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André Fernandes aponta injustiças e se considera perseguido politicamente

Dep. André Fernandes ( Sem Partido  ) Dep. André Fernandes ( Sem Partido )Foto: Junior Pio

O deputado André Fernandes (Sem partido) considerou, durante o primeiro expediente da sessão plenária da Assembleia Legislativa desta quinta-feira (06/08), que está sofrendo perseguições políticas por conta da sua postura como parlamentar. O deputado contestou representações  por quebra de decoro parlamentar encaminhados ao Conselho de Ética da Casa contra ele propostos pelo PDT e PSDB.
Segundo André Fernandes desde que encaminhou, em 2019, ao Ministério Público do Estado uma denúncia que chegou ao seu gabinete sobre o suposto envolvimento de um deputado estadual com facção criminosa, começou a circular a versão de que ele estaria acusando um colega de participação em crimes.
“Apenas encaminhei uma denúncia ao órgão competente e pedi sigilo, mas, infelizmente, dias depois o Ministério Público Estadual ignorou o sigilo, vazou para a imprensa o nome do deputado Nezinho Farias (PDT), e a partir disso eu passei a ser considerado o responsável por isso”, explicou André Fernandes.
De acordo com ele, não há nenhum registro de que tenha, pessoalmente, atribuído ao deputado Nezinho Farias o envolvimento com facção criminosa.
O deputado relatou que após isso, imediatamente, partidos como PDT e PSDB entraram com representações no Conselho de Ética da Assembleia considerando que ele havia quebrado o decoro parlamentar, por acusar um colega parlamentar da Casa e não provar.
André Fernandes enfatizou que fez questão de subir à tribuna da Casa para pedir desculpas ao colega Nezinho Farias por ele ter sofrido as consequências negativas do que avaliou como um ato “covarde” do Ministério Público, que arquivou a denúncia por não contar com indícios suficientes.
“Eu não quebrei o decoro parlamentar, eu não fiz o que não devia. Insistem na narrativa de que eu que acusei, e isso é mentira”, se defendeu o parlamentar.
Ele lembrou que já presenciou diversos episódios de discussões na Casa, inclusive com troca de acusações entre parlamentares. “O Conselho de Ética aprovou por unanimidade a suspensão por 30 dias do meu mandato, sendo que eu não roubei, eu não estava em áudio vazado tratando de corrupção, como foi o caso do deputado Bruno Gonçalves (PL), eu não agredi parlamentar nem atribuí crime publicamente na Mesa desta Casa, como foi o caso dos deputados Leonardo Araújo (MDB) e Osmar Baquit (PDT)”, apontou André Fernandes.
Segundo ele, tanto Leonardo Araújo quanto Osmar Baquit estão representados no Conselho de Ética pela troca de acusações que fizeram entre si, e a Casa estaria silenciosa quanto a isso. “Eles nem foram citados ainda no Conselho, e por quê? É tão fácil a leitura, tão simples de entender isso, porque quando é um caso da base governista, tudo é abafado”, criticou.
O deputado salientou que quando entrou na Casa afirmou que daria dor de cabeça ao governador Camilo Santana e principalmente aos Ferreira Gomes. “Eu serei punido porque estou fazendo oposição aos Ferreira Gomes, os coronéis do Ceará”, assinalou o parlamentar.
Em aparte, o deputado Delegado Cavalcante (PSL) se solidarizou ao colega. “Tanta coisa mais grave aconteceu em relação ao comportamento e desempenho de outros parlamentares, e não pode haver dois pesos e duas medidas. Parece uma coisa dirigida a lhe prejudicar, e esse Parlamento vai se apequenar e deixar a todos nós vulneráveis se essa suspensão for aprovada”, pontuou.
A deputada Dra. Silvana (PL) também manifestou apoio à André Fernandes. “Eu voto contrária à punição, pois somos todos amigos e irmãos na defesa do bem comum de todos, defendendo o povo do Estado do Ceará”, registrou.
Já o deputado Soldado Noélio (Pros) afirmou que os fatos posteriores que aconteceram após a denúncia contra André Fernandes no Conselho de Ética vão trazer a verdade dos fatos. “Vamos ter a noção se o que se quer é analisar as condutas éticas ou antiéticas de um parlamentar, ou se é apenas uma demarcação política e perseguição contra um adversário”, concluiu.
RG/CG

Tadeu Oliveira sugere apoio de TVs no fomento ao empreendedorismo

Dep. Tadeu Oliveira ( PSB )Dep. Tadeu Oliveira ( PSB )Foto: Junior Pio

O deputado Tadeu Oliveira (PSB) sugeriu, no primeiro expediente da 27ª sessão ordinária da Assembleia Legislativa, realizada por sistema remoto e presencial, nesta quinta-feira (06/08), a produção e exibição de conteúdo voltado para pequenos e microempreendedores cearenses pelos canais televisivos estatais, como TV Assembleia e TV Ceará.
A sugestão do parlamentar foi proposta em requerimento apresentado à Casa, no intuito de fomentar o empreendedorismo cearense, capacitando-o principalmente para as novas formas de comercialização em meio à pandemia da Covid-19. “Segundo o Sebrae, no início de março, o Ceará contabilizava 265 microempresas individuais e 180 mil pequenas empresas, gerando cerca de 540 mil empregos, ou seja, 50% da empregabilidade do nosso Estado. No final de abril, 4% fecharam as portas, representando quase 18 mil empresas”, informou. 
Tadeu Oliveira ponderou que o impacto da pandemia pode até ser considerado pequeno, uma vez que 44% dessas empresas só paralisaram suas atividades nos meses exigidos e 43% conseguiram se adaptar ao momento, ofertando a venda online e o serviço de delivery, aumentando o faturamento. “Agora, com a reabertura da economia, podemos colaborar para a capacitação e adaptação dessas outras empresas. Se eles estiverem melhores qualificados, podem crescer nos seus segmentos. O cearense é trabalhador, inovador e precisa do nosso incentivo”, acrescentou. 
Para o deputado, a proposta de exibir nos canais estatais programas de conteúdo voltado para pequenos e microempreendedores aumentaria o acesso à informação que é predominante na internet, mas que nem todos estão familiarizados. “Poderemos ter debates, entrevistas, mostrar o potencial do empreendedor cearense. Apesar de termos o conteúdo na internet, nem todo mundo domina ainda esse universo. A TV é um meio mais acessível e poderá   replicado esse conteúdo para as outras mídias”, avaliou. 
Em aparte, o deputado Sérgio Aguiar (PDT) analisou os dados apresentados pelo colega como um reflexo de uma perda significativa para a economia do Estado. “Foram 18 mil empresas que fecharam as portas e com elas várias oportunidades de trabalho. Nesses primeiros dias, o Governo deve lançar programa de atração de novos negócios, justamente para esses empreendedores que movimentam tanto a nossa economia”, salientou.
LA/AT

Deputados aprovam multa que varia de R$ 100 até R$ 999 em caso de não uso de máscara no Ceará

Deputados estaduais votaram nesta quinta-feira (6) a cobrança de multa a pessoas físicas e jurídicas em caso de descumprimento da lei estadual que exige o uso das máscaras como equipamento de proteção do combate à Covid-19

A partir de agora, pessoas físicas poderão ser multadas no valor de R$ 100 em caso de descumprimento. O valor chega a R$ 300 no caso de reincidência. 

 

Quanto às pessoas jurídicas, o valor da cobrança será feito ao CNPJ responsável pelo empreendimento caso os funcionários não estejam cumprindo as precauções. 

Em relação às pequenas empresas, os valores são fixos em R$ 179. Os valores chegam a R$ 999 para negócios de grande porte.

Nas comissões antes de chegar ao plenário, deputados divergiram sobre a cobrança. A deputada Silvana Oliveira (PL) chegou a falar em “indústria da multa”. Parlamentares como Walter Cavalcante (MDB) e Elmano Freitas (PT) defenderam as medidas de combate à proliferação da Covid-19. DN

'Daqui a pouco, vão inventar um nome em inglês para ficar mais bonito, para que a sociedade aceite mais imposto', diz Maia

BRASÍLIA — O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quinta-feira que a criação de um microimposto sobre transações eletrônicas, como tem sido sinalizado pela equipe econômica, não será aprovada na Câmara dos Deputados.

 

— A minha discussão não é se é CPMF ou se é microimposto digital. Daqui a pouco, vão inventar um nome em inglês para ficar mais bonito, para que a sociedade aceite mais imposto. A sociedade não quer mais imposto, nem no Brasil nem na América Latina — ironizou Maia, durante uma videoconferência com empresários do setor industrial promovido pela Folha de S. Paulo.

Na semana passada, o ministro da Economia, Paulo Guedes, entregou a primeira fase da proposta de reforma tributária do governo a Rodrigo Maia e também ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que trata da unificação do PIS e Cofins.

Entenda:O que está em discussão na reforma tributária

Apesar de elogiar a iniciativa, Maia voltou a dizer que é "radicalmente contra" a criação de novos impostos para compensar a perda de arrecadação com a desoneração da folha de pagamentos. Ontem, após uma reunião no Palácio do Planalto, Guedes reiterou a necessidade dessa medida. Já Maia disse que ela seria incorente pois propõe a eliminação de cinco tributos e para substituí-los por uma taxação sobre a transações eletrônicas, o que tem sido chamado de nova CPMF.

— Não vai passar, na minha opinião, e eu vou votar contra.

Rodrigo Maia ainda defendeu a manutenção do teto de gastos até fevereiro do ano que vem. Para Maia, no momento de pós-pandemia haverá uma "brutal pressão para desfazer o teto de gastos" e viabilizar propostas como a renda básica permamente e a desoneração da folha de pagamento.

— A Câmara dos Deputados não vai votar nenhuma flexibilização do teto de gastos até 1º de fevereiro — disse o deputado.

Reforma Tributária:Brasil é o país do mundo onde as empresas mais perdem tempo para pagar impostos

Aprovada em 2016, durante o governo do ex-presidente Michel Temer, a lei limita o crescimento dos gastos públicos à inflação do ano anterior. Em 2019, o presidente Jair Bolsonaro se manifestou a favor de mudanças nessa lei para gerar mais receita, mas depois voltou atrás.

Ao invés disso, Maia disse que o aumento da arrecadação teria de vir do crescimento econômico e defendeu a tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 45, que trata da reforma tributária na Casa.

—  A PEC 45 vai ser uma revolução que vai garantir um sistema tributário simples com segurança jurídica e com eficiência na tributação e tributando aquele que de fato deve ser tributado — disse.

Contudo, Maia ponderou que põe na pauta a proposta que tiver mais votos entre os deputados, seja a da Câmara ou a do governo.

Embora as propostas de reforma não façam referência às empresas do Simples Nacional, Rodrigo Maia destacou que essas companhias deveriam ser atingidas pelas reforma, mas não detalhou como isso deveria ser feito. O setor de serviços tem criticado a reforma pois teme o aumento de tributação sobre essa área. O deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) também defendeu a ideia de Maia, argumentando que apenas 15% das prestadoras de serviço, que não estão inscritas no Simples, teriam mudanças nas regras tributárias.

— Acho que é você pensar uma reforma tributária para o país, a redistribuição de carga para promover justiça tributária e com progressividade — ponderou Ribeiro, que é o relator da reforma.

Confira:Reforma tributária: benefício com proposta do governo é menor do que com uma mudança ampla, diz Appy

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, argumentou que a reforma não deve privilegiar um setor em detrimento de outros.

— Temos que deixar de olhar para o próprio umbigo e olhar para o Brasil como um todo.

Ele ainda frisou que a CNI apoia a tramitação da PEC 45 no Congresso Nacional e defendeu a simplificação dos impostos com uma legislação unificada sobre o tema. Braga também destacou que o período de transição deveria ser menor do que o previsto de 10 anos para as novas regras. Ele também pediu soluções para a cobrança do imposto de renda para as empresas. 

Industrialização

Robson Braga argumentou ainda que o sistema tributário do país tem tirado competitividade da indústria nacional. Um estudo da instituição revela que o Brasil está em 16º lugar em um ranking que mede a competitividade de 17 países. Aguinaldo Ribeiro considerou que faltou ao país a elaboração de uma política de Estado voltada ao setor industrial.

Outro ponto em debate foi o Custo Brasil, que hoje é de até R$ 1,5 trilhão. O índice indica o quanto as empresas pagam a mais para produzir no país. Para Afonso Pastori, ex-presidente do Banco Central, "essa classificação de Custo Brasil diz muito sobre o que vem acontecendo com a indústria". Ele ressaltou que o crescimento do setor está estagnado desde 2014.

— O Brasil precisa importar mais e exportar mais, mas para fazer isso temos que tirar o grosso das ditorçãoes que existem atualmente. 

Opinião:Quem ganha com o custo Brasil?

Ele defende que o ICMS deve ser revisto, pois induziria uma guerra fiscal entre os estados, uma vez que é cobrado na origem da cadeia produtiva. Pastori diz que a cobrança deveria incidir sobre o destino do bem. O deputado Rodrigo Maia também ressaltou as distorções do sistema tributário do país, que considera complexo.

— Nenhum tributarista conhece o sistema tributário brasileiro — E completou: — Nós tributamos mais o brasileiro mais pobre, essa que é a verdade.

Votações

O governo afirmou que vai encaminhar a proposta de reforma ao Congresso em fases. Mas Rodrigo Maia descartou a possibilidade de votação fatiada da proposta e afirmou que ainda é preciso convencer os prefeitos quanto a unificação dos impostos.

— Se já tivermos os votos para tudo, ótimo, se não vamos tentar avançar. 

O relator do tema na Câmara, deputado Agnaldo Ribeiro (PP-PB) também se opôs ao parcelamento da apreciação da matéria.

— [Votar separado] é você dissipar energia que a gente precisa para aprovar reformas estruturantes — complementou Agnaldo Ribeiro.

Comissões aprovam programa de reforço à renda dos catadores de resíduos

Reunião remota das Comissões conjuntasReunião remota das Comissões conjuntasFoto: Edson Júnio Pio

 
As comissões de Trabalho, Administração e Serviço Público , de Orçamento, Finanças e Tributação, de Meio Ambiente e Desenvolvimento do Semiárido, de Viação, Transporte e Desenvolvimento Urbano e de Juventude da Assembleia Legislativa se reuniram, de forma conjunta, por sistema remoto, na manhã desta quarta-feira (29/07), e aprovaram três projetos. Destes, um de autoria do Poder Executivo, e dois de parlamentares.

O projeto de lei 37/20, do Poder Executivo, institui o Programa Estadual de Reforço à Renda decorrente da Prestação de Serviços Ambientais no Estado, no período de calamidade pública ocasionado pela Covid-19. A matéria foi aprovada com três emendas, das quais duas do deputado Nelinho (PSDB) e uma do deputado Renato Roseno (Psol) e beneficia os catadores cearenses.

O projeto de lei 58/20, do deputado Leonardo Araújo (MDB), acrescenta e modifica a lei 17.086/19, que trata do fomento à educação sexual para jovens.

Já o projeto de indicação 436/19, do deputado Fernando Santana (PT), dispõe sobre a estadualização da estrada que começa no entroncamento das rodovias CE-293 e CE-386 e termina nos limites da propriedade do empreendimento Arajara Park, em Barbalha. A sugestão foi aprovada com uma emenda, também do deputado Fernando Santana.

As emendas ao projeto de lei 37/20 e ao projeto de indicação 436/19 também foram aprovadas pela Comissão de Constituição, Justiça e Redação em reunião posterior.

A reunião conjunta foi conduzida pelo deputado Jeová Mota (PDT), e contou com a participação dos deputados Queiroz Filho (PDT), Augusta Brito (PCdoB), Renato Roseno (Psol), Sérgio Aguiar (PDT), Walter Cavalcante (MDB), Romeu Aldigueri (PDT), Erika Amorim (PSD) e Elmano Freitas (PT).
PE/AT

Ministério Público gosta de controlar, mas não quer ser fiscalizado, diz Maia

Danielle Brant / FOLHA DE SP
BRASÍLIA

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), se somou às críticas feitas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, à operação Lava Jato e afirmou ter a impressão de que o Ministério Público gosta de controlar, mas não quer ser fiscalizado.

Na terça-feira (28), Aras disse que não podia aceitar que houvesse documentos invisíveis à corregedoria. “É um estado em que o PGR não tem acesso aos processos, tampouco os órgãos superiores, e isso é incompatível", afirmou.

Em entrevista ao apresentador José Luiz Datena nesta quarta (29), Maia concordou com o procurador-geral e afirmou que houve excessos no Ministério Público.

“A crítica que eu faço é exatamente que me dá a impressão muitas vezes que o Ministério Público é um órgão fundamental para o nosso país, para a nossa democracia, para o nosso futuro, para o nosso desenvolvimento... claro, o trabalho que eles fazem é fundamental. Mas a impressão que me dá é que não gostam de ser fiscalizados, muitas vezes”, disse.

Maia criticou o fato de o procurador-geral, que é responsável por todos os Ministérios Públicos, não ter acesso a informações dentro da estrutura do órgão. Também disse que, ao contrário do que ocorre no CNJ (Conselho Nacional de Justiça), há poucas punições e afastamentos no Ministério Público.

“O que eu acho é que se cumpre o papel de controlar os outros e não se tem o papel de controlar o Ministério Público”, afirmou. O deputado citou episódios de votações na Câmara que, de acordo com ele, eram antecedidas por coletivas de membros da Lava Jato com críticas ao que seria apreciado na Casa.

“Em determinado momento, qualquer coisa que a gente ia votar tinha uma coletiva lá do pessoal de Curitiba, ‘não pode votar isso, não pode votar aquilo’, como se fossem um árbitro, uma figura acima do bem e do mal”, criticou Maia, que disse que o Ministério Público não pode estar blindado.

“Eu lembro que num país que quer ser democrático, a liberdade de imprensa é fundamental, a liberdade de expressão é fundamental, mas o devido processo legal também é fundamental, porque senão não é uma democracia”, afirmou.

A declaração de Aras foi rebatida pelo ex-juiz da Lava Jato em Curitiba Sergio Moro no Twitter nesta terça-feira (29). Ao compartilhar uma notícia, o ex-ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro disse desconhecer ilícitos na operação. "A Operação sempre foi transparente e teve suas decisões confirmadas pelos tribunais de segunda instância e também pelas Cortes superiores, como STJ e STF", escreveu.

DEM e MDB desembarcam do Centrão e oficializam rumo antagônico na Câmara

Daniel Weterman e Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

27 de julho de 2020 | 15h02

BRASÍLIA - O DEM e o MDB vão oficializar, nos próximos dias, o desembarque do Centrão, bloco liderado na Câmara pelo deputado Arthur Lira (Progressistas-AL), como antecipou Estadão/Broadcast. Os dois partidos já atuam de forma independente em torno do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), mas acabam ficando a reboque de Lira no encaminhamento de votações. O divórcio mostra os rumos antagônicos que as bancadas vão tomar em votações futuras, como na reforma tributária e na sucessão de Maia, em 2021.

Conhecido como “blocão”, o grupo conta, atualmente, com Progressistas, PL, PSD, MDB, DEM, Solidariedade, PTB, PROS e Avante e tem 221 deputados federais, o maior da Casa. Foi formalizado em 2019 para a formação da Comissão Mista de Orçamento (CMO) e permitiu ao Centrão ter 18 assentos no colegiado mais cobiçado do Congresso. Não sem motivo: a comissão é responsável por preparar o orçamento federal e definir a destinação das emendas parlamentares. A aliança abrigava, ainda, PSL, PSDB e Republicanos, que formalizaram a saída anteriormente.   

Rodrigo Maia
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

Os últimos embates no plenário, porém, revelaram o racha no bloco. A tentativa de Lira de retirar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Fundeb da pauta, na semana passada, a pedido do Palácio do Planalto, irritou o DEM e o MDB. “Isso foi bem simbólico e a gente entendeu que era hora, realmente, de partir em linha própria", afirmou o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (PB), ao Estadão/Broadcast.  

Horas antes da votação, no entanto, o Centrão recuou e decidiu apoiar a prorrogação do Fundeb. Esse tipo de requerimento só pode ser apresentado por um líder de bloco, o que, na prática, faria o DEM e o MDB se submeterem à estratégia capitaneada pelo governo. "Foi bom enquanto durou, mas é hora de escolher um caminho próprio", disse Efraim.

A aproximação do Centrão com o presidente Jair Bolsonaro e a disputa pelo comando da Câmara, marcada para fevereiro de 2021, racharam o “blocão”. Juntos, DEM e MDB têm 63 deputados. Agora, os dois terão autonomia em posicionamentos formais da Câmara, como na apresentação de requerimentos para votação de emendas em projetos de lei, pedidos para acelerar determinadas votações e até para solicitar a retirada de alguma proposta da pauta.

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Rodrigo Maia pede que governo envie reforma administrativa à Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), voltou a cobrar, nesta quinta-feira, o envio de uma proposta do governo para a reforma administrativa o mais rapidamente possível.

“Independentemente de ser a melhor proposta, a gente tem que fazer o debate. Principalmente depois da pandemia, a necessidade de a gente organizar direito, não por gambiarra, a situação fiscal e administrativa brasileira é muito importante”, afirmou Maia em reunião virtual da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa.

Maia destacou a importância do assunto, principalmente no próximo ano, quando haverá pressão para furar o teto de gastos e crescimento sem controle de despesas públicas de péssima qualidade. “Nós temos 12 meses para fazer as coisas. Mais do que isso, apresentar uma reforma em 2021, esquece, porque a Casa revisora vai fazer a conta de que tem que fazer a votação no segundo semestre. Aí morreu, ninguém vai votar nada no segundo semestre de 2021”, alertou o presidente.

Propostas
No Congresso tramitam algumas propostas de emenda à Constituição (PECs) relacionadas ao assunto, mas Rodrigo Maia entende que o ideal é o governo mandar sua proposta.

“A gente precisa do governo 100%. No caso da PEC, a gente tem condição de avançar, apesar do governo, mas com o risco de o Supremo decair, porque alguns ministros do Supremo entendem que, mesmo por PEC, é prerrogativa exclusiva do Poder [Executivo]. Geralmente, eles fazem isso porque, se a gente puder fazer por PEC, a gente vai poder fazer a [reforma] do Judiciário também”, explicou.

Eficiência
No debate desta quinta, o ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga e a sócia da Consultoria Oliver Wyman Ana Carla Abrão defenderam uma proposta de reforma administrativa que leve a uma maior eficiência da máquina pública, com mais qualidade na prestação de serviços pelo Estado.

Ana Carla Abrão esclareceu que não se trata de perseguir servidor público nem de cortar ou congelar salário, mas de fazer justiça social. “A gente está buscando melhorar o serviço público, em particular os básicos de educação, saúde e segurança. São fundamentais para gerar oportunidades para a população brasileira”, observou. Na avaliação da economista, a atual máquina brasileira leva a um desperdício de recursos e a um resultado final que se perde no processo.

 

Recursos humanos
Abrão defendeu que o governo incentive o servidor a trabalhar com foco em resultados. Armínio Fraga acrescentou ainda que é fundamental construir uma área de recursos humanos transparente, para que as pessoas sejam avaliadas de maneira objetiva, com o direito de se manifestar, com segurança, sem abusos.

“Mas também que haja incentivos corretos para que as pessoas atinjam seu potencial, produzam o seu melhor resultado possível para que se coloquem nas suas carreiras o mais produtivas”, afirmou Fraga. “Em última instância, o funcionário público é funcionário da Nação, das pessoas.”

Estabilidade
A proposta dos economistas não trata da estabilidade dos servidores. Ainda que Ana Carla Abrão acredite que essa estabilidade seja ampla e deva ser discutida, ela ressaltou que essa é uma característica que existe no mundo inteiro e é fundamental para evitar a interferência política e a pressão sobre servidores. “A máquina tem a função de garantir que a agenda de Estado se sobreponha à agenda política e sobre àquele grupo que está temporariamente no poder”, justificou.

O que precisa haver, reforçou, é gestão, incentivo, capacitação e diferenciação por meio de avaliação. A economista lembrou, por outro lado, que já existe hoje a previsão de demissão do servidor que cometa uma falta grave, por exemplo.

Salário inicial
Outro ponto criticado pelos debatedores foi o salário inicial alto de algumas carreiras, notadamente as da elite do serviço público, e a progressão muito rápida, o que pode gerar acomodação de profissionais.

Rodrigo Maia ilustrou com um exemplo da Câmara. “Eu vejo aqui pela Câmara, o grande desafio é a pessoa ser policial legislativo. Depois de passar no concurso, você sai com salário inicial de R$ 14 mil e, em oito anos, você está no teto. O consultor legislativo sai com salário inicial de R$ 23 mil e, em cinco anos, está no teto. O salário médio da Câmara é de R$ 30 mil, estou falando de carreiras de elite”, ressaltou.

Ana Carla Abrão reforçou que essa não é a realidade de todas as carreiras. “Uma coisa são as carreiras de elite e outra, as carreiras responsáveis pelo atendimento ao cidadão na ponta: saúde, educação e segurança”, diferenciou. “A gente tem o topo que ganha muito bem. Quando a gente fala do salário na base, a gente tem um problema muito grave. E quando compara com o setor privado também. Não dá para dizer que hoje o professor do setor público ganha mais que o do privado.”

Aqui, defendeu a economista, entraria a avaliação de desempenho para permitir diferenciar as pessoas que trabalham mais das que trabalham menos ou daquelas que não trabalham, que seria “uma minoria”.

 

Distorções
O senador Antonio Anastasia (PSD-MG), que também participou do debate, classificou tais distorções como gravíssimas. “O governo gasta muito e o servidor recebe pouco. O professor, o médico, o atendente ganham pouco. Ele, trabalhando bem, recebe o mesmo salário de quem trabalha mal”, criticou. Anastasia defendeu uma “disputa piramidal” para alcançar os cargos mais altos no serviço público.

Também para Armínio Fraga, a estrutura de carreira pode ser mais vertical sem se transformar na “loucura curto prazista”. Segundo ele, apenas uma minoria “sairia prejudicada em termos financeiros e de qualidade de vida profissional e de satisfação com o trabalho”.

“É um ganha-ganha, inclusive para os funcionários, exceto para uma minoria que precisa de alguma forma se resolver, seja no topo, seja na base, sejam os que aferem ganhos absurdos ou os que não fazem nada. São minoria. O Brasil deve a si mesmo, temos que encarar isso de peito aberto”, pontuou Fraga.

Discussão antecipada
O coordenador da frente parlamentar, deputado Tiago Mitraud (Novo-MG), disse que pretende se antecipar ao envio da proposta de reforma administrativa pelo Executivo. “Quando for a hora da tramitação, a reforma vai encontrar um ambiente mais propício para que tramite”, acredita.

A senadora Kátia Abreu (PP-TO), também presente no debate, também se mostrou disposta a lutar pela pauta. “As reformas administrativa e tributária são dois grandes presentes que podemos dar ao Brasil, para que a gente possa dar serviço de qualidade. O brasileiro que paga imposto clama por muito pouco: oportunidade de trabalho e serviço público de qualidade”, declarou.

Reportagem – Noéli Nobre
Edição - Natalia Doederlein

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Entra em vigor lei que libera sorteios de prêmios no rádio e na televisão

JOGOS DE AZAR NA RADIO E TV

 

 

 

Entrou em vigor nesta terça-feira (21) a Lei 14.027/20, que autoriza emissoras de televisão e rádio a promover ações de marketing que envolvam sorteio de prêmios, distribuição gratuita de brindes, concursos ou operações assemelhadas.

A lei é oriunda da Medida Provisória 923/20, aprovada pela Câmara dos Deputados com parecer do deputado Fernando Monteiro (PP-PE).

A participação das pessoas nos sorteios será restrita aos maiores de 18 anos, com a necessidade de cadastro prévio do participante, por meio eletrônico (como aplicativos), e a confirmação do Cadastro de Pessoas Físicas (CPF). Havia ainda a possibilidade de cadastro pelo telefone, mas o presidente Jair Bolsonaro vetou essa opção.

Este foi um dos quatro vetos à nova lei. Eles serão analisados agora pelo Congresso Nacional, que poderá mantê-los ou derrubá-los.

Os sorteios na TV eram comuns na década de 1990, mas foram proibidos por decisão judicial em 1998.

Ampliação
Originalmente, a MP previa os telejogos apenas para redes de televisão aberta, mas o relator estendeu a regra para toda a cadeia de radiodifusão (concessionárias e permissionárias) e organizações da sociedade civil.

No caso de organizações da sociedade civil, o parecer condiciona a realização do sorteio à finalidade da instituição – como a promoção da educação, da saúde e segurança, entre outras. As organizações também deverão ser cadastradas de acordo com o marco regulatório das organizações civis (Lei 13.019/14).

Fiscalização
Pela nova lei, caberá ao Ministério da Economia autorizar e fiscalizar os sorteios. O texto proíbe ações que configurem jogo de azar ou bingo e a distribuição ou conversão dos prêmios em dinheiro.

Os sorteios precisam ter como base os resultados da extração das loterias federais, podendo ser admitidos outros meios caso o sorteio se processe exclusivamente em programas públicos nos auditórios das estações de rádio ou de televisão.

Emissoras que descumprirem as normas poderão ter a autorização cassada, além de pagar multa.

Demais vetos
Bolsonaro eliminou da nova lei a possibilidade de realização de sorteios e distribuição brindes gratuitos de até R$ 10 mil mensais sem necessidade de aval do Ministério da Economia. Ele alegou que a medida inviabilizaria a fiscalização, importante para combater crimes como de lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

Também foi vetado o dispositivo que determinava que o preço público da outorga dos serviços de radiodifusão seria atualizado pelo IPCA, a partir da aprovação da outorga pelo Congresso Nacional, salvo se existisse outra regra prevista no edital de licitação do serviço.

A justificativa para o veto foi de que a medida poderia acarretar renúncia de receita e a lei não vinha acompanhada de estimativa de impacto orçamentário e financeiro, como manda a legislação fiscal.

Reportagem – Janary Júnior
Edição - Natalia Doederlein

Fonte: Agência Câmara de Notícias

Maia e Alcolumbre recebem de Paulo Guedes proposta do governo de reforma tributária

PAULO GUEDES E A REF TRIB

 

 

 

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, receberam nesta terça-feira (21) do ministro da Economia, Paulo Guedes, a proposta do governo de reforma tributária. O texto cria o Imposto sobre Valor Agregado (IVA) dual e vai tramitar em conjunto com as demais propostas sobre o tema que estão em análise no Congresso Nacional.

Rodrigo Maia elogiou a iniciativa do governo e afirmou que a reforma tributária vai garantir segurança jurídica para o setor produtivo. Segundo ele, independentemente do texto que vai ser aprovado (se a unificação de todos os impostos ou apenas os federais), o importante é avançar na proposta.

“Antes de ouvir os críticos, que a imprensa ouça os que prepararam a proposta do governo e as que tramitam na comissão mista para compreender o real objetivo. A gente sempre vê críticas de pessoas que têm o legítimo direito, mas não sabem o que está escrito nem qual o objetivo. O importante é discutir a reforma da forma como está redigida”, disse Maia.

Simplificação
Davi Alcolumbre afirmou que a entrega da proposta é histórica e defendeu um texto de consenso entre as duas Casas e o governo. “É o primeiro passo para fazer a reforma. Hoje, temos um emaranhado de resoluções, portarias e leis que complicam a vida dos investidores e atrapalham os empresários. É preciso criar um novo ambiente de negócios”, disse Alcolumbre.

Paulo Guedes afirmou que confia no caráter reformista do Congresso Nacional e disse apoiar o “acoplamento” das propostas do governo e do Parlamento. Ele reconheceu que o Executivo atrasou o envio da proposta por “circunstâncias políticas”.

Segundo o ministro, o governo apoia a unificação de todos os tributos – federais e municipais – que incidem sobre o consumo, mas que, em respeito à Federação, apresentou ao Parlamento apenas a unificação de impostos federais. “Trazemos o IVA dual e, por isso, em respeito à Federação e ao Congresso, não nos cabe invadir o território dos estados”, afirmou.

Reportagem – Luiz Gustavo Xavier
Edição – Pierre Triboli

Fonte: Agência Câmara de Notícias

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