríamos ser exemplo para o mundo”, opinou.
O deputado Salmito (PSB) frisou que a proposta do Executivo atinge diretamente o Nordeste brasileiro. “O Nordeste tem o maior potencial de produção de energia limpa do Brasil. Temos contratos firmados com empresas locais, nacionais e globais, não podemos ter um retrocesso”, apontou.
Edição: Vandecy Dourado
Cláudio Pinho ressalta necessidade de fortalecer o combate ao crime organizado no Brasil
Por Gleydson Silva / ALECE
Deputado Cláudio Pinho (PDT) - Foto: Paulo Rocha
O deputado Cláudio Pinho (PDT) ressaltou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quarta-feira (29/10), a necessidade de Estado e União fortalecerem o combate ao crime organizado no Brasil. Para ele, a violência que assola o Rio de Janeiro é a realidade do Brasil, não muito diferente da insegurança no Ceará.
O parlamentar comentou a operação da Polícia do Rio de Janeiro, que deixou mais de 60 mortos, até ontem, oficialmente. Na avaliação do deputado, “não teremos paz sem esse confronto”, afinal, os policiais foram atacados, até com bombas lançadas de drones. “Será que isso já não é terrorismo, uma guerra?”, questionou.
De acordo com Cláudio Pinho, o Ceará não vive uma realidade muito diferente, quando o assunto é segurança pública. “O Ceará teve o maior número de assassinatos e suicídios dos profissionais de segurança pública do Nordeste; mais de 3,1 mil homicídios em 2024. Agora querem colocar a culpa dessa violência no Rio de Janeiro no governador de lá, mas aqui no Ceará está igual ou pior. O Ceará ‘três vezes mais forte’ foi a maior mentira que venderam para os cearenses”, pontuou.
O deputado ressaltou ainda que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, com envolvimentos de diversos órgãos e instituições. “Apesar disso, a sensação de insegurança no nosso país está no limite e ninguém aguenta mais”, disse.
O deputado Sargento Reginauro (União), em aparte, rebateu críticas da esquerda à operação no Rio de Janeiro, querendo classificá-la como “sem planejamento e equivocada”. Segundo ele, o cenário é de guerra e, infelizmente, pode haver pessoas inocentes mortas. “Mas só um dos criminosos abatidos ontem responde por cem homicídios. Alguém vai fazer discurso contra os crimes nas comunidades? Não faz. Todos os dias morrem inocentes nas mãos dos criminosos, mas se morrer bandido, logo os defensores dos direitos humanos se apressam em sair na defesa e tentar condenar a polícia”, observou.
Edição: Lusiana Freire
David Vasconcelos elogia megaoperação contra o tráfico no RJ e compara à situação no Ceará
Por Amanda Andrade* / ALECE
Deputado David Vasconcelos (PL) - Foto: Paulo Rocha
Durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quarta-feira (29/10), o deputado David Vasconcelos (PL) elogiou a megaoperação realizada ontem pelo Governo do Rio de Janeiro contra o crime organizado. O parlamentar defendeu o enfrentamento às facções criminosas e fez um alerta sobre a necessidade de fortalecer as políticas de segurança pública no Ceará.
David Vasconcelos relatou uma experiência pessoal durante viagem ao Rio de Janeiro, onde presenciou o domínio do tráfico em comunidades e o uso de armamento pesado por adolescentes. “Vi meninos de 12, 13 anos com fuzis nas mãos. Isso é o retrato da ausência do Estado. Precisamos entender o que está acontecendo e parar de defender criminosos”, afirmou.
A operação no Rio de Janeiro, iniciada na terça-feira (28/10), mobilizou cerca de 2,5 mil agentes nos complexos do Alemão e da Penha, resultando em mais de 60 mortes até ontem, entre elas quatro policiais.
Em paralelo, o deputado criticou as condições enfrentadas pelos agentes de segurança pública cearense, ressaltando a carência de viaturas e de estrutura para o trabalho policial. Ele comparou o cenário do Ceará com o do Rio de Janeiro e questionou a efetividade das medidas de enfrentamento à criminalidade. “O estado do Ceará está caminhando para ter esse mesmo cenário de guerra que acontece no Rio de Janeiro”, criticou o deputado.
Em aparte, o deputado Sargento Reginauro (União) elogiou a postura do governador fluminense, Cláudio Castro, ao comandar as ações de enfrentamento ao tráfico de drogas. “É uma vergonha querer condenar o governador. Ele está tendo coragem de enfrentar o crime organizado. O povo brasileiro está aplaudindo sua postura. Precisamos de mais governantes com essa determinação”, declarou.
*Estagiária, sob supervisão da orientadora Lusiana Freire
Edição: Lusiana Freire
Dra. Silvana elogia ação no Rio de Janeiro e cobra medidas contra avanço das facções
Por Narla Lopes / ALECE
- Foto: Paulo Rocha
A deputada Dra. Silvana (PL) afirmou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), desta quarta-feira (29/10), que a atual ofensiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), representa “coragem” para enfrentar um problema que ela classificou como “um câncer que metastizou para todo o País”.
Durante o pronunciamento, Dra. Silvana lamentou a morte dos policiais. “Servindo a população do Rio de Janeiro, foram sacrificados pelo crime organizado. Suas famílias estão chorando, os policiais estão chorando, o Rio de Janeiro está chorando”, pontuou.
A parlamentar citou dados e números para sustentar o argumento de que a violência cresce de forma assustadora. Segundo ela, houve aumento de homicídios dolosos no Rio. Na contagem citada pela deputada, são 2.215 mortes em 2025 e um salto de 23% em relação a períodos anteriores. Dra. Silvana também trouxe números do Ceará: “Em 2024, foram registrados 3.178 homicídios dolosos. No primeiro trimestre de 2025, o Estado registrou 729”, assinalou.
A parlamentar criticou ainda a PEC do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) apresentada pelo Governo Federal, afirmando incredulidade diante de declarações do presidente Lula. “Traficante é vítima do usuário? Onde é que tem isso?”, perguntou. Dra. Silvana disse que não pode silenciar diante das mortes, lembrando que entre as vítimas há filhos e filhas de cidadãos que apenas querem viver com segurança e dignidade.
Dra. Silvana defendeu ainda uma postura repressiva e a busca por resultados imediatos contra as facções, ressaltando, contudo, que não comemora mortes.
Em apartes, Sargento Reginaldo (União) criticou o autor da PEC do Sistema Único de Segurança, afirmando que entidades das forças policiais rejeitam a proposta. Queiroz Filho (PDT) apontou o aumento de homicídios no Ceará, denunciou expulsões de moradores por facções e cobrou ações mais firmes do governo estadual.
Já David Vasconcelos (PL) demonstrou preocupação com a possibilidade de a PEC concentrar a responsabilidade da segurança pública no presidente da República. Júlio César Filho (PT) declarou apoio às operações policiais em comunidades, mas defendeu planejamento adequado, auxílio federal e o aprimoramento da PEC.
Edição: Vandecy Dourado
Câmara aprova gratuidade de bagagem despachada até 23 kg e de mão até 12 kg e veta taxa de assento
Por Pepita Ortega (Broadcast) / O ESTADÃO DE SP
BRASÍLIA - O plenário da Câmara aprovou nesta terça-feira, 28, o projeto de lei que prevê a gratuidade para o transporte de bagagens de mão de até 12 quilos em voos domésticos. Em meio à votação do texto na Casa, os parlamentares aprovaram uma série de emendas que turbinaram o texto, que agora também prevê a gratuidade para despacho de bagagens de até 23 quilos em voos internacionais e nacionais; a proibição do cancelamento de voo de retorno quando o consumidor não embarca no voo de ida; e a vedação de cobrança adicional pela marcação de assento padrão nos trajetos.
Ao fim da votação, o ponto que motivou a discussão do tema na Câmara - a cobrança pelas bagagens de mão em voos internacionais - foi o principal ponto a ficar de fora do projeto. As demais alterações aprovadas pelos deputados valem tanto para voos domésticos como para rotas para outros países.
A redação final ficou à cargo do relator Neto Carletto (Avante-BA) e foi aprovada em votação simbólica, com voto contrário do partido novo. O texto agora vai ao Senado. Após o encerramento da votação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que a aprovação é um “recado claro” de que a Casa “não permitirá abusos a consumidores brasileiros”.
Motta citou “oligopólio” das aéreas e indicou que a Câmara deixou claro que “não concorda” não só com a cobrança das bagagens de mão, mas também com o veto do ex-presidente Jair Bolsonaro à gratuidade do despacho de bagagens de até 23 quilos - o qual está há anos sem ser analisado em sessão do Congresso Nacional.
O deputado também citou os “recados” sobre a cobrança das bagagens despachadas, sobre o cancelamento de passagens de volta em caso de não embarque na ida e também sobre os assentos. “É um recado de que não compactuaremos com aumento de custos numa realidade em que o brasileiro não aguenta pagar tão caro pelas passagens”, afirmou, destacando ainda esperar agilidade na análise da proposta, pelo Senado.
Durante a discussão em plenário, os parlamentares aprovaram primeiro, em votação simbólica, o substitutivo apresentado pelo deputado pelo relator, Neto Carletto (Avante-BA). O texto prevê que o passageiro pode, “ressalvada restrição de segurança ou de capacidade”, acomodar no bagageiro da cabine uma bagagem de mão de doze quilos - mas somente em voos domésticos.
Como mostrou o Estadão, a proposta representa um recuo em relação ao texto que foi apresentado pelo deputado Da Vitória (PP-ES), na esteira do anúncio, por aéreas sobre a cobrança pelo transporte de malas de mão em rotas internacionais. O texto inicialmente tratava da gratuidade tanto em voos nacionais - que, segundo Carletto, respondem por praticamente 80% do número de passageiros da aviação brasileira - como para outros países.
Segundo Carletto, a extensão da gratuidade do transporte de malas de mão ao mercado internacional “poderia suscitar questionamentos quanto ao cumprimento de acordos bilaterais e a redução da oferta de voos de empresas de baixo custo que hoje atuam em rotas relevantes na América do Sul, a partir do Brasil”.
O parlamentar chegou a propor, em uma das versões de seu relatório, a retomada da gratuidade do despacho de bagagens de até 23 quilos em voos domésticos. Carletto chegou a sustentar que restabelecer tal gratuidade é “medida de justiça e equilíbrio nas relações de consumo, sem comprometer a sustentabilidade econômica das companhias, já que os custos podem ser absorvidos no valor global das passagens”.
No entanto, no parecer final, a previsão foi retirada. Nessa mesma versão do documento, o deputado ainda incluiu dispositivos sobre acessibilidade e previsão de que as aéreas possam deixar de transportar, por até um ano, “passageiro que tenha praticado ato de indisciplina considerado gravíssimo”.
Após a votação do texto de Carletto, os deputados começaram a analisar, em forma de destaques - votação separada de trechos específicos do projeto -, uma série de emendas que visavam incluir mudanças no projeto. Nessa levada, foram aprovadas três alterações, que valem tanto para voos nacionais como internacionais:
- Vedação ao cancelamento, pelas companhias aéreas, do voo de retorno quando o consumidor não embarca no voo de ida; A gratuidade do despacho de uma bagagem de até 23 quilos em voos domésticos ou internacionais operados em território nacional; Proibição de cobrança adicional pela marcação de assento padrão pelo passageiro;
Câmara aprova projeto para garantir mamografia anual no SUS a partir dos 40 anos
Carolina Linhares / FOLHA DE SP
A Câmara dos Deputados aprovou nesta terça-feira (28) um projeto que assegura às mulheres a partir de 40 anos o direito ao exame anual de mamografia para rastreamento do câncer de mama.
A proposta já passou pelo Senado, mas retorna para a análise dos senadores por ter sido alterada na Câmara.
O texto acrescenta na lei que trata de ações de saúde para prevenção e tratamento dos cânceres de colo, de mama e colorretal um dispositivo que, em relação ao câncer de mama, estabelece que "o exame de mamografia [...] será garantido a todas as mulheres a partir dos 40 anos de idade, conforme diretrizes do Ministério da Saúde, que poderão estender o procedimento a outras faixas etárias".
A aprovação faz parte de um pacote de projetos relacionados à saúde da mulher que foram analisados no plenário da Casa nesta terça, em consonância com a campanha nacional Outubro Rosa, de prevenção do câncer de mama.
A sessão plenária foi presidida pela deputada Jack Rocha (PT-ES), coordenadora da bancada feminina da Câmara.
Na segunda-feira (27), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que a apreciação de "projetos da pauta feminina principalmente voltada à saúde da mulher" se dava por causa do Outubro Rosa. "É uma maneira de fortalecer cada vez mais as políticas de prevenção ao câncer de mama e tantas outras pautas importantes para as mulheres brasileiras", completou.
Entre as propostas aprovadas nesta terça, também há um projeto que determina que o SUS (Sistema Único de Saúde) tomará medidas para aumentar as unidades que realizam mamografias e exames de triagem. A distribuição de equipamentos de mamografia entre municípios e estados deve considerar a quantidade de habitantes.
"A aprovação desse projeto será uma grande resposta desta Casa, no âmbito da saúde pública, porque nós iremos facilitar o diagnóstico de dois cânceres —os dois cânceres que mais matam mulheres no Brasil. E, associado ao projeto de lei que torna obrigatória a mamografia a partir dos 40 anos de idade, nós falaremos, sim, sobre políticas públicas, no âmbito da saúde, de proteção à mulher brasileira", disse a deputada Carla Dickson (União Brasil-RN).
Outras três medidas aprovadas tratam da criação de um programa para reduzir a mortalidade materna, da realização de exames para detectar mutação genética em mulheres com histórico familiar de câncer de mama e do direito a dois dias de licença para mulheres que comprovarem sintomas graves associados ao fluxo menstrual.
O poderoso Alcolumbre
Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP
Quem manda não precisa dizer que manda, e se há alguém que compreendeu o significado do poder é o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Faz anos que nada de realmente importante acontece em Brasília sem que ele seja consultado – um feito e tanto, considerando que o parlamentar vem de um Estado que não se destaca nem pelo vigor de sua economia nem pelo tamanho de sua população. Sua especialidade é tirar o governo das cordas nas horas em que ele mais precisa e cobrar caro por essa ajuda.
Há alguns dias, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva estava prestes a passar pela humilhação de assistir à derrubada de praticamente todos os 63 vetos que impôs à Lei Geral do Licenciamento Ambiental às vésperas da Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP-30), em Belém.
Quem impediu – ou melhor, adiou – o vexame foi Alcolumbre. Para isso, o senador não precisou procurar os pares para convencê-los da importância de manter os vetos neste momento, mesmo porque é favorável à flexibilização da legislação ambiental. Bastou cancelar a sessão conjunta do Congresso que ele mesmo havia marcado.
A recompensa veio na semana seguinte, quando o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), depois de anos, finalmente concedeu a licença de operação à Petrobras para perfurar um poço exploratório na Bacia da Foz do Amazonas. Trata-se do pontapé inicial para a exploração de petróleo na Margem Equatorial, uma das prioridades do senador.
Embora prefira a discrição aos holofotes, os últimos dias têm colocado a atuação de Alcolumbre em evidência. Ignorando solenemente a pressão para que indique uma mulher à vaga que se abrirá no Supremo Tribunal Federal (STF) com a saída de Luís Roberto Barroso, Lula pretendia formalizar, antes de viajar à Ásia, a indicação do ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias. O presidente, que faz ouvidos moucos aos apelos de sua base eleitoral, escuta com atenção e deferência as palavras de Alcolumbre. O senador, que não esconde a preferência pelo nome de seu colega e antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), avisou que não trabalharia contra Messias, mas que lavaria as mãos caso seu nome chegasse ao Senado.
Lula, que não é bobo, decidiu aguardar mais uns dias até que seja possível chegar a um acordo que satisfaça Alcolumbre. Messias, ao final, deve ser indicado de qualquer forma, mas o petista sabe que a diferença entre uma vitória e uma derrota política, muitas vezes, depende mais de timing do que do mérito da discussão.
O presidente deve muito a Alcolumbre. O fracasso da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) é obra do senador. Foi ele quem providencialmente segurou a instalação da CPMI por três meses, dando tempo para que o Executivo ressarcisse os aposentados pelos descontos ilegais em seus benefícios antes que a comissão iniciasse seus trabalhos, esvaziando seu objeto.
Foi Alcolumbre, também, quem enterrou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Blindagem após protestos que reuniram milhares de pessoas nas ruas. É Alcolumbre quem impede o avanço de projetos para anistiar o ex-presidente Jair Bolsonaro, reduzir penas de condenados pelo 8 de Janeiro e afastar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Isso nem de longe significa que o senador seja simpatizante do PT. Alcolumbre mantinha excelentes relações com Bolsonaro quando este era presidente. Sem o senador, o governo do ex-presidente não teria conseguido aprovar os projetos de seu interesse às vésperas da eleição.
Foi esse pacto entre Bolsonaro e Alcolumbre que permitiu às emendas parlamentares chegarem a R$ 50 bilhões, um patamar que nem o governo Lula nem o STF conseguiram reduzir – que o digam os municípios amapaenses, alguns dos maiores beneficiários dessas transferências.
É assim que Alcolumbre mostra como e por que é ele quem realmente manda no Brasil. Enquanto isso, a esquerda depende de Lula para sobreviver e a direita se digladia para escolher o sucessor de Bolsonaro nas urnas.

