Bolsonaro e Lula dão últimas cartadas por apoios nos estados
A dez dias do início das convenções partidárias, o presidente Jair Bolsonaro (PL) e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dão suas últimas cartadas para atrair novos apoios e unificar palanques nos estados.
Levantamento da Folha aponta que Bolsonaro já tem palanques definidos em 21 estados, sendo que haverá palanque duplo em 5 deles e tripla candidatura ao governo em Santa Catarina. Ainda há negociações em curso para unificação e palanques em 5 estados e no Distrito Federal.
Já o ex-presidente Lula encaminhou seus palanques em 19 estados e no DF, com palanques duplos em 4 deles. Agora, atua na costura para unificar candidaturas aliadas a governos de outros 8 estados.
As principais pendências de Bolsonaro estão no Paraná e em Minas Gerais, onde ele se desdobra para unir os governadores que disputam a reeleição e o núcleo duro do bolsonarismo nos estados.
Bolsonaro se encontrou na última semana em Brasília com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo). Mas não houve acordo, e o presidente reforçou a pré-candidatura do senador Carlos Viana (PL) ao governo mineiro. Ambos participam juntos de um ato em Uberlândia neste sábado (8).
Para aderir a Zema, o presidente quer o ex-ministro Marcelo Álvaro Antônio como candidato ao Senado na chapa do governador, mas este prefere o deputado federal Marcelo Aro (PP).
A união de Bolsonaro e Zema, com a retirada da candidatura de Viana, aumentaria as chances de vitória do governador ainda no primeiro turno. De acordo com pesquisa Datafolha, Zema tem 48% das intenções de voto, contra 21% de Alexandre Kalil (PSD) e 4% de Viana.
Um acordo ainda não está 100% descartado, mas se tornou uma possibilidade mais remota depois das conversas desta semana.
O cenário é semelhante no Paraná. O governador e candidato à reeleição Ratinho Júnior (PSD) é alinhado a Bolsonaro, mas o PL lançou o deputado federal Filipe Barros ao governo.
A expectativa, contudo, é de um alinhamento com o governador até as convenções partidárias. Dois nomes disputam a vaga na chapa para o Senado: o deputado federal Paulo Martins (PL) e o senador Álvaro Dias (Podemos).
A segunda alternativa é considerada mais competitiva em caso de candidatura ao Senado do ex-juiz Sergio Moro (União Brasil). Apesar de não ser alinhado ao bolsonarismo raiz, Dias é considerado um nome mais competitivo para tentar derrotar o ex-ministro e desafeto de Bolsonaro.
Paulo Martins, contudo, diz que segue no jogo. Na quinta-feira (7), ele se reuniu com Bolsonaro em Brasília e publicou em suas redes sociais uma mensagem na qual critica quem planta fake news para desestabilizar sua pré-candidatura ao Senado.
Filipe Barros, por sua vez, afirmou em junho que vai aguardar o prazo final das convenções partidárias para se manifestar sobre sua candidatura ao governo: "Reafirmo que sou um soldado do presidente Bolsonaro", disse.
O Ceará é outro estado que está na mesa de negociações. O deputado federal Capitão Wagner (União Brasil) tem a simpatia do presidente, mas busca desnacionalizar a disputa e evita se apresentar como o "candidato de Bolsonaro".
No Distrito Federal, o governador e pré-candidato à reeleição Ibaneis Rocha (MDB) tem indicado apoio a Bolsonaro, mas não teve reciprocidade.
O PL se movimenta para lançar o ex-governador José Roberto Arruda, pivô do escândalo do mensalão do DEM. Ele tem afirmado em conversas reservadas que deseja disputar a eleição ao governo e liderar o palanque de Bolsonaro.
O presidente ainda deve definir palanques em estados do Nordeste. Com a retirada da pré-candidatura ao governo de Josimar de Maranhãozinho, o PL do Maranhão aderiu ao senador Weverton Rocha (PDT). O pedetista, contudo, tem indicado apoio a Lula na corrida pelo Planalto.
A única candidatura no estado 100% alinhada a Bolsonaro é a de Lahesio Bonfim (PSC), ex-prefeito de São Pedro dos Crentes. Mas o candidato não terá o apoio dos principais bolsonaristas do estado, caso do senador Roberto Rocha (PTB).
No Rio Grande do Norte, aliados de Bolsonaro, como o ex-ministro Rogério Marinho (PL), abraçaram a candidatura ao governo de Fábio Dantas, vice-governador do estado de 2015 a 2018. Dantas, contudo, tem indicado que não deseja ficar restrito ao bolsonarismo e trabalha para ampliar seu palanque.
Lula também intensificou as negociações na reta final antes das convenções para ampliar sua base de apoio em estados como Pará, Amazonas e Mato Grosso.
O petista deve visitar Belém até o final do mês para selar a aliança com o governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), que concorre à reeleição e já tem o apoio do PT no estado.
"O governador Helder vai estar campanha de Lula junto com deputados, prefeitos e lideranças. A base aliada do governador está majoritariamente com Lula", afirma o deputado federal Beto faro (PT), pré-candidato ao Senado.
Helder Barbalho tem uma base aliada ampla que inclui também o PSDB, além de partidos da base de Bolsonaro como o PP. Mas a tendência é que se repita o alinhamento que em 2018 fez do Pará o único estado fora do Nordeste em que Fernando Haddad (PT) superou Bolsonaro.
Lula também deve ir a Manaus para definir o seu palanque no Amazonas, estado onde o PT decidiu que não terá candidato próprio. Há conversas para apoiar o senador Eduardo Braga (MDB) ao governo e o senador Omar Aziz (PSD), que presidiu a CPI da Covid, para a reeleição ao Senado.
Em Mato Grosso, Lula prepara uma de suas jogadas mais ousadas para trazer para perto de si uma parcela importante dos representantes do agronegócio: uma aliança com o PP para apoiar o deputado federal Neri Geller ao Senado.
Geller, que é empresário e produtor rural, deve liderar o palanque de Lula em um estado com economia ancorada na agropecuária e viés bolsonarista.
"Eu estou conversando com as lideranças do PT e encaminhando uma aliança no estado. Sempre fui um parlamentar de diálogo, converso com a direita, com a esquerda e com o centro. Não teria dificuldade em caminhar junto", afirmou o deputado à Folha.
A aliança com os petistas tem o aval do comando nacional do PP e passa pelo ex-governador e produtor rural Blairo Maggi (PP), que é amigo de Geller e tem um histórico de boa relação com Lula.
Em estados como Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraíba, Espírito Santo e Acre, Lula deve se debruçar na tentativa de unificação de palanques com o PSB.
Depois da consolidação da aliança em São Paulo, o Espírito Santo se tornou o estado mais próximo de um consenso. O governador Renato Casagrande (PSB) e o senador Fabiano Contarato (PT) se reuniram nesta semana com os dirigentes nacionais dos partidos e se aproximaram de um acordo.
As conversas também se encaminham no Acre, onde o ex-governador Jorge Viana (PT) tende a ser candidato ao Senado, e o deputado estadual Jenilson Leite (PSB), candidato ao governo. Caso a aliança se concretize, será a primeira vez que o PT não concorrerá ao governo do Acre desde 1982.
"Estamos trabalhando para reverter o resultado ruim de 2018 e dar uma boa votação a Lula, que tem um histórico de muito trabalho pelo Acre. Não há problema entre nós, quem tem problema é o grupo do governador, que está todo dividido", diz Viana.
Nos demais estados, o impasse permanece. Em Santa Catarina, um dos principais redutos bolsonaristas do país, PT e PSB tiveram uma nova rodada de negociações sem resultados.
O senador Dario Berger (PSB), que veio do MDB e é um dos neolulistas no estado, quer liderar como candidato ao governo a aliança de partidos de esquerda que inclui o PSOL e o PDT. Mas enfrenta a concorrência interna do ex-deputado federal Décio Lima (PT).
"O objetivo é sempre tentar construir a unidade, mas até agora não conseguimos êxito. Não é fácil, mas cada dia com sua agonia", afirma Dário Berger.
A Paraíba é o principal impasse a ser resolvido entre estados do Nordeste e caminha para um palanque duplo para Lula, com as candidaturas do governador João Azevêdo (PSB) e do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), que tem o apoio do PT.
Deputados estaduais divulgam carta em apoio à pré-candidatura de Izolda Cela; veja lista
Escrito por Luana Barros, / DIARIONORDESTE
O acirramento da disputa de quem será o candidato governista ao Governo do Ceará continua mobilizando lideranças políticas. Na noite deste sábado (9) foi lançada "Carta de Deputados e Deputadas ao Povo Cearense", na qual os parlamentares defendem o nome da governadora Izolda Cela (PDT) como pré-candidata a reeleição. Dos 38 deputados estaduais que integram a base governista no Estado, 28 assinaram o documento.
Parlamentares do PDT, PT, PP, MDB, PCdoB, PV Republicanos e Patriota se posiconaram por meio da carta púbica. O presidente da Assembleia Legislativa do Ceará, Evandro Leitão (PDT) é um dos pré-candidatos do PDT para a sucessão estadual e não assina o documento. Além dele, também concorrem internamente o ex-prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio (PDT), e o deputado federal Mauro Benevides Filho (PDT).
Essa não foi a única manifestação de apoio que ocorreu neste sábado. Durante o dia, aliados de Roberto Cláudio e Izolda fizeram publicações manifestando as preferências, já que o acirramento da disputa interna do PDT tem se concentrado em torno dos dois. Do lado do ex-gestor, vereadores de Fortaleza se manifestaram ressaltando as qualidades do pedetista e ressaltando a preferência por ele para a disputa pelo Palácio da Abolição.
CARTA DOS DEPUTADOS ESTADUAIS
Na carta, os deputados estaduais defendem a pré-candidatura de Izolda e argumentam que a atual governadora poderá "unificar o conjunto de partidos" que integram a aliança e ressaltam que apesar de representar "continuidade", Izolda também será "uma forte renovação no sentido de mais inclusão e direitos".
"A posição pública da Governadora Izolda Cela, a primeira mulher a governar o Ceará, ao colocar o seu nome à disposição para unificar o conjunto dos partidos que desenvolvem um projeto de grandes avanços sociais no nosso Estado merece a nossa consideração e pleno apoio", diz o texto da carta.
VEJA A LISTA COMPLETA:
Bruno Pedrosa (PDT)
Jeová Mota (PDT)
Osmar Baquit (PDT)
Oriel Nunes(PDT)
Romeu Aldigueri (PDT)
Salmito (PDT)
Tin Gomes (PDT)
Acrísio Sena (PT)
Augusta Brito (PT)
Elmano de Freitas (PT)
Fernando Santana (PT)
Júlio César Filho(PT)
Moisés Braz (PT)
Nizo Costa (PT)
João Jaime (PP)
Leonardo Pinheiro (PP)
Zezinho Albuquerque (PP)
Agenor Neto (MDB)
Audic Mota (MDB)
Daniel Oliveira (MDB)
Davi de Raimundão (MDB)
Leonardo Araújo (MDB)
Nelinho (MDB)
Gordim Araújo (PSDB)
Manoel Duca (REPUBLICANOS)
Silvio Nascimento (PATRIOTA)
Carlos Felipe (PCdoB)
Walter Cavalcante (PV)
"A governadora Izolda Cela representa um novo ciclo dentro da continuidade das conquistas democráticas e de vida do povo cearense do último período, mas, também, uma forte renovação no sentido de mais inclusão e direitos. (...) Desta forma, queremos afirmar que a professora Izolda Cela nos representa com a sua história e a sua ação pública para continuarmos avançando o nosso querido Estado do Ceará".
Bolsonaro contra-ataca, deve fazer gols em agosto, Lula cochila
Vinicius Torres Freire / FOLHA DE SP
Em julho, a taxa de inflação deve ser negativa. Isto é, o IPCA pode diminuir quase 1% neste mês. A inflação anual cairia pouco, para perto de 10%. A carestia da comida continuaria na casa de horríveis 16% ao ano. A baixa do preço dos combustíveis vai maquiar uma inflação ainda ruim e disseminada.
Mas o bolsonarismo vai bater bumbo, comemorando esse primeiro lance do contra-ataque que começou agora. Deve fazer uns gols nas pesquisas de agosto ou setembro. Talvez não sejam muitos pontos, mas o bastante para afastar o risco de derrota no primeiro turno. Com essa jogada de Auxílio Brasil etc., deve sair do sufoco em que estava fazia apenas uma quinzena.
Além disso, em 31 de julho começam as manifestações de rua bolsonaristas, que devem culminar na reedição apoteótica de aniversário do 7 de Setembro golpista, agora mais disfarçado. "Disfarçado" em termos, pois foi retomada a campanha de desmoralização das urnas e de intimidação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo, ofensiva com grande apoio militar.
Enquanto isso, a oposição, em suma Lula da Silva (PT) e agregados, jogam parados, esperando que inflação, fome e um passado de crimes recentes bastem para manter a rejeição de Jair Bolsonaro lá pela casa de 55%. Não há movimento ou conversa política maiores a fim de conter o contra-ataque bolsonarista.
Como previsto, bancões e outras casas do ramo revisam para cima suas estimativas de crescimento para 2022, que saem de cerca de 1,5% para o degrau dos 2%. Mais importante, atenuam suas previsões de que o número de empregos passaria a crescer pouquinho neste segundo semestre.
O motivo principal das revisões é o dinheiro do pacotão eleitoral, a PEC "Kamikaze" ou dos "Bilhões –redução de impostos sobre combustíveis e auxílios vários.
Há uma possibilidade muito remota de que parte da baixa dos combustíveis seja revertida por causa de queixas dos governadores na Justiça. Mais improvável ainda é a PEC Kamikaze cair na Câmara.
O Supremo já está intimidado pelos arreganhos bolsonaristas –o pessoal lá diz que não quer "acirrar" o conflito. O Congresso quase inteiro vem dando aval ao estelionato eleitoral. A oposição levou um drible pela mudança de última hora do pacotaço estelionatário, que saiu da burrice de subsídios ainda maiores de combustíveis para o gasto direto com pobres e assemelhados. Não vai ter CPI do MEC.
A oposição ora leva um baile porque não tem estratégia política ou proposta de acordo nacional de reconstrução econômica e democrática. Nem tem programa (de combate político, eleitoral ou outro). A campanha ainda é feita de Lula, "bota o retrato do velho outra vez", e do nojo que parte do país tomou de Bolsonaro.
Daqui a pouco, começa para valer a campanha suja digital bolsonarista, que estava com problemas de organização e disputas intestinas. Vai ter pacote para empresário.
Para recapitular: a partir de julho começam as marchas das massas de choque bolsonaristas. Bolsonaro vai pegar carona nos gastos da comemoração oficial do Bicentenário da Independência.
No início de agosto tem a notícia de inflação negativa de julho e indicadores ainda resistentes de emprego. Entre fins de julho e agosto começa a pingar o Auxílio Brasil, que deve ter pelo menos um segundo pagamento até o primeiro turno.
Em tese, vão ser dois meses de contra-ataque. O que a oposição vai fazer? Esperar que um desastre financeiro na economia mundial aporte por aqui? Que o povo não compre o estelionato pelo preço de face?
Mais provável, por ora, é que Bolsonaro faça uns gols, uns pontos salvadores nas pesquisas de agosto ou setembro. No mínimo, ganha tempo para golpes.
Por Bolsonaro, PL sai de um nome em 2018 para 14 candidatos a governador
Por Bernardo Mello — Rio / O GLOBO
Buscando assegurar palanques estaduais para o presidente Jair Bolsonaro na campanha à reeleição, o PL planeja uma guinada em sua estratégia de candidaturas a governador para lançar até 14 chapas próprias neste ano. Em 2018, com perfil mais voltado para a disputa por cadeiras no Legislativo, o partido havia lançado apenas um nome ao governo. A nova diretriz adotada para impulsionar Bolsonaro na disputa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas até aqui, levou o PL a abrir frentes de embate direto em nove estados com o PT, que tem hoje 13 pré-candidaturas no total. O número é menor do que na última eleição, quando teve 16 representantes nas disputas pelos Executivos estaduais.
Os dados fazem parte do Guia O GLOBO Eleições, um mapa digital lançado neste domingo, com fichas que apresentam os pré-candidatos a governos estaduais e ao Senado em todos os estados e no Distrito Federal. As fichas reúnem o histórico de siglas e cargos públicos ocupados pelos candidatos, além de breves biografias e do desenho de palanques presidenciais pelo país. A plataforma será atualizada conforme as candidaturas forem aprovadas ou retiradas no período de convenções partidárias, que começa no dia 20.
Em 2018, PL e PT juntos
PL e PT estão entre os partidos com mais pré-candidatos a governador. O União Brasil, partido criado pela fusão entre PSL e DEM e que terá a maior fatia do fundo eleitoral, com cerca de R$ 800 milhões, tem 14 pré-candidatos, mesmo número do PL. O PSOL, que declarou apoio a Lula na eleição presidencial, tem 16 pré-candidaturas já aprovadas. A legenda, que havia tido candidato à Presidência em todas as eleições que disputou até hoje, costuma adotar a estratégia de lançar chapas majoritárias também nos estados para dar maior visibilidade a seus candidatos à Câmara.
Em 2018, quando ainda se chamava Partido da República (PR), o PL lançou sua única candidatura ao governo com Wellington Fagundes, no Mato Grosso, em uma aliança que incluiu o PT. Neste ano, as siglas devem caminhar separadas em todos os estados.
Metade das pré-candidaturas do PL a governador em 2022 foi lançada em estados onde Bolsonaro não tem outro palanque. A lista inclui alguns dos principais colégios eleitorais do país, como Bahia e Minas Gerais, estados em que o partido lançou, respectivamente, o ex-ministro João Roma e o senador Carlos Viana. Em ambos os casos, a campanha de Bolsonaro tentou, sem sucesso, alianças com candidatos mais bem posicionados em pesquisas.
Na Bahia, Bolsonaro sondou o apoio do ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União), que preferiu manter seu palanque aberto e se desvincular da disputa presidencial. Ele procura atrair tanto eleitores bolsonaristas quanto aqueles mais próximos a Lula, que apoia na disputa baiana o ex-secretário de Educação Jerônimo Rodrigues (PT). Em Minas, numa situação similar, o governador Romeu Zema (Novo) recusou o apoio formal de Bolsonaro e declarou que apoiará o presidenciável de seu partido, Luiz Felipe D’Ávila.
O PT, que já reduziu suas candidaturas próprias na comparação com 2018, pode enxugar ainda mais o número de chapas petistas em prol de acordos com legendas de sua coligação, especialmente o PSB. As duas siglas ainda negociam composições em chapas aos governos, tendo o PSB à frente, no Espírito Santo, em Rondônia e no Acre. Em São Paulo, o pessebista Márcio França recuou de sua candidatura na sexta-feira para declarar apoio ao petista Fernando Haddad. O PT também buscou uma composição no Distrito Federal com o PV, que faz parte de sua federação, e que abrigou a pré-candidatura de Leandro Grass ao governo.
— A prioridade é eleger presidente, senador e deputado federal. Vamos ter candidatos a governador onde tivermos tamanho para isso. O número de candidaturas ainda pode passar por ajustes, a depender das alianças — disse o deputado José Guimarães (PT-CE), vice-presidente nacional e coordenador do grupo de trabalho eleitoral do partido.
Mesmo mais aberto a composições fora da cabeça de chapa, o PT fechou questão para manter pré-candidatos que rivalizam com o PSB em estados como Rio Grande do Sul e Paraíba. Na disputa gaúcha, um dos principais pontos de desavença entre os dois partidos, o PSB tentou atrair o apoio de Lula ao deputado Beto Albuquerque, mas o PT manteve a pré-candidatura de Edegar Pretto. O palanque bolsonarista é encabeçado pelo ex-ministro Onyx Lorenzoni (PL). Na Paraíba, o governador João Azevêdo (PSB) busca o apoio de Lula para concorrer à reeleição, mas o PT lançará o ex-governador Ricardo Coutinho, seu desafeto, como candidato ao Senado na chapa de Veneziano Vital do Rêgo (MDB).
Espaço aberto a rival
Em contraste com o salto de pré-candidatos do PL, as outras legendas do Centrão que apoiam Bolsonaro abrirão poucos palanques majoritários: o Republicanos terá quatro nomes, dos quais apenas o ex-ministro Tarcísio de Freitas, em São Paulo, garante fazer campanha com o presidente. O PP terá três, sendo dois deles governadores que disputam reeleição: Gladson Cameli, no Acre, e Antonio Denarium, em Roraima.
Embora não esteja na coligação de Bolsonaro e tenha lançado o deputado Luciano Bivar como pré-candidato à Presidência, o União Brasil será o principal partido, depois do PL, a abrir palanques para o atual presidente, em quatro estados. Bivar, que também é o presidente do União, diz que a prioridade da legenda com as candidaturas é se posicionar no debate nacional. Além da ala que apoia Bolsonaro, parte dos pré-candidatos do União, como ACM Neto na Bahia e Ronaldo Caiado em Goiás, pretendem manter palanques abertos a rivais de Bivar.
— Obviamente um maior número de palanques estaduais facilita a difusão de ideais e propostas do partido, além de, consequentemente, ajudar a campanha nacional — avalia o presidente do União Brasil.
Quaest: Lula ainda pode levar no 1º; escândalos não tiram voto de Bolsonaro.
Foram divulgados há poucos os números da pesquisa Genial-Quaest. Se a eleição fosse hoje, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) poderia vencer a disputa no primeiro turno. As alterações em relação à pesquisa do mês passado situam-se na margem de erro, que é de dois pontos. Num eventual segundo turno entre Lula e Jair Bolsonaro (PL), o ex-presidente bateria o atual por 53% a 34% — há um mês, 54% a 32%. O petista venceria Ciro Gomes (PDT) por 52% a 25%, números idênticos ao levantamento de junho, e Simone Tebet (MDB) por 55% a 20% (antes, 56% a 20%). Foram feitas duas mil entrevistas presenciais entre os dias 29 de junho e 2 de junho.
PRIMEIRO TURNO
No cenário cheio, com 12 candidatos, Lula oscilou de 46% para 45%, e Bolsonaro de 30% para 31%. Ciro variou de 7% para 6%, e André Janones (Avante) conservou os 2%. Simone Tebet foi de 1% para 2%, e Pablo Marçal (Pros) manteve seu 1%. Os demais candidatos não chegaram a somar 1%. Os indecisos continuam a ser 6%. E o contingente de brancos, nulos e ou de pessoas que declaram que não vão votar é agora de 6% -- antes, 7%. Há um mês, os adversários se Lula somavam 41 pontos, contra seus 46. Agora, têm 42 contra 45. Conserva-se, dentro da margem de erro, a possibilidade de vitória no primeiro turno.
num segundo cenário em que disputassem apenas Lula, Bolsonaro, Ciro, Janones e Simone — composição não testada no mês anterior, os números são, respectivamente, 45%, 31%, 7%, 3% e 3%. Os opositores de Lula somariam 44% contra seus 45%, conservando-se a possibilidade da vitória na primeira jornada. Sem Janones, o petista vai a 47%, Bolsonaro conserva seus 31%, Ciro fica com 8%, e Simone, com 3%. Nesse caso, a vitória do petista no primeiro turno seria praticamente certa: 47% a 42%.
NÚMEROS SEGUEM RUINS, MAS... Os números são péssimos para Bolsonaro, mas logo seus hortelões começarão a plantar nas colunas de notas que a virada já começou. Afinal, entre a pesquisa anterior, com campo realizado entre 2 e 6 de junho, e esta, entre 29 e 2, o governo foi colhido por duas péssimas notícias: as prisões preventivas, no dia 22, dos pastores Milton Ribeiro, Gilmar Santos e Arilton Moura, e o escândalo de assédio sexual e moral na Caixa Econômica Federal, que veio a público no dia 28, e resultou na demissão de Pedro Guimarães, presidente do banco. Apesar disso, Bolsonaro não piorou e até se pode especular que possa ter ganhado alguns votinhos.
Mais: a PEC do Desespero — que apelidei, à moda Narcisa Tamborindeguy, de "Ai, que medo do Lula!" — ainda não foi aprovada, e os efeitos da redução de impostos sobre combustíveis são ainda discretos. Assim, verão os dados com otimismo, apostando que os benefícios levarão votos para o presidente.
PISO E TETO Se a "virada não começou", como os bolsonaristas certamente vão comemorar, é bem provável que Bolsonaro tenha atingido um piso. Convenham: cabe indagar o que mais poderia acontecer para que sua candidatura derretesse. Seu eleitorado se mostra fiel e resiliente. Na pesquisa espontânea, diga-se, ele passou de 20% para 24% -- é bem verdade que havia oscilado de 22% para 20% na anterior. Agora, Lula varia de 32% para 31%. A diferença entre eles é de 8% nessa sondagem e era de 12% no mês passado. Mas já chegou a ser de 6% em abril e maio..
A pesquisa Genial-Quaest começou a ser feita em julho do ano passado. Está na sua 13ª edição. Naquele mês, Bolsonaro aparecia com 28% das intenções de voto. Agora, tem 31%. Viveu seus piores dias em novembro, quando chegou a 21%. Com a desistência de Sergio Moro, recuperou parte do eleitorado que era seu e mudou de patamar..
Se Bolsonaro atingiu seu piso no primeiro turno, aos petistas talvez caiba a indagação: "Como fazer para furar o que parece ser um teto de Lula?" Essa pergunta é importante não para vencer a eleição, mas para tentar liquidar a fatura no primeiro turno. Ao longo das 13 jornadas, Lula nunca ficou abaixo de 44%, obtendo em novembro a maior pontuação: 48% — sempre considerando o cenário com todos os postulantes da hora. A desistência de Ciro, coisa com a qual ninguém conta, poderia abrir caminho para a vitória no primeiro turno. No levantamento de agora, como se pode notar, a eventual desistência de Janones seria positiva para o petista.
CORTES Bolsonaro e o Centrão contam com a PEC "Ai, que Medo do Lula" para tentar alavancar a candidatura entre os mais pobres. A situação continua muito ruim para o atual mandatário. Entre os que recebem dois mínimos, Lula oscilou de 57% para 55%, e Bolsonaro, de 22% para 21%. Essa camada constitui 38% da amostra..
No grupo que recebem de dois a cinco mínimos — 40% do total de entrevistados —, há uma mudança considerável: o ex-presidente varia de 46% para 43%, e o atual, de 30% para 34%. A diferença caiu de 16 pontos para 9. Bolsonaro empata tecnicamente com Lula entre os que recebem mais de cinco mínimos (20% da amostra): o petista passa de 37% para 34%, e o atual mandatário, de 36% para 38%. Que peso a redução do preço dos combustíveis, ainda que discreta, pode ter nesse grupo?..
A distância que separa Lula de Bolsonaro no Nordeste é gigantesca, mas está menor do que no mês passado, segundo a Quaest. O petista caiu de 68% para 59%, e o presidente cresceu de 15% para 22%. É bem verdade que, no mês anterior, Lula havia crescido seis pontos Na região, e Bolsonaro, caído 6. O Nordeste representa 27% do eleitorado brasileiro.
No Sudeste, que concentra 42,6% dos eleitores, também houve uma alteração importante: Lula lidera por 38% a 33%, mas, no mês passado, vencia por 43% a 33%. No Sul, o ex-presidente aparece com 40%, contra 32% do atual. No Centro-Oeste, teria havido uma mudança radical de cenário: o presidente teria despencado de 44% para 35%, e Lula, disparado de 24% para 39%. Mudança significativa também na Região Norte: o atual mandatário cai de 44% para 32%, e o ex cresce: de 40% para 48%..
Uma das fortalezas de Lula está no voto feminino. Nos dias em que o bolsonarismo afirmou coisas hediondas sobre casos pavorosos envolvendo estupro e aborto e em que vem a público o escândalo de assédio sexual na CEF, teria diminuindo de maneira sensível a diferença entre os dois candidatos mais votados: Lula teria oscilado de 50% para 46%, e Bolsonaro, crescido de 22% para 27%. Diferença enorme, mas menos do que antes..
CAMINHANDO PARA O ENCERRAMENTO Dados os números, pode-se chegar a algumas conclusões: - a menos de três meses da eleição, só mesmo um milagre, produzido pelo horário eleitoral, ou um evento formidável, no terreno do imponderável, pode fazer vingar um nome alternativo a Lula e Bolsonaro;
- O governo foi abalado por dois eventos extremamente negativos entre a pesquisa de junho e a deste mês, e Bolsonaro conservou os seus índices, quem sabe com ligeira melhora;
- a PEC sobre o ICMS dos combustíveis e a PEC "Ai, que Medo do Lula" podem não definir a eleição a favor de Bolsonaro, como esperam o Centrão, seus partidários e ele próprio, mas reforçam, obviamente, a posição do presidente no jogo. Não se sabe o tamanho desse reforço.
- Assim que os números forem divulgados, começa a contagem regressiva para o bolsonarismo cantar vitória. O presidente e seus aliados estão convictos de que a maior soma de ilegalidades da história da República em prazo tão curto vai virar o jogo. Os números evidenciam que a tarefa não é assim tão simples.

