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Justiça condena Boulos a multa por divulgação de ‘pesquisa Frankenstein’

Por Roseann Kennedy e Augusto Tenório / O ESTADÃO DE SP

 

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) condenou o deputado Guilherme Boulos (PSOL) a pagar multa de R$ 53,2 mil e apagar publicações nas quais o pré-candidato à Prefeitura de São Paulo mistura dados de uma pesquisa eleitoral. O MDB do atual prefeito, Ricardo Nunes, e o PSB da também pré-candidata Tabata Amaral ingressaram com ações contra o parlamentar. O juiz afirma que Boulos criou uma “pesquisa estimulada ‘Frankenstein’” ao construir uma postagem a partir de recortes que, isoladamente, são verdadeiros. Procurada, a pré-campanha afirmou que vai recorrer.

 

Na publicação, Boulos expõe que tem 34% de intenção de voto na pesquisa Real Time Big Data contra pré-candidatos ligados ao bolsonarismo: Nunes, o deputado Ricardo Salles (PL) e o senador Marcos Pontes (PL). O problema, apontou o juiz eleitoral Antonio Maria Patiño Zorz na decisão, é que não foi testado um cenário com esses nomes.

 

Além disso, o magistrado entendeu que Boulos excluiu os demais pré-candidatos: Tabata Amaral, Kim Kataguiri (União), Marina Helena (Novo) e Padre Kelmon (PRD) não aparecem no recorte feito pela publicação do pré-candidato pessolista.

 

Antonio Maria afirma que há “divulgação irregular de dados com indução do eleitor a erro” tanto por causa da mistura de cenários, pela inclusão no mesmo ranking de Salles e Pontes (que não poderiam concorrer ao mesmo tempo por serem do mesmo partido) e por ignorar os demais candidatos.

O Juiz ainda determinou a remoção do conteúdo das redes sociais, onde já não pode mais ser encontrado.

 

Bolsonaro cumpre agenda no Ceará para apoiar pré-candidatos com ato em ginásio e ida à pizzaria

Luana Barros / DIARIONORDESTE

 

Presidente do PL Ceará, o deputado estadual Carmelo Neto (PL) disse que existe a possibilidade de o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) jantar em Caucaia nesta quinta-feira (11), após agenda em Fortaleza. O ex-mandatário desembarca no Ceará para participar do lançamento da pré-candidatura do deputado federal André Fernandes (PL) à prefeitura da Capital. 

"Dessa vez, (a visita) deve ser um pouco mais corrida. O presidente chega, vai ao Paulo Sarasate para participar do lançamento da pré-candidatura do André Fernandes. (...) Há a possibilidade do presidente ir à Caucaia, comer uma pizza", disse Carmelo Neto.

Segundo o deputado estadual, a perspectiva é de que Bolsonaro possa "fortalecer a pré-candidatura do Coronel Aginaldo" com a ida a Caucaia. Marido da deputada federal Carla Zambeli (PL), Aginaldo deve concorrer à sucessão do prefeito Vitor Valim (PSB) pelo PL. 

Além dele e de Fernandes, o PL também confirmou a pré-candidatura da deputada estadual Dra. Silvana (PL) a Prefeitura de Maracanaú. Durante o evento no Ginásio Paulo Sarasate, os três pré-candidatos devem ter destaque. "Por ser em Fortaleza, claro, André vai ter o principal destaque. Mas os outros pré-candidatos, tanto Aginaldo quanto a Silvana, também vão ter um papel importante já nesse evento", garantiu.

Depois do Ceará, o ex-presidente deve viajar para a Paraíba. A viagem está agendada para a madrugada da sexta-feira (12). "Não sei se ele vai conseguir dormir (em Fortaleza), porque a gente jantando na Caucaia, não tem hora para sair. Eu acho que vai ficar bem apertado", completou Carmelo Neto. 

BOLSONARO EM FORTALEZA E CAUCAIA

PT traça estratégia para o difícil embate nas urnas nas maiores cidades do Ceará em 2024

Escrito por  / diarionordeste

 

 

Partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o PT perdeu espaço, na última década, no tabuleiro eleitoral das prefeituras municipais. De volta ao Palácio do Planalto, entretanto, o partido montou uma ofensiva e está projetando um resultado expressivo no Brasil e, claro, também no Estado do Ceará nas eleições municipais de 2024.  

Se, por um lado, o retorno ao poder nacional representa um peso positivo ao partido na nova empreitada, por outro o cenário nas principais cidades cearenses apresenta desafios que poderá frustrar os planos das lideranças locais e nacionais petistas em caso de deslize nas estratégias ou vácuos na condução das alianças para montar as chapas eleitorais. 

Começando por Fortaleza, a maior cidade do Estado e da região Nordeste, o PT caminha para lançar candidatura própria, a ser anunciada no próximo dia 21 de abril no Encontro Municipal da Legenda. Pelas perspectivas de bastidores, o presidente da Assembleia Legislativa do Estado, Evandro Leitão, deverá ser o ungido do petismo, mas há questões a serem consideradas como desafiadoras. 

Quem detém a Prefeitura da Capital é o PDT de José Sarto. Nacionalmente, os dois partidos estão aliados. O pedetista Carlos Lupi, por exemplo, ocupa o Ministério da Previdência no governo Lula. Porém, o clima entre os partidos no Ceará é de rompimento e racha desde a eleição de 2022. 

Com Sarto disputando a reeleição, o PT sabe das dificuldades que terá em um cenário com outros pré-candidatos fortes como caso de Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL). Do outro lado do cenário, há a composição com partidos aliados ao PT que anda, aparentemente, tranquila e conta com PP, Republicanos, MDB, PSD e PSB. Este último, porém, um caso a se observar. Depois de filiar Cid Gomes, a sigla cresceu e passou a significar uma força a ser ouvida no processo de definição. 

Caucaia 

Ainda na Região Metropolitana, em Caucaia, o partido também terá candidatura própria. A costura política culminou no recente anúncio do nome do secretário de Articulação Política do Governo Elmano, Waldemir Catanho – ligado à deputada Luizianne Lins – para a cabeça de chapa com apoio do prefeito Vitor Valim. Um nome local, da própria cidade, deverá ocupar a vaga de vice-prefeito. 

Mesmo com o poder, o cenário em Caucaia é conturbado. O fato de o prefeito abrir mão da reeleição gerou muitas especulações entre os aliados no próprio município. O fim do mandato marca ainda desgastes de imagem de uma gestão que começou apresentando projetos interessantes e vai passar por um teste de fogo nas urnas. 

Juazeiro do Norte 

Outro ponto focal da estratégia petista é o maior município do Interior do Estado: Juazeiro do Norte. Lá, o governador Elmano chegou a ensaiar uma aliança com o prefeito Glêdson Bezerra (Podemos), mas atualmente, as partes estão rompidas. E já é praticamente certo que o vice-presidente da Assembleia, deputado Fernando Santana, será o candidato petista na Cidade, na oposição ao prefeito. 

Juazeiro tem uma tradição de não reeleger prefeitos. Até hoje, nenhum gestor conseguiu renovar o mandato nas urnas. Uma peculiaridade no Cariri poderá tornar a jornada petista mais difícil: a cidade do Padre Cícero está bem perto de chegar aos 200 mil eleitores, tendo, portanto, disputa eleitoral em dois turnos. 

Essa particularidade poderá apresentar novos elementos para a disputa. Além disso, Fernando Santana terá o desafio de unir as forças governistas no município para a empreitada. O grupo tem nomes como o deputado estadual Davi de Raimundão, o ex-deputado Nelinho e o ex-prefeito Arnon Bezerra. 

Maracanaú 

Em Maracanaú, há duas hipóteses para o partido: apoiar a reeleição do prefeito Roberto Pessoa (União) ou apresentar candidatura própria. O deputado estadual Júlio César Filho, ex-líder do governo Camilo Santana na Assembleia, é um nome que tenta se viabilizar. 

Nos bastidores, entretanto, há uma possibilidade real de aliança com o prefeito da Cidade, que tem prestado apoio ao governador Elmano de Freitas. Essa disputa poderá ter reflexos, inclusive, em cidades vizinhas como Pacatuba. 

Sobral 

Por fim, não é provável que o PT tenha candidato próprio em Sobral, na região Norte do Estado. No berço político dos irmãos Ferreira Gomes, o partido mantém aliança, mas a relação entre a vice-prefeita Crhistianne Coelho e o prefeito Ivo Gomes já foi melhor.  

Recentemente, a gestão promoveu exonerações no gabinete da Vice-Prefeitura e até a devolução do prédio sede que era alugado. 

O momento ainda é de indefinições na sucessão municipal em Sobral, mas é praticamente certo que o partido não deve ter candidato próprio a prefeito da Cidade. 

 

 

Vice evangélico pode ser bala de prata do PT para 2026

Juliano Spyer

Antropólogo, autor de "Povo de Deus" (Geração 2020), criador do Observatório Evangélico e sócio da consultoria Nosotros / FOLHA DE SP

 

Vamos traçar uma linha imaginária de hoje até o segundo turno da eleição presidencial de 2026.
A menos que algum evento extraordinário aconteça, estarão no segundo turno o presidente Lula como candidato do governo e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, representando a oposição.

Esse cenário lembra o da eleição de 2018, quando Lula estava preso e indicou o hoje ministro Fernando Haddad para concorrer representando-o. Na próxima disputa, o ex-presidente Bolsonaro poderá estar preso, disputando o pleito indiretamente apoiando Tarcísio.

Mas Tarcísio será mais competitivo do que Haddad foi; talvez mais competitivo do que o próprio Bolsonaro seria em 2026, por conta dos escândalos que vieram à tona e que a Polícia Federal investiga. Tarcísio terá o apoio de bolsonaristas, mas, por ter uma postura moderada, mobilizará também conservadores que, por motivos variados, se distanciaram do ex-capitão.

PT escolheu lidar com evangélicos como um problema no campo da comunicação. É uma atitude preguiçosa: enterrar a cabeça no chão torcendo para o problema desaparecer. O que, então, restará na mesa como fichas de jogo, para o presidente e para seu partido, caso essa estratégia falhe nas eleições municipais deste ano e evangélicos continuem rejeitando o governo?

Em 2001, Lula enfrentava uma situação parecida à que hoje vive com o campo evangélico. Na época era o segmento empresarial que estava receoso. Eles tinham medo do que um militante do movimento sindical faria caso se tornasse presidente do país. E eles foram positivamente surpreendidos pela escolha de José Alencar, empresário de sucesso, sem experiência prévia na política, para o posto de vice-presidente da candidatura do PT.

Lula não precisa ter a maioria dos votos de evangélicos, mas precisa defender aqueles que já conquistou em eleições passadas e manter moderados em dúvida, sabendo que há mais de uma alternativa na mesa para eles. Eleitores evangélicos precisam continuar acreditando, ao contrário do que o bolsonarismo prega, que é compatível ser de esquerda e ser evangélico.

Interlocutores evangélicos com quem conversei —conservadores nos costumes— concordaram que um candidato a vice evangélico pode funcionar como uma bala de prata para o governo. Demonstra a disposição de Lula de governar o país junto com esse grupo.

Para a estratégia funcionar, o presidente deve primeiro identificar lideranças conservadoras, mas democratas, amplamente respeitadas dentro de um campo muito diverso. Há nomes com esse perfil. O maior desafio do PT será convencer um deles a aceitar o convite.

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Datafolha: Reprovação de Lula sobe 9 pontos e atinge 34% na cidade de São Paulo

Ana Luiza AlbuquerqueAngela Pinho / FOLHA DE SP

 

A reprovação ao governo Lula (PT) na cidade de São Paulo cresceu 9 pontos em um intervalo de pouco mais de seis meses, e sua aprovação caiu 7, segundo nova pesquisa Datafolha.

No total, dizem considerar a gestão do petista ótima ou boa 38% dos entrevistados. Outros 28% a avaliam como regular, e 34% como péssima. Não soube responder 1% da amostra.

No levantamento anterior, realizado em agosto de 2023, a gestão Lula era aprovada por 45% dos eleitores da capital paulista. Seu governo era considerado regular para outros 29%, enquanto 25% o consideravam ruim ou péssimo.

A atual pesquisa foi realizada na cidade de São Paulo nos dias 7 e 8 de março, com 1.090 entrevistas com pessoas de 16 anos ou mais. A margem de erro é de 3 pontos para mais ou para menos.

O levantamento também revelou a intenção de voto na corrida municipal de 2024, com Guilherme Boulos (PSOL), apoiado por Lula, e Ricardo Nunes (MDB), apoiado por Jair Bolsonaro (PL), liderando tecnicamente empatados.

Na capital paulista, Lula tem índices melhores de aprovação entre eleitores com 60 anos ou mais (45%, compõem 23% da amostra) e que cursaram até ensino fundamental (47%, são 21% da amostra).

Já sua reprovação é mais alta entre os evangélicos (25% da amostra). Nesse segmento, de forte ligação com o bolsonarismo, o índice de ruim/péssimo da gestão petista chega ao patamar de 49%, uma alta de 12 pontos em relação a agosto. A aprovação nesse estrato, por sua vez, caiu 16 pontos.

A reprovação da gestão de Lula também disparou entre aqueles que declaram voto em Nunes, passando de 31% para 51% ou 54%, a depender do cenário.

Também entre os que aprovam o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) a reprovação da gestão petista, como esperado, é maior do que a média, ficando em 56%.

Com os novos números do Datafolha, a aprovação da gestão de Lula em São Paulo se igualou à mais recente da pesquisa nacional.

Em dezembro do ano passado, segundo o instituto, Lula era aprovado por 38% dos brasileiros, enquanto 30% consideravam seu trabalho regular, e o mesmo número, ruim ou péssimo.

Em uma eleição que espelha a polarização nacional, a avaliação de Lula na cidade de São Paulo é um fator fundamental para a campanha de Boulos.

O engajamento do presidente na campanha do psolista ficou evidente em sua articulação para trazer de volta ao partido a ex-prefeita Marta Suplicy, convidada por ele para a vice —será a primeira vez que o PT não tem a cabeça de chapa.

O objetivo maior dos petistas é evitar uma vitória na maior cidade do país do campo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Em 2022, Lula venceu Bolsonaro no segundo turno na capital paulista por uma margem maior do que a sua votação geral, marcando 53,45%.

Hoje, o efeito da polarização parece afetar mais a percepção da gestão Lula na cidade de São Paulo do que a do governador Tarcísio de Freitas.

Segundo o Datafolha, 82% dos entrevistados da capital paulista que se classificam como bolsonaristas avaliam o governo do petista como ruim ou péssima. Já a gestão do apadrinhado de Bolsonaro é reprovada por 39% dos que se dizem petistas.

'MUITO AQUÉM'

Nesta segunda-feira (11), Lula disse em entrevista ao SBT saber que seu governo ainda está "muito aquém" do que prometeu.

Na semana passada, Ipec Quaest divulgaram levantamentos que mostram um aumento da avaliação negativa do governo.

"Eu tenho certeza absoluta que não tem nenhuma razão do povo brasileiro para me dar 100% de popularidade porque ainda nós estamos muito aquém daquilo que prometemos. Eu sei o que prometi para o povo, eu sei os compromissos que fiz com o povo", disse Lula.

"Até agora, preparamos a terra, aramos, adubamos e colocamos a semente. Cobrimos a semente. Este é o ano em que vamos começar a colher o que plantamos", completou.

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