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Na Fiesp, Lula omite operações da PF e ignora suspeitas de corrupção em estádios da Copa

Por Luiz Vassallo / o estadão

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizou nesta terça-feira, 9, denúncias de corrupção envolvendo estádios em obras da Copa do Mundo de 2014, em sua sabatina com empresários na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O petista se utilizou de um antigo relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) para dizer que não houve corrupção nos estádios.

No entanto, operações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público (MP) deflagradas recentemente apuraram suspeitas de desvios e corrupção em pelo menos três estádios. Os casos estão sob análise da Justiça Eleitoral após entendimento de que os desvios abasteciam o caixa de 2 de campanhas de políticos.

“Não sei se vocês sabem, mas eu acho que uma das coisas que fizeram o País perder a Copa do Mundo da forma vergonhosa que perdeu era o clima de instabilidade que estava nesse País, que envolvia jogador, técnico, todo mundo.” afirmou o ex-presidente.

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Fiesp, Josué Gomes; petista visitou a entidade nesta terça-feira
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Fiesp, Josué Gomes; petista visitou a entidade nesta terça-feira Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

Lula disse ainda ter tido uma conversa com Valmir Campelo, que foi relator do processo de acompanhamento de obras e investimentos públicos nos estádios no TCU. “Eu queria saber em quantos estádios tinha havido corrupção e, para a minha surpresa, ele me entregou um relatório mostrando que nenhum estádio tinha havido corrupção.”

Lula ainda afirmou ter indagado o ministro. “E eu disse: como você deixou durante meses e meses se vender a ideia de que a corrupção estava imperando nos estádios. ‘Ah, porque a gente não podia falar. Se a gente falasse contra, a gente apanhava’”, disse o petista.

De fato, o TCU chegou a apontar atrasos e até aumento dos preços dos estádios em relação aos seus projetos originais. No entanto, não constatou má-fé do poder público. O acompanhamento se deu durante as obras, a partir de 2012, e até pouco depois desse período.

Operações

A fala de Lula omitiu que nos anos seguintes aos trabalhos do TCU, a PF realizou uma série de operações durante investigações de supostos desvios de dinheiro na construção dos estádios.

No Rio Grande do Norte, por exemplo, investigações sobre contratos da OAS para a construção da Arena das Dunas chegaram a resultar em denúncias à Justiça contra políticos. A investigação foi parar na Justiça Eleitoral e ainda não foi julgada. A suspeita do MP é a de que tenha havido superfaturamento de R$ 77 milhões, além de pagamento de propina a agentes públicos.

Em Brasília, o Tribunal Regional Federal da 1.ª Região (TRF-1) recentemente enviou à Justiça Eleitoral um processo contra políticos por suspeita de esquemas de propinas e fraudes na construção do Mané Garrincha. Investigadores chegaram a apontar superfaturamento no estádio, que custou R$ 1,5 bilhão, conforme as investigações.

No Rio de Janeiro, o Ministério Público chegou a ajuizar ação civil pública, em 2017, pedindo que fossem devolvidos aos cofres do Estado cerca de R$ 200 milhões superfaturados nas obras do estádio do Maracanã – que foi palco da final da Copa em 2014.

Em São Paulo, o Ministério Público Federal chegou a investigar a cúpula do Corinthians em razão da construção da Arena Corinthians, em Itaquera, mas o inquérito, que tinha como base a delação da Odebrecht, foi arquivado.

Estadão não conseguiu localizar ontem o ex-ministro do TCU Valmir Campelo.

Fator 'medo' em pesquisas pode alterar resultados, especialmente entre beneficiários do Auxílio Brasil

Por Nicolas Iory, O Globo — São Paulo

 

O sociólogo americano Herbert Hyman (1918-1985) escreveu que todo experimento científico está sujeito a erros. E que é melhor estar ciente disso para estudar suas origens, tentar minimizá-los e estimar sua magnitude do que permanecer ignorante a respeito de possíveis distorções.

No Brasil, pesquisadores dos principais institutos que fazem sondagens de opinião pública seguem protocolos rigorosos para tentar reduzir a influência do entrevistador nas respostas obtidas. Mas ainda assim é impossível eliminar totalmente esse fator.

Para o cientista político Antonio Lavareda, o desafio de obter respostas sinceras que não tenham o medo ou outra emoção como motivação é maior entre eleitores de menor renda e nível de escolaridade. Lavareda preside o conselho científico do Ipespe, que faz estudos a partir de ligações telefônicas.

— Esse eleitor mais vulnerabilizado, em especial, pode se sentir constrangido diante de um pesquisador. Imagine o morador de uma cidadezinha pobre recebendo em sua casa um desconhecido que faz perguntas segurando um tablet na mão. O que você acha que um beneficiário do Auxílio Brasil nessa situação responderia sobre o que ele pensa do governo? Pode sim haver um componente de medo que o leve a ter receio de perder o benefício a depender do que ele disser — analisa Lavareda, autor do livro “Emoções ocultas e estratégias eleitorais” (2009), da editora Objetiva.

O percentual de beneficiários do programa, que começou nesta terça-feira a fazer os pagamentos no novo valor de R$ 600, que reprovam o governo Bolsonaro caiu de 48% para 39% em um mês, segundo mostra a pesquisa mais recente da série Genial/Quaest.

A professora Mayra Goulart, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), diz ser possível que o fator medo tenha influenciado na melhora da avaliação do governo junto a beneficiários do Auxílio Brasil. Mas que ainda assim parte do eleitorado mais pobre associa programas sociais aos governos do PT, o que restringe o espaço para o crescimento da pré-candidatura de Bolsonaro nesse grupo.

 

— A expectativa é sempre melhor que a realidade. Então a melhor hora para mensurar essa melhora do governo é mesmo na véspera dos pagamentos com o novo valor. E mesmo neste momento, em que Bolsonaro estaria surfando nessa novidade, a oscilação na aprovação foi consideravelmente pequena (passou de 24% para 28%, segundo a Quaest). Essa parcela da população ainda identifica esses programas de transferência direta de renda com o Partido dos Trabalhadores — afirma a professora.

A pesquisa “A cara da democracia” — feita a partir de entrevistas presenciais — indica que três em cada quatro leitores reconhecem Bolsonaro como criador do Auxílio Brasil. O Bolsa Família, substituído pelo programa do atual governo, é ainda lembrado como uma política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por 55% dos eleitores.

A menos de dois meses da eleição, a indefinição ainda é grande entre os que recebem o auxílio do governo. Os dados do Datafolha mostram que passou de 75% para 69% a parcela de beneficiários do Auxílio Brasil que dizem estar totalmente decididos sobre o voto na eleição presidencial de outubro.

 

O Pulso já mostrou que há críticas e vantagens às diferentes metodologias para fazer sondagens como as de intenção de voto.

 

A Quaest faz suas pesquisas enviando entrevistadores às casas dos eleitores. O Datafolha, por sua vez, ouve os entrevistados presencialmente com pesquisadores parados em regiões onde há fluxo de pessoas.

Há na literatura acadêmica uma vasta produção analisando o impacto de entrevistadores no resultado de pesquisas. Artigo publicado em 1997 pelas americanas Kathleen Ford e Anne Norris, por exemplo, indica que mulheres tinham maior ou menor propensão a ser sinceras sobre sua vida sexual a depender da idade de quem faz a pergunta. O estudo de Ford e Norris foi feito por meio da análise de uma sondagem feita a partir da visita a 1.435 moradoras dos Estados Unidos, em 1991.

Mas engana-se quem pensa que esse tipo de comportamento ocorre apenas em sondagens feitas face a face. Estudo publicado por pesquisadores da Universidade de Michigan em 1995 mostra que cidadãos negros eram mais suscetíveis a relatar problemas com alcoolismo ou uso de drogas, por exemplo, quando pensavam estar falando com um entrevistador também negro ao telefone. Curiosidade: todos os entrevistadores da pesquisa em questão eram negros, e 73% dos entrevistados presumiram isso corretamente.

"Lamento que Roberto Cláudio já comece a campanha me atacando", diz Camilo Leia mais em: https://www.opovo.com.br/eleicoes-2022/2022/08/09/lamento-que-roberto-claudio-ja-comece-a-campanha-me-atacando-diz-camilo.html ©2022 Todos os direitos são reservados

O ex-governador do Ceará Camilo Santana (PT) rebateu na manhã desta terça-feira, 9, as declarações do ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), em que destaca como falha da gestão petista questões relacionadas a facções criminosas e a espera por cirurgia nos hospitais públicos do Estado.

“Lamento que Roberto Cláudio já comece a campanha me atacando, simplesmente porque estamos em lados opostos nesta eleição. É mais digno assumir suas responsabilidades e não terceirizar culpa pelos problemas. Acredito que Elmano como governador será a pessoa certa para continuar, nossos projetos e melhorar o que precisa ser melhorado. Com verdade e respeito”, disse o candidato ao senado nas eleições de 2022, em post nas redes sociais.

Na segunda-feira, 8, RC concedeu entrevista ao UOL/Folha de São Paulo em que abordou o tema. “Não são nem erros, são problemas não resolvidos. Porque não quero personalizar, nunca fiz política contra as pessoas, muito menos conseguirei ser desonesto no que acredito (...) mas é inegável que boa parte da população cearense vive assustada pelo poder perigoso, pernicioso, que as facções criminosas ainda exercem em muitas regiões”, disse na ocasião.

O pedetista ainda ressaltou que pretende, durante a campanha, reconhecer os acertos da gestão anterior, mas com liberdade para fazer críticas nos pontos que sejam necessários. “Sei que é questão nacional, é um crime organizado que tem naturezas e contornos nacionais, mas não é porque é nacional que a gente deixa ter responsabilidade de enfrentá-lo com ostensividade, com inteligência e com prioridade no nosso território”, disse.

As investidas entre os dois políticos acontecem após o rompimento da aliança governista entre PT e PDT. A ala petista defendia o nome da governadora do Ceará, Izolda Cela (sem partido), para encabeçar a chapa que disputaria as eleições de 2022. No entanto, em votação com membros do diretório estadual pedetista, Roberto foi escolhido como candidato.

A atitude foi classificada pelo partido de Camilo Santana como um “rompimento tácito e unilateral da aliança até então estabelecida”. Na época, a sigla emitiu uma nota com duras críticas a decisão que preteriu Izolda na disputa pelo Palácio da Abolição. “Pouco apreço à aliança, aos aliados e sobretudo, o desprezo às conquistas e melhorias alcançadas na vida dos cearenses por conta do seu trabalho (de Izolda), junto com Camilo nos anos recentes. Prevaleceu a arrogância, o capricho e a expressão de mando que subjugou os interesses dos cearenses à obsessão de poder de um só”, ressaltou o comunicado.

Camilo também criticou a decisão: "Lamento muito que a primeira mulher governadora do Ceará não poderá concorrer à reeleição, após decisão do PDT. Siga firme, Izolda! O Ceará tem muito orgulho de sua força e determinação."

Capitão Wagner cobra "mea culpa" de RC

Líder nas pesquisas de intenção de voto para o Governo do Ceará, Capitão Wagner (UB) aproveitou a troca de farpas entre os ex-aliados para cobrar "mea culpa" do ex-prefeito de Fortaleza. Segundo o candidato do União Brasil, os problemas atribuídos a gestão de Camilo tem corresponsabilidade do pedetista.



Wagner afirmou, em entrevista ao O POVO, que RC “tenta ignorar um passado não muito distante”. Ele ressalta que o político "fazia parte da gestão até um dia desse” e que “não tem bons exemplos para dar ao Estado e aos cearenses". E acrescentou: "Enquanto ele era prefeito, Fortaleza foi considerada a cidade mais violenta do Brasil. Tá faltando mea culpa”, repetiu.

Empresas devem redobrar vigilância em ano eleitoral

Claudia Martinez* O ESTADÃO

09 de agosto de 2022 | 16h10

Claudia Martinez. FOTO: DIVULGAÇÃO

O início da campanha eleitoral oficial com a ratificação dos nomes que vão disputar nosso voto vai esquentar ainda mais o clima e para o caldeirão não entornar no ambiente corporativo, cabe às empresas agir com atenção e rigor à legislação eleitoral.

Fazer direito é tarefa individual. Já o erro tem impacto coletivo e deslizes podem comprometer a imagem institucional. As normas precisam ser conhecidas e seguidas por pessoas físicas e jurídicas, que viram seus espaços para atuação política mudarem radicalmente depois de grandes escândalos de corrupção. Incorrer em erros em campanha eleitoral significa arriscar a reputação da empresa, perder credibilidade no mercado, clientes e negócios. Sem contar as questões jurídicas envolvendo multas e até o eventual fechamento da empresa.

 

A área de compliance – que zela pela conduta em conformidade com a lei e as regras da empresa – tem a responsabilidade de dar transparência à legislação eleitoral e ao arcabouço de normas internas que orientam os funcionários, demonstrando os valores da companhia. Também deve garantir que todos estejam cientes do que é permitido e do que não é.

A reforma eleitoral de 2015 proibiu que pessoas jurídicas financiem campanhas doando dinheiro, bens e serviços estimáveis em dinheiro. Qualquer produto, como um brinde, ou serviço, como empréstimo de carro, pode afrontar a lei, porque pode ser aferido em dinheiro. Tem caráter de doação ilegal.

No que diz respeito aos colaboradores, a empresa não pode proibir que façam campanha. Qualquer manifestação, contudo, deve ser pessoal, sem vínculo corporativo, e a empresa pode proibir ações políticas no local de trabalho ou valendo-se de bens, propriedades ou cargos ligados à empresa. Também pode vetar o uso de meios eletrônicos de comunicação corporativa, como e-mail, para apoiar candidatos e partidos.

No caso de funcionários que pelo cargo ou função representam publicamente a empresa, a manifestação política pessoal corre o risco de ser confundida com a imagem da empresa. Para mitigar problemas, antes de se manifestar em público, os colaboradores com esse tipo de visibilidade devem discutir internamente a melhor forma de exercerem seu direito, dissociado da instituição.

E lembre-se: se algum agente público, candidato ou dirigente de partido pedir vantagem indevida, em qualquer momento do ano, eleitoral ou não, recuse a solicitação de forma clara e direta. Em seguida, relate a situação aos canais competentes da sua empresa.

Quanto antes a empresa delinear seus parâmetros, mais protegida estará. Tudo pode ser informado na contratação e as diretrizes devem estar ao alcance de todos para consultas. Com o início da campanha, vale reforçar a comunicação. Ninguém pode dizer que não foi avisado!

É assim que se blinda estrategicamente para enfrentar momentos cada vez mais tensos de uma campanha política.

*Claudia Martinez, economista, empresária e conselheira do Conselho Superior Feminino da Fiesp

Na Fiesp, Lula diz que Bolsonaro faz maior distribuição de dinheiro da História às vésperas de uma eleição

Por Sérgio Roxo — São Paulo / O GLOBO

 

Em debate na manhã desta terça-feira com empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva exaltou a aliança com Geraldo Alckmin (PSB), seu vice e ex-adversário que estava presente, e acusou o presidente Jair Bolsonaro (PL) de fazer a maior distribuição de dinheiro da História às vésperas de uma eleição.

Logo na abertura de seu discurso, Lula destacou que o “Brasil atravessa uma crise de credibilidade, de governabilidade, de falta de sintonia entre o Estado através do governo com as instituições”.

O petista não citou o nome de Bolsonaro ao criticar a distribuição de recursos pelo governo por meio do auxílio emergencial:

— Vamos concorrer em uma eleição vendo um dos adversários, para não citar o nome, fazendo a maior distribuição de dinheiro que uma campanha política já viu desde o fim do Império. Não há precedentes na História do Brasil de alguém que, faltando 57 dias para as eleições, resolva fazer uma distribuição de R$ 50 bilhões e poucos em um benefício que só dura até dezembro.

Lula ainda afirmou estar preocupado se “o povo aceitará a retirada do benefício”:

— A sociedade precisa ficar atenta porque o sinal do comportamento de alguém para ganhar uma eleição não é tranquilo.

Como tem feito em seus encontros com empresários, Lula destacou a participação que Alckmin terá em seu eventual governo.

— Alckmin foi meu adversário político (nas eleições) em 2006. Esse jeitão dele bonzinho não foi tão bom assim na campanha. Estou com as canelas machucadas até agora. E ele e eu resolvemos relevar a um segundo plano e resolvemos compor uma chapa na perspectiva de governar esse país — disse o candidato do PT.

Lula disse que Alckmin terá “importância” como vice, como teve José Alencar, pai do presidente da Fiesp, Josué Alencar, o anfitrião do debate:

— Em todos os debates que vou, faço questão que o Alckmin tenha a palavra, para falar não como um vice qualquer, mas um vice que vai ter importância como teve o Zé Alencar. O Zé Alencar participava de todas as decisões de governo na mesa, dando palpite como se fosse presidente da República. Era tratado na reunião como presidente e não como vice. Alckmin, você vai perceber que vai ser tratado assim também.

O petista depois passou a palavra para Alckmin, que elogiou a iniciativa da Fiesp de fazer um manifesto em defesa da democracia.

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