Propaganda de Lula vai atacar ‘caráter eleitoreiro’ de Auxílio Brasil
Por Beatriz Bulla e Giordanna Neves / O ESTADÃO
A peça da campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que irá para a televisão quando a campanha eleitoral começar oficialmente irá atacar o “caráter eleitoreiro” do Auxílio Brasil aprovado durante o governo Jair Bolsonaro. Um vídeo com a prévia da propaganda foi apresentado nesta segunda-feira, 8, pelo marqueteiro Sidônio Palmeira ao comando político da campanha de Lula. A peça foi aprovada pelos presentes na reunião – Lula era um deles.
A defesa da democracia tende a ganhar espaço na campanha de Lula. A avaliação feita na reunião desta segunda-feira, 8, é de que a dimensão dos atos favoráveis ao sistema eleitoral, que acontecerão nesta semana em São Paulo, tende a galvanizar o voto útil no primeiro turno. Por isso, a campanha deve passar a explorar mais o tema daqui para frente. A previsão é uma novidade. Até agora, a orientação entre dirigentes da campanha era não inflar a ideia de que há uma tentativa de golpe em curso diante das investidas de Bolsonaro contra as urnas. A avaliação no PT era de que Bolsonaro se alimenta politicamente de confusões, portanto ganha espaço quando Lula repercute suas polêmicas. Petistas diziam que era preciso ter cautela para não se ver em meio às pautas impostas pelo adversário e não fugir da demanda principal do eleitorado petista: o debate sobre a questão social e econômica.
A dimensão do apoio aos manifestos pró-democracia que ganharam corpo nos últimos dias, no entanto, fizeram a campanha repensar a estratégia. Alguns aliados sugerem que o ganho de apoio com a pauta de democracia pode compensar uma eventual perda de votos para Bolsonaro com o pagamento do Auxílio Brasil, a despeito de as mensagens mirarem dois públicos diferentes.
“Vai ter impacto, vai alterar (o quadro eleitoral), estamos contabilizando isso. Em paralelo a isso, tem movimento pró a democracia que pode ter um apoio no voto útil”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), um dos coordenadores da campanha, ao deixar a reunião nesta segunda-feira.
A principal mensagem da peça já aprovada é de que o auxílio de R$ 600 tem data marcada para acabar e chegará ao fim em dezembro. De acordo com a propaganda, com Lula esse benefício será permanente. A ideia também é reforçar a narrativa de que Lula é o político responsável pela criação de programas sociais e que Bolsonaro nunca se preocupou com isso até a véspera das eleições. A peça ainda deve explorar o fato de Bolsonaro ter resistido ao pagamento de R$ 600 de Auxílio Emergencial quando proposto pela oposição durante a pandemia.
O benefício ampliado começa a ser pago nesta terça-feira, 9, e a campanha petista admite que a nova rodada de auxílio tende a ter um impacto favorável a Bolsonaro.
A peça publicitária traz depoimentos de pessoas comuns para construir a narrativa da campanha de Lula, que segue com foco principal na temática da fome e das mazelas econômicas. A ideia é replicar o conteúdo em materiais próprios para as redes sociais. Apoiador recente de Lula, o deputado federal André Janones (Avante) irá ajudar a formular a estratégia de redes sociais. Ele participou nesta segunda-feira, pela primeira vez, da reunião de coordenação campanha petista em São Paulo. “Vamos dizer que programa social quem fez foi Lula, quem inventou foi Lula. Nunca teve programa social durante governo Bolsonaro”, disse Randolfe.
Sobre a pauta da defesa da democracia, Randolfe argumenta, por exemplo, que o eleitorado de Ciro Gomes (PDT) é majoritariamente de classe média e sensível à pauta. “Esse movimento paralelo pode ter papel decisivo no voto útil, na reta final”, afirma. Lula assinou nesta segunda-feira o manifesto organizado por ex-alunos da Faculdade de Direito da USP, mas não presente ir ao evento organizado para o dia 11 de agosto.
Pesquisa Brasmarket: Bolsonaro tem 39% contra 33% de Lula
Pesquisa do Instituto Brasmarket, realizada em 428 cidades brasileiras, aponta que o presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 39,9% das intenções de voto. Em seguida está o Lula (PT), com 33,1%. Ciro Gomes (PDT) possui 6,3%. Simone Tebet (MDB) tem 1,7%, Pablo Marçal (Pros), 0,7%, Luciano Bivar (UB) possui 0,3%, Leonardo Péricles (UP) e Luiz Felipe D’Ávila (Novo), André Janones (Avante) e Vera Lúcia (PSTU) possuem 0,2%. Brancos e nulos somam 6,8% e não sabe ou não responderam 10%.

Espontânea
Já em relação à pesquisa espontânea, Jair Bolsonaro (PL) tem 35,5% das intenções de voto. Em seguida está o Lula (PT), com 27,1%. Ciro Gomes (PDT) possui 4%. Simone Tebet (MDB) tem 1%, Pablo Marçal (Pros), 0,6%, Luciano Bivar (UB) e Leonardo Péricles (UP) têm 0,2% respectivamente. Luiz Felipe D’Ávila (Novo) possui 0,1%. André Janones (Avante) e Vera Lúcia (PSTU), não pontuaram. Brancos e nulos são 6,8% e não sabe ou não responderam 24,5%.

Rejeição
Questionados em quem jamais votariam 48,6% dos pesquisados disseram que não votariam no ex-presidente Lula. Jair Bolsonaro segue atrás com o menor percentual de rejeição: 32,9%. Ciro Gomes não receberia votos de 2,6%. Luciano Bivar 0,4%, Simone Tebet 0,3%, Eymael 0,3%, Luiz Felipe D’Ávila 0,2%, Leonardo Péricles 0,2%, André Janones 0,2%, Pablo Marçal e Vera Lúcia 0,1%. Não rejeitam nenhum 3,6% e não sabe ou sem resposta 10,7%.

O levantamento foi realizando com 2.000 pessoas, entre os dias 30 de julho e 2 de agosto. A margem de erro é de 2,2%. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05691/2022.
diario tocantins
Eleições 2022: Veja quais pesquisas para presidente e governador serão divulgadas nesta semana
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) permite consultar os levantamentos eleitorais que foram registrados recentemente e a data em que eles terão seus resultados divulgados. Segundo o sistema da Justiça Eleitoral, os institutos de análise estatística Quaest e Paraná terão novas pesquisas para a disputa presidencial ao longo desta semana. Veja as datas previstas:
Instituto: Quaest | Contratante: Banco Genial | Data de divulgação: 12/08 | Código: BR-08299/2022
Instituto: Paraná Pesquisas | Contratante: Paraná Pesquisas | Data de divulgação: 13/08 | Registro: BR-01028/2022
o estadão
O Instituto FSB divulgou pesquisa nesta segunda-feira, 8. Segundo o levantamento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 41% das intenções de voto e o presidente Jair Bolsonaro (PL), 34%.
Para esta consulta, foram considerados apenas os institutos que são levados em conta pelo agregador de pesquisas do Estadão, que calcula a Média Estadão Dados. São eles: Datafolha, Ipec (o antigo Ibope), Quaest, Paraná, Vox Populi, Sensus, MDA, PoderData, Ipespe, Ideia, Futura, FSB, Gerp e Real Time Big Data.
O TSE determina que as pesquisas de intenção de voto para presidente sejam registradas no sistema da Justiça Eleitoral até cinco dias antes da divulgação dos resultados. O Rio de Janeiro não teve novos registros nos últimos cinco dias. Cabe frisar que levantamentos registrados ao longo desta segunda-feira, 8, ainda podem sair até o fim da semana.
Completando a lista dos três maiores colégios eleitorais do País, São Paulo e Minas Gerais devem ter levantamentos para governador e senador divulgados pela Quaest.
São Paulo
Instituto: Quaest | Contratante: Banco Genial | Data de divulgação: 11/08 | Código: SP-02135/2022
Minas Gerais
Instituto: Quaest | Contratante: Banco Genial | Data de divulgação: 12/08 | Código: MG-09990/2022
Roberto Cláudio (PDT) culpa PT por rompimento de aliança no Ceará
O candidato do PDT ao governo do Ceará, Roberto Cláudio, afirmou que o rompimento da proposta de aliança entre seu partido e o PT foi uma decisão unilateral dos petistas. Segundo ele, o PDT tinha autonomia para a decisão de quem seria o candidato ao governo e utilizou critérios objetivos e bem definidos para escolher seu nome.
Roberto Cláudio, que já foi prefeito de Fortaleza por dois mandatos, afirmou que seu nome apresentou cerca de 20% de vantagem em relação à atual governadora, Izolda Cela, nas pesquisas feitas pelo partido.
De acordo com Roberto Cláudio, da mesma forma, o PT tinha total autonomia para a escolha do nome para o Senado na chapa e o PDT e demais partidos não intervieram na decisão. Para ele, o apoio do PT ao nome de Cela ganhou força nos últimos meses, após ela assumir o governo, em abril.
O ex-prefeito também afirmou que não acha moral o uso da máquina pública para promover candidaturas.
Em relação às críticas pelo fato de partido não escolher uma mulher para a disputa, tendo uma governadora da legenda ocupando o cargo, Roberto Cláudio afirmou que o PDT tem orgulho de ter tido a primeira mulher a ocupar os cargos de vice-governadora e governadora no Ceará. Ele também disse que em seus mandatos na prefeitura da capital sempre houve grande participação de mulheres em suas secretarias.
Na última sexta (5), seu rival na campanha Elmano de Freitas (PT) fez críticas à postura de Roberto Cláudio e disse que ele teria dificuldades para dialogar e construir pontes.
Em sua defesa, Roberto Cláudio afirmou que em suas gestões na prefeitura conseguiu desenvolver bons diálogos com a comunidade e com os vereadores de Fortaleza. Ele também afirmou que na eleição atual é o candidato que possui a maior aliança na disputa pelo governo.
A entrevista foi conduzida por Fabíola Cidral e pelos jornalistas Carlos Madeiro, do UOL, e João Pedro Pitombo, da Folha. As sabatinas são realizadas ao vivo e transmitidas nos sites dos dois veículos.
Cada postulante tem direito a 60 minutos de fala. O primeiro entrevistado foi o candidato Elmano de Freitas (PT). O próximo a ser sabatinado será Capitão Wagner (União Brasil), na quarta-feira (10), às 10h.



