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Fazenda assimila o pouso da economia

EDITORIAL II DA FOLHA DE SP

Diante dos juros altos e do esgotamento de impulsos fiscais e creditícios, a esperada desaceleração gradual da economia brasileira vem se confirmando nos últimos meses e já afeta as projeções do setor
privado e mesmo do governo.

No setor privado, a estimativa mediana para o crescimento do Produto Interno Bruto neste ano, coletada pelo Banco Central, caiu de 2,23% em julho para 2,16% agora. O Ministério da Fazenda também ajustou sua estimativa de 2,5% para 2,3%, atribuindo o revisão principalmente aos juros do BC de 15%
anuais, os mais altos desde 2006.

Decerto são recuos pequenos. Mas, desde 2021, o padrão vinha sendo elevar as projeções ao longo do ano, à medida que o desempenho do PIB superava expectativas. Não é o que ocorre agora.

Entre os principais fatores de mudança, destaca-se o ritmo mais lento das concessões de crédito e a alta da inadimplência.

Em paralelo, a criação de empregos formais, embora ainda positiva, com quase 149 mil vagas em maio de 2025 e um saldo acumulado de mais de 1 milhão nos primeiros cinco meses do ano, mostra sinais de arrefecimento.

Mesmo com desemprego baixo, em 5,8%, há alguma diminuição no avanço da renda, e os salários de entrada de contratados já não sobem além da inflação.

Um fator externo que se soma a esse quadro é o tarifaço imposto pelos Estados Unidos, com elevação da taxação sobre produtos brasileiros para até 50%.

De acordo com cálculos a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, a sanção americana pode tirar 0,2 ponto percentual do PIB brasileiro entre agosto deste ano e dezembro de 2026.

Para a SPE, porém, o impacto cai à metade com as medidas adotadas pelo governo para auxiliar setores atingidos e, ao longo do tempo, com o redirecionamento de parte das vendas para outros mercados externos.

De mais positivo, a necessária desaceleração econômica e a valorização cambial recente reduzem pressões sobre os preços. A inflação esperada em 2025, que rondava 5,6% até abril, caiu a 4,85% —ainda acima, ressalve-se, da meta de 3% e do teto de 4,5%.

Não se espera desempenho melhor do PIB no ano eleitoral de 2026. As projeções do mercado não chegam aos 2%, enquanto a da Fazenda é de 2,4%. Será difícil, para o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT), usar gasto e crédito públicos para obter taxas melhores. Com a inflação ainda não derrubada e contas públicas no vermelho, nem resultados de curto prazo parecem promissores.

 

Capitão Wagner ameaça pegar ‘colete’, ‘arma’ e ‘juntar policiais’ para capturar Bebeto Queiroz

Escrito por
e

 / DIARIONORDESTE

Em meio a críticas sobre a política de Segurança Pública do Ceará, o ex-deputado federal e presidente do União Brasil no Ceará, Capitão Wagner, disse que está prestes a "colocar um colete e uma arma" e sair em busca do prefeito cassado e foragido de Choró, Bebeto Queiroz (PSB). O ex-parlamentar cobrou, durante o "Café da Oposição", nesta segunda-feira (8), ações do Governo do Ceará para capturar o fugitivo. 

Bebeto está foragido desde dezembro do ano passado, após ser alvo de uma operação da Polícia Federal que investigou um esquema de corrupção pelo desvio de recursos de emendas para compra de votos em cidades do interior. A prisão preventiva foi determinada naquela época.

"O Estado tem que ter a coragem de cortar da própria carne. Eu sei que o Bebeto do Choró é do PSB, um partido aliado, mas isso não justifica nós não termos uma operação policial para achar o Bebeto do Choró", criticou.

Wagner disse que o político foragido transita por Fortaleza, Choró e Juazeiro do Norte. 

"Todo dia a gente tem notícia de onde está o Bebeto do Choró, só o Governo do Estado que não sabe onde está o Bebeto. É brincadeira? Eu estou para colocar um colete e uma arma e ir atrás do Bebeto. Vão dizer que é sensacionalismo, mas está para acontecer isso. A gente juntar aqui alguns amigos policiais para prender o Bebeto e mostrar que o Estado não prende porque não quer"
Capitão Wagner
Ex-deputado federal e presidente do União Brasil

O ex-deputado cobrou medidas mais enérgicas do Governo Elmano de Freitas (PT) para reduzir a violência e, sem apresentar provas, levantou suspeitas de que haveria interferência política na atuação das forças de segurança.

"Não adianta comprar mais viatura e contratar mais profissionais se os profissionais não podem atuar. Eu tenho certeza que muitos policiais sabem onde está o Bebeto, mas sabem também a repercussão que é prender um aliado do Governo. Se o governo não disse "Eu quero prender o Bebeto", os policiais não vão agir, porque têm medo de retaliação, e a gente sabe como o governo é", concluiu.

PontoPoder acionou, no início da tarde desta segunda-feira (8), a assessoria de imprensa do Governo do Ceará. O espaço segue aberto para manifestações.

(Atualizado às 14:55)
Capitão Wagner circulando pelas ruas armado e com colete enquanto aponta para pichações de facções
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Presidente do PP culpa governo por acusação de propina ao antecipar rompimento

Marcos HermansonCatia Seabra / FOLHA DE SP

 

O presidente do Progressistas (PP), o senador Ciro Nogueira, antecipou a decisão do partido de deixar o governo depois de responsabilizar, em conversas reservadas, auxiliares do presidente Lula (PT) pela disseminação de suspeitas de que empresários envolvidos com o PCC (Primeiro Comando da Capital) teriam pagado propina a ele.

O senador nega "qualquer ligação com qualquer facção criminosa" e encaminhou ofício ao ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, colocando o sigilo telefônico e de seu gabinete à disposição para comprovar a afirmação.

A cúpula da federação União Progressista, dos partidos União Brasil e PP, decidiu nesta terça-feira (2) que todos os detentores de mandatos das siglas devem sair do governo Lula, num primeiro gesto de rompimento.

Na segunda-feira (1), o site ICL Notícias publicou reportagem segundo a qual uma fonte anônima disse que Ciro Nogueira recebeu em seu gabinete dinheiro vivo enviado por Mohamad Hussein Mourad, o "Primo", e Roberto Augusto Leme da Silva, o "Beto Louco".

Os dois foram alvos de megaoperação na semana passada e são acusados pela Receita Federal de chefiar um esquema de lavagem de dinheiro do PCC, utilizando postos de combustível, refinarias e fundos de investimento.

Ainda segundo o ICL, a testemunha diz ter ouvido de Beto Louco o relato da entrega de dinheiro ao senador e contou essas informações à Polícia Federal em depoimento. O encontro teria ocorrido em agosto de 2024.

Um dos três jornalistas que assina a matéria, Leandro Demori é contratado da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação), onde tem um programa. A emissora é vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência, do ministro Sidônio Palmeira.

Em reuniões com aliados nos últimos dias, Ciro teria afirmado que integrantes do governo espalharam informações falsas sobre o caso. Segundo um político que esteve com o senador, ele teria atribuído as acusações especialmente a Sidônio.

O parlamentar se queixa da reprodução da reportagem pela EBC e pelo site do PT, o que aponta como prova de participação de aliados de Lula na propagação desses rumores.

Nas conversas, Ciro chegou a manifestar a intenção de propor a instalação de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) sobre comunicação do governo Lula e sua relação com sites.

O senador foi ministro da Casa Civil durante o governo Bolsonaro e é um dos principais entusiastas, nos bastidores, de uma candidatura do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) à Presidência nas eleições de 2026.

Ele e o presidente do União Brasil, Antonio Rueda, articularam juntos a criação da União Progressista, federação partidária lançada no último dia 19 que agora forma a maior bancada do Congresso Nacional, com 109 deputados federais e 15 senadores.

Segundo a decisão desta terça (2), os ministros filiados aos partidos da federação deverão deixar o governo. São eles André Fufuca (Esporte) e Celso Sabino (Turismo), deputados federais licenciados pelo PP e pelo União Brasil, respectivamente.

Há uma brecha, no entanto, para que indicações de políticos desses partidos, como os ministros Waldez Góes (Desenvolvimento Regional) e Frederico de Siqueira Filho (Comunicações), continuem na Esplanada.

A federação também decidiu apoiar um projeto de anistia a Jair Bolsonaro (PL). Procurados, Ciro e Sidônio não se manifestaram.

CONGRESSO

Baixa qualidade das estradas e internet lenta põem a infraestrutura do Ceará na 17ª posição no Brasil

Escrito por
Ingrid Coelho / DIARIONORDESTE

 

Índice de Inovação dos Estados mostra o Ceará entre as 10 melhores notas do Brasil (7ª colocação), mas algumas áreas estratégicas consideradas no estudo ainda deixam a desejar. É o caso da infraestrutura, aspecto em que o Ceará teve a sua pior colocação e uma queda de três posições em quatro anos, passando da 14ª posição em 2021 para a 17ª em 2025.

 

Índice de Inovação dos Estados mostra o Ceará entre as 10 melhores notas do Brasil (7ª colocação), mas algumas áreas estratégicas consideradas no estudo ainda deixam a desejar. É o caso da infraestrutura, aspecto em que o Ceará teve a sua pior colocação e uma queda de três posições em quatro anos, passando da 14ª posição em 2021 para a 17ª em 2025.

 

Ele reforça que o poder público tem o papel de criar as condições estruturais e regulatórias, enquanto o setor privado é quem de fato transforma essas condições em negócios e empregos.

"No Ceará, iniciativas como parques tecnológicos, editais de fomento e programas de aceleração já mostram esse esforço de integração, mas é essencial ampliar a escala e a cooperação entre governo, universidades e empresas", avalia.
Guilherme Muchale
Gerente do Observatório da Indústria do Ceará

A coluna também solicitou à Fiec as notas de cada uma das variáveis, mas não houve retorno até a publicação deste texto. O espaço segue aberto.

Ceará está entre os 10 primeiros em acessos de Banda Larga Fixa, mas a velocidade da rede deixa a desejar

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Ceará teve cerca de 1,9 milhão de acessos de Banda Larga Fixa em junho de 2025.

O dado coloca o Estado como oitavo maior número de acessos do País e segundo maior do Nordeste, atrás apenas da Bahia, com 2 milhões de acessos no período. No Brasil, foram 52,9 milhões de acessos via Banda Larga Fixa.

Quando se trata de velocidade da internet, entretanto, o Ceará tem a oitava pior média do País, com 389,18 Mbps (megabits por segundo). Nessa categoria, também conforme a Anatel, o Maranhão é o líder da região Nordeste, com 479,7 Mbps. Em seguida está o Piauí, com 441,2 Mbps e o Ceará aparece em terceiro lugar na região.

Além disso, a Anatel também disponibiliza o Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), que considera, entre outros indicadores, a cobertura populacional de 4G e 5G (com notas de 0 a 100). Nesse indicador, o Ceará alcançou 90,39. Os dados mais recentes são de 2024.

Além da cobertura populacional com 4G e 5G, o IBC também considera componentes como densidade de teelfonia móvel, de banda larga fixa, presença de fibra e cobertura de área agricultável, por exemplo. O Estado teve o melhor IBC do Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking brasileiro, com nota 64,34.

Ceará está entre os 10 primeiros em acessos de Banda Larga Fixa, mas a velocidade da rede deixa a desejar

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Ceará teve cerca de 1,9 milhão de acessos de Banda Larga Fixa em junho de 2025.

O dado coloca o Estado como oitavo maior número de acessos do País e segundo maior do Nordeste, atrás apenas da Bahia, com 2 milhões de acessos no período. No Brasil, foram 52,9 milhões de acessos via Banda Larga Fixa.

Quando se trata de velocidade da internet, entretanto, o Ceará tem a oitava pior média do País, com 389,18 Mbps (megabits por segundo). Nessa categoria, também conforme a Anatel, o Maranhão é o líder da região Nordeste, com 479,7 Mbps. Em seguida está o Piauí, com 441,2 Mbps e o Ceará aparece em terceiro lugar na região.

Além disso, a Anatel também disponibiliza o Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), que considera, entre outros indicadores, a cobertura populacional de 4G e 5G (com notas de 0 a 100). Nesse indicador, o Ceará alcançou 90,39. Os dados mais recentes são de 2024.

Além da cobertura populacional com 4G e 5G, o IBC também considera componentes como densidade de teelfonia móvel, de banda larga fixa, presença de fibra e cobertura de área agricultável, por exemplo. O Estado teve o melhor IBC do Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking brasileiro, com nota 64,34.

Ceará está entre os 10 primeiros em acessos de Banda Larga Fixa, mas a velocidade da rede deixa a desejar

De acordo com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), o Ceará teve cerca de 1,9 milhão de acessos de Banda Larga Fixa em junho de 2025.

O dado coloca o Estado como oitavo maior número de acessos do País e segundo maior do Nordeste, atrás apenas da Bahia, com 2 milhões de acessos no período. No Brasil, foram 52,9 milhões de acessos via Banda Larga Fixa.

Quando se trata de velocidade da internet, entretanto, o Ceará tem a oitava pior média do País, com 389,18 Mbps (megabits por segundo). Nessa categoria, também conforme a Anatel, o Maranhão é o líder da região Nordeste, com 479,7 Mbps. Em seguida está o Piauí, com 441,2 Mbps e o Ceará aparece em terceiro lugar na região.

Além disso, a Anatel também disponibiliza o Índice Brasileiro de Conectividade (IBC), que considera, entre outros indicadores, a cobertura populacional de 4G e 5G (com notas de 0 a 100). Nesse indicador, o Ceará alcançou 90,39. Os dados mais recentes são de 2024.

Além da cobertura populacional com 4G e 5G, o IBC também considera componentes como densidade de teelfonia móvel, de banda larga fixa, presença de fibra e cobertura de área agricultável, por exemplo. O Estado teve o melhor IBC do Nordeste e ocupa a 9ª posição no ranking brasileiro, com nota 64,34.

Há, no momento, 653,5 km de obras rodoviárias no Ceará em andamento.

"Isso representa o aporte de R$ 1,91 bilhão para modernizar a malha viária do estado, proporcionando aos usuários das estradas uma trafegabilidade que promove mais segurança viária e torna mais eficientes o transporte de passageiros e o escoamento de produtos", pontua ainda a SOP. Veja a nota completa no fim deste texto.

A Secretaria da Infraestrutura do Ceará gerencia, atualmente, 65 obras que estão em andamento em 30 municípios, com investimento de R$ 248,7 milhões.

Essas obras envolvem "internalização de redes elétricas e de telecomunicação; expansão e reforço de redes; construção de novas redes de alta tensão para atender os setores do agronegócio, do turismo e da indústria, além de ampliar o acesso em cidades do Ceará, com ligação de escolas, hospitais, rodoviárias, dentre outros equipamentos para benefício da população". Veja a nota completa no final deste texto.

Modal aéreo: movimentação de passageiros e de cargas

De acordo com dados disponibilizados pela Fraport no site da companhia, houve um crescimento de 15 mil passageiros domésticos no Aeroporto de Fortaleza entre maio e junho deste ano. Já o número de passageiros internacionais teve um acréscimo de 402 passageiros no período.

A movimentação de cargas pelo moral aéreo, por sua vez, teve queda de 6% entre maio e junho, passando de 3,8 mil toneladas para 3,6 mil toneladas.
Imagem mostra o Aeroporto de Fortaleza e algumas aeronaves estacionadas
Legenda: De acordo com dados disponibilizados pela Fraport no site da companhia, houve um crescimento de 15 mil passageiros domésticos no Aeroporto de Fortaleza entre maio e junho deste ano
Foto: Renato Bezerra

Segundo o titular da Secretaria do Turismo do Ceará, Eduardo Bismarck, a Pasta tem trabalhado na ampliação tanto de voos domésticos quanto internacionais.

"Aeroporto de Fortaleza, Jericoacoara e Juazeiro do Norte, todos esses recebem voos de carreira e estão registrando crescimentos. Este ano, já foram anunciados pelo governador Elmano quatro novos voos internacionais partindo ou chegando na nossa Capital".

"Tivemos uma ampliação de pelo menos 15% na disponibilidade de assentos na Latam nos meses de abril, maio e junho, o que é muito significativo porque é uma época de baixa estação", exemplifica Bismarck. Além disso, ele afirma que a Gol pode ultrapassar em 30% a disponibilidade de assentos disponíveis para Fortaleza.

Leia nota completa da SOP

"A Superintendência de Obras Públicas (SOP) informa que, de janeiro de 2023 até o momento, foram entregues 487 km de rodovias que passaram por alguma melhoria, entre trechos pavimentados, duplicados, restaurados, ou integrados com a implantação de novas estruturas, como ciclovias, abrigos de parada de ônibus, retornos, alças de acesso, passagens molhadas etc. Já com relação a obras rodoviárias em andamento, são 653,5 km.

Isso representa o aporte de R$ 1,91 bilhão para modernizar a malha viária do estado, proporcionando aos usuários das estradas uma trafegabilidade que promove mais segurança viária e torna mais eficientes o transporte de passageiros e o escoamento de produtos

Além desses investimentos, entre 2023 e 2024, aproximadamente R$ 220 milhões foram aplicados exclusivamente para a manutenção e correção de 625,6 km de segmentos rodoviários, por meio do Programa de Recuperação Funcional das Estradas, coordenado pela SOP.

Dos 13,9 mil km das rodovias estaduais cearenses, 9,24 mil km são asfaltados e 94,68% das CEs apresentam qualidade boa ou regular, de acordo com o Levantamento Visual Contínuo (LVC) que a SOP realiza anualmente".

Leia nota completa da Seinfra

"A Secretaria da Infraestrutura do Ceará (Seinfra) tem trabalhado para o desenvolvimento da infraestrutura de redes elétricas por meio do Programa de Investimentos Especiais (PIE), que é o único programa de investimentos com participação do governo estadual dentre os estados brasileiros. De janeiro de 2023 a julho de 2025, as obras realizadas através desse programa somam R$ 35,03 milhões.

Atualmente, a Seinfra gerencia 65 obras em andamento, com investimento de R$ 248,7 milhões em mais de 30 municípios cearenses, que envolvem internalização de redes elétricas e de telecomunicação; expansão e reforço de redes; construção de novas redes de alta tensão para atender os setores do agronegócio, do turismo e da indústria, além de ampliar o acesso em cidades do Ceará, com ligação de escolas, hospitais, rodoviárias, dentre outros equipamentos para benefício da população.

A Seinfra também presta suporte à Superintendência de Obras Públicas (SOP) na adequação de redes elétricas nas rodovias reformadas e na ligação de unidades de grande porte, como o Hospital Universitário do Ceará (HUC), inaugurado em março deste ano. Outras grandes obras incluem a construção de subestações de grande porte para o HUC; para a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, que abrigará o HUB de Hidrogênio Verde e os grandiosos projetos de Data Centers; e para o Projeto Malha D'água, em Banabuiú, além de outras ainda em planejamento.

A Seinfra reafirma seu compromisso em planejar, coordenar e executar ações que fortaleçam a infraestrutura do Estado, promovendo avanços que beneficiem diretamente a população e criem condições favoráveis ao desenvolvimento econômico e social. O trabalho constante da secretaria busca garantir mais eficiência, qualidade e sustentabilidade aos serviços e estruturas, contribuindo para um Ceará cada vez mais preparado para receber investimentos e gerar oportunidades". 

Imagem mostra trecho de pista bloqueado

Legenda: De acordo com a Superintendência de Obras Públicas, há, no momento, 653,5 km de obras rodoviárias no Ceará em andamento

Prefeitura do Interior apura desvios de emendas parlamentares; senador Girão levou caso ao MPF

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Escrito por
Inácio Aguiari / DIARIONORDESTE

A Prefeitura de Salitre, pequeno município do Cariri cearense, está investigando possíveis irregularidades na aplicação de recursos públicos federais enviados ao município por meio de emendas parlamentares, que não teriam obedecido aos critérios legais em sua execução. Estão sob apuração pelo menos duas emendas, que totalizam R$ 600 mil, cujos procedimentos de gasto levantam suspeitas não só da gestão municipal. 

Em uma dessas emendas, no valor de R$ 300 mil, a irregularidade já havia sido detectada pelo gabinete do próprio parlamentar cearense responsável pelo envio, o senador Eduardo Girão (Novo). Trata-se de uma emenda individual, de finalidade definida e liberação obrigatória, referente ao Orçamento da União de 2023. 

De acordo com informações disponíveis no Portal da Transparência e no Diário Oficial dos Municípios, os recursos deveriam ser utilizados no âmbito do Sistema Único de Assistência Social (SUAS), com destinação específica para a compra de equipamentos. 

Ao identificar possível desvio de finalidade, o mandato do senador oficiou a própria Prefeitura, a Procuradoria-Geral da República e o Ministério Público Estadual, solicitando as apurações cabíveis. 

No último dia 22 de agosto, após receber um pedido de informações do Ministério Público Federal, a Prefeitura de Salitre instaurou uma comissão interna para avaliar a aplicação dos recursos. Uma das constatações é que os valores foram transferidos para uma conta municipal diversa da originalmente prevista, o que é vedado pela legislação. 

Conflito entre gestões municipais 

Os recursos foram liberados em junho do ano passado, ainda sob a gestão do então prefeito Dodó de Neoclides (PSB), derrotado nas urnas pelo atual gestor, Rondilson (PT). 

O atual procurador-geral do Município, Luciano Veloso, afirmou à Coluna que as investigações estão em curso e que, em breve, o caso será levado à Justiça e ao Ministério Público.

Segundo ele, há indícios de irregularidades tanto neste quanto em outros casos relacionados a emendas parlamentares. “Recebemos contato do gabinete do senador Girão, também do Ministério Público Federal, e, por ordem do prefeito, instauramos uma comissão para avaliar o caso”, disse o procurador. 

Ainda conforme informações publicadas no Diário Oficial, a Prefeitura instaurou outra comissão para apurar um segundo caso semelhante, também sob suspeita e possivelmente envolvendo desvios de recursos. O valor da emenda em questão também é de R$ 300 mil. 

Caso revela fragilidade na aplicação de recursos públicos 

O episódio de Salitre revela a fragilidade institucional de parte dos municípios no cumprimento da legislação que rege a execução de emendas parlamentares. Neste caso específico, a atuação vigilante do mandato parlamentar foi determinante para o acionamento dos órgãos de controle. No entanto, essa não é a regra. E, em muitos casos, situações semelhantes podem passar ao largo da fiscalização. 

As emendas parlamentares têm se tornado um desafio para o País, especialmente em razão da falta de fiscalização efetiva. Além disso, têm sido motivo de tensão entre os Três Poderes da República, dado seu impacto orçamentário e político.

Salitre CE


 

União Brasil reage à cobrança de Lula e tenta acelerar desembarque do governo, mas ministros agem para esvaziar pressão

Por  — Brasília / O GLOBO

 

A pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que os ministros do Centrão defendam mais o governo das críticas dos dirigentes de seus partidos provocou ainda mais insatisfação em parte das legendas. A cúpula nacional do União Brasil já fala em discutir a entrega de cargos na próxima reunião da Executiva Nacional do partido, marcada para a semana que vem.

 

A decisão vai ser centrada no ministro do Turismo, Celso Sabino, que é o único formalmente filiado à legenda no primeiro escalão. Os chefes das pastas das Comunicações, Frederico Siqueira Filho, e da Integração Nacional, Waldez Góes, que são indicações do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não serão alvos da determinação.

 

— Já passou da hora de a decisão ser tomada — disse ACM Neto, vice-presidente da legenda. De acordo com relatos de integrantes do partido, o assunto ganhou força com cobranças dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Mato Grosso, Mauro Mendes, em um grupo de WhatsApp do partido após as falas de Lula. A articulação para o desembarque ganhou força então entre os membros da Executiva.

 

Segundo integrantes da legenda, Sabino mandou diversas mensagens no grupo reclamando da pressão pela saída e defendendo o governo, mas estava em minoria.

 

Mesmo assim, com exceção dos votos contrários do próprio Sabino e de outros poucos nomes da Executiva, como Alcolumbre e o ex-ministro das Comunicações Juscelino Filho, o União espera amplo apoio para aprovar o desembarque. Integrantes do partido só veem duas soluções para o ministro do Turismo: sair do cargo ou do partido. Ele, no entanto, vem resistindo.

 

— Nós temos muitos filiados no Brasil inteiro que devem caminhar na eleição com o presidente Lula, em diversas regiões do país. Eu não vejo razão para antecipar uma discussão, com um prazo tão distante. Falta um ano para as convenções partidárias — disse Sabino. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, minimizou a pressão de ACM Neto, seu adversário político na Bahia. O titular da pasta, no entanto, voltou a cobrar em entrevista nesta quarta-feira que os representantes do primeiro escalão defendam a gestão Lula.

 

— Ele [ACM Neto] diz isso há um ano — afirmou Costa ao GLOBO. Na reunião ministerial de terça-feira, além de cobrar os ministros, Lula disse acreditar que não vai ter o apoio do União em 2026 e que não gosta pessoalmente do presidente do partido, Antonio Rueda. Em resposta, o dirigente afirmou nas redes sociais que “na democracia, o convívio institucional não se mede por afinidades pessoais, mas pelo respeito às instituições e às responsabilidades de cada um”.

 

Dirigentes dizem que a previsão inicial era discutir a entrega de cargos após a federação com o PP ser avalizada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas que as falas de Lula provocam uma “situação constrangedora” para o partido e também para o governo e que não daria para ficar os próximos meses tendo um filiado na Esplanada.

 

Por outro lado, o PP ainda não tem nenhuma reunião prevista para deliberar sobre o assunto. O ministro do Esporte, André Fufuca, que é do partido, já disse a interlocutores que não vai sair da legenda e minimizou as discordâncias, avaliando que é algo natural para um partido grande.

 

Do lado do Republicanos, partido do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, citado por Lula como possível concorrente em 2026, o ministro dos Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, também descarta sair da sigla e do cargo e já disse que comunicou à legenda que vai apoiar Lula em qualquer cenário. — O que o partido tem colocado é que só vai tratar de 2026 em 2026. A gente tem de aguardar esse movimento de Tarcísio, se é candidato, se não é, se sai do Republicanos e vai para o PL… Eu vou estar com o presidente Lula, já disse isso a Marcos Pereira [presidente do Republicanos] — disse Costa Filho na segunda-feira.

 

Reunião da Executiva Nacional do União Brasil, com Antonio Rueda (à dir. na foto) e ACM Neto

Auditoria do TCU aponta controle frágil contra tráfico de cocaína em portos brasileiros

André Borges / FOLHA DE SP

 

 

Uma auditoria conduzida pela unidade do TCU (Tribunal de Contas da União) especializada em defesa nacional e segurança pública concluiu que alguns dos principais portos brasileiros possuem fragilidades que comprometem o enfrentamento do crime organizado no tráfico de cocaína.

 

A Folha teve acesso ao relatório preliminar desta auditoria, que expõe um descompasso entre a sofisticação dos criminosos e a insuficiência do aparato estatal. Enquanto os traficantes operam com técnicas logísticas avançadas, com uso de drones e até de semissubmersíveis, o Estado ainda encara regras e portarias de atuação desconectadas, além de tecnologia limitada e falta de integração de órgãos como Receita Federal e Polícia Federal.

 

A Folha fez reiterados pedidos de posicionamento sobre o tema à Polícia Federal e à Receita Federal, que são mencionadas no relatório. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. Os ministérios da Justiça e o de Portos e Aeroportos também não se manifestaram.

 

A auditoria operacional, que teve início em 14 de abril e deve ser concluída na primeira quinzena de setembro, envolveu visitas aos portos de Paranaguá (PR), Santos (SP) e Vitória (ES), além de uma missão até o porto de Lisboa, em Portugal, para avaliar a capacidade do Brasil de prevenir e reprimir o tráfico internacional de drogas em seus principais portos.

As fragilidades institucionais apontadas destacam a relação entre Receita e PF, a qual, segundo o TCU, se dá sem protocolos claros, o que prejudicaria as investigações. "Essas falhas prejudicam a preservação do local do crime, ocasionam a quebra da cadeia de custódia [de eventuais provas] e, como consequência, perpetuam atuação centrada exclusivamente na apreensão de drogas, o que não traz resultados eficazes e permite que as organizações criminosas continuem em plena atividade", afirma o documento.

 

Na prática, segundo os auditores, significa que, muitas vezes, a droga é apreendida, mas os responsáveis pelo esquema, especialmente os financiadores, não são identificados nem punidos.

 

Outro ponto crítico apontado pelos auditores do TCU é a deficiência tecnológica. Apenas o porto de Vitória conta com o sistema VTMIS (Vessel Traffic Management Information System), capaz de monitorar embarcações suspeitas. Em portos como Santos e Paranaguá, que movimentam juntos mais de 50 mil contêineres por mês, não existe essa capacidade.

 

O VTMIS é um sistema integrado de gestão e monitoramento do tráfego de embarcações, usado em grandes portos e áreas costeiras estratégicas. O recurso funciona como uma espécie de "controle de tráfego aéreo", mas para o mar, permitindo acompanhar em tempo real tudo o que circula na área monitorada.

 

O aparato combina diferentes tecnologias, como radar marítimo, câmeras de vigilância e sensores meteorológicos e de maré, entre outras ferramentas. Os dados são processados em um centro de controle, que pode detectar embarcações clandestinas, desvios de rota, riscos de colisão ou atividades suspeitas.

 

O relatório afirma que o Brasil é, hoje, um dos principais corredores do tráfico internacional de cocaína, mesmo não sendo produtor relevante da droga. Entre 2020 e 2023, o país apreendeu 355 toneladas, o equivalente a 4,45% de todas as apreensões mundiais. Do total apreendido, cerca de 40% se deram em áreas portuárias. Em termos financeiros, a cocaína apreendida em 2023, se fosse tratada como uma commodity, ocuparia a oitava maior exportação na pauta agrícola do país, perdendo apenas para produtos como soja e milho.

O relatório cita algumas situações de apreensão de cocaína que saíram de portos brasileiros, como uma ocorrida em maio de 2024, em que 535 quilos da droga, escondidos em latas de bebida, foram interceptados no porto de Sines, em Portugal. O contêiner, segundo o TCU, havia saído do porto de Santos meses antes, com a droga inserida por meio da técnica de "contaminação de mercadoria", quando a cocaína é misturada ao produto lícito.

 

Antes disso, em 2022, outras cargas oriundas do Brasil já haviam sido interceptadas na Europa, uma delas com 1,1 tonelada no porto de Leixões e outra com 552 kg no porto de Sines, ambos em águas portuguesas.

 

O relatório alerta que, em escala nacional, circulam 140 mil contêineres mensais, todos suscetíveis a introdução de drogas em suas cargas. A governança da segurança portuária também foi considerada frágil. O TCU diz que a regulamentação atual se dá por meio de decreto autônomo, sem base em lei, o que compromete a eficácia das medidas e cria lacunas normativas. No caso da segurança portuária, isso significa que as atribuições e regras de funcionamento foram definidas por decreto presidencial, e não por uma lei aprovada pelo Legislativo.

 

De acordo com a auditoria, o valor da cocaína vendida na Europa pode ser dez vezes maior do que o preço pago na fronteira brasileira. Uma simples lata de bebida de 350 ml recheada com a droga pode valer mais de R$ 100 mil no atacado europeu. No varejo, o grama de cocaína chega a custar mais do que o equivalente ao peso de ouro em alguns mercados.

Em sua conclusão, o TCU propõe acordos de nível de serviço entre Receita e Polícia Federal, capacitação de servidores em preservação da cadeia de custódia, expansão de sistemas integrados nos portos e encaminhamentos ao Congresso, para apoiar mudanças legislativas.

 

Crime organizado nos portos

  • 355 toneladas de cocaína foram apreendidas no Brasil entre 2020 e 2023
  • 4,45% da cocaína apreendida no mundo ocorre no Brasil no mesmo período
  • 40% das apreensões brasileiras de cocaína ocorreram em áreas portuárias
  • 91% da cocaína apreendida em portos europeus é encontrada em contêineres
  • 51% do tráfico nos portos ocorre com a droga escondida em carga lícita

Fonte: Auditoria do TCU

 

TRÁFICO VIA PORTOS BRASILEIROS

Comandante fica sem avião da FAB, usa voo comercial e corta expediente por falta de verba

Cézar Feitoza / FOLHA DE SP

 

 

O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Marcelo Damasceno, deixou de usar aviões militares desde julho diante da restrição orçamentária e da alta demanda de autoridades por voos da FAB (Força Aérea Brasileira).

Damasceno tem recorrido a voos comerciais para suas viagens a serviço, segundo seis oficiais-generais ouvidos pela Folha.

O chefe da Força Aérea passou a utilizar as companhias aéreas porque o baixo orçamento para manutenção causou a paralisação de 40 aeronaves e o afastamento de 137 pilotos desde julho.

Uma das áreas priorizadas pela FAB é o transporte de autoridades. O grupo que realiza o serviço, porém, sofreu baixas neste ano. Por isso, a Aeronáutica não tem conseguido atender a todos os pedidos.

Um decreto presidencial de 2020 define quais autoridades têm direito a usar os aviões da FAB e estabelece uma prioridade de atendimento. O presidente Lula (PT) não entra na fila porque tem aviões presidenciais à disposição.

O primeiro da lista de prioridade é o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. Na segunda prateleira estão os presidentes do Senado, da Câmara e do STF (Supremo Tribunal Federal). Depois deles são atendidos os ministros de Estado, com precedência para os ministérios mais antigos da Esplanada.

Só se houver aeronave disponível após a demanda das autoridades prioritárias é que os chefes das Forças Armadas poderão utilizar os voos da FAB para suas viagens a serviço ou por questões de saúde ou segurança.

É com esse cenário que o major-brigadeiro Damasceno tem encontrado dificuldade para realizar suas viagens com os aviões da Força Aérea que comanda.

O primeiro revés ocorreu em 10 de julho, quando precisou ir a Recife para visitar a base aérea da capital pernambucana. As passagens aéreas foram compradas com uma semana de antecedência ao custo de R$ 5.197.

Damasceno também viajou para Salvador e Belo Horizonte em voos comerciais nos meses de julho e agosto. Fez ainda duas visitas ao exterior, com passagens por Ezeiza (Argentina) e Bogotá (Colômbia), para participar de cerimônias e reuniões bilaterais.

Apesar de o motivo principal ser a falta de aviões para atender às demandas, a nova rotina de Damasceno pelos aeroportos brasileiros tem transmitido aos militares uma mensagem de que o bom exemplo do chefe militar para a economia de recursos deve ser seguido pelos seus comandados.

Procurada, a FAB não se manifestou.

Folha conversou com duas pessoas que encontraram Damasceno no Aeroporto de Brasília nas últimas semanas. O comandante da Força Aérea fez as viagens sem o fardamento militar.

A situação contrasta com o uso de aviões da FAB por autoridades, uma das principais críticas feitas dentro do Ministério da Defesa. A avaliação é que o transporte compromete o orçamento da Aeronáutica e põe em segundo plano a missão principal da Força.

Só neste ano, a Força Aérea realizou 700 transportes de autoridades. O número cresceu ao longo do ano, alcançando os patamares mais elevados em março (116) e abril (136).

A redução dos voos da FAB passou a ser sentida em julho, quando os aviões militares realizaram 67 transportes de autoridades —já resultado das novas restrições impostas pela Força.

O recordista em 2025 é o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), com 73 voos da FAB. A média supera dez viagens por mês. Ele é seguido pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad (70), o presidente do STF, Luís Roberto Barroso (69), o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski (54), e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira (40).

Arrocho

A restrição ao uso dos aviões da FAB coincide com o momento em que o comando da Aeronáutica decidiu ampliar o arrocho financeiro para conseguir finalizar o ano sem faltar dinheiro para necessidades básicas, como energia e água.

Um pacote de medidas foi anunciado internamente no início de julho. Uma das medidas previstas foi o corte do expediente: as organizações militares funcionam presencialmente das 8h às 12h, e o período da tarde é cumprido de forma remota.

As missões militares fora da sede foram substituídas por videoconferências.

A parte considerada mais sensível está relacionada às questões operacionais. Por ordem do comando da Aeronáutica, 40 aeronaves devem ficar paradas até o fim do ano por falta de verba para manutenção e combustível.

A Força Aérea também afastou 137 pilotos, inclusive do Grupo de Instrução Tática e Especializada, responsável pela área de ensino. Na avaliação de oficiais-generais ouvidos pela Folha, as restrições orçamentárias devem ter impacto a médio e longo prazo na qualidade e quantidade dos pilotos militares.

COMANDANTE DA FORÇA AEREA VIAJA EM VOOS COMERCIAIS

178 profissionais empossados para rede de saúde mental de Fortaleza começam a atuar em setembro

Escrito por
e

 / DIARIONORDESTE

 

Nessa terça-feira (26), foram empossados 178 profissionais concursados que atuarão na Rede de Atenção Psicossocial (Raps) do município de Fortaleza a partir do mês de setembro. Entre eles, estão médicos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, assistentes sociais e enfermeiros.  

A solenidade de posse ocorreu no Teatro São José, no Centro. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), os novos concursados vão atuar em Centros de Atenção Psicossocial (Caps) e unidades de acolhimento.

O prefeito de Fortaleza, Evandro Leitão, lembrou que, desde o período pós-pandemia de Covid-19, a população passou a buscar mais os serviços psicológicos e psiquiátricos da Prefeitura. Porém, aponta que essa estrutura estava “sucateada”.

“Estamos agora passando por esse momento de mudança, de transformação, de requalificação e eu espero que cada vez mais a gente possa avançar, oferecer uma saúde de qualidade para a população fortalezense”, afirma.

Para isso, diz o gestor, há um tripé que deve ser priorizado:

  • Infraestrutura: “já iniciamos uma grande recuperação, requalificação, reforma nas estruturas físicas de toda rede de saúde”;
  • Profissionais: o prefeito afirma que, além do chamamento dos concursados da Raps, seguirá convocando outros da Fagifor e IJF, totalizando mais de 1.000 pessoas;
  • Medicamentos: segundo Evandro, a distribuição já foi normalizada.

Evandro ressaltou que essa expansão ocorre apesar de “limitações” - sobretudo orçamentárias, visto que ele prorrogou o decreto de contenção de gastos na Prefeitura. 

Riane Azevedo, titular da SMS, detalhou que os profissionais serão distribuídos de acordo com as necessidades de cada unidade. “A gente vai completando essas equipes. Depois, quando formos redimensionando, a gente vai ajustando para que todas tenham o quantitativo suficiente para que faça o atendimento adequado à população”.

A previsão é que eles estejam atuando nos Caps a partir do próximo dia 1º de setembro.

Aumento da rede

O chamamento dos concursados - oriundos de um certame realizado em 2018 e prorrogado até agora - faz parte do programa municipal Saúde que Cuida, que tem a melhoria do atendimento em saúde mental para os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) como um dos focos. 

O programa também prevê a reforma dos 16 Caps da capital cearense. No entanto, Evandro pondera a necessidade de reforçar ainda mais esse tipo de equipamento. “Nós temos 16 Caps em Fortaleza e nós temos que aumentar, praticamente dobrando esse número até o final da nossa gestão”, disse.

Consursados RAPS FORTALEZA

Governo vacila, as máfias agradecem

Por Notas & Informações / O ESTADÃO DE SP

 

O governo Lula da Silva parece ter despertado da letargia no campo da segurança pública, ainda que por interesse eleitoral. Nos próximos dias, o Ministério da Justiça apresentará ao Congresso um projeto de lei que institui uma legislação antimáfia no Brasil. A iniciativa é bem-vinda e atende a uma necessidade premente: dotar o País de instrumentos legais eficazes para enfrentar organizações criminosas que, há muito, ultrapassaram a condição de meras facções locais para operar como verdadeiras máfias, dentro e fora do território nacional.

 

O grande mérito do projeto, ao qual o Estadão teve acesso, é reconhecer a gravidade do problema. O Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e outras facções cresceram em poderio bélico e econômico e desenvolveram uma enorme capacidade de infiltração no Estado, chegando a dominar territórios e influenciar políticas públicas em várias regiões do País. Não há democracia que resista a esse ataque sem um aparato jurídico e uma coordenação nacional eficientes. Nesse sentido, o governo dá um passo na direção correta ao propor alterações relevantes no Código Penal, no Código de Processo Penal e na Lei n.º 12.850/2013, a Lei das Organizações Criminosas, entre outras.

 

Contudo, o governo vacilou e desistiu de incluir no projeto de lei justamente aquilo que era sua espinha dorsal: a criação da Agência Nacional de Enfrentamento às Organizações Criminosas. Inspirada na Direção Investigativa Antimáfia da Itália – um modelo testado e aprovado –, a agência teria a missão de coordenar os esforços nacionais contra o crime organizado, hoje dispersos em disputas corporativas e conflitos de atribuições entre polícias, Ministério Público e órgãos técnicos.

 

A exclusão da agência nacional, como revelou este jornal, é resultante do lobby da Polícia Federal (PF), receosa de perder poder, ora vejam, para o Ministério Público. O interesse corporativo mesquinho se sobrepôs à razão de Estado e ao interesse público. Consta que dentro do próprio Ministério da Justiça houve resistências à iniciativa. Uma lástima. Se policiais federais e burocratas de gabinete podem comemorar a reserva de seus nacos de poder, criminosos também têm razões para brindar: seguirão enfrentando forças públicas fragmentadas e, portanto, menos eficazes.

 

O argumento da pasta para abandonar a criação da agência nacional seria risível, não fosse tão insultuoso à inteligência alheia: contenção de gastos e espera por uma reforma administrativa. Ora, jamais faltaram recursos públicos para outras ações governamentais infinitamente menos relevantes para a sociedade. Faltam, isso sim, prioridade política e brio republicano do presidente Lula da Silva para, ao fim e ao cabo, fazer valer o melhor interesse da Nação. Essa opção pelo corporativismo custará mais caro: manterá o Estado refém de sua maior vulnerabilidade no combate às máfias brasileiras, a ausência de coordenação centralizada.

 

Não obstante, o projeto de lei que chega ao Congresso não é desprezível. Além de redefinir critérios para a caracterização das organizações criminosas e endurecer penas, o texto propõe novos instrumentos jurídicos, como uma modalidade de ação civil que facilitará a perda de bens em poder de criminosos. Se bem conduzido, pode tornar a vida das lideranças do PCC, do CV e de outros bandos bem mais difícil do que é hoje. Mas isso é insuficiente.

 

Cabe agora ao Congresso suprir as lacunas do Executivo. O Legislativo deve resistir à tentação de transformar a proposta em palco de disputas partidárias e atuar com espírito público, enriquecendo o texto e recolocando em debate pontos essenciais, a começar pela criação de uma instância nacional de coordenação contra o crime organizado. A experiência internacional mostra que o enfrentamento às máfias exige ação centralizada e instituições blindadas à corrupção e cooptação, comprometidas com o interesse público. Sem isso, quem continuará ganhando essa guerra são os criminosos.

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