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PoderData: Lula tem 52% dos votos válidos; Bolsonaro, 48%

Por Natália Santos / O ESTADÃO

 

O ex-presidente Luiz Inácio da Silva (PT) segue na liderança na disputa pelo Palácio do Planalto com quatro pontos porcentuais à frente do presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo pesquisa PoderData, divulgada nesta quarta-feira, 19, o petista tem 52% dos votos válidos ante 48% do atual chefe do Executivo no cenário em que votos brancos e nulos não são considerados.

 

No cenário de votos totais e estimulado, ou seja, aquele em que uma lista de opções de nomes é apresentada para os entrevistados, Lula tem 48% das intenções de voto, enquanto Bolsonaro alcança 44%. Brancos e nulos somam 5%. E 3% não souberam responder, estão indecisos.

 

Os números do atual levantamento - tanto dos votos válidos quanto dos votos totais - não sofreram mudanças em comparação com a versão anterior da pesquisa, divulgada no dia 11 de outubro. Nesse meio tempo da pesquisa, houve o primeiro debate do segundo turno que ocorreu no dia 17 na TV Bandeirantes.

 

Pesquisa PoderData entrevistou 5.000 pessoas por telefone durante os dias 16 a 18 de outubro de 2022. A margem de erro é de 1,5 ponto porcentual para mais ou para menos e a taxa de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-08917/2022.

As armas de Bolsonaro para conter crise das meninas venezuelanas

Por Vera Magalhães / O GLOBO

 

 

 

Depois da segunda onda de desgaste provocada pelas falas de Jair Bolsonaro a respeito de meninas refugiadas venezuelanas no entorno de Brasília, que em pelo menos três ocasiões o presidente usou para falar em prostituição infantil e relacionar ao que poderia acontecer no Brasil em caso de vitória de Lula, a campanha do PL foi eficiente em buscar temas para mudar o assunto nas redes sociais e partir para o contra-ataque.

 

As armas encontradas não são de todo novas na campanha: a primeira-dama, Michelle Bolsonaro, que tem sido constantemente acionada para reverter gafes e declarações explosivas do marido, e a demonização do Tribunal Superior Eleitoral, um dos "inimigos de sempre", ao lado dos institutos de pesquisa e da imprensa. A reação foi coordenada, em muitas frentes e evocando os dois supertrunfos simultaneamente.

 

A abertura de uma investigação para apurar a existência de um possível "ecossistema de desinformação", como classificou o corregedor do TSE, ministro Benedito Gonçalves, e sua decisão de desmonetizar vídeos com acusações a Lula veiculados por canais, bem como a notificação a empresas de comunicação, a partir de representação da campanha do PT, levaram a que a acusação de que a corte promove censura a conteúdos jornalísticos, preocupação manifestada também por entidades de defesa da liberdade de imprensa, ganhasse corpo nas redes bolsonaristas.

 

O tema serviu para desviar o foco do desgaste causado pela descoberta de que Bolsonaro já havia mencionado as meninas venezuelanas em outras circunstâncias, inclusive sendo mais direto quanto às insinuações de que elas estariam se arrumando para se prostituir.

 

A primeira-dama, que já havia sido acionada para gravar um vídeo ao lado de Bolsonaro pedindo desculpas pelo episódio -- vídeo em que ele cai em contradição ao dizer que a ex-ministra Damares Alves havia investigado o caso em 2020 e constatado que não havia exploração sexual das meninas, quando ele mesmo insistiu em dizer isso, inclusive na última-sexta-feira.

 

Agora, Michelle participou de um culto-comício nesta quarta-feira em que falou em defesa da filha Laura, de 12 anos, que foi tragada pela polêmica ao ser mencionada a título de comparação com as meninas venezuelanas em tuítes nas redes sociais. Michelle se indignou e chorou no culto. Anteriormente, a primeira-dama anunciou que vai à Justiça em defesa da filha.

 

As duas linhas narrativas tiveram êxito em tirar o foco do tema que vinha desgastando Bolsonaro desde sábado. O culto em que Michelle foi a protagonista também teve o condão de neutralizar a Carta aos Evangélicos e o ato organizado pela campanha do PT com lideranças ligadas a denominações evangélicas.

Thomas Traumann: Datafolha aponta para uma reta final de incertezas

Por Thomas Traumann / O GLOBO

 

O novo Datafolha mostra que a eleição presidencial chega na reta final sob a nuvem da incerteza. Faltando 11 dias para o segundo turno, a vantagem do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o presidente Jair Bolsonaro (PL) é de quatro pontos percentuais, no limite da margem do empate técnico pela primeira vez na campanha. Na comparação com a semana passada, Lula manteve estabilidade com 49% contra 45% de Bolsonaro, que oscilou um ponto para cima.

 

O estreitamento da disputa é surpreendente por ocorrer num período de notícias ruins para Bolsonaro. Desde o último Datafolha, bolsonaristas fizeram badernas na basílica de Aparecida (SP), o PT intensificou a propaganda negativa na TV e o presidente disse em uma entrevista que havia “pintado um clima” com venezuelanas de 14 anos que ele sugeriu serem prostitutas, sendo obrigado depois a pedir desculpas. No primeiro debate do segundo turno, no domingo na TV Bandeirantes, Bolsonaro foi especialmente mal ao justificar sua gestão na pandemia de Covid. Nada disso, no entanto, afetou o seu desempenho no Datafolha. 

 

O resultado da pesquisa está alinhado ao de outros levantamentos divulgados nesta semana. No Ipec, a distância nos votos totais variou de 9 para 7 pontos percentuais. No Ipespe/Abrapel, a vantagem foi e 8 para 7 e, na Genial/Quaest, de 8 para 5 pontos percentuais. Embora as pesquisas não sejam metodologicamente comparáveis, elas retratam a mesma curva de aproximação dos dois candidatos. 

 

A campanha mais preocupada com as pesquisas é a de Lula. O ex-presidente cancelou uma viagem que faria a Manaus com a senadora Simone Tebet (MDB) para concentrar sua última semana em São Paulo e Minas Gerais. Nesta quarta-feira, Lula lançou uma carta de compromissos com os eleitores evangélicos, segmento fortemente bolsonarista.  

 

A boa notícia para o campo lulista é que Bolsonaro continua sendo o mais rejeitado. Metade dos entrevistados do Datafolha dizem que não votariam pela reeleição, ante 46% dos que recusam Lula.

Pesquisa Datafolha: 94% já decidiram voto para presidente e 6% admitem mudar de ideia

Por O Globo — São Paulo 

 

Pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira mostra que 94% dos eleitores estão totalmente decididos sobre o voto para presidente da República, disputado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Jair Bolsonaro (PL). A 11 dias da eleição, apenas 6% admitem mudar de escolha.

 

No levantamento anterior, divulgado na última sexta-feira, 93% diziam estar convictos. Houve, portanto, uma oscilação de um ponto para cima, dentro da margem de erro, de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Já o percentual de eleitores que podem trocar de ideia permaneceu o mesmo.

 

A certeza do voto é praticamente igual entre eleitores de Lula e Bolsonaro. Considerando os simpatizantes da candidatura do petista, 94% estão certos da escolha, ante 95% na pesquisa passada. Os convictos de Bolsonaro, por sua vez, somam 95%, sendo que eram 94% no último levantamento. A certeza é menor entre os pretendem votar branco ou nulo: 79% bateram o martelo, e 21% ainda podem reconsiderar.

 

O instituto perguntou aos eleitores voláteis, que podem mudar de opinião, o que eles fariam se alterassem de fato a escolha do voto: 61% dizem que votariam nulo ou branco, 16% escolheriam Lula e 20% votariam em Bolsonaro. Outros 3% não souberam dizer. No levantamento anterior, os números eram, respectivamente, 68%, 16%, 14% e 2%. A escolha por Bolsonaro oscilou dois pontos para cima.

 

Contratado pela TV Globo e o jornal "Folha de S.Paulo", o Datafolha entrevistou entrevista 2.912 eleitores de 17 a 19 de outubro para o levantamento, que tem margem de erro estimada em dois pontos percentuais para mais ou menos. O número de identificação no TSE é o BR-07340/2022.

Jerônimo atrai apoio até de bolsonaristas, que criam voto 'JeroNaro' na Bahia

João Pedro Pitombo / FOLHA DE SP
SALVADOR

O revés do candidato a governador ACM Neto (União Brasil), que começou a campanha na liderança, mas foi superado em votos por seu adversário, fez com que parte de seus aliados iniciasse uma debandada em direção ao candidato governista Jerônimo Rodrigues (PT).

Empurrado pela força de Lula e da máquina governista, Jerônimo teve 49,45% dos votos válidos no primeiro turno contra 40,8% de ACM Neto e 9,08% do bolsonarista João Roma (PL), resultado que fez com que os ventos mudassem de lado no meio político neste segundo turno.

Prefeitos, deputados, vereadores e líderes políticos que haviam apoiado ao ex-prefeito de Salvador no primeiro turno, agora aderiram ao petista em alianças pouco ortodoxas que incluem até um movimento "JeroNaro", com voto casado em Jerônimo e no presidente Jair Bolsonaro (PL).

O movimento partiu de setores mais conservadores que não tiveram sucesso nas urnas. O primeiro a mudar de lado foi o vereador e deputado federal em exercício Joceval Rodrigues (Cidadania). Ligado à Igreja Católica, ele foi líder da maioria na Câmara Municipal de Salvador na gestão ACM Neto.

Também aderiu a Jerônimo uma parcela do PSC, legenda ligada à Assembleia de Deus. Derrotado nas urnas, o presidente estadual do partido, Heber Santana, rompeu com ACM Neto, de quem foi secretário municipal, e se engajou na campanha do petista.

O apoio a Jerônimo, contudo, não se estende a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na eleição presidencial, diz Eliel Santana, vice-presidente nacional do PSC.

"Nacionalmente, continuamos com Bolsonaro. Mudamos de posição aqui na Bahia por insatisfação com o tratamento que foi dado ao nosso partido. Fomos convidados por Jerônimo e vamos fazer a interlocução dele com o segmento evangélico", afirma Eliel Santana, pai de Heber.

Ele admite que houve críticas à decisão por parte dos filiados e da militância do partido. Mas diz acreditar que as resistências podem ser contornadas: "O eleitor vota com sua consciência. Não queremos induzir ninguém."

Com a força da máquina governista, Jerônimo conseguiu trazer para o seu lado mais de uma dúzia de prefeitos de diferentes partidos que no primeiro turno estavam com ACM Neto. O movimento foi apelidado de maneira jocosa de "portabilidade" de prefeitos.

Entre aliados de ACM Neto, a estratégia é vista como pouco efetiva. Eles alegam que dificilmente os eleitores vão mudar a escolha do primeiro para o segundo turno tão somente por orientação de um prefeito ou líder político.

Enquanto intensifica as articulações políticas com o apoio do governador Rui Costa (PT), Jerônimo começa o segundo turno jogando parado: evita polêmicas e já negou o convite para participar de debates em duas emissoras de televisão.

No caso da TV Band, disse que houve problema de agenda. Na TV Aratu, alegou "aparente parcialidade" da emissora, uma vez que esta pertence à família de Ana Coelho (Republicanos), candidata a vice-governadora na chapa adversária.

Folha apurou, contudo, que a decisão de não participar dos debates faz parte de uma estratégia de não expor o candidato. E justificam a decisão alegando que o adversário fez o mesmo no primeiro turno: ACM Neto faltou a 2 dos 3 debates televisivos que aconteceram no primeiro turno.

O petista também aposta na vinculação com Lula, que desembarcou em Salvador nesta quarta-feira (12) para participar de um ato de campanha de seu aliado. Juntos, fizeram uma caminhada com trio elétrico e ares entre o bairro de Ondina e o Farol da Barra.

Segundo os organizadores, cerca de 100 mil pessoas participaram do ato, quando Lula foi mais incisivo no pedido de votos ao aliado: "Eu preciso que vocês elejam o Jerônimo governador da Bahia"

O ex-prefeito de Salvador ACM Neto, por sua vez, tem adotado um discurso mais racional, que procura colocar água na fervura da polarização nacional. Para convencer o eleitor, aposta em uma comparação de propostas, currículo e de trabalho realizado.

"Essa é a minha grande diferença para o candidato do PT aqui na Bahia: ele foi testado e reprovado. Eu fui testado e considerado o melhor prefeito de todo o Brasil", afirma.

Nos atos de campanha, tem priorizado cidades de grande e médio porte, além dos municípios da região metropolitana de Salvador, onde teve mais votos que Jerônimo, mas não o suficiente para neutralizar os resultados das pequenas cidades do interior.

Neste segundo turno, manteve a posição de neutralidade em relação à eleição presidencial que já havia adotado no primeiro. Mas passou a fazer acenos mais claros aos bolsonaristas que votaram em João Roma. Aposta no antipetismo para conquistar esses votos, mesmo diante de uma relação turbulenta com o ex-ministro de Bolsonaro.

Amigos e aliados por mais de duas décadas, ACM Neto e Roma estão rompidos desde fevereiro de 2021 e trocaram duros ataques na campanha. Ainda assim, Roma anunciou apoio a ACM Neto no segundo turno, mas se manteve distante da campanha do ex-aliado.

Ao mesmo tempo, aliados próximos a ACM Neto que estavam neutros no primeiro turno aderiram a Bolsonaro, incluindo o vice-governador da Bahia e deputado federal eleito João Leão (PP).

Ao romper com o governador Rui Costa em março deste ano, Leão reafirmou seu apoio a Lula, mas meses depois passou a defender uma condição de neutralidade para atrair votos dos dois lados. Agora, já eleito deputado federal, subiu no barco bolsonarista e afirmou que "chega de PT".

Outros aliados do ex-prefeito como os deputados federais reeleitos Arthur Maia e Elmar Nascimento, ambos da União Brasil, também desceram do muro e apoiam o presidente no segundo turno.

Houve ainda movimentos em direção a Lula: o principal foi do deputado federal eleito Leo Prates (PDT), considerado braço-direito de ACM Neto, que seguiu a orientação de seu partido e agora apoia o petista na eleição presidencial.

Entre apoiadores e líderes políticos locais, é comum a adoção de adesivo com os emblemas "LulaNeto" e "BolsoNeto". Assim como no primeiro turno, o ex-prefeito de Salvador segue com o discurso de que está preparado para governar com qualquer presidente que for eleito.

Os adversários criticam a estratégia e apelidaram o ex-prefeito como o candidato do "tanto faz". Diz Jerônimo: "Se ele quiser continuar assim, a conta é dele. Nós vamos querer debater qual o compromisso que nós temos do Lula em relação à nossa Bahia".

 

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