Partidos gastaram ao menos R$ 15 milhões de dinheiro público com candidaturas que morreram na praia
Por Pedro Venceslau e Gustavo Queiroz / o estadão
Depois de encerrado o prazo para a realização das convenções partidárias, o quadro eleitoral de 2022 será definido nesta sexta-feira, 5, após a desistência de oito pré-candidaturas presidenciais que gastaram recursos do Fundo Partidário em projetos que morreram na praia, foram, na prática, balões de ensaio. Ao menos R$ 15 milhões já entram nessa conta, montante que deve aumentar à medida em que os partidos apresentarem as notas fiscais dos gastos deste ano.
Quando ainda se apresentavam como presidenciáveis, o ex-ministro Sérgio Moro (ex-Podemos) e hoje no União Brasil), os governadores João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB) e os deputados André Janones (Avante-MG) e Luciano Bivar (União Brasil-PE), usaram de alguma forma recursos públicos para sustentar seus nomes na disputa.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (União Brasil) também tiveram o nome considerado pelos partidos, mas não levaram a pré-campanha adiante. Já o influenciador Pablo Marçal (PROS) promete ir à Justiça para manter seu nome na corrida caso seu partido - que chegou a anunciar o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - tenha nova reviravolta no comando em função de uma disputa judicial interna.
Com os cofres cheios pelo Fundo Partidário - foram R$ 939 milhões em 2021 - as legendas não economizaram em gastos com viagens de pré-campanha, aluguel de jatinhos, eventos com efeitos especiais, jingles, comerciais de TV, impulsionamento nas redes sociais e assessoria de imprensa, entre outras despesas. Até julho deste ano, os partidos receberam R$575 milhões deste fundo (sem considerar multas), que tem aumentou exponencialmente nos últimos anos e agora está em torno de R$ 1 bilhão.
Com a aprovação da minirreforma eleitoral em 2015, passou a ser permitido o uso de alguns recursos do Fundo Partidário para custear de forma indireta serviços usados nas campanhas, como o impulsionamento de conteúdos, compra de passagens aéreas e contratação de consultorias. Doações de pessoas físicas também podem engordar este montante.
O caso mais emblemático foi do PSDB. O partido destinou R$ 12 milhões para as prévias do ano passado, que foram vencidas por Doria, mas acabaram não se transformando em uma candidatura nacional.
Cada pré-candidato recebeu da sigla R$ 2 milhões para as pré-campanhas. O ex-governador João Doria chegou a alugar uma mansão na Avenida Brasil, em São Paulo, para servir de comitê e contava com uma estrutura profissional, que incluía contrato com o marqueteiro Lula Guimarães, assessoria e equipe de redes sociais. Em seu site, o partido afirma que as prévias envolveram nove meses de trabalho, e que os gastos incluem viagens da militância e dos pré-candidatos, cadastramento de filiados, debates internos e externos e a realização de evento em Brasília com mais de 700 mandatários tucanos de todo o País.
Em caráter reservado, integrantes da cúpula tucana temem que as contas sejam parcialmente rejeitadas devido aos gastos com as prévias. Antes de desistir da disputa nacional, o deputado Luciano Bivar, que é presidente do União Brasil, também não economizou em sua pré-campanha. Segundo apurou a reportagem com dirigentes, só com o evento de pré-lançamento da campanha de Bivar em São Paulo, que teve direito a claque uniformizada, bateria de escola de samba, efeitos especiais e jingles, o União Brasil gastou R$ 1,2 milhão. O marqueteiro contratado por Bivar foi Augusto Fonseca, que antes dele estava com Lula. Presidente da sigla, Bivar também foi protagonista dos programas da legenda na TV. Segundo dados do TSE, só com a empresa CZM Estratégia e Narrativa, uma agência de publicidade, foram gastos R$ 6,7 milhões do Fundo Partidário em 2022, além de R$ 1,3 milhão com a Delantero Comunicação e Publicidade. Em nota, a assessoria do União Brasil afirmou que os contratos do partido abrangem todos os pré-candidatos e são “parte da estratégia de torná-los mais conhecidos, assim como dar visibilidade ao próprio partido, fundado recentemente”.
O valor final dos gastos desperdiçados com as pré-campanhas que não vingaram ainda não foi divulgado em sua totalidade nas prestações de contas. Procurados, Avante e Podemos não responderam ou disseram não ter a informação da verba usada. O PROS alega que todas as despesas da campanha de Marçal foram pagas pelo pré-candidato via pessoa física. Duas alas disputam na Justiça o comando do partido. A que está à frente da sigla no momento, quer manter a candidatura de Marçal, ao contrário do outro grupo, que chegou a anunciar o apoio à campanha de Lula. No PSD, apesar de ter sido anunciado como pré-candidato, a assessoria do partido alega que Rodrigo Pacheco não usou verbas da sigla. Como mostrou o Estadão, antes de deixar o Podemos e migrar para o União Brasil, o ainda presidenciável Sérgio Moro (UB) recebeu verbas generosas da sigla para sustentar sua pré-campanha. Integrantes da legenda estimam ter custeado mais de R$ 2 milhões em pesquisas eleitorais, eventos, salários e viagens de Moro, sua mulher, Rosângela, e o staff da confiança do ex-ministro, que tinha direito até a carro blindado alugado.
Entra na conta o ato de filiação do ex-ministro em Brasília. Agora candidato ao Senado pelo União Brasil no Paraná, Moro se junta a Janones e Bivar na lista de ex-candidatos que contaram com a estrutura partidária para promover o próprio nome à Presidência e que agora disputam outros cargos. O cientista político Marcelo Issa, diretor-executivo da Transparência Partidária, disse que a legislação eleitoral deveria estabelecer processos internos mais democráticos e com consulta às bases nos partidos na hora de definir seus candidatos, mas pondera que os balões de ensaio fazem parte do processo. “Não é ideal, mas está na esfera da autonomia partidária usar os recursos públicos para lançar candidaturas que podem não ir até o fim”, afirmou.
“Esse dinheiro é público e não pode ser jogado no ralo. Foram recursos gastos de maneira irresponsável, mas não há uma regulamentação específica do TSE nem histórico de reprovação das contas por conta disso. Mas uma existe um caso de referência: da senadora Juíza Selma Arruda”, disse Arthur Rollo, advogado especialista em direito eleitoral e membro do conselho de direito eleitoral da OAB-SP. Em 2018, seis dos sete ministros do TSE consideraram que a parlamentar praticou caixa 2 e abuso de poder econômico na pré-campanha e cassaram o mandato de Selma Arruda (Podemos-MT).
PoderData: Bolsonaro oscila dois pontos para baixo e tem 35%; Lula segue com 43% Leia mais em: https://www.opovo.com.br/eleicoes-2022/2022/08/04/poderdata-bolsonaro-oscila-dois-pontos-para-baixo-e-tem-35-lula-segue-com-43.html ©2022 Todos os direitos são
ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem, neste momento, 43% das intenções de voto para o Planalto, ante 35% do presidente Jair Bolsonaro (PL), segundo pesquisa PoderData divulgada nesta quinta-feira, 4. O chefe do Executivo oscilou dois pontos para baixo em relação à rodada anterior do levantamento, divulgada há 15 dias, quando a distância entre eles atingiu o menor índice desde abril, de apenas seis pontos. Agora, a vantagem do petista é de oito pontos.
Ciro Gomes (PDT) segue em terceiro lugar na disputa, com 7% da preferência. Simone Tebet (MDB) oscilou um ponto para cima e agora tem 4%. André Janones (Avante) tem 2% - o deputado foi considerado pela pesquisa, mas há negociações para que ele retire sua candidatura e apoie Lula. Felipe D'Ávila (Novo) e Eymael (DC) têm 1% cada.
O levantamento mostra ainda que, no cenário atual, Lula ainda não tem os votos necessários para vencer no primeiro turno. Considerando apenas os votos válidos, isto é, excluindo brancos e nulos, o petista tem 45% da preferência. Bolsonaro tem 37%. Para vencer na primeira rodada da votação, é preciso obter pelo menos 50% mais 1 dos votos.
O PoderData consultou 3.500 eleitores por telefone entre os dias 31 de julho e 2 de agosto. A pesquisa é feita com recursos próprios. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. O código de registro na Justiça Eleitoral é BR-08398/2022. OPOVO
Podemos anuncia apoio ao palanque de Capitão Wagner no Ceará
Na reta final das convenções partidárias, o pré-candidato ao Governo do Ceará, Capitão Wagner (União), recebeu o apoio de mais uma sigla, o Podemos. O presidente da legenda no Estado, Fernando Torres, comunicou a decisão ao lado do postulante ao Executivo Estadual.
"Seguindo nossa coerência (...) e na alternância de poder no Ceará, fechamos a coligação e marcharemos juntos com Capitão Wagner", disse Torres.
ARCO DE ALIANÇA
Momentos antes, o Republicanos também anunciou apoio a Wagner para o pleito deste ano. Até esta quinta (4), o político já conseguiu aglutinar seis partidos. Além do União Brasil, ele recebe apoio do PL, Avante, Republicanos, Podemos e Pros.
O candidato aguarda ainda definição do PTB.
Ipespe: Elmano larga atrás, mas tem maiores "eleitores" e disputa é longa
Pesquisa Ipespe para o Governo do Ceará apontou a possibilidade de voto e a rejeição entre os candidatos ao Palácio da Abolição nas eleições de 2022. O levantamento mostrou que 37% dos entrevistados não votariam “de jeito nenhum” no candidato da oposição Capitão Wagner (União Brasil). Esse é o maior valor dentre todos os postulantes ao governo. O mesmo índice para o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT) é de 30% e para o candidato petista Elmano Freitas é de 29%.
A pesquisa foi contratada pelo O POVO e é a primeira após o rompimento entre PT e PDT. Os candidatos Zé Batista (PSTU), Serley Leal (UP) e Chico Malta (PCB) registraram 24%, 24% e 27% de rejeição, respectivamente. Adelita Monteiro (PSOL) era candidata durante a realização da pesquisa e teve rejeição de 18%, no entanto ela retirou-se da disputa na última quarta-feira, 3, para apoiar a chapa do PT na eleição.
VEJA AQUI OS NÚMEROS PARA O SENADO
Para medir a probabilidade de voto para governador, a pesquisa fez a seguinte pergunta: “Para cada um desses nomes, diga se votaria nele ou nela com certeza para governador do Ceará, se poderia votar, se não votaria de jeito nenhum ou se não conhece o suficiente para opinar”.
Houve 30% que disseram que votariam com certeza no Capitão, enquanto 20% disseram não saber e 12% afirmaram não conhecê-lo o suficiente para opinar.
Os que disseram com certeza votar em Roberto Cláudio foram 23%, e 27% que poderiam votar. E 17% não o conhecem suficientemente para opinar.
Dos três mais bem colocados, Elmano teve maior índice dos que disseram não conhecê-lo o suficiente para opinar: 43%. Disseram votar nele com certeza 13%, enquanto 14% afirmaram que poderiam votar.
A margem de erro máxima estimada é de 3,2 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95,5%. A pesquisa foi realizada de 30 de julho a 2 de agosto. O Ipespe ouviu mil pessoas com 16 anos ou mais em todas as regiões do Ceará, por telefone, via sistema Cati Ipespe. A pesquisa foi contratada pelo O POVO e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com os números BR-03845/2022 e CE-01693/2022.
O Ipespe
A pesquisa é realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas (Ipespe). Com 36 anos de atuação, o Ipespe tem como presidente do Conselho Científico Antonio Lavareda. Ele é doutor em Ciência Política efoi coordenador ou consultor em 91 campanhas eleitorais majoritárias no Brasil e atuou também em Portugal e na Bolívia.
"O voto dos cearenses, a campanha eleitoral, a relação entre a disputa nacional e a eleição estadual, tudo isso e muito mais será acompanhado pelas pesquisas do Ipespe, com primeira divulgação nessa quinta", disse Lavareda.
O Ipespe já realizou milhares de pesquisas de opinião pública eleitorais, de mercado e sociais, para setor público, setor privado, universidades, organizações não governamentais (ONGs) e da sociedade civil. O instituto faz pesquisas qualitativas, quantitativas face a face e telefônicas, trackings, pesquisas etnográficas, estudos de geografia de mercado, censos, web e mobile surveys e estudos de neurociência aplicada. Faz pesquisas por telefone desde 1993 — foi o primeiro a realizar tracking telefônico em campanha eleitoral. OPOVO / Por VITOR MAGALHÃES
Após anunciar apoio a Roberto Cláudio, PSDB e Cidadania recuam e decidem por neutralidade
Apesar do apoio à candidatura de Roberto Cláudio (PDT) ao Governo do Ceará, anunciado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB), a convenção do PSDB e do Cidadania aprovou, nesta quinta-feira (4), a posição de neutralidade para o pleito deste ano.
O colegiado decidiu que a federação dos partidos não irá fazer coligação para a disputa majoritária, nem para Governo nem para o Senado. O encontro dos tucanos ocorreu na Assembleia Legislativa do Ceará (AL-CE).
Durante o evento, o presidente do PSDB, Chiquinho Feitosa, que também preside a Federação, expôs o questionamento ao apoio à candidatura do PDT para votação.
Dos onze membros que fazem parte do colegiado, pelo menos sete já votaram pela neutralidade.
RECUO
No último dia 1º de agosto, Tasso afirmou que a decisão foi tomada "em coerência com o nosso legado de realizações", por reconhecer no ex-prefeito de Fortaleza "a competência, a experiência administrativa e o compromisso com esses ideais".
No mesmo dia, em publicação nas redes sociais, o Cidadania comemorou o posicionamento, ressaltando que "a posição vai ao encontro do que foi defendido pelo Cidadania, unificando a federação no Ceará".

