Ciro discorda da estratégia do PT de levar candidatura de Lula às últimas consequências
Marcelo Osakabe, O Estado de S.Paulo
27 Julho 2018 | 17h58
O pré- candidato do PDT à Presidência, Ciro Gomes, disse nesta sexta-feira discordar da estratégia do PT de manter, mesmo que sub judice, a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva até as últimas consequências. Para o ex-governador, a tática "não respeita o momento grave" que o País está passando.
"Penso que a estratégia do PT não respeita o momento grave que a população brasileira está passando. Se for correto o senso comum que a lei da ficha limpa vai prevalecer, o que está se promovendo é um grande teatro para comover o povo brasileiro e lá na véspera da eleição, o Lula eleger outro presidente por procuração", disse. "E o Brasil aguenta outro presidente por procuração?"
Leia mais:Ciro discorda da estratégia do PT de levar candidatura de Lula às últimas consequências
Ciro assume aos poucos papel de franco-atirador
Refogado pelo centrão e cozinhado em banho-maria pelo PT, Ciro Gomes vai assumindo na sucessão de 2018 o papel de franco-atirador. Já toma distância até do “grande brasileiro” Lula. Num cenário em que o eleitorado olha para a política e só enxerga alvos, a encarnação do ‘contra-tudo-isso-que-está-aí’ pode render votos. Mas Ciro precisaria parar de atirar contra o próprio pé.
Ciro fala duas vezes antes de pensar. Produz polêmicas em escala industrial. Não se deu conta de que, na política, o problema começa com as explicações. Na penúltima derrapagem, o candidato do PDT disse, diante das câmeras, que Lula “só tem chance de sair da cadeia se a gente assumir o poder”. E manifestou o desejo de “botar juiz e o Ministério Público para voltar pra a caixinha.”
Sísifo e o Centrão
*FERNANDO GABEIRA, O Estado de S.Paulo
27 Julho 2018 | 03h00
Algumas coisas que deveriam estar juntas correm em dimensões ainda diferentes no Brasil, realidades paralelas: o aumento do índice de mortalidade infantil, como sintoma de decadência, e a campanha eleitoral no Brasil. O desencontro da vida real com a política se deve também ao momento em que campanha significa muito arranjo entre partidos, composições, definições de tempo de TV, escolha de vices. É como se o jogo ainda estivesse sendo discutido no vestiário, antes que saia para o campo aberto, diante da plateia.
Lula prefere perder a eleição 'nestepaiz' a perder o controle do PT
Se Leonel Brizola estivesse vivo, diria que o Sapo Barbudo pula por necessidade, não por boniteza. Já escrevi há muito que a estratégia de Lula é esticar a corda até o dia 17 de setembro, limite para a Justiça Eleitoral bater o martelo sobre as inelegibilidades.
Não! O objetivo não é preservar a hegemonia da centro-esquerda. O PT será sempre o centro de gravitação dos esquerdismos porque controla a máquina sindical. A escolha de Lula busca manter, isto sim, seu poder absoluto e absolutista no PT.
Leia mais:Lula prefere perder a eleição 'nestepaiz' a perder o controle do PT


