campanha :Lula diz que Bolsonaro é ‘possuído pelo demônio’ e que tenta manipular evangélicos
Por Beatriz Bulla e Eduardo Gayer / o estadão
Ao lançar oficialmente nesta terça-feira, 16, sua candidatura ao Planalto, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) acusou o presidente Jair Bolsonaro de tentar manipular a boa-fé de evangélicos e disse que Bolsonaro é “possuído pelo demônio”. A campanha de Bolsonaro tem abordado a religião em apelo aos eleitores e tentado vincular de modo pejorativo o petista e sua mulher, Janja da Silva, a religiões de matriz africana.
“Você (Bolsonaro) foi negacionista, você não acreditou na ciência, não acreditou na medicina, você acreditou na sua mentira. Se tem alguém que é possuído pelo demônio é esse Bolsonaro”, afirmou o petista. “Ele é um fariseu, está tentando manipular a boa fé de homens e mulheres evangélicos. Eles ficam contando mentira o tempo inteiro, sobre o Lula, sobre a mulher do Lula, sobre vocês, sobre índio, sobre quilombola. Não haverá mentira nem fake news que mantenha você governando esse país, Bolsonaro”, disse o petista.
O ex-presidente escolheu seu berço político para iniciar oficialmente a campanha à presidência. O petista deu o pontapé na campanha eleitoral na porta de uma fábrica da Volkswagen na cidade de São Bernardo do Campo (SP), onde viveu por quatro décadas e construiu sua trajetória política como sindicalista.
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O candidato a vice, Geraldo Alckmin (PSB), não participou. Na segunda-feira, 15, em evento de Lula na Universidade de São Paulo, o ex-governador paulista e ex-tucano também não esteve presente ao lado do petista. Na USP, o candidato ao senado na chapa petista, Márcio França (PSB), foi vaiado. França participou do evento em São Bernardo do Campo nesta terça-feira e pediu esforço dos presentes para trabalhar pela vitória de Lula no primeiro turno.
Em um discurso mais rápido do que o normal - Lula viaja nesta terça-feira para Brasília, o petista disse ainda que Bolsonaro está “pensando que o povo é besta” e atacou o caráter eleitoreiro do pagamento do Auxílio Brasil.
“Ele não cuidou do povo, mas, faltando três meses, resolveu aumentar o auxílio emergencial, que nos queríamos desde o ano passado”, disse. “Eu fui favorável a votar no aumento emergencial, pedi pra bancada do PT votar. Se vocês conhecerem alguém que está desempregado, que está precisando de dinheiro e cair um dinheirinho na conta dele, manda ele pegar e comer. Porque se ele não pegar, o Bolsonaro vai tomar”, disse Lula, aplaudido pelo público de trabalhadores.
Ele prometeu que a primeira medida que tomará, se eleito, será voltar à porta da mesma fábrica para anunciar o reajuste da tabela do imposto de renda.
Lula, que se emocionou no final de sua fala, lembrou sua trajetória como sindicalista. “Eu queria vir aqui não só para agradecer a vocês, mas porque foi aqui que tudo aconteceu na minha vida. Foi aqui que aprendi a ser gente e foi por causa de vocês que acho que fui um bom presidente”, disse.
O PT escolheu a fábrica da Volkswagen do Brasil, na Rodovia Anchieta, para iniciar a campanha. Durante a ditadura militar, trabalhadores foram vigiados dentro da fábrica da Volkswagen do Brasil no ABC paulista, com apoio da segurança da empresa, que já reconheceu que deu apoio ao regime militar. Houve repressão a funcionários dentro da fábrica. Lula citou a época da ditadura e as greves a partir de 1978. “Eu devo praticamente tudo que eu vivi na vida, que eu aprendi na política, nas derrotas e nas vitórias, a essa categoria extraordinária chamada metalúrgicos do ABC”, disse.
Com um papel na mão, Lula citou números de diminuição de venda de carros no Brasil e redução dos empregos na indústria e defendeu a criação de empregos. “Eu não precisaria estar candidato outra vez. Agora, companheiros, o Brasil está pior hoje do que estava quando eu tomei posse da primeira vez”, disse, repetindo o que tem sido um dos seus mantras de campanha.
“Nós não poderíamos estar em outro lugar que não aqui”, disse a presidente nacional do PT Gleisi Hoffmann, ao discursar. “Começar a campanha aqui é muito significativo e simbólico, é voltar as raizes, é dizer com quem a gente tem compromisso, é por quem a gente faz política, é no que nós acreditamos”, disse Gleisi.
Lula irá focar esforços na região sudeste no início oficial da campanha. Além de concentrar 42% do eleitorado, o PT avalia que é preciso conter o bolsonarismo nos Estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro para garantir a vitória. Segundo o agregador de pesquisas eleitorais do Estadão, o ex-presidente tem 45% das intenções de voto ante 32% de Bolsonaro. Pesquisas regionais recentes, no entanto, mostram o avanço da campanha de Bolsonaro no sudeste.
Lula fará comício em Belo Horizonte na quinta-feira, em São Paulo no sábado e ainda não tem data para agenda no Rio de Janeiro, cidade que deve visitar em breve.
O petista faria uma visita a outra fábrica, na zona de sul, na manhã desta terça-feira, mas cancelou a agenda por falta de tempo para inspeção feita por sua segurança.
Ainda nesta terça-feira, Lula e Bolsonaro devem se encontrar pela primeira vez. Os dois confirmaram presença na posse do ministro Alexandre de Moraes como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O evento acontecerá em Brasília, na sede da Corte. Os ex-presidentes Michel Temer e Dilma Rousseff também devem se encontrar no evento..
Sem sobressaltos, disputa entre Lula e Bolsonaro caminha para 2º turno; leia análise
Por Rubens Figueiredo / o estadão
Não faltam pesquisas no cenário político eleitoral. Acabam de sair os resultados de um novo levantamento. Desta vez, realizado pelo Ipec – Inteligência em Pesquisa e Consultoria Estratégica. O instituto é dirigido por profissionais egressos do Ibope, uma das mais importantes referências em pesquisas de opinião no Brasil e respeitado internacionalmente.
Está muito chato ser cientista político nessa altura do campeonato. A sociedade altamente polarizada e uma visão absolutamente rasa da atividade transforma a interpretação de dados em algo muito perigoso. Você pode virar bolsonarista-fascista ao ponderar que ele pode crescer nos segmentos com menos renda do eleitorado. Ou lulista-ladrão-comunista se ousar dizer que o recall positivo da gestão Lula dificilmente poderá ser arranhado.
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Os dados do Ipec apontam Lula com 44% contra 32% de Bolsonaro, uma diferença de 12 pontos porcentuais. A pesquisa anterior realizada com técnica de coleta de dados semelhante, face a face, é a do Datafolha. Coletados os dados entre 27 e 28 de julho, o resultado foi 47% para Lula contra 29% de Bolsonaro. Uma diferença de 18 pontos porcentuais. Admitindo que ambos os institutos apresentaram resultados dentro dos seus altos padrões de qualidade, a diferença Lula-Bolsonaro diminuiu 6 pontos porcentuais em 15 dias, o que é bastante expressivo.
Dia 16, a campanha começou legalmente, mas o bicho pega mesmo dia 26, com o início do horário eleitoral gratuito. Em 2018, os programas de rádio e TV tiveram um impacto muito reduzido. Geraldo Alckmin, que conseguiu agrupar uma coligação gigantesca, que possibilitou 434 inserções de comerciais de 30 segundos durante o primeiro turno, teve votação pífia. Bolsonaro, com apenas 11 inserções, venceu as eleições.
O histórico das eleições mostra que o rádio e a TV costumam ter grande poder quando algumas candidaturas representam algo que o eleitorado, em sua grande maioria, ainda não sabe. Foi o caso de Collor, o caçador de marajás, na época uma absoluta novidade. Ou quando os eleitores ficaram sabendo que Dilma Rousseff era a candidata de Lula, na época quase um Deus.
Neste ano, tudo indica que as movimentações nos índices de intenção de voto nestes 45 dias de campanha serão modestas. É impossível conceber algo novo que possa macular ainda mais a imagem de Lula. E Bolsonaro faz absoluta questão de mostrar que é exatamente aquilo que é. O eleitor está sinalizando que votará em um com toda certeza e não vota no outro de jeito nenhum. Como Bolsonaro deve crescer um pouco por conta da usina de bondades na qual se transformou o governo, a decisão deve ficar para o segundo turno. Mas sem grandes sobressaltos.
RUBENS FIGUEIREDO É CIENTISTA POLÍTICO
Roberto Cláudio defende geração de emprego e minimiza embates: 'não sou de fazer críticas'
Durante a primeira agenda de campanha eleitoral, que aconteceu no Mercado Central, em Fortaleza, o candidato a governador Roberto Cláudio (PDT) defendeu que uma das prioridades de um eventual governo é a geração de emprego e renda. Ele também minimizou embates com antigos aliados, agora disputando as eleições em lados opostos.
Acompanhado de apoiadores, deputados e vereadores da Capital, o ex-prefeito de Fortaleza argumentou que a meta na reta inicial da campanha é se tornar mais conhecido e também apresentar as propostas para "construir um futuro de prosperidade, de oportunidade".
"Os nossos maiores compromissos são com a geração de emprego e de renda, principalmente com a redução das desigualdades regionais que ainda existem aqui no Ceará", ressaltou o candidato.
Ele também destacou propostas nas áreas de saúde, educação e segurança pública. "Enfrentamento às filas de exame, consultas e cirurgias, e enfrentamento mais direto às facções. Tendo a educação como eixo estruturante de progresso e oportunidade para nossa gente", pontuou.
EMBATES NA CAMPANHA
Ao ser questionado sobre críticas recentes à gestão do Governo do Ceará que geraram ataques de ex-aliados, Roberto Cláudio disse que "não é de fazer críticas".

"Não é culpa especificamente de A, de B e de C. É uma realidade, e o nosso compromisso é com o futuro dos ceareses [...], não olharemos para os lados, não somos candidatos contra adversários, somos em favor das necessidades do povo", disse o pedetista.
IMPASSE NO SENADO
Roberto Cláudio iniciou a campanha ao lado do candidato a vice-governador, Domingos Filho, e do empresário Amarílio Macêdo, indicado pelo PSDB para compor a chapa na disputa pelo Senado. A presença de Macêdo, no entanto, ainda aguarda decisão judicial.
Atualmente, está vigente liminar que prevê neutralidade do PSDB na disputa majoritária no Ceará. Por isso, o PDT registrou a candidatura ao Senado da vereadora Enfermeira Ana Paula, enquanto aguarda nova decisão judicial sobre o PSDB.
Mesmo assim, Amarílio acompanhou Roberto Cláudio na visita ao Mercado Central. O pedetista pontuou, inclusive, o foco em fortalecer os nomes junto ao eleitorado. "Eu sou mais conhecido na Região Metropolitana, o Domingos é mais conhecido no Interior. O Amarílio ainda precisa ser mais conhecido. A gente está se apresentando, apresentando as nossas biografias, o que nós já realizamos", disse.
Moro e Alvaro Dias seguem empatados no PR: Real Time aponta vantagem de ex-juiz com 30% a 27%
Por Manoela Bonaldo / O ESTADÃO
Candidatos ao Senado pelo Paraná e ex-aliados políticos, o ex-juíz Sérgio Moro (União) e Alvaro Dias (Podemos) estão empatados tecnicamente, aponta a pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta terça-feira, 16. Moro aparece com 30% das intenções de voto contra 27% de Dias e, tendo em vista a margem de erro, de três pontos porcentuais para mais ou para menos, considera-se que há um empate técnico.
O candidato do Partido Liberal (PL), Paulo Martins, ficou em terceiro lugar, com 8% das intenções de voto.
A nova rodada da Real Time Big Data aponta uma diminuição na distância entre os dois primeiros colocados, sendo que Moro perdeu um ponto porcentual e Dias avançou um. Na última pesquisa, divulgada no dia 21 de julho, o ex-juiz aparecia com 31% contra 26% de seu ex-aliado. Antes de o ex-juiz lançar sua pré-candidatura ao Senado no dia 12 de julho, era Álvaro quem liderava as pesquisas.
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Desta vez, de acordo com a pesquisa, 12% dos entrevistados responderam que irão votar em branco e 15% não souberam ou não responderam.
Aline Sleutjes (PROS) e Rosane Ferreira (PV) receberam, cada uma, 2% das intenções de voto. Já os candidatos Orlando Pessuti (MDB), Laerson Matias, Desiree Salgado (PDT) e Carlos Saboia (PMN) receberam 1%.
A pesquisa contatou 1.500 entrevistados por telefone entre os dias 13 e 15 de agosto, e está registrada na Justiça Eleitoral sob o código PR- 06612/2022. O nível de confiança é de 95%.
Elmano ressalta propostas de mobilidade urbana e diz que fará campanha sem 'nenhum tipo de ataque'
Em seu primeiro ato de campanha, o candidato do PT ao Governo do Ceará, Elmano de Freitas, defendeu propostas de mobilidade urbana. O assunto teve relação com o local escolhido para o primeiro evento: a estação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) no bairro Parangaba, nesta terça-feira (16).
"Queremos garantir a integração nas Regiões Metropolitanas, garantir essa obra tão importante do VLT, concluir as obras do Metrô, e garantir a conclusão do Anel Viário que enfim o Governo Federal aceitou passar para o Governo do Estado o convênio para executarmos plenamente essa obra. Vou concluir o Anel Viário", disse Elmano ao chegar ao VLT.
Ele também ressaltou como proposta concluir as obras de ligação do município de Missão Velha à BR-116. Ainda hoje, Elmano, com a candidata a vice, Jade Romero (MDB), e o candidato ao Senado, Camilo Santana (PT), cumprem agenda no Cariri.
"Vou continuar esse programa Ceará de Ponta a Ponta, garantir pavimentação de qualidade porque a infraestrutura é muito importante, inclusive para a comodidade na área da saúde, para as pessoas serem transportadas quando precisarem, para a produção e para a circulação de mercadorias", disse o candidato, em referência a programas do atual Governo do Estado.
DISPUTA ELEITORAL
Elmano também falou sobre os embates com adversários que disputam o Governo e disse que fará campanha sem ataques.
"Não vamos fazer nenhum tipo de discussão, de ataque ou de acusação, queremos uma campanha de elevado nível, temos um legado a defender", afirmou.

Questionado sobre a declaração do candidato do PDT a presidente, Ciro Gomes, que falou em "entregar o Ceará para Capitão Wagner (...) para dar valor ao que se tem", em entrevista ao Roda Vida, ontem, Elmano voltou a dizer que sua compreensão é "de não entrar em nenhum tipo de briga".
IZOLDA CELA
Ele também voltou a falar sobre a relação com a governadora Izolda Cela (sem partido) e a possível participação dela na campanha.
"Vou aguardar o momento que ela entender adequado. A maior coisa que a gente tem que ter sobre essa governadora é respeito", disse.

