Partidos da terceira via estão perto do anúncio de uma chapa única
GERMANO OLIVEIRA / ISTOÉ
Finalmente, a terceira via está muito perto de ter um candidato único para disputar a presidência da República. Os presidentes do MDB, Baleia Rossi, do PSDB, Bruno Araújo, e do Cidadania, Roberto Freire (por videoconferência) e com a presença do vice-presidente desse partido, Daniel Coelho, reuniram-se nesta quarta-feira, 11, pela manhã, na sede do PSDB em Brasília, e avançaram nas discussões pela formação de uma chapa única para enfrentarem os candidatos dos extremos: Lula, pela esquerda, e Bolsonaro, pela direita.
Os presidentes dos partidos que compõem a chamada terceira via definiram, nessa reunião, os critérios que definirão como será a escolha do candidato único. E todos foram unânimes de que os parâmetros iniciais, propostos pelo MDB e avalizados pelos presidentes das demais agremiações. Os critérios serão a adoção de pesquisas qualitativas e quantitativas para a avaliação do desemprenho dos candidatos desse grupo, como João Doria (PSDB) e Simone Tebet (MDB).
Os critérios e demais questões pendentes serão agora apresentados à aprovação das instâncias partidárias e aos postulantes à Presidência para que, em curto prazo, seja apresentados à sociedade e imprensa “um projeto democrático que aglutine esperança no futuro do País”, disseram os integrantes dos partidos reunidos em Brasília.
Em nota, mais cedo, Doria, que acaba de retornar dos Estados Unidos, para onde foi para reuniões com investidores estrangeiros e para participar da entrega do premio da personalidade do ano, no Metropolitan, em Nova York, lembrou que ele está à frente de Simone Tebet, do MDB. Ele vem pontuando nas pesquisas com variação de 3 a 6%, enquanto que a candidata do MDB aparece com algo entre 1% e 2%.
Não se descarta, a esta altura, uma chapa com Doria e Teber. O União Brasil, de Luciano Bivar, que participava desse grupo, preferiu sair e se lançar candidato de forma isolada, mas a terceira via ainda espera que ele possa voltar a integrar a terceira via mais para a frente. No União Brasil está também o ex-juiz Sergio Moro, que pode participar da chapa única, como candidato ao Senado por São Paulo ou mesmo vir a ser candidato a deputado federal.
O nome que encabeçará essa chapa ainda poderá ser divulgado até o próximo dia 18, conforme havia sido estabelecido. Doria e Tebet chegaram a ficar incrédulos quanto ao acordo, mas as conversas entre os dirigentes partidários evoluiu bastante de forma favorável ao entendimento que objetivasse o entendimento para a chapa única. Afinal, parte desses partidos vinha com uma tendência de ficar do lado de Lula ou Bolsonaro, e isso as direções partidárias querem evitar a qualquer custo.
‘Não vai ter teto de gastos no meu governo’, afirma Lula
Por Matheus de Souza / O ESTADÃO
Pré-candidato do PT à Presidência, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou criticar o teto de gastos e disse que, se eleito, irá acabar com a medida. “Não vai ter teto de gastos no meu governo”, afirmou o petista durante encontro com reitores de universidades federais em Juiz de Fora (MG). Uma das principais âncoras fiscal da economia, o teto de gastos fixa um teto anual para o crescimento das despesas.
“O que vai resolver a relação entre dívida e PIB é o crescimento do PIB”, disse Lula, que afirmou que pretende ampliar investimentos em educação. “É o que dá mais retorno ao País”.
Criado no governo do ex-presidente Michel Temer (MDB), o teto de gastos foi várias vezes criticado por Lula. Como mostrou o Estadão/Broadcast Político, o senador Marcelo Castro (MDB-PI), escolhido como relator-geral do Orçamento de 2023 no Congresso, defendeu excluir as despesas do Auxílio Brasil do teto, por exemplo.
Além do teto de gastos, Lula e economistas do partido já defenderam a revisão da reforma trabalhista, também aprovada no governo Temer, e privatizações.
Para 82%, voto em Bolsonaro é definitivo, diz CNT; 78% não mudarão voto em Lula
Pesquisa da Confederação Nacional do Transporte (CNT) divulgada nesta quarta-feira (10) mostra que 78,1% dos entrevistados que têm a intenção de votar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dizem que a decisão é definitiva, enquanto 21,9% afirmam que “podem mudar”. Dos eleitores que têm a intenção de votar no presidente Jair Bolsonaro (PL), 82,1% consideram que o voto é definitivo e 17,9% assumem que “podem mudar”.
No caso de Ciro Gomes (PDT), 51% disseram que a escolha é definitiva e 49% podem mudar. Dos entrevistados que têm a intenção de votar em João Doria (PSDB), 34,9% consideram que o voto seja definitivo e 65,1% podem mudar.
Potencial de voto
Dos entrevistados, 28,2% disseram que “votariam com certeza” em Bolsonaro; 15,4% “poderia votar nele”; 53,9% não votariam “de jeito nenhum”. Em relação a Lula, 35% afirmam que “votariam nele com certeza”; 18,6% poderiam votar nele; 44,1% não votariam de jeito nenhum. Se o candidato fosse Ciro Gomes (PDT), 4,3% dos entrevistados votariam nele “com certeza”; 39,5% poderia votar nele; 48,2% “não votaria de jeito nenhum”.
João Doria (PSDB) é o pré-candidato que acumula maior rejeição. Dos entrevistados, 68% disseram que não votariam nele “de jeito nenhum”; 19% poderiam votar nele; e 1,5% votaria nele “com certeza”.
A senadora Simone Tebet (MDB) acumula o maior nível de desconhecimento. Segundo a pesquisa, 48,5% dos entrevistados disseram que “não conhecem”; 37,5% não votariam “de jeito nenhum”; 10,4% poderia votar nela; e 1,2% votaria nela “com certeza”.
No levantamento agora divulgado, foram entrevistadas 2.002 pessoas entre os dias 4 a 7 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. A pesquisa foi registrada na Justiça Eleitoral sob número BR-05757|2022.
Ameaça à democracia não representa cheque em branco à campanha de Lula
Bolsonaro tornou as coisas mais fáceis para Lula. Tão fáceis que bastou o líder nas pesquisas anunciar que sua prioridade é restaurar a democracia e reconstruir tudo o que o capitão destruiu —saúde, educação, ciência, meio ambiente cultura...— para que a mistura de lula com chuchu fosse vendida como manjar. "Um hit da culinária brasileira", exagerou Alckmin. "O prato da moda no Planalto" em 2023, ecoou Lula.
Impossível discordar da prioridade atribuída à democracia e à reconstrução da administração pública. Mas o desafio é bem maior do que misturar lula com chuchu numa chapa ou numa receita de risoto replicada nas redes sociais. Será necessário administrar diferenças internas para apresentar um cardápio econômico mais denso e palatável.
Para ficar nos exemplos superficiais, Lula defende mudanças na política de preços da Petrobras e abomina as privatizações. Alckmin e outros conservadores que o pajé do PT deseja atrair para sua caravana querem a paridade internacional dos preços dos combustíveis e a desestatização de empresas como a Eletrobras. Aprovam a venda de subsidiárias da Petrobras.
A despeito dos ataques ao sistema eleitoral e das ameaças às instituições, Bolsonaro avançou nas pesquisas eleitorais. O crescimento empurra Lula para um discurso do tudo-ou-nada democrático. Quanto maior for o número de aliados, mais aguado tende a ficar o programa de governo. Para atrair eleitores não convertidos, a pregação torna-se evasiva.
Sumiram do pronunciamento lido por Lula no sábado, por exemplo, referências à reforma trabalhista. Nem revogação nem revisão. Nada! Aprisionado dentro das quatro linhas do discurso escrito, Lula preferiu equiparar a defesa dos direitos trabalhistas com uma pregação anódina em favor da retomada do crescimento econômico.
Num ambiente assim, é preciso cuidar para não produzir uma decepção pós-eleitoral. Supondo que Lula prevaleça, Bolsonaro vai para casa. Nem por isso a inflação acabará, os empregos ressurgirão e o endividamento dos brasileiros desaparecerá. É preciso informar quais são os planos para melhorar a mistura..
Pode-se anunciar boa comida da boca pra fora. Mas é da boca pra dentro que se descobre a qualidade do prato. O risco à democracia não pode ser confundido com cheque em branco. Convém adicionar tempero à receita. Sob pena de encurtar o intervalo entre a eventual consagração e a desilusão.
Pela sexta vez
Pela sexta vez nas nove corridas eleitorais para a Presidência sob a Constituição de 1988, o PT indicará como candidato Luiz Inácio Lula da Silva. Seu discurso de sábado (7), no lançamento da chapa, mostra que o líder petista evoluiu em alguns aspectos, embora não em outros, ao longo desses 33 anos.
Com as três derrotas de 1989 a 1998, e com as duas vitórias subsequentes, aprendeu a tomar distância relativa de algumas vicissitudes ideológicas que uma vertente da esquerda brasileira até hoje carrega como herança da Guerra Fria.
A abertura para forças de outras extrações e a modernização que redundaram desse processo contribuíram para o triunfo eleitoral de 2002 e, sobretudo, para a gestão moderadamente reformista do mandato inicial. O pacto com Geraldo Alckmin (PSB), político de origem conservadora por décadas rival do PT, sugere que esse aprendizado não foi de todo esquecido.
O Bolsa Família —resultado de outra derrota imposta por Lula no primeiro governo à ala dogmática, que tachava o programa de "neoliberal"— também foi lembrado no discurso deste fim de semana.
Falar às necessidades da parcela mais pobre da população, altamente representada no eleitorado, parece a estratégia mais forte do ex-presidente num contexto de aceleração inflacionária e desemprego.
Menções à agenda da inclusão e do desenvolvimento sustentável, desprezada por incompetência e negligência ideologicamente motivada no governo Jair Bolsonaro (PL), abrangeram educação, saúde, infraestrutura e meio ambiente.
Os bolores de ideias obsoletas, no entanto, não foram totalmente varridos do repertório do chefe petista. Eles se acumulam nas propostas para a economia e na confusão de desenvolvimento econômico com intervencionismo estatal.
Após o desastre na renda e no emprego e o descalabro de corrupção causados pela implantação desse receituário durante o seu segundo governo e os de Dilma Rousseff, Lula insiste em defender o fortalecimento de estatais em mercados como os de energia e o financeiro.
Nesse terreno, as afirmações do pré-candidato petista atual não se distinguem do que ele pregava antes da queda do Muro de Berlim. A diferença é que agora não se trata mais de falas abstratas, vindas de um político que jamais experimentou a tarefa de governar e portanto poderia abusar das bravatas.
Advogar o fortalecimento do intervencionismo econômico, no Brasil concreto, é cevar lobbies bem posicionados que parasitam o erário. Lula não entendeu, e isso preocupa, que o avanço da agenda social inclusiva que corretamente defende depende de fazer-se o inverso —afastar os caçadores de renda da esfera das decisões estatais.

