VETO AO FGTS E OUTROS MOMENTOS DO PASSADO ESQUECIDO DE LULA MEREMCEM FAZE PARTE DO DEBATE
Pedro Fernando Nery / DOUTOR EM ECONOMIA/ O ESTADÃO
Ora, meu Deus do céu, longe de mim querer tirar direito de trabalhador. Mas não é possível que as coisas feitas em 1943 não precisem de mudanças. O mundo do trabalho mudou.
Tem companheiro que fala que não pode ter um contrato especial porque vai precarizar o jovem e torná-lo um trabalhador diferente. Tudo bem, mas trabalhador diferente ele já é sem trabalhar.
As pessoas achincalham muito a política, mas a posição mais honesta é a do político, sabe por quê? Porque todo ano, por mais ladrão que ele seja, ele tem que ir pra rua encarar o povo e pedir voto. O concursado, não. Se forma na universidade, faz um concurso e tá com um emprego garantido para o resto da vida.
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A Previdência de vez em quando precisa ser reformada. Quando a Lei Eloy Chaves foi feita em 1923, a gente morria com 60 anos de idade. No sentido que avança cientificamente a nova sobrevivência, a nossa longevidade, você não pode ficar com a mesma lei que você tinha anos atrás. É preciso que você avance.
A Previdência tem um limite, uma arrecadação. A gente não pode pagar o que não tem. Eu não posso fugir do limite do bom senso. Para o bem deles: porque se a Previdência quebrar será mal para todos os brasileiros.*
De qual candidato são as falas de viés reformista? O leitor acertou, de Lula. São manifestações que caíram em esquecimento, dos anos em que ele e Dilma governaram, que contrastam com discursos mais recentes contra reformas – depois que passou à oposição.
Sem que o último debate tenha trazido novidades sobre seus planos para a economia, é interessante trazer episódios que mostram Lula menos caricato.
Em seu primeiro governo, prometera uma ampla reforma trabalhista, inclusive mexendo em direitos constitucionais, assegurando que apenas as férias eram intocáveis. Na prática, fez uma reforma “invisível”, com a criação do microempreendedor individual (MEI) – veículo que permitiu a baixo custo, ainda que com direitos incipientes, a formalização de milhões de pessoas (muito mais do que a reforma de 2017).
Outros episódios que não costumam ser lembrados incluem o veto ao FGTS para empregadas domésticas (para “não onerar de forma demasiada o vínculo de trabalho, contribuindo para a informalidade e o desemprego”) e o apoio a projetos no Congresso que instituíam teto para gastos com o funcionalismo (PLS 611) ou a contratação sem estabilidade (PLP 92) – que não foram aprovados.
O leitor pode torcer a favor ou contra um Lula mais pragmático, mas seu histórico esquecido merece fazer parte do debate.
Pesquisa presidente CNT/MDA: Lula tem 53,5% dos votos válidos e Bolsonaro tem 46,5%
Em pesquisa CNT/MDA para presidente, Lula aparece com 53,5% dos votos válidos e Bolsonaro, com 46,5%
O ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva(PT) tem 53,5% dos votos válidos, e o presidenteJair Bolsonaro(PL), 46,5%, segundo a pesquisa de intenção de voto do Instituto MDA, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgada nesta segunda-feira, 17.
Para os votos válidos, são desconsiderados brancos, nulos e as pessoas que dizem que não sabem. É desta forma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faz a contagem oficial da eleição.
Para a pesquisa, foram ouvidas 2.002 pessoas entre os dias 14 e 16 de outubro. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. O nível de confiança é de 95%. A sondagem foi registrada no TSE com o número BR 05514/2022. Veja o relatório completo divulgado.
Votos válidos
Em votos válidos, quando excluídos brancos e nulos, os resultados foram:
- Lula (PT): 53,5%
- Bolsonaro (PL): 46,5%
Votos totais
Quando incluídos brancos e nulos, na pesquisa estimulada (com nomes apresentados ao eleitor em formato de lista), os resultados foram:
- Lula (PT): 48,1%
- Bolsonaro (PL): 41,8%
- Branco/nulo/não vai votar: 6,0%
- Indeciso: 4,1%
"Os resultados para intenção de voto mostram disputa acirrada entre Lula e Jair Bolsonaro no 2º turno. Com índices de definição de voto para ambos os candidatos acima de 94% e indecisos em 4%, o engajamento de seus respectivos eleitores para comparecer na votação de 30 de outubro será decisivo", disse em nota junto à pesquisa Marcelo Souza, diretor do Instituto MDA.
Espontânea
Na pergunta espontânea, quando o próprio eleitor precisa dizer o nome do candidato em que votará sem que os nomes sejam apresentados, os resultados foram:
- Lula (PT): 46,4% (+4 pontos em relação à pesquisa anterior, em 30 de setembro, antes do primeiro turno)
- Bolsonaro (PL): 40,6% (+6 pontos)
- Branco/nulo/não vai votar: 6,3% (+2 pontos)
- Indeciso: 6,7% (-4 pontos).
REVISTA EXAME
Pesquisa eleitoral Atlas Intel: Bolsonaro lidera em SP e RJ; Lula à frente em MG
O presidente Jair Bolsonaro (PL) lidera as intenções de votos válidos no Rio de Janeiro e São Paulo, enquanto o ex-presidenteLuiz Inácio Lula da Silva(PT) está à frente em Minas Gerais, segundo a pesquisa Atlas Intel, divulgada neste domingo, 16. Para os votos válidos, são desconsiderados brancos, nulos e as pessoas que dizem que não sabem.É desta forma que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) faz a contagem oficial da eleição.
Para as pesquisas, foram coletadas as respostas de 2.500 eleitores via web entre os dias 9 e 13 de outubro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. As pesquisas foram contratadas pela própria Atlas. As sondagens foram registradas no TSE sob os números BR-02312/2022, BR-00236/2022 e BR-02111/2022.
Votos válidos
São Paulo
- Lula (PT): 46,3%
- Bolsonaro (PL): 53,7%
Minas Gerais
- Lula (PT): 51,3%
- Bolsonaro (PL): 48,7%
Rio de Janeiro
- Lula (PT): 45,9%
- Bolsonaro (PL): 54,1%
Quem ficou na frente no 1º turno?
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente Jair Bolsonaro (PL) disputarão o segundo turno da eleição presidencial. Com 100% das urnas apuradas, Lula ficou com 48,43% dos votos válidos, e Bolsonaro, 43,20%, na votação do primeiro turno, realizado no domingo, 2.
REVISTA EXAME
Pesquisa presidente ModalMais/Futura: Lula tem 46,9% dos votos totais, e Bolsonaro, 46,5%
Para o segundo turno da eleição presidencial, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 46,9% das intenções de voto totais e o presidente Jair Bolsonaro (PL), 46,5%, de acordo com pesquisa Futura Inteligência, encomendada pelo banco Modal, divulgada nesta sexta-feira, 14.
Pela margem de erro da pesquisa, que é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, há margem para empate técnico entre os candidatos.
O relatório da pesquisa não incluiu estimativa oficial dos votos válidos, isto é, sem contabilizar brancos e nulos (que é a contagem usada pelo Tribunal Superior Eleitoral para decretar o vencedor, já que votos brancos e nulos não são contabilizados). Foi divulgado apenas o percentual de votos totais.
Para a pesquisa, foram ouvidas 2.000 pessoas entre os dias 3 e 4 de outubro, usando a abordagem CATI (entrevista telefônica assistida por computador). A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais para um nível de confiança de 95%. A sondagem foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-06280/2022. Veja aqui o relatório da pesquisa divulgado pelos organizadores.
Votos totais
- Lula (PT): 46,9%
- Bolsonaro (PL): 46,5%
- Não sabe, não respondeu ou indeciso: 2,3%
- Branco/nulo: 4,3%.
Espontânea
Quando os nomes dos candidatos não são apresentados e os entrevistados precisam responder por conta própria, os resultados foram:
- Lula (PT): 46,0%
- Bolsonaro: (PL): 45,8%
- Não sabe, não respondeu ou indeciso: 3,4%
- Branco/nulo: 4,7%
- Outro: 0,1%.
Antonio Lavareda: 'Votos válidos derivados das pesquisas são apenas ilações'
Por Bianca Gomes — São Paulo / O GLOBO
O senhor defende que as pesquisas eleitorais sejam lidas por meio dos votos totais, e não dos votos válidos, como é feito mais tradicionalmente na véspera das eleições. Por quê?
Quando saiu o resultado da eleição, no domingo à noite, eu acompanhei os comentários e críticas e constatei que estava havendo um grande equívoco. As pessoas estavam comparando literalmente alhos com bugalhos. Alhos eram os votos válidos. Bugalhos, os votos totais. A pesquisa é baseada numa amostra extraída do total dos 156,5 milhões de eleitores. Então, o resultado das pesquisas precisa ser comparado com o resultado da eleição levando-se em conta os 156,5 milhões de eleitores. Qualquer outra comparação não faz sentido. Os votos válidos derivados das pesquisas são apenas ilações, porque a pesquisa não consegue captar a abstenção na sociedade. É importante que não se repita esse erro no segundo turno.
Por que predomina a cultura de olhar para votos válidos em vez de votos totais?
É um problema que os institutos e os veículos de comunicação precisam refletir. É preciso melhorar a qualidade da divulgação, para que o eleitor compreenda que os números da véspera são números sob o total e que entre aquele número e o resultado das eleições há um espaço de mudança, pois as pesquisas não são prognóstico, elas medem atitude, não medem comportamento. A única pesquisa que pode medir o comportamento é a boca de urna, que não foi feita este ano. Quando você compara o resultado das pesquisas sob o total e o resultado do TSE sob o total, você vê que a votação do Bolsonaro é dentro do que a fotografia das pesquisas na véspera das eleições estavam mostrando. (Leia o gráfico abaixo em votos totais)
Mas os votos do Lula, agora, aparecem discrepantes. Por quê?
Há uma diferença de nove pontos. A votação do Lula foi tragada, boa parte dela, pela abstenção. Lula perdeu no dia da eleição cerca de 13 milhões de votos, sem nenhuma dúvida. E onde a abstenção ocorre na sociedade? Ela é concentrada sobretudo nas camadas de menor escolaridade, que é onde tem o voto de Lula. Sabemos que 45% dos eleitores do Lula têm, no máximo, o fundamental completo. O nome da diferença do resultado das pesquisas com o resultado da eleição chama-se abstenção. A explicação para o Lula não ter levado a eleição no primeiro turno também se chama abstenção.
Como fica a abstenção no segundo turno?
Segundo turno, em geral, a abstenção cresce. Em 2018, cresceu perto de 1,5 ponto de um turno para outro. Em compensação, no segundo turno diminui o número de votos nulos, porque também a anulação do voto não é deliberada. Não existe nem uma tecla para anular o voto, a anulação do voto é erro. E, obviamente, esse erro se dá nas camadas de menor escolaridade. Quem é o candidato mais prejudicado? O Lula. Então, se seguir o mesmo comportamento de 2018, aumentar um pouco a abstenção, mas diminuir um pouco o voto nulo, talvez uma coisa compense a outra.
Por que o cálculo dos votos válidos não traz um resultado compatível com o do TSE?
Qual o equivalente à abstenção na pesquisa? Como a abstenção é um comportamento, além de ilegal, socialmente ilegítimo, o eleitor não confessa (na hora da pesquisa). Então, aparece nas pesquisas o percentual de intenção de votos dos candidatos e uns 3% ou 2% de “não sabe” ou “não respondeu”, além do branco e nulo, que fica em torno de 4%. O “não sabe” ou “não respondeu”, que é o potencial de abstenção, vira 21% na eleição. E de onde saem os outros 19%? Dos outros candidatos. Candidatos de terceira via, nanicos, sempre perdem no dia da eleição. E perde um candidato como Lula que tem uma forte concentração naquele segmento social que mais se abstém.
Nos votos válidos das pesquisas, se você exclui indeciso e quem não sabe, a margem de erro não deveria aumentar?
Na verdade, esse voto válido da pesquisa talvez nem devesse ser feito, porque a pesquisa não traz quanto vai ser a abstenção. E quando o instituto chama de voto válido, ele passa uma ideia errada para o eleitor de que o instituto calcula voto. Instituto mede intenção. Voto é comportamento efetivo. Estou começando uma discussão para ver se podemos criar uma regra, uma bula para divulgação das pesquisas.

