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Lula não irá ao debate do SBT, e emissora entrevistará Bolsonaro

Paulo PassosVictoria Azevedo / FOLHA DE SP

 

SÃO PAULO

A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou ao SBT que o ex-presidente não irá participar do debate presidencial marcado para sexta-feira (21). Ele deverá participar de agendas em Minas Gerais na sexta e no sábado (22).

Sem a presença do petista, a emissora fará uma entrevista com duração de uma hora com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que confirmou sua participação.

O mesmo aconteceu com o Fernando Haddad (PT), na última sexta (14), quando seu adversário, o bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos) não compareceu ao evento.

O evento do SBT presidencial foi organizado em pool com CNN, Estado de S.Paulo, portal Terra, rádio Eldorado e Nova Brasil FM. No início da campanha, Lula pediu que as emissoras se unissem para organizar menos debates, o que foi feito.

O petista, porém, faltou ao evento no SBT, realizado com outras empresas, no primeiro turno. Ele foi a dois debates, um organizado por Folha, Band, TV Cultura e UOL e outro feito pela TV Globo.

Presidente do Novo diz que partido não liberou voto em Lula no 2º turno

Por José Fucs / O ESTADÃO

 

O presidente do NovoEduardo Ribeiro, disse nesta terça-feira, 18, que, ao contrário do que afirma o empresário João Amoêdo, fundador e ex-comandante do partido, a nota divulgada pela legenda após o 1º turno das eleições, liberando o voto dos filiados no 2º turno, não prevê a opção pelo candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

“Na nota, nós nos colocamos claramente contra o PT. Reforçamos que o PT e o lulismo são contrários a tudo o que a gente sempre defendeu”, disse Ribeiro. “No Novo, tem gente que gosta do Bolsonaro e vai votar nele, tem gente que vai votar a contragosto no Bolsonaro e tem gente que não vota de jeito nenhum no Bolsonaro e prefere anular o voto. Mas ninguém vai votar no Lula.”

João Amoêdo, um dos fundadores do Novo; empresário declarou voto em Lula
João Amoêdo, um dos fundadores do Novo; empresário declarou voto em Lula Foto: Sebastiao Moreira/EFE

Ribeiro, que classificou a declaração de voto de Amoêdo em Lula como “vergonhosa” e “uma decepção muito grande”, justificou a forte reação do partido e de vários de seus líderes e mandatários contra ele. “Como a imagem do João é muito associada ao Novo, muita gente iria achar que o partido estava apoiando o Lula, se nós não nos posicionássemos ali.”

Como revelou nesta terça-feira a Coluna do Estadão, um pedido de expulsão de Amoêdo do Novo foi protocolado na Comissão de Ética Partidária na quinta-feira passada. Além da sua declaração de apoio a Lula, o pedido se baseia também no seguido desrespeito ao artigo 18 do Estatuto do partido, que trata como infidelidade “difamar a imagem ou a reputação do Novo, seus mandatários, candidatos ou dirigentes”.

Embora diga que ele próprio não tomará iniciativa para promover a expulsão de Amoêdo, Ribeiro criticou a postura adotada pelo fundador do Novo. “Ele passou os últimos dois anos e meio metendo o pau na bancada federal, me criticando, criticando a gestão do partido, falando que estava tudo errado”, disse. “Aí, na campanha eleitoral, ele não faz uma menção sequer aos nossos candidatos, ao (Luiz) Felipe (D’Avila, candidato do Novo à Presidência), a ninguém. O que ele queria, que o partido aplaudisse a declaração de voto dele no Lula? Todo mundo se sentiu traído.”

Outra conversa

Numa campanha dominada há semanas pela guerra suja da arena digital, o primeiro debate do segundo turno da eleição presidencial tinha tudo para ser contaminado pelo baixo nível.

Felizmente, os oponentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL) souberam evitar o pior no encontro deste domingo (17), organizado por um grupo de veículos formado por Folha, UOL, Bandeirantes e TV Cultura.

O formato inovador do evento, em que os candidatos tiveram liberdade para escolher assuntos e puderam administrar o próprio tempo, deu dinamismo ao embate e permitiu maior exposição de suas ideias e críticas mútuas.

As perguntas a cargo dos dois postulantes seguiram o roteiro previsível ensaiado com seus estrategistas, mas jornalistas profissionais tiveram oportunidade de fazer questionamentos incisivos, tirando ambos da zona de conforto, embora não das evasivas.

Eleitores que desejam saber mais sobre os planos do presidente e do ex-presidente para o futuro do país decerto ficaram frustrados com a superficialidade de muitas respostas, mas puderam conhecer melhor os contendores e suas diferenças.

Como ambos enfrentam elevadas taxas de rejeição, Lula e Bolsonaro investiram bastante no desgaste do adversário, revisitando velhos temas com o objetivo de salientar as fraquezas do outro diante dos votantes ainda indecisos.

Lula usou de maneira eficaz o expediente ao criticar a atuação do mandatário no enfrentamento da Covid-19 e apontar sua negligência com as vacinas como responsável por milhares de mortes que poderiam ter sido evitadas.

Bolsonaro alcançou efeito similar ao questionar o rival sobre escândalos de corrupção do passado. Lula soou mais uma vez pouco assertivo ao tratar do problema —e perdeu a chance de cobrar do atual chefe de Estado as explicações que ele também deve nessa seara.

Ambos tergiversaram quando questionados sobre as estratégias que pretendem seguir para restaurar o equilíbrio das contas públicas e obter os recursos necessários para custear benefícios sociais e investimentos prometidos, a todo momento, na campanha eleitoral.

Lula ignorou a pergunta do adversário sobre quem será seu ministro da Economia se vencer. Bolsonaro falsificou dados sobre desmatamento descaradamente, em vez de explicar o aumento da devastação da Amazônia em sua gestão.

Indagados sobre a desinformação na campanha eleitoral e o que poderia ser feito para conter sua propagação nas redes sociais, ambos preferiram fustigar o adversário —e nenhum dos dois pôde oferecer alguma sugestão.

Com dezenas de publicações removidas da internet por ordem da Justiça Eleitoral na campanha, Lula e Bolsonaro poderiam ter apresentado ao eleitor mais ideias, diagnósticos e propostas. Ainda assim, o tom em geral civilizado com que discutiram suas divergências desta vez deve ser reconhecido.

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Ipespe/ABRAPEL: Lula tem 53% dos votos válidos, Bolsonaro tem 47%

A nova pesquisa Ipespe/ABRAPEL divulgadou nesta terça-feira, 18, aponta o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na liderança para o segundo turno das eleições, com 53% dos votos válidos. O chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (PL), candidato à reeleição, tem 47%. Realizada entre os dias 17 e 18 de outubro, o levantamento mensurou o impacto do debate na Band TV sobre as intenções de voto do eleitorado.

 

Nos votos totais – aquele em que se considera brancos, nulos e indecisos –, Lula tem 49%, enquanto Bolsonaro aparece 43%. Os votos brancos e nulos 6% e os que não sabem ou não responderam são 2% do total de entrevistados.

 

Considerando a pesquisa espontânea, o petista continua na frente, com 46%, e Bolsonaro, com 42%. Neste caso, os brancos, nulos chegam a 7% e indecisos marcam 5%.

Na pesquisa de expectativa de vitória, independente da escolha de voto, 53% dos entrevistados esperam a vitória do ex-presidente Lula. Apenas 37% esperam a vitória do presidente Jair Bolsonaro e 10% não sabem ou não responderam.

Debate e interesse eleitoral

O levantamento ainda mostrou uma ligeira queda no interesse pela eleição presidencial, em comparação com a sondagem da semana passada. O percentual passou de 81% de pessoas com muito ou algum interesse em votar para 78%.

A pesquisa Ipespe/Abrapel também mediu o impacto do debate. Entre os que assistiram ou ouviram falar do evento, houve empate técnico entre os candidatos à Presidência. Jair Bolsonaro atingiu 42% na pesquisa espontânea e Lula, 41%. Não souberam responder 7% dos entrevistados e 10% acreditam que nenhum dos candidatos ganhou o evento.

Foram consultados 1.100 eleitores de todo o País por telefone entre os dias 17 e 18 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos e a taxa de confiança é de 95,45%. O código de registro na Justiça Eleitoral é BR-06307/2022. O levantamento foi contratado pela Associação Brasileira dos Pesquisadores Eleitorais (Abrapel).

União Brasil vive clima de conflagração por conta de apoio no 2º turno da disputa presidencial

Por Lauriberto Pompeu / O ESTADÃO

 

BRASÍLIA - Um ano após a fusão entre DEM e PSL, o União Brasil ainda vive um clima de brigas internas e disputas por protagonismo nas decisões políticas. Setores do partido, principalmente aqueles ligados ao antigo DEM, têm reclamado do presidente da sigla, Luciano Bivar. Eles dizem que Bivar tentou levar o União Brasil para o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que ele tem tomado decisões sem ouvir o conjunto da legenda. Críticos do dirigente também dizem que ele tem a “doce ilusão” de ser o presidente da Câmara em 2023 caso Lula vença a eleição presidencial.

Um dos principais líderes da sigla, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, vocalizou publicamente a insatisfação com Bivar. “A decisão pessoal dele não pode ser determinante quando se fala em maioria, a tese partidária não é o rito imperial do presidente, é da maioria. O presidente do partido pode ter a opinião dele, mas a maioria do partido já se declarou favorável (a Bolsonaro)”, disse no dia 6 de outubro quando participou de um pronunciamento no Palácio da Alvorada ao lado presidente.

Contra a maioria bolsonarista, o União Brasil anunciou neutralidade no segundo turno da eleição presidencial. Além de Bivar, o ex-prefeito de Salvador e candidato a governador da Bahia pelo partido, ACM Neto, foi essencial para isso, já que apoiar Bolsonaro seria ruim para ele que concorre em um Estado de maioria lulista. Neto tem adotado a neutralidade em relação à disputa nacional desde o primeiro turno e a manteve na segunda fase da eleição.

Uma reunião da direção nacional e com a presença dos deputados e senadores eleitos está marcada para esta semana em Brasília. Não há uma pauta pré-definida, mas uma ala do partido pretende questionar o modo como a legenda está sendo conduzida. Outro ponto que precisa ser pacificado é a negociação para uma fusão ou federação com o PP. Uma parte do União Brasil é contra e vê isso como uma estratégia do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), para capturar a legenda e fazer frente ao PL, que elegeu 99 deputados neste ano.

A divisão da legenda também pode ser observada no diretório do Rio. Lá, o prefeito de Belford Roxo e presidente do diretório estadual, Wagner Carneiro, o Waguinho, e a mulher, a deputada federal eleita mais votada no Rio, Daniela do Waguinho, apoiam Lula. Já o deputado estadual mais votado, Márcio Canella, e a família do ex-governador Anthony Garotinho decidiram apoiar Bolsonaro. O senador eleito Sérgio Moro, o vice-presidente da legenda, Antonio Rueda, e diretórios de estados como Acre, Amazonas, Ceará e Mato Grosso, por exemplo, também já aderiram à campanha bolsonarista.

O caso de atrito interno do União Brasil mais recente aconteceu na disputa para o governo de Pernambuco, terra de Bivar. O dirigente chegou a falar que a sigla está com a candidata Marília Arraes (Solidariedade), que é apoiada por Lula, mas outros membros do partido no Estado, como ex-ministro da Educação Mendonça Filho, o deputado Fernando Coelho Filho e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, todos eles vindos do extinto DEM, se apressaram em dizer que estão com a tucana Raquel Lyra na disputa pelo governo estadual e que apoiam Bolsonaro para presidente.

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto acompanhado do presidente do União Brasil, Luciano Bivar (dir.) e o governador de Goiás Ronaldo Caiado
O ex-prefeito de Salvador ACM Neto acompanhado do presidente do União Brasil, Luciano Bivar (dir.) e o governador de Goiás Ronaldo Caiado Foto: Divulgação

Bivar também não esconde o incômodo com os colegas de partido e minimizou os apoios deles. “O União Brasil e nós que dirigimos a legenda em Pernambuco estamos apoiando Marília Arraes. Mendonça e a família Coelho não falam pelo partido em Pernambuco”, disse ele ao Estadão. Sobre Lula, o dirigente evitou dar um endosso público, mas já disse que os apoios dados a Bolsonaro por caciques da legenda não representam o partido. “Nenhum deles responde pelo União Brasil nacional, nenhum deles. União Brasil é um pacto de 27 Estados com representatividade e diretórios. Isso é que representa o União Brasil nacional. Cada Estado tem sua independência”, afirmou o presidente do partido no último dia 6, quando anunciou que a legenda adotaria a neutralidade no segundo turno da eleição presidencial. Em nota divulgada no início de outubro, o presidente do partido também fez uma crítica velada ao bolsonarismo e disse que não pode ”comungar com forças retrógradas extremistas e conservadoras”.

Bivar já foi aliado de Bolsonaro e inclusive foi o dirigente partidário que viabilizou sua candidatura à Presidência em 2018, mas os dois romperam logo no primeiro ano de governo, em 2019, após uma disputa pelo comando do antigo PSL. Nesta eleição, o deputado fez um acordo informal com o PT e o PSB, que tem a prefeitura do Recife e o governo do Estado, para conseguir se reeleger como deputado federal. A estimativa inicial do União Brasil em Pernambuco era eleger dois deputados federais -Mendonça Filho e Fernando Coelho - e Bivar não estava lista.

Durante a disputa por uma vaga na Câmara, Mendonça Filho chegou a acusar Bivar de boicotar sua candidatura. “Falta menos de um mês para a eleição e eu estou sem acesso à maior parte dos recursos que recebi. Preciso ter condições de fazer campanha. É uma aberração”, afirmou o deputado eleito ao Estadão em setembro. Para conseguir se eleger, o presidente do partido contou com o auxílio dos partidos de esquerda em Pernambuco, que mobilizaram prefeitos e vereadores para ajudar Bivar a ter votos.

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