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Mesa Diretora encerra atividade legislativa e anuncia Comissão de Recesso

Mesa Diretora encerra atividade legislativa e anuncia Comissão de RecessoFoto: Júnior Pio

O segundo vice-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece), deputado Danniel Oliveira (MDB), encerrou os trabalhos legislativos e anunciou, na tarde desta terça-feira (20/12), os integrantes da Comissão de Recesso que seguirão em regime de plantão de 23 de dezembro a 31 de janeiro.

A medida tem como base o artigo 51, parágrafo 2º do Regimento Interno da Casa, que estabelece que a comissão seja eleita na última sessão de cada período legislativo.

Os parlamentares eleitos para o colegiado são George Lima (PDT), Nizo Costa (PT), Walter Cavalcante (PV), Leonardo Pinheiro (Progressistas), Osmar Baquit (PDT), Manoel Duca (PDT), Bruno Pedrosa (PDT), Davi de Raimundão (MDB) e Augusta Brito (PT).

De acordo com o artigo 52 do Regimento Interno, o colegiado pode se reunir, quando convocado por seu presidente ou pelo presidente da Assembleia Legislativa, para deliberar assuntos importantes para os quais seja necessária a participação da Casa.

Lincoln Vieira

Edição: Clara Guimarães / ag|ência de noticias da alece/ daniel sampaio

Favorito para ser reeleito, Evandro Leitão avalia mandato como presidente da AL-CE

Igor Cavalcante, / diarionordeste

 

Evandro Leitão presidente da al 2021 2022

 

Encerrando o primeiro mandato como presidente da Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE), o deputado estadual reeleito Evandro Leitão (PDT) fez um balanço, nesta terça-feira (20), da gestão dele como chefe da Casa.

O pedetista é o nome favorito para seguir, por mais dois anos, no comando do Legislativo cearense. A eleição, no entanto, só ocorrerá no próximo ano, na retomada dos trabalhos parlamentares. Leitão também comentou sobre o futuro de seu partido, o PDT, no Legislativo cearense.

 

“Digo que é uma honra estarmos à frente da Casa. Temos vaidade, é óbvio, mas não é desmedida, não a ponto de nos consumir, a ponto de perder nosso foco e nosso norte (...) Só tenho a agradecer a confiança que vocês nos deram, a relação de confiança que vocês nos deram, mediando os interesses republicanos e naturais de uma Casa”, comentou o presidente do Legislativo.

“Tenho compreensão que tudo passa, é efêmero, mas, enquanto estamos ocupando cargos públicos, representando a população, temos que ser compromissados e intensos, respeitando os que acreditaram em nós”
EVANDRO LEITÃO (PDT)
Presidente da AL-CE

O pedetista ainda agradeceu e desejou sucesso a parlamentares que não estarão no Legislativo estadual no próximo ano. “Tenho orgulho de fazer parte da Mesa Diretora agora nesses últimos dois anos, dando minha contribuição, respeitando meus pares. Peço desculpas por algum momento de infelicidade, temos fragilidade e não sou diferente, mas procurei honrar todos vocês”, concluiu. 

BALANÇO DA GESTÃO

No balanço da gestão, Leitão apresentou aos parlamentares um relatório com os trabalhos realizados pela Casa. Ao todo, foram 1.356 sessões realizadas desde 2019. Os deputados apresentaram 3.695 propostas, das quais 3.120 foram deliberadas. A Casa ainda recebeu, desde 2019, 560 propostas do Poder Executivo. Apenas uma segue em tramitação. 

ALIANÇA ENTRE PT E PDT

O presidente da Assembleia também comentou sobre as negociações para a retomada da aliança entre PT e PDT, após o rompimento na campanha deste ano.

"Tivemos duas reuniões, uma ampliada, na quinta-feira (15), e outra mais fechada, na sexta (16). Teremos outra nesta semana até sexta-feira. Meu posicionamento é de que sejamos base do Governo Elmano. Digo isso porque estamos nesse projeto juntos, unidos, desde 2007 na esfera estadual, no primeiro Governo Cid. O PDT e o PT tiveram participações em todo esse projeto, participações que foram fundamentais para termos resultados são auspiciosos", disse. 

"Na reunião ampliada, vi que a grande maioria dos deputados estaduais deseja ser base do Governo Elmano. Entre os federais também há essa preferência, então acredito que, nos próximos dias, o presidente do partido deve anunciar algo nesse sentido", conclui.

Evandro Leitão ainda confirmou que já informado pelo governador eleito, Elmano de Freitas (PT), sobre a necessidade de realizar uma sessão extraordinária do parlamento estadual para a Casa votar a reforma administrativa a ser proposta pelo petista. 

O pedetista ainda reafirmou a intenção de disputar a reeleição para a presidência da AL-CE. "Coloco-me à disposição dos meus pares para dar continuidade a esse trabalho. Temos o mês de janeiro para conversar, se for para dar continuidade, enfrento, enfrentarei, estou à disposição", finalizou.

Senado aprova PEC que viabiliza pagamento do piso salarial de enfermagem

Por Karolini Bandeira — Brasília / o globo9

 

O Senado Federal aprovou por unanimidade, nesta terça-feira, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que define de onde sairão os recursos para complementar o salário de profissionais de saúde até o mínimo criado com o piso de enfermagem. Os valores serão pagos pela União aos estados, aos municípios e ao Distrito Federal.

 

A PEC vale para enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de enfermagem e parteiras do setor público, de entidades filantrópicas e de prestadores de serviço com atendimento mínimo de 60% de pacientes do SUS. Agora, ela segue para promulgação.

 

— Tanto a Câmara quanto o Senado correram contra o tempo neste fim de ano para resolver todos os impasses que envolvem o piso. Agora, esperamos que o poder judiciário possa agir com a mesma celeridade, pois não existe mais nenhum obstáculo para a concretização da nossa conquista — celebra a presidente do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Betânia Santos.

 

O piso da enfermagem, aprovado pelo Congresso Nacional, está suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF), devido ao debate sobre a responsabilidade pelos custos dos novos salários destes profissionais. Autor da decisão, o ministro Roberto Barroso argumentou que a fixação de um piso sem fonte de recursos causaria demissões no setor.

 

— Essa é uma importante conquista da categoria em favor da resolução dos questionamentos quanto às fontes de custeio. Com mais este avanço, esperamos que o STF aprecie os pedidos de urgência e revogue imediatamente a suspensão da Lei 14.434 — afirma o relator da PEC, senador Fabiano Contarato (PT-ES).

 

Pela lei suspensa, os enfermeiros receberiam a partir de R$ 4,7 mil; técnicos de enfermagem, no mínimo R$ 3,3 mil; e auxiliares e parteiras R$ 2,3 mil.

Câmara fecha acordo com Lula e reduz prazo da PEC da Transição de dois para um ano

Por Daniel Weterman / o estadão

 

BRASÍLIA - A Câmara fechou um acordo com o governo eleito para reduzir a validade da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição de dois anos para um ano, disse ao Estadão o relator da proposta na casa, deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA). A costura foi feita na tentativa de viabilizar a aprovação da proposta, que deve ser votada ainda hoje no plenário.

 

O acordo foi discutido na residência oficial da Câmara entre o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) líderes da Casa e o futuro ministro da FazendaFernando Haddad – que, mais cedo, teve uma conversa separada com Lula. Líderes tentam ainda emplacar outras mudanças para desidratar o valor total da proposta, mas o martelo ainda não foi batido.

 

Líderes da Câmara tentam 'desidratar' PEC da Transição, diminuindo o valor fora do teto de gastos.
Líderes da Câmara tentam 'desidratar' PEC da Transição, diminuindo o valor fora do teto de gastos.  Foto: Gabriela Biló/Estadão

A PEC aprovada no Senado, principal aposta do governo eleito para acomodar as promessas de Lula na campanha, aumenta o teto de gastos em R$ 145 bilhões durante dois anos para bancar o programa Bolsa Família e libera da regra fiscal R$ 23 bilhões para investimentos a partir deste ano. O texto traz ainda outras exceções ao teto – totalizando um impacto fiscal de R$ 193,7 bilhões, segundo cálculos do Tesouro Nacional.

O Centrão se articula ainda para tentar diminuir o valor da proposta, a começar pelos “penduricalhos”, ou seja, diminuindo as exceções ao teto incluídas no texto. Líderes querem retirar da proposta, por exemplo, a flexibilização das despesas pagas com recursos das contas abandonadas do PIS/PASEP, calculadas em R$ 24,6 bilhões pelo Tesouro.

Com isso, o impacto final da PEC, incluindo todo o aumento de despesa no Orçamento, dentro e fora do teto, ficaria em aproximadamente R$ 170 bilhões. No entanto, nada ainda foi definido.

Desidratação

Nos últimos meses, após a eleição que consagrou Lula presidente, o prazo de validade da PEC vem sendo desidratado. Inicialmente, a equipe do presidente eleito desejava que a proposta retirasse o Bolsa Família do teto de gastos de forma permanente. Depois, o PT cedeu para quatro anos, prazo do mandato.

Para conseguir aprovar a proposta no Senado, porém, foi articulado um acordo que baixou o prazo para dois anos, além da redução de R$ 30 bilhões no valor.

Agora, o acordo para a nova redução do prazo em troca da aprovação da PEC foi negociado por Lula com líderes da Câmara e inclui, sobretudo, a divisão da “herança” do orçamento secreto, derrubado ontem pelo Supremo Tribunal Federal.

A negociação prevê que a verba dos R$ 19,4 bilhões reservados ao mecanismo no Orçamento de 2023 vá metade para emendas individuais e metade para o governo, resultando num pagamento extra de R$ 16,3 milhões em emendas parlamentares para cada deputado e senador em troca do apoio à proposta.

O acordo, porém, ainda passará pela Comissão Mista de Orçamento para ser concretizado na votação do Orçamento de 2023, prevista para esta quarta-feira, 21.

 

 

 

Comissão Especial que analisou contrato da Enel sugere abertura de CPI

Comissão Especial que analisou contrato da Enel sugere abertura de CPIFoto: Leomar

 
A abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa para apurar e investigar com um maior aprofundamento o descumprimento de diversas cláusulas contratuais por parte da empresa Enel Distribuição Ceará foi um dos encaminhamentos de relatório divulgado na manhã desta sexta-feira (16/12) pela comissão especial da Casa responsável por analisar o contrato de concessão do serviço público de distribuição de energia elétrica no Estado.

Em coletiva de imprensa realizada na Alece, o presidente da comissão, deputado Fernando Santana (PT), destacou que não era possível anteriormente abrir uma CPI na Casa tendo como alvo a Enel pela ausência de elementos técnicos e jurídicos para tal. “O estudo apresentado hoje concluiu que, no mínimo, já temos os elementos suficientes para abrir nesta Casa uma CPI, além de outros encaminhamentos”, anunciou.

Segundo o parlamentar, a partir de um estudo minucioso, com bases jurídicas e técnicas, conduzido pela comissão especial, foi possível identificar a existência de uma série de irregularidades cometidas pela Enel no que diz respeito à prestação de serviços de energia à população cearense, com diversas cláusulas de contrato sendo descumpridas.

O relatório apresentado pela comissão apontou que a concessionária tem registrado péssimos indicadores de continuidade de serviços, com altos índices de interrupções no fornecimento, além de ser uma das concessionárias de energia do País que mais descumpre prazos de atendimento ao consumidor no que se refere à solução de reclamações.

Outras irregularidades apontadas no relatório dizem respeito a erros de faturamento, débitos indevidos, demora para execução de serviços técnicos, demora para soluções de demandas municipais, falta de transparência, problemas no faturamento da iluminação pública, problemas técnicos na rede, entre outras.

Para o relator da comissão especial, deputado Guilherme Landim (PDT), considerando os dados oficiais contidos no relatório, ficou claramente demonstrado que a Enel Ceará possui diversas inadimplências, por descumprir de maneira generalizada preceitos fundamentais estabelecidos em seu contrato de concessão, assim como já sofreu inúmeras penalidades.

Ainda segundo o deputado, após a análise dos dados oficiais de índice de qualidade do serviço, ficou demonstrada uma piora acentuada e gradativa dos indicadores, com o nível de qualidade oferecido pela concessionária sendo extremamente preocupante.

Diante dessa situação, o relator salientou que, além da sugestão de abertura de CPI junto à Mesa Diretora da Casa, para apurar e investigar as irregularidades identificadas, outros encaminhamentos passam por oficiar a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e outras instituições para a tomada de medidas cabíveis.

“Nós vamos encaminhar esse relatório, com todos os descumprimentos encontrados, para a Aneel, que é o órgão fiscalizador que tem o dever de apresentar sanções à Enel, solicitando a cassação do contrato dessa concessionária de energia no Ceará”, assinalou Guilherme Landim. Segundo ele, “não é um processo simples, mas diante do que foi trazido pelo nosso relatório e pelo relatório do Ministério Público do Estado, queremos que cada item apresentado seja analisado e, comprovadas as irregularidades, que a cassação do contrato seja decretada”.

O outro encaminhamento que consta no documento, conforme cita o relator, é o envio das suas informações para a Procuradoria-Geral do Estado (PGE), Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE) e Ministério Público Federal (MPF) para que sejam tomadas as medidas judiciais pertinentes, fazendo com que a concessionária Enel Ceará responda por todas as irregularidades apontadas perante o Poder Judiciário.

Participaram ainda da coletiva de imprensa a deputada Augusta Brito (PT) e o procurador da Alece, Rodrigo Martiniano.

Ricardo Garcia

Edição Adriana Thomasi

Surpreendido com decisões de Gilmar e do STF, Lira convoca líderes para reunião de emergência

Por Lauro Jardim/ OGLOBO

 

Arthur Lira convocou para hoje à tarde uma reunião com alguns líderes de partido para discutir os caminhos que ele e seus aliados vão seguir a partir de agora. Lira foi apanhado de surpresa com duas decisões que lhe retiraram boa parte do seu poder de barganha.

 

Primeiro foi a decisão de ontem de Gilmar Mendes liberando o extrateto para que o Bolsa Família seja pago no ano que vem. Depois, a decisão do STF de formar maioria para declarar a inconstitucionalidade do orçamento secreto.

'STF vira aliado de Lula ao derrubar orçamento secreto e deixa Lira sob pressão'

Por Vera Rosa / O ESTADÃO

 

decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de derrubar o orçamento secreto tem impacto direto na relação entre o futuro governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso. Mesmo com placar apertado, de 6 a 5, a Corte resolveu pôr um freio na distribuição de recursos de emendas parlamentares sem critérios. Desnorteado, o Centrão ainda ameaça dar o troco em votações no plenário da Câmara, mas é nítido, agora, que Lula tem o Supremo como aliado.

 

Visto como instrumento de barganha por partidos desse bloco, para apoiar Jair Bolsonaro, o orçamento secreto foi revelado pelo Estadão em uma série de reportagens, a partir de maio do ano passado. Ganhou cada vez mais força nos últimos tempos e, após a eleição, virou uma oportunidade de ouro para pôr a faca no pescoço de Lula. Trata-se da nova versão do “é dando que se recebe”, a forma mais explícita de chantagear o Palácio do Planalto.

 

Não foi à toa que o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), adiou o julgamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição para esta terça-feira, 20, na tentativa de aguardar o resultado do julgamento do Supremo.

Alckmin, Lira, Lula e Gleisi Hoffmann em encontro em Brasília.
Alckmin, Lira, Lula e Gleisi Hoffmann em encontro em Brasília. Foto: Wilton Junior/Estadão - 9/11/2022

“Eu não sou pai de santo nem João de Deus”, disse Lira em reunião com líderes de partidos, na noite da última quarta-feira, 14, na residência oficial da Câmara. Na ocasião, o deputado afirmou que, a exemplo de um médico, precisava de “instrumentos” para garantir votos ao governo Lula e aprovar a PEC da Transição no plenário. Leia-se aí cargos em ministérios para aliados, como Minas e Energia e Saúde, além dos recursos do orçamento secreto.

Em conversa com o presidente eleito, neste domingo, 18, Lira admitiu ter dificuldades para conseguir os 308 votos necessários à aprovação da PEC da Transição. A proposta permite ao Planalto aumentar as despesas em R$ 168 bilhões, por um período de dois anos, com o objetivo de pagar o Bolsa Família e o aumento do salário mínimo.

Mas o que isso tem a ver com o orçamento secreto? Na prática, todas as pontas desta história estão interligadas. Na noite de domingo, 18, por exemplo, o ministro do STF Gilmar Mendes criou uma espécie de vacina contra a revolta do Centrão e, atendendo a um pedido da Rede – partido aliado de Lula –, decidiu que recursos para bancar o Bolsa Família devem ficar fora do teto de gastos.

Com isso, o futuro governo ganha fôlego financeiro para arcar com essas despesas, caso Lira e o Centrão resolvam promover retaliações no plenário da Câmara, diminuindo o valor e o prazo de validade da PEC que dá a Lula uma licença para gastar. Esse seria o troco ao resultado do julgamento do orçamento secreto. Nos bastidores, aliados de Lula dizem que Lira “cobra por corrida”.

Candidato à reeleição, o presidente da Câmara fez e fará de tudo para salvar o orçamento secreto. Foi vencido no STF, mas vai tentar encaixar a verba, por meio de emendas de comissão, durante a análise da PEC ou até mesmo do Orçamento da União para 2023.

Em seu voto, o ministro Ricardo Lewandowski disse que “apesar dos esforços, o Congresso não conseguiu se adequar às exigências da Suprema Corte”. Os magistrados perceberam que nem mesmo o projeto de resolução do Congresso, aprovado às pressas na sexta-feira, 16, para “disciplinar” a distribuição das emendas, impede a captura dos recursos pelas cúpulas da Câmara e do Senado.

Lewandowski é próximo de Lula e sua decisão foi interpretada pelo Centrão como uma interferência do presidente eleito para barrar de vez o orçamento secreto. Como se vê, os próximos dias na capital da República prometem uma queda de braço que pode se estender pelos primeiros meses do governo Lula, com desfecho imprevisível.

Lula recebe Lira antes da final da Copa do Mundo para negociar PEC em semana decisiva

Por Daniel Weterman / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA – O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), neste domingo, 18, para negociar a votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Transição.

O encontro, por volta das 10h, ocorreu no hotel onde Lula está hospedado, em Brasília, e durou quase duas horas, antes da final da Copa do Mundo entre Argentina e França. A reunião, terceira audiência entre Lula e Lira, aconteceria na última sexta-feira, 16, mas foi adiada porque o presidente eleito ainda fechava o desenho da Esplanada dos Ministérios. Na sexta, o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, anunciou que o governo Lula 3 terá 37 pastas.

O presidente da Câmara Arthur Lira (Progressitas-AL)
O presidente da Câmara Arthur Lira (Progressitas-AL) Foto: Paulo Sergio/Agência Câmara

É uma semana decisiva para o presidente eleito e para o Congresso, pois, além da PEC, prevista para ser apreciada na Câmara na terça-feira, estão previstas a votação do Orçamento de 2023, na quarta-feira, e a conclusão do julgamento do orçamento secreto no Supremo Tribunal Federal (STF), na segunda-feira, 19.

A PEC tem sido alvo de um impasse entre Lula e Lira, embora os dois tenham interesse na aprovação da proposta. Lula, para aumentar as despesas do ano que vem e cumprir promessas de campanha. Lira, para destravar as verbas do orçamento secreto deste ano e ter poder de barganha nos recursos que serão liberados com a PEC no próximo ano.

A queda de braço se dá porque partidos do Centrão calculam não ter ainda os 308 votos necessários para a aprovação da proposta. Nos bastidores, muitos têm condicionado a votação à distribuição de cargos estratégicos na Esplanada.

Lira, por exemplo, tenta emplacar o deputado Elmar Nascimento (BA), líder do União Brasil, no Ministério de Minas e Energia. Relator da PEC da Transição, Elmar foi chamado neste sábado para uma conversa com Lula. Há cobranças do Centrão por pastas com visibilidade e recursos, como Cidades e Transportes, que serão recriadas, além de Saúde. Lula, porém, não aceita entregar Saúde, que ficará com a socióloga Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz.

A reunião entre Lula e Lira não terminou com nenhum anúncio oficial, mas integrantes da equipe de transição esperam um acordo, que passará pelos líderes da Câmara, mesmo que seja para a aprovação de uma proposta desidratada em relação à que passou no Senado, que permite gastos extras de R$ 168 bilhões, fora outras exceções ao teto de gastos – totalizando um impacto fiscal de 193,7 bilhões, segundo cálculos do Tesouro Nacional.

O julgamento do orçamento secreto no STF interrompeu as negociações e deixou as definições para esta semana, a última antes do recesso legislativo, que começa oficialmente na sexta-feira, 23.

PT de Lula ajuda a salvar orçamento secreto; veja como votaram todos os deputados e senadores

Por Davi Medeiros, Levy Teles e Lauriberto Pompeu ; O ESTADÃO

 

SÃO PAULO E BRASÍLIA – O partido do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva votou em peso, na Câmara, a favor do projeto de resolução que altera as regras de aplicação das emendas de relator, a base do chamado orçamento secreto – mecanismo adotado pelo governo Jair Bolsonaro para obter apoio de parlamentares, como revelou o Estadão. A iniciativa foi aprovada nesta sexta-feira, 16, no Congresso para assegurar uma vitória no Supremo Tribunal Federal (STF), que está para encerrar um julgamento que questiona a constitucionalidade do instrumento.

 

Dos 49 deputados do PT presentes à sessão, 44 votaram a favor da resolução, três contra e dois se abstiveram. Somente divergiram da orientação da liderança Vander Loubet (MS), Henrique Fontana (RS) e Maria do Rosário (RS). Já no Senado, foram três votos favoráveis ao projeto, um contra e duas abstenções. Fabiano Contarato (ES) foi o único a rejeitar o projeto em plenário.

 

Na campanha, Lula não poupou críticas ao orçamento secreto. Classificou a prática como “bandidagem”, “excrescência política” e afirmou que Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara, exercia o poder como um “imperador do Japão”. Após vencer a eleição, porém, o petista foi mudando o discurso, até evitar qualquer polêmica sobre o tema, desde que houvesse “transparência” e alinhamento com prioridades do governo.

 

O partido de Lula foi criticado. “Eu acho que é uma incoerência brutal do PT”, disse no plenário o senador Renan Calheiros (MDB-AL). “Até o PT votou a favor do que Lula em campanha criticou e prometeu acabar”, afirmou no Twitter o deputado Alexandre Frota (PROS-SP), que apoiou o petista no segundo turno.

 

O placar foi de amplo apoio à aprovação do texto, tanto na Câmara como no Senado. Entre os deputados, o projeto recebeu 328 votos a favor – 20 a mais do que o necessário para aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) – e 66 contra. No Senado, o placar ficou em 44 a 20.

 

Ao discursar, o deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) chamou a atenção para o volume de recursos sob controle de Lira e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). “Eu quero saber, Vossa Excelência Rodrigo Pacheco, o que Vossa Excelência quer com R$ 1,5 bilhão? O que o presidente da Câmara, Arthur Lira, quer com R$ 1,5 bilhão?”

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Renan Calheiros acusa PT de ‘incoerência brutal’ por apoiar orçamento secreto

Por Lauriberto Pompeu / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA - O senador Renan Calheiros (MDB-AL) criticou nesta sexta-feira, 16, publicamente o partido do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por apoiar um projeto que deve garantir a permanência do orçamento secreto, esquema de compra de apoio político revelado pelo Estadão. “Eu acho que é uma incoerência brutal do PT. Eu conheço a posição do presidente Lula, é uma posição totalmente contrária a inconstitucionalidade do RP-9. Lamentavelmente acabei de conhecer o encaminhamento do PT, que é um encaminhamento totalmente incoerente com o que pensa o seu líder, o presidente eleito”, afirmou o ex-presidente do Senado durante a sessão que analisa o projeto.

 

Renan é aliado de Lula, mas é rival do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), operador do orçamento secreto. “Agrava a situação ao destinar ao presidente da Câmara dos Deputados, pela liderança que ele exercerá eventualmente junto a Mesa Diretora, 7,5% dos recursos. Isso é um escárnio e uma decisão da qual eu jamais gostaria de participar”, disse o senador do MDB.

 

O texto deve ter maioria para ser aprovado nesta sexta. Com a aprovação, a distribuição das indicações orçamentárias irá acontecer proporcionalmente de acordo com o tamanho das bancadas dos partidos. Além disso, metade das verbas deverão ser usadas para saúde, educação e assistência social e os nomes dos parlamentares que indicarem as emendas precisam ser tornados públicos. No entanto, ainda haverá margem para negociação política. As mesas diretoras da Câmara e do Senado, comandadas respectivamente pelo deputado Arthur Lira e pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), terão cada uma o poder de controlar 7,5% dos recursos, o que representa R$ 1,45 bilhão na mãos de Lira e mais R$ 1,45 bilhão nas de Pacheco.

 

O projeto foi articulado pela cúpula do Congresso para impedir que o Supremo Tribunal Federal (STF) declarasse inconstitucional a prática do orçamento secreto. Hoje, o placar está de 5 a 4 para a inconstitucionalidade da prática. Ainda faltam os votos do ministro Gilmar Mendes, que irá votar a favor do orçamento secreto, e do ministro Ricardo Lewandowski, que não tem posicionamento definido e deverá ser o fiel da balança. O julgamento retorna na próxima terça-feira, 20.

 

“Acho essa votação totalmente indevida. O Brasil debateu muito sobre esse tema. Eu lamento até que o PT tenha encaminhado favoravelmente. Essa resolução está na contramão de todos os votos de todos os ministros do Supremo Tribunal Federal”, reclamou Renan. “A possibilidade de ela valer, ter eficácia em função da decisão do Supremo que virá, apenas dois ministros faltam votar, é zero porque ela não resolve nada do ponto de transparência, da impessoalidade”, completou.

 

“Eu, sinceramente, não gostaria de estar participando desse momento do Congresso Nacional e acho que isso acontece em descompasso com o grande papel que Vossa Excelência exerce a frente do Senado Federal e do Congresso Nacional. Essa coisa de RP-9 (emendas de relator), isso é um escárnio”, disse o parlamentar de Alagoas a Pacheco, que conduziu a sessão e de quem Renan é aliado.

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