Haddad tem 35% e Tarcísio, 23%; diferença cai 5 pontos em 1 mês, mostra agregador Estadão Dados
Por Daniel Bramatti / O ESTADÃO
Na média das pesquisas presenciais feitas em São Paulo, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) tem 35% das intenções de voto e é seguido por Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB), com 23% e 16%, respectivamente. A vantagem do petista sobre o segundo colocado caiu de 17 para 12 pontos porcentuais em um mês.
Os números são do agregador de pesquisas eleitorais do Estadão Dados, um aplicativo online interativo que busca mostrar o cenário mais provável das disputas pelo governo de São Paulo e Presidência da República.
No caso do governo estadual, a série histórica do agregador tem dados divulgados pelas seguintes empresas: Datafolha, Ipec, Quaest, Paraná Pesquisas e Badra. Todas fazem pesquisas presenciais, ou seja, os entrevistadores ficam face a face com os eleitores ao colher suas intenções de voto. As pesquisas telefônicas sobre a disputa estadual não são consideradas, pois elas ocorrem em número insuficiente para que o modelo do agregador possa calcular sua influência.
Já o agregador nacional considera tanto pesquisas presenciais quanto telefônicas, e apresenta seus resultados separadamente em gráficos que mostram a evolução dos candidatos nos últimos 180 dias.
A separação das sondagens presencias e telefônicas tem um motivo: há evidências de que, na média, os levantamentos feitos por telefone tendem a subestimar a taxa de intenção de votos em candidatos do PT. É possível que isso aconteça porque tenham mais dificuldades de aferir a opinião dos mais pobres – segmento em que o partido costuma se sair melhor.
MAIS UMA pesquisa Datafolha para presidente
Por Lauro Jardim / O GLOBO
Uma nova pesquisa presidencial do Datafolha será divulgada na noite de quinta-feira, seis dias após a última feita pelo instituto. Será realizada em três dias, entre hoje e a própria quinta-feira. O instituto entrevistará presencialmente 5.926 pessoas acima de 16 anos em 191 cidades de todos os estados brasileiros — a maior amostra feita pelo Datafolha desde o início desta campanha. A margem de erro é de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.
Será uma pesquisa feita já sem o impacto imediato do 7 de Setembro. Mas os bolsonaristas contam que boas notícias para o bolso possam ter algum efeito nos ponteiros da pesquisa — visto que aparentemente os atos da semana passada não foram capazes de seduzir os indecisos e os arrependidos.
Entre as novas medidas econômicas, estão a queda no preço do gás de cozinha (que entra em vigor nesta terça-feira), o crédito diferenciado para mulheres que a Caixa passou também a oferecer a partir desta semana e o segundo mês de deflação. Há, entre alguns ministros de Bolsonaro, a crença de que sua alta rejeição não cede exclusivamente pelo fator econômico.
Lula pode captar nesta pesquisa algum efeito do apoio de Marina Silva, anunciado na segunda-feira? Nem os petistas avaliam que esse apoio mude algo na intenção de voto do ex-presidente. Ter Marina ao lado é um ativo muito mais político do que eleitoral. Marina dá prestígio, votos nem tanto.
Lula tem mantido uma inabalável estabilidade até agora em termos de intenção de votos. Sua campanha não produz fatos retumbantes. A propaganda de rádio e TV é opaca. Suas redes sociais estão eternamente correndo atrás das iniciativas de Bolsonaro. Mesmo seus discursos em comícios e suas entrevistas de TV nada têm de marcantes ou momentos de brilho. Mas, apesar de tudo isso, há em parte da população uma memória positiva do seu governo somada a também inabalável rejeição a Bolsonaro.
Além de perguntas sobre intenção de voto para presidente da República, a pesquisa tentará medir o que pensa o brasileiro sobre temas correlatos: o grau de rejeição e de conhecimento do eleitor em relação a cada um dos candidatos, em quem ele pretende votar no segundo turno (neste caso, apenas com as opções de Lula e Bolsonaro) e se ainda pode mudar o voto.
Será avaliado também o grau de aprovação do brasileiro a respeito do governo Bolsonaro, e se o eleitor confia no presidente.
Pela primeira vez nesta eleição, o Datafolha perguntará se o eleitor já se decidiu em quem vai votar para deputado estadual e federal (mas não perguntará o nome do escolhido, se a resposta for positiva).
O Datafolha questionará o entrevistado ainda a respeito do 7 de Setembro. Ou mais especificamente sobre as intenções de Bolsonaro com os atos da quarta-feira passada: ele queria comemorar o Bicentenário ou "fazer campanha política"? E se o presidente "agiu bem".
O instituto vai também medir o pulso da população em relação a possibilidade de "atos de violência" no dia 2 de outubro: há chance de "atos de violência"? O entrevistado poderia deixar de votar por causa desse fator?
No último Datafolha, divulgado em 9 de setembro, mantinha-se o resultado das pesquisas de maio, junho e julho e agosto. Ou seja, Lula (45%) aparecia com uma distância de onze pontos percentuais em relação a Jair Bolsonaro (34%), embora ela esteja encurtando a cada novo levantamento.
Bolsonaro usa gafe de Lula sobre mulheres na TV e dá novo destaque a Michelle

Em nova propaganda na TV para tentar conquistar o voto do eleitorado feminino, o presidente Jair Bolsonaro (PL) explorou nesta terça-feira (13) uma gafe do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre violência doméstica e voltou a exaltar a primeira-dama Michelle.
A peça publicitária inicia com o petista afirmando que, em seu governo, as mulheres eram tratadas com respeito. A cena seguinte mostra trecho de um discurso recente no qual o ex-presidente afirma: "Quer bater em mulher? Vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa".
Na ocasião, em comício no Vale do Anhangabaú, em São Paulo, Lula condenava a violência doméstica.
A frase completa, que não aparece na propaganda de Bolsonaro, é a seguinte: "Vá bater em outro lugar, mas não dentro da sua casa ou no Brasil, porque nós não podemos mais aceitar isso".
No vídeo do PL, o equívoco de Lula é exibido a três eleitoras, que criticam a fala. "Imagina se fosse a mãe dele, a irmã dele", diz uma mulher. "Acho que Lula nem deveria ter saído da cadeia", afirma outra.
Em seguida, a locutora da propaganda diz que Bolsonaro protagonizou "uma das mais belas cenas de valorização da mulher, quebrando todos os protocolos" ao ceder espaço a Michelle na posse presidencial.
Na ocasião, a primeira-dama fez um discurso em Libras (Língua Brasileira de Sinais), e o grande destaque dado a ela gerou a expectativa de que Michelle seria politicamente atuante no mandato. Ela, porém, só voltou a aparecer na campanha neste ano, em meio a alta rejeição feminina ao candidato à reeleição.
Entre as mulheres, Bolsonaro tem 29% das intenções de voto, contra 46% de Lula, e é visto por 51% dos eleitores como o presidenciável que mais ataca as mulheres, de acordo com a última pesquisa Datafolha.
As eleitoras têm sido centrais nas disputas presidenciais e estaduais. Assim, os candidatos passaram a apostar na exposição de suas esposas, que aparecem nas propagandas de televisão e em atos públicos.
A campanha de Bolsonaro tenta minimizar a imagem machista do presidente dando voz a Michelle, que desde a convenção para oficializar a candidatura à reeleição faz discursos com apelo religioso e troca demonstrações de carinho com o marido. A socióloga Rosângela da Silva, a Janja, casada com Lula, também é personagem frequente em eventos políticos e aparece na propaganda televisiva do PT.
"Sabemos das dificuldades que nós mulheres enfrentamos atualmente. São milhões de mulheres endividadas para poder levar alimentos para suas famílias", disse Janja em uma das peças.
Para Bolsonaro, a dificuldade para atrair o voto de eleitoras cresceu após o primeiro debate, no qual atacou a jornalista Vera Magalhães e a candidata do MDB, a senadora Simone Tebet. Depois, o presidente também insultou a jornalista Amanda Klein, em sabatina na Jovem Pan, e capturou o momento da celebração do Bicentenário da Independência para puxar o coro de que é "imbrochável".
Já Lula cometeu gafes ao tentar abraçar a linguagem inclusiva para conversar com minorias. Um dos problemas para um conjunto de mulheres é o uso do termo com conotação sexual no bordão de ter 76 anos, mas "tesão de 20". Ele seria depreciativo por perpetuar estigmas como a submissão feminina.
Na peça desta terça, o PL elenca feitos de Bolsonaro às mulheres em seu mandato, como a sanção das leis Mariana Ferrer e da violência psicológica –iniciativas que partiram do Legislativo–, além do registro de títulos de terra em nome de mulheres.
"Se para alguns parece estranho que Jair tenha feito tanta coisa pela proteção das mulheres é porque não conhecem o presidente", diz Michelle na propaganda. A locutora tenta suavizar sua imagem ao dizer que "não é com discurso que o Jair demonstra respeito com as mulheres, é com realizações".
Secretaria estadual do Ceará é alvo de busca e apreensão após denúncia do PDT
Por Camila Zarur — Brasília / O GLOBO
A Superintendência de Obras Públicas (SOP) do governo do Ceará foi alvo, nesta terça-feira, de um mandado de busca e apreensão de documentos referentes aos contratos e convênios do estado com os municípios cearenses. A ação da Polícia Federal foi feita a pedido do Tribunal Regional do Ceará (TRE-CE) no âmbito da investigação que apura suposto favorecimento de prefeituras aliadas à candidatura do petista Elmano de Freitas ao Executivo cearense.
A investigação foi aberta após uma ação do PDT no tribunal. O partido alega que o governo estadual teria usado repasses às prefeituras como moeda de troca para o apoio à campanha de Elmano. No documento, a sigla cita que isso teria acontecido com ao menos cinco municípios: Coreaú, Acopiara, Maranguape, Aracoiaba e Itapipoca. Os prefeitos dessas cidades, segundo diz o pedido para a suspensão das transferências, teriam recebido recursos para realização de obras públicas após anunciarem o apoio ao candidato petista.
Na semana passada, o TRE-CE determinou a suspensão dos repasses de verba pública do governo estadual para os munícipios até o final das eleições. A decisão foi tomada após a campanha do PDT entrar com um processo de abuso de poder econômico contra contra três autoridades: a ex-aliada e atual governadora, Izolda Cela (Sem partido), e o ex-governador Camilo Santana (PT), além de Elmano, que é deputado estadual. Eles negam que exista tal esquema.
Na decisão, o tribunal dava um prazo de 48 horas para que o governo enviasse às autoridades documentos sobre os convênios que tem com os municípios. Em nota, a gestão de Izolda informou que já havia enviado o material à Justiça e afirmou que seus contratos estão “dentro da mais absoluta legalidade, de forma que não se absteve em prontamente prestar esclarecimentos e acesso aos documentos solicitados à Superintendência de Obras Públicas (SOP) por meio de ação judicial”.
O superintende da SOP é Quintino Vieira, aliado próximo de Izolda e que já foi próximo do presidenciável Ciro Gomes (PDT) no estado. Ele, porém, não é citado na ação.
Na nota enviada pela gestão de Izolda, o governo diz ainda que a operação policial “causa estranheza”, inclusive pela presença dos agentes da PF, e afirma que as denúncias do suposto esquema de favorecimento não passam de “acusações infundadas de campanhas eleitorais”.
PDT e PT eram aliados no estado por quase duas décadas, mas romperam neste ano, após os pedetistas escolherem o ex-prefeito de Fortaleza Roberto Cláudio (PDT), aliado próximo de Ciro Gomes, como candidato ao governo. Os petistas apoiavam o nome de Izolda, que se desfiliou do PDT depois da definição do postulante ao Palácio da Abolição, sede administrativa do Executivo estadual.
Leia a nota do governo do Ceará na íntegra:
“O Governo do Estado do Ceará informa que todos os seus convênios e contratos são realizados dentro da mais absoluta legalidade, de forma que não se absteve em prontamente prestar esclarecimentos e acesso aos documentos solicitados à Superintendência de Obras Públicas (SOP) por meio de ação judicial. Aliás, os mesmos documentos já haviam sido solicitados e enviados à Justiça pela SOP no prazo estipulado, causando estranheza nova solicitação, e mediante presença policial. O Governo do Estado rechaça as acusações infundadas de campanhas eleitorais e segue cumprindo todas as suas competências para promover o desenvolvimento dos 184 municípios cearenses”. O GLOBO.
Datafolha: Apenas 6% rejeitam tanto Lula quanto Bolsonaro
A rejeição múltipla aos dois principais candidatos à Presidência atinge 6% dos eleitores, de acordo com pesquisa divulgada na última sexta-feira (9) pelo Datafolha.
Apesar de terem índices de rejeição relativamente altos, o presidente Jair Bolsonaro (PL), com 51%, e o ex-presidente Lula (PT), com 39%, compartilham poucos eleitores resistentes aos nomes de ambos.
A taxa inclui os entrevistados que escolheram os dois candidatos dentre aqueles em quem não votariam de jeito nenhum (5%), bem como aqueles que declararam rejeitar todos os presidenciáveis (1%).
O índice explica o fracasso, até agora, da estratégia da chamada "terceira via", que busca eleitores contrários à polarização.
Lula e Bolsonaro também são as principais opções de quem não escolhe a dupla como primeira alternativa de voto. Ambos têm taxa de 25% nesse grupo, contra 12% de Ciro Gomes (PDT) —a margem de erro nessa fatia é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.
Entre os que não querem o atual ou o ex-presidente, Bolsonaro tem a maior rejeição: 57%, contra 45% de Lula. Esse grupo também opta mais pelo petista (38%) do que pelo atual mandatário (24%) num eventual segundo turno. A taxa dos que pretendem anular o voto, porém, é alta: 32%. Outros 6% dizem não saber.
No quadro geral da disputa, a mais recente pesquisa do Datafolha mostrou um cenário estável, com Lula liderando a corrida de primeiro turno com 45%, ante 34% de Bolsonaro.
O presidente, contudo, oscilou positivamente dois pontos, dentro da margem de erro, e nominalmente esta é a menor distância entre eles desde maio de 2021.
Realizado na quinta (8) e nesta sexta (9) da semana passada, o levantamento assim pôde medir o impacto imediato das grandes manifestações comandadas pelo presidente por ocasião do 7 de Setembro, na quarta.
Bolsonaro participou de comícios paralelos a eventos oficiais para o mesmo público em Brasília e no Rio, e em São Paulo houve concentração na avenida Paulista.
Durante e após os atos, em que o presidente evitou criticar o sistema eleitoral e estimulou o golpismo explícito para os apoiadores, seus aliados montaram uma grande rede de distribuição de mensagens dando a ideia de que haveria uma "virada" em curso.

