Medidas contra pesquisas eleitorais suspeitas são ineficazes, critica conselho de estatística
Por O Globo — Rio de Janeiro
O Conselho Federal de Estatística (Confe) afirmou que está trabalhando para implementar um sistema de fiscalização de pesquisas eleitorais na tentativa de ajudar na prevenção de irregularidades estatísticas e influência política indevida. De acordo com a chefia da entidade, as medidas atuais da Justiça Eleitoral e do setor contra as pesquisas eleitorais “fantasma” — como as que o GLOBO mostrou serem cada vez mais frequentes — são poucas e ineficazes.
“Todos os institutos que produzem informações para os governos utilizam mecanismos modernos de coleta de dados e fornecem grandes bases de informação para orientação de suas sociedades e de seus governos”, explicou em nota ao GLOBO Mauricio Gama, presidente do Confe, que critica a proliferação de institutos meramente comerciais que se registram no TSE sem prestar contas sobre a qualidade de suas pesquisas. “Vendendo seus resultados a quem possa pagá-los, exercem às vezes, de maneira insidiosa, uma influência significativa nos resultados eleitorais e consequentemente no acesso ao poder.”
O comentário do conselho vem na esteira de reportagem do GLOBO mostrando que quase quatro em cada dez pesquisas eleitorais registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre janeiro e junho deste ano foram pagas com recursos das próprias empresas responsáveis pelos levantamentos. Entre os institutos que financiam sondagens, há empresas de terraplanagem, organização de rodeios e até vaquejadas, além de pesquisa a preço de R$ 0,01.
Gama ressalta que uma grande fatia das pesquisas registradas no TSE (este passo é obrigatório no contexto eleitoral) não tem nenhum controle em seus métodos e processos, apenas com um plano estimado de pesquisa — gerando “absurdos metodológicos”. Como O GLOBO divulgou, empresas de pesquisa não precisam submeter nota fiscal para sondagens autofinanciadas, então não é possível rastrear de onde saem os recursos que bancam aquele serviço. A falta de transparência abre brechas para campanhas políticas divulgarem pesquisas que beneficiem certos candidatos.
“A falta de controle de seus trabalhos, e sem haver avaliação dos resultados alcançados, tornam quase impossível o controle da qualidade desses levantamentos e da validade do produto que vendem, o prognóstico dos resultados eleitorais”, ressalta Gama. “O que se propõe é que seja estabelecida uma forma de controle mais eficaz, intensa e competente, além das poucas e ineficazes medidas já implantadas.”
Apelo ao TSE para barrar empresas não habilitadas
O Confe não detalha como pretende implementar logisticamente um sistema que melhore o controle das “pesquisas fantasma”, mas alerta que ações neste sentido esbarram em desafios como a falta de tempo hábil para auditar resultados de sondagens (sem que eles “envelheçam” antes de estarem estatisticamente aprovados) e o impasse entre proibir a divulgação de resultados muito próximos às datas eleitorais — prejudicando comercialmente institutos de pesquisa habilitados.
- De voto à vaquejada: pesquisas eleitorais se multiplicam
Uma possibilidade é amostrar e compilar resultados de pesquisa para inferir a precisão desses levantamentos, fazendo uma ligação que permita quantificar como se comportam as diferentes sondagens de forma mais ampla. A meta final, segundo o Confe, é oferecer ferramentas para atuar junto aos tribunais eleitorais e evitar que empresas não habilitadas tecnicamente atuem no segmento.
Gesto de Bebel Gilberto de pisar na bandeira nacional é contravenção e pode dar multa
A atitude da cantora Bebel Gilberto, que pisou em uma bandeira nacional durante um show no sábado, 23, nos Estados Unidos, não é considerada crime, mas uma contravenção e passível de multa.
Apreensão global
Com a escalada da inflação e dos juros nos Estados Unidos e na Europa, num contexto de tensões geopolíticas em ascensão, crescem os riscos de uma recessão global. Em paralelo, há dúvidas sobre a atividade na China, que passa por um momento de desaceleração e crise no mercado imobiliário.
A combinação de fatores negativos nos três principais motores do mundo torna o cenário especialmente incerto. No tema inflacionário, as pressões se comparam às da década de 1970, ocasionadas por duas crises de oferta de petróleo.
No caso americano, que dá o tom para o mercado financeiro mundial, a inflação acumulada nos doze meses encerrados em junho chegou a 9,1%, resultado dos choques da pandemia e dos inéditos estímulos fiscais e monetários, que impulsionaram a demanda além da capacidade de produção.
Com o desemprego próximo das mínimas históricas nas duas regiões e altas dos salários acima da produtividade, tem-se pela primeira vez em décadas o risco de uma espiral inflacionária de difícil controle. Daí a resposta rápida, ainda que tardia, dos bancos centrais. Combater a inflação o quanto antes é crucial para evitar uma recessão mais profunda adiante.
Mas o processo não é indolor. Desde que o Fed iniciou o ciclo de aperto na política monetária, a expectativa para os juros disparou, de pouco mais de 1% para 3,5% no final de 2022, com forte queda dos mercados de títulos públicos, crédito privado e ações —uma perda de capital de US$ 20 trilhões.
No caso da China, as restrições de combate à pandemia levaram a um crescimento de apenas 0,4% no segundo trimestre e parece inalcançável a meta do governo de expandir o PIB em 5,5% neste ano.
Acumulam-se sinais de desaceleração do consumo e da atividade global. A despeito da guerra, os preços das commodities já começam a cair. As cotações de metais industriais e alimentos já recuaram para o patamar do início do ano e até o petróleo caiu sensivelmente, sinal de menor demanda global.
A combinação de temores recessivos e queda nos preços das commodities afugenta capital de países emergentes, inclusive o Brasil.
Neste quadro, o dano na credibilidade da política econômica ocasionado pela intervenção eleitoreira de Jair Bolsonaro poderia ter sido evitado. Os preços de combustíveis cairiam de qualquer forma, mas o país agora terá que lidar com o legado do descontrole fiscal.
Ipespe: Distância entre Bolsonaro e Lula é a menor em 13 meses
A distância entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) é de 9 pontos porcentuais neste momento, a menor desde junho de 2021, segundo pesquisa Ipespe divulgada nesta segunda-feira, 25. O petista tem 44% das intenções de voto; o chefe do Executivo, 35%.
Em relação à rodada de junho do mesmo levantamento, Bolsonaro oscilou um ponto para cima (de 34% para 35%), e Lula, um para baixo (de 45% para 44%). Contudo, a pesquisa mostra que o atual presidente vem crescendo desde janeiro, tendo começado o ano com 24% da preferência do eleitorado. O aumento foi gradual: ele tinha 25% em fevereiro, 28% em março, 30% em abril e 31% em maio. Já o petista partiu de 44% em janeiro e oscilou um ponto para mais ou para menos desde então.
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O candidato Ciro Gomes (PDT) segue em terceiro lugar na disputa, com 9%; Simone Tebet (MDB) tem 4%; André Janones (Avante), 2%; Pablo Marçal (Pros) e Felipe D’Avila (Novo) têm 1% cada. Outros pré-candidatos não pontuaram.
Nos cenários testados para o segundo turno, Lula vence Bolsonaro (53% a 36%), Simone Tebet (55% a 23%) e Ciro Gomes (53% a 29%). Bolsonaro empata na margem de erro com Ciro Gomes (41% a 46%) e Simone Tebet (41% a 39%).
A pesquisa Ipespe consultou 2 mil eleitores por telefone entre os dias 20 e 22 de julho. A margem de erro é de 2,2 pontos para mais ou para menos. O código de registro na Justiça Eleitoral é BR-08220/2022. O levantamento foi contratado pela XP Investimentos.
Alteração da periodicidade
Em junho, a XP Investimentos alterou a periodicidade das pesquisas de intenções de voto divulgadas, antes, semanalmente pelo Ipespe. O registro de um levantamento que seria divulgado naquele mês chegou a ser cancelado. Em nota naquela ocasião, a empresa alegou que os resultados passariam a ser divulgados mensalmente, com maior número de pessoas entrevistadas. “(...) Oferecendo dessa maneira uma ferramenta ainda mais ampla para que os investidores compreendam o cenário eleitoral e seus impactos no mercado”.
Pouco antes do anúncio da alteração, grupos bolsonaristas pressionaram a corretora nas redes sociais contra o resultado de uma amostra que mostrava o ex-presidente Lula com um índice maior de eleitores que atribuíam a ele a característica de “honestidade”. As críticas foram reverberadas pelos filhos do presidente e parlamentares aliados. A empresa não confirmou relação entre a interrupção das pesquisas semanais e a pressão nas redes. O ESTADÃO
O LULA DA VIDA REAL
J.R. Guzzo / O ESTADÃO
O ex-presidente Lula, candidato já declarado pelas pesquisas de opinião como vencedor das eleições de outubro próximo, está fazendo algo que não é comum na política brasileira. Cada vez mais, em seus discursos de campanha, insiste em deixar claro quem ele realmente é – e, pior ainda, como vai ser o seu governo se de fato chegar lá outra vez. Em seu último manifesto, disparado com a mesma ira de sempre, Lula disse o seguinte: é contra – isso mesmo, contra – a redução dos preços dos combustíveis para o consumidor, trazida pela recente redução de impostos que o governo federal propôs e o Congresso aprovou. Como assim? Por que raios alguém seria contra um benefício claro e direto à população? Porque o que é bom para o cidadão não é bom para o tipo de gente de quem Lula realmente gosta. “A redução de preços prejudica os governadores”, explicou ele num comício de campanha. O candidato do PT acha que isso é uma coisa horrível.
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Eis aí, sem disfarces, o Lula de verdade: entre o povo brasileiro e os governadores, ele toma o partido dos governadores, essa elite que manda, se enriquece e representa tão bem o Brasil que ele quer manter intacto, hoje e sempre. É isso – o candidato do “campo progressista” acha que a população deve pagar mais caro pela gasolina, porque os governadores de Estado, esses colossos que estão aí, devem ter mais dinheiro. A desculpa que dá para essa preferência é mais falsa que um Rolex paraguaio. Lula diz que, por causa da diminuição nos preços dos combustíveis, vai “faltar dinheiro para educação e a saúde” – como se os governadores estivessem dando a mínima para uma coisa ou para a outra. Por acaso os impostos sobre o combustível estavam sendo aplicados nos maravilhosos sistema de educação e saúde que os governadores de Estado vinham executando – e que agora, coitados, não vão poder executar mais? A última coisa que esses governadores fizeram, em termos de educação, foi manter fechadas durante dois anos as escolas da rede pública de ensino – o maior desastre que já aconteceu em toda a história da atividade escolar neste país.
Lula, em sua versão 2022, está com uma ideia fixa: dar mais força, mais poder e mais dinheiro para “o Estado” e isso, traduzido em português, quer dizer que vão transferir cada vez mais o que você tem no seu bolso para o bolso dos que mandam no governo e nos seus arredores. Não são os adversários do PT que dizem isso. É Lula, em pessoa, que quer a volta do imposto sindical. É ele que quer a volta do imposto da CPMF. É ele que quer um governo mais caro e sem teto de gastos. O fim dessa linha é bem sabido: menos liberdade para todos.

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