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MPF faz apuração preliminar sobre suspeita de 'rachadinha' em gabinete de Motta

José MarquesConstança Rezende / FOLHA DE SP

 

Ministério Público Federal no Distrito Federal iniciou uma apuração preliminar sobre suspeitas de enriquecimento ilícito e dano ao erário pelo presidente da Câmara dos DeputadosHugo Motta (Republicanos-PB), sua chefe de gabinete, Ivanadja Velloso, e servidores do gabinete.

O procedimento mira suspeitas de esquema de "rachadinha" no gabinete do deputado. O MPF junta elementos para avaliar se avança em uma apuração sobre eventual improbidade administrativa por Motta e por seus funcionários.

A investigação ainda está em uma etapa prévia, de levantamento de informações, e pode ou não ser convertida em um inquérito civil.

Procurado por meio da sua assessoria de imprensa, Motta não se manifestou. A reportagem não localizou Ivanadja.

O procedimento no Ministério Público Federal foi aberto a partir de uma representação do ex-deputado e ex-procurador da República Deltan Dallagnol, que citou reportagens do site Metrópoles sobre as suspeitas de "rachadinha".

Ivanadja, segundo as reportagens, tem procurações para movimentar a conta-corrente de diversos funcionários do gabinete do parlamentar. O presidente da Câmara tem se recusado a responder sobre o caso a jornalistas.

No mês passado, a Procuradoria da República no Distrito Federal consultou o TCU (Tribunal de Contas da União) sobre a existência de algum procedimento interno de apuração a respeito do assunto.

No último dia 31, o TCU respondeu que não há um processo que trate de dano ao erário envolvendo Motta, mas que há outra representação no tribunal sobre o caso.

Em julho, a Folha mostrou que Motta mantinha três funcionárias fantasmas em seu gabinete.

Na época, ele disse, por meio de sua assessoria, que prezava pelo "cumprimento rigoroso das obrigações dos funcionários de seu gabinete, incluindo os que atuam de forma remota e são dispensados do ponto dentro das regras estabelecidas pela Câmara".

Uma era fisioterapeuta e atendia em duas clínicas particulares em Brasília. Outra acumulava o cargo de secretária parlamentar com o de assistente social na Prefeitura de João Pessoa.

Uma terceira passou a acumular outros dois empregos públicos com as funções que deveria exercer no gabinete, mesmo após a reportagem revelar que ela cursava faculdade em período integral e chegou a morar em outro estado enquanto estava contratada para atuar como assessora. Ela só foi exonerada em outubro.

Além desses três casos, a Folha revelou que Motta emprega em seu gabinete o caseiro de sua fazenda em Serraria (PB), cidade de 6.000 habitantes a 131 km de João Pessoa e a 225 km de Patos (PB), sua base eleitoral.

 

Cláudio Pinho cobra ações na segurança e propõe CPI sobre expulsão de famílias no CE

Por Giovanna Munhoz/ ALECE

 

Deputado Cláudio Pinho (PDT) - Foto: Júnior Pio

O deputado Cláudio Pinho (PDT) ressaltou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta terça-feira (04/11), a necessidade de reforçar políticas de segurança pública no Estado e defendeu a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar casos de expulsão de famílias no Ceará.

 

O parlamentar destacou requerimento de sua autoria que busca a criação de uma CPI para investigar as causas e as circunstâncias de coerção e desalojamento sofridos por famílias cearenses, obrigadas a deixar suas residências, sejam elas particulares ou obtidas por meio de programas habitacionais. “Já tivemos 219 ocorrências de famílias expulsas de suas casas por conta do crime. Querem sugestão e participação da oposição? Pois peço apoio a essa matéria”, assinalou.

 

Cláudio Pinho também apontou ter apresentado uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que reduz o alcance da imunidade parlamentar. “A chamada PEC da Blindagem, que amplia a proteção parlamentar e foi aprovada na Câmara dos Deputados, foi bastante criticada. Pois estou propondo a PEC da Desblindagem, e não querem assinar”, disse.

 

Durante o pronunciamento, o deputado salientou o volume de projetos de sua autoria apresentados na Casa, mas ainda não apreciados. “São 79 projetos de lei e 72 projetos de indicação que não foram apreciados. Diferentemente das mensagens do Governo que chegam de manhã e à tarde e estão aprovadas, nossos projetos não avançam e isso desvaloriza o Poder Legislativo”, explicou.

 

Em aparte, o deputado Antônio Henrique (PDT) lamentou a falta de celeridade na apreciação das propostas da oposição. Já a deputada Dr.ᵃ Silvana (PL) parabenizou o político e ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, por sua filiação ao partido União Brasil.

Edição: Vandecy Dourado

Léo Suricate destaca conquistas do mandato e agradece passagem pelo Parlamento

Por Amanda Andrade* / ALECE

 

Deputado Léo Suricate (Psol) - Foto: Júnior Pio

 

O deputado Léo Suricate (Psol) fez um discurso de despedida e agradecimento após cumprir 90 dias de atuação como parlamentar na licença do deputado Renato Roseno (Psol). A fala foi feita durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quarta-feira (5/11).

O deputado iniciou agradecendo aos servidores, colegas da base e da oposição pelo acolhimento durante o período em que esteve na Casa. Ele destacou que procurou utilizar o mandato para dar visibilidade a temas ligados às periferias, com foco em políticas públicas e prevenção à violência. “O que fizemos nesta Casa foi evidenciar o que acontece lá fora, especialmente nos conjuntos habitacionais”, observou, mencionando a realização de uma audiência pública promovida pela Comissão de Proteção Social e Combate à Fome da Alece nessa terça-feira (4/11), no bairro Jangurussu, em Fortaleza. 

Entre as conquistas citadas, Suricate ressaltou o acordo que garantiu os direitos trabalhistas de ex-funcionários do Cuca, a articulação em defesa dos professores do cadastro de reserva de Caucaia e o apoio à Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 05/25, conhecida como PEC da Internet Livre, que contou com ampla adesão dos parlamentares. 

Além disso, o parlamentar também ressaltou a recente visita feita ao Ministério da Educação (MEC), em Brasília, na qual reforçou pedidos para construção de creches e escolas de ensino fundamental e médio nos conjuntos dos municípios de Fortaleza, Pacatuba, Sobral e Iguatu.

O deputado também falou sobre o projeto de indicação 576/25, de sua autoria, que deve ser votado ainda nesta quarta-feira. A proposta prevê a criação de uma Política Estadual Zona Viva de Cultura e Tecnologia (ZVCT), que visa promover inclusão social, desenvolvimento humano e autonomia de comunidades residentes em territórios urbanos em situação de vulnerabilidade social, além da prevenção da violência e da mortalidade infantil. A proposição tem coautoria dos deputados Larissa Gaspar (PT), Romeu Aldigueri (PSB) e Guilherme Sampaio (PT).

Em tom de gratidão, o deputado reconheceu o trabalho de sua equipe e destacou o simbolismo de ocupar o espaço legislativo sendo oriundo da periferia. “Nós, das periferias, podemos ocupar esse espaço, mesmo não tendo sobrenomes importantes. Tratei esse mandato com seriedade e respeito, mostrando que é possível sonhar e construir um caminho diferente do que propõe a extrema-direita”, afirmou. “Saio de cabeça erguida, feliz e realizado. A luta continua mesmo sem mandato”, concluiu.

Durante apartes, os deputados Missias Dias (PT) e Guilherme Bismarck (PSB) parabenizaram Léo Suricate pela trajetória e pela representação da juventude periférica. Missias destacou a autenticidade e o compromisso social do parlamentar. “Você é um sobrevivente, leva a verdade e a simplicidade do povo. Espero que o povo cearense o reconduza para continuar representando a periferia e a classe trabalhadora”, elogiou o deputado. 

Já Guilherme Bismarck afirmou sentir orgulho pela atuação do colega e desejou que ele continue na política. “Você tem alma transgressora e a política precisa de você”, declarou.

*Estagiária, sob supervisão do editor Vandecy Dourado 

Dra. Silvana propõe visita de deputados a El Salvador para conhecer modelo de segurança

Por Gleydson Silva / ALECE

 

Deputada Dra. Silvana (PL) - Foto: Junior Pio

 

A deputada Dr.ᵃ Silvana (PL) defendeu, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quarta-feira (05/11), a política anticriminalidade adotada pelo governo de El Salvador e sugeriu a visita de uma comissão de parlamentares ao país da América Central. Ela também repudiou as desocupações de famílias ordenadas pelo crime organizado, que impactam cerca de três famílias no Ceará. 

A parlamentar anunciou que está protocolando um requerimento junto à Comissão de Defesa Social da Alece para que uma comitiva de deputados conheça de perto o sistema de segurança e o modelo penitenciário implementados pelo presidente salvadorenho Nayib Bukele.

“Não é que vamos copiar, mas vamos conhecer. Uma das coisas que sabemos que Bukele fez foi um grande presídio de segurança máxima para 40 mil detentos. Não pode é deixá-los nas ruas matando e roubando. Depois de preso, vamos trabalhar para evangelizar, lecionar aulas, dar acesso ao ensino superior. É preciso acreditar na recuperação, mas não podemos cruzar os braços”, alertou Dr.ᵃ Silvana.

Segundo a deputada, o Ceará precisa urgentemente de ações firmes contra o crime, como as implementadas em El Salvador, afinal, famílias estão sendo expulsas de suas casas por facções criminosas. “Enquanto isso, o que o Governo do Estado faz é mandar a Polícia Militar para dar apoio e acompanhar a retirada de seus pertences. Isso envergonha e empobrece o nosso Estado”, avaliou. 

De acordo com Dr.ᵃ Silvana, cerca de três famílias são tiradas de suas casas por dia, no Ceará, por facções criminosas. O Estado, na avaliação da deputada, precisa arcar com o prejuízo dos cidadãos que são expulsos de seus lares. “Vamos sugerir que o Governo do Estado patrocine que novas casas sejam montadas igualmente às suas casas iniciais. Essas pessoas merecem prioridade máxima para receber sua casa própria. Este Estado que os abandonou e, para alguns casos, só mandou uma viatura para acompanhar a retirada de suas coisas”, ponderou.

O deputado Cláudio Pinho (PDT), em aparte, pediu apoio dos demais parlamentares para assinar um requerimento para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as circunstâncias de coerção e desalojamento de famílias cearenses de suas residências, sejam elas particulares ou oriundas de programas habitacionais. “Assinem, pois a população precisa saber por que está sendo expulsa de sua casa”, pontuou.

Edição: Lusiana Freire

Sérgio Aguiar ressalta crescimento do setor de mineração no Ceará

Por Lincoln Vieira / ALECE

 

Deputado Sérgio Aguiar (PSB) - Foto: Júnior Pio

O deputado Sérgio Aguiar (PSB) celebrou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quarta-feira (05/11), o crescimento do setor de mineração do Ceará. 

 

Segundo ele, o diagnóstico apresentado por representantes da Universidade Federal do Ceará (UFC) à Secretaria do Desenvolvimento Econômico (SDE) do Governo do Estado, nessa segunda-feira (03/11), apontou o crescimento de R$ 1,4 bilhão em produção em 2024. O parlamentar destacou que o Ceará registrou a produção de quase 17 milhões de toneladas de minerais, o equivalente a R$ 800 milhões no ano. 

 

“O segmento de rochas ornamentais é o motor da mineração cearense, sendo responsável por uma parcela majoritária do valor bruto da produção, com 85% do valor da produção bruta mineral do Estado. O beneficiamento mineral somou R$ 680 milhões em valor agregado, ou seja, cerca de 20 milhões de toneladas passaram por essa transformação em 2024”, enalteceu.

 

Sérgio Aguiar ressaltou que o setor mineral teve forte impacto no mercado de trabalho no Ceará. Segundo o deputado, a atividade criou quase 20 mil trabalhos formais, concentrados na indústria de transformação de rochas e 1.100 empresas formais.

 

“A Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM) somou R$ 18 milhões, colocando o Ceará em 18º lugar no ranking nacional e reforçando a importância da atividade para as receitas locais. Além das rochas ornamentais, outros minerais contribuíram para a economia em 2024, como o calcário com R$ 47 milhões, areia comi R$ 35 milhões, dolomita e magnesita com R$ 14,1 milhões”, exaltou. 

 

O parlamentar ressaltou que o município de Uruoca se destacou como o maior exportador de rochas ornamentais no primeiro semestre deste ano. Segundo ele, as vendas externas totalizaram US$ 12 milhões ou 37% do total das exportações. 

 

Sérgio Aguiar frisou ainda que, no mesmo período de 2024, quando exportou US$ 4 milhões, Uruoca registrou um crescimento de quase 200%. Conforme ele, o município superou a média estadual de 130% nas exportações no setor. 

Edição: Vandecy Dourado

Entrevista: Lula foi 'infeliz' ao dizer que traficante é vítima, diz petista que vai presidir CPI do Crime Organizado

Por Camila Turtelli — Brasília / O GLOBO

 

Escolhido presidente da CPI do Crime Organizado, o senador Fabiano Contarato (PT-ES) assume o posto de comando do colegiado prometendo investigar o "fluxo do dinheiro" de facções e milícias e a atuação de agentes públicos no combate a criminosos. Contarato afirma que terá uma condução "técnica", sem dar espaço a palanque político e eleitoral na comissão, instalada em meio à escalada da violência no Rio de Janeiro.

 

Delegado e um dos nomes mais independentes do PT no Senado, ele reconhece que a esquerda possui dificuldade de tratar o tema. Segundo o parlamentar, é preciso olhar para a segurança pública sem um viés "romantizado".

 

Como pretende evitar a polarização em uma CPI que já nasce como palanque político?

Tanto eu quanto o senador Alessandro Vieira (relator) temos uma postura muito mais técnica. Não estamos ali para fazer discurso de palanque nem atender a A, B ou C. O que for necessário, eu farei com rigor. Aquilo ali não é palco para pirotecnia nem para discurso eleitoral. A CPI precisa jogar luz sobre a segurança pública, ver quem tem responsabilidade e o que é necessário fazer para reduzir a criminalidade. O que não pode é a sociedade continuar alarmada — com razão — diante de operações que vitimam dezenas de pessoas. Quantas ações já ocorreram no Alemão, no Jacarezinho, em São Paulo, no Rio de Janeiro? Depois disso, o que aconteceu? Houve resposta? A comissão também é o momento de discutir a responsabilização de agentes públicos. Como funcionam as corregedorias, as ouvidorias? Quantos policiais respondem por desvio de conduta? Precisamos rever isso.

 

Uma das linhas da CPI deve ser o rastreamento do dinheiro das facções. O Senado tem estrutura para esse tipo de apuração?

Tem, sim. Eu costumo dizer que “não há nada mais poderoso do que uma ideia quando o seu tempo chega”. Às vezes, a ideia é boa, mas não era o tempo dela. Acho que agora é o momento de reunir esforços. O rastreamento de fluxos financeiros é um desafio, mas hoje temos tecnologia e sistemas de informação que permitem essa rastreabilidade. Não vejo dificuldade nisso.

 

O governador do Rio, Cláudio Castro, é apontado como figura central na operação do Rio. O senhor pretende convocá-lo?

Já foi aprovado (um convite). Hoje não apenas elegemos a Mesa, mas também aprovamos o plano de trabalho e requerimentos que incluem governadores e autoridades de instituições públicas. Esse é o caminho. A CPI precisa agir de forma proativa. Se evitarmos abusos e pirotecnia e focarmos no que importa, o resultado será positivo. A Constituição, no artigo 144, define as competências: à Polícia Militar cabe o policiamento ostensivo; à Polícia Civil, a investigação; à Polícia Federal, um papel residual. Isso precisa ser respeitado. A integração deve ocorrer entre União, estados e municípios, cada um dentro da sua competência.

Alessandro Vieira argumenta que não é preciso mexer na Constituição para promover integração na segurança, como propõe a PEC da Segurança. O senhor concorda?

A Constituição já prevê a integração. Não é razoável atribuir uma responsabilidade sem dar a competência correspondente. Quando perguntam de quem é a responsabilidade pela insegurança, a resposta está na Constituição: a segurança é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos. O governo está discutindo a PEC da Segurança e, ao que parece, o texto vai preservar a autonomia das forças. O que vier do Parlamento será analisado, mas o foco da CPI é dar uma resposta concreta à população.

 

O senhor assumiu a presidência da CPI no momento em que a direita domina o discurso da segurança pública. A esquerda demorou a entender a gravidade do tema?

Eu entendo que passou da hora de o campo progressista assumir essa pauta, porque ela é apartidária. Não pode ser exclusiva da direita ou de quem tem um perfil mais conservador. Essa é uma determinação constitucional, independentemente de partido. Eu tenho a minha consciência tranquila. Em vários temas eu já contrariei orientações do próprio campo partidário. E é por isso que hoje fico numa posição confortável para conduzir essa comissão parlamentar de inquérito.

 

O senhor acredita que a esquerda trata esse tema como um tabu?

Passou da hora de entender que segurança pública tem que ser tratada com responsabilidade. E essa responsabilidade precisa deixar de ser vista sob um olhar romantizado. É claro que eu também sou adepto dos direitos humanos. Faço parte de um partido que defende isso, mas é preciso compreender que políticas públicas de combate à desigualdade, educação em tempo integral, iluminação pública, saneamento básico, tudo isso faz parte. O crime é um fenômeno social, e todos nós temos interesse em reduzi-lo. Então, não vejo dificuldade em falar sobre o tema. Quando eu aprovei um projeto de minha autoria, relatado pelo senador Flávio Bolsonaro, aumentando o período de internação de adolescentes em conflito com a lei, recebi críticas. Mas sigo com a consciência tranquila. O mesmo vale para as saídas temporárias. Sempre disse: não é razoável pegar uma pessoa condenada a nove anos por homicídio e vê-la cumprir apenas um ano e oito meses. Como explicar isso a uma mãe que perdeu um filho? Com um sexto da pena, o condenado já vai para o regime aberto. A cada três dias trabalhados, há remissão; se lê um livro, mais remissão; um terço da pena, livramento condicional; no fim do ano, indulto. Assim, não se transmite nem a sensação, mas a certeza da impunidade.

Como o senhor viu a declaração do presidente Lula sobre o traficante ser “vítima”?

Foi infeliz na colocação. Temos que entender que o traficante é o que há de mais pernicioso dentro da sociedade brasileira. O traficante mata. Por isso, defendo mais rigor, inclusive no aumento das penas para o tráfico de entorpecentes. Passou da hora de o país fazer isso. Respeito a opinião do presidente, mas tenho minha consciência tranquila: se for necessário alterar a legislação, seja para aumentar a pena do tráfico, seja para restituir a paz nas comunidades, eu vou apoiar. A gente sempre precisa perguntar: a operação foi bem-sucedida? Restituiu a paz social? No caso da mais recente, tivemos 121 mortos — entre eles, quatro policiais —, e um dos alvos, o Doca, não foi capturado. Então, ela foi um sucesso?

 

O senhor é conhecido por ter independência dentro do PT. Vai manter essa postura mesmo à frente de uma CPI tão politizada?

Sim. Eu tenho algo que é um freio moral na minha vida: jamais renuncio às minhas convicções. Aceitei presidir a CPI com autonomia. Tenho uma história na polícia, na docência e na vida pública que me dá tranquilidade. O partido respeita isso, e não haverá interferência em algo que considero sagrado.

 

Como avalia a atuação do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski?

O ministro Lewandowski tem um desafio pela frente, mas também uma oportunidade de fortalecer o diálogo com o Parlamento. Cada um tem seu perfil, e o dele é sereno, técnico. Ele tem contribuído e corresponde às expectativas. Eu apresentei, ainda em 2019, o projeto que aumentou o tempo de internação de adolescentes — e só agora ele foi aprovado quase por unanimidade. Tudo tem seu tempo. Acredito que o ministro está no momento certo para promover essa interlocução e avançar em pautas relevantes para o país, restabelecendo a pacificação social e garantindo segurança pública como direito de todos.

Câmara retoma debate sobre Lei Antiterrorismo e tenta ajustar foco para facções e milícias, sem repetir impasses da era Bolsonaro

Por Luísa Marzullo — Brasília / O GLOBO

 

Na esteira da megaoperação que mirou em integrantes do Comando Vermelho no Rio, ganhou força na Câmara um projeto que equipara a atuação de facções criminosas e de milícias ao terrorismo. A proposta, que ganhou regime de urgência em maio — o que permite votação diretamente no plenário da Casa —, amplia os critérios adotados na legislação atual para enquadrar um ato como de terror.

 

Com a segurança pública no foco do debate público, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já indicou a aliados que pretende levar o texto a voto na segunda semana de novembro. O atual secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP-SP), deverá reassumir o mandato na semana que vem para relatar a proposta.

 

 

Como é hoje:

A atual Lei Antiterrorismo, de 2016, para que uma conduta criminosa possa ser considerada como terrorista é preciso haver uma razão que envolva xenofobia, discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia e religião.

 

O que diz o projeto:

A proposta inclui no rol de motivações "impor domínio ou controle de área territorial", em referência direta às facções que dominam comunidades e impõem regras próprias.

 

Além disso, o texto passa a considerar como ato terrorista "apoderar-se, sabotar, inutilizarm impedir ou interromper o funcionamento" de serviços de utilidade pública, como telefonia e transporte público. A ideia é coibir práticas como cobrança de taxas abusivas de moradores para que tenham acesso a internet ou mesmo para comprar botijão de gás.

 

O projeto ainda inclui na legislação um parágrafo que prevê a aplicação das regras "às organizações criminosas e às milícias privadas que realizem um ou mais atos de terrorismo com o objetivo de retaliar políticas públicas, ou como forma de demonstrar domínio, controle social ou poder paralelo ao Estado em qualquer espaço territorial".

 

O que muda na prática:

Classificar uma ação ou grupo como terrorista eleva o grau de punição e amplia as ferramentas de investigação. O enquadramento previstos para atos desse tipo vão de 12 a 30 anos, além de transferir a apuração para a esfera federal, sob responsabilidade da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

 

Ao enquadrar as facções criminosas como terroristas, a lei também ampliaria as possibilidades de cooperação internacional e bloqueio de bens com base em tratados multilaterais.

 

Embora o texto não altere esses mecanismos, a mudança de tipificação tem també peso simbólico: o grupo passa a ser tratado como ameaça à segurança nacional, o que afeta desde a forma de investigação até o discurso público sobre sua atuação.

 

Tentativa de mudar lei no governo Bolsonaro

A ampliação da Lei Antiterrorismo chegou a ser discutida no passado, durante o governo de Jair Bolsonaro, mas não avançou após resistências por parte da esquerda. Na época, a iniciativa foi tratada como uma tentativa de criminalizar a atuação de movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST).

 

A versão de 2019, relatada pelo então deputado Major Vítor Hugo (PL-GO), incluia a criação de um órgão de contraterrorismo no país, infiltração de agentes, acesso rápido a dados e geolocalização, além de cooperação militar e internacional ampliada — o que na época foi classificado de "KGB do Bolsonaro".

 

Autor do projeto em discussão, o deputado Danilo Forte (União-CE), nega que a atual versão tenha como objetivo a aplicação da lei contra movimentos sociais e cita que os dispositivos previstos no texto têm como foco "organizações criminosas e milícias privadas". "Essa disposição assegura que a legislação antiterrorismo não será utilizada para coibir manifestações legítimas, que são parte essencial do exercício democrático e da liberdade de expressão", afirma o deputado na justificativa do projeto.

 

Governo é contra mudança na lei

Apesar da ressalva feita pelo autor do texto, a proposta reacende o temor de integrantes do governo e parlamentares aliados sobre o uso da legislação para criminalizar movimentos sociais. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), líder do PT, classificou a proposta como um “retrocesso perigoso”:

— Isso é um absurdo completo e o governo vai orientar contrário. O terrorismo tem motivações políticas, ideológicas, o narcotráfico não. Digo que pode aumentar pena e fazer o que quiser, mas não misturar as coisas — disse o petista.

 

Para o governo Lula, há risco de distorção jurídica e de uso político da tipificação. A avaliação é que o conceito de terrorismo deve permanecer restrito a motivações políticas, ideológicas ou religiosas, como defendido pelo Brasil em foros internacionais.

O Itamaraty e o Ministério da Justiça já se opuseram, em gestões anteriores, a tentativas de incluir facções latino-americanas em listas de terrorismo — posição que o Planalto quer manter.

 

Outro ponto citado por governistas é que a designação de um grupo crimOnoso como terrorista poderia abrir brechas para intervenções externas no Brasil. Isso acontece porque, ao declarar oficialmente uma organização como terrorista, o Estado reconhece que ela constitui uma ameaça à segurança e, segundo tratados internacionais, poderia justificar uma ação como as realizadas pelos Estados Unidos em países como Paquistão, Iêmen e Somália.

 

Apoio do Centrão

A proposta ganhou fôlego nesta semana após uma reunião da bancada do PP com Derrite, que deve assumir a relatoria do texto. O partido sinalizou apoio integral à aprovação. Integrantes de União Brasil, MDB e PSD também se mostram favoráveis “sob reserva”, avaliando que a redação é equilibrada e não reproduz as distorções do projeto apresentado na gestão Bolsonaro.

 

— Nós teremos um aumento de pena exponencial, o aumento de pena encarecendo o custo do crime, que é algo que defendo há muito tempo. Estamos pensando no concurso material de crimes para pessoas que portam fuzis e que atuam no tráfico de drogas, para que as penas possam ser acumuladas — afirmou Derrite.

 

O deputado Júlio Lopes (PP-RJ), um dos defensores da medida, diz que o foco deve ser o poder paralelo exercido por facções, e não a motivação política. — Não é a intencionalidade, se é política ou é religiosa, é a forma como o crime é cometido, pela ofensividade e pela letalidade, como prevê a legislação de outros países. Além disso, nessas áreas os criminosos assumem as funções do Estado, cobram pela internet, pela água, pela luz, pelo gás, decidem quem entra e quem sai. Quem assume funções do Estado comete o crime de terror — afirmou o parlamentar.

O projeto de Danilo Forte altera a legislação para incluir o “controle de área territorial” como motivação de atos terroristas, define o que são infraestruturas críticas — portos, aeroportos, hospitais, escolas, instalações de energia, telecomunicações, bancos e data centers — e cria uma majorante de 1/3 para ataques realizados por meio digital.

 

Também estende a aplicação da lei a organizações criminosas e milícias que pratiquem atos de terror “para retaliar políticas públicas ou demonstrar poder paralelo”, preservando a cláusula que exclui manifestações políticas e sindicais.

Danniel Oliveira defende aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional

Por Gleydson Silva / ALECE

 

Deputado Danniel Oliveira (MDB) - Foto: Paulo Rocha

 

O deputado Danniel Oliveira (MDB) defendeu, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), nesta quinta-feira (29/10), que a Câmara dos Deputados e o Senado aprovem, com urgência, a proposta de emenda à Constituição que trata da Segurança Pública no Brasil, visando combater a violência e o crime organizado no País. 

De acordo com o vice-presidente da Alece, a Assembleia Legislativa não pode se furtar desse debate e pediu que todos os 46 deputados estaduais assinem um documento, a ser encaminhado ao Congresso Nacional, cobrando a tramitação rápida da PEC. “Eu não entendo por que uma matéria tão importante para o nosso País está engavetada no Congresso Nacional. O Governo Federal, os deputados e senadores precisam cobrar pela aprovação dessa PEC”, afirmou.

Para o parlamentar, a guerra entre polícia e traficantes no Rio de Janeiro, que resultou em dezenas de mortes, é um exemplo claro da necessidade de que haja uma integração das forças de segurança. “Não se pode, em uma ação como essa, o governador responsabilizar o Governo Federal — e vice-versa — enquanto a população ficar refém, sofrendo e acuada”, disse. 

Danniel Oliveira destacou ainda que o Ceará saiu na frente, quando, em 2018, teve o lançamento do Centro Integrado de Segurança Pública (Cisp), em Fortaleza, o primeiro do tipo no Brasil. Na avaliação do deputado, o modelo precisa ser replicado para todos os estados do País, para que as forças de segurança pública atuem de forma integrada no combate à violência.

“Não adianta só no Ceará termos um centro desse se nos outros estados não tiverem. A segurança pública precisa ser uma questão nacional, e para isso é necessária a integração de todos, União, Estado, Justiça e outros. A polícia também não pode prender e a Justiça soltar logo depois”, pontuou o deputado.

O deputado Missias Dias (PT), em aparte, também enfatizou a necessidade de integração entre as forças de segurança e os governos Federal e Estaduais. “Em fevereiro deste ano o Ceará fez uma operação integrada com Piauí, Rio Grande do Norte e Santa Catarina, que resultou em 170 prisões, sem nenhuma morte. Assim é que temos que dar exemplo, não como o governador do Rio de Janeiro fez ontem, achando que vai resolver os problemas em uma única tacada, sem integrar com o Governo Federal e municípios”, observou. 

Edição: Lusiana Freire

DEPUTADA Dra. Silvana elogia ação no Rio de Janeiro e cobra medidas contra avanço das facções

Por Narla Lopes / ALECE

 

- Foto: Paulo Rocha

 

A deputada Dra. Silvana (PL) afirmou, no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), desta quarta-feira (29/10), que a atual ofensiva do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), representa “coragem” para enfrentar um problema que ela classificou como “um câncer que metastizou para todo o País”. 

Durante o pronunciamento, Dra. Silvana lamentou a morte dos policiais. “Servindo a população do Rio de Janeiro, foram sacrificados pelo crime organizado. Suas famílias estão chorando, os policiais estão chorando, o Rio de Janeiro está chorando”, pontuou. 

A parlamentar citou dados e números para sustentar o argumento de que a violência cresce de forma assustadora. Segundo ela, houve aumento de homicídios dolosos no Rio. Na contagem citada pela deputada, são 2.215 mortes em 2025 e um salto de 23% em relação a períodos anteriores. Dra. Silvana também trouxe números do Ceará: “Em 2024, foram registrados 3.178 homicídios dolosos. No primeiro trimestre de 2025, o Estado registrou 729”, assinalou. 

A parlamentar criticou ainda a PEC do Sistema Único de Segurança Pública (Susp) apresentada pelo Governo Federal, afirmando incredulidade diante de declarações do presidente Lula. “Traficante é vítima do usuário? Onde é que tem isso?”, perguntou. Dra. Silvana disse que não pode silenciar diante das mortes, lembrando que entre as vítimas há filhos e filhas de cidadãos que apenas querem viver com segurança e dignidade. 

Dra. Silvana defendeu ainda uma postura repressiva e a busca por resultados imediatos contra as facções, ressaltando, contudo, que não comemora mortes.

Em apartes, Sargento Reginaldo (União) criticou o autor da PEC do Sistema Único de Segurança, afirmando que entidades das forças policiais rejeitam a proposta. Queiroz Filho (PDT) apontou o aumento de homicídios no Ceará, denunciou expulsões de moradores por facções e cobrou ações mais firmes do governo estadual. 

Já David Vasconcelos (PL) demonstrou preocupação com a possibilidade de a PEC concentrar a responsabilidade da segurança pública no presidente da República. Júlio César Filho (PT) declarou apoio às operações policiais em comunidades, mas defendeu planejamento adequado, auxílio federal e o aprimoramento da PEC.

Edição: Vandecy Dourado

Bruno Pedrosa alerta sociedade para medida provisória que limita custos de energia ao consumidor

Por Luciana Meneses / ALECE

 

Deputado Bruno Pedrosa (PT) - Foto: José Leomar

 

O deputado Bruno Pedrosa (PT) alertou a sociedade, durante seu pronunciamento no primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, nesta terça-feira (28/10), para a medida provisória em tramitação no Senado que limita os custos de energia ao consumidor.

Presidente da Frente Parlamentar de Energias Renováveis da Alece, o parlamentar enxerga a MP 1304/25 como um retrocesso para os avanços do setor de geração de energia distribuída. “A Lei 14300 foi um marco no Brasil, e não é possível que um País como o nosso, que quer crescer, não tenha segurança jurídica para direitos já adquiridos. É uma afronta à nossa classe média, aos produtores. E nós, como Assembleia, não podemos permitir que o Brasil se torne o paraíso da insegurança jurídica, onde os investidores e os empregos que estão sendo gerados por essas usinas de energia renovável sejam ameaçados”, avaliou. 

De acordo com Bruno Pedrosa, a cobrança do Fio B - tarifa que remunera o uso da rede de distribuição de energia elétrica (postes, cabos e transformadores) pelas distribuidoras - encargo complementar e o corte de energia daqueles que têm placas solares instaladas em seus telhados estariam previstas na MP. “Não podemos permitir isso. Acredito no diálogo, e cabe a nós, parlamentares e sociedade civil, cobrar de nossos deputados federais e senadores que não permitam esse absurdo. Estamos todos juntos pela energia limpa”, declarou. 

Em aparte, o deputado Heitor Férrer (União) classificou a medida provisória como “diabólica”.  “O País foi na ilusão da produção de energia limpa dada pelo Governo Federal e agora os produtores e consumidores serão punidos? Isso é um desserviço para a produção de energia limpa, da qual deveríamos ser exemplo para o mundo”, opinou.

O deputado Salmito (PSB) frisou que a proposta do Executivo atinge diretamente o Nordeste brasileiro. “O Nordeste tem o maior potencial de produção de energia limpa do Brasil. Temos contratos firmados com empresas locais, nacionais e globais, não podemos ter um retrocesso”, apontou. 

Edição: Vandecy Dourado

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