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7 perguntas para Thomaz Favaro

1. As eleições de outubro no Brasil preocupam as empresas estrangeiras?

É um fator de instabilidade política que assusta, mas acredito que em geral o brasileiro está muito mais pessimista em relação às eleições do que os estrangeiros. Vemos que muitas empresas multinacionais continuam investindo no país e fazendo planos de médio e longo prazos para suas operações por aqui.

2. O que você tem dito a seus clientes sobre os candidatos?

Jair Bolsonaro tem a pré-candidatura mais longeva, já que se lançou candidato em agosto do ano passado. Ele tem apresentado uma base de eleitores relativamente consolidada, mas o fato de ter mantido cerca de 20% das intenções de voto por alguns meses pode indicar uma dificuldade em expandir-se muito além desse patamar. Para nós, o principal desafio de Bolsonaro é o segundo turno: basta ver o que aconteceu com Marine Le Pen, a candidata de extrema-direita na França, no ano passado. Ela ganhou 21% dos votos no primeiro turno, mas foi trucidada no segundo turno contra Emmanuel Macron.

3. E sobre Ciro Gomes?

O objetivo dele agora é conquistar a esquerda órfã do Lula, até por isso vemos um discurso mais acirrado — situação que deverá se alterar ao longo da campanha, pois acreditamos que haverá uma tendência à moderação. As pesquisas ainda não captam esse movimento devido à incerteza com relação à situação do Lula, mas Ciro deverá concorrer diretamente com o candidato do PT pelos votos da esquerda, e isso pode minar sua chance de chegar ao segundo turno.

 

4. Com Lula preso, quais as chances do PT?

O partido enfrentou seu pior momento em 2016 — ano do impeachment da presidente Dilma Rousseff —, quando a preferência partidária caiu para 9% segundo o Ibope. As pesquisas mostram que o partido conseguiu se recuperar com o discurso de vitimização, e esse percentual já está em 19%. A capacidade de transferência de voto de Lula é significativa, e seu substituto deverá disputar uma vaga no segundo turno de maneira mais acirrada do que sugerem as pesquisas atuais.

5. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin ainda não decolou nas pesquisas. O que o senhor espera da candidatura tucana?

Alckmin carrega o problema do desgaste da imagem do PSDB, mas a verdade é que a campanha dele nem sequer começou. O partido já garantiu a ele o teto do valor de gasto em campanha, de R$ 70 milhões. Os partidos de sua coalizão lhe garantem muito mais tempo de propaganda de TV. A coalizão do Ciro Gomes pode até dobrar sua exposição caso consiga o apoio do PSB, mas não ultrapassará os dez minutos. Esse montante de recursos e exposição deverá influenciar o futuro da candidatura tucana.

 

6. Alckmin perde com a polarização do eleitorado?

Quem define o resultado de uma eleição com segundo turno é o eleitor com pouca ou nenhuma afinidade ideológica, o que tende a favorecer os candidatos de centro. Os dois candidatos que chegarem lá disputarão os votos de quem não votou nem em A nem em B.

7. O que chama a atenção na crise política brasileira?

É a resiliência dos partidos. Na maioria dos países da América Latina eles não teriam sobrevivido à crise política que vivemos. Aqui continuam fortes, em parte pelo fim das doações privadas para as campanhas, que deu ainda mais poder aos caciques partidários. Mais do que nunca os candidatos precisam da bênção e dos recursos que esses caciques administram para poder concorrer.

 

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