A uma semana da eleição, a crise voltou às ruas
Muitos dirão que, comparadas com as multidões maciças da jornada de 2013, as eloquentes manifestações anti-Bolsonaro deste sábado foram miúdas. Outros alegarão que os atos pró-Bolsonaro, mais mixurucas, crescerão a partir deste domingo, para indicar que o pedaço do eleitorado avesso à volta do PT ao poder não pode ser negligenciado. Quem olhar para o asfalto com as lentes caolhas e reducionistas da polarização arrisca-se a perder a essência do que está se passando.
São quatro as mais importantes, as mais básicas características de Sua Excelência o fato. Eis a primeira e mais óbvia constatação: a sociedade brasileira está trincada. A segunda obviedade é alarmante: as eleições presidenciais de 2018 não devolverão o sossego ao país. A terceira percepção é inquietante: Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, líder e vice-líder das pesquisas, apresentam-se como solução sem se dar conta de que são parte do problema. A quarta evidência é exasperante: o que se vê nas ruas é apenas o nariz daquilo que Juscelino Kubitschek apelidou de ''o monstro''.
1989 e 2018, mórbida semelhança
Leitores e eleitores talvez estejam cansados de ouvir comparações entre as eleições de 1989 e esta de 2018. Mas ainda convém prestar atenção nas semelhanças, que são lamentáveis, e em diferenças marginais, ainda mais preocupantes, entre as duas disputas.
Além disso, as consequências políticas de 1989 são mau agouro para o que tende a sair das urnas de 2018, a julgar pelo mais recente Datafolha.
Um aspecto importante de 1989 é que a democracia era ainda obra no começo, que contava com dois partidos relativamente novos, com um conjunto de lideranças relevantes e articuladas com a sociedade mais organizada, PSDB e PT.
Pesquisa CNT/MDA mostra segundo turno entre Bolsonaro e Haddad
O deputado federal Jair Bolsonaro (PSL) e o ex-prefeito Fernando Haddad (PT) seriam os candidatos que disputariam o segundo turno para a eleição presidencial caso a votação do primeiro turno fosse hoje, segundo os resultados de pesquisa CNT/MDA divulgadas no início da madrugada deste domingo (30).
Bolsonaro aparece com 28,2% da preferência do eleitorado, seguido por Haddad, que aparece com 25,2%. Em seguida estão Ciro Gomes (PDT) com 9,4%, e Geraldo Alckmin (PSDB) com 7,3%.
Leia mais:Pesquisa CNT/MDA mostra segundo turno entre Bolsonaro e Haddad
Análise: Efeito teflon preserva votos Bolsonaristas
BRASÍLIA — Em 2014, após ser alvo de intensa campanha de TV que associava sua proposta de independência do Banco Central à possibilidade de famílias ficarem sem ter o que comer, Marina Silva derreteu velozmente. Nas últimas semanas, Bolsonaro foi alvo de um intenso bombardeio dos adversários — e manteve-se inabalável do alto dos mesmos 28%, na liderança da corrida eleitoral.
A ampla campanha de artistas, brasileiras e internacionais, nas redes em torno do bordão #Elenão não impactou o eleitor que já havia escolhido o capitão reformado. Tampouco teve efeito sobre os eleitores do deputado a profusão de propagandas de Geraldo Alckmin alardeando a possibilidade de volta da CPMF e o risco de Fernando Haddad vencer Bolsonaro no segundo turno.
Leia mais:Análise: Efeito teflon preserva votos Bolsonaristas


