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PSB e Republicanos crescem ao menos 6 vezes o número de prefeituras no Ceará; PDT cai de 67 para 5

Escrito por Igor Cavalcante / DIARIONORDESTE

 

Sob liderança do senador Cid Gomes e do ex-senador Chiquinho Feitosa, o PSB e o Republicanos, respectivamente, foram os dois partidos que mais expandiram seus domínios no Ceará, proporcionalmente. As duas siglas ampliaram em pelo menos seis vezes a quantidade de prefeitos eleitos entre 2020 e a eleição deste ano. O PSB, que elegeu oito nomes em 2020, chegou a 65 neste ano. Já o Republicanos, com dois prefeitos há quatro anos, agora tem 14.

Por outro lado, o PDT, sob influência de lideranças como o ex-prefeito Roberto Cláudio, o ex-ministro Ciro Gomes e o deputado federal André Figueiredo, despencou de 67 mandatários eleitos há quatros anos para cinco vitoriosos neste ano.

Considerando o número total de prefeitos eleitos, o PT é outra sigla que conseguiu ampliar significativamente sua força entre os cearenses. Em 2020, foram 18 mandatários eleitos. Neste ano, 46. A legenda ainda pode ampliar esse número, já que, em Fortaleza, Evandro Leitão (PT) disputa o segundo turno contra André Fernandes (PL); e, em Caucaia, Waldemir Catanho (PT) tem como adversário Naumi Amorim (PSD). 

Na lista de partidos que cresceram entre as duas eleições aparecem ainda o Podemos, que foi de uma prefeitura para duas, e o PP, que passou de 10 para 13. O PTB, o DEM e o Pros elegeram mandatários na eleição anterior, mas são siglas que se fundiram para a criação do União Brasil e do PRD.

Troca partidária

O desempenho vitorioso do PSB e a desidratação do PDT tem relação direta. Os pedetistas obtiveram um resultado histórico em 2020 sob articulação comandada pelo senador Cid Gomes. Dois anos depois daquele pleito, no entanto, a legenda mergulhou em uma crise que rachou o partido: de um lado, ficaram aliados do senador, incluindo deputados estaduais e federais, além de prefeitos; de outro, ficaram lideranças do PDT Fortaleza e da Executiva Nacional, como Roberto Cláudio, Ciro Gomes e André Figueiredo.

A tensão só arrefeceu quando Cid resolveu deixar os quadros pedetistas — rompido inclusive com o irmão, Ciro — e se filiar ao PSB. Seguiram os passos do parlamentar, em fevereiro deste ano, 40 prefeitos com mandato, se desfiliando do PDT e se juntando aos quadros do PSB. Por conta dessa migração, algumas semanas antes da eleição deste ano, o PSB já contabilizava 67 prefeituras.

Nessa segunda-feira (7), um dia após o resultado do primeiro turno, Cid comemorou o desempenho do seu partido na eleição. Ele também comentou sobre a derrota histórica em Sobral, seu berço político, onde ele próprio, familiares ou aliados governavam há quase 30 anos. No pleito deste ano, a ex-governadora Izolda Cela (PSB) foi derrotada pelo deputado estadual Oscar Rodrigues (União).

“Quero expressar minha imensa gratidão ao povo cearense, que confiou no projeto do Partido Socialista Brasileiro (PSB) e elegeu 65 prefeitos e prefeitas do nosso partido e 56 vice-prefeitos e vice-prefeitas entre os 184 municípios do Estado. E meu agradecimento especial aos conterrâneos e amigos da minha terra amada, Sobral. Digo sempre e não custa reforçar que serei eternamente devedor do povo de Sobral. Muito obrigado a todos os cearenses”, disse.

O Republicanos também passou por transformações entre 2020 e este ano. O ex-senador Chiquinho Feitosa passou a somar força nas articulações no Interior. O partido, que elegeu dois prefeitos em 2020, chegou a três em meados deste ano. Com todas as urnas apuradas no Ceará, a legenda tem agora 14 prefeituras no Estado.

Outro partido que se beneficiou com a crise do PDT nos últimos anos foi o PT. Em 2020, a legenda elegeu 18 prefeitos, mas esse número foi ampliado ainda em 2022, com a onda petista que garantiu a vitória do presidente Lula (PT), do ministro Camilo Santana (PT) para o Senado, além da reeleição de José Guimarães (PT), líder do Governo, para a Câmara dos Deputados.

Em meados deste ano, a agremiação já tinha 43 prefeitos. Após o primeiro turno das eleições, o PT contabiliza 46 prefeituras no Ceará.

Perda de influência

Na outra ponta da lista, além do PDT, que saiu de 67 prefeitos para cinco, há outros partidos que perderam influência no Estado. 

Outro caso simbólico é o PL. Em 2020, sob influência do prefeito do Eusébio, Acilon Gonçalves, foram 13 gestores municipais eleitos. Contudo, com a filiação nacional do ex-presidente Jair Bolsonaro à sigla, Acilon perdeu influência e, atualmente, o PL Ceará é dominado por bolsonaristas fiéis. Neste ano, a agremiação não contabilizou a vitória de nenhum de seus candidatos majoritários — e agora aguarda a definição da disputa em Fortaleza, com André Fernandes.

O PSD, liderado pelo ex-governador Domingos Filho, é um desses casos. O partido elegeu 18 mandatários do Executivo em 2020, mas agora conseguiu vitória com 15. O MDB, do deputado federal Eunício Oliveira, tinha 17 municípios em 2020. Agora, reduziu para nove.

Pesquisas anteriores ao primeiro turno captaram intenção do eleitor

Por Editorial / O GLOBO

 

Os resultados das eleições nas principais capitais, de modo geral, mostraram sintonia com as pesquisas de intenção de voto divulgadas às vésperas do pleito. É incorreto afirmar que elas “acertaram”, uma vez que seu objetivo não é reproduzir o comportamento do eleitor diante das urnas. Mas não há dúvida de que, a despeito dos ataques sofridos nos últimos ciclos eleitorais, desta vez os institutos mais sérios captaram com precisão os movimentos esboçados pelos eleitores antes de votar.

 

Em São Paulo, o cenário retratado era de uma eleição extremamente acirrada entre o atual prefeito Ricardo Nunes (MDB), Guilherme Boulos (PSOL) e Pablo Marçal (PRTB). Foi o que aconteceu: Nunes obteve 26,6% dos votos totais, Boulos 26,2% e Marçal 25,4%. Na véspera, o Datafolha mostrava Boulos com 27%, Nunes e Marçal com 24%. A Quaest dava Boulos com 25%, Nunes com 24%, Marçal com 23%. É verdade que, nas duas pesquisas, a despeito do empate triplo, Boulos aparecia à frente. Mas a diferença entre os três era mínima, e o resultado ficou dentro da margem de erro.

 

No Rio, segundo maior colégio eleitoral, pesquisas apontavam uma reeleição tranquila para o prefeito Eduardo Paes (PSD), que obteve nas urnas 53,5% do total de votos, ante 27,3% de Alexandre Ramagem (PL). O Datafolha dava Paes com 54% e Ramagem com 22%; a Quaest mostrava Paes com 53% e Ramagem com 20%. Houve diferença na votação de Ramagem, sugerindo que eleitores tomaram a decisão de última hora ou resistiram a revelar voto nele, uma hipótese a investigar.

 

Em Belo Horizonte, as pesquisas captaram corretamente a desidratação na reta final da candidatura de Mauro Tramonte (Republicanos), que chegou a liderar a disputa, mas acabou fora do segundo turno. Nas urnas, Bruno Engler (PL) obteve 31%, Fuad Noman (PSD) 24% e Tramonte 14%. No Datafolha, Engler tinha 24%, Noman 23% e Tramonte 21%. A Quaest deu 25% a Engler, 23% a Noman e 19% a Tramonte. A diferença reflete o movimento de última hora favorável a Engler e contrário a Tramonte.

 

Nas eleições de 2022, quando houve discrepâncias significativas entre os números das pesquisas e os resultados das urnas, os institutos foram alvo de críticas, especialmente da classe política. No projeto do novo Código Eleitoral, parlamentares chegaram a inventar um descabido indicador de confiabilidade, conceito sem nenhum respaldo científico que deve ser repudiado.

 

Nas democracias, pesquisas de intenção de voto são um instrumento importante para subsidiar eleitores, candidatos e partidos. Não têm o objetivo de acertar resultados. São como uma fotografia do eleitorado num momento. Obviamente, esse retrato muda até a hora do voto. Não se deve confundir intenção de voto com resultado. Mas é desejável que os institutos calibrem suas amostras e metodologias, calculem melhor a influência da abstenção e captem o “voto envergonhado”. Os números do primeiro turno sugerem que as empresas têm se empenhado e conseguido melhorar.

 

Dificuldade no interior, desempenho fraco do PSD e crescimento de partidos rivais: os obstáculos a Paes para 2026

Por  e — Rio de Janeiro / O GLOBO

 

Apesar do resultado confortável que o levou a vencer a eleição carioca com 60% dos votos válidos, o prefeito Eduardo Paes precisará enfrentar um território bem menos acessível se decidir construir a candidatura ao governo do estado em 2026. Além de o PSD ter feito apenas outros dois prefeitos nos 92 municípios, os partidos que saíram mais fortes das urnas fluminenses não integravam a aliança de Paes na capital. Os caciques dessas siglas, por outro lado, também têm projetos políticos próprios e até atritos entre si, o que embola o cenário.

 

Mesmo com quase 40% do eleitorado de todo o estado concentrado na capital, nunca um prefeito do Rio conseguiu usar a cadeira como trampolim para se eleger governador. No domingo, o PSD não elegeu prefeitos na Baixada Fluminense e na Região Metropolitana, que também concentram grandes colégios eleitorais — hoje sob o comando de partidos como PL, PP, União Brasil e MDB. Nenhuma dessas siglas apoiou Paes na campanha deste ano.

 

O PL de Jair Bolsonaro e do governador Cláudio Castro conquistou 22 cidades e encabeça a lista no estado. Os três que vêm na sequência são justamente o PP (16), o União (12) e o MDB (9).

 

O PSD de Paes venceu apenas em Porciúncula e Carmo, dois dos menores colégios eleitorais do estado. Dos partidos da coligação de Paes, o Solidariedade, com nove prefeituras, foi o que teve o melhor desempenho, mas também em cidades menores. O PT, além de Maricá, vai comandar Japeri e Paracambi. Outras siglas aliadas de Paes, como Podemos, PRD e Agir, elegeram um prefeito cada.

 

Comandante do PP, o deputado federal Dr. Luizinho conseguiu, além de aumentar a capilaridade do partido, eleger prefeitos em colégios eleitorais importantes. Nas 11 cidades com mais de 200 mil eleitores, o PP venceu em quatro e tem chances de vitória numa quinta, Petrópolis, que terá segundo turno. Luizinho manteve o PP em seu próprio reduto e quarto maior eleitorado do estado, Nova Iguaçu.

 

O partido filiou ainda três prefeitos reeleitos, em Magé, Volta Redonda e Campos dos Goytacazes. No município do Norte Fluminense, a recondução de Wladimir Garotinho representou uma derrota do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar (União). Comandante do partido no estado, Bacellar aspira à cadeira de governador e tem Campos como reduto.

 

PP quer conversar

Ex-secretário estadual de Saúde e também cotado como sucessor de Castro, Luizinho se diz aberto a construir um projeto comum com outras forças políticas do estado, incluindo Paes — com quem o governador acumulou atritos no processo eleitoral deste ano. — O PP quer trabalhar para ajudar a construir o futuro do estado com os outros partidos, todo mundo conversando, e isso inclui atores como o Washington (Reis, do MDB), o Altineu (Côrtes, do PL), o governador e o próprio Eduardo (Paes) — aponta.

 

Fora da lista de Dr. Luizinho, Bacellar teve arestas com outros caciques estaduais neste processo eleitoral, no qual a vitória mais relevante do União Brasil ocorreu em Belford Roxo, com Márcio Canella.

 

Em Duque de Caxias, o presidente da Alerj lançou Celso do Alba (União), ex-aliado de Washington Reis, que chegou a ser visto como um nome que poderia atrapalhar a candidatura do MDB. Reis, no entanto, conseguiu eleger o sobrinho, Netinho, em primeiro turno. Já na capital, além do desempenho pífio nas urnas, o candidato de Bacellar à prefeitura, Rodrigo Amorim (União), protagonizou na Alerj ataques a aliados de Castro. Amorim participou da campanha como linha auxiliar do bolsonarista Alexandre Ramagem (PL).

 

Presidente estadual do PL, o deputado Altineu Côrtes avalia que o crescimento da sigla em número de prefeituras foi uma vitória da centro-direita. Apesar de derrotas, candidatos bolsonaristas, como Ramagem e Renato Araújo (PL), em Angra dos Reis, tiveram votações expressivas. Aliados de Altineu, os prefeitos de São Gonçalo, Capitão Nelson, e de Itaboraí, Marcelo Delaroli, foram reeleitos com grandes vantagens, e o PL formou com Saquarema e Tanguá um cinturão de prefeituras isolando o principal reduto petista, Maricá — e disputará o segundo turno em Niterói, contra o PDT. Castro ainda participou de campanhas de prefeitos reeleitos em Cabo Frio, Barra Mansa e Resende, nem todos do PL.

 

— Junto com nossos aliados, como PP, MDB e até o próprio União, essa base do governador elegeu a grande maioria dos prefeitos. Vamos ter o momento da autocrítica para ver o que é possível melhorar antes de 2026, mas a centro-direita saiu forte — diz Altineu.

 

No MDB, enquanto Washington Reis se alinhou ao bolsonarismo, o primeiro da fila a tentar a sucessão de Castro é o vice-governador Thiago Pampolha. Rompido com Castro, ele foi cortejado por Paes na campanha, mas a aliança do prefeito com o presidente Lula (PT) dificulta a aproximação eleitoral com o MDB. Reis é o presidente estadual. Interlocutores dizem que, além do MDB, o PP é outra sigla que Paes pode tentar atrair na montagem do secretariado da nova gestão, já de olho em alianças para 2026 — embora ele negue querer disputar o estado.

 

Eleitor consagrou gestores eficientes nas prefeituras

Por 

O quadro final das eleições municipais será definido apenas daqui a três semanas. Das dez cidades mais populosas, seis só conhecerão o nome do próximo prefeito no fim do mês. Mas, encerrado o primeiro turno, já é possível tirar algumas conclusões sobre o resultado.

 

Partidos de direita e centro-direita saíram fortalecidos. Os que mais elegeram prefeitos foram PSD (878), MDB (847), PP (743) e União Brasil (578). O PL, do ex-presidente Jair Bolsonaro, vem em seguida, com 510. Elegeu dois prefeitos de capitais (Maceió e Rio Branco), continua no páreo em nove, entre elas Fortaleza, Belo Horizonte e Goiânia, e venceu em mais oito dos 50 maiores municípios que definiram resultado no domingo. Mas ficou muito aquém dos planos anunciados de conquistar mais de mil prefeituras.

 

Ao todo, o arco que vai da direita ao centro — incluindo PL, Republicanos, MDB, PSD, União Brasil, PP, Podemos e Novo — elegeu 43 desses 50 prefeitos. A esquerda — PT e PSB —, apenas quatro. Juntos, os quatro principais partidos de esquerda — PT, PSB, PDT e PSOL — somaram 18,9% dos votos válidos no primeiro turno, ante 19,3% quatro anos atrás.

 

O PT recuperou prefeituras — em 2020, elegeu 182 prefeitos; desta vez conquistou 248 e ainda disputa 13 municípios. Mas também ficou aquém do desejado: não elegeu prefeito em nenhuma capital, apenas em duas das 103 maiores cidades. Nas quatro capitais em que foi para o segundo turno, as chances não são promissoras.

 

A predominância de forças políticas conservadoras nas prefeituras e câmaras de vereadores não é novidade. Partidos de direita têm vencido, eleição após eleição, a maior fatia dos cargos em disputa. Mesmo em 2012, quando o PT, embalado pelo crescimento econômico, conquistou 637 prefeituras, ficou longe do primeiro colocado, o MDB (na época PMDB), e não muito à frente de PSD e PP. Em 2016, dois anos antes da vitória de Bolsonaro, 77% dos prefeitos e vereadores eleitos eram de partidos da centro-direita à extrema direita, de acordo com análise de Fábio Vasconcellos, pesquisador da Uerj e da UFPR.

 

Quatro anos mais tarde, essa fatia subiu para 81%. “A dúvida neste ciclo eleitoral é se a proporção sobe um pouco ou desce um pouco, não que deixe de ser majoritária com larga folga”, diz Vasconcellos.

 

A principal lição das urnas, na verdade, tem pouca relação com inclinação ideológica. Por serem pulverizadas, as disputas locais têm lógica própria. Candidatos a prefeito ou vereador tendem a se distanciar de compromissos com esta ou aquela linha política. Nas cidades maiores, o que vale é o tamanho das filas nos centros de saúde e hospitais ou a qualidade do serviço público, em especial o transporte. Longe da polarização que movimenta as redes sociais, os eleitores tendem a escolher quem entrega mais melhorias.

 

É isso que explica a consagração de prefeitos bem avaliados. Das 103 maiores cidades, 50 elegeram prefeitos no primeiro turno. Dez dos 11 prefeitos de capitais eleitos no domingo foram reeleitos, entre eles Eduardo Paes (PSD), no Rio, João Campos (PSB), no Recife, ou Bruno Reis (União), em Salvador. Campos ganhou com 78% dos votos válidos. Reis, do campo político oposto, obteve a mesma fatia consagradora de apoio. Paes obteve mais de 60%. O recado do eleitor nas eleições municipais é nítido: a busca por eficiência na gestão.

Turbinado por Bolsonaro, PL desbanca o Republicanos com o maior número de vereadores em capitais; MDB lidera no país

Por /— Rio de Janeiro / O GLOBO

 

 

Além de mostrar força nas eleições para as prefeituras dos maiores colégios eleitorais do país, o PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, é a sigla que mais elegeu vereadores nas capitais em 2024. De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o partido elegeu 96 representantes nos Legislativos desse grupo de 26 cidades. Há quatro anos, esse posto ficou com o Republicanos, que elegeu 53 vereadores na última eleição.

 

O PL também teve os vereadores mais votados em capitais como o Rio, com Carlos Bolsonaro; Goiânia, com Major Vitor Hugo; e Cuiabá, com Samantha Iris, mulher do candidato a prefeito Abilio Brunini (PL).

Em Belo Horizonte, o ex-assessor do deputado federal Nikolas Ferreira, Pablo Almeida se tornou o vereador mais votado da história da capital mineira. Ele somou 39.960 votos. O recorde anterior tinha sido da hoje deputada federal Duda Salabert (PDT), que obteve 37.613 em 2020.

 

‘Sentimento antissistema’

No quadro geral de municípios, a sigla de Bolsonaro cresceu 43,3% em relação ao pleito anterior, quando ainda não tinha o ex-presidente entre seus filiados, e elegeu 4.961 vereadores, subindo de sexto para o quinto partido com mais parlamentares. Em números absolutos, o PL foi o segundo que mais ampliou o número, com 1.500 nomes a mais.

 

— Isso acontece principalmente pelo sentimento antissistema, que é representado pelas candidaturas do PL, pelas pautas conservadoras e pela sigla escolher bem os nomes que são os puxadores de votos, como influenciadores, os filhos de Bolsonaro. Isso é mais importante nas capitais, porque nas outras cidades a dinâmica muda muito, tem uma dimensão local que ganha mais peso — avalia o coordenador do Observatório Político e Eleitoral da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o cientista político Josué Medeiros.

 

Professor de Ciência Política no Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (IESP/Uerj), Bruno Schaefer destaca que a sigla teve uma votação bem distribuída por todas as regiões do país: — Uma das métricas que usamos, além de prefeituras e vereadores eleitos, é a população governada. E nesse quesito, como tem muitos vereadores em capitais, o PL foi muito bem. Isso indica uma consolidação e tendência de fortalecimento para 2026.

 

Segundo partido com mais vereadores eleitos em capitais, o PSD emplacou as maiores bancadas nas Câmaras do Rio e de Curitiba. Em São Paulo, apesar de o PL ter emplacado o vereador mais votado, Lucas Pavanato (mais detalhes abaixo), quem elegeu a maior bancada foi a federação PT-PCdoB-PV, com nove vereadores.

 

MDB, do atual prefeito e candidato à reeleição Ricardo Nunes, fez sete vereadores. O PSOL, do adversário de Nunes no segundo turno, Guilherme Boulos, terá uma bancada com seis representantes. No quadro geral, MDB manteve a liderança como o partido com o maior número de vereadores eleitos do Brasil. A legenda teve um desempenho 10,4% superior em relação ao pleito de 2020.

 

Na outra ponta do ranking nacional, o PSOL foi o que elegeu o menor número de vereadores em 2024. Com uma queda de 13% em relação a 2020, a sigla saiu de 92 para 80 parlamentares e substituiu o Novo na última posição. Na esquerda, o PT aumentou o número de vagas nas Câmaras, mas só 17,3%, chegando a 3.130 parlamentares e subindo de nona para a oitava legenda com mais vereadores. Entre as capitais, emplacou apenas 61 nomes, atrás de PL, PSD, PP, MDB, União Brasil e Republicanos.

 

— O PT e o PSB tiveram um crescimento tímido no número de vereadores, enquanto o PDT, PCdoB e o PSOL diminuíram. No geral a esquerda ficou um pouco semelhante a 2020. É um cenário complicado porque você tem a Presidência da República, então era esperado um crescimento mais significativo. Isso me parece uma tendência desde 2016 nas eleições locais que é um predomínio da direita — avalia Schaefer

 

O Novo teve o crescimento mais expressivo, com um salto de 806,9% no número de cadeiras, embora tenha permanecido entre as dez siglas com pior desempenho, elegendo apenas 263 nomes. Já a queda mais acentuada foi o Cidadania, que saiu de 1.584 parlamentares para 437, uma diminuição de 72,4%.

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