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‘Em 2022, a cautela deve substituir a indignação’, diz Antonio Lavareda

José Fucs, O Estado de S.Paulo

03 de janeiro de 2022 | 16h50

O sociólogo e cientista político Antonio Lavareda, de 70 anos, é um dos profissionais mais tarimbados do País em campanhas eleitorais. Pioneiro, no Brasil, na utilização das ferramentas da neuropolítica, que estuda a influência das emoções e do inconsciente no comportamento dos eleitores, ele participou de quase 100 eleições, como coordenador ou consultor de campanha, nas últimas décadas.

Nesta entrevista ao Estadão, Lavareda afirma que o pleito de 2022 terá características diferentes do de 2018. Segundo ele, o eleitor está menos influenciado pelo sentimento de indignação que marcou a eleição passada e mais cauteloso e preocupado com a experiência dos candidatos, até em razão dos problemas de gestão observados durante a pandemia. “Em 2022, a cautela deve substituir a indignação”, diz.

Lavareda comenta também a preocupação de muitos analistas, que consideram a eleição de 2022 como uma das mais importantes das últimas décadas, em razão dos riscos de que haja uma ruptura institucional em caso de reeleição de Jair Bolsonaro, e fala sobre a ligeira guinada para a direita do PSDB, sob comando do governador de São Paulo, João Doria. Em sua avaliação, após as eleições, o Brasil deve seguir o exemplo recente do Chile e abrir espaço ao diálogo, para poder enfrentar os grandes desafios que tem pela frente. 

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Para Antonio Lavareda, eleitor estará mais cauteloso e preocupado com a experiência dos candidatos no pleito de 2022. Foto: Carlos Ezequiel Vannoni/Estadão

Nós estamos entrando em um ano eleitoral com um cenário político e econômico complicado, ainda marcado pela pandemia. O que a gente pode esperar das eleições em 2022?

No meu modo de ver, para a gente entender como será a eleição de 2022, é muito importante identificar o que ocorrerá de diferente agora em relação à eleição passada. A eleição de 2018 se inseriu na categoria das “eleições críticas”, que, segundo a literatura de ciência política, ocorrem quando se conjugam fatores como crise econômica, polarização ideológica, intensa participação e interesse no pleito, e têm como consequência um realinhamento expressivo do eleitorado. Em 2018, a principal consequência desse quadro foi a emergência de um outsider e a substituição do PSDB como representante do centro-direita nas eleições presidenciais pelo emergente de extrema-direita. O PSDB foi afastado do mandato que exercia desde 1994. Agora, em 2022, nós não deveremos ter outra eleição tão crítica, na qual a repulsa à corrupção, por conta da operação Lava Jato, capitaneia as aspirações da sociedade. Vai ser uma eleição normalizada, em que a temática da moralidade e do combate à corrupção deverá ser muito menos valorizada do que há quatro anos, o que diminui muito o espaço para outsiders.

Que outras diferenças devem marcar a eleição de 2022 em relação à de 2018?

Nós teremos agora, pela primeira vez na nossa história, um candidato que foi eleito como outsider e que se candidata à reeleição. Vamos ter um presidente que foi eleito como outsider, mas vai competir normalizado, submetido ao figurino da política tradicional, filiado a um grande partido, com uma grande coligação, grande tempo de rádio e televisão e grandes recursos - no caso, uma fatia expressiva do fundo eleitoral. Naturalmente, com isso, ele vai precisar conciliar um pouco da retórica antissistema que o elegeu quatro ano atrás. Não vai ser mais um candidato antissistema. Nós já tivemos presidentes que foram eleitos como outsiders duas vezes, no Brasil: a primeira em 1960, com Jânio Quadros, do PTN, que saiu de vereador de São Paulo e em nove anos chegou a presidente da República. Ele foi mais ou menos envelopado por um partido tradicional, a UDN, mas era um outsider. Sua presidência durou menos de sete meses, e o outsider foi embora. Depois, tivemos o Collor, eleito em 1989 e “impeachado” antes de completar três anos de governo. Ele era um outsider também e se elegeu como tal. Agora, pela primeira vez, vamos ter um candidato que foi eleito como outsider e se candidata a reeleição.

Antes da continuar, gostaria de esclarecer um ponto que o sr. mencionou há pouco. O sr. classificou o presidente Jair Bolsonaro como um candidato outsider em 2018, mas ele já estava há quase 30 anos na política. Será que a gente pode incluí-lo nessa categoria de outsider?

Isso é verdade. Mostra o truque exitoso do cidadão que estava há décadas no Parlamento, mas aos olhos da sociedade se colocou como um elemento antissistema. Ainda que você não queira classificá-lo como outsider, ele era um candidato antissistema, porque, na eleição, contestava até os fundamentos da Nova República, explicitando uma nostalgia em relação ao período autoritário. Ele se elegeu assim. O truque de marketing e da grande sensibilidade que ele tem foi exatamente se apresentar como outsider. Ele se apresentou como se fosse do lado de fora da política, como o intruso, alguém que, embora estivesse lá, lá não estava. A medida de seu êxito foi a montanha de votos que ele obteve no segundo turno.

Outro ponto que quero esclarecer, antes da gente continuar, é o seguinte: o sr. disse que, em 2018, nós tivemos uma “eleição crítica”, em razão da crise econômica, da Lava Jato e da rejeição à política tradicional por parte de um contingente considerável da sociedade, e que, em 2022, será diferente. Mas, neste ano, a gente também está vivendo uma crise econômica, com crescimento muito baixo da economia ou talvez até uma recessão, inflação em alta, desemprego, queda de renda, fora a questão da pandemia. Por que agora, na sua avaliação, essa “eleição crítica” não deve acontecer?

O clima de uma eleição é constituído pelo agregado de sentimentos mobilizados na sociedade pelos eleitores, despertados por fatores objetivos. O clima de 2018 tinha como fatores objetivos alimentadores a crise econômica, a Lava Jato, e a resultante era sobretudo a indignação. As pessoas, os eleitores comuns, viam o Brasil empobrecendo como resultado do dinheiro surrupiado pela corrupção política ao longo dos anos. Havia uma relação de causalidade entre as duas coisas. Agora, o sentimento predominante, que já se esboçou nas eleições de 2020, é o da substituição da indignação pela cautela, pela lógica. Ou seja, o eleitor está mais moderado, mais preocupado com a experiência dos candidatos. Por isso, a taxa de reeleição dos prefeitos, de 63%, foi excepcionalmente elevada em 2020. 

Houve uma decepção com muitos dos incumbentes eleitos como outsiders

Na sua visão, o que produziu essa mudança de humor da população?

De um lado, houve certa decepção com o desempenho dos incumbentes eleitos no tsunami de indignação de 2018, seja na Presidência, seja em alguns governos de Estado - e o Rio de Janeiro é um caso importante para ser levado em conta. De outro lado, o medo, o receio da pandemia, ressaltou a importância da ciência, da experiência para o enfrentamento dos problemas, rechaçando o improviso, os outsiders, como se viu em 2020. Ou seja, esse clima, na minha forma de entender, é motivado por dois componentes que se associaram, ora com maior peso um, ora com maior peso outro: de um lado, a decepção com muitos dos incumbentes eleitos como outsiders; de outro, a cautela, a precaução, substituindo a ansiedade, aquela mobilização indignada de 2018, inclusive por conta da pandemia.

Todas as eleições são importantes. É difícil dizer que uma é mais importante do que a outra. Mas muitos analistas têm considerado a eleição de 2022 como “a mais importante” das últimas décadas para o futuro do Brasil. Como o sr. analisa isso?

Isso tem a ver, provavelmente, com o caráter do governo Bolsonaro. Como eu disse inicialmente, o presidente guarda uma certa nostalgia do período autoritário. Trouxe para o governo o maior número de militares que já se viu desde o fim do período autoritário. No primeiro ano do governo, ele realizou um experimento inédito de governar como presidente antissistema. Ele era governo, mas se colocava em oposição ao Estado. Atuava como um chefe de governo que se opunha aos fundamentos constitucionais do Estado, uma coisa inédita que tinha tudo para dar errado. Então, alguns analistas estão chamando a atenção para o fato de que essa eleição vai decidir a sorte da Nova República. Há uma percepção de que, se o presidente Bolsonaro for reeleito, isso aumentaria muito a chance de uma ruptura institucional mais adiante ou de dar passos avançados para a construção de uma democracia iliberal. Hoje, como sabemos, não é mais necessário haver rupturas, com aquele coup d’etat clássico, para isso acontecer. Esses passos podem ser dados através do acúmulo de forças no Congresso ou no Judiciário ou em ambos, como ocorreu em outros países. 

Agora, o sr. falou há pouco que, em 2018, o centro-direita afastou-se do PSDB e apoiou a candidatura de Bolsonaro. Considerando a percepção de que uma eventual reeleição de Bolsonaro pode favorecer uma ruptura institucional, que posição o centro-direita deve tomar nesta eleição?

A grande interrogação, hoje, é se 2022 vai assinalar o retorno do PSDB como representação do centro-direita. Observando o quadro hoje, com o PSDB na quinta posição nas pesquisas, isso não parece o mais provável. É preciso levar em conta que o presidente deverá competir por uma coligação de partidos tradicionais que são expressivos, como o PL e o PP. Então, essa representação do centro-direita, que durante muito tempo, de 1994 a 2014, foi exercitada por um partido de centro, que era o PSDB, parece que agora será exercida por um agregado de partidos de direita, tipificados pelo PL e pelo PP, que deverão apoiar o presidente.

A sociedade brasileira caminha para a direita desde 2012

Nesse cenário, como devem ficar as candidaturas de centro-direita, como a do ex-juiz Sergio Moro, a do cientista político Luiz Felipe d’Avila, que deverá concorrer pelo partido Novo, e a do próprio governador de São Paulo, João Doria?

A academia tem uma classificação de partidos com base no posicionamento ideológico de cada um. Os que mais frequentemente são denominados partidos de centro pela ciência política brasileira são o PSDB e o MDB. O Doria, então, é considerado como centro e os demais como estando à direita do espectro. Então, a representação do centro-direita, que saiu do centro em 2018, muito provavelmente vai continuar longe do centro em 2022, até porque a sociedade brasileira caminha para a direita desde 2012. Quando a gente examina o agregado das votações, em todos os níveis, nós vemos que, a partir das eleições municipais de 2012, há um movimento regular que avoluma o agregado das votações dos partidos da direita no Brasil.

A questão é que, como a ala tradicional do PSDB não se identifica com o Doria, que apoiou o Bolsonaro em 2018, e também tem certa rejeição ao Moro, está surgindo um fato novo nesta eleição, que é a aproximação desse grupo e do PT, com a possível candidatura do ex-governador paulista Geraldo Alckmin como vice de Lula. Como o sr. coloca isso dentro desse quadro?

Tem dois personagens que você citou que ajudaram a construção do clima que resultou na eleição de 2018. Um é o Moro que, durante cinco anos, desde o fim de 2013, ajudou a construção do clima que permitiu a emergência desse líder mítico que viria a ser o Bolsonaro, em 2018. O outro é o João Doria. João Doria se elegeu como prefeito de São Paulo em 2016, assim como o Alexandre Kalil em Belo Horizonte, com um outsider da política. Tanto o Doria como o Kalil se elegeram proclamando as virtudes do gestor em oposição aos defeitos dos políticos. Então, pode até ser verdade, como as pessoas dizem, que o Bolsonaro foi decisivo para a eleição do Doria, no segundo turno, em 2018. Mas também é verdade que a eleição do Doria foi muito importante para consolidar na maior cidade do País a tese da antipolítica, da predileção do gestor sobre os políticos, e sobretudo para abrir o espaço para a ascensão de um outsider em 2018.

Embora o sr. tenha dito que, na academia, o PSDB sempre foi enquadrado como partido de centro, o certo, hoje, não seria enquadrar o partido mais como de centro-direita, com a ascensão do Doria e esse racha interno com a ala tradicional do partido que está levando o grupo a se aproximar do PT?

Na verdade, o centro, centro mesmo, é uma posição da mais elevada abstração. O centro é um ponto que não existe. É composto de posições um pouquinho à esquerda e um pouquinho à direita, e o Doria faz parte do centro-direita do PSDB, que se tornou dominante. Com isso, de fato, o partido caminhou alguns pontos, alguns centímetros ou metros, para a direita.

No multipartidarismo fragmentado como o nosso, ou o presidencialismo é de coalizão ou não é democrático

No Brasil, a gente fala muito da eleição presidencial e pouco sobre a disputa para o Congresso, que vem adquirindo um poder crescente nos últimos anos. Embora muitas candidaturas não estejam definidas, o que o sr. pode dizer sobre as perspectivas para o novo Congresso? As forças políticas tradicionais vão continuar a dominar?

Muita mudança ainda vai ocorrer nos próximos meses, sobretudo quando da “janela partidária”, que se abre em 3 de março durante trinta dias. Além disso, não há como imaginarmos que as eleições para o Congresso não sejam de alguma forma afetadas pela corrida presidencial, e é difícil prever como a campanha vai se desenrolar nos próximos meses. Ainda assim, já dá para identificar algumas tendências. Aparentemente, a proibição de coligações em eleições proporcionais, já com vigência nas eleições municipais de 2020, vai ter consequências positivas, sim, na redução da fragmentação partidária na Câmara dos Deputados. Provavelmente, pelo que se pode projetar hoje, as federações partidárias devem reduzir ainda mais essa fragmentação, porque vão se constituir, para todos os fins, como partidos, com alas internas, porque ficarão amarradas durante toda a legislatura. As federações estarão sujeitas à mesma legislação de fidelidade partidária que hoje existe para os partidos. Essa concentração deve-se se dar mais no campo da esquerda do que no da direita. Isso significa que, se o ex-presidente Lula for eleito, terá mais facilidade para construir sua base de apoio no Congresso. 

Apesar do poder adquirido pelo Congresso, o chamado “presidencialismo de coalização” tem uma conotação muito negativa para uma parcela considerável da sociedade e é visto como expressão do velho tomá lá, dá cá da política brasileira. Como o sr. vê essa questão?

Acredito que a categoria “presidencialismo de coalização”, que foi o (cientista político e sociólogo) Sérgio Abranches que nos trouxe, não fez muito bem neste sentido, porque ajudou a demonizar o exercício natural das absolutamente indispensáveis coligações partidárias. Quando você fala em “presidencialismo de coalizão”, é como se a virtude estivesse num eventual presidencialismo sem coligações. Mas como isso pode ser possível se nenhum partido tem mais do que 15% do Parlamento? Seríamos condenados à paralisia decisória permanente? No multipartidarismo fragmentado como nosso, ou o presidencialismo é de coalizão ou não é democrático. O único presidencialismo possível num sistema multipartidário fragmentado como o nosso é o de coalizão. Não devia ser nem uma categoria específica. Se é uma coisa que houve em todos os governos desde a redemocratização, é óbvio que essa categorização não distingue uns de outros. É por isso que eu digo que, do ponto de vista do funcionamento da democracia nas circunstâncias do nosso presidencialismo, isso deveria ser considerado um truísmo, mas não é. Toda democracia multipartidária com alguma fragmentação - não precisa nem cair no extremo da nossa, que pelo ranking internacional fica em primeiro lugar - exige coligação. Por que ninguém demoniza o parlamentarismo de coligação na Alemanha? Você não vai ver na literatura de ciência política de lá ninguém dizer “esse parlamentarismo de coligação vai fazer muito mal para a Alemanha”. É uma jabuticaba nossa.

Será que essa visão negativa em relação ao “presidencialismo de coalizão” não tem a ver com o esquema de troca de favores que o sustenta?

Isso tem a ver com a gramática das alianças. Quando a gente fala em alianças, está metaforicamente remetendo a uma prática social que todos nós conhecemos, que são os casamentos. A gramática dos casamentos, se você pega no conjunto e no mundo todo, é variada. Há casamentos por interesse pecuniário, por imposição familiar, por ditames religiosos e por amor, que são considerados os mais valiosos contemporaneamente. É a mesma coisa nas alianças, ou seja, nos casamentos e noivados partidários. Agora, há questões a serem enfrentadas. Uma delas, fundamental, é a discussão sobre a legitimidade das emendas orçamentárias. Embora isso seja algo praticado em todo o mundo, é importante que, no Brasil, hoje, mais da metade dos investimentos com recursos orçamentários, que não são determinações constitucionais, despesas obrigatórias, está nas mãos do Congresso. Só que, como não temos no País o semipresidencialismo, os parlamentares acabam tendo esse acesso a recursos do orçamento sem vínculo com as políticas públicas.

A transparência é algo imperioso no uso de recursos públicos

Muita gente está chamando essa participação significativa do Congresso nas verbas destinadas a investimentos de “captura do orçamento”, no sentido mais negativo possível. Mas eu lembro que o ministro Paulo Guedes disse, numa entrevista que concedeu ao Estadão, a primeira logo depois da posse, que os políticos é que deveriam decidir para onde vai o dinheiro público, como acontece nas principais democracias do mundo. Afinal, isso é ruim ou isso é bom? Houve realmente uma “captura” do orçamento pelos parlamentares?

Primeiro, a gente tem de ter cuidado com a semântica. Quando você fala em “captura”, já fala como se fosse algo ilegítimo. Não acredito que seja o caso. Agora, há um aspecto, do qual não se deve abrir mão: a transparência, que é algo imperioso no uso de recursos públicos. É, inclusive, uma determinação constitucional. O poder não pode ser exercido sem a devida transparência em todas as esferas - e na esfera orçamentária isso é fundamentalíssimo. É importante, sim, que os parlamentares tenham condições de alocar uma parte das verbas orçamentárias, porque eles detêm o conhecimento das demandas específicas das suas regiões, mas tudo é uma questão de proporção. Nos Estados Unidos, por exemplo, o (presidente Joe) Biden patrocinou um pacote de US$ 1,9 trilhão assim que assumiu o cargo e depois implementou um plano de investimentos em infraestrutura cujo valor é até maior do que isso. É preciso ter espaço no orçamento para que o Executivo, o governo federal possa lançar um plano com essa ambição. Não estou discutindo se o valor absoluto é muito ou pouco. Estou chamando a atenção para a questão relativa. É preciso deixar espaço para que as políticas públicas concebidas pelo governo federal tenham fôlego, recursos suficientes para ser desenvolvidas. Então, como muitos dos problemas na vida, é um problema de proporção. Esse é um problema que qualquer governante que for eleito neste ano vai precisar enfrentar e repactuar com o Congresso, no processo de diálogo com o Legislativo. O Congresso não pode achar que isso se transformou numa “cláusula pétrea”.

Num exercício puro de futurologia, olhando para 2023, há uma luz no fim do túnel ou o País vai continuar nessa polarização que vivemos hoje? Como o sr. imagina o Brasil pós-eleitoral, em 2023?

Quanto mais difíceis e mais poderosos forem os obstáculos que as nações atravessam, mais é requerido das forças políticas um exercício de convergência. O processo eleitoral naturalmente causa divisão. Em 2022, nós vamos ter os segmentos políticos mobilizados, se enfrentando com contundência, com virulência. Não acredito que as eleições de 2022 vão se dar num clima ameno ou muito civilizado. Acredito que vamos ter disputas muito ásperas, muito duras. Mas nós temos que nutrir a esperança de que, passadas as eleições, as principais forças políticas redefinidas pelo eleitorado, aquelas que serão governo e as que serão oposição, tenham condições de desenvolver um patamar mínimo de diálogo para enfrentar os problemas dramáticos que se colocam para o País. A minha esperança é de que o bom senso e a razão levem a uma redução do conflito político-ideológico em 2023, apesar de todas as dificuldades e da temperatura elevada que deve predominar na campanha. Nós vimos no Chile, por exemplo, um candidato radical do ponto de vista político-ideológico, que perdeu eleição e felicitou o opositor vitorioso, dizer que estava pronto para contribuir para o que fosse melhor para o país. É óbvio que isso é retórica. Mas em política todo enunciado tem significado e deixa consequências. Nós não podemos saber ainda quem vai ganhar a eleição no ano que vem, se Bolsonaro, Lula, Sergio Moro ou qualquer dos outros. Mas o que se espera é que, independentemente de quem seja o vitorioso, os demais tenham uma postura, digamos, construtiva, se não para o governo próximo com certeza para o País.

Cena do crime

J. R. Guzzo, O Estado de S.Paulo

26 de dezembro de 2021 | 03h00

O ex-governador Geraldo Alckmin disse em passado recente, sem ninguém ter-lhe perguntado nada, que o ex-presidente Lula, em sua campanha para a Presidência da República, quer “voltar à cena do crime”. Nunca retirou o que disse; de lá para cá Lula foi condenado pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro por nove juízes diferentes, em terceira e última instância, e ficou um ano e meio na cadeia. Agora, de uma hora para outra, os dois aparecem como melhores amigos para disputarem – com Alckmin na vice, é óbvio – a eleição presidencial de 2022. Quer dizer, então, que o ex-governador resolveu tornar-se cúmplice de um criminoso e voltar junto com ele ao lugar onde o crime foi cometido? Se não for isso, não se sabe o que poderia ser.

Alckmin talvez tenha alguma explicação para o seu cavalo de pau – mas, se tem, ainda não contou nada para ninguém. O que mudou, desde então, para ele ter hoje sobre Lula uma opinião oposta à que tinha outro dia? Por acaso descobriu-se que a roubalheira do seu governo não existiu? Que não houve dezenas de confissões de culpa e devolução de milhões em dinheiro roubado? Que Lula foi absolvido de alguma coisa? Seus processos penais foram anulados num embuste legal no Supremo, onde não se considera, hoje em dia, que corrupção seja um crime – mas sentença de absolvição na justiça brasileira, até agora, não houve nenhuma.

Lula e Alckmin
Lula e Alckmin se encontram em jantar em São Paulo em 19 de dezembro de 2021. Foto: Antônio Carlos de Almeida Castro

Se nada mudou, e se Lula não mudou nada, temos um problema aqui. Ou Alckmin é favor ou é contra Lula. Ser contra é patentemente absurdo – ninguém se candidata a vice para, depois de eleito, fazer oposição ao presidente. Então tem de ser a favor; é mentira que haja meio termo, ou que ele vá “segurar” Lula no futuro governo. Não vai segurar nada; vai só assinar embaixo. Isso quer dizer que Alckmin terá de aceitar, entre mil outras coisas, a volta do MST e das invasões de terra garantidas pelo governo, o comando dos empreiteiros de obras e a devolução da Petrobras aos ladrões. Vai ter de assistir quieto ao roubo permanente na Caixa e Banco do Brasil. Vai achar que está tudo certo com a Venezuela e que o único problema, ali, é haver “democracia demais”, como diz Lula.

Não existe chapa “moderada” com Lula e com o PT. Jamais aceitaram o “equilíbrio” com que sonham os analistas políticos: podem dar uns empreguinhos e outras esmolas para Alckmin e seus amigos, mas jamais vão deixar de fazer absolutamente nada daquilo que querem, nem se preocupar com o que o ex-governador acha ou não acha. O que ambos estão querendo vender para o eleitor é uma impostura – apenas isso.

'Terceira via teria de tirar votos de Lula ou Bolsonaro’, diz Márcia Cavallari, diretora do Ipec

Bernardo Mello / o globo

 

RIO — A diretora do Ipec — instituto de pesquisa que sucedeu o Ibope —, Márcia Cavallari, vê pouco espaço para candidatos de centro atraírem eleitores que votam em branco e nulo. Segundo Cavallari, as pesquisas indicam que, para crescer, o candidato da terceira via tem que tirar votos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou do presidente Jair Bolsonaro (PL). A diretora do Ipec também afirma que muitos eleitores estão hoje com Lula por não verem outra alternativa a Bolsonaro e que a pauta anticorrupção perdeu fome para outros problemas, como a fome e a miséria. Leia a entrevista:

Retrospectiva de 2021 em frasesrelembre as declarações que marcaram o ano

A pesquisa do Ipec feita em dezembro mostrou que eleitores mais pobres e moradores da periferia que votaram em Bolsonaro são os que mais mostram intenção de migrar para Lula. O que explica esse movimento?

De modo geral, Bolsonaro está perdendo um eleitor que já foi de Lula e do PT em um momento anterior. Com tudo o que mobilizou a campanha de 2018, que teve um forte apelo anticorrupção e um mote de ir contra o status quo, esse eleitor saiu do PT e foi para o Bolsonaro. Agora, ele retorna às origens, de certo modo.

Esse eleitorado já está cristalizado com Lula, que hoje tem ampla vantagem nas intenções de voto?

Talvez esse eleitor esteja hoje com Lula porque não vê outra alternativa a Bolsonaro. A pesquisa serve para retratar o momento, não para projetar o que acontecerá lá na frente. Lula hoje não está sendo tão atacado como tende a ser na campanha, quando resgatarão com mais força assuntos como a Lava-Jato e os desvios na Petrobras.

Elio Gaspari: A insatisfação do privilégio a policiais

Qual deve ser o tamanho da pauta anticorrupção na campanha?

Só a bandeira da corrupção não será suficiente para um candidato crescer, até porque essa pauta perde força hoje frente a outros problemas. Fome e miséria aparecem hoje entre os cinco principais problemas do país para os eleitores, algo que não acontecia desde 2002 nas pesquisas. Não é que o brasileiro não se importe com corrupção, mas um discurso monotemático nessa área não bastará.

Diante do desempenho estável de Lula e Bolsonaro, há espaço para uma terceira via?

O desafio atual da terceira via, que não é simples, é ter votação mais alta do que Bolsonaro. Vamos supor que o mínimo dele seja 19%, que é hoje seu patamar de aprovação. Então, esse candidato da terceira via teria que ultrapassar este número. Só que, somados, todos os outros candidatos marcaram 17% na pesquisa de dezembro. E há pouco espaço para crescer no eleitorado que vota em branco ou nulo, que hoje está em 9%. Este é o patamar de brancos e nulos que historicamente aparece na eleição. Ou seja, para crescer, o candidato da terceira via tem que tirar votos de Lula ou de Bolsonaro.

Bolsonaro e Lula têm alimentado uma polarização entre si. Isto se reproduz em algum estrato do eleitorado?

Lula é muito mais forte no Nordeste, o que pode dar uma certa clivagem geográfica, similar ao que ocorreu em 2014, quando a polarização entre PT e PSDB ficou mais regional do que social. Mas creio que a questão central em 2022 será a clivagem social, que de certo modo veio acompanhando as últimas eleições presidenciais. Inclusive em 2018, em meio a esse apelo da bandeira da corrupção, (Fernando) Haddad teve melhor desempenho entre os menos escolarizados e com menor renda. Hoje, o voto de Bolsonaro aumenta à medida que crescem as faixas de renda, chegando ao mesmo patamar de Lula entre os mais ricos. Lula, por sua vez, tem mais votos quanto menor a renda familiar. As eleições de 2006 e 2010 tiveram desenhos semelhantes.

As pesquisas do Ipec no ano mostram que a avaliação positiva do governo vem caindo — de 28% em fevereiro, chegou a 19% em dezembro —, mas o voto em Bolsonaro segue estável, em torno de 20%. Isso significa que esse é o piso do presidente?

Há uma diferença muito pequena, no caso do Bolsonaro, entre pesquisa espontânea e estimulada. Sai de 20% na espontânea (quando o entrevistado só é perguntado em quem votaria) para 21% a 23% na estimulada (quando é apresentada uma lista de opções). Bolsonaro tem um núcleo duro que torna bem difícil que caia abaixo do patamar atual. É um voto consistente, de pessoas que avaliam o governo como ótimo e bom, aprovam sua maneira de governar e dizem confiar em Bolsonaro. São eleitores cujo apoio não se deve a um fator específico, mas sim porque comungam das ideias dele. O próprio Lula também varia pouco, de 40% na espontânea para 48% na pesquisa estimulada. Normalmente, a um ano da eleição, você tem um número maior de indecisos, mas agora as pessoas já têm falado de cara em quem pretendem votar.

Com um cenário econômico adverso, há perspectiva de crescimento para Bolsonaro?

O que temos visto nas pesquisas é que a preocupação da população é com a sobrevivência, em como vai lidar com a inflação e o aumento do custo de vida em geral. Bolsonaro, em tese, pode melhorar se puder atenuar esse problema, e também com a entrada do Auxílio Brasil, que ainda é muito recente para ter seu impacto medido nas pesquisas, mas é preciso ver também o quanto e como conseguiria crescer. Em setembro de 2020, ele estava num momento de queda e se recuperou com o auxílio emergencial de R$ 600. Quando cortou o valor e a pandemia recrudesceu, caiu de novo.

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Fundão e emendas transformam eleições brasileiras numa loteria sem prêmio... - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/colunas/josias-de-souza/2021/12/23/fundao-e-emendas-transformam-eleicoes-brasileiras-numa-loteria-sem-premio.

Josias de Souza
 

Colunista do UOL

23/12/2021 11h09

O Orçamento da União para 2022 prevê investimentos de R$ 44 bilhões. O governo nunca investiu tão pouco. No comando da análise e aprovação da lei orçamentária no Congresso, a oligarquia política reservou um montante praticamente igual para investir na sua própria sobrevivência política: R$ 44,3 bilhões. Isso inclui o fundão eleitoral (R$ 4,9 bilhões), o fundo partidário (R$ 1,1 bilhão), a renúncia tributária de emissoras de rádio e TV pela veiculação de propaganda de candidatos (R$ 738 milhões) e as emendas orçamentárias dos congressistas (R$ 37,6 bilhões).

O regime democrático, como se sabe, tem um preço. Entretanto, a destinação de um volume recorde de dinheiro público para o financiamento da atividade política é escandalosa, constrangedora e lesiva. Escandaliza porque a fome o desemprego indicam que o país tem outras prioridades. Constrange porque a verba pública é direcionada para candidatos que condenam o eleitor a optar entre o lamentável e o impensável. Lesa porque o contribuinte paga caro por uma democracia feita de três Poderes e 213 milhões de impotências.

Promovido pelos dirigentes partidários, o rateio das verbas eleitorais virou uma ação entre amigos. Os maiores beneficiários são os próprios donos das legendas e quem já dispõe de mandato. Isso eterniza o atraso, inibindo a renovação. Quanto às emendas enganchadas no orçamento federal, a maioria dos congressistas utiliza a verba para comprar a simpatia dos prefeitos que se engajarão nas suas campanhas.

Sob Bolsonaro, surgiram as emendas de relator, que pioraram o soneto. No ano eleitoral de 2022, elas custarão R$ 16,5 bilhões. São distribuídas sem transparência num cercadinho VIP que inclui a nata do centrão e oposicionistas que têm o diâmetro do cérebro inferior ao do seu bolso. Juntos, os fundos e as emendas transformam as eleições brasileiras numa loteria sem prêmio.

Os presidenciáveis reagem à anomalia com um silêncio que soa como cumplicidade. Lula e Bolsonaro, primeiro e segundo colocado nas pesquisas, negociam alianças partidárias com as mais ricas caixas registradoras, acima de R$ 1 bilhão.

De Bolsonaro à terceira via: para onde vai a direita nas eleições de 2022

Por Alessandra AzevedoCarolina Riveira / EXAME

 

Líder em todas as pesquisas de intenção de voto recentes, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece como a única opção viável da esquerda para as eleições presidenciais de 2022 até agora. Já a direita está fragmentada. Entre os pré-candidatos, ainda falta um nome ou uma chapa de peso que tenha tração para disputar com o petista. 

 

Por enquanto, a direita se divide entre um lado mais radical, que conta com apoiadores fiéis do presidente Jair Bolsonaro (PL) e parte dos simpatizantes do ex-juiz da Lava Jato Sergio Moro (Podemos), e alguma opção que possa vir da chamada terceira via. No centro e à direita, estão João Doria (PSDB), Rodrigo Pacheco (PSD) e Simone Tebet (MDB), por exemplo.

No cenário atual, os nomes mais competitivos para disputar com Bolsonaro o eleitorado de direita são Moro e Doria, destaca o gerente de análise política e econômica da Prospectiva Consultoria, Adriano Laureno. Embora considere cedo para avaliar o potencial de crescimento de cada um, ele não descarta que um desses dois consiga despontar e até chegar a um patamar que desbanque o presidente no campo da direita. 

No caso de Moro, no entanto, será preciso mais estrutura de campanha. Filiado ao Podemos, um partido menor do que o dos adversários, o ex-juiz e ex-ministro da Justiça do governo Bolsonaro precisará de mais tempo de TV e verbas para conseguir angariar votos tanto da centro-direita quanto da direita mais radical. 

“É central na estratégia do Moro uma aliança, por exemplo, com o União Brasil ou com Doria ou Pacheco. Ele precisa de mais palanques nos estados e de base eleitoral para competir com Bolsonaro, que, dessa vez, vai ter tudo isso”, afirma Laureno. Para ele, Moro entra na disputa como candidato de direita, mas não tão extrema como Bolsonaro. 

Dizer que Moro é de centro é “forçar a barra”, acredita Laureno. “As falas políticas recentes dele o colocam na direita tradicional”, considera. Já para a doutora em ciência política Carolina Botelho, pesquisadora da Universidade Mackenzie, Moro está na extrema-direita, assim como Bolsonaro.

Na visão de Botelho, a direita hoje está rachada entre a extrema-direita, representada pelo presidente e pelo ex-juiz, e a direita democrática. “Bolsonaro e Moro vieram do mesmo grupo, que apenas foi dividido em dois por disputa política e projeto de poder. Estavam juntos até o ano passado”, lembra.

Bolsonaro e Moro, juntos, contam com 37% das intenções de voto quando são citados os nomes dos candidatos — 27% vão para o primeiro e 10% para o segundo, pela pesquisa EXAME/IDEIA mais recente, divulgada em 10 de dezembro. Os dois, somados, têm exatamente o mesmo percentual que diz que votaria em Lula, se as eleições fossem hoje.

Mesmo se for considerado opção de terceira via, Moro ainda não se consolidou como uma alternativa forte o suficiente para superar Bolsonaro no campo da direita. Embora conte com 10% das intenções de voto quando são listados os candidatos, apenas 2% dizem que votarão no ex-juiz quando não são apresentados os nomes, segundo a pesquisa EXAME/IDEIA.

Com uma opção de esquerda e duas de direita liderando as pesquisas, a dificuldade da centro-direita e da direita mais moderada será achar um nome competitivo, em um cenário em que nenhum, até agora, tem tido grande projeção. O quarto pré-candidato que se destaca na pesquisa estimulada é o de Ciro Gomes (PDT), com 6%, seguido de Doria, com 4%.

No primeiro turno, a direita menos radical tende a votar em alguma das opções postas na lista da terceira via. Além de Moro, Doria, Tebet e Pacheco, estão colocadas as pré-candidaturas de Alessandro Vieira (Cidadania), Luiz Felipe D'Ávila (Novo) e André Janones (Avante), o que evidencia o nível de fragmentação desse grupo.

Ciro Gomes, apesar de estar na esquerda, pode atrair alguma parcela de centro-direita ou da direita mais moderada. Recentemente, o pedetista tem se engajado na busca desses votos, observa Laureno. “A estratégia dele, vendo que Lula está consolidado em primeiro na preferência da esquerda, é tentar votos mais de centro. Ele fez acenos à direita, mas é difícil dissociá-lo da imagem de alternativa à esquerda”, diz.

“A esquerda se concentra no Lula, que hoje é o símbolo maior. Já a direita, na verdade, pode ser chamada de ‘as direitas’, porque está bem dividida”, avalia o cientista político André César, da Hold Assessoria Legislativa. Segundo ele, tudo indica que parte dos candidatos que hoje estão entre Lula e Bolsonaro vão se organizar em chapas próprias, o que pode mudar o curso das eleições.

Moro, por exemplo, pode realmente se juntar a Doria, e o mais provável é que o ex-juiz assuma a cabeça de chapa. “A direita tradicional, que pode se acoplar em alguma outra candidatura, quer se desvincular dessa imagem radical. Vejo Moro e Doria como as opções mais viáveis hoje no mercado eleitoral nesse campo", diz César.

Para o cientista político da Hold, a direita tradicional não migra mais para Bolsonaro, como aconteceu em 2018, com o apoio de Doria ao atual presidente, por exemplo. “Isso não deve se repetir. A direita menos radical e a centro-direita se descolaram de tal forma de Bolsonaro que hoje não há o mínimo diálogo”, afirma.

No segundo turno, porém, a situação é mais difícil para a direita tradicional, caso não emplaque um candidato forte. Se chegar um momento em que será preciso escolher entre Bolsonaro e Lula, como indicam as pesquisas, a extrema-direita irá, naturalmente, para o atual presidente. Mas a direita moderada, apesar de todas as críticas aos governos petistas, pode embarcar na candidatura de Lula, principalmente se o vice for de centro-direita ou de direita.

É nesse cenário que uma chapa com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin poderia beneficiar o ex-presidente. “No primeiro turno, tem opções para a direita. Ela pode querer não embarcar em uma chapa Lula-Alckmin. Mas, no segundo turno, tem peso simbólico a união de dois grupos que até pouco tempo estavam em lados opostos, mas que se juntaram para fazer frente ao que representa Bolsonaro”, acredita Botelho.

O segundo turno das eleições tende a ser uma disputa de rejeições. Resta saber como a direita se posicionará nesse contexto. Embora a rejeição de Bolsonaro, hoje, seja maior do que a de Lula, esse quadro pode mudar. "Por enquanto, Lula está em um momento de lua de mel, não está sendo tão atacado ainda, e Bolsonaro está no pior momento. O antipetismo pode aflorar na campanha", ressalta Laureno.

 

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