MP suspende até 2025 aplicação de multa a motoristas sem exame toxicológico
Foi publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira (30) a Medida Provisória (MP) 1.153/2022, que suspende até 2025 a aplicação de multa para motorista profissional que não realizar o exame toxicológico previsto no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9.503, de 1997).
A Lei 14.071, de 2020, incluiu no Código de Trânsito a previsão de realização do exame para condutores habilitados nas categorias C, D ou E (caminhões, ônibus e trailers). Caso o motorista fosse flagrado descumprindo a norma, seria aplicada multa por infração gravíssima e determinada a suspensão do direito de dirigir por três meses.
A exigência do exame é regulamentada pelo Conselho Nacional do Trânsito, que, desde julho do ano passado, já tinha estabelecido prazos para a sua realização conforme a data de vencimento da Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Com a medida provisória editada na sexta-feira, a aplicação da multa e das demais penas ficam adiadas para 1º de julho de 2025.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
Governo edita MP para manter a desoneração de combustíveis

A Medida Provisória (MP) 1157/23 prorroga a desoneração de impostos federais sobre combustíveis, inclusive importados. A MP foi publicada no Diário Oficial desta segunda-feira (2). A desoneração estabelecida pelo governo anterior para conter a alta do preço de combustíveis perdeu validade em 31 de dezembro de 2022.
A nova MP zera até 31 de dezembro deste ano as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre óleo diesel, biodiesel e gás natural. Já para a gasolina e o álcool, a isenção de PIS/Pasep e Cofins é estendida por mais 60 dias, até 28 de fevereiro de 2023.
A medida também prevê isenção de PIS/Pasep e da Cofins, até 28 de fevereiro de 2023, para querosene de aviação e gás natural veicular, incluída as transações de importação.
Por fim, o texto suspende a cobrança de impostos até 28 de fevereiro de 2023 sobre as aquisições no mercado interno e nas importações de petróleo usado na produção de combustíveis.
A MP 1157/23 será analisada agora pelos plenários da Câmara dos Deputados e do Senado.
Reportagem - Emanuelle Brasil
Edição – Rachel Librelon
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Autoridades analisam desafios e continuidade de ações do novo governo
Posse do Governador Elmano de Freitasfoto: Junior Pio
A presidente do Tribunal de Justiça do Ceará (TJCE), desembargadora Nailde Pinheiro, defendeu a continuidade das parcerias entre o Judiciário e o Poder Executivo. Como exemplos desse trabalho conjunto, ela citou o programa Ceará Pacífico e o projeto de modernização do Judiciário cearense. “Quero desejar ao novo governador muito sucesso e agradecer e parabenizar aos dois gestores que, no período de oito anos, estiveram à frente do governo, o governador Camilo Santana e a nossa professora Izolda Cela”, disse.
Para o ex-governador do Ceará Lúcio Alcântara, há “razões para confiar que eles farão um bom governo”. Ele pediu ainda a superação das divergências políticas para trabalhar em prol do bem-estar da população cearense.
A nova secretária da Igualdade Racial, Zelma Madeira, enfatizou que a criação da pasta mostra que o novo governador “tem uma visão ampliada sobre como vamos enfrentar as desigualdades sociais e raciais”. Entre as pautas que serão prioritárias da pasta, estão o avanço da política de cotas para acesso às universidades públicas estaduais e em concursos públicos e ações voltadas para comunidades tradicionais.
De acordo com a secretária da Educação, Eliana Estrela, que continuará à frente da pasta, o objetivo será ter 100% das escolas estaduais em tempo integral até 2026, além de trabalhar junto com os municípios para universalizar essa modalidade de ensino também na rede municipal. Além disso, ela ressaltou a necessidade de recompor a aprendizagem, que foi prejudicada durante a pandemia de Covid-19.
“Eu já conheço o governador Elmano enquanto deputado, sempre muito sério, muito responsável, sempre esteve conosco tratando de bandeiras coletivas, então acredito que é um governo de continuidade de muitos projetos e de programas importantes, mas também de muitos avanços”, avaliou a secretária.
Já o novo secretário da Articulação Política, Waldemir Catanho, explicou que esse será um governo de continuidade, mas com mudanças. Segundo ele, serão priorizadas pautas como recuperação “de renda, de emprego e de criação de oportunidades”, além da “superação dessa situação de violência”. “Temos uma lista de problemas muito grandes para superar e nós temos que ter consciência disso”, destacou.
O assessor especial desta Secretaria, Artur Bruno, que cuidará da articulação com os municípios, adiantou que a característica do novo governo será de diálogo com todos os setores da sociedade. “O Elmano, por si só, é uma pessoa de diálogo, uma pessoa tranquila, muito equilibrado e muito firme nas suas decisões”, elogiou.
Segundo o novo secretário dos Esportes, Rogério Pinheiro, haverá a continuidade e o fortalecimento das políticas sociais, entre elas a de um trabalho intersetorial para a juventude. “Esporte é um política extremamente importante de inclusão social”, asseverou, antecipando que uma das prioridades será concluir as obras em andamento, como as das areninhas.
E a nova secretária das Relações Internacionais, Roseane Medeiros, tratou sobre os desafios para continuidade do projeto de implantação de um hub para produção e comercialização de hidrogênio verde no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP). “Há interesse muito grande de investidores para gerar, aqui no Ceará, a energia renovável que vai ser utilizada para produção do hidrogênio verde”, acrescentou ela, enfatizando o papel do novo governador no diálogo direto com esses interessados a fim de garantir a concretização desses investimentos.
Geimison Maia
Edição: Lusiana Freire
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Parlamentares apontam expectativas e desafios do Governo Elmano
Governador Elmano de Freitas discursa na Alecefoto: Jose Leomar
Elmano de Freitas e Jade Romero tomam posse em solenidade na Alece
Elmano de Freitas e Jade Romero tomam posse na Alecefoto: Jose Leomar
Elmano de Freitas manifestou sentimento de gratidão àqueles que lhe confiaram a responsabilidade de comandar o Executivo pelos próximos quatro anos. Ele ressaltou sua atuação na Alece como parlamentar, local onde, segundo ele, prevalece o debate de ideias e o respeito às diferenças. “Tudo que fazemos aqui impacta diretamente a vida da população, e nesse novo momento, vamos trabalhar muito para honrar essa confiança que nos foi depositada”, disse.
O diálogo, característica que marcou os governos de Camilo Santana e Izolda Cela nos últimos quatro anos, também será marca da nova gestão. Elmano considerou os inúmeros desafios a serem superados, mas garantiu que não vai medir esforços no enfrentamento das adversidades.
“Para isso, o apoio do Parlamento cearense será imprescindível, pois cada parlamentar cumpre um papel na construção de um Ceará mais justo, inclusivo, e com mais oportunidades para os que mais necessitam”, frisou. Ele afirmou também que o apoio do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva será cobrado no sentido de somar forças pelo desenvolvimento do Ceará.
"É um dia de grande satisfação, um momento democrático, em que o governador Elmano de Freitas, eleito com grande maioria dos votos, em primeiro turno, está tomando posse. Para nós que fazemos a Assembleia Legislativa é motivo de muita honra, orgulho e alegria. Desejamos que possa ter grande sucesso à frente do Governo do Estado do Ceará e que tenhamos um 2023 repleto de muita luz", declarou o presidente da Alece, deputado Evandro Leitão.
A solenidade contou, também, com a participação do ex-governador e futuro Ministro da Educação, Camilo Santana; da presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, desembargadora Nailde Pinheiro; do presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro José Valdomiro Távora; do Procurador Geral de Justiça do Estado Manuel Pinheiro; entre parlamentares, secretários, e outras autoridades.
Pedro Emmanuel Goes
Edição: Lusiana Freire
agência de noticias da alece / daniel sampaio
Funcionamento da Alece tem alteração durante o recesso parlamentar
Segundo o documento, o expediente administrativo, com o recesso parlamentar, passa a funcionar às terças, quartas e quintas-feiras, das 8h às 13 horas.
ATENDIMENTO AO PÚBLICO
Os órgãos de atendimento ao público da Casa também terão alterados seus horários de atendimento, sobretudo no período do fim de ano.
O Procon Assembleia entra em recesso de 23 de dezembro a 1º de janeiro, mas prossegue com suas atividades no site procon.al.ce.gov.br. O órgão retoma suas atividades presenciais a partir de 02 de janeiro, de segunda a sexta, das 8h às 17h. Já a Casa do Cidadão segue com atendimento normal no recesso parlamentar. O setor atende de segunda a sexta, das 8h às 17h.
O Banco Bradesco dá uma pausa no atendimento ao público no dia 30 de dezembro, apenas com atividades internas e com volta ao atendimento a partir de 2 de janeiro, de segunda a sexta das 10h às 16h.
Já o Escritório Frei Tito de Alencar, o Centro de Mediação e Gestão de Conflitos, o Comitê de Responsabilidade Social (CRS), a Biblioteca César Cals e a Procuradoria da Mulher vão seguir a portaria da Casa. Todas funcionarão de terça a quinta, das 8h às 12h, enquanto o Centro Inclusivo para Atendimento e Desenvolvimento Infantil (Ciadi) funciona de terça a quinta, das 8h às 12h, na primeira quinzena de janeiro.
Lincoln Vieira
Edição: Clara Guimarães
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Comissão do Congresso ‘perdoa’ contas de Dilma e blinda Bolsonaro de ficar inelegível
Por Daniel Weterman / O ESTADÃO
BRASÍLIA - A Comissão Mista de Orçamento (CMO) do Congresso aprovou as contas de 2014 e 2015 da ex-presidente Dilma Rousseff, após o Tribunal de Contas da União (TCU) se posicionar pela rejeição com argumentos que embasaram o processo de impeachment da petista.
Os parlamentares também aprovaram os gastos de 2020 e 2021 do presidente Jair Bolsonaro, dando uma salvaguarda para os repasses relacionados ao orçamento secreto, esquema de troca de apoio político no Parlamento pelo pagamento de emendas de relator revelado pelo Estadão. No início da semana, o Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do mecanismo. Assim, a decisão pode blindar o atual presidente de processos na Justiça após deixar o cargo e afasta o risco de Bolsonaro ficar inelegível por oito anos em função das contas de governo.
A aprovação ocorreu nesta quinta-feira, 22, último dia de funcionamento do Congresso antes do recesso legislativo. Os processos estavam engavetados pela comissão e ainda não haviam sido analisados. O presidente da CMO, deputado Celso Sabino (União-PA), aliado do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), havia prometido colocar todas as contas pendentes em votação.
A Constituição determina ao Congresso o julgamento das contas presidenciais após análise do Tribunal de Contas da União (TCU). O Legislativo, no entanto, não cumpre a determinação há 20 anos. Depois da comissão, as contas ainda precisam passar pelo plenário do Congresso, o que ainda não ocorreu.
As contas de Dilma foram relatadas pelo deputado Enio Verri (PT-PR), aliado do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. O parecer pela aprovação foi feito com ressalvas, quando os parlamentares apontam inconsistências e falhas na execução do Orçamento. O TCU, no entanto, havia orientado pela rejeição das contas.
“Para mim, como militante do Partido dos Trabalhadores, que entendo que o impeachment da presidenta Dilma foi fruto de um golpe, porque ela foi absolvida depois, aprovar as suas contas e ter tido a honra de ser o relator foi muito importante”, afirmou Verri.
Apenas o deputado Marcel van Hattem (Novo-SP) votou contra. “Se está passando um sabão na história do Brasil, de uma forma completamente triste e lamentável, tentando lavar o currículo de Dilma Rousseff, que foi ‘impichada’ por crime de responsabilidade em virtude das contas do seu Governo, em virtude das pedaladas fiscais”, disse o deputado.
As contas do presidente Bolsonaro de 2020 e 2021 também foram aprovadas. Nesses dois anos, o governo liberou R$ 36,5 bilhões em emendas do orçamento secreto. O Tribunal de Contas da União (TCU) havia votado pela aprovação com ressalvas, mas apontou que o mecanismo era inconstitucional.
Investigações
O orçamento secreto foi declarado inconstitucional pelo Supremo, mas os gastos feitos nos últimos três anos ainda são investigados por órgãos como Polícia Federal, Controladoria-Geral da União e o próprio TCU. O julgamento no Congresso pode blindar Bolsonaro de processos na Justiça sobre a execução do Orçamento após deixar o cargo e também evita com que ele fique inelegível.
Ter as contas rejeitadas é uma das hipóteses de inelegibilidade. A legislação estabelece que um político é inelegível e não pode concorrer às eleições por oito anos se tiver as contas rejeitadas, prazo contado a partir da decisão. Apenas a deputada Fernanda Melchionna (PSOL-RS) votou contra as contas de Bolsonaro. “Como votar para o orçamento secreto que foi construído e institucionalizado durante o governo Bolsonaro, que tirou dinheiro do orçamento de combate à violência contra a mulher, que tirou recursos das áreas sociais e do sistema público de saúde, para financiar essa compra de votos vergonhosa que nós vimos no parlamento nos últimos 3 anos?”, questionou a parlamentar.
Congresso promulga a Emenda 127, que garante recursos para o piso da enfermagem
O presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, promulgou nesta quinta-feira (22) a Emenda Constitucional (EC) 127, que viabiliza o pagamento do piso salarial da enfermagem. O texto, que tramitou no Senado na forma da PEC 42/2022, foi aprovado nesta semana pelos senadores e direciona recursos do superávit financeiro de fundos públicos e do Fundo Social para financiar o piso salarial nacional da enfermagem no setor público, nas entidades filantrópicas e de prestadores de serviços, com um mínimo de atendimento de 60% de pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
A Emenda, que teve o senador Fabiano Contarato (PT-ES) como relator, estabelece que a União ajudará estados e municípios a pagar esses profissionais usando recursos do superávit financeiro dos fundos públicos do Poder Executivo, verificados ao fim de cada ano entre os exercícios de 2023 a 2027, exceto os saldos vindos do esforço de arrecadação dos servidores civis e militares da União, como os relacionados à cobrança da dívida ativa.
Pacheco afirmou que a iniciativa é um justo reconhecimento aos profissionais que mais se sacrificaram durante a pandemia de covid-19, quando exerceram suas atribuições sob as condições mais adversas. Segundo ele, o Congresso se mostrou sensível a essa realidade e adotou as medidas legislativas cabíveis oferecendo a segurança jurídica e fiscal necessária para que o Supremo Tribunal Federal (STF) reverta a decisão de impedir esse pagamento.
— Com a presente emenda constitucional o Congresso Nacional reforça seu entendimento pela existência de recursos para pagamento do piso nacional dos profissionais da enfermagem. E além disso, prevê o dever da União de prestar assistência financeira aos estados, Distrito Federal, municípios, entidades complementares ao Sistema Único de Saúde — disse.
A aprovação da emenda foi uma reação do Congresso à decisão do STF de bloquear o pagamento do piso. A Corte deu prazo de 60 dias para entes públicos e privados da área da saúde esclarecerem o impacto financeiro, os riscos para empregabilidade no setor e a eventual redução na qualidade dos serviços, com a apresentação de proposta de solução.
Os senadores Weverton (PDT-MA) e Rogério Carvalho (PT-SE) acreditam que com a identificação da fonte de recursos o piso salarial será pago, reconhecendo assim o exercício da enfermagem.
— Esta Casa tem aqui um papel fundamental de estar sempre achando fontes de recursos que possam estar criando as condições para valorizar as categorias — disse Weverton.
Já o senador Izalci Lucas (PSDB-DF), apesar de comemorar a promulgação, voltou a alertar sobre o impasse em relação aos profissionais contratados pelas instituições de saúde da rede privada. Para ele, é preciso que o Congresso delibere sobre o tema votando projeto de sua autoria que inclui empresas do setor de saúde entre as beneficiadas do programa de desoneração da folha (PL 1.378/2022)
— Não podemos deixar nenhum profissional da saúde para trás. Por isso nós temos que continuar a luta da desoneração da folha. Para que todos os profissionais da saúde possam, de fato, receber seu piso salarial. Hoje nós temos 17 setores da economia desonerados, não faz sentido a saúde ficar fora disso — disse.
Fonte: Agência Senado
Congresso aprova créditos adicionais ao Orçamento e encerra a última sessão do ano
O Congresso Nacional encerrou a última sessão do ano, aprovando quatro projetos de lei que abrem créditos adicionais ao Orçamento de 2022 (PLNs 21, 25, 40 e 42), inclusive o que abre R$ 3,8 bilhões para a Lei Paulo Gustavo de apoio à Cultura (PLN 21). Outro projeto (PLN 39) flexibiliza regras para a execução orçamentária em 2022.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Comissão aprova proposta que altera sistema tributário brasileiro
A comissão especial sobre a proposta de emenda à Constituição (PEC 7/20) que altera o sistema tributário aprovou nesta quinta-feira (22) o parecer da relatora, deputada Bia Kicis (PL-DF).
Kicis apresentou modificações com relação ao texto original, de autoria do deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP).
O parecer manteve o cerne da proposta, ou seja, a concentração da tributação em apenas três categorias de impostos – consumo, renda e propriedade –, mas cria uma regra de transição, preserva tributos como a CSLL e mantém a existência dos fundos de participação dos estados e dos municípios.
Segundo Kicis, a principal vantagem do modelo previsto é a desoneração da cadeia produtiva.
De acordo com a deputada, a escolha pelo modelo Sales Tax, em que o imposto sobre o consumo é cobrado apenas na etapa de venda ao consumidor final da mercadoria, em vez do Imposto sobre Valor Agregado (IVA), é também um dos principais diferenciais dessa proposta com relação a outras propostas de reforma tributária em análise no Congresso.
“O grande diferencial é exatamente você optar pelo sistema de Sales Tax e não o IVA, porque no IVA você tem que onerar toda a cadeia [produtiva]. Aqui a gente concentra a tributação no consumo final e desonera toda a produção. A grande diferença dessa reforma para as demais é que essa, sim, representa uma grande simplificação no nosso sistema tributário. É uma proposta bem mais ousada que as demais, e ela verdadeiramente simplifica e traz transparência para o sistema.”
Essa simplificação, de acordo com Kicis, fará com que o País saia do “manicômio tributário em que vive”.
Competência tributária
No caso do consumo, segundo o texto aprovado, a tributação vai se restringir às operações de consumo final, ainda que o destinatário seja pessoa jurídica.
Quanto à competência tributária, o texto assegura que todas as três esferas federativas possam tributar essas operações. Mas para evitar multiplicidade normativa sobre a questão, a competência plena para a instituição do imposto sobre operações com bens e serviços pertencerá apenas à União e aos estados e ao Distrito Federal. Os municípios exercerão sua competência por meio da instituição de alíquota adicional à alíquota estadual.
De acordo com o texto, a competência para a tributação da renda será compartilhada entre a União, os estados e o Distrito Federal. Mas caberá aos estados apenas instituir adicional de alíquota para as pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas em seu território. O resultado da arrecadação federal e estadual será partilhado com os municípios.
A proposta preserva o Imposto sobre Propriedade Territorial Urbana (IPTU), de competência municipal, e o Imposto Territorial Rural (ITR), que passa da União para a competência dos municípios.
A União continua responsável por criar contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico, as Cides. Mas o texto veda a incidência de Cide na comercialização e importação de combustíveis (Cide-combustíveis) e em pagamentos ao exterior por serviços técnicos e transferência de tecnologia (Cide-remessas).
Transição
A transição proposta pela relatora é feita em duas fases, com pelo menos três anos entre elas. Em um primeiro momento, serão criadas as novas competências tributárias e revogados diversos tributos, como o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e o Imposto sobre Propriedade de Veículo Automotor (IPVA).
“No primeiro momento, há a criação de novas competências para União, estados e municípios e se revogam o IPI, a Cide sobre combustíveis e sobre remessas, e o IPVA. Mas existe um segundo momento, em que leis complementares devem regulamentar em até três anos a regra dos impostos que vão substituir os impostos revogados. Após três anos, a gente vai ter a extinção de vários impostos, como IOF, ICMS, imposto sobre transmissão, ISS, PIS/Pasep, Cofins, contribuição patronal, todos eles serão extintos”, disse Bia Kicis.
Para mitigar o impacto que a revogação do IPI poderia ter na Zona Franca de Manaus, que utiliza incentivos por meio desse imposto, o texto prevê que a União entregue aos estados afetados percentual da arrecadação do Imposto de Renda e do imposto sobre bens e serviços, nos termos estabelecidos em lei complementar.
A proposta de reforma tributária aprovada pela comissão especial ainda precisa passar pelo Plenário, em dois turnos de votação. Bia Kicis disse esperar que a PEC seja votada pelo conjunto dos deputados já no início de 2023.
Outras reformas
Além da PEC 7/20, outras propostas de reforma tributária estão sendo analisadas na Câmara dos Deputados, em diferentes estágios de tramitação:
- PEC 45/19, do deputado Baleia Rossi (MDB-SP);
- PEC 128/19, do deputado Luis Miranda (Republicanos-DF); e
- PEC 293/04, do Poder Executivo, relatada pelo ex-deputado Luiz Carlos Hauly (PR).
O governo Bolsonaro enviou projetos alterando a estrutura tributária, como o PL 2337/21, que altera o Imposto de Renda e já foi aprovado na Câmara, e o PL 3887/20, que institui a Contribuição Social sobre Operações com Bens e Serviços (CBS) e aguarda votação.
No Senado, está em tramitação uma proposta que também reforma o sistema tributário: a PEC 110/19, do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP).
Saiba mais sobre a tramitação de PECs
Reportagem – Paula Bittar
Edição – Roberto Seabra
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Fonte: Agência Câmara de Notícias


