Ciro assume aos poucos papel de franco-atirador
Refogado pelo centrão e cozinhado em banho-maria pelo PT, Ciro Gomes vai assumindo na sucessão de 2018 o papel de franco-atirador. Já toma distância até do “grande brasileiro” Lula. Num cenário em que o eleitorado olha para a política e só enxerga alvos, a encarnação do ‘contra-tudo-isso-que-está-aí’ pode render votos. Mas Ciro precisaria parar de atirar contra o próprio pé.
Ciro fala duas vezes antes de pensar. Produz polêmicas em escala industrial. Não se deu conta de que, na política, o problema começa com as explicações. Na penúltima derrapagem, o candidato do PDT disse, diante das câmeras, que Lula “só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder”. E manifestou o desejo de “botar juiz e o Ministério Público para voltar pra a caixinha.”
Sísifo e o Centrão
*FERNANDO GABEIRA, O Estado de S.Paulo
27 Julho 2018 | 03h00
Algumas coisas que deveriam estar juntas correm em dimensões ainda diferentes no Brasil, realidades paralelas: o aumento do índice de mortalidade infantil, como sintoma de decadência, e a campanha eleitoral no Brasil. O desencontro da vida real com a política se deve também ao momento em que campanha significa muito arranjo entre partidos, composições, definições de tempo de TV, escolha de vices. É como se o jogo ainda estivesse sendo discutido no vestiário, antes que saia para o campo aberto, diante da plateia.
Lula prefere perder a eleição 'nestepaiz' a perder o controle do PT
Se Leonel Brizola estivesse vivo, diria que o Sapo Barbudo pula por necessidade, não por boniteza. Já escrevi há muito que a estratégia de Lula é esticar a corda até o dia 17 de setembro, limite para a Justiça Eleitoral bater o martelo sobre as inelegibilidades.
Não! O objetivo não é preservar a hegemonia da centro-esquerda. O PT será sempre o centro de gravitação dos esquerdismos porque controla a máquina sindical. A escolha de Lula busca manter, isto sim, seu poder absoluto e absolutista no PT.
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Por que o PT não lança Dilma Rousseff à Presidência?
Perguntar não ofende. Por que não Dilma? Por que o PT não a lança à Presidência? O partido teria a chance de provar que, como a militância defende, era uma “presidenta” escolhida pelo povo, honesta, competente, guerreira, vítima de um golpe de Estado. Meio golpe.
O Senado rasgou a Constituição ao fatiar o impeachment, com a chancela do ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal). Dilma deveria ter perdido o direito de exercer cargos públicos por oito anos. Mas está aí, faceira, denunciando a pernada que levou do seu vice, a prisão política de Lula —em países tão democráticos quanto Cuba—, prestes a concorrer ao Senado.
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