Lula, Bolsonaro, Ciro, Simone Tebet... Quem são os 11 candidatos a presidente
Chega ao fim nesta sexta-feira, 5, a temporada de convenções partidárias, eventos nos quais os partidos aprovam e formalizam a presença de seus representantes na disputa eleitoral. Desse modo, a lista de candidatos para a Presidência da República, o “grid de largada” da corrida pelo Palácio do Planalto, está definido. A pouco menos de dois meses para o primeiro turno das eleições, 11 candidatos foram apresentados pelas legendas para disputar a preferência dos eleitores.
Os partidos têm até o dia 15 de agosto para registrar os candidatos junto à Justiça Eleitoral. Vale ressaltar, entretanto, que as legendas ainda podem apresentar ou substituir candidatos até as eleições, mas apenas em situações excepcionais: se a pessoa desistir, falecer ou, ainda, tiver seu registro indeferido ou cancelado. Nesses casos, a legenda pode apresentar outro nome até 20 dias antes do primeiro turno, marcado para 2 de outubro de 2022.
Veja quem são os candidatos:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Lula voltou ao jogo eleitoral por decisão do STF, após a anulação das condenações do ex-presidente pela Justiça Federal do Paraná, a mesma que abrigou por mais de 20 anos o ex-juiz Sérgio Moro. Lula atraiu o ex-governador Geraldo Alckmin para ser seu vice representando o PSB. A articulação incluiu a desfiliação de Alckmin do PSDB, sigla que ele ajudou a fundar e que costumava ser grande rival do PT. O petista conseguiu compor a maior coligação da corrida presidencial. Além do PSB, PV e PC do B (que fecharam uma federação com o PT), o grupo inclui Solidariedade, PSOL, Rede e Avante. Isso deve garantir a Lula o maior tempo de TV entre os candidatos (3 minutos e 16 segundos), além de caixa reforçado para bancar a campanha.
Jair Bolsonaro (PL)
Aos 66 anos, o presidente Jair Bolsonaro migrou ao PL para disputar a reeleição. Sua candidatura tem o apoio do Progressistas e do Republicanos, siglas ligadas ao Centrão e que dão sustentação ao governo no Congresso. Ele ignorou os apelos para escolher uma mulher na composição da chapa, e o candidato a vice será o ex-ministro Walter Braga Netto (PL). Pesou na escolha a confiança do presidente no amigo “à prova de traições”. Bolsonaro terá 2 minutos e 40 segundos de tempo de rádio e TV.
Ciro Gomes (PDT)
Aos 64 anos, Ciro Gomes (PDT) caminha para disputar sua quarta eleição presidencial. Apesar de já ter sido ministro do governo petista e estar filiado a um partido considerado de esquerda, Ciro tem conduzido sua campanha com fortes críticas tanto ao ex-presidente Lula quanto ao presidente Bolsonaro. O pedetista tenta furar a polarização e é hoje o terceiro colocado na corrida, atrás de Lula e Bolsonaro. Ciro fechou uma “chapa pura”, com a vice-prefeita de Salvador, Ana Paula Matos, também do PDT.
Simone Tebet (MDB)
Simone Tebet, de 51 anos, é filha de Ramez Tebet, que foi senador e presidente do Congresso, e foi criada na política. Ganhou destaque na CPI da Covid, em 2021, e foi escolhida pelo MDB e pela federação entre PSDB e Cidadania para ser o rosto de “centro democrático”, como ela mesma se define, nestas eleições. Ela terá a colega de Senado Mara Gabrilli (PSDB-SP) como candidata a vice, e recebe nesta sexta, 5, o apoio do Podemos. O União Brasil chegou a iniciar negociações com PSDB, Cidadania e MDB, mas acabou decidindo pela candidatura própria.
Eymael (DC)
Dono de um dos mais marcantes jingles da política nacional, Eymael, o “democrata cristão”, tenta pela sexta vez o cargo de presidente. Ele é formado em filosofia e direito pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Concorreu à Prefeitura de São Paulo em 1985, mas não teve votação expressiva, e foi eleito para a Câmara no ano seguinte. Como deputado, Eymael integrou a constituinte.
Felipe d’Avila (Novo)
Felipe d´Avila tem 58 anos, é cientista político e fundador do Centro de Liderança Pública (CLP). Defensor da responsabilidade fiscal e do liberalismo econômico, é também escritor. Suas principais pautas são a defesa do liberalismo econômico, a responsabilidade fiscal e privatizações. Já foi filiado ao PSDB, e aceitou o convite para concorrer ao Planalto pelo Novo após João Amoêdo, que concorreu em 2018, desistir da disputa este ano. Seu candidato a vice é o líder da bancada do partido na Câmara, deputado Thiago Mitraud.
Leonardo Péricles (UP)
Leonardo Péricles defende bandeiras como o combate ao racismo, a desmilitarização das polícias e a realização de uma “justiça de transição”, que responsabilize “representantes” da ditadura por seus crimes. Em 2020, Péricles, que nunca ocupou cargos públicos, concorreu como vice na chapa da deputada federal Áurea Carolina (PSOL) à prefeitura de Belo Horizonte; não foram eleitos. Péricles mora em uma ocupação urbana e coordena o Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). Ele e Vera Lúcia (PSTU) são os únicos negros na disputa pela Presidência da República.
Roberto Jefferson (PTB)
Pela Lei da Ficha Limpa, o ex-deputado federal Roberto Jefferson é inelegível, mas o PTB ainda assim optou por lançar sua candidatura. Foi deputado por quatro mandatos consecutivos, de 1995 a 2007. Ele foi pivô do escândalo do mensalão, que o levou à prisão; sua pena terminou em 2019. Em agosto do ano passado, a Polícia Federal o prendeu com autorização do ministro do STF Alexandre de Moraes, no inquérito que investiga milícias digitais. Jefferson é acusado de suposta participação em organização criminosa “de forte atuação digital, com a nítida finalidade de atentar contra a Democracia e o Estado de Direito”.
Sofia Manzano (PCB)
Sofia Manzano é graduada em Ciências Econômicas pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, possui mestrado em Desenvolvimento Econômico pelo Instituto de Economia da Unicamp e doutorado em História Econômica pela Universidade de São Paulo. É militante do partido comunista desde 1989.
Soraya Thronicke (União Brasil)
Advogada por formação, Soraya Thronicke despontou na política durante os protestos contra a corrupção entre o fim do governo Dilma Rousseff (PT) e a eleição de Jair Bolsonaro. Por se apresentar como uma liderança dos movimentos de rua, foi convidada pelo PSL, então partido de Bolsonaro, para concorrer a uma cadeira no Senado em 2018. Foi eleita pelo Mato Grosso do Sul com 373 mil votos. Integrante da bancada feminina na CPI da Covid, teve atuação destacada e acabou por se distanciar do bolsonarismo. A senadora descreve a si mesma como “conservadora nos costumes e liberal na economia”. Seu vice será o economista Marcos Cintra.
Vera Lúcia (PSTU)
Vera Lúcia é sindicalista e uma das fundadoras do PSTU. Graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Sergipe, a candidata concorreu à Presidência da República pela sigla em 2018. Ficou na 11ª posição entre 13 concorrentes, com 55.762 votos ou 0,05% do total. Também disputou a prefeitura de Aracaju em quatro ocasiões, entre 2004 e 2016. Além disso, concorreu aos cargos de deputada federal, em 2006 e 2014, e de governadora de Sergipe, em 2010. O ESTADÃO
No Ceará, Lula tem 55% e Bolsonaro, 20%. Ciro vai a 11% no estado, veja os números do Ipespe
Por O Globo — São Paulo
Na sequência do levantamento, contratado pelo jornal “O Povo” e divulgado nesta sexta-feira, aparecem em situação de empate técnico André Janones (Avante), com 4%, Simone Tebet (MDB), com 1%, e Vera Lúcia (PSTU), com 1%. Janones decidiu nesta quinta-feira retirar sua pré-candidatura à Presidência e vai apoiar Lula na disputa.
Brancos e nulos somam 3% das respostas. Os demais nomes testados pelo institutos não chegaram a 1%.
A pesquisa Ipespe entrevistou mil eleitores por telefone no Ceará, entre 30 de julho e 2 de agosto. A margem de erro estimada é de três pontos percentuais para mais ou menos e o nível de confiança do estudo é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número de registro CE-01693/2022.
Ciro tem dois dígitos, mas ainda está longe da liderança em casa
O Ceará é o reduto eleitoral de Ciro Gomes, que foi governador do estado, prefeito de Fortaleza e integra uma das famílias mais tradicionais da política cearense. Essa força regional explica o porquê de o ex-ministro aparecer com dois dígitos no levantamento, em um patamar acima do alcançado por ele na média geral do país.
A pesquisa nacional mais recente, divulgada nesta semana pela Quaest, mostra o ex-ministro com 6% das intenções de votos no primeiro turno. Pela margem de erro do estudo, fica no intervalo de 4% a 8%.
As duas pesquisas não podem ser diretamente comparadas, mas a análise individual de cada um dos estudos ajuda a entender o panorama atual da disputa.
O Ceará é o oitavo estado do país em número de eleitores, com 6,8 milhões aptos a votar no pleito de outubro. Trata-se também do terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste, região onde o ex-presidente Lula lidera, mas que as pesquisas mais recentes mostram encolhimento da vantagem do ex-presidente contra Bolsonaro.
O placar apontado pelo Ipespe no Ceará (55% a 20% para Lula) difere pouco do verificado em toda a região Nordeste (59% a 22%, segundo a Quaest).
Rejeição a candidatos ao governo
Os dados divulgados na quinta-feira sobre a corrida ao governo do Ceará mostraram vantagem para o pré-candidato apoiado por Bolsonaro, Capitão Wagner (União Brasil), com 38%. Ele é seguido por Roberto Cláudio (PDT), que tem 28%, e Elmano de Freitas (PT), com 13%.
O Ipespe também mensurou a rejeição aos pré-candidatos. Foram 37% os eleitores que disseram não votar em Capitão Wagner de jeito nenhum, enquanto 30% falaram o mesmo sobre Roberto Cláudio e 29%, sobre Elmano de Freitas.
Os pré-candidatos Zé Batista (PSTU) e Serley Leal (UP) foram rejeitados por 24% cada um.
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Pesquisa Ipespe feita só com eleitores do Ceará mostra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança das intenções de voto no estado. O petista é escolhido por 55% dos cearenses no primeiro turno, contra 20% de Jair Bolsonaro (PL) e 11% de Ciro Gomes (PDT).
Veja o tempo de TV e rádio dos candidatos a presidente em 2022
Por Lauriberto Pompeu / O ESTADÃO
Na véspera do fim do período das convenções partidárias, o ex-presidente e candidato do PT ao Palácio do Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva, conseguiu formar o maior bloco partidário na disputa presidencial. O atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL) tem a segunda maior composição.
O número de partidos na coligação é importante porque se traduz em maior tempo de propaganda e fundo eleitoral à disposição do candidato e também assegura capilaridade da busca por votos nos Estados.
A candidatura petista terá o apoio do PSB, Solidariedade, PSOL, Rede, Avante, PCdoB e PV. Juntas, as legendas elegeram 130 deputados federais, 12 senadores e oito governadores em 2018. Bolsonaro conseguiu atrair o segundo maior grupo de siglas. Além do próprio partido ao qual está filiado, o Progressistas e Republicanos também vão apoiar a tentativa de reeleição de Bolsonaro. Em 2018, os partidos elegeram 101 deputados federais, sete senadores e um governador.
A bancada na Câmara é o principal critério para a divisão do tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, o que significa que Lula terá mais exposição midiática que seus concorrentes. Os números são uma projeção com base nos critérios adotados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A divulgação da divisão do tempo será feita oficialmente pela Justiça Eleitoral no dia 12 de agosto.
Confira o tempo que cada presidenciável terá direito nas eleições de 2022:

Bolsonaro apresenta 7 ações contra Lula no TSE e acusa petista de 'discurso de ódio'
O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro (PL), apresentou sete ações ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra o ex-presidente Lula (PT) por propaganda eleitoral antecipada.
Nos processos, os advogados do chefe do Executivo acusam o petista de ter propagado "discurso de ódio" por ter chamado o chefe do Executivo de "fascista", "genocida", "negacionista" e "desumano".
O partido pede que Lula seja condenado ao pagamento de multa e solicita que a corte determine a exclusão da internet dos vídeos dos eventos em que o petista teria cometido as infrações eleitorais.
De acordo com as representações, ao usar os termos mencionados, Lula "proferiu gravíssimas ofensas à honra e à imagem do atual presidente da República, bem como realizou verdadeiro discurso de ódio contra seu opositor, o que reforça a gravidade dos atos".
A peça é assinada pelo advogado Tarcísio Vieira de Carvalho. Ele afirma que Lula praticou propaganda eleitoral antecipada ao ter pedido "votos de maneira dissimulada" e por ter feito "inúmeras promessas de campanha".
Ele transcreve, entre outros, um trecho do discurso do ex-presidente em Serra Talhada (PE), em 20 de julho, no qual Lula afirma que irá disputar as eleições.
"E quero que vocês saibam que estou voltando a ser candidato à Presidência, porque eu tenho certeza de que eu e o Alckmin vamos consertar esse país e vamos melhorar a vida do povo brasileiro", disse.
Segundo Carvalho, o ex-presidente cometeu infrações eleitorais "diante da promoção de propaganda antecipada positiva, em seu favor, e propaganda antecipada negativa, em detrimento do também pré-candidato Jair Messias Bolsonaro".
"Tal o quadro, uma vez que as gravíssimas ofensas proferidas pelo segundo representado atentam contra a esfera jurídica de proteção aos direitos humanos do ofendido, incita a disseminação do ódio e erodem a democracia e o legítimo debate político-eleitoral", escreveu.
Os eventos mencionados pelo PL ocorreram em julho e agosto deste ano em Serra Talhada (PE), Teresina (PI), Fortaleza (CE), Recife (PE), Brasília (DF), Garanhuns (PE) e Campina Grande (PB).
ENTENDA O QUE É DISCURSO DE ÓDIO
O que é discurso de ódio? Não há uma definição na legislação brasileira, mas existem diferentes leis – nacionais e internacionais– que envolvem a criminalização de condutas como a discriminação a determinados grupos e segmentos da população por questões raciais, sociais, étnicas e religiosas.
O que diz a Constituição? Prevê a promoção do "bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação" como um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil.
A Carta também diz que a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais e que o racismo é crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão.
O partido pede que Lula seja condenado ao pagamento de multa e solicita que a corte determine a exclusão da internet dos vídeos dos eventos em que o petista teria cometido as infrações eleitorais.
De acordo com as representações, ao usar os termos mencionados, Lula "proferiu gravíssimas ofensas à honra e à imagem do atual presidente da República, bem como realizou verdadeiro discurso de ódio contra seu opositor, o que reforça a gravidade dos atos".
A peça é assinada pelo advogado Tarcísio Vieira de Carvalho. Ele afirma que Lula praticou propaganda eleitoral antecipada ao ter pedido "votos de maneira dissimulada" e por ter feito "inúmeras promessas de campanha".
Partidos gastaram ao menos R$ 15 milhões de dinheiro público com candidaturas que morreram na praia
Por Pedro Venceslau e Gustavo Queiroz / o estadão
Depois de encerrado o prazo para a realização das convenções partidárias, o quadro eleitoral de 2022 será definido nesta sexta-feira, 5, após a desistência de oito pré-candidaturas presidenciais que gastaram recursos do Fundo Partidário em projetos que morreram na praia, foram, na prática, balões de ensaio. Ao menos R$ 15 milhões já entram nessa conta, montante que deve aumentar à medida em que os partidos apresentarem as notas fiscais dos gastos deste ano.
Quando ainda se apresentavam como presidenciáveis, o ex-ministro Sérgio Moro (ex-Podemos) e hoje no União Brasil), os governadores João Doria (PSDB) e Eduardo Leite (PSDB) e os deputados André Janones (Avante-MG) e Luciano Bivar (União Brasil-PE), usaram de alguma forma recursos públicos para sustentar seus nomes na disputa.
O senador Rodrigo Pacheco (PSD) e o ex-ministro Luiz Henrique Mandetta (União Brasil) também tiveram o nome considerado pelos partidos, mas não levaram a pré-campanha adiante. Já o influenciador Pablo Marçal (PROS) promete ir à Justiça para manter seu nome na corrida caso seu partido - que chegou a anunciar o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) - tenha nova reviravolta no comando em função de uma disputa judicial interna.
Com os cofres cheios pelo Fundo Partidário - foram R$ 939 milhões em 2021 - as legendas não economizaram em gastos com viagens de pré-campanha, aluguel de jatinhos, eventos com efeitos especiais, jingles, comerciais de TV, impulsionamento nas redes sociais e assessoria de imprensa, entre outras despesas. Até julho deste ano, os partidos receberam R$575 milhões deste fundo (sem considerar multas), que tem aumentou exponencialmente nos últimos anos e agora está em torno de R$ 1 bilhão.
Com a aprovação da minirreforma eleitoral em 2015, passou a ser permitido o uso de alguns recursos do Fundo Partidário para custear de forma indireta serviços usados nas campanhas, como o impulsionamento de conteúdos, compra de passagens aéreas e contratação de consultorias. Doações de pessoas físicas também podem engordar este montante.
O caso mais emblemático foi do PSDB. O partido destinou R$ 12 milhões para as prévias do ano passado, que foram vencidas por Doria, mas acabaram não se transformando em uma candidatura nacional.
Cada pré-candidato recebeu da sigla R$ 2 milhões para as pré-campanhas. O ex-governador João Doria chegou a alugar uma mansão na Avenida Brasil, em São Paulo, para servir de comitê e contava com uma estrutura profissional, que incluía contrato com o marqueteiro Lula Guimarães, assessoria e equipe de redes sociais. Em seu site, o partido afirma que as prévias envolveram nove meses de trabalho, e que os gastos incluem viagens da militância e dos pré-candidatos, cadastramento de filiados, debates internos e externos e a realização de evento em Brasília com mais de 700 mandatários tucanos de todo o País.
Em caráter reservado, integrantes da cúpula tucana temem que as contas sejam parcialmente rejeitadas devido aos gastos com as prévias. Antes de desistir da disputa nacional, o deputado Luciano Bivar, que é presidente do União Brasil, também não economizou em sua pré-campanha. Segundo apurou a reportagem com dirigentes, só com o evento de pré-lançamento da campanha de Bivar em São Paulo, que teve direito a claque uniformizada, bateria de escola de samba, efeitos especiais e jingles, o União Brasil gastou R$ 1,2 milhão. O marqueteiro contratado por Bivar foi Augusto Fonseca, que antes dele estava com Lula. Presidente da sigla, Bivar também foi protagonista dos programas da legenda na TV. Segundo dados do TSE, só com a empresa CZM Estratégia e Narrativa, uma agência de publicidade, foram gastos R$ 6,7 milhões do Fundo Partidário em 2022, além de R$ 1,3 milhão com a Delantero Comunicação e Publicidade. Em nota, a assessoria do União Brasil afirmou que os contratos do partido abrangem todos os pré-candidatos e são “parte da estratégia de torná-los mais conhecidos, assim como dar visibilidade ao próprio partido, fundado recentemente”.
O valor final dos gastos desperdiçados com as pré-campanhas que não vingaram ainda não foi divulgado em sua totalidade nas prestações de contas. Procurados, Avante e Podemos não responderam ou disseram não ter a informação da verba usada. O PROS alega que todas as despesas da campanha de Marçal foram pagas pelo pré-candidato via pessoa física. Duas alas disputam na Justiça o comando do partido. A que está à frente da sigla no momento, quer manter a candidatura de Marçal, ao contrário do outro grupo, que chegou a anunciar o apoio à campanha de Lula. No PSD, apesar de ter sido anunciado como pré-candidato, a assessoria do partido alega que Rodrigo Pacheco não usou verbas da sigla. Como mostrou o Estadão, antes de deixar o Podemos e migrar para o União Brasil, o ainda presidenciável Sérgio Moro (UB) recebeu verbas generosas da sigla para sustentar sua pré-campanha. Integrantes da legenda estimam ter custeado mais de R$ 2 milhões em pesquisas eleitorais, eventos, salários e viagens de Moro, sua mulher, Rosângela, e o staff da confiança do ex-ministro, que tinha direito até a carro blindado alugado.
Entra na conta o ato de filiação do ex-ministro em Brasília. Agora candidato ao Senado pelo União Brasil no Paraná, Moro se junta a Janones e Bivar na lista de ex-candidatos que contaram com a estrutura partidária para promover o próprio nome à Presidência e que agora disputam outros cargos. O cientista político Marcelo Issa, diretor-executivo da Transparência Partidária, disse que a legislação eleitoral deveria estabelecer processos internos mais democráticos e com consulta às bases nos partidos na hora de definir seus candidatos, mas pondera que os balões de ensaio fazem parte do processo. “Não é ideal, mas está na esfera da autonomia partidária usar os recursos públicos para lançar candidaturas que podem não ir até o fim”, afirmou.
“Esse dinheiro é público e não pode ser jogado no ralo. Foram recursos gastos de maneira irresponsável, mas não há uma regulamentação específica do TSE nem histórico de reprovação das contas por conta disso. Mas uma existe um caso de referência: da senadora Juíza Selma Arruda”, disse Arthur Rollo, advogado especialista em direito eleitoral e membro do conselho de direito eleitoral da OAB-SP. Em 2018, seis dos sete ministros do TSE consideraram que a parlamentar praticou caixa 2 e abuso de poder econômico na pré-campanha e cassaram o mandato de Selma Arruda (Podemos-MT).

