Auxílio Brasil e Auxílio Gás vão depositar pagamentos antecipadamente
Os benefícios do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás vão ser depositados uma semana antes do previsto neste mês de outubro. O pagamento começa a ser feito na próxima terça-feira (11). 

Em entrevista ao programa A Voz do Brasil nesta segunda-feira (3), a presidente da Caixa, Daniella Marques, disse que mais de 21 milhões de famílias serão assistidas, recebendo o benefício de R$ 600. Este mês, serão pagos R $12,5 milhões aos beneficiários.
Já o Auxílio gás, de R$112 reais bimestrais, assiste 5,9 milhões de famílias, num total de R$ 650 milhões.
O dinheiro é depositado em uma conta poupança digital, administrada pelo aplicativo Caixa Tem. O beneficiário também pode usar o cartão para movimentar o dinheiro em comércios como farmácias e supermercados.
Daniella Marques destaca que qualquer dúvida sobre os auxílios pode ser tirada em ligação gratuita para o telefone 121, todos os dias, 24 horas por dia.
Caixa pra elas
Ne entrevista, a presidente da Caixa também falou de ações do banco para o Outubro Rosa. Segundo Daniella Marques, serão lançadas ações na área de seguros sociais para mulheres, dentro da estratégia Caixa pra Elas, lançada em agosto deste ano.
O Caixa pra Elas é voltado para o combate à violência e para o estímulo à independência feminina, com crédito e consultoria para abertura de negócios. “Hoje essas 17 milhões de mulheres que recebem o Auxílio Brasil, se elas abrem uma microempresa individual, ela que é boleira, manicure, se ela formaliza a empresa, ela não perde o Auxílio [Brasil], essa é uma informação importante. E quando ela se formaliza, a empresa tem crédito mais barato, tem acesso à pausa para doença, pausa pra maternidade”, explicou.
A Caixa tem mais de mil agências com espaços dedicados ao atendimento da mulher, com orientações de diversos tipos, como sobre violência e sobre como abrir uma empresa. Daniella Marques adianta que, até o final do ano, todas as 4 mil agências do banco terão este espaço. Dados da presidente do banco apontam que mais de 80 mil mulheres foram acolhidas nos espaços físicos e o aplicativo Caixa pra Elas teve 27 milhões de acessos.
“Agosto a gente fez seis vezes mais crédito do que julho, em crédito de pessoas jurídicas lideradas por mulheres, sete vezes mais crédito, cartão de crédito mais de 60% de aumento na contratação, seguros, mais de 70%, me deu certeza que a gente está na direção certa”, destacou Daniella, falando de dados relacionando período antes e depois do programa.
Outra ação citada pela presidente do banco é a Pausa para a Maternidade, que é a suspensão do pagamento de empréstimos durante o período de licença maternidade.
“Entre quatro e seis meses da licença, ela para de pagar, e quando volta a trabalhar, retoma sem juros, correção ou multa”, explicou.
AGÊNCIA BRASIL
IBGE: em dois meses, Censo entrevistou mais de 104 milhões de pessoas
Desde o início da operação do Censo Demográfico 2022, em 1º de agosto, foram recenseadas 104.445.750 pessoas, em 36.567.808 domicílios no país. Destas, 42% estavam na Região Sudeste; 27% no Nordeste; 14,3% no Sul; 8,9% no Norte e 7,8% no Centro-Oeste. Até o momento, 48% da população recenseada eram homens e 52%, mulheres.

Este é o segundo balanço da coleta do Censo, divulgado hoje (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“Esse total de pessoas entrevistadas corresponde a 49% da população estimada do país”, disse o gerente técnico do Censo, Luciano Duarte.
Segundo o IBGE, considerando os 452.246 setores censitários urbanos e rurais do país, 282.838 estão sendo trabalhados (62,54% do total). O estado mais adiantado em termos de percentual de setores trabalhados é Sergipe (80,78%), seguido por Rio Grande do Norte (79,69%) e Piauí (79,06%). Já os estados de Mato Grosso (38,49%), Roraima (45,18%) e Acre (48,79%) são os com menor percentual de setores trabalhados.
Além disso, 860.358 indígenas (0,82% da população recenseada até agora) e 740.923 quilombolas (0,71%) já foram contados.
Luciano Duarte destacou ainda que cerca de 2,27% dos domicílios se recusaram a responder, percentual que espera ser reduzido até o final da operação, após aplicados todos os protocolos de insistência.
Em relação ao tipo de questionário, 88,2% dos domicílios responderam ao questionário básico e 11,8% ao ampliado, percentual consistente com a amostra definida pelo instituto. O tempo médio de preenchimento tem sido de 6 minutos para o questionário básico e de 16 minutos para o questionário ampliado.
A maior parte dos questionários (99,5%) foi respondida de forma presencial, sendo que 81.620 domicílios optaram por responder pela internet e 85.309 pelo telefone.
No site do Censo 2022 é possível acompanhar diariamente o total da população recenseada no país e a evolução dos setores trabalhados por unidades da federação.
Novos recenseadores
O IBGE informou que está enfrentando dificuldades relativas à falta de pessoal para atuar como recenseador em determinados locais. Em todo o país, o instituto conta com 95.448 recenseadores em ação, 52,2% do total de vagas disponíveis.
O estado com maior déficit de recenseadores é o Mato Grosso, com 36,8% do número de vagas ocupadas. Já Sergipe está com 68,8% dos postos ocupados. “Estamos pensando em novas estratégias e alternativas de recrutamento, a fim de alavancar e melhorar a produtividade nos estados com menor percentual de população recenseada”, afirmou Duarte.
Os recenseadores estarão sempre uniformizados, com o colete do IBGE, boné do Censo, crachá de identificação e o Dispositivo Móvel de Coleta (DMC). Além disso, é possível confirmar a identidade do agente do IBGE no site Respondendo ao IBGE ou pelo telefone 0800 721 8181. Ambos constam no crachá do entrevistador, que também traz um QR code que leva à área de identificação no site. Para realizar a confirmação, deve-se fornecer o nome, matrícula ou CPF do recenseador.
Edição: Lílian Beraldo / AGÊNCIA BRASIL
Governo reduz para US$ 55,4 bilhões projeção de superávit comercial
O aumento de gastos com fertilizantes e combustíveis fez o Ministério da Economia revisar para baixo a projeção de superávit comercial (exportações menos importações) este ano. A estimativa caiu de US$ 81,5 bilhões, previstos em abril, para US$ 55,4 bilhões, uma redução de 32,7%. A cada 3 meses, o governo divulga uma nova previsão.

Apesar da queda, pode ser o segundo melhor resultado anual da balança comercial desde o início da série histórica, em 1989. O melhor superávit comercial registrado até hoje foi no ano passado, quando o país exportou US$ 61,407 bilhões a mais do que importou, beneficiado pela valorização das commodities (bens primários com cotação internacional).
Segundo o subsecretário de Inteligência e Estatísticas do Comércio Exterior do Ministério da Economia, Herlon Brandão, existem dois fatores principais para a revisão da estimativa: a queda no preço internacional do minério de ferro nos últimos meses e os reflexos da guerra na Ucrânia, que encareceram os fertilizantes e os combustíveis.
“O que temos observado no ano é o crescimento da importação bastante acima do esperado. A exportação vem mais ou menos em linha com o inicialmente projetado”, explicou Brandão. “Os preços de combustíveis, de adubos e fertilizantes, principalmente, influenciam esse movimento”, acrescentou.
A queda do saldo projetado deve-se tanto ao aumento das importações como à desaceleração das exportações. A projeção para as compras do exterior subiu de US$ 268 bilhões previstos em julho para US$ 274,9 bilhões agora. Do lado das exportações, a previsão caiu de US$ 349,4 bilhões para US$ 330,3 bilhões. Caso se confirmem, os valores anuais serão recordes para esses parâmetros.
Impacto da guerra
A guerra entre Rússia e Ucrânia tem impactado a balança comercial nos últimos meses. Por causa do aumento de gastos de itens que encareceram com o conflito, o superávit no mês passado totalizou US$ 3,993 bilhões, com recuo de 9,3% em relação a setembro de 2021.
Os preços internacionais dos adubos e dos fertilizantes subiram 47,4% em setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. O preço médio dos combustíveis comprados do exterior aumentou 53,3% na mesma comparação. No trigo, outro produto que o Brasil importa em grande quantidade, a alta chega a 58,2%.
Edição: Fernando Fraga / AGÊNCIA BRASIL
Brasil registra 1.023 novos casos e 66 mortes por covid-19 em 24 horas
As secretarias estaduais e municipais de Saúde registraram 3.203 novos casos de covid-19 em 24 horas em todo o país. De acordo com os órgãos, foram confirmadas também 66 mortes por complicações associadas à doença no mesmo período. 

Os dados estão no boletim do Ministério da Saúde divulgado neste domingo (2). Das 27 unidades da federação, 12 não atualizaram os dados.
O total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus durante a pandemia soma 34.679.533.
O número de casos em acompanhamento de covid-19 está em 129.914. O termo é dado para designar casos notificados nos últimos 14 dias que não tiveram alta e nem resultaram em óbito.
Desde o início da pandemia, o total de óbitos alcançou 686.320. Ainda há 3.203 mortes em investigação. As ocorrências envolvem casos em que o paciente faleceu, mas a investigação se a causa foi covid-19 ainda demanda exames e procedimentos complementares.
Até agora, 33.863.299 pessoas se recuperaram da covid-19. O número corresponde a pouco mais de 97,6% dos infectados desde o início da pandemia.
Aos sábados, domingos e segundas-feiras, o número registrado diário tende a ser menor pela dificuldade de alimentação dos bancos de dados pelas secretarias municipais e estaduais de Saúde. Às terças-feiras, o quantitativo, em geral, é maior pela atualização dos casos acumulados nos fins de semana.
Estados
Segundo o balanço do Ministério da Saúde, no topo do ranking de estados com mais mortes por covid-19 registradas até o momento estão São Paulo (174.854), Rio de Janeiro (75.695), Minas Gerais (63.780), Paraná (45.348) e Rio Grande do Sul (41.092).
Já os estados com menos óbitos resultantes da pandemia são Acre (2.029), Amapá (2.163), Roraima (2.173), Tocantins (4.204) e Sergipe (6.437).
Edição: Bruna Saniele / AGÊNCIA BRASIL
Covid-19: Brasil registra 51 mortes e 9,5 mil casos em 24 horas
As secretarias estaduais e municipais de Saúde registraram 9.541 novos casos de covid-19 na últimas 24 horas em todo o país. De acordo com os órgãos, foram confirmadas também 51 mortes por complicações associadas à doença no mesmo período.

Os dados estão na atualização do Ministério da Saúde divulgada nesta quinta-feira (29), com exceção das informações do Mato Grosso do Sul, que não foram atualizadas pelo governo estadual, de acordo com a pasta federal.
Com as novas informações, o total de pessoas infectadas pelo novo coronavírus durante a pandemia já soma 34.663.731.
O número de casos em acompanhamento de covid-19 está em 129.911. O termo é dado para designar casos notificados nos últimos 14 dias que não tiveram alta e nem resultaram em óbito.
Com os números de hoje, o total de óbitos alcançou 685.978, desde o início da pandemia. Ainda há 3.203 mortes em investigação. As ocorrências envolvem casos em que o paciente faleceu, mas a investigação se a causa foi covid-19 ainda demanda exames e procedimentos complementares.
Até agora, 33.847.842 pessoas se recuperaram da covid-19. O número corresponde a pouco mais de 97% dos infectados desde o início da pandemia.
Estados
Segundo o balanço do Ministério da Saúde, no topo do ranking de estados com mais mortes por covid-19 registradas até o momento estão São Paulo (174.604), Rio de Janeiro (75.691), Minas Gerais (63.777), Paraná (45.338) e Rio Grande do Sul (41.080).
Já os estados com menos óbitos resultantes da pandemia são Acre (2.029), Amapá (2.163), Roraima (2.173), Tocantins (4.204) e Sergipe (6.435).
Vacinação
Até esta quinta, o vacinômetro do Ministério da Saúde apontava que um total de 483.418.315 doses de vacinas contra covid-19 foram aplicadas no país, desde o início da campanha de imunização. Destas aplicações totais de vacina, 179,8 milhões são primeira dose, 98,8 milhões são segunda e 4,9 milhões são dose única. A dose de reforço já foi aplicada em mais de 98,2 milhões de pessoas e a segunda dose extra ou quarta dose, em pouco mais de 33,6 milhões. O painel registra ainda 4,8 milhões de doses como "adicionais", que são aquelas aplicadas em quem tinha recebido o imunizante da Janssen, de dose única.
Edição: Bruna Saniele / AGÊNCIA BRASIL
Brasil gera 278,6 mil empregos formais em agosto, diz Caged
O Brasil gerou 278.639 postos de trabalho em agosto deste ano, resultado de 2.051.800 admissões e de 1.773.161 desligamentos de empregos com carteira assinada. No acumulado de 2022, o saldo é de 1.853.298 novos trabalhadores no mercado formal. Os dados são do Ministério do Trabalho e Previdência, que divulgou hoje (29), em Brasília, as Estatísticas Mensais do Emprego Formal, o Novo Caged.

O estoque de empregos formais no país, que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos, chegou a 42.531.653 em agosto, o que representa um aumento de 0,66% em relação ao mês anterior.
No mês passado, o saldo de empregos foi positivo nos cinco grupamentos de atividades econômicas: serviços, com a criação de 141.113 postos distribuídos principalmente nas atividades de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas; indústria, com 52.760 novos postos, concentrado na indústria de transformação; comércio, saldo positivo de 41.886 postos; construção, mais 35.156 postos de trabalho gerados; e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura, que criou 7.724 novos empregos.
O ministro do Trabalho e Previdência, José Carlos Oliveira, destacou que é o terceiro mês em que o setor industrial registra alta nas contratações, o que contribui para elevar a renda da população.
“Isso quer dizer que estamos retomando o movimento da indústria brasileira e isso é importante porque traz um valor agregado aos nossos produtos e também vai elevar a média dos salários dos brasileiros. A indústria, via de regra, requer uma melhor qualificação, consequentemente, o setor crescendo, a média do salário do brasileiro acaba crescendo também”, explicou.
Variações por região
Todas as regiões do país tiveram saldo positivo na geração de emprego no mês passado, sendo que houve aumento de trabalho formal nas 27 unidades da federação.
Em termos relativos, dos estados com maior variação na criação de empregos em relação ao estoque do mês anterior, os destaques são para Roraima, com a abertura de 1.081 postos, aumento de 1,59%; Rio Grande do Norte, que criou 6.338 novas vagas (1,41%); e Amapá, com saldo positivo de 1.016 postos (1,35%).
Os estados com menor variação relativa de empregos em agosto, em relação a julho, são Santa Catarina, que criou 10.223 postos, aumento de 0,43%; Rio Grande do Sul, com saldo positivo de 9.691, alta de 0,37%; e Piauí, que encerrou o mês passado com mais 831 postos de trabalho formal, crescimento de apenas 0,27%.
Em termos absolutos, as unidades da federação com maior saldo no mês passado foram São Paulo, com 74.973 postos (0,57%); Rio de Janeiro, com 30.838 vagas criadas (0,92%); e Minas Gerais, com a geração de 27.381 postos (0,61%). Já os estados com menor saldo absoluto foram Amapá, com 1.016 postos (1,35%); Acre, com 858 novas vagas (0,93%); e Piauí, que gerou 831 colocações (0,27%).
Em todo o país, o salário médio de admissão em agosto de 2022 foi de R$ 1.949,84. Comparado ao mês anterior, houve acréscimo real de R$ 29,27 no salário médio de admissão, uma variação positiva de 1,52%.
As estatísticas completas do Novo Caged estão disponíveis na página do Ministério do Trabalho e Previdência.
Edição: Kleber Sampaio / AGÊNCIA BRASIL
Saúde distribui cerca de 1 milhão de vacinas contra a covid-19
O Ministério da Saúde informou que conclui, nos próximos dias, a distribuição de cerca de 1 milhão de doses de vacinas contra a covid-19. O imunizante CoronaVac, segundo a pasta, já passou por todas as etapas de certificação necessárias e chega aos estados pronto para utilização.

Um balanço da pasta mostra que, desde o início da campanha de vacinação, cerca de 520 milhões de doses foram enviadas aos estados e ao Distrito Federal. Os imunizantes são distribuídos de acordo com solicitação feita pelas secretarias estaduais de Saúde, responsáveis por direcionar as vacinas aos municípios.
Até o momento, de acordo com o ministério, 483 milhões de doses foram aplicadas e 166 milhões de pessoas estão com o esquema vacinal completo - duas doses ou dose única-, o que equivale a 78% da população.
Por meio de nota, a pasta destacou que a média móvel de mortes por covid no país está no menor patamar desde abril de 2020.
“Para manter os índices em baixa, o Ministério da Saúde reforça a necessidade de todos os públicos elegíveis buscarem postos de vacinação para completar o calendário vacinal primário, além da aplicação das doses de reforço”,diz a nota.
Edição: Fernando Fraga / AGÊNCIA BRASIL
Contas públicas devem ter superávit próximo a R$ 40 bi neste ano, diz secretário do Tesouro
Idiana Tomazelli / FOLHA DE SP
Após oito anos de rombos sucessivos, as contas do governo central podem encerrar o ano de 2022 com um superávit próximo a R$ 40 bilhões, estima o secretário do Tesouro Nacional, Paulo Valle. O dado inclui as contas do Tesouro Nacional, da Previdência e do Banco Central.
A avaliação do secretário é mais otimista que a projeção oficial, divulgada há uma semana, que prevê um resultado positivo de R$ 13,5 bilhões. A existência de superávit indica que o governo arrecadou mais do que gastou, sem levar em conta as transações com a dívida pública.
"A receita tem vindo ainda mais positiva [que o esperado]. Tudo indica que a gente vai ter um superávit mais para R$ 40 bilhões do que para R$ 13 bilhões", afirmou Valle em entrevista coletiva nesta quinta-feira (29).
O governo não registra um saldo positivo em suas contas desde 2014. Para este ano, a meta fiscal autorizava um rombo de até R$ 170,5 bilhões, mas a arrecadação tem mostrado mais vigor que o inicialmente previsto.
Entre janeiro e agosto, a receita líquida da União (que já desconta transferências a estados e municípios) exibe um crescimento de 13,1% acima da inflação.
O desempenho é explicado por ganhos extraordinários, como o maior volume de dividendos de estatais como Petrobras e bancos públicos —após um pedido encaminhado pela própria pasta para reforçar o caixa. Também contribui o ingresso de R$ 26,6 bilhões após a privatização da Eletrobras.
Há a expectativa de que os resultados da Petrobras no terceiro trimestre de 2022 abram caminho a um novo pagamento de dividendos à União, que ainda não está contabilizado na projeção oficial das contas públicas. A estatal vem registrando lucros significativos desde o ano passado, beneficiada pela alta do dólar e da cotação do barril de petróleo.
O secretário argumentou que as receitas com tributos também estão crescendo, influenciadas pelo aquecimento da atividade econômica. O PIB (Produto Interno Bruto) deve ter um avanço de 2,7% neste ano, segundo estimativa do governo.
Em agosto, a Receita Federal registrou uma arrecadação de R$ 172,3 bilhões, o que representa um recorde para o mês. O crescimento real, já descontada a inflação do período, foi de 8,21% em relação a agosto do ano passado.
Economistas, por sua vez, são mais céticos quanto à manutenção desse ritmo de arrecadação no próximo ano, uma vez que fatores transitórios como a alta do petróleo (que ajuda a turbinar a receita com royalties) podem se dissipar.
Outro fator que deve ajudar na melhora do resultado das contas é o chamado empoçamento, observado quando os ministérios recebem recursos, mas não conseguem gastar devido a alguma pendência jurídica ou licenças ambientais dos projetos. Como nem sempre o dinheiro pode ser remanejado, a abstenção dessa despesa ajuda a melhorar o superávit.
A previsão otimista do secretário se dá mesmo com o rombo de R$ 50 bilhões registrado no mês de agosto, devido a dois fatores atípicos: o pagamento de dívidas judiciais da União e a conclusão de um acordo para encerrar a disputa pelo Campo de Marte.
No mês passado, o Tesouro informou que um lote de pagamento de precatórios (como são chamadas as dívidas judiciais após sentença definitiva) havia sido adiado de julho para agosto a pedido do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). Esses repasses somaram R$ 25,3 bilhões, e seu impacto nas contas já era aguardado pelo governo.
O acordo do Campo de Marte, por sua vez, levou o Ministério da Economia a fazer um registro meramente contábil do pagamento de R$ 23,9 bilhões à Prefeitura de São Paulo para encerrar a disputa histórica em torno da posse da área. Mas não houve desembolso efetivo desse valor porque, no acerto, a União abateu o valor da dívida do município com o governo federal, que foi extinta.
A operação acaba piorando o resultado porque, de um lado, o governo federal abriu mão de receitas financeiras de cerca de R$ 24 bilhões —mas elas não entram na conta do saldo primário. De outro lado, a União precisou registrar a despesa, no valor da indenização ao município de São Paulo.
"Temos ainda uma pressão de despesas nos últimos meses do ano decorrente da EC [emenda constitucional] 123 [que ampliou benefícios sociais como o Auxílio Brasil até o fim do ano], mas é mais em linha, não tem esse pico de precatórios ou Campo de Marte", afirmou Valle.
"Realmente a gente está um pouco mais otimista do que o anunciado no relatório bimestral. O superávit deve ficar muito mais próximo de R$ 40 bilhões", disse.
A melhora das finanças públicas tem sido usada como ativo nas conversas com investidores internacionais, que nos últimos anos reduziram sua participação na dívida pública brasileira, na esteira da perda, pelo Brasil, do selo de bom pagador —o chamado grau de investimento conferido por agências internacionais de classificação de risco.
Valle esteve em Londres na semana passada, onde manteve conversas com investidores, acompanhado por técnicos do Tesouro. "Vemos uma percepção bastante positiva, o Brasil descolando [em relação a seus pares]. Em um questionário, o Brasil foi escolhido como o melhor investimento para o ano que vem", disse.
Segundo ele, o aumento das taxas de juros nas economias internacionais, como Estados Unidos, tem gerado volatilidade nos mercados. "A definição de política monetária nos Estados Unidos, mais passada a eleição, vai criar um bom cenário para investimentos no Brasil", avaliou.
Mesmo com as incertezas em relação ao Orçamento de 2023, que foi enviado com diversos cortes em programas sociais —indicando uma fatura bilionária de gastos represados—, o secretário reforçou o otimismo.
"Quando se compara Brasil com os demais emergentes, o Brasil está bem posicionado. Sinto menos preocupação do investidor estrangeiro do que do doméstico em relação ao fiscal", disse.
Covid-19: Brasil tem 8.289 mortes confirmadas nas últimas 24 horas
O Brasil registrou, desde o início da pandemia, 685.881 mortes por covid-19, segundo o boletim epidemiológico divulgado nesta terça-feira (27) pelo Ministério da Saúde. O número total de casos confirmados da doença é de 34.646.577.

Em 24 horas, foram registrados 8.289 casos. No mesmo período, foram confirmadas 46 mortes de vítimas do vírus. Ainda segundo o boletim, 33.829.648 pessoas se recuperaram da doença e 131.048 casos estão em acompanhamento.
Estados
De acordo com os dados divulgados, São Paulo lidera o número de casos, com 6,08 milhões, seguido por Minas Gerais (3,87 milhões) e Paraná (2,74 milhões). O menor número de casos é registrado no Acre (149,6 mil). Em seguida, aparece Roraima (175 mil) e Amapá (178,2 mil).
Em relação às mortes, de acordo com os dados mais recentes, São Paulo apresenta o maior número (174.604), seguido de Rio de Janeiro (75.688) e Minas Gerais (63.776). O menor número de mortes está no Acre (2.029), Amapá (2.173) e Roraima (2.163).
Vacinação
Até hoje, foram aplicadas 483,1 milhões de doses de vacinas contra a covid-19, sendo 179,8 milhões com a primeira dose e 161,2 milhões com a segunda dose. A dose única foi aplicada em 4,9 milhões de pessoas.
Edição: Lílian Beraldo / BRASIL
Brasil tem deflação de -0,37% na prévia de setembro e acumulado vai a 7,96%
/ EXAME
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia da inflação mensal, ficou em -0,37% em setembro. Os dados foram divulgados nesta terça-feira, 27, pelo IBGE.
O acumulado em 12 meses foi a 7,96%, em queda ante os 9,60% no IPCA-15 de agosto. Nos nove meses do ano até setembro, a variação acumulada é de 4,63%.
O resultado representa uma deflação, quando há variação negativa no índice.
A variação em setembro ficou abaixo do consenso do mercado, que esperava IPCA-15 de -0,2% no mês e inflação anual em 8,14%.
No boletim Focus desta semana, que reúne projeções dos principais bancos e casas de análise compilados pelo Banco Central, a estimativa foi de IPCA em 5,88% no acumulado até o fim do ano. Foi a primeira vez que economistas projetaram inflação abaixo dos 6% desde março, logo após o início da guerra na Ucrânia.
O IPCA-15 diz respeito ao período entre a última quinzena do mês anterior e a primeira quinzena do mês atual, e é considerado uma prévia do IPCA final, que abrange o mês completo e é divulgado no mês seguinte.
Combustíveis seguem puxando deflação
A queda da inflação no período foi novamente puxada pela redução no preço dos combustíveis, em meio à cotação menor do barril de petróleo no cenário internacional, que tem feito a Petrobras reduzir preços internos para combustíveis nos últimos dois meses. Desde julho, foram quatro reduções na gasolina e três no diesel nas refinarias da Petrobras.
O grupo "Transportes", que inclui os combustíveis, teve queda de 2,35% no IPCA-15 de setembro, tendo o maior impacto negativo no índice (-0,49 p.p.), segundo o IBGE.
- O etanol teve queda de 10,10% no período;
- A gasolina caiu 9,78%;
- O óleo diesel caiu 5,40%.
No mesmo grupo, as passagens aéreas voltaram a subir (8,20%), após terem queda de 12,22% em agosto.
Dos nove grupos pesquisados pelo IPCA, três tiveram queda no mês e puxaram a baixa do índice. Além de Transportes, registraram queda "Comunicação" (-2,74%) e "Alimentação e bebidas" (-0,47%).
Os alimentos caíram de preço no geral após meses de alta. O grupo foi puxado para baixo pela alimentação em domicílio (-0,86%), com destaque para a queda do leite, que vinha sendo o vilão das altas nos últimos meses e caiu 12,01% entre meados de agosto e meados de setembro. Apesar da queda, o preço do leite acumula alta de mais de 58% neste ano.
Na outra ponta, seis grupos no IPCA-15 tiveram alta. As maiores vieram de "Vestuário" (1,66%) e "Saúde e cuidados pessoais" (0,94%).

