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Fundeb: educação deve ter mais R$ 26 bilhões após veto do STF a manobras de estados e municípios

Raphael Kapa / O GLOBO

 

RIO — Uma "pedalada" contábil de bilhões de reais, feita há anos por estados e municípios para pagar professores e funcionários aposentados da educação com verba pública destinada especificamente à manutenção e ao desenvolvimento da educação, foi considerada irregular pela Justiça e forçará um ajuste de contas já celebrado por especialistas.

 

Estudo do pesquisador Fábio Araujo de Souza, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), mostra que ao menos 15 estados e o Distrito Federal destinaram, se somados e em média, pelo menos R$ 26 bilhões por ano de recursos do mesmo fundo onde consta o Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério), para pagar aposentados do setor de educação.

A eventual aplicação do montante em investimentos diretos, como melhorias em escolas, aumento de matrículas de alunos e de professores ativos, pode ser um marco quase tão significativo quanto a confirmação do novo, e permanente, Fundeb, aprovado nesta terça pelo Senado.

No último dia 17, o uso desses recursos previstos nos orçamentos da União, dos estados e dos municípios, que são complementados, inclusive, com o antigo Fundeb, para o pagamento de aposentadorias de professores das redes públicas de ensino, foi considerado irregular pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Tribunal de Contas da União (TCU) já havia emitido decisão semelhante.

O mecanismo foi interpretado como desvio de recursos pelos tribunais. Os docentes que deixaram de atuar nas salas de aula devem receber seus rendimentos, determinou o STF, da mesma forma que os inativos de outros setores do serviço público, com recursos vindos da Previdência.

Para Heloise Dantas, especialista em gestão pública pela FGV, o retorno de R$ 26 bilhões/ano para a educação pode ser mais um divisor de águas na área, para além da aprovação do Fundeb permanente."

— Discutimos o Fundeb, que é muito importante, mas há também essa gestão equivocada dos recursos onde o próprio fundo está inserido. O orçamento do estado do Rio, por exemplo, é três vezes menor do que esse valor. Isso poderia ser direcionado para estruturar escolas que não possuem banheiro ou refeitório — exalta.

No estudo de Souza, se as 16 unidades federativas utilizassem o montante para zerar o número de jovens de 6 a 17 anos fora da escola em seus estados, por exemplo, 13 estados ainda contariam com dinheiro sobrando para investir em educação.

— Temos 141 mil escolas públicas no país, das quais 30% não têm esgoto e 70% não contam com biblioteca — lembra o pesquisador.

Discussão acirrada na Justiça

O pagamento dos aposentados com verba pública que inclui o dinheiro do Fundeb, considerado uma "pedalada" por especialistas, foi objeto de acirrada discussão na Justiça.

No orçamento dos governos, essa despesa aparece sob a rubrica de "Manutenção e Desenvolvimento da Educação (MDE)". A disputa, até as decisões recentes do TCU e do STF, ocorria por conta de uma interpretação da Lei de Diretrizes e Bases (LDB), usada como argumentação dos gestores estaduais e municipais para fazerem a manobra.

É preciso mais:Reitores de federais afirmam que programa do MEC para fornecer ensino remoto a estudantes é insuficiente

— Eles se apegaram a um parágrafo onde não era claro que o dinheiro deveria ser usado exclusivamente para a manutenção da escola e fizeram a pedalada. Mas o próprio texto da LDB, em outras partes,  diz que o pagamento é para ativos. Agora, o STF mostrou que isso não poderia ter sido feito — afirma Elida Graziane Pinto, procuradora do Ministério Público de Contas de São Paulo, que investigou sistematicamente os desvios nos estados.

Em seu artigo "Inativos da Educação: despesas da Educação?", o pesquisador Fábio Souza mostra casos como o do Rio Grande do Sul, que já chegou a gastar, em 2018, 15% dos 29% de sua receita líquida destinada ao MDE com aposentados.

A legislação prevê que cada estado invista 25% de toda a sua receita oriunda de impostos e transferências da receita líquida para o desenvolvimento com a educação. Retirando os 15% para inativos, o Rio Grande do Sul, portanto, só teria gasto 14%.

O Fundeb auxilia estados e municípios a fechar essa conta de 25% do MDE. No MDE, os recursos têm "prioridade" para a educação básica, já no Fundeb eles têm que ser "exclusivos".

Fábio de Souza afirma que os dados do seu levantamento e a falta de transparência apontam para a necessidade de se checar se o dinheiro destinado está realmente sendo investido na melhoria das escolas.

— Nenhum estado detalha sua folha de pagamento de maneira clara. Não temos como saber da onde veio o recurso que pagou a construção de uma biblioteca ou o salário de um aposentado. Aposentados precisam ser pagos, mas com o recurso da Previdência, como é previsto — afirma Fábio.

O pesquisador afirma que teve dificuldade de encontrar os dados. O valor de R$ 26 bilhões corresponde a 15 estados e o Distrito Federal. Ele não conseguiu os dados das outras 11 unidades da federação, embora, por lei, tenham que informar como aplicam o dinheiro do Fundeb.

— Tudo que é omitido, que é eclipsado, fica mais difícil de ser controlado— afirma Souza

Muitas vezes a descrição da rubrica onde aparecem os pagamentos de professores inativos é caracterizada como de "custos administrativos”.

— E um custo na casa dos bilhões chama a atenção— diz Souza.

Bilhões em São Paulo

Foi justamente um caso envolvendo bilhões de reais que levou a procuradora Elida Graziane Pinto a investigar desvios que ocorriam na gestão estadual da Educação de São Paulo desde 2012.

— Foi um trabalho extenuante. É uma decodificação mesmo para quem é da área. Os gastos com inativos eram escondidos em rubricas para despistar. E as metodologias dos cálculos mudam de estado para estado, em São Paulo é uma, no Rio, por exemplo, já é outra — conta a procuradora.

A denúncia de Elida foi fundamental para a decisão do STF, e obrigou o estado de São Paulo a instaurar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para ajustar suas contas gradativamente até conseguir entrar na regra.

— Não queremos punir o passado ou prender ninguém que errou lá atrás. Mas precisamos ajustar o futuro. Isso significa mais vagas para alunos e em escolas com melhor qualidade.

A reportagem entrou em contato com as entidades representativas dos secretários municipais e estaduais, mas não obteve resposta até o fechamento da edição.

Bahia pode deixar de receber R$ 1,3 mi do Fundo Nacional de Segurança Pública por não ter delegacia especializada no combate à corrupção

Pepita Ortega e Fausto Macedo / O ESTAÃO

26 de agosto de 2020 | 08h25

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Foto: Reprodução

A Bahia pode deixar de receber R$ 1.350.406,50 do Fundo Nacional de Segurança Pública em 2020 em razão de ainda não ter implantado uma Delegacia de Polícia Civil especializada em combate à corrupção. Os Estados tinham até o último dia 14 para se adequar a critério que vinculou parte do repasse do FNSP à adesão ao programa que busca criar unidades da Polícia Civil para prevenir e repreender casos de corrupção de maior gravidade e complexidade. Dessa maneira, o (não) repasse à Bahia, único Estado que ainda não criou a unidade dedicada, depende de deliberação do conselho gestor do FNSP que vai avaliar nesta quarta, 26, possível prorrogação de prazo para aferição das variáveis do critério.

Desde o início do projeto estratégico ‘Fomento à Criação e Estruturação de Unidades de Combate à Corrupção nas Polícias Civis’, em janeiro de 2019, foram criadas 44 delegacias especializadas no tema, em 26 Estados. As unidades federativas que criaram mais unidades dedicadas foram Santa Catarina (6), Paraná (5), Pernambuco (4), São Paulo (3) e Pará (3).

 

Segundo o Ministério da Justiça e Segurança Pública, o projeto tem como objetivo uma integração entre as 27 Polícias Civis do Brasil no combate à corrupção, com estrutura administrativa exclusiva, efetivo policial adequado, capacitação e integração aos demais órgãos, e atuação na repressão ao desvio de recursos estaduais e municipais, assim como a Polícia Federal.

Para acelerar o processo de criação de unidades de combate à corrupção nas Polícias Civis, o ex-ministro Sérgio Moro baixou portaria em julho de 2019, estabelecendo a existência das delegacias especializadas como critério de rateio de recursos do FNSP.

Dessa maneira, o Estado que não criasse a unidade deixaria de receber da União 5% dos recursos da transferência obrigatória do Fundo Nacional de Segurança Pública a que tem direito – sendo que em tais casos o montante seria repartido entre as unidades da Federação que observaram o critério.

Até o último dia 18, a Bahia era o único Estado do País a não ter cumprido o critério. Por outro lado, está entre as três unidades federativas – juntamente com Goiás e Rio Grande do Norte – que receberam recursos do Fundo de Defesa de Direitos Difusos (FDD) para estruturar as unidades especializadas.

Segundo painel do MJSP, o projeto apresentado pela Bahia ao governo para repasse da verba chegou a R$ 2,08 milhões. Não há informação de que o valor já tenha sido empenhado ou repassado ao Estado.

COM A PALAVRA, A SECRETARIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DA BAHIA

A reportagem entrou em contato, por e-mail, com a pasta. O espaço está aberto para manifestações. 

 

 
 

Com juro menor, governo lança novo programa habitacional, o Casa Verde e Amarela

Amanda Pupo, Jussara Soares e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 11h34
Atualizado 25 de agosto de 2020 | 16h29

BRASÍLIA - O governo federal lançou nesta terça-feira, 25, o programa habitacional Casa Verde e Amarela, que substituirá o Minha Casa Minha Vida (MCMV), criado no governo Lula, em 2009. 

Priorizando as Regiões Norte e Nordeste, o novo desenho conta com taxas de juros menores, que vão de 4,25% a 4,5% ao ano (redução máxima de 0,5 ponto porcentual em relação ao que era cobrado). O objetivo é atender 1,6 milhão de famílias de baixa renda com o financiamento habitacional até 2024, um incremento de 350 mil, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR).

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De acordo com a pasta, as Regiões Norte e Nordeste serão contempladas com a redução nas taxas em até 0,5 ponto porcentual para famílias com renda de até R$ 2 mil mensais, e 0,25 para quem ganha entre R$ 2 mil e R$ 2,6 mil. Nessas localidades, os juros poderão chegar a 4,25% ao ano para cotistas do FGTS e, nas demais regiões, a 4,5%. No MCMV, os juros partiam de 4,75% ao ano. 

Jair Bolsonaro
Bolsonaro discursa no lançamento do novo programa habitacional. Foto: Evaristo Sá/AFP - 25/8/2020

O programa também beneficia o Norte e Nordeste por possibilitar que uma parcela mais abrangente de famílias sejam beneficiadas, com rendimento de R$ 2,6 mil ao mês. Nas outras regiões, o valor é de R$ 2 mil. O limite do valor dos imóveis financiados também foi ampliado.

Marinho afirmou que a priorização do Norte e Nordeste no programa habitacional Casa Verde e Amarela ocorreu por uma "questão de justiça". "Foi muito mais uma questão de justiça, de equidade, de enfrentar os desiguais de forma desigual, já que o IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), a faixa de renda e a renda média dessas regiões são bem diferentes", justificou o ministro.

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Veja as diferenças entre o Casa Verde e Amarela e o Minha Casa Minha Vida

Amanda Pupo, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2020 | 16h21

BRASÍLIA - O grupo de maior renda que será atendido pelo novo programa habitacional do governo, Casa Verde e Amarela, poderá financiar imóveis com taxa de juros a partir de 7,16% ao ano, sem distinção entre as regiões Norte e Nordeste e o restante do País. O alvo, chamado de 'grupo 3', são as famílias com renda mensal que vai de R$ 4 mil a R$ 7 mil.

Minha Casa Minha Vida
Diferente do Minha Casa Minha Vida, o novo programa não será mais composto de faixas. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Já para o grupo 2, que atende famílias com renda entre R$ 2 mil mensais e R$ 4 mil mensais, o governo elaborou taxas de juros que partem de 4,75% ao ano para Nordeste e Norte, e de 5% para as demais regiões. O piso servirá das taxas é direcionado a cotistas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS)

No grupo 1, que atenderá as famílias mais pobres, com renda mensal de até R$ 2 mil, a taxa de juros foi definida a partir de 4,25% ao ano para Norte e Nordeste, e 4,5% para o resto do Brasil.

Diferente do Minha Casa Minha Vidao novo programa não será mais composto de faixas. Segundo o diretor do Departamento de Produção Habitacional, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), Helder Melillo, as famílias do grupo 1 poderão ser atendidas com o financiamento habitacional, de juros reduzidos, com uma unidade subsidiada, como nos moldes do Minha Casa Minha Vida (o governo não divulgou o valor do subsídio), ou ainda com a regularização fundiária e pequenas reformas em suas casas.  

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, sinalizou que o novo programa não deve, no momento,  contemplar novas famílias na faixa com maiores subsídios.

"As pessoas perguntam, 'vai reiniciar o faixa um?'. Temos quase 200 mil unidades em carteira. Seria irresponsabilidade da nossa parte iniciar novas unidades habitacionais sem terminar as que estão sendo construídas. Nossa prioridade é terminar o que foi começado", afirmou.

Lançado em 2009, o Minha Casa Minha Vida foi criado no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, com o objetivo de reduzir o déficit habitacional no País.

Com os seguidos rombos nas contas públicas e orçamento mais restrito a cada ano, o programa passou a conviver com atrasos de repasses e obras atrasadas.

Entenda as diferenças entre os programas habitacionais

Minha Casa Minha Vida

Faixa 1 - renda de até R$ 1,8 mil

Benefício: prestações que variam entre R$ 80 e R$ 270, conforme a renda (subsídio chega a 95% do valor do imóvel)

Faixa 1,5 - renda de até R$ 2,6 mil

Benefício: financiamento com taxa de juros de 5% ao ano (subsídio de até R$ 47,5 mil no valor do imóvel)

Faixa 2 - renda de até R$ 4 mil

Benefício: financiamento com taxa de juros de 6% a 7% ao ano (subsídio de até R$ 29 mil no valor do imóvel)

Faixa 3 - renda de até R$ 7 mil

Benefício: financiamento com taxa de juros de 8% ao ano

Casa Verde e Amarela

Grupo 1 - renda de até R$ 2 mil

Benefício: imóvel subsidiado (governo não detalhou o valor do subsídio), acessar financiamento com juros reduzidos (a partir de 4,25% ao ano para Norte e Nordeste e a partir de 4,5% ao ano para demais regiões), fazer regularização fundiária e reformas no imóvel.

Grupo 2 - renda entre R$ 2 mil e R$ 4 mil

Benefício: financiamento com taxas um pouco maiores que do grupo 1 (a partir de 4,75% ao ano para Norte e Nordeste e de 5% para outras regiões). Grupo também pode acessar braço de regularização.

Grupo 3 - renda entre R$ 4 mil e R$ 7 mil

Benefício: financiamento com taxa mais alta do que a cobrada dos grupos 1 e 2 (a partir de 7,66% em todas as regiões). Grupo também pode acessar braço de regularização.

24 pessoas são multadas por resistirem a colocar máscara no Ceará

Fiscalizações entre os dias 20 e 23 de agosto abordaram mais de 2 mil pessoas sem a proteção. Um restaurante que não cumpriu as determinações sanitárias contra o novo coronavírus também foi multado

 

uso de mascaras NO CE

Agentes de fiscalização multaram 24 pessoas por resistirem a colocar máscara de proteção entre os dias 20 e 23 deste mês, no Ceará. Além disso, segundo informações divulgadas pelo Governo do Estado nesta segunda-feira (24), 2.061 pessoas que estavam sem o equipamento de segurança ou fazendo o uso de maneira incorreta foram abordadas. Um restaurante que não cumpriu as determinações sanitárias contra o novo coronavírus também foi penalizado.

Segundo Jane Cris Cunha, da Vigilância Sanitária da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a "abordagem já acontecia anteriormente, mas agora está sendo enfatizado que o não uso ou uso inadequado poderá incorrer em penalidade".

A multa será aplicada enquanto estiver vigente o estado de calamidade pública em virtude da pandemia do novo coronavírus. A técnica da Vigilância Sanitária do Ceará ressalta que o interesse não é multar, e sim orientar e promover a saúde da população. 

"A partir do momento em que a pessoa coloca a máscara a multa não é lavrada, porque essa é uma ação educativa", conta Jane Cris Cunha. "O que nós temos observado durante as fiscalizações é que as pessoas quando nós pedimos sempre colocam a máscara. Dificilmente encontramos alguém que não queira usar ou que tenha alguma resistência", destaca. 

A lei que torna obrigatório o uso de máscara no Ceará foi publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (10) e prevê multa para quem não usar este tipo de proteção em espaços público e privados no Ceará, durante o estado de calamidade pública provocado pela Covid-19. A Lei Nº 17.234 entrou em vigor na data da publicação. 

O valor da multa a ser pago por pessoa física é de R$ 100, subindo para R$ 300 em caso de reincidência. A multa de R$ 1.001 é aplicada para pessoas jurídicas de grande porte. As pequenas empresas podem ser punidas em R$ 179. Nesses casos, o valor será cobrado do CNPJ responsável pelo empreendimento onde funcionários ou frequentadores não estiverem cumprindo as medidas de proteção.

Exceções

Não poderá ser multado o cidadão que retirar a máscara provisoriamente enquanto estiver consumindo produtos alimentícios nas dependências de restaurantes, bares ou estabelecimentos similares. O mesmo vale para motoristas de veículos automotores que estiverem sozinhos no interior do transporte.

Fiscalização em Fortaleza

Entre os dias 20 e 23 de agosto, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) realizou 67 operações de fiscalização. Entre elas estão a conscientização da população, com distribuição de máscaras de tecido, panfletos educativos e álcool em gel 70%; ordenamento de filas de lojas, cartórios e agências bancárias, com a orientação sobre o distanciamento social; monitoramentos contínuos na Av. Beira-Mar para evitar aglomerações, orientando os permissionários a cumprirem as recomendações de não ocuparem a faixa de areia com mesas, cadeiras e guarda-sóis. 

A Agefis também realizou fiscalização de Vigilância Sanitária em restaurantes, supermercados e academias; vistoria de espaços públicos e estabelecimentos comerciais, em atendimento a denúncias de poluição sonora, aglomerações e ocupação de vias e calçadas com mesas e cadeiras; monitoramento do Centro da cidade, com reforços em dias de abertura dos galpões no entorno da Catedral de Fortaleza e em vias próximas; e abordagens a estabelecimentos para verificar o cumprimento das medidas de enfrentamento à Covid-19, contidas nos decretos municipal e estadual, dentre outras ações.COM DIARIONORDESTE.

Governo prorroga programa de redução de jornada e suspensão de contratos

Presidente assinou decreto que prorroga programa de redução de jornada e suspensão de contratos nesta segunda-feira
Fábio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O presidente Jair Bolsonaro assinou nesta segunda-feira (24/8) o Decreto 10.470, que determina a prorrogação do Benefício Emergencial de Preservação do Emprego e da Renda por mais 60 dias.

 

Criado em razão da epidemia da Covid-19 no país, o programa prevê que o governo reponha parte da renda dos funcionários por meio de um auxílio financeiro que é calculado dentro de uma porcentagem do que o empregado receberia de seguro-desemprego em relação à queda de renda. O valor é depositado diretamente na conta dos trabalhadores.

 

A prorrogação do programa já havia sido anunciada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. Por meio das redes sociais, Bolsonaro disse que o aumento do prazo do programa deve preservar 10 milhões de empregos.

 

"O Brasil voltou a gerar empregos, mas alguns setores ainda estão com dificuldades em retomar 100% de suas atividades. Por isso assinei o decreto."

 

Ainda conforme o decreto, o empregado com contrato de trabalho intermitente formalizado até 1º de abril de 2020 poderá receber o auxílio emergencial mensal no valor de R$ 600 por dois meses.

 

Segundo dados do governo, até o momento ,o programa registra 16 milhões de acordos para suspensão de contratos ou a redução de salários e jornada de trabalho.

 

Clique aqui para ler o decreto na íntegra

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Promotoria prende secretário de Saúde de Ibaneis e procura mais seis em operação sobre fraudes na compra de testes para a Covid-19 no DF

Francisco Araújo. Foto: Joel Rodrigues/Agência Brasília

O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios desencadeou na manhã desta terça, 25, a segunda etapa da Operação Falso Negativo – que investiga irregularidades na compra de testes para a Covid-19 pelo governo do DF – e prendeu o secretário de Saúde Francisco Araújo. Os agentes cumprem ainda outros seis mandados de prisão e 44 de busca e apreensão.

Aberta inicialmente no início de julho, a Falso Negativo apura suposto superfaturamento na compra de testes para a doença ocasionada pelo novo coronavírus. Segundo os investigadores, há fortes indícios de superfaturamento na aquisição dos insumos e ainda evidências de que os testes comprados ‘seriam imprestáveis para a detecção eficiente ou de baixa qualidade na detecção’ do novo coronavírus.

A investigação mira contratos que somados ultrapassam R$ 73 milhões e foram fechados por meio de dispensa de licitação, diz o MPDFT. São apurados crimes de organização criminosa, fraude em licitação, cartel, lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa.

Na primeira etapa da operação foram cumpridos 74 mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em mais sete Estados: Bahia, Espírito Santo, Goiás, Paraná, Rio de Janeiro, Santa Catarina e São Paulo. Na ocasião, estavam os alvos da ofensiva o subsecretário de Administração Geral da Secretaria de Saúde do DF, Iohan Andrade Struck e o diretor do Laboratório Central do DF, Jorge Antônio Chamon Júnior.

Nota divulgada na primeira fase da ofensiva – pelo Ministério Público do Rio, que deu apoio às atividades – indicou que ‘considerando o menor valor apresentado para oferta dos testes na SES/DF, a investigação apurava superfaturamento que pode ser superior a R$ 18 milhões, mas tomando como base o preço dos testes na licitação do Ministério da Saúde, esse valor supera R$ 33,5 milhões’.

(em atualização) O ESTADÃO

Governo muda estratégia para avançar com privatização da Eletrobras

Manoel Ventura / O GLOBO

 

BRASÍLIA — O governo mudou de estratégia para tentar aprovar a privatização da Eletrobras no Congresso Nacional. A equipe econômica negocia agora iniciar a tramitação pelo Senado, e não mais pela Câmara dos Deputados. Os senadores eram considerados o principal foco de resistência à medida no Congresso.

 

O projeto foi anunciado em 2017, ainda durante o governo do ex-presidente Michel Temer. O ministro da Economia, Paulo Guedes, quer incluir a proposta no megapacote que vem chamado no governo de Pró-Brasil.

A intenção é anunciar a nova estratégia ainda nesta semana. Para isso, estão sendo preparados pareceres jurídicos apontando ser viável que o projeto seja apresentado por um parlamentar, já que o texto oficial do governo está na Câmara.

O governo pode arrecadar pelo menos R$ 16 bilhões com a operação, segundo cálculos da equipe econômica.

Risco:  Sem combustível, usinas nucleares podem parar em 2021 e gerar custo de R$ 1,4 bi na conta de luz

O senador Eduardo Braga (MDB-AM), que já foi ministro de Minas e Energia, seria o relator da proposta no Senado. Braga conversou com Guedes e o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, nesta segunda-feira.

Colocada em discussão inicialmente na gestão de Temer, a desestatização da Eletrobras não avançou na época por desentendimentos políticos, mas foi retomada pelo governo Bolsonaro.

Um novo projeto de lei sobre a privatização foi enviado pelo governo ao Congresso em novembro passado, mas o texto ainda não teve debates iniciados e nem relator definido na Câmara.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), chegou a afirmar em algumas ocasiões que o projeto precisaria de mudanças para ser apreciado pelos senadores, que estariam resistentes à proposta.

Mais recentemente, no entanto, Bento Albuquerque, disse que estava negociando alterações na proposta para convencer os parlamentares.

O modelo de privatização deve mudar pouco. A desestatização da Eletrobras ocorreria por meio de uma oferta de novas ações da companhia, que diluiria a participação da União. O movimento poderia ser associado a uma oferta secundária de ações para levar a fatia estatal na empresa a menos de 50%.

O dinheiro arrecadado será usado para pagar por hidrelétricas que hoje operam a preços fixos, forma pela qual a União irá conseguir colocar os recursos no cofre. A usina de Itaipu e as usinas nucleares localizadas em Angra dos Reis não podem ser privatizadas. Por isso, elas vão compor uma nova empresa estatal, que será criada.

A Eletrobras é a maior elétrica da América Latina, sendo responsável por cerca de um terço da capacidade de geração do Brasil e metade da rede de transmissão de energia do país.

 

Balança: superávit na 3ª semana de agosto foi de US$ 1,309 bilhão

EXPORTAÇÃO EM ALTA AGOSTO

 

 

A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 1,309 bilhão na terceira semana de agosto (17 a 23), segundo dados divulgados pelo Ministério da Economia nesta segunda-feira, 24. O saldo foi resultado de exportações de US$ 4,332 bilhões e importações de US$ 3,023 bilhões.

 

Com o desempenho na terceira semana, no mês, a balança acumula saldo positivo de US$ 4,926 bilhões, com exportações de US$ 13,116 bilhões e importações de US$ 8,190 bilhões.

No acumulado do ano, o superávit da balança comercial soma US$ 34,911 bilhões. As exportações até o dia 23 de agosto totalizam US$ 134,008 bilhões e as importações, US$ 99,096 bilhões.

De acordo com os dados divulgados, a média diária das exportações no mês até a terceira semana de agosto (US$ 874,39 milhões) representa uma queda de 2,2% ante o verificado em agosto de 2019 (US$ 894,07 milhões). Já as importações, pela média diária do mesmo período de comparação houve queda de 22,9%. A média diária importada até a terceira semana de agosto foi de US$ 545,99 milhões ante US$ 707,72 milhões de agosto de 2019.

Segundo o ministério, a queda das exportações na média diária do mês foi puxada, principalmente, pela diminuição nas vendas externas de minério de ferro e seus concentrados (-15,1%); óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (-22,3%); minérios de cobre e seus concentrados (27,1%); pedra, areia e cascalho (-42,3%); motores e máquinas não elétricos, e suas partes (exceto motores de pistão e geradores), queda de 75,0%; aeronaves e outros equipamentos, incluindo suas partes (-81,2%); Veículos automóveis de passageiros (-47,2%); Celulose (-22,7%) e Alumina (óxido de alumínio).

Com relação às importações, no acumulado até a terceira semana de agosto, a queda no volume importado foi puxada, principalmente, pela diminuição nas compras de carvão, mesmo em pó, mas não aglomerado (-64,9%); Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (-44,5%); Gás natural, liquefeito ou não (-34,4%); Minérios de cobre e seus concentrados (-100,0%) e Outros minérios e concentrados dos metais de base (-59,8%); Instalações e equipamentos de engenharia civil e construtores, e suas partes (-92,3%); Óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos – exceto óleos brutos – (-45,8%); Partes e acessórios dos veículos automotivos (-55,6%); Veículos automóveis de passageiros (-62,7%) e Adubos ou fertilizantes químicos – exceto fertilizantes Brutos – (-18,6%).

Mais de mil municípios no País estão sem contrato de serviço de água ou esgoto

 

SANEAMENTO

 

A aprovação do marco do saneamento jogou luz sobre um problema antigo: a falta de contrato para os serviços em diversos municípios do País. Levantamento feito pela Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) mostrou que mais de mil municípios estão com delegação de água vencida ou sem delegação. O debate ganhou mais espaço diante do veto do presidente Jair Bolsonaro ao artigo 16 do marco, que permitia a renovação dos contratos de programa sem licitação até 31 de março de 2022, com prazo máximo de vigência de 30 anos.

 

Agora, há pressão dos dois lados. Uma parte defende a necessidade de derrubar o veto para que os municípios consigam regularizar a situação e salvar assim as empresas públicas. Do outro lado, há quem defenda que o artigo postergaria soluções ao setor. A janela de ajuste era um acordo fechado entre o Congresso e governadores.

Os dados da Abcon mostram que cerca de 250 cidades estão com delegação de esgoto vencida ou sem delegação. Os números não são acumulativos, uma vez que a cidade pode ter a água e o esgoto sem contrato vigente ao mesmo tempo, como é o caso de Salvador, na Bahia.

O levantamento foi feito com base no Diagnóstico do manejo de Resíduos Sólidos Urbanos (SNIS) de 2018. Os dados de 2019 ainda não foram liberados. De lá para cá, alguns municípios conseguiram se regularizar, como é o caso de Guarujá, que renovou contrato de concessão com a Sabesp no ano passado. A aposta do setor, entretanto, é que as renovações foram mínimas frente aos desafios.

Segundo Percy Soares, diretor executivo da Abcon, o veto ao artigo traz o setor de volta à Constituição. “A Constituição diz que qualquer concessão de serviço público deve ser feita mediante licitação”, defendeu.

A primeira concorrência do saneamento após o marco legal, entretanto, mascou. O processo de entrega das propostas para o leilão da concessão de água e esgoto de Andradas (MG), município de 37 mil habitantes, marcado para o dia 17, foi suspenso por meio de uma liminar, solicitada por um empresário, alegando erros na publicação do edital e critérios supostamente subjetivos para o julgamento das propostas. A liminar foi deferida pelo juiz Eduardo Soares de Araújo, que deu 10 dias para apresentação de novas informações à Justiça. No total, nove empresas já haviam entregado os envelopes, que não poderão ser abertos.

Um dos projetos mais aguardados do setor é a parceria Público-Privada (PPP) da Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae), em consulta pública. Segundo Soares, apenas a Cedae tem capacidade para dobrar a participação privada no setor de saneamento do Brasil, que hoje responde por 5,2% dos municípios. No total, a PPP envolve 64 cidades, divididas em quatro blocos. A estimativa é de investimentos na casa dos R$ 33,5 bilhões.

Briga

Em evento no início deste mês, governadores de Goiás, Pernambuco e Maranhão e a governadora do Rio Grande do Norte defenderam de forma enfática a derrubada de vetos do governo federal ao marco do saneamento. A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), elevou o tom e disse que os estados do Nordeste estão prontos para judicializar o tema.

De acordo com o sócio do escritório Toledo Marchetti, João Paulo Pessoa, o desafio agora do setor é a regulamentação do marco. “Um desses aspectos é a manutenção dos contratos de concessão, que vai depender da capacidade econômico-financeira da concessionária de cumprir a meta de universalização”, disse.

Ele destacou que na última sexta-feira se encerrou o prazo de consulta pública no Ministério de Desenvolvimento Regional para a elaboração do decreto. A estimativa no setor é que em até 30 dias já sejam publicadas as regras. “O ideal é que a partir da elaboração da minuta do decreto, ela seja colocada também em consulta pública para o mercado avaliar”, destacou o especialista.

O analista da XP Investimentos, Gabriel Francisco, destacou que o marco acabou retirando as companhias estatais do País de uma zona de conforto. Ele defendeu que mesmo que o veto caia, as empresas públicas de saneamento vão ter de se movimentar para conseguir vencer contratos. “Mesmo que o veto caia, a empresa terá de comprovar capacidade de investir na direção da universalização. Quanto maior a distância para se alcançar a meta, maior terá de ser a capacidade”, disse.

Do cenário de hoje até a universalização, entretanto, há um caminho longo pela frente. A meta é alcançar 99% da população com o fornecimento de água e levar esgoto tratado para 90% dos brasileiros até 2033. Há ainda a possibilidade de se postergar o prazo até 2040, desde que se comprove a inviabilidade técnica ou financeira do projeto.

O Congresso, entretanto, estaria dando um passo maior do que a perna. O presidente da Sabesp, Benedito Pinto Ferreira Braga Junior, destacou que muitas incertezas ainda pairam sobre a real possibilidade de se alcançar essa meta. “Está parecendo aquele artigo da (lei) 11.445 de que o lixão tinha de acabar em cinco anos. E o lixão ainda não acabou e estamos perseguindo isso desde 2007. Acho que esse tema vai ser muito discutido ainda”, disse o executivo, durante teleconferência para apresentar os resultados do segundo trimestre. ISTOÉ

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