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Candidatos no 2° turno podem retomar campanha na rua às 17h de hoje

As candidatas e os candidatos que passaram para o segundo turno das eleições gerais, em 30 de outubro, poderão retomar diversos atos de campanha em espaços públicos a partir das 17h de hoje (3), quando se completam 24 horas do fechamento das urnas no primeiro turno.

Está autorizado já nesta segunda-feira (3), por exemplo, o uso de alto-falantes e amplificadores de som, bem como realizar comícios, fazer caminhadas, carreatas ou passeatas, publicar anúncios em jornais (impresso ou internet) e distribuir material gráfico.

A regra consta na resolução do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que trata da propaganda eleitoral e vale para todos os 24 candidatos a governador,de 12 estados (lista abaixo) que disputarão segundo turno.

Os dois candidatos que seguem na corrida presidencial - o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição - também já podem retomar os atos de campanha.

Em Pernambuco, os eleitores elegerão pela primeira vez na história uma mulher como governadora - Marília Arraes (Solidariedade) ou Raquel Lyra (PSDB). Em 2019, Luciana Santos se tornou a primeira mulher a governar o estado, mas fora eleita como vice.

Confira abaixo a lista de candidatos aos governos estaduais que disputam o segundo turno.

Alagoas - Paulo Dantas (MDB) x Rodrigo Cunha (União)
Amazonas - Wilson Lima (União) x Eduardo Braga (MDB)
Bahia - Jerônimo Rodrigues (PT) x ACM Neto (União)
Espírito Santo - Renato Casagrande (PSB) x Marato (PL)
Mato Grosso do Sul - Capitão Contar (PRTB) x Eduardo Riedel (PSDB)
Paraíba - João Azevêdo (PSB) x Pedro Cunha Lima (PSDB)
Pernambuco - Marília Arraes (Solidariedade) x Raquel Lyra (PSDB)
Rio Grande do Sul - Onyx Lorenzoni (PL) x Eduardo Leite (PSDB)
Rondônia - Coronel Marcos Rocha (União) x Marcos Rogerio (PL)
Santa Catarina - Jorginho Mello (PL) x Décio Lima (PT)
Sergipe - Rogério Carvalho (PT) x Fábio (PSD)
São Paulo - Tarcísio de Freitas (Republicanos) x Fernando Haddad (PT)

Edição: Denise Griesinger / AGÊNCIA BRASIL

Bolsonaro tem mais palanque no Sudeste, mas empenho de Zema é dúvida

Por Míriam Leitao / O GLOBO

 

Os votos do Sudeste vão voltar a ser o foco total da disputa no segundo turno. Lula mira sua atenção para São Paulo, estado em que perdeu para o atual presidente. Já Bolsonaro apostará em Minas, em que o petista ganhou, mas por um percentual pequeno dos votos. Bolsonaro ganhou no Rio (51,09% x 40,68%) também contrariando as pesquisas, que indicavam empate técnico. O governador Cláudio Castro não fez uma campanha ligada a Bolsonaro, apesar de a vitória ser do bolsonarismo  O êxito de Castro no primeiro turno também é uma vitória dele mesmo, porque era um desconhecido da política. Era vice de Wilson Witzel, que também era desconhecido. Depois de dois anos no governo, teve que se apresentar ao eleitor no início da campanha e fez um enorme trabalho nos municípios, tanto que ganhou em 91 municípios. 

 

É mais um palanque para Bolsonaro no segundo turno, que agora tenta o apoio de Zema, governador reeleito de Minas. De direita, ele tende a apoiar ao atual presidente, com um discurso mais administrativo do que ideológico. Com isso, atrai uma parte do voto do Bolsonaro e não assusta o centro. Durante o governo, ele nunca se aliou totalmente a Bolsonaro e na campanha também, não. Pode dar palanque a Bolsonaro, mas, como já ganhou, nem precisa voltar a fazer campanha.

Congresso Nacional estará à direita e mais radicalizado com bolsonaristas

Por Daniel Weterman e Lauriberto Pompeu / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA – A eleição deste domingo,2, transformou o Congresso Nacional no mais conservador da história do período democrático do País, considerando o resultado obtido nos principais colégios eleitorais. Os partidos de direita, com predomínio das legendas do Centrão, conquistaram a maioria das cadeiras da Câmara e do Senado em disputa.

O PL, partido do presidente Jair Bolsonaro, elegeu as maiores bancadas para a Câmara em São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O levantamento leva em conta o resultado parcial de mais de 90% das urnas apuradas. Os números finais ainda podem mudar com a totalização final do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Em São Paulo, o PL de Bolsonaro ficou com 17 cadeiras na Câmara, enquanto a federação PT-PCdoB-PV, que apoia o petista Luiz Inácio Lula da Silva, conquistou 11 vagas. No total, São Paulo tem 70 deputados federais. Guilherme Boulos (PSOL) foi o campeão do Estado, com 1.001.453 votos. Ficou na frente do deputado Eduardo Bolsonaro (PL), filho do presidente, que chegou em terceiro lugar, com 731.574 votos. Também reeleita, a deputada Carla Zambelli (PL) ocupou a segunda posição, com 935.290 votos.

O ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles também conquistou uma vaga na Câmara, sendo o quarto mais votado entre os paulistas, com 638.427 votos. Rosângela Moro (União Brasil), mulher de Sérgio Moro, foi eleita com 217 mil votos. O ex-ministro da Justiça, por sua vez, terá uma cadeira no Senado.

Candidatos de direita que romperam com Bolsonaro tiveram dificuldades – o próprio Moro se reaproximou do presidente na campanha. Joice Hasselmann (PSDB-SP), mulher mais votada em 2018 para deputada federal, teve apenas 13.413 votos e perdeu o cargo.

O PL de Bolsonaro se tornou o principal partido do Centrão e campeão de cadeiras na eleição para deputado federal no Rio, com 11 das 46 vagas em disputa. O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello (PL) foi o segundo deputado federal mais bem votado no Rio, com 205 mil votos. Talíria Petrone (PSOL), por sua vez, foi a melhor colocada na esquerda.

Em Minas, o vereador Nikolas Ferreira (PL) teve 1.396.211 de votos e caminha para ser o deputado federal mais votado do País, com 93,54% das urnas apuradas no Estado.

Na prática, a vitória de políticos do Republicanos, do PP e do União Brasil fortalece a bancada da direita no Congresso. O PP do presidente da Câmara, Arthur Lira (AL), e o União Brasil, presidido pelo deputado Luciano Bivar (PE), negociam a formação de um único partido.

A configuração que sai das urnas aumenta a chance de o grupo ficar com os cargos mais estratégicos da Câmara a partir de 2023, incluindo a presidência da Casa, ampliando o domínio sobre a elaboração do Orçamento e a votação dos projetos de lei. Lira é candidato a novo mandato à frente da Câmara. Em Alagoas, com 74,74% das seções finalizadas, ele era o candidato mais votado.

A eleição para o Senado também foi marcada pela vitória de aliados de Bolsonaro e políticos que colaram seus nomes à figura do presidente. Os partidos de direita emplacaram 19 nomes.

Além de Moro, Damares Alves (Republicanos-DF), Marcos Pontes (PL), Tereza Cristina (PP) e Rogério Marinho (PL-RN) foram eleitos senadores. O vice-presidente Hamilton Mourão (Republicanos-RS) também conquistou uma vaga no Senado e Magno Malta (PL-ES) retornará à Casa.

O maior vencedor do primeiro turno

Por Carlos Andreazza / O GLOBO

 

Foi reeleita a engenharia de rapto do Orçamento da União por meio do orçamento secreto. Foi reeleito o orçamento secreto – o maior vencedor do primeiro turno, instrumento do qual outras vitórias são tributárias. Não terá sido somente Bolsonaro o grande eleitor.

Reeleito o orçamento secreto, reelegeu-se o pior Parlamento da história. O pior e o mais rico, donde o mais independente.

De contrato assinado com a tinta do orçamento secreto, a sociedade de Bolsonaro com o consórcio parlamentar Lira/Nogueira triunfou. O presidente da Câmara encaminhou bem a sua reeleição ao comando da Casa.

Senado incluído, o Brasil terá um Parlamento eleito pelo tripé bolsonarismo, antilulopetismo e orçamento secreto. Será um Congresso de caráter sectário, com natureza fundamentalista, e de motor autoritário na distribuição orçamentária. Essa é, aliás, a conjunção que impulsiona a competitividade de Bolsonaro.

Reeleito o pior Parlamento da história; reeleito sobretudo pelo esquema do orçamento secreto; reeleita a estrutura que dá nova altitude a Bolsonaro.

Como é que o Supremo cassa agora o orçamento secreto? Omitiu-se com a plantação de que enfrentaria o tema – constitucional por excelência – depois das eleições. A matéria nunca admitiu cálculo político. Aí está. Agora, como é que o STF enfrenta o vencedor das eleições?

O vencedor das eleições, orçamento secreto, compôs um Congresso de governabilidade sem precedentes para Bolsonaro; Parlamento potencialmente hostil a um governo Lula. Não será barato reverter esse perfil. O cenário e a história autorizam supor Lula se comprometendo com o orçamento secreto. Como é que, uma vez eleito, ante esse Congresso, sustentaria a promessa de acabar com o bicho? Não lhe seria mais fácil, presidente do governo sob o qual houve o mensalão, viabilizar a relação abraçando o troço?

O mundo real se impõe.

O pior Parlamento da história se reelegeu. A votação legislativa foi dura sobre a presença da pandemia nas urnas. Quase nenhuma. A formação do Congresso consagrou o desejo de esquecimento da peste. Votou-se por ignorar perversidades; para informar que a página já fora virada. Rejeição mesmo à memória da pandemia. É o efeito São Clemente, simbolizado pela derrota eleitoral do ex-ministro da Saúde Mandetta.

O efeito São Clemente: a escola de samba que, em abril de 2022, sob ambiente festivo em que as pessoas se consideravam livres do vírus e celebravam essa superação, pretendeu homenagear Paulo Gustavo, morto pela peste, mas que acabou rebaixada por entregar à passarela uma lembrança de dor.

Foi eleito Pazuello.

O eleitor não votou – não decisivamente – condicionado pela barbárie expressa em quase 700 mil mortos. A pandemia apareceu na forma de seus impactos sobre a economia. Bolsonaro, tardiamente, parece ter entendido. Disse que percebe um desejo de mudança, mas que esse ímpeto pode produzir resposta ainda pior. Contra a associação à tragédia econômica, acirrará o investimento no sentimento antilulopetista.

Lula passou o primeiro turno inteiro sem entender que não venceria apenas com discurso de defesa da democracia contra o cramulhão. A campanha toda sem apresentar programa econômico, fiado no “farei porque fiz no passado” – como se o que fez há vinte anos, na hipótese de bom, não tivesse produzido também o período Dilma.

Se havia alguma chance de Lula vencer em primeiro turno, e havia, estava em falar aos exaustos de Bolsonaro que nunca lhe votaram; e que mesmo não gostam do ex-presidente. Precisará cuidar disso doravante. Será mais difícil. O pior parlamento da história se reelegeu, tem bilhão para empenhar, é bolsonarista e está solto. Chancelado pelas urnas e capitalizado pelo orçamento secreto, virá ainda mais agressivo, senhor do cofre. E seus expoentes no Nordeste, lá onde as emendas têm especial efeito, ficaram livres para usar a força econômica a favor de Bolsonaro.

O presidente precisará dessa ajuda; de que seus liras radicalizem os costumes que fundamentam a sociedade. A porteira arrombada pela PEC Kamikaze dá passagem. A ladeira é íngreme, mas escalável. Bolsonaro vai passar nova boiada de bondades.

Bolsonaro pode ampliar a vantagem no Centro-Sul, e terá a máquina ora liberada dos reeleitos Zema e Castro. Pode crescer em São Paulo. Tal esforço será insuficiente se não tirar algo da frente que Lula abriu no Nordeste. Não convém subestimar as chances de fazê-lo. Veja-se o que indica a eleição de Rogério Marinho – ex-ministro da pasta-eixo do orçamento secreto – ao Senado pelo Rio Grande do Norte. Ganhou com tranquilidade num estado em que Lula venceu firmemente.

 

Fato: os parlamentares bolsonaristas eleitos no Nordeste não precisam mais temer a força do ex-presidente contra seus planos eleitorais. Poderão prometer, orçamento secreto em mãos, por Bolsonaro. O jogo está aberto.

Há chance concreta de Bolsonaro se reeleger

Por Thomas Traumann / O GLOBO

 

Os perto de 6 milhões de votos de vantagem do ex-presidente Lula sobre o presidente Jair Bolsonaro na votação deste domingo apontam para um segundo turno renhido. Nunca houve viradas nas seis disputas presidenciais que foram para o segundo turno, mas a distância menor que as projeções das empresas de pesquisa impede uma afirmação categórica.

 

Das 108 ocasiões desde 1998 em que as disputas para governador foram para tira-teimas, o candidato que chegou na frente foi o vencedor em 77. Das 31 viradas, 17 ocorreram quando os dois candidatos terminaram a menos de cinco pontos percentuais dos votos um do outro. Somente em cinco casos ocorreram viradas com uma diferença acima de dez pontos percentuais.

 

O timing é de Bolsonaro, que venceu em 13 estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e toda a região Sul e Centro-Oeste, contrariando não apenas as empresas de pesquisa, mas até seus próprios líderes no Congresso que quase o abandonaram no meio da disputa. A possibilidade de reeleição de Bolsonaro, tratada com desdém desde a desastrosa gestão na pandemia de Covid-19, tornou-se real.

 

Bolsonaro chegou aos 50 milhões de votos sem firmar um compromisso de campanha para além de um genérico “mais do mesmo” sobre o quem vem fazendo no governo. Considerado há meses um caso perdido pelos agentes econômicos, ele não recebeu nenhuma cobrança sobre seus planos, se é que eles existiam. Assim como em 2018, a campanha de Bolsonaro foi um misto de antipetismo e voluntarismo messiânico. Deu mais certo do que os próprios bolsonaristas esperavam.

 

Dada a polarização entre os dois lados, é natural esperar que as próximas semanas sejam tensas. Depois do debate na TV Globo na semana passada, é impossível imaginar que um encontro público entre Bolsonaro e Lula seja civilizado.

 

O segundo turno serve para impor realismo à campanha do PT. Estrategicamente, o campo lulista hesitou em apresentar detalhes de seu programa econômico, uma forma de ter espaço para futuras negociações. Para todas as perguntas delicadas, Lula tinha como resposta pronta a frase de que seus governos anteriores eram garantia suficiente sobre suas intenções.

 

Lula supôs que, ao trazer o ex-adversário Geraldo Alckmin como candidato a vice, daria um sinal suficiente para atrair o voto moderado, especialmente no Estado de São Paulo, onde o PT só venceu as eleições de 2002. Não foi o suficiente.

 

O PT também sofrerá com um Congresso eleito nitidamente bolsonarista, que trabalhará contra a eleição de Lula sem ter a pressão de buscar votos para si mesmo. Mesmo que vença em 30 de outubro, Lula terá uma Câmara dos Deputados muito menos ansiosa por negociar com ele do que quando foi eleito em 2002 e 2006.

 

A dinâmica do segundo turno, portanto, será de um Bolsonaro ainda mais agressivo e de um Lula pressionado a buscar votos no centro e na centro-direita para vencer. É um cenário com que o PT não trabalhava. Detalhes do programa econômico que o comando lulista imaginava poder adiar para novembro ou dezembro terão de ser debatidos e revelados em poucas semanas.

 

Não haverá lua de mel. Lula inicia a campanha do segundo turno sob a pressão de precisar ceder mais do que gostaria e antes do que imaginava.

Thomas Traumann é jornalista e pesquisador da FGV/DAPP

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