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Em quem votar - Datafolha, Ipec ou Quaest?..

Colunista do UOL

21/09/2022 09h27

 

Na nova rodada da pesquisa Quaest, divulgada na madrugada desta quarta-feira, Lula (44%) aparece dez pontos percentuais à frente de Bolsonaro (34%). Há dois dias, o Ipec divulgou sondagem na qual a vantagem de Lula era de 16 pontos. Há seis dias, o Datafolha informara que Bolsonaro estava 12 pontos atrás do seu rival, a meio caminho entre o Ipec e a Quaest, institutos que estão separados por uma distância que ultrapassa a margem de erro de dois pontos.

 

Numa campanha marcada pelo excesso de ameaças, pela escassez de ideias e pela polarização entre dois candidatos ultramanjados, a profusão de pesquisas tornou-se o autêntico fato novo da temporada de 2022. Datafolha, Ipec e Quaest realizam pesquisas presenciais. Questionam os eleitores cara a cara. Adotam metodologias diferentes. Mas asseguram que suas pesquisas retratam a realidade do momento com um grau de confiança superior a 95%.

 

Alguém pode argumentar que há diferenças metodológicas entre as pesquisas. É verdade. Uma da distinções é o percentual de eleitores de baixa renda que cada instituto inclui na sua amostragem: 57% no Ipec, 50% no Datafolha e 38% na Quaest. Isso pode ser uma boa explicação. Mas não é solução para quem está atrás de boa informação..

 

São três as serventias das pesquisas no momento: 1) Orientar os candidatos. Mesmo os que dizem não acreditar nelas ajustam suas estratégias; 2) Orientar os financiadores das campanhas. Alguns já fogem da caixa registradora do comitê da reeleição; 3) Desorientar o eleitor. Quem deseja evitar o segundo turno opera no lusco-fusco sombreado da dúvida..

 

No momento, o eleitor que percorre o noticiário em busca de orientação sobre a corrida presidencial pergunta aos seus botões, que não respondem porque também estão confusos: Em quem votar no dia 2 de outubro -Datafolha, Ipec ou Quaest? A escolha entre um instituto ou outro pode significar a troca do candidato dos sonhos pelo voto útil. No limite, pode definir se haverá ou não um segundo round sangrento.

LULA TEME ABSTENÇÕES NA PERIFERIA

Vera Rosa

  / O ESTADÃO

 

Há grande apreensão no comitê do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a possibilidade de a eleição não terminar em 2 de outubro. Embora pesquisas indiquem que Lula venceria Jair Bolsonaro em eventual segundo turno, a cúpula da campanha teme o uso da caneta BIC por parte do presidente, para conquistar votos dos pobres. Existe, ainda, o receio de acirramento da violência, de novas ameaças ao processo eleitoral e de algum passo em falso do próprio Lula.

 

Outro fator de preocupação está relacionado a possíveis ausências no dia da votação, principalmente nas periferias das grandes cidades, onde Lula tem melhor desempenho. O índice de abstenção, que tem aumentado, pode ser determinante para levar a disputa ao segundo turno.

 

A campanha petista faz agora um movimento, com a participação de artistas, para incentivar o comparecimento às urnas, em nome da democracia. Apela também para o “voto útil”, em mais uma tentativa de atrair eleitores de Ciro Gomes (PDT) e de Simone Tebet (MDB).

 

Ciro xingou o PT de “covarde” e age para estancar a debandada. Emissários de Simone, por sua vez, enviaram recados a Lula para não ir com tanta sede ao pote, se não quiser prejudicar uma aliança com o MDB mais adiante.

 

”Se houver segundo turno, corremos o risco de ver aviões lotados para Paris nessa primavera”, ironizou o ex-senador Cristovam Buarque, dando uma alfinetada em Ciro, que viajou para a capital francesa no segundo turno de 2018. Demitido por Lula pelo telefone, quando era ministro da Educação, Cristovam hoje é filiado ao Cidadania – partido que está com Simone –, mas declarou voto em Lula, apesar das divergências. O apoio mais celebrado pelo mercado, porém, foi o do ex-titular da Fazenda Henrique Meirelles, o homem do teto de gastos rejeitado pelo PT.

 

Ao mesmo tempo que Lula faz de tudo para encerrar o confronto daqui a 11 dias, Bolsonaro aciona mundos e fundos para esticar o duelo até 30 de outubro. Até na tribuna da ONU, nesta terça-feira, 20, o presidente associou seu maior rival à corrupção e apresentou ali um Brasil que só existe na sua propaganda. Após a desastrada passagem por Londres para o funeral da rainha Elizabeth II, Bolsonaro tentou vestir o figurino de estadista em Nova York, mas não conseguiu.

 

O “Bolsolove” que admitiu pendurar as chuteiras se perder a eleição não durou uma semana. Criado por marqueteiros, o personagem deu lugar ao presidente real, que insinua fraude se não ganhar no primeiro turno.

 

Mesmo assim, diante de líderes mundiais na ONU, Bolsonaro afirmou que o Brasil tem a “tranquilidade” de quem está no bom caminho e disse ter extirpado a corrupção. De que país ele estava falando?

Ciro vincula PT a fascismo, ataca voto útil e rechaça debate só entre ‘coisa ruim’ e ‘coisa pior’

O candidato à Presidência pelo PDT, Ciro Gomes, teve de responder antes mesmo de iniciar sua participação na sabatina promovida pelo Estadão, em parceria com a Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP), nesta quarta, 21, sobre a estratégia de aliados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de pregar o voto útil contra o presidente Jair Bolsonaro (PL) nesta reta final da campanha. Ciro foi irônico ao afirmar que é a favor do voto útil, mas o “voto útil contra a corrupção” e afirmou depois que hoje existe um fascismo de esquerda no Brasil.

Em pouco mais de uma hora e meia, o candidato ainda rechaçou permitir que o debate fique concentrado entre o que chamou de “coisa ruim” e “coisa pior”, afirmou que o dinheiro roubado por Lula financia o gabinete de ódio de Bolsonaro e reafirmou suas principais propostas, como a criação de 5 milhões de empregos em dois anos, a taxação de lucros e dividendos e a revogação do teto de gastos. Confira os principais trechos:

Voto útil

“O que está fazendo o fascismo de direita e de esquerda no Brasil? Porque, sim, há um fascismo de esquerda no Brasil liderado pelo PT. Eles estão querendo simplificar de uma forma absolutamente dramática o debate e querem simplesmente aniquilar alternativas. Isso é uma tragédia para o Brasil”, afirmou.

O candidato citou que as próprias pesquisas de intenção de voto, que colocam Lula na primeira posição e com chances de vitória em primeiro turno, mostram que um em cada três eleitores dizem votar no ex-presidente por uma razão pragmática.

“É o cara que vai tirar o Bolsonaro e sua falta de educação, sua grosseria, seu banditismo. A razão não é o Lula, nem a proposta do Lula nem o dia seguinte. É o voto Caetano Veloso, boas pessoas, mas que todos estão com a vida ganha. Quem está preocupado com o dia seguinte é quem não tem plano de saúde, é quem não tem como pagar mensalidade escolar, é quem está submetido ao terrorismo das facções criminosas nas periferias.”

“Nunca fiz nenhum elogio a Bolsonaro. Eu fui às ruas pelo impeachment. Eu assinei três pedidos de impeachment contra Bolsonaro. Eu fui à corte de Haia representar contra o caráter genocida do Bolsonaro. Sabe quem deu o voto decisivo para manter o orçamento secreto? O PT. O Lula salvou o Bolsonaro e só se explica a sobrevida do Bolsonaro porque o Lula o salvou. O Lula mandou a tropa de choque dele me agredir fisicamente aqui na Avenida Paulista (em um ato pelo impeachment).”

Pesquisas

Já no segundo bloco da sabatina, Ciro comentou sua atual posição nas pesquisas de intenção de voto, em patamares inferiores ao que ele próprio registrava no mesmo período de 2018, quando também foi candidato ao Planalto. Na época, ele registrava cerca de 11 pontos porcentuais. Hoje, tem entre 6 a 8%. Pare ele, as pesquisas estão contaminadas porque são pagas por bancos.

“Quase todas as pesquisas são pagas por bancos há dois anos. E os bancos têm a mesma intenção: confinar o ambiente político a mais do mesmo. A substância, que é o sistema tributário, segue o modelo de juros altos, câmbio alto, desindustrialização, desemprego recorde no País. Pesquisa pressupõe homogeneidade do universo. O que você faz quando vê uma sopa? Você mexe na sopa, você homogeneíza o universo. Na política não é assim, o universo não está homogêneo”, disse.

Ainda sobre as pesquisas, o candidato criticou a possibilidade que existe hoje de o eleitor não votar e justificar sua ausência de forma facilitada pelo TSE, por meio de um aplicativo. “No Brasil, o voto era obrigatório. Agora, o TSE introduziu um aplicativo, que não precisa mais ir lá votar. As pesquisas têm que ser lidas com essa dinâmica”, afirmou. “O político não surfa no retrato, ele valoriza o filme. Pesquisa é retrato. Amanhã vai ter um debate e o Lula não vai. Qual o preço que ele vai pagar por isso? Nenhum, ou um preço amargo. Qual o efeito disso? O sistema quer confinar o debate entre o coisa ruim e o coisa pior de modo que o inferno acaba ganhando.”

Leia mais:Ciro vincula PT a fascismo, ataca voto útil e rechaça debate só entre ‘coisa ruim’ e ‘coisa pior’

Pesquisa Genial/Quaest: Lula tem 44% das intenções de voto; Bolsonaro, 34%

Por Levy Teles / O ESTADÃO

 

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera a disputa ao Palácio do Planalto com 44% das intenções de voto ante 34% do seu principal adversário, o presidente Jair Bolsonaro (PL), aponta a nova pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 21.

 

O ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) aparece com 6% e a senadora Simone Tebet (MDB) tem 5% — mesmo número entre os que dizem não saber responder e quem não irá votar no dia 2 de outubro.

 

O cenário indica estabilidade. Tanto Lula como Bolsonaro oscilam dentro da margem de erro nas últimas quatro pesquisas realizadas pelo instituto. O petista oscilou positivamente dois pontos porcentuais em comparação ao levantamento anterior, do dia 14 de setembro, enquanto o chefe do Executivo manteve os mesmos 34%.

Leia mais:Pesquisa Genial/Quaest: Lula tem 44% das intenções de voto; Bolsonaro, 34%

Ciro fala em 'esquerda caviar do Rio' que 'presta desserviço mortal'

Por Lucas Mathias — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

O candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, afirmou na noite desta segunda-feira que o combate ao narcotráfico no Rio de Janeiro é prejudicado pelo “burguês lá da Zona Sul” que fica “cheirando cocaína desbragadamente”. A declaração foi dada durante o “Programa do Ratinho”, no SBT, quando o pedetista explicava como pensa um policial que vive em regiões violentas, no Rio de Janeiro.

 

Para Ciro, conforme explicou, sua proposta para o tema é “federalizar o combate ao crime organizado”. Na sua avaliação, o convívio de agentes de polícia e criminosos, na periferia onde moram, causa um “pacto de não agressão” e, por isso, é preciso enfrentar o problema de fora.

— Quero assumir pra mim, na Presidência da República, que vou federalizar o combate ao crime organizado. Não é porque quero ser o valentão, não, isso é um negócio difícil. É porque aprendi, com a minha experiência, que a polícia local não tem capacidade de resolver isso por uma circunstância: porque o policial é trabalhador — diz Ciro.

 

Ao completar seu raciocínio, o pedetista disse que, sob o medo de ver sua família em risco no local onde vive, os agentes comparam sua realidade à “esquerda caviar do Rio de Janeiro que presta um desserviço mortal ao Rio e para o Brasil”. Esse grupo, de acordo com Ciro, fala em “combater o fascismo cheirando cocaína desbragadamente”, e que “nunca houve uma batida policial” em seus apartamentos.

— Por ser trabalhador, ele (o policial) e a família dele moram na periferia. Ele sai para trabalhar e a família fica ali. Ou ele tem o pacto de não agressão com a facção criminosa, ou o terror vai tomar conta. E ele (o policial) vai relativizando. Ele acha: “Olha, eu vou combater aqui o narcotráfico quando sei que o burguês lá da Zona Sul do Rio, falando de combater o fascismo, está cheirando cocaína desbragadamente, e nunca houve uma batida policial nos apartamentos da esquerda caviar do Rio de Janeiro que presta um desserviço mortal ao Rio e para o Brasil” — completou.

 

O discurso foi alvo de críticas nas redes sociais ainda na noite de ontem e na manhã desta terça-feira. Em terceiro colocado nas pesquisas de intenção de voto, Ciro Gomes tem tentado ampliar seu eleitorado, inclusive com acenos a eleitores de Jair Bolsonaro (PL). Por outro lado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), primeiro colocado, tem tentado convencer ciristas a votarem no PT como “voto útil”, em busca de vencer Bolsonaro ainda no primeiro turno.

'O PT, se você deixar, bate sua carteira'

Também durante a entrevista ao Programa do Ratinho, Ciro disse que o Partido dos Trabalhadores (PT) se tornou uma "organização criminosa", que "roubou o termo da esquerda" no Brasil. O pedetista também voltou a fazer críticas ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que, segundo ele, tem feito mal "muito extenso" ao país. A declaração foi dada depois que Ciro foi questionado, na entrevista, se pertencia à esquerda ou à direita.

— O meu projeto é de centro-esquerda. Porque o centro é o seguinte: apoiar quem produz e quem trabalha. Eu já me cansei muito de conversa mole. No Brasil, até esse termo, de esquerda, foi roubado pelo PT. Aliás, o PT, se você deixar, bate sua carteira, virou uma organização criminosa. Tem umas exceções? Tem. Mas, infelizmente, é duro de eu dizer isso, e é por isso que me afastei. Para nunca mais chegar perto dessa gente, porque o mal que o Lula tem feito ao Brasil é muito extenso — afirmou Ciro.

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