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PTB, Novo, Solidariedade e mais 12 não atingem cláusula de barreira e ficarão sem verba e espaço de TV

BRASÍLIA

Seis partidos pequenos e outros nove nanicos não conseguiram superar, nessas eleições, a cláusula de barreira, o que levará ao corte, para todos eles, de verbas públicas e de propaganda na TV a partir do ano que vem.

Entre os pequenos partidos com baixíssimo desempenho nas urnas estão cinco de direita e centro-direita, Novo, PTB, Pros, PSC e Patriota, além do Solidariedade, de centro-esquerda.

Eles se juntam agora ao pelotão de outros nove nanicos que ou já não tinham superado a cláusula —também chamada de cláusula de desempenho— quatro anos atrás ou não existiam ainda: Agir, DC, PCB, PCO, PMB, PMN, PRTB, PSTU e UP.

A regra foi estipulada pela emenda constitucional 97, de 2017, e tem o objetivo de reduzir a grande pulverização partidária existente no país: há hoje 32 legendas em funcionamento.

 

Em suma, ela corta a verba pública, estrutura legislativa e espaço na propaganda de rádio e TV dos partidos que não tiverem um desempenho mínimo nas eleições.

Para 2022, esse piso era, em linhas gerais, a obtenção de ao menos 2% dos votos válidos nacionais para a Câmara dos Deputados ou a eleição de ao menos 11 deputados federais. Esse piso é elevado eleição a eleição.

Ao não conseguirem superar a cláusula, as siglas devem procurar alternativas para garantir a sua sobrevivência, como a fusão com outros partidos ou a incorporação a outras agremiações.

Esse é o caso de Patriota, que confirmou a Folha já ter discussões em andamento nesse sentido.

Em 2018, o partido também não atingiu a cláusula, mas conseguiu escapar da degola incorporando o nanico PRP.

Naquele ano, 14 siglas não ultrapassaram a barreira, que era de nove deputados federais eleitos em pelo menos nove estados ou 1,5% dos votos válidos em todo o país, com um mínimo de 1% em nove unidades da federação.

Além do Patriota, o Podemos e o PC do B incorporaram nanicos na ocasião para manter as verbas e o acesso à propaganda.

O deputado federal Fred Costa, um dos quatro parlamentares do Patriota, disse que na quinta-feira (6) o partido deve se reunir para decidir seu rumo, que "com certeza deve ser fusão ou incorporação, até porque temos experiência disso".

"Já estamos conversando a todo vapor e queremos fazer isso antes mesmo de iniciar a nova legislatura", acrescentou. Os novos deputados eleitos devem tomar posse em fevereiro do ano que vem.

O PTB é um dos mais tradicionais partidos da centro-direita, e tem na figura do ex-deputado Roberto Jefferson seu principal líder atualmente. Jefferson tentou concorrer à Presidência, mas a Justiça Eleitoral não permitiu devido à sua condenação no caso do mensalão. O partido conseguiu eleger apenas um deputado federal.

Procurado, o PTB não se manifestou até a publicação desta reportagem.

O Novo é um partido recente, tendo sido criado em 2015 e conseguido superar a cláusula três anos depois, em 2018. Formado e financiado em grande parte por empresários, o partido recusa o uso de verba pública.

A bancada do Novo na Câmara encolheu dos atuais 8 deputados para 3 a partir do ano que vem. Adriana Ventura (Novo-SP), Gilson Marques (Novo-SC) e Marcel van Hatten (Novo-RS) foram os representantes da legenda que tiveram êxito e foram reeleitos. Nas Assembleias, foram 5 eleitos contra 12 em 2018.

"Sabíamos que seria uma eleição difícil por causa da polarização, optamos por tentar construir uma alternativa e isso teve um preço, nosso resultado foi abaixo do esperado, como o de todos os partidos que não polarizaram", disse Eduardo Ribeiro, presidente do partido.

"O maior impacto da cláusula de barreira é o fim do acesso ao Fundo Partidário e Eleitoral, que sustenta os partidos. Como o Novo não usa nenhum dos dois e tem a sua própria forma de financiamento, via mensalidade de filiados, o funcionamento do partido continua o mesmo."

O Pros, que integra a coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que a turbulência que levou a uma disputa interna de poder na sigla às vésperas da eleição promoveu um esvaziamento da legenda. "Com isso, já era esperado o fraco desempenho eleitoral. Agora, a missão será eleger Lula para presidente e se alinhar com alguma legenda que esteja no campo democrático para dar sobrevida ao projeto."

Solidariedade e PSC não se manifestaram.

As eleições deste ano ofereceram aos partidos a oportunidade de se unir em federações como um caminho para conseguirem superar a cláusula de barreira. Três foram formadas: PT se uniu ao PV e ao PC do B, o PSDB se juntou ao Cidadania e a Rede, ao PSOL.

Isso permitiu que Cidadania, PC do B, PV e Rede mantivessem o acesso aos fundos eleitorais e partidários, o que não ocorreria se tivessem ido à disputa de forma isolada. PSOL, PT e PSDB escapariam da cláusula de barreira mesmo sem a federação.

O Avante quase não conseguiu ultrapassar o piso mínimo. O partido elegeu somente sete deputados federais neste ano e, por isso, precisou recorrer ao segundo critério definido na Constituição.

A sigla teve 2,05% dos votos válidos para deputado federal em todo o país, apenas 0,5 ponto percentual acima do piso. Além disso, teve mais de 1% dos votos nos estados em exatamente nove unidades da federação.

O resultado se deu em grande parte devido ao desempenho do deputado federal André Janones (MG), que se reelegeu para a Câmara dos Deputados com quase 240 mil votos.

Para 2026, a cláusula de barreira subirá para 2,5% dos votos válidos em todo o país, com um mínimo de 1,5% em pelo menos nove estados ou 13 deputados distribuídos por nove unidades da federação.

Bolsonaro fala em 'novo relacionamento' com Sergio Moro após receber apoio do ex-juiz

Após receber o apoio do senador eleito Sérgio Moro (União-PR) no segundo turno da eleição para o Palácio do Planalto, o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira, 4, que o ex-juiz “mostrou o que é corrupção no Brasil” e que terá, a partir de agora, um “novo relacionamento” com seu ex-ministro da Justiça, que o acusou de interferir na Polícia Federal (PF) ao deixar o cargo em 2020.

 

“Apaga-se o passado, qualquer divergência que porventura tenha ocorrido. Sérgio Moro foi uma pessoa que, realmente, mostrou o que era corrupção no Brasil, levando dezenas de pessoas a condenações, e deu uma nova dinâmica, muita esperança ao Brasil naquele momento”, declarou Bolsonaro. “Então, o Moro vai continuar, no meu entender, como senador trabalhando também com viés desse lado, assim como (Deltan) Dallagnol que, publicamente, declarou apoio à minha reeleição”, disse o candidato, em referência ao ex-procurador da Lava Jato que se elegeu deputado federal pelo Paraná.

 

BOLSONARO E MORO 22

 

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil / ESTADÃO

Após Zema, Cláudio Castro reforça apoio a Bolsonaro: 'O Rio vai ser a capital da vitória do presidente'

 

O governador Cláudio Castro (PL) reforçou o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, do mesmo partido que ele, no segundo turno. —Eu, como sou do partido do presidente, apoiador do presidente, não tinha como não vir aqui. Não preciso lhe franquear meu apoio porque o senhor já tem. O Rio vai ser a capital da vitória do presidente Bolsonaro

 

Castro foi reeleito no primeiro turno governador do Rio de Janeiro, com quase 60% dos votos. O GLOBO

Progressistas de SP anuncia apoio a Tarcísio na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes

Por Guilherme Caetano — São Paulo O GLOBO

 

Dois dias após a eleição que confirmou a derrota do governador Rodrigo Garcia (PSDB) na eleição, o Progressistas de São Paulo, que integrou a aliança do tucano, anuncia apoio a Tarcísio de Freitas (Republicanos). O ex-ministro de Jair Bolsonaro (PL) vai enfrentar Fernando Haddad (PT) no segundo turno, após liderar a votação no estado.

 

Na manhã desta terça-feira, o diretório estadual do PP foi decorado com faixas em homenagem a Tarcísio. O apoio é considerado pela campanha do Republicanos um movimento natural, já que o PP integra a base de apoio a Bolsonaro no âmbito nacional.

Tarcísio se encontra com lideranças do PP neste momento no diretório estadual do partido e em seguida deve fazer um pronunciamento.

O ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, presidente nacional do PP, está presente na reunião. O deputado federal Marcos Pereira, que preside o partido de Tarcísio, e lideranças locais dos dois partidos também marcaram presença.

Rodrigo vai apoiar Tarcísio em SP e marca encontro com Bolsonaro

SÃO PAULO

O governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), entrou em acordo com Tarcísio de Freitas (Republicanos) para declarar apoio ao candidato de Jair Bolsonaro (PL) ao Governo de São Paulo.

Nesta terça-feira (4), Rodrigo também tem um encontro com o presidente na capital paulista, indicando que o apoio a Bolsonaro na corrida pela Presidência também está encaminhado.

Rodrigo terminou o primeiro turno da eleição em terceiro lugar, com 18,4% dos votos válidos, e não avançou para o segundo turno, numa derrota histórica para o PSDB no estado.

 

O apoio declarado dos tucanos paulistas a Tarcísio e Bolsonaro é um revés para as campanhas de Fernando Haddad (PT) e Lula (PT), que também buscavam atrair a sigla nesta segunda etapa da disputa em que enfrentam os bolsonaristas. Tarcísio terminou com 42,32% contra 35,70% do petista.

Na segunda-feira (3), a campanha de Haddad chegou a procurar interlocutores de Rodrigo, mas não teve contato direto com o governador.

De acordo com aliados de Rodrigo, o governador viu vantagem em fechar uma aliança com Tarcísio na expectativa de que o PSDB mantenha parte dos cargos e das secretarias que ocupa hoje na estrutura governamental, incluindo o Sebrae. A manutenção do comando da Assembleia Legislativa também é um pleito dos tucanos.

Os tucanos levaram em conta que Tarcísio e sua coligação não teriam quadros suficientes e precisariam do apoio do PSDB para tocar o governo. Além disso, o movimento de apoio também busca blindar que tucanos sejam alvo de investigações ou retaliações promovidas pelo eventual governo Tarcísio.

Pesou ainda o fato de que Tarcísio é considerado favorito para o cargo num estado que sempre elegeu governos de direita. O bolsonarista terminou o primeiro turno em primeiro lugar e tem rejeição menor do que o adversário Haddad.

O PSDB em São Paulo também considera o PT um adversário histórico e, de acordo com interlocutores de Rodrigo, não havia sentido apoiar os petistas no segundo turno.

No interior, prefeitos ligados ao PSDB já iniciaram um embarque na campanha de Tarcísio, a exemplo do prefeito de Ribeirão Preto, Duarte Nogueira (PSDB). "Por coerência, não posso apoiar um candidato [Lula] que foi condenado e preso pelo maior escândalo de corrupção do nosso país. Luto contra a corrupção generalizada no PT há muitos anos", disse.

Rodrigo deixou a corrida eleitoral com mágoa dos adversários —os ataques de Haddad a ele contribuíram com a migração para Tarcísio. A campanha do PT preferia enfrentar Tarcísio no segundo turno, considerando que o bolsonarista seria menos competitivo e, por isso, centrou críticas em Rodrigo.

Haddad, por exemplo, questionou Rodrigo sobre o desconhecimento dos atos praticados pelo irmão Marco Aurélio Garcia, o Lelo, condenado por lavagem de dinheiro na chamada máfia do ISS.

De acordo com a coluna Mônica Bergamo, a condenação de Lelo gerou aversão da família de Rodrigo em relação a Haddad, já que o esquema foi investigado pela gestão do petista quando ele era prefeito da cidade de São Paulo.

Na campanha, o petista também tentou colar a imagem de Rodrigo na de Paulo Maluf, enquanto o tucano dizia que debutou na política durante a gestão de Mário Covas (PSDB).

A campanha de Haddad manteve peças ressaltando a ligação entre Rodrigo e o impopular João Doria (PSDB), além de o ex-prefeito ter feito fortes críticas ao governo e ao governador durante debates. O aumento de impostos na pandemia foi um ponto explorado pelo petista.

A questão dos ataques a Rodrigo e a menor artilharia contra Tarcísio é uma crítica forte por parte da equipe de Lula à equipe de Haddad. Os lulistas cobravam ataques mais fortes em Tarcísio para fragilizar o palanque de Bolsonaro em São Paulo, onde o presidente acabou, por fim, tendo mais votos que Lula.

Emissários de Lula chegaram a propor que Haddad amenizasse as críticas a Rodrigo, na expectativa de que, com o gesto, o tucano viesse a apoiá-los em um segundo turno.

Como mostrou a Folha, a eleição em São Paulo embaralha a busca de Lula por apoios na corrida presidencial, inclusive o do PSDB. A executiva nacional do PSDB, que se reúne nesta terça, tende a ficar em cima do muro e liberar os líderes para apoiar Lula ou Bolsonaro.

A sigla está dividida entre a bancada de deputados federais —que são mais próximos do bolsonarismo do que da esquerda— e os cabeças brancas, que preferem Lula. O ex-senador Aloysio Nunes (SP) já estava com o petista no primeiro turno, e o senador Tasso Jereissati (CE) declarou apoio nesta segunda.

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