Dilma chama Temer de ‘golpista’ após ser citada como ‘honesta’ pelo ex-presidente
Por Davi Medeiros / O ESTADÃO

Após ser descrita como “honestíssima” pelo ex-presidente Michel Temer (MDB), a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) voltou a chamar o ex-vice de seus dois mandatos no Planalto de “golpista” e afirmou que não pretende mais “debater com este senhor”. Em carta publicada em seu site, a petista disse ainda que Temer, que a sucedeu após ela sofrer impeachment, articulou “uma das maiores traições políticas dos tempos recentes”.
Dilma argumentou que sua dificuldade de “articulação com o Congresso”, motivo ao qual Temer atribui seu impedimento, não é crime passível de afastamento do cargo, e afirmou que sua distância do Legislativo se devia à sua “integral rejeição” ao deputado federal Eduardo Cunha, então presidente da Câmara. Embora tenha se defendido quanto à opinião de Temer sobre o que a derrubou na prática, o fundamento jurídico para o impeachment da petista foi o cometimento de crimes de responsabilidade, por sua condução do País no âmbito fiscal.
Tal ‘dificuldade’ era uma integral rejeição às práticas do presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha, criador do Centrão, que queria implantar com o meu beneplácito o ‘orçamento secreto’, realizado, hoje, sob os auspícios de um dos seus mais próximos auxiliares na Câmara Federal”, escreveu.
Dilma também disse que Temer não teria razão para se opor ao modo de governar do PT, já que sabia qual era o programa político da chapa para a qual foi indicado como vice. As reformas aprovadas durante a gestão do emedebista, segundo a ex-presidente, configuram “traição” ao voto popular.
“As provas materiais da traição política estão expressas na PEC do Teto de Gastos, na chamada reforma trabalhista e na aprovação do PPI (Preço de Paridade de Importação) para as quais não tinha mandato. Nenhum desses projetos estavam em nossos compromissos eleitorais, pelo contrário, eram com eles contraditórios. Trata-se, assim, de traição ao voto popular que o elegeu por duas vezes.”
Ao falar sobre Dilma nesta quinta-feira, 21, em entrevista ao UOL, Temer ponderou que o motivo jurídico de seu impeachment foi “extremamente técnico” e não teve relação com casos de corrupção, e que ela caiu por não ter boa articulação com o Congresso. Ele criticou a prática de pedaladas fiscais apontada por órgãos de controle durante o governo da petista.
“Às vezes falam de corrupção, mas é mentira. Ela (ex-presidente Dilma) é honesta. O que eu sei e pude acompanhar, embora estivesse à margem do governo e embora fosse vice-presidente, não há nada que possa apodá-la de corrupta. Para mim, honestíssima. Houve problemas políticos. Ela teve dificuldade no relacionamento com o Congresso Nacional, teve dificuldade no relacionamento com a sociedade e teve as chamadas ‘pedaladas’, uma coisa extremamente técnica, decretada pelo Tribunal de Contas da União. Esse conjunto de fatores é que levou multidões às ruas”, disse.
Em nota enviada via assessoria a respeito das críticas endereçadas a ele por Dilma, Temer afirmou que “é tão desarrazoada a manifestação que não merece resposta”.
Só Lula vence Bolsonaro no segundo turno, aponta pesquisa Exame/Ideia
Apenas o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) superou o presidente Jair Bolsonaro (PL) para os cenários de segundo turno testados pela pesquisa Exame/Ideia divulgada nesta quinta-feira, 21. Segundo o levantamento, se a segunda rodada das eleições fosse hoje, o chefe do Executivo venceria tanto o candidato Ciro Gomes (PDT) - embora com margem apertada - quanto a pré-candidata Simone Tebet (MDB).
O resultado aponta para uma recuperação do presidente Bolsonaro no cenário eleitoral. Há alguns meses, com a popularidade em baixa e sofrendo desgaste político no governo, o chefe do Executivo chegou a perder em todos os cenários de segundo turno. A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, o aumento da inflação - sobretudo dos combustíveis - e denúncias de corrupção no primeiro escalão do governo são exemplos de fatores que desgastaram o Planalto.
Em fevereiro, segundo a Ideia/Exame, Bolsonaro perdia para Ciro Gomes e Sérgio Moro (à época, presidenciável pelo Podemos) e empatava com João Doria (PSDB) na margem de erro. Pesquisa BTG/FSB divulgada em março mostrava que o presidente perdia para Ciro Gomes, Sérgio Moro, Eduardo Leite (PSDB) e João Doria, além de Lula.
:quality(80):focal(1729x797:1739x807)/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com/estadao/Y74G4MNPQZOXPDS6V6TBMMPPA4.jpg)
Em abril e maio, segundo duas rodadas do levantamento Ideia/Exame, Bolsonaro superava Doria, mas ainda perdia para Ciro Gomes. Em junho, ainda segundo a Ideia/Exame, o chefe do Executivo ultrapassou Ciro Gomes na simulação de segundo turno (43% a 37%).
A rodada de julho do levantamento mostra que a distância entre Lula e Bolsonaro é de 10 pontos em uma simulação de segundo turno entre ambos. O primeiro tem 47%, e o segundo, 37%. O pré-candidato do PT vence Simone Tebet (48% a 25%) e Ciro Gomes (44% a 31%). O presidente da República também supera Simone Tebet (40% a 26%) e Ciro Gomes, com margem apertada (39% a 35%).
No primeiro turno, Lula tem 44%; Bolsonaro, 33%; Ciro Gomes, 8%; Simone Tebet, 4%; e André Janones (Avante), 2%.
A pesquisa Exame/Ideia consultou 1500 eleitores por telefone entre os dias 15 e 20 de julho. O código de registro na Justiça Eleitoral é BR-09608/2022. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos. O ESTADÃO
PT oficializa chapa Lula-Alckmin para disputar a Presidência
O PT e a federação partidária Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) oficializaram hoje (21) a candidatura do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, para concorrer às eleições presidenciais de outubro. Também foi formalizada a participação do ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin como vice-presidente, na chapa que concorrerá a uma vaga no Planalto neste ano.

Durante a convenção partidária, que ocorreu a portas fechadas em um hotel na capital paulista, o PT aprovou ainda a coligação com o PSB, Solidariedade e a federação PSOL-Rede. Lula e Alckmin não participaram do evento, porque estavam cumprindo agenda no Recife. "Aprovamos nossa coligação de sete partidos e também delegamos à Executiva Nacional da federação poderes para discussão com outros partidos que possam querer integrar nossa coligação", disse a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann.
Segundo ela, no encontro, também foram discutidas a conjuntura política atual do país e a importância da construção de uma unidade no campo político que o grupo representa. "E óbvio que tiramos como meta a ampliação desse movimento político. O momento que vivemos no país é muito difícil e essa não é uma eleição normal como as outras. Esta eleição traz elementos duros para a democracia brasileira."
Perfil
Luiz Inácio Lula da Silva, de 76 anos, nasceu em Garanhuns (PE) e iniciou sua trajetória política como sindicalista em 1966. Foi presidente da República por dois mandatos a partir de 2003, depois de ser eleito em 2002, em disputa no segundo turno das eleições com José Serra. Em 2006, Lula venceu Geraldo Alckmin e foi reeleito ao cargo. A primeira vez que disputou a Presidência foi em 1989, sendo derrotado por Fernando Collor de Melo. Tentou mais duas vezes, em 1994 e 1998, quando perdeu para Fernando Henrique Cardoso nas duas tentativas.
Em 2017, o ex-presidente foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Em 2018, teve a prisão decretada pelo então juiz Sergio Moro. Em 2021, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Edson Fachin anulou as condenações, por entender que a 13ª Vara Federal em Curitiba não tinha competência legal para julgar as acusações, tornando Lula elegível. No mesmo ano, o plenário do Supremo confirmou a decisão.
Geraldo Alckmin, que nasceu em Pindamonhangaba, no interior paulista, tem 68 anos, é médico e professor. Foi governador de São Paulo de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018, comandando o governo paulista por mais tempo desde a redemocratização do Brasil. Atualmente é professor universitário no curso de medicina da Universidade Nove de Julho e membro da Academia de Medicina de São Paulo.
Edição: Juliana Andrade / AGÊNCIA BRASIL
Simone Tebet responde Renan Calheiros e diz que ala do MDB pró-Lula ‘tem cheiro de naftalina’
Por Pedro Venceslau / O ESTADÃO
Pré-candidata do MDB à Presidência, a senadora Simone Tebet (MS) disse nesta sexta-feira, 22, que a ala do partido que pressiona a legenda a apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é uma foto que “cheira a naftalina”. A declaração é uma resposta ao senador Renan Calheiros (MDB- AL), que ameaçou, em entrevista ao jornal O Globo, levar à Justiça a convenção do partido que deve homologar a candidatura de Tebet.
“Esses caciques são sempre os mesmos que tiveram no passado com Lula. Vejam a fotografia. Ela tem cheiro de naftalina”, disse Tebet. A pré-candidata do MDB fez uma ressalva. “Michel Temer não faz parte daquela fotografia. Ele é um homem honrado”, disse.
A senadora esteve em São Bernardo do Campo, onde recebeu o apoio formal do prefeito Orlando Morando (PSDB). O tucano e Tebet visitaram a Fábrica de Cultura Bruno Covas, equipamento montado no local onde originalmente seria o Museu do Trabalhador, projeto do ex-prefeito petista Luiz Marinho em homenagem ao ex-presidente Lula. Em seguida, Tebet e Morando se reuniam no diretório local do PSDB.
Em seu discurso na abertura do evento, a senadora criticou o movimento dos adversários internos. “Não vão tirar a única mulher competitiva, com espaço de fala na política, no momento que o Brasil mais precisa.”
Ela disse ainda, sem citar nomes, que não tem medo de cara “feia” e classificou como uma “rasteira” a ameaça de judicialização da convenção do MDB. “Confio na Justiça desse País. Minha preocupação com isso é zero”, disse.
:quality(80)/cloudfront-us-east-1.images.arcpublishing.com/estadao/7NUFH4M5NBDJZN7O6FREJZLYNE.jpeg)
Na última segunda-feira, Lula se reuniu em São Paulo com caciques do MDB, como Renan Calheiros (AL), Eunício Oliveira (CE), Edison Lobão (MA), Eduardo Braga (AM), Isnaldo Bulhões (AL), líder do MDB na Câmara, Marcelo Castro (PI) e Rose de Freitas (ES). O grupo declarou apoio ao petista, mas não tem força para vencer a convenção do partido no dia 27 e derrubar a candidatura própria.
Morando e o presidente nacional do Cidadania, Roberto Freire, também criticaram a decisão do PSDB de Minas Gerais de declarar apoio a Ciro Gomes (PDT) na disputa presidencial. “O PSDB nacional tomou uma decisão pela aliança com o MDB. Qualquer Estado que fizer diferente poderá ser punindo”, afirmou Morando. Os tucanos devem indicar o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) como vice de Tebet.
O prefeito defendeu que o candidato do partido ao governo de Minas Gerais, Marcus Pestana, não receba recursos do Fundo Eleitoral se de fato apoiar Ciro Gomes. “Foi um grave equívoco (o PSDB de MG apoiar Ciro Gomes). Eu disse ao Marcus Pestana que não imaginava que isso fosse ser colocado. Eu não esperava isso do PSDB de Minas Gerais”, disse Roberto Freire, presidente do Cidadania, que formou uma federação com o PSDB.
Moro lidera intenções de voto para o Senado no Paraná; Álvaro Dias aparece em segundo lugar
Por Manoela Bonaldo / O ESTADÃO
O ex-juiz e pré-candidato ao Senado Sérgio Moro (União Brasil) lidera as intenções de voto no Paraná, com 31%, conforme aponta pesquisa RealTime Big Data divulgada nesta quinta-feira, 21. Álvaro Dias (Podemos) aparece em segundo lugar com 26% das intenções. Antes de o ex-juiz lançar sua pré-candidatura ao Senado no dia 12 de julho, era Álvaro quem liderava as pesquisas.
A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos. Brancos e nulos totalizam 11%. Não sabem ou não responderam, 16%. O restante dos candidatos não alcançou dois dígitos. A candidata Dr. Rosinha (PT) aparece na terceira posição com 7% das intenções de voto, seguida de Paulo Martins (PL), com 5%.
Aline Sleutjes (PROS) recebeu 2% das intenções de voto. Já os candidatos Guto Silva (Progressistas), Desiree Salgado (PDT) e Valdir Rossoni (PSDB) receberam 1% das intenções de voto cada. A pesquisa contatou 1.500 entrevistados por telefone entre os dias 19 e 20 de julho. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o código PR-06745/2022.
Moro lançou a candidatura ao Senado em seu estado natal, o Paraná, após ter domicílio eleitoral negado em São Paulo. Sua mulher, a advogada Rosângela Wolff Moro (União), irá se candidatar à deputada federal por São Paulo. Segundo Moro, ela estaria “pronta” para representá-lo por São Paulo.

