Reeleição da bancada ruralista chega a 65%, e líder espera novas adesões em 2023
A bancada ruralista, uma das mais influentes do Congresso, obteve uma taxa de reeleição na Câmara um pouco acima da média geral dos deputados que disputaram novamente o cargo. A Frente Parlamentar da Agropecuária tem atualmente 247 deputados e faz parte da base do presidente Jair Bolsonaro (PL).
Desse total, 202 disputaram um novo mandato na Câmara. Saíram-se vitoriosos 133, ou seja, cerca de 65% de índice de reeleição. Considerando toda a composição da Câmara, essa taxa foi de 60,6%.
O presidente da bancada, Sérgio Souza (MDB-PR), que também se reelegeu, espera que novatos se associem ao grupo, que, segundo ele, pode ultrapassar a marca de 255 integrantes na próxima legislatura.
"Estamos preparando um diagnóstico, mas tudo indica que a frente parlamentar sairá reforçada", disse ele. A Câmara tem, ao todo, 513 deputados. Além de Souza, outros líderes ruralistas conseguiram renovar o mandato, como Alceu Moreira (MDB-RS), que liderou a bancada nos primeiros anos do atual governo.
A terceira colocada no pleito presidencial, Simone Tebet (MDB), declarou apoio ao petista.
"Agora que a eleição ao Congresso passou, vamos entrar 100% na campanha do Bolsonaro. Isso vale para deputados estaduais, federais, governadores, agora prontos para ajudar na reeleição do presidente", disse Alceu.
Para Souza, o resultado da eleição para o Congresso impõe desafios para Lula, caso ele seja eleito presidente —embora afirme que a possibilidade de vitória do PT não existe. "É um Congresso mais forte e que quer pautas do agro, quer as causas da família; um perfil mais conservador", disse o deputado.
Do lado petista, aliados de Lula esperam que o apoio de Tebet amplie o diálogo com ruralistas.
Líderes da bancada do agro, porém, dizem que isso não será suficiente para que o setor majoritariamente bolsonarista embarque na candidatura do petista.
O empresário Carlos Ernesto Augustin, que auxilia a campanha do ex-presidente, afirmou que outra ideia é levar Lula a um encontro com a elite ruralista num evento no Instituto Pensar Agropecuária, presidido pelo ex-deputado Nilson Leitão (PSDB).
Leitão é consultor da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), que defende a reeleição de Bolsonaro. Ele também foi um dos articuladores do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
Alinhados com o presidente Bolsonaro, representantes do setor afirmam, desde o início da campanha, que a articulação do ex-governador Geraldo Alckmin (PSB) não reduzirá a resistência à candidatura de Lula.
Candidato a vice-presidente na chapa com o petista, o ex-tucano foi escalado para fazer a ponte com os ruralistas e atrair votos no terreno de forte tendência bolsonarista.

TSE aprova plano da propaganda gratuita para o segundo turno
O plenário do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou, hoje (6), por unanimidade, o plano de mídia para a propaganda eleitoral gratuita na TV e no rádio durante a campanha do segundo turno das eleições. Pelo calendário eleitoral, as peças audiovisuais devem voltar a ser veiculadas amanhã (7).

Pelo plano de mídia aprovado, os candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Jair Bolsonaro, que disputam a Presidência da República, terão 5 minutos cada nos dois blocos diários de propaganda eleitoral.
Os horários dos blocos seguem os mesmos do primeiro turno: na TV, as propagandas irão ao de segunda-feira a sábado, das 13h às 13h10 e das 20h30 às 20h40. No rádio, a propaganda para presidente vai ao ar de 7h às 7h10 e de 12h às 12h10.
O primeiro a se apresentar será o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por ter obtido maior número de votos no primeiro turno. A partir daí é feita a alternância com o presidente Jair Bolsonaro, que tenta a reeleição e ficou em segundo lugar.
No caso dos governadores, os blocos também são de 10 minutos, indo ao ar das 13h10 às 13h20 e das 20h40 às 20h50 na TV. No rádio, o horário é de 7h10 às 7h20 e das 12h10 às 12h20.
Os candidatos também têm 25 minutos de inserções por cargo, de segunda-feira a domingo, para veicular peças de 30 segundos a 60 segundos ao longo da programação do rádio e da TV.
AGÊNCIA BRASIL
O dedo de Deus não apertará o teclado da urna..
Primeira pesquisa Ipec no 2º turno: Lula tem 51% dos votos, contra 43% de Bolsonaro
Por O Globo — Rio e São Paulo / O GLOBO
A primeira pesquisa do Ipec (ex-Ibope) para o segundo turno da eleição presidencial mostra o ex-mandatário Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 51% das intenções de voto, contra 43% do candidato à reeleição, Jair Bolsonaro (PL).
Ainda de acordo com o levantamento, contratado pela TV Globo e divulgado nesta quarta-feira, 4% os entrevistados declararam a intenção de votar em branco ou nulo. Outros 2% não souberam responder.
Na véspera do primeiro turno, no dia 1° de outubro, simulação do Ipec para uma disputa entre Lula e Bolsonaro indicava placar de 52% a 37% favorável ao petista.
Nos votos válidos, sem considerar os votos em branco e nulo e os indecisos, a sondagem apontou que Lula tem 55%, e Bolsonaro, 45%.
O Ipec aponta ainda que 50% do eleitorado brasileiro não votaria no atual presidente. O ex-presidente Lula tem 40% de rejeição.
Resultados do primeiro turno
Institutos de pesquisas foram alvos de contestações depois de divergirem dos resultados indicados pelas urnas no primeiro turno, especialmente em relação à votação de Bolsonaro. O ministro da Justiça do atual governo, Anderson Torres, determinou na terça-feira que a Polícia Federal abra investigação para apurar a conduta dos institutos. A medida foi repudiada pela associação que representa a maioria das empresas do setor.
Lula e Bolsonaro buscaram fortalecer suas candidaturas com alianças políticas antes de retomar as campanhas nas ruas para o segundo turno. Nome mais votado no último domingo, com 48,43%, Lula ganhou o apoio da senadora Simone Tebet (MDB), que teve 4,16% dos votos e ficou em terceiro na disputa presidencial, e também de Ciro Gomes (PDT), o quarto colocado (3,04% dos votos).
Já o candidato à reeleição, que teve 43,20% nas urnas, ganhou declarações de apoio dos governadores reeleitos no primeiro turno em Minas Gerais, Rio de Janeiro e Distrito Federal: Romeu Zema (Novo), Cláudio Castro (PL) e Ibaneis Rocha (MDB), respectivamente. O atual governador de São Paulo e que foi o terceiro colocado na disputa paulista, Rodrigo Garcia (PSDB), também manifestou endosso ao nome de Bolsonaro.
O Ipec entrevistou presencialmente 2.000 eleitores de 16 anos ou mais em todo o país entre os dias 3 e 5 de outubro. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral com o número de identificação BR-02736/2022. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou menos, para um nível de confiança de 95%.
A memória curta de Lula ao prever que terá 60% dos votos contra Bolsonaro
Por João Paulo Saconi / O GLOBO
Reunido na segunda-feira com a coordenação de sua campanha em São Paulo, Lula fez a própria projeção para o segundo turno contra Jair Bolsonaro. Disse o ex-presidente:
— É a primeira vez que alguém exercendo o cargo de presidente (Bolsonaro) perde as eleições no primeiro turno. E vai perder muito mais, porque a nossa distância vai aumentar muito. Aliás, se a minha memória não for curta, eu não costumo ter menos de 60% no segundo turno.
O petista, no entanto, esqueceu-se da própria reeleição em 2006. E não por falta de motivos para lembrar, já que Geraldo Alckmin, seu concorrente à época, estava bem ao seu lado no encontro. Há 16 anos, quando se enfrentaram, Lula teve 48,6% da preferência do eleitorado e Alckmin, hoje seu vice, 41,6%.
O cálculo, além de só considerar o êxito em 2002 (61,2% contra José Serra), ainda lembra um número mágico escolhido pelo próprio adversário. Foi Bolsonaro, ao longo da semana passada, quem disse que conquistaria 60% dos eleitores ainda no primeiro turno. Terminou com 43,2% contra 48,4% do petista.

